31 de outubro de 2011

Pequenos grandes gestos

Por
Jorge Carrano
http://www.tauvirtual.com.br/


Quando eu era criança, vi e vivi muitas vezes a cena. Na hora do recreio, os meninos – boa parte do tempo correndo atrás de uma bola – acabavam deixando cair uma parte, quando não tudo, de seus lanches (que eram chamados “merenda”). Uma vez aconteceu comigo, e meu então melhor amigo estendeu o sanduíche de presunto dele e falou: “tira um tasco”. Dei uma mordida e fomos em frente, atrás da bola.

No mês passado, meu filho viveu uma situação similar. O aniversário da professora estava chegando, e alguns pais resolveram fazer uma vaquinha para comprar um presente. Mas faltou combinar direito, e ficou naquele “deixa que eu deixo”, e o presente não foi comprado. Só que as crianças não sabiam disso. Afinal, juntar a grana e comprar o presente era tarefa dos pais…

No dia do aniversário, um dos amigos (cuja mãe não sabia do “projeto vaquinha”) levou um presente por conta própria. Na hora “h”, as crianças se perguntam, “cadê o presente”? Silêncio. Bateu o desespero. E agora? O menino que havia levado seu presente “solo”, vendo a aflição dos amigos, pegou o cartão que acompanhava o embrulho, riscou o nome dele e escreveu “de todos”. E a professora ganhou o presente achando que era da turma.

Parece pouco, mas é um gesto de enorme significação. Em que momento de nossa vida nos tormamos mais egoístas, não sei dizer. Trabalho para os psicólogos, talvez.

Há quem acredite ser esse um comportamento da nova geração, nascida sob o signo do “compartilhamento” e “curtição” típicos das redes sociais. Discordo.

Meu palpite é que essa nova geração – que corre da mesma maneira atrás da bola, apesar do iPod no bolso – tem o mesmo senso de compartilhamento das gerações anteriores. É um gesto natural de crianças. Sempre foi. Atribuir esse comportamento ao fenômeno contemporâneo da internet só repete o discurso manjado de atribuir tudo de bom ou ruim que acontece às redes sociais. Um exagero.

Para provar que o gesto é natural, a organização humanitária ACF (Ação Contra a Fome) lançou, na Espanha, um experimento, materializado num comercial que mostra uma situação em que crianças se vêm diante de uma situação de dividir (ou não) um sanduíche.

O vídeo – e a mensagem que ele traz – são preciosos como as crianças. Click no link abaixo e assista.



http://youtu.be/-5htoK742UQ






Written by Jorge Carrano in: Artigos,Cultura,Digital
Publicado originariamente em http://www.cavernaweb.com.br/?p=2017

Religião, quem precisa?

Estou longe das religiões, não da fé. Sou ateu não praticante. Já apregoei isto aqui no blog.

Binômio de atriz e cronista quinzenal, Fernanda Torres, em recente crônica afirmou que o sincretismo religioso, somado a superstição medieval, não lhe dão coragem de mandar um panteão inteiro de divindades plantar coquinhos. E arremata: “Pelo sim, pelo não, cultivo uma discreta credulidade”.

Mesmo quando coroinha, e fui durante dois anos, não levava muito a sério a história de Adão e Eva, e muito menos que Maria fosse virgem.

Se há um Deus – e a grafia com letra maiúscula tem mais a ver com regra de escrita de nomes próprios do que com reverência ao criador – porque o truque de escolher Maria, concebida sem pecado, para gerar seu filho? Para Adão e Eva não usou um ventre. E porque Adão não é chamado de filho de Deus, como Cristo?

E a virgindade de Maria? Segundo li alhures¹, na Sura² 19, cujo título é Maria ( Maryam), está descrito como Jesus veio ao mundo. O anjo Gabriel, travestido de homem, vai até Maria e anuncia que ela daria à luz um filho imaculado. Maria, provavelmente com um misto de ironia e incredulidade, teria rebatido: “Como poderei ter um filho se nunca nenhum homem me tocou e jamais deixei de ser casta?” O anjo então redarguiu que assim seria, porque o Senhor disse: “Isso me é fácil! E faremos disso um milagre para os homens...”

Ora, uma dúvida em assalta. Seria José um dos primeiros Gays da hitória? Ou sofria de misoginia? Não relou um dedo em Maria?

E não me conformo que ele - Deus - onisciente e onipresente, não soubesse que o ser humano não daria certo. Deveria saber. E depois mandar um filho para nos salvar e ao mundo? Corrigir seu engano em relação a criação do homem, entregando este filho a própria sorte, a ponto deste filho ficar decepcionado? Lembram?

"Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?"("Eli, Eli, lama azavtani", em hebreu), ou com a pequena variação em aramaico "Eloi, Eloi lama sabachthani". (http://www.fraternidaderosacruz.org/frcp_pqma.htm)

Para a religião judaica, segundo o Torá,  "Jesus é um obstáculo que faz a maioria do mundo errar para servir a uma divindade além de Deus".Os judeus que acreditam que Jesus é o Messias "cruzaram a linha" para fora da comunidade judaica. Ou ainda, segundo  o movimento judaico progressista moderno: "Para nós, da comunidade judaica alguém que afirma que Jesus é seu salvador já não é um judeu e sim um apóstata".(ver em http://en.wikipedia.org/wiki/Mishneh_Torah)


Bem, acho que vou abrir outra frente de discórdia com amigos e parentes que por ventura visitem este espaço. Já não bastam as posições políticas que assumo e me trazem criticas e reprimendas, ainda venho com criticas a igreja e as religiões em geral?

Assisti, recentemente, um belo filme argentino, chamado “O Filho da Noiva”. Se outras virtudes não tivesse, o filme tem um diálogo entre o personagem “filho da noiva” e um padre, que é um primor de critica contundente a algumas posturas hipócritas da igreja.

Em síntese, o padre se recusa a efetuar um casamento, sob a alegação de que a mulher sofre do mal de Alzheimer e, logo, não tem consciência do ato. O filho reage dizendo que no batismo da mãe, recém-nascida, também destituída de consciência, a igreja não se preocupou com tal fato.

Vou contar dois casos, apenas dois dos muitos que vivenciei, que foram importantes em minha tomada de decisão de abraçar o ateísmo.

Já contei que para me casar, em Cachoeiro de Itapemirim, precisava provar ao padre de lá , que me submeti a uma prova de suficiência religiosa, na paróquia de meu bairro em Niterói. Deveria levar uma declaração do padre, atestando o fato e autorizando o matrimônio.

Não contei a história por inteiro,  porque não era o caso, pois falava das dificuldades de comunicações no passado e o quanto avançamos nos tempos atuais, com telefonia móvel e internet.

Mas agora que o tema é religião, vou contar. Alertado de que precisava da autorização do padre, fui até a igreja da Vila Pereira Carneiro em cuja área de influência eu morava.

Procurei o padre e pedi a autorização. Ele me fez perguntas sobre o catecismo, batismo e primeira comunhão, que respondi. Mas a horas quantas me pediu para provar (juro!) que eu sabia rezar o Pai Nosso e a Ave Maria e a Salve Rainha. Ai fiquei fulo, afinal eu fora coroinha naquela mesma igreja e já havia dito isto a ele. Recusei-me e fazer as orações para ele. Ele não me deu a tal autorização. O resto da história já contei em http://jorgecarrano.blogspot.com/2011/10/geracao-marisco.html

Outra decepção muito grande ocorreu quando fui, pela primeira e última vez, padrinho de batismo. As negociações preliminares, envolviam preço. É, isso mesmo, preço. Não seria um batizado coletivo, mas sim individual. Logo, vestir todos os paramentos e banhar a cabeça da criança, para o padre tinha um custo. Até ai, vá lá, já que não tínhamos um Rio Jordão nas proximidades. Mas o estarrecedor veio quando o padre perguntou se eu queria com sagração ou sem sagração³. Perguntei a diferença e ele: “Sem sagração é tanto e com sagração é xis” (digamos que fosse R$ 100,00 sem sagração e R$ 150,00 com sagração). Horrorizado respondi: Quero com sagração porque se é mais caro deve ser melhor.

No batismo não tinha uma tabela para consulta, pois afinal eram apenas dois preços. Mas no casamento a tabela era imensa e contemplava, mais ou menos, o seguinte: Com música é tanto se for gravação; se for com órgão, ao vivo, custa mais tanto; se forem acesas 20 velas é tanto, com 50 velas mais xis e assim sucessivamente, aumentando a cada 10 velas que se queira; a ornamentação também varia em função da quantidade de flores e do tipo que se queira; com arranjos nas laterais dos bancos ou só nos altares; o tapete estendido no corredor tem um custo adicional; repicar de sinos? Tem que pagar.

Ah! Você quer, além do órgão executado ao vivo, que tenha uma soprano? Vai pagar uma nota preta.

Onde as sandálias da humildade do pescador? Você poderá argumentar que é a vaidade dos nubentes que leva à cerimônias dispendiosas. Eu acho que a igreja não deveria oferecer as opções de pompas e circunstâncias.


¹) Ali Kamel, “Sobre o Islã” (Nova Fronteira, 2007)

²) Sura, é nome dado a cada capítulo do Alcorão. O livro sagrado da religião islâmica possui 114 suras.

³) Por tradição, os padrinhos pagavam as despesas e gratificavam os coroinhas.

4) Torá  é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh, e que constituem o texto central do judaismo.

29 de outubro de 2011

Ambulantes de praias

Em post anterior mencionei os vendedores de tring-ling e algumas pessoas ficaram sem entender do que se tratava. Pior foi a descrição que tentei fazer do artefato que levavam na mão, prapa chamar atenção (pedaço de madeira que agitada, acionava uma alça de metal articulada, que produzia ruido característico). Achei na rede mundial esta foto que é de um vendedor de pirulito caramelado, em formato cônico e envolto em papel celofane. Observem que ele tras na mão direita o mesmo treco que produz o som semelhante ao de uma matraca. O tring-ling é um canudo de wafer, com a casquinha fininha e bem crocante.
Mais sobre o mesmo em http://jorgecarrano.blogspot.com/2011/07/ambulantes-nos-anos-1940-parte-i.html

http://jorgecarrano.blogspot.com/2010/08/icarai.html

Os vendedores de picolé e sorvete também estão presentes em nossa praias. Aliás lugar mais indicado para venda destes produtos, rivalizando, talvez, com as portas de colégios. Sejam industrializados, sejam artesanais, os picolés são sempre bem-vindos no verão, sob o sol escaldante.
Quanto aos sorvetes, produzidos por indústrias consagradas em larga escala, o pioneiro é o Kibon. Vendido nas famosas carrocinhas marelas, presença constante nas praias e portas de escolas.


O problema com os chamados artesanais é que não se sabe em que condições de higiene foram produzidos, a partir da própria água utilizada. Em compensação são bem mais baratos e muita gente entende que o que os olhos não veem...

Os vendedores de refrescos são presença obrigatória em nossas praias.



São comuns, também, os vendedores de canga, chapéu de palha, bronzeador e até óculos escuros protetores da luz solar.





Um dos mais conhecidos tipos de vendedores de praia, pelo menos no Rio de Janeiro, é o de erva mate, principalmente do fabricante cujo nome está estampado na camisa dos ambulantes. São tão tradicionais e com consumidores tão fiéis, que recentemente o governo municipal pretendeu proibir o comércio deste produto nas areias;  houve uma reclamação geral. A prefeitura desistiu da proibição, em face do clamor popular.



Nas areais eles não são muito comuns, mas nas calçadas que margeiam as praias também são encontráveis: vendedores de pipoca e algodão doce. Eles são mais frequentes nos parques e circos.
O mais comum de todos, é o pipoqueiro, oferecendo as versões doce e salgada, em sacos pequenos e grandes.


Outro que se mantém, e está presente mais constantemenete nos parques de diversões e circos, é o vendedor de algodão doce. O algodão-doce é formado a partir de açúcar cristalizado. Por incrível que pareça, o algodão-doce possui baixo valor calórico em razão de conter uma baixa quantidade de açúcar; normalmente apenas uma colher-de-chá.



Por fim, há que comentar um dos produtos mais tradicionais, presença obrigatória nas praias do Rio de Janeiro (acho que só vende lá) e, eventualmente, nos congestionamentos de trânsito. Trata-se do biscoito Globo. Quem ainda não provou?



Imagens encontradas no Google.

Onde está a Niterói de minha mocidade?

A cidade, tida e havida como o lugar onde todo mundo conhecia todo mundo. Ou conhecia alguém que conhecia o outro, está mudada, descaracterizada.

Durante anos, em minhas caminhadas no calçadão, encontrava rostos conhecidos. E estes rostos foram envelhecendo juntamente com o meu. O aceno de mão, um voto de bom dia ou desejo de bom final de semana, mantinham os vínculos que vinham dos bancos escolares, das peladas na praia, dos bailes no IPC ou no Regatas.

Esta Niterói, da canja salvadora, nos finais de noite, na Leiteria Brasil, de muitas histórias, acabou juntamente com este estabelecimento tradicional, onde meu pai comprava biscoitos amanteigados, então vendidos no varejo. Sim, os biscoitos eram acondicionados em latas grandes (5 Kg?) e vendidos no varejo, no peso que desejávamos e embalados em sacos de papel branco. Comprávamos, também, a manteiga de Cordeiro ou Macuco, de ótima qualidade, até que as margarinas (chamadas por minha mãe de graxa) infestaram o mercado, por conta de uma falácia: produz muito colesterol.

E os chás com “torrada Petrópolis” da tarde ? A Leiteria Brasil era quase a nossa Manon ou a Cavê, famosas no Rio de Janeiro.

Onde o trampolim no qual os mais audazes saltavam da terceira plataforma? E eu, meio temeroso, de lá, só pulava da forma que chamávamos de “bomba”, ou seja, em pé.

Um motorista de taxi, misto de sociólogo, deu uma explicação bem fundamentada quando a conversa enveredou pelo crescimento desordenado da cidade, que atravancou o trânsito e trouxe outras mazelas urbanas.

Tentarei ser o mais fiel possível as palavras dele. Disse: “Antigamente as pessoas que vinham morar em Niterói, eram do interior do Estado. Famílias de classe média, com nomes tradicionais, que vinham para que os filhos pudessem cursar faculdades e por aqui construíam suas carreiras profissionais”.

Hoje vêm para cá moradores dos subúrbios do Rio, com pouca educação e hábitos antissociais. Isso estragou a cidade. Acabou a delicadeza, a educação.”

Verdade! Se alguém dissesse que era de Santo Antonio de Pádua (por exemplo), você logo perguntava: de que família? Porque existiam famílias tradicionais nas cidades do interior do Estado.

Presto assessoria para uma imobiliária e testemunho o comportamento diferente dos locatários atuais.

Pessoas que vieram do Rio de Janeiro, de bairros afastados, comportam-se de maneira inadequada nos condomínios, desrespeitando as normas e criando problemas de convívio.

Os hábito, os costume e o estilo de educação são diferentes daqueles que adotamos desde sempre.

Sinto saudade do sorvete do italiano existente numa construção tosca existente num dos endereços da praia e que oferecia uma enorme variedade de sabores, principalmente frutas.

Sinto saudade do brotinho de presunto e do chopinho da Gruta de Capri, que ainda está lá, mas não está, entendem? Perdeu o charme e a frequência dos amigos. Onde a paquera? Onde os longos papos de projetos e sonhos?

Acabou o Liceu, acabou o Instituto de Educação, celeiro de bonitas mulheres. Eu sei, os prédios estão lá, mas e a alma?

A Ponte Rio-Niterói atraiu muita gente para a cidade. Se Thomas Jefferson disse que "o cavalo já foi um erro", eu diria que a ponte estragou a cidade, que virou corredor de passagem para a região dos lagos e para São Gonçalo. Saudades das barcas da Cantareira que nos propiciava uma gostosa travessia, em direção ao trabalho, desfrutando da paisagem e de uma brisa agradável;  e podiamos aperoveitar o tempo na leitura dos romanaces preferidos, ou se atualizando com o noticiário dos jornais matutinos. Mas há quem prefira o engarrafamento da ponte, com os carros se arrastando uns atrás dos outros.

Acabou nosso sossego, acabou a segurança, acabou a cordialidade entre vizinhos.

Acabou o sorriso, que por alguma razão era o epíteto da cidade.

28 de outubro de 2011

Mães alienadas e desnaturadas

Com uma letra muita bem construída, Chico Burque esboçou  o retrato de um número cada vez maior de mães irresponsáveis e despreparadas para a maternidade, que estão povoando a periferia e os morros, principalmente, mas também uma fração da classe média, com marginais frios, destituídos de sentimentos e que banalizaram o crime de homicídio.

Vejam o perfil da mãe alienada, nos versos do Chico:

"Chega suado
E veloz do batente
Traz sempre um presente
Prá me encabular
Tanta corrente de ouro
Seu moço!
Que haja pescoço
Prá enfiar
Me trouxe uma bolsa
Já com tudo dentro
Chave, caderneta
Terço e patuá
Um lenço e uma penca
De documentos
Prá finalmente
Eu me identificar
Olha aí!"
 
Quanta pureza. Quanta inocência, não?
 
Fiquei chocado (ainda me surpreendo) com cenas de um noticiário da TV, sobre um menino marginal que assaltou uma farmácia, e mesmo depois de pegar o que pretendia, atirou fria e covardemente na cabaça de uma das  donas do estebelecimento. Ainda ilustrando a matéria, exibiram uma gravação de entrevista com a mãe do animal, pedindo desculpas à família enlutada pelo ato do filho.
 
A pergunta é a seguinte: onde ela (a mãe) estava antes dele enveredar pelo crime?
 
Servindo de inspiração para o Chico Burque, certamente.

Nojo de política

Já queimei meu filme com alguns amigos por causa de política. Alguns se dizem e se colocam à esquerda; outros estariam à direita. Para todos estou do lado errado, segundo suas visões.

Nunca me alinhei automaticamente e incondicionalmente com qualquer partido, ideia, corrente ou movimento.

Mas já estive em alguns, tempo suficiente para sedimentar minha filosofia política: não existem bem intencionados sinceros. Talvez a curto prazo exista.

Todas as ideologias se perdem porque difundidas e lideradas por homens. E o ser humano, já sentenciou o Millôr, não deu certo.

Para não ir muito longe, nem geograficamente e nem no tempo, falo do nosso PT.

Voces lembram dos discursos contra a corrupção, contra os latifúndios improdutivos, contra os grileiros, contra a ditadura?

Pois é, nunca na história deste país tivemos tanta corrupção. Os números levantados nos últimos anos, com governos petistas , ditos socialistas, são alarmantes: 85 bilhões de reais, só no último ano (VEJA nº  2240, de 26.10.11)

O pusilânime e grileiro José Ribamar, agora é aliado do governo petista e um dos pilares da sustentação do partido no poder, virando líder de uma base aliada formada por ladrões, fraudadores, assassinos, a pior escória política jamais vista.

Os adjetivos atribuídos ao Zé Ribamar, no passado,  não são de minha iniciativa, mas sim dos militantes do PT, e proferidos nas inúmeras passeatas e comícios que promoviam antes de Lula ser, finalmente, eleito, porque representava uma esperança de termos um governo que não transigisse com a corrupção.

No respeitante ao combate à ditadura, o PT revela-se contra o regime totalitário apenas no Brasil, para uso interno, porque para o resto do mundo, nossa política externa louva e apoia as ditaduras, civis ou militares, dos Kadhafi, Chaves e Castros da vida.

Damos abrigo político a bandidos comuns, assassinos covardes, como o tal de Battisti.

No outro dia, no programa Roda Viva, da TV Bandeirantes, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, reiterou o que já havia deixado transparecer em seu voto quando do julgamento, naquela Corte de Justiça: os crimes praticados pelo bandido, foram por motivos torpes, alguns por pura vingança. E de forma covarde.

E o Lula o que fez? Na véspera do final de seu mandato, na calada da noite, à sorrelfa, concedeu asilo político ao Battisti. Conseguiu, a um só tempo, desrespeitar o Judiciário italiano, colocando sob suspeição o julgamento ocorrido naquele pais, e, ainda, violar tratado internacional, firmado com a Itália, que disciplina as extradições.

E o PC do B? Que vergonha!  Está atolado na lama até pescoço, com essa do Orlando Silva, ministro da pasta de Esportes.

Política? Estou fora! Tenho nojo.

27 de outubro de 2011

The iPhone and the toilet

My son Breno, who now lives in England, had warned me, after buying his ...." purchase an iPhone and you will see what it is. "

I resisted for a long time, until this recent trip to Las Vegas, when my son Paul ordered me an iPhone 4, unblocked for use in Brazil.

There I was with Isa on the final day, strolling through the Forum Shops (a fantastic shopping center), when we faced with a huge Apple store. We had agreed not to shop in Vegas, because we would still at Orlando for 8 days.

Isa warned ...." But let's just get it ... we will arrive in Orlando and for some reason they do not have an unblocked one in stock. "

I trembled! ... She is always right. I entered the store. A wonder, madness .... we were very well attended.

- Yes - the kind seller performed.

- An unblocked iPhone 4 please.

- Takes one to you - Isa murmured.

- No! - I replied immediately.

- Enjoy, is inexpensive, you will regret later ... take one to you at once.

- No,

- You will regre......

- Gimme two, please.

Ready .....I bought it. I bought and even opened the box during the remainder of the trip. I looked at the box (beautiful by the way, a treat among Apple´s stuffs for fanatics like me now ... rsrsrs), looked, looked, and nothing ... fear of approaching it.

-Will you not open it and take a look at your iPhone? - Isa asked.

- No! In Brazil I think about it.

She then opened the other one, and began to move, and to navigate with the wi-fi in our room. And I, sideways, looked at each risked .... hmmmm .... this beautiful screen. And she said, "look at this, look what ...".

We arrived on a trip, that madness to unpack and, as always, look "that everything you think for those who bought thousands of dollars," and say, but that's it?? Where's the rest? Hey, the rest were those wonderful restaurants, one trip to the Grand Canyon, those Disney parks ...

And the iPhone! Yesss , iPhones ... where's mine?

Well, friends (paraphrasing the nasty Galvao Bueno ... sorry if anyone likes it), and then everything started. After devouring the 285 pages of the manual that I downloaded from the Internet, I was able to enjoy the toy.

Here an observation: manuals have always valued, I always read them in full. My kids despise. And worse ... they have the ability to operate a contraption without reading a single line of instructions developed by hard production engineers ..... ! What is this? Are they smarter than us? Good story for the blog, my friend!

Returning to the toy .... My God in Heaven! what I had in my hands .... Of course, at least, I can make calls ..... (laughs).

But more than this: hundreds of free or low cost applications to acquire ... each one cooler than the other.

Well, I have in hand, anytime, with spectacular resolution screen :

- I love games, like Battleship, Hangman, Solitaire, Sudoku, chess, bowling, golf, purrinha, Ludo, Labyrinth, etc!

- Point the iPhone to a plane in the sky, and he tells me what is the airline, flight number and destination

- point to the sky and it shows me the exact position of the stars at the moment

- with the internal GPS do wonders in terms of location, which is around me, who is near me, I "check in" on location, report what is happening at the moment for those who want

- it is a repellent to mosquitoes bugging me that night

- it has massager

- you have musical or pillow with forest sounds

- Interactive Pilates

- cardiograph

- 764,902 Songs

- 10,000 radios from anywhere in the world!

And the magic he does with our pictures and videos?

I could stay here until tomorrow telling you the potential of the toy. But it became a problem .... even a big problem .... I JUST CAN'T STAY AWAY FROM IT.

I spend hours exploring the news that did not stop entering its database, I take it to sleep with me on the table beside the bed, I'm holding it in the house (I don´t know why), having lunch with him next to me (at home or restaurant), I keep sailing with him on Facebook and Twitter .... I left my books, my guitar .... I only have eyes and hands for my iPhone 4.

Was it a 21th Century´s Tamagotchi ?

Oh, yes ... I almost forgot ....the title of the matter .... I do not take books or my newspaper to the bathroom anymore !


Help me please.

Messages of support or spiritual support to paulomarch@gmail.com

26 de outubro de 2011

Geração marisco

Sou da geração marisco, a que ficou entre as ondas da modernidade, dos avanços tecnológicos, e as pedras, representadas por conceitos sedimentados, máquinas e equipamentos eletromecânicos e analógicos com os quais estávamos acostumados.


O impulso das ondas da modernidade, um verdadeiro tsumani, nos empurra para o convívio e o uso de máquinas e equipamentos antes impensáveis, que conhecíamos de ficção científica; mas nossos cérebros e raciocínios lógicos estão enrijecidos como pedras.

Não que não houvesse avanços tecnológicos. Havia. Por exemplo: depois de muitos anos com máquinas de escrever manuais, apareceram máquinas elétricas, que ofereciam comodidades maiores (velocidade, menos esforço, "cebola" para seleção de tipos e corpo de letras). Mas, ainda assim, usávamos carbono quando precisávamos de mais de uma via, e quando errávamos a correção era um horror: borrachas que sujavam mais o papel do que corrigiam, em especial na via carbonada. E o corretor líquido que surgiu depois também não significou grande melhoria na estética do trabalho.

Hoje um dedo na tecla “delete” e um simples apertar do botão power da impressora, nos oferece quantas cópias necessitamos, limpas.

Mas o grande avanço mesmo, um maremoto que nos deixa atordoados, os da minha geração, ocorreu no terreno das comunicações.

Em 1964, quando casei, foi um parto da montanha conseguir falar com minha mãe em Niterói. E era imperioso, sob pena de não haver casamento, porque o padre de Cachoeiro de Itapemirim exigiu, para a celebração, que o pároco da matriz do bairro onde eu morava em Niterói, que no caso era a igreja existente na Vila Pereira Carneiro (bairro Ponta D’Areia), desse uma declaração de que eu estava apto, pois passara pela preparação necessária segundo os ritos da igreja católica.

Ora, o casamento seria no dia seguinte e não era possível conversar por telefone com minha mãe, porque em Cachoeiro ninguém tinha telefone e no Posto Telefônico Público da cidade, mesmo com a prioridade que consegui para minha ligação (em geral demorava horas) não estava sendo possível completá-la. A solução? Vejam a maratona:

Fui até a sede da Viação Itapemirim e, desde lá, por rádio, eles fizeram contato com a Estação Rodoviária, no Rio de Janeiro, onde a empresa tinha, como tem, guichês de venda de passagens. Passaram para o funcionário da Itapemirim, no Rio, o nome e o telefone de minha mãe, para que ele ligasse e transmitisse o recado para ela obter o tal papel da igreja.

E ficamos sem notícias. Minha mãe teria entendido o recado? Encontraria o padre? E este estaria disposto a dar o tal documento sem minha presença e sem que eu tivesse passado pelo cursinho?

Wanda chorava copiosamente e a expectativa era de que não haveria a cerimônia.

Ficou o suspense até o dia seguinte, quando pela manhã minha mãe chegou a Cachoeiro. Com o papel necessário.

Hoje, teria a minha disposição linha convencional instalada na casa de meu sogro, teriamos celulares para falar com minha mãe direto e poderia, até, conversar com ela, vendo e sendo visto, via Skype. Mandando beijinho.

Smartphones

Mas não é fácil para nós, geração pós-guerra, aprender a lidar com tudo isto. Pior, é complicado até saber a aplicação e uso de cada um dos tablets, leitores digitais (e-books), todos os “ais” Pads, Phones, Pods, smartphones e mais um arsenal de maquininhas que não sei nem os nomes e para que servem. Na verdade algumas maquininhas têm tanta aplicação que fica difícil conceituar: o celular tem rádio, máquina fotográfica e filmadora.




i Pad 2

Kindle (e-book)

Por mais que me esforce, até por necessidade profissional, e mesmo contando com a colaboração de filhos e netos, sei que pareço jurássico. E olha que mantenho um website há 9 anos.

A coisa é mais séria do que vocês, que não vivem este problema, podem imaginar. Para ilustrar vou contar o caso, recente, de um advogado que se inscreveu para fazer o curso de “inclusão digital” promovido pela OAB, para habilitar os advogados em face do sistema de processamento eletrônico já implantado.


Ele estava tão atrapalhado, com dificuldade de entender até mesmo o uso do programa editor de texto (Word) e seus recursos: alinhamento, grifos, fontes, etc, que num dado momento incapaz de acompanhar o que estava sendo explicado, muito nervoso, perdeu a calma e falou em voz alta: advogo há quarenta anos e nunca precisei lidar com estas coisas. Agora velho, estressado, com dois stents e diabético, não tenho como aprender isso. Não consigo. VOU PARAR DE TRABALHAR!

Fez-se um silêncio obsequioso. Mas da turma de 16, diria que a maioria, em maior ou menor grau, estava com dificuldade para lidar com o assunto e a máquina.

É, a geração do meio está sofrendo.

25 de outubro de 2011

O iPhone e o vaso sanitário

Por
Paulo Ricardo M B March

Meu filho Breno, que hoje mora na Inglaterra, tinha me avisado, depois de comprar o seu ...." compra um iPhone e você vai ver o que é."

Resisti durante muito tempo, até que nessa viagem recente a Las Vegas, meu filho Paulo me encomendou um iPhone 4, já deesbloqueado.

Lá estava eu com a Isa, no último dia, passeando pelo fantástico shopping FORUM SHOPS, quando nos deparamos com uma enorme loja da Apple. Tínhamos combinado de não fazer compras em Vegas, porque iríamos ainda a Orlando, por 8 dias.

Mas Isa alertou ...."vamos comprar logo ... vai que chega em Orlando e por algum motivo não tem o desbloqueado em estoque".

Tremi !!! ...ela sempre tem razão. Entrei na loja. Uma maravilha, loucura total .... fomos super bem atendidos.

- Pois não - a gentil vendedora se apresentou.

- Um iPhone 4 desbloqueado por favor.

- Leva um pra vc - Isa murmurou.

- Não ! - retruquei imediatamente.

- Aproveita, está barato, vai se arrepender depois ...leva um pra vc de uma vez.

- Não !

- Vai se arrep...

- Me vê 2 , por favor.

Pronto ..... comprei. Comprei e sequer abri a caixa do bicho durante o restante da viagem. Olhava a caixinha (linda por sinal, um mimo entre os fanáticos pelas coisas da Apple ... como eu agora rsrsrs), olhava, olhava, e nada ...medo de me aproximar mesmo.

- Não vai abrir e dar uma olhada no seu iPhone ? - Isa perguntava.

- Não ! No Brasil eu penso nisso.

Ela então abriu o do Paulinho, e começou a mexer, e até a navegar com o wi-fi do nosso quarto. E eu, de soslaio, arriscava umas olhadas .... hmmmm....bela tela essa. E ela : "olha só isso, olha aquilo...".

Chegamos de viagem, aquela loucura para desfazer as malas e, como sempre, olhar "aquilo tudo que você pensa que comprou por aqueles milhares de dólares", e exclamar : mas só isso ??? Cadê o resto ?? Ué, o resto foram aqueles restaurantes maravilhosos, aquele passeio ao Grand Canyon, aqueles parques da Disney ...
E os iPhones ! Isso, os iPhones ...cadê o meu ?

Bem, amigos (parafraseando o asqueroso Galvão Bueno ... sorry se alguém gosta dele), e então tudo começou. Depois de devorar as 285 páginas do manual que baixei na internet, estava apto a usufruir do brinquedinho.

Aqui uma observação : sempre valorizei manuais, sempre os li integralmente. Meus filhos os desprezam. E pior ... têm a capacidade de operar qualquer geringonça sem ler uma linha sequer das instruções árduamente desenvolvidas pelos engenheiros de produção ..... pqp ! O que é isso ? São mais inteligentes que nós ? Boa matéria para o blog, meu amigo !

Voltando ao brinquedinho .... meu Deus do Céu !!! o que eu tinha nas mãos .... claro, podia telefonar com ele.

Mas mais que isso : centenas de aplicativos gratuitos ou de baixo custo para adquirir ... cada um mais maneiro que o outro.

Outra observação antes de continuar : percebo que, coloquialmente falando, não existe mais diferença entre MAIS e MAS .... estou emburrecendo a passos largos nesse negócio de Twitter .... tem cada cavalgadura ! rsrs

Well, tenho em mãos, a hora que quiser, com resolução espetacular e tela grandinha :

- joguinhos que adoro, tipo Batalha Naval, Fôrca, Resta Um, Paciência, Sudoku, Xadrez, boliche, golf, purrinha, Ludo, Labirinto, etc !!

- aponto o iPhone para um avião no céu, e ele me diz qual é a companhia aérea, número do vôo e destino

- aponto para o céu e ele me mostra a posição exata das estrêlas naquele momento

- com o GPS interno faço maravilhas em termos de localização, o que tem em volta de mim, quem está perto de mim, faço "check in" nos locais, reporto o que está acontecendo no momento para quem quiser

- tem repelente para os mosquitos que me atazanam à noite

- tem massageador

- tem travesseiro musical ou com sons silvestres

- Pilates interativo

- cardiógrafo

- 764.902 músicas

- 10.000 rádios de qualquer parte do globo !

E as magias que ele faz com nossas fotos e videos ?

Poderia ficar aqui até amanhã contando para vocês o potencial do brinquedinho. E virou um problema .... um problemão mesmo .... NÃO CONSIGO DESGRUDAR DELE.

Passo horas explorando as novidades que não param de entrar no seu banco de dados, levo-o para dormir comigo na mesinha ao lado da cama, ando com ele na mão pela casa (não sei pra que), almoço com ele ao lado (em casa ou no restaurante), não paro de navegar com ele pelo Facebook e pelo Twitter .... abandonei meus livros, meu violão .... só tenho olhos e mãos para o meu iPhone 4.

Seria ele um Tamagotchi do século XXI ?

Ah, sim ... o título da matéria .... não levo mais livros nem o caderno Prosa e Verso para o banheiro.

Ajudem-me por favor.



Mensagens de apoio e ajuda espiritual ou críticas ácidas para paulomarch@gmail.com

Preconceitos


Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo

Obras completas
3 volumes

Tenho sim, meus preconceitos, mas certamente não listo os argentinos entre eles.
Quem não leu pelo menos uma parte do obra de Borges, um conto que seja, tem muito a perder.












Gabriela Sabatini


Quem não torceu pela Gabriela Sabatini nas quadras, quem não admira sua beleza, quem não comprou o perfume que leva seu nome, não é desportista, padece de misoginia e desconhece um bom aroma.



Sabatini











Mendonza
vindimas

Quem nunca esteve em Mendonza, não sabe que existe uma Bento Gonçalves que fala castelhano.





Vinhos da casta Malbec





Malbec
 Quem ainda não degustou - para usar uma expressão muito empregada pelos experts - um bom Malbec, não sabe o quanto esta casta se adaptou ao solo argentino e dá bons vinhos, muito agradáveis. Bons tanto quanto os Cabernet Sauvignon chilenos e melhores do que ao Tanat uruguaios.


Quem não tem assistido alguns filmes argntinos produzidos nos múltimos anos, deixou de ver um ganhador de Oscar de melhor filme estrangeiro (O Segredo de sue Olhos) e dois ganhadores do Festival de Gramado em duas edições diferentes ( "O Filho da Noiva" e "Medianeras"). E ainda tem em exibição "Um Conto Chinês".
Todos bons. Bons enredos e boas interpretações.












San Carlos de Bariloche










Quem não foi ainda a Bariloche, desconhece uma cidade que seria pouco mais ou menos uma Gramado da patagônia.
Gramado tem o Lago Negro, Bariloche tem o Nahuel  Huapi. Não estou comparando os lagos. Comparável mesmo só os chocolates.






E cá para nós, quem gosta de futebol não pode deixar de reverenciar o futebol de Di Stefano, Maradona e Messi, 3 excelente jogadores que brilharam em 3 diferentes épocas. Bem, o Messi ainda tem muito a mostrar, embora já seja o melhor do mundo.

24 de outubro de 2011

Futebol aqui e lá fora

William,
torce pelo Aston Villa
Harry,
torce pelo Arsenal
Temos este ano um Campeonato Brasileiro bem disputado. E equilibrado. Nesta altura do calendário, faltando oito rodadas para o final, várias equipes têm chance de conquistar o titulo.

Mas o melhor futebol, para assistir, ainda é o Inglês. Seria possível argumentar que o espanhol também é muito bom, e que a Espanha ostenta o título de campeã mundial. Mas vale lembrar que no momento o futebol espanhol se resume a duas equipes: Barcelona e Real Madrid.
                                                       
Por que o futebol inglês é o melhor de assistir? São várias as razões. Comecemos pela quantidade de estádios capazes de receber, com conforto e segurança, as torcidas da casa e dos adversários. Mesmo as equipes de menor investimento têm seus estádios, alguns centenários, porque equipes que hoje frequentam a segunda e até a terceira divisão da liga, já estiveram na premier league e já conquistaram até títulos continentais.

 
Emirates stadium pertence ao Arsenal



Outro fator determinante para que seja possível praticar bom futebol na Inglaterra, é a qualidade dos gramados, conservados com muito cuidado e atenção por todas as equipes, mesmo as menores.                                                                                      

Os juízes são profissionais e independentes e o tribunal que julga os atos de indisciplina é rápido e rigoroso. Dois dias após a rodada, já são conhecidos os resultados dos julgamentos e as penalidades impostas. O nível das arbitragens é bom e o futebol corre solto, sem paralisações a cada segundo, em função de marcação de faltas cavadas e simuladas pelos atletas. O jogo de futebol é eminentemente de contato físico, então meros esbarrões sem intenções maldosas são admitidos.
Ason Villa,
fundado em 1874

A qualidade individual dos jogadores  é fácil de observar. Todas as equipes têm jogadores estrangeiros. E técnicos também. Na Inglaterra, que tem um campeonato organizado, que atrai investidores (acionistas) e patrocinadores importantes, o futebol é rentável.

Arsenal,
fundado em 1886


Os clubes investem na contratação de jogadores de bom nível técnico de todas as partes do mundo. Isto trás, em contrapartida, o inconveniente de que, nas datas de competições entre seleções, todos os clubes ingleses ficam desfalcados. No caso da competição africana (Copa Africana de Nações), por exemplo, as equipes ficam sem contar com muitos atletas daquele continente, durante um bom período.




É o ônus de contratar os melhores jogadores em atividade.

O bom elenco favorece a prática de bom futebol, o que atrai expectadores mundo afora. Logo, conseguem vender as transmissões de seus jogos para todo mundo, aumentando consideravelmente a receita financeira dos clubes.

O Brasil continua exportando artistas ao invés de exportar os espetáculos. Nossos melhores jogadores, cedo ou tarde, vão para o futebol internacional.

A falta de planejamento e organização o que leva a frequentes atrasos no início das partidas e também adiamentos, é outro fator que inibe a contratação de televisamento dos jogos para o exterior. A rigidez nos horários é fator importante para emissoras de TV , em respeito aos anunciantes e ao público telespectador.

Quando os canais ESPN anunciam a programação dos jogos que serão transmitidos, pode apostar que os horários serão rigidamente cumpridos.

O comportamento dos torcedores também é fator importante. Invasões de campo, arremêsso de objetos para o gramado são coisas indesculpáveis no futebol inglês.

E observem o silêncio respeitoso das torcidas quando são prestadas homenagens com o “minuto de silêncio”. Não se ouve o mínimo rumor nas duas torcidas.

Aqui apupam até o hino nacional. Os próprios atletas ficam fazendo alongamento e saltando durante a execução dos hinos. O “minuto” dado pelos árbitros (podem conferir), não tem 60 segundos, porque o público não aguentaria esperar tanto tempo. As vaias viriam inevitavelmente.

Bem, o que eu pretendia quando comecei a escrever, era lamentar que os cariocas somente poderão assistir a um jogo da seleção brasileira no Maracanã.  E ainda assim se formos à final, o que definitivamente será muito difícil. Não temos no momento a supremacia que possuíamos no passado.
Sexta-feira (22/10), no Pan-Americano, empatamos com Cuba, dá para acreditar? E a seleção jogava muito mal. Presente, nas arquibancadas, o técnico Mano Menezes deve ter ficado decepcionado com o que estava vendo.

O toque de humor, ironia e mordacidade foi dado pelo ex-jogador, agora deputado federal, Romário. Comentando a partida pelo canal Record, à indagação do locutor que transmitia o jogo seobre o que o Mano estaria achando do desempnho da selação brasileira, respondeu Romário, de voleio: "Ele não deve estar gostando do que está vendo. Mas ele já deve estar acostumado”.

Adorei, com efeito a seleção principal, a do Mano, também tem sido uma decepção.

E o Romário, assim como o Dadá Maravilha, é um frasista emérito, do nível do Oto Lara Resende, cultuado  e celebrizado pelo Nelson Rodrigues. Não perde uma oportunidade de alfinetar, com fina ironia.

23 de outubro de 2011

Novas tecnologias, velhos paradigmas

Por
Jorge Carrano
http://tauvirtual.com.br/pt/



Nos bastidores das empresas acontece uma interessante discussão em torno da liberação do uso de redes sociais no ambiente de trabalho.

De um lado, há os que alertam para os perigos desse acesso, como a perda de produtividade ocasionada pelo tempo que o empregado fica no seu Facebook ou Twitter. Além disso, destacam o risco de que essa atividade acabe por revelar segredos industriais, estratégias comerciais, ou até mesmo uma “opinião” sobre um cliente, com óbvios riscos para as atividades da empresa. Isso tudo é verdade. E acontece.

No outro extremo, há os que alegam simplesmente: não é possível controlar.

Se o computador na empresa bloqueia o acesso a sites e redes sociais – prática muito mais comum do que se imagina – o empregado pode bem usar seu celular para postar conteúdo ou comentar, curtir e “retuitar” nesses canais.

Com um agravante. Muitos participam das redes sociais fora do ambiente de trabalho, e essa participação “pessoal” pode ser confundida ou percebida como uma opinião da empresa para a qual aquele profissional trabalha.

Tenho dito que essa discussão, no entanto, é velha.

Ela já aconteceu em outros momentos de introdução de novas tecnologias no ambiente corporativo.

Aconteceu com o telefone/ramal na mesa de cada empregado. Diziam que seria usado para falar com os amigos e família, por exemplo. Depois, foi com o e-mail, que seria usado para “trocar receitas, repassar correntes e piadas com os amigos”.

O acesso à internet ainda hoje é também alvo de restrições. Imagine seu colaborador acessando um site de apostas on-line ou, pior, de pornografia…

Também o celular corporativo é alvo dessas preocupações com o risco de seu uso indevido.

Chegou a vez das redes sociais.

Infelizmente, querendo ou não as empresas, as pessoas vão usar cada vez mais esses recursos e a pior coisa a fazer é (achar que pode) coibir totalmente esse acesso.

Se por um lado é importante perceber que as conexões sociais são cada vez mais importantes no ambiente empresarial – hoje, quando você demite um funcionário, demite junto toda a rede de relacionamentos dessa pessoa – de outro é preciso ter regras claras.

Um código de conduta e um processo de treinamento podem ser os componentes iniciais do inevitável esforço de educação que todos - independente de seu nível na corporação – precisarão encarar até poderem dar suas “tuitadas” sem medo, mesmo que o chefe esteja ao lado.


Written by Jorge Carrano in: Comunicação Empresarial,Digital,Marketing
                                               

21 de outubro de 2011

Qual é o seu negócio?

Por
Paulo Ricardo M B March


A revista INFRA de setembro, especializada em gerenciamento de propriedades e instalações prediais, traz uma excelente matéria da minha amiga Lea Lobo, que gostaria de compartilhar com vocês no blog.

Na GPD 2011 (Glass Performance Day - forum mundial sobre a indústria do vidro), realizado esse ano na Finlândia, o presidente mundial da Guardian (mega fabricante), Mr. Russel Ebeid, surpreendeu a todos dizendo : " Não somos uma empresa fabricante de vidros ... somos uma empresa de energia." E surgiu um grande debate sobre a sua afirmação, quando ele explicou para a platéia porque o vidro energiza pessoas e ambientes.

Foi uma afirmação muito perspicaz mesmo, uma vez que o negócio de uma organização define-se pelos desejos ou necessidades que ela satisfaz quando o cliente compra seus produtos e serviços.

Minha amiga Lea discorre então sobre outros exemplos, muito legais e interessantes :

- a Cacau Show vende chocolates ou presentes ? ... ela vende chocolates de presente para o Dia das Mães, dos Namorados, etc.

- a Natura vende ... o bem estar dos seus consumidores.

- a Saraiva vende livros ? ... não. Ela oferece horas de prazer e o benefício do conhecimento.


Calçados Carrano*
 E por aí vai ... uma loja de ferramentas oferece-me o benefício e o prazer de fazer coisas. Uma loja de móveis me oferece conforto e a tranquilidade em um ambiente aconchegante. Uma imobiliária me oferece uma casa ? Ou me oferece segurança, conforto e um lugar que prime pela limpeza e felicidade ? Não me venda sapatos ... ofereça-me comodidade para os meus queridos pés e o prazer de caminhar... etc, etc, etc.



Além da percepção do que está sendo vendido, o negócio muda na proporção em que o mercado pede que o atendamos de forma diferenciada. Querem um exemplo impressionante ? ... a Avon. Vejam só :


David McConnell
O Sr. David McConnell, norte-americano, começou a vender livros em 1886, de porta em porta. Para agradar seus clientes, sempre entregava gratuitamente um minúsculo vidrinho com uma fragância agradável a quem comprasse seus livros.

Porém, com o tempo, o perfuminho fez mais sucesso que seus livros, e ele se viu "obrigado" a mudar o foco do seu negócio ... e surgiu a California Perfume Company, vendendo perfumes de porta em porta, hoje Avon.


 A pergunta/reflexão passa a ser : QUAL É O SEU NEGÓCIO ?


Lea está em um momento importante da sua vida profissional ... está redefinindo o negócio da sua editora. Seu grande questionamento é : produzimos revistas e entregamos informação, organizamos eventos e geramos conhecimento. Mas será que é só isso? Está no formato que o mercado demanda ?

Peter Ferdinand Druker

Em sua análise, Lea cita o guru da Administração de Empresas, Peter Drucker, que disse : " A questão é que tão raramente perguntamos de forma clara e direta e tão raramente dedicamos tempo a uma reflexão sobre o assunto, que talvez seja a mais importante causa do fracasso das empresas." Eu acrescentaria aqui, fracassos pessoais também.

Um autor desconhecido afirmou : " Por favor, não me ofereça coisas .... ofereça-me idéias, emoções, ambiência, sentimentos e benefícios."

Li um livro muito legal entitulado Nos Bastidores da Disney - recomendo a todos sempre.



O autor e sua esposa
Epcot Center

Nele, um alto executivo da Disney recebe no Magic Kingdom alguns empresários de vários setores diferentes do mercado americano, em visita ao parque. No jantar, fala o seguinte para os convidados :


Outro aspecto do Epcot
Paulo e Isa

- Por favor tragam-me amanhã no nosso café da manhã uma resposta para a seguinte pergunta : quem é o maior concorrente da Disney ?

No dia seguinte, todos à mesa, ninguém conseguiu trazer o nome de um concorrente ao negócio da Disney, tamanha sua grandiosidade. E ele então respondeu :

- Nosso negócio é ATENDIMENTO. Todos que vêm aqui querem ser tão bem atendidos quanto o são por seu gerente de banco, pelo seu garçon de anos, pelo Sr. Silva da farmácia do bairro, querem o mesmo carinho do seu cão, alegria e bem estar. Esse é o nosso negócio ... superar o atendimento que você tem.

Para quem já teve a felicidade de visitar o Magic Kingdom, sabe que eles conseguiram ... rsrsrs.

E você, qual é o seu negócio ?

O que pode estar faltando para tudo dar certo, na sua empresa, ou pessoalmente ?



* Nota do editor: infelizmente esta fábrica não pertence ao blogueiro.

20 de outubro de 2011

Pasta de atum

Por
Carlos Frederico M B March


Volta e meia sou solicitado a fazer uma pasta de atum, seja para reuniões aqui em casa ou até para levar em visitas a parentes. O pessoal diz que minha pasta de atum é a melhor de todas. O que pode ter uma pasta de atum para ser diferente das outras?

Bom, cozinha é detalhe, como os aficcionados sabem. Como eu costumo dizer, um misto quente são duas fatias de pão de forma com recheio de presunto e queijo. No entanto, mil diferenças há entre diversos mistos quentes. Desde a qualidade dos ingredientes até a observação do tempo tostando, passando pela colocação ou não de manteiga (por dentro ou por fora?) e até a temperatura prévia das chapas influencia. Na hora de servir, nada de colocar o sanduíche direto num prato de louça, ele vai ficar mole de um lado, sô!

Coisa séria, essa!

Voltando ao atum, é a mesma coisa. Uns acham que abrir uma lata de atum e misturar com uma maionese qualquer é fazer uma pasta de atum. É, mas como no caso do misto quente acima, mil diferenças há entre diversas pastas de atum.

A começar pelo atum. Há dois tipos básicos no mercado, com duas variantes cada. Ele pode ser em pedaço (chamado de atum sólido), ou ralado. Ele pode vir em óleo comestível ou na água e sal, que é a versão light.

O atum sólido, em pedaço para saladas, é feito com a parte nobre do peixe. O atum ralado é feito com carne da cabeça que, apesar de ser comestível, tem um cheiro bem atuante e, por incrível que pareça - pois ela foi comercializada pensando nas pastas - inadequada para um bom resultado! Prefira, portanto, o atum sólido.

No óleo ou na água e sal? Bom, na atual procura de alimentos menos calóricos, a escolha tende a recair sobre a versão light, água e sal. Mas caramba, ó meu! Vai levar maionese! Pra que economizar de um lado se vai arrepiar do outro? O atum na água e sal tem um gosto travado, uma textura ressecada, inadequada para pastas. O que é conservado em óleo já vem macio, no esquema. A escolha, então, recai sobre a versão no óleo comestível, sendo no entanto necessário que ele seja bem escorrido antes de amassar.

Qual maionese? Bem, eu uso a light. Já usei até a de soja. Questão de prioridade, eu estava tentando baixar o colesterol, mas aqui estamos falando de gosto. Quem não tem problemas, use a comum de marca conceituada - não farei propaganda. Garanto a todos os leitores que o pessoal tem elogiado é a feita com a versão light, escolha viável para uma boa pasta de atum. Se exagerar na dieta e usar a versão zero colesterol, não vai ficar muito boa, não...

Bem, bem, bem... Agora aos macetes! Eu ponho ervas! E cebola desidratada. Ketchup às vezes. Devagar, Carlos... Comecemos pela cebola. Por que a desidratada? É menos ativa e a pasta pode ser guardada na geladeira por um pouco mais de tempo. Ervas, uso bastante o mix de ervas finas, qualquer deles. Às vezes até as chamadas ervas para peixes, vendida em vidrinhos bonitos. O importante é que tenha estragão. Se não tiver, eu acrescento um pouco.

Pra não ficar muito carregado, eu mesclo as ervas finas com um cheiro verde, a famosa mistura de salsa e cebolinha - também desidratado por questões de conservação posterior. Ah, um segredo indispensável: borrifo um pouquinho (eu falei um pouquinho) de alecrim em pó!

Bom, tudo isso bem misturado já dá uma excelente pasta, mas vamos agora às opções. Um tico de maionese escura dá um tchan, uma pegada mais ácida que não deixa a pasta enjoar. Eu disse um tico, ó cara! Senão fica pasta de mostarda! E pra quem gosta, a gente manda ketchup em cima! Às vezes radicalizo e uso molho barbecue, ou misturo um pouco de barbecue com ketchup. A pasta fica mais vermelhinha e o gosto fica legal.

Pra terminar, 3 ou 4 gotas de Tabasco! A pimenta ativa papilas gustativas, de sorte que essas pequenas gotinhas são um detalhe importante no resultado final. Quem quiser que depois derrame meio vidro de Tabasco em sua porção, pois eu disse que ponho gotas!

Sanduíche de atum amaciado com requeijão

Ainda faço uma distinção entre pasta para canapés e pasta para sanduíche. Quem não conhece o "salada de atum" do Bob's? OK, esse leva requeijão, que também já foi um item que usei no passado, mas influencia bastante na durabilidade da pasta. Passei a usá-lo, quando me apetece, no pão antes de passar a pasta de atum. O resultado é o mesmo e não prejudica sua conservação. A diferença entre as duas versões é que a de canapés é mais fluida, leva mais maionese que a versão sanduíche, mais firme.


Olhando o arsenal de potinhos


OK, temos aí dicas sobre uma excelente pasta de atum. Ah, as quantidades de cada ingrediente? Nem eu saberia dizer, pois a cada dia eu fico parado, olhando aquele arsenal de potinhos e vidros à minha frente, e me perguntando: hoje eu ponho mais disso ou daquilo?