30 de maio de 2014

Fui reprovada por um décimo...



Por
Wanda C. Carrano







Minha família era pobre. E meus pais de poucas letras. Mas tinham uma  aspiração: ver todos os filhos formados. E éramos 8 filhos no total.  Tive 7 irmãos  biológicos (dois já falecidos) e uma irmã afetiva, criada desde pequenina por meus pais. É interessante  como as pessoas mais carentes são exatamente aquelas que mais se preocupam com os outros mais desprovidos  ainda.

Ver os filhos formados significava dizer que as mulheres seriam professoras, porque fariam o "curso normal", maior nível de escolaridade possível na cidade. E os rapazes fariam o "curso técnico de contabilidade" pelas mesmas razões: falta de opções.

Era com imenso sacrifício que meu pai, concluído o curso primário no “Grupo Escolar Graça Guardia”, de ensino público, nos mantinha em escolas particulares. Mas havia uma regra: não podia repetir o ano, ou seja, se reprovado o destino seria a volta a escola pública.

Exatamente por causa desta regra deixei de estudar no "Colégio São Pedro”, que existia na Rua 25 de Março,  onde fazia o curso normal, e fui no ano seguinte para o Liceu de Cachoeiro, onde, finalmente, obtive o grau de professora primária (aqui em Niterói, chamada de normalista). No local onde funcionava o Colégio São Pedro e a Escola de Comércio, hoje tem um Shopping Center.

A diferença era que o curso normal na minha cidade, naquela época, tinha apenas dois anos de duração, e nas outras cidades maiores (Vitória, Niterói, Rio) o curso era de três anos.

Fiquei reprovada em Psicologia, graças ao padre Murilo que não admitiu me conceder mais um decimo na prova. Bem, o fato é que tive que repetir  o ano. Perdi também, com a mudança de colégio, o contato com as colegas.

Durante o curso primário no "Graça Guardia", a gente morava um pouco distante, no bairro chamado Coronel Borges,  mas ia à pé porque com o tostãozinho do ônibus que mamãe dava  eu comprava um pedaço de coco no bar do seu Jodimir. 

Do outro lado deste bar tinha um campo de bocha, onde eu ia levada por meu avô. Ele ficava jogando e eu no balanço improvisado. Meu avô gostava muito de mim, mas minha avó gostava mais ainda. Eu era a neta preferida.

Na casa dela é que eu matava aula e ela me escondia de minha mãe quando ela ia lá. Ela fazia um prato muito simples, dentro do orçamento familiar, que era uma delícia: macarrão com alho e azeite, e botava um pouquinho de colorau. Até hoje sinto saudades do macarrão de minha avó. As vezes faço aqui em casa, mas não fica igual.

No tempo do Liceu, já morávamos na cabeceira de uma das pontes sobre o rio que dá nome a cidade, e já mais grandinha participei de algumas competições esportivas e cheguei a ser eleita princesa do “Jubileu de Prata”. Nesta época construí uma amizade muito firme com Regina Tereza Severiano, que perdura até hoje.

Casamo-nos, mais ou menos na mesma época,  temos filhos e netos, ela mora em Vitória e eu em Niterói, mas nos falamos no Natal e nos respectivos aniversários. E já nos vimos umas duas vezes no curso destes 50 anos.

De certo modo devo a mãe dela – Dona Julieta – ter casado com o Jorge. Foi ela que conseguiu convencer meu pai a deixar que eu viesse numa excursão das alunas do Liceu. Ela chefiava o grupo.

Ficamos hospedadas no Ginásio do Caio Martins e fomos recebidas no antigo Palácio do Ingá, sede do governo fluminense  (antes da fusão do antigo RJ com o Estado da Guanabara),  pela esposa do governador  Roberto Silveira, que faleceu em desastre de helicóptero algum tempo depois.

Foi durante esta  excursão que eu e Jorge  – meu marido há 50 anos –  e que morava em Niterói, começamos  namorar em 1960.

Sobre Cachoeiro muito já foi dito no blog e em outros locais na internet. A cidade mudou pouco nestes anos que se passaram desde que, após o casamento, de lá me mudei para Niterói.

Naquela época Roberto Carlos cantava na ZYL-9 Rádio Cachoeiro de Itapemirim. Só. Não era, ainda, o Rei. Eu já havia sido princesa (risos).

29 de maio de 2014

Ainda outro dia...




Por 
Jorge Carrano







Quando eu era criança - e parece que foi outro dia -  a gente morava em casas que não tinham grades e, para falar a verdade, quase nunca o portão funcionava, ou ficava trancado. Meu cachorro, que tomava algumas vacinas e sempre comeu sobras de nossa comida, morreu de velho. Nunca conheceu uma ração, uma tosa, um psicoterapeuta que analisasse seu comportamento e, coitado, nunca teve um xampu ou um osso sintético. Roia mesmo era fêmur de boi.

Numa das ruas em que morei, a gente jogava botão na calçada, soltava pipa com cerol que fazíamos quebrando lâmpadas usadas, e às vezes algumas novas.... e sobretudo jogávamos bola e andávamos de bicicleta. Todo mundo jogava, até aquele que era o maior “perna de pau”.

Tínhamos espaço para todos. Nos intervalos do jogo, bebíamos água da torneira mesmo, em qualquer casa da rua que, como a nossa, estava sempre com o portão aberto. Entrávamos e bebíamos água, só. Não era preciso ‘interfonar’, não havia câmeras... E quando a brincadeira era  bicicleta, ganhávamos a cidade.

Nem celular, nem GPS, nem ideia de onde íamos, nossos pais só queriam que tomássemos cuidado com as ruas, e chegássemos em casa antes de escurecer.

Não havia obesidade infantil nem terapias diversas que nos dissessem, ou aos nossos pais, o que fazer, como se comportar, o que comer. Fazer ginástica era só pra quem estava muito gordo. Ginástica era brincar.

Na escola, meu boletim tinha notas vermelhas no início, mas depois eu dava um jeito de ficarem azuis. Muita gente repetia o ano, e no ano seguinte fazia novos amigos, misturava-os aos velhos, e o mundo não acabava por isso. Escola era só isso, escola. Não tinha que nos “educar para a vida”...

Quase todo mundo queria ser engenheiro, advogado ou médico. E depois virava dentista, arquiteto, dono de loja, vendedor, ou vagabundo.

A televisão era um achado, a versão colorida, então, era um sonho. As válvulas queimavam toda hora, e esquentavam pra burro, mas a gente adorava até mesmo aquela imagem tosca.

O cinema tinha cadeiras duras, de madeira. Quando eram estofadas, estavam sempre furadas. Fumar era proibido, mas toda vez alguém arriscava, e aí vinha o homem da lanterninha pra atrapalhar a sessão.  E os filmes, então?  Eram emendados e a cada vez que trocava o rolo, a projeção parava ou dava aquela bagunçada geral na imagem. E o foco era sempre um problema. A gente gritava para o projetista, “olha o fooooco!!!”....e às vezes assistíamos vários minutos do filme como se estivéssemos bêbados... O som também era péssimo,  não havia Dolby Surround.

Nunca tomei uma vitamina. Suplemento alimentar, então, não sei nem o que é. Só ia ao médico quando tinha febre, ou muita dor. O médico receitava guaraná com biscoito de chocolate, pra disfarçar o gosto ruim do remédio. Aposto que esse remédio devia fazer um mal danado...

Não havia nada “politicamente correto”. Meu amigo oriental era “japa”, o negro era “chocolate”, ou “Pelé”, eu usava óculos e era, portanto, o “quatro-olho”. O gordo? Rolha de poço! O baixinho? “pintor de rodapé”... Alguns são amigos até hoje. Outros já foram embora.

Nenhum carro do meu pai tinha ABS, air bag, encosto para a cabeça, ar digital, cinto de três pontos ou computador de bordo. A gente viajava do Rio para São Paulo em 6 horas, no banco de trás de um Fusca, e nem cinto de segurança tínhamos que usar. Íamos deitados dormindo, ou dando tiros em bandidos imaginários que se escondiam nas margens da rodovia. Pára pra fazer xixi que eu estou apertado!

Piolho a gente tratava com Neocid, um pó que fedia pra burro.

Música era numa eletrola colorida.

O leite vinha em garrafas, e depois, passou a vir em saquinhos.

O tênis era Kichute ou Bamba. All Star, só pra quem tinha muita grana.

Tive caxumba e catapora, mas escapei do sarampo. Eram as doenças da época.

E bom mesmo era Grapette.

Comíamos pão com muita manteiga de lata, amarela, gordurosa e cheirosa. Pão de farinha branca, com suco cheio de açúcar. O suco, aliás, era feito de fruta espremida.

O banho de mangueira no quintal quebrava o maior galho, e ninguém reclamava de não ter piscina.

Não havia Playstation, Nintendo, Internet, banda larga, iPod, iPad, MP3 etc. por um motivo muito simples: não havia computador! 

O telefone tinha fio, acredite, e era preto e feito de um material pesado. Pra discar, depois de esperar “dar linha” (o que podia ser meia hora), era preciso digitar os números num disco...

Celular? Isso era coisa do Flash Gordon. Celular com câmera, então, nem o Flash Gordon tinha. Mas tínhamos o Rin-Tin-Tin, o Asterix, a Luluzinha, o Fantasma, o Mandrake, e tantos outros heróis bem menos andróginos e mais interessantes que os de hoje.

Tínhamos todo o tempo do mundo, numa coisa que os adultos chamavam de futuro.

Nosso mundo era muito imperfeito e, vai ver por isso mesmo, era muito bom.

E parece que foi outro dia.

27 de maio de 2014

Saudade tem jeito




Por
Alessandra Tappes









Saudade tem jeito. Jeito pra cerzir os remendos que o tempo deixou, colar os cacos que a vida quebrou, curar cicatrizes que a dor causou.



Saudade n é dor. Saudade é amor. Na verdade, vários amores guardados na estante das lembranças, cheios de pó, mas com histórias surpreendentes a quem quiser ouvir. A saudade é o melhor exercício para a mente n atrofiar. Lembrar dos bons momentos, nos estimula a ir atrás de mais e mais para termos e sermos histórias aos nossos. E assim como nas histórias, nos tornarmos eternos.

Não existe um exato pq da saudade. Mas sei q ela n é um bicho de sete cabeças e nem o bicho papão. Quem a tem no peito, tem felicidade constante, embora nem sempre o riso saia, mas a alma é forrada de boas lembranças q só se constrói com saudade.

Melancolia? Certo dia em uma conversa com uma amiga, constatamos as duas q melancolia é triste e deveria ter outro nome. Há q se rebatizar a melancolia, pois ela carrega consigo a saudade. Melancolia deveria ser sinônimo de alegria, felicidade, risos. “Tá melancólico? Ah q maravilha! Isso é tão bom... hj eu to num estado melancólico, dando bjs e abraços em todos...” Melancolia deveria ser consumida em doses diárias no lugar de anti depressivos. Sem excesso é claro, pq tudo q é demais, é demais mesmo.

Saudade tem jeito. Jeito pra cerzir os remendos q o tempo deixou, colar  cacos  q a vida quebrou, curar cicatrizes q a dor causou. 

Era uma vez...

Saudade é cheiro. Tenho comigo o cheiro da saudade. Dona Joana, uma senhora baixinha, de pele clara, chinelos de dedos, vestido estampado e casaquinho pro frio, quando fazia, dizia ela, com sotaque castelhano, por onde ia  deixava o rastro de Alma de Flores. Do quarto feito pra boneca, ao banheiro onde mais parecia um salão de festa pelo tamanho.  Ao fim da tarde a casa tinha outro cheiro: leite quente batido com nescafé e mostarda nas gajetas uruguaias q ela nos preparava com todo o seu amor. Dona Joana Tappes, uma avó de 16 netos, que tanto perfumou as  melhores lembranças da minha infância e meu guarda roupas (tenho alma de flores sim!) me deu em 19 anos as mais doces referências que um neto pode carregar em vida. Herança sentida na pele.

Saudade é som. E vários. Muitos ocupam mha mente.  Ouço ainda vivo na minha memória Rod Stewart cantar  Sailing toda vez que eu me pegava pensando em voltar pro Sul.  Isso na década de 80, uma música q embalou bailinhos, embalava mha saudade do sul. “ I am sailing, I am sailing home again across the sea...”

Não há como falar de saudade sem pensar numa música q nos acariciou a alma. Seria injusto citar 1, 2, 3...por isso faço desse blog gdes momentos de alegria da mha vida. Mesmo os mais tristes, pq  hj são superados.

Saudade é doce. Numa noite fria e chuvosa de Porto Alegre em julho de 90,  um amigo me preparou sua espetaculosa “massa” como chamam os gaúchos. Entre risos e vinho, rock e prosa há uma confusão enorme entre sal e açúcar,  fazendo do jantar simples uma diversão única e fabulosa. Mais doce que sua própria  massa, meu doce amigo compensa o jantar cantando pra mim Led Zeppelin Stairway to Heaven ao som de um violão.
Sabor jamais esquecido. Um gosto q só eu senti.

Saudade é toque. Uma cama de solteiro, um cobertor verde e quente, o frio entrando pelas frestas, tudo dividido, Xanadu tocando a milhão no rádio, a luz do rádio iluminando aquela noite e , mais alto q a música q se ouvia, era o som da respiração no ouvido. O toque dos dedos  pelo rosto, boca, se aventurando pelo corpo sobre a roupa, costas, cintura, tudo em silencio, em segredo. Não havia roupas pelo chão, nem botões de blusas sendo abertos, não havia marca de  batom pelo corpo, boca, mas tinha mto respeito, mto carinho e um amor sincero e gritante no peito. O amor sim estava descoberto, estava nu e fora feito em pensamentos. Esses jamais esquecidos e nem divididos. Esses jamais vividos outra vez. Foi a única vez. Foi a primeira vez.

Saudade é vida. A vida é mto engraçada, dá voltas... hj me pego sentindo falta de SP, da garoa no meio da tarde em pleno verão, do cheiro de borracha queimada do Cambuci, o bairro q morei por mais de 20 anos, a velha escola AIA (Adelina Issa Ashcar com Dona Lúcia na direção),  as colegas amigas e unidas para sempre enquanto durar a adolescência: Helô, Samy, Rosana, Maria Pia, Rebeca, bjs em todas vocês,  o calor do trânsito sufocante e louco em plena hora do Rush em plena Av Paulista, a coxinha da coxa com creme do Rosima, tem até site: a casa ainda existe na Brig Luis Antonio e tem filial na Pamplona, confiram por favor... uma casa árabe q faz as melhores esfihas de dar inveja aos seus criadores, o por do sol na praça Charles Miller, dos tombos de patins na Aclimação e nas pedaladas no Ibirapuera. Cursinho Objetivo de sexta feira era ministrado pelo saudoso FT (Fernando Teixeira) mestre em Literatura, bom humor e carisma, ali na Prainha entre “ chopps e pastel” absorvíamos tudo q vinha do mestre....saudade.

E por falar em pastel...pastel de feira! Você pode comer pastel mundo a fora, mas o pastel de feira de São Paulo realmente não tem igual. Garanto. Aquela casquinha crocante, o temperinho verde na carne, o molho de cebola e tomate..hummm q água na boca me dá. Cê nem liga se ficar um verdinho no dente, o q importa é q seu pastel está pronto.

Rua do Oriente, 25 de Março, o q é aquilo? Mais de 2 milhões de pessoas circulando ao meio dia em plena época de Natal. O vendedor de milho, abacaxi e Yakissoba. Todos ali desviando do trânsito humano, ganhando seus trocados, pessoas deixando suas economias, mas não esquecendo nem a filha do zelador na listinha de presentes. Todos satisfeitos no centro,  na “cidade” como chamam os, soteropolitanos, cariocas, gaúchos, mineiros, japoneses, chineses, árabes, judeus, americanos, europeus, mas no fundo e de coração, todos paulistas. Pq paulista “meismo” só o sanduiche de mortadela no Mercado Público e um café pingado servido num copinho de pinga. Pão na chapa, ovo cozido, almôndega no molho, salsicha enrolada. Só não se alimenta num boteco quem n quer...

Noite. O ar de festa em pleno inverno. As danceterias extintas mas vivas nas memórias alheias, (sei q não só as mhas) nos convidavam a relaxar, aproveitar a vida. UP Down,  Toco, Over Night e por aí a fora. Don't You Forget About Me, Shout, Harry Houdini , sons q me vem a mente...Tão bela época como qualquer época q tatua na memória os passinhos de dança. Fila no banheiro, chapelaria era "up" e o Martini com cereja. Pista lotada, palco forrado de dançarinos, telão pra acompanhar os vídeos. Fim de festa, pai na porta da danceteria e o corpo passava a semana toda com a sensação dos embalos q iriam continuar no sábado a noite.

Imigrantes (ah...foi Maluf q fez!!! Só para constar aqui) lotada as 6 da tarde. Não precisa ser feriado, precisa apenas de uns pilinhas pra vc pegar o “buzão” e descer pra Santos. Em 1 hora vc encontra a melhor praia de SP (nasci lá, sei o q falo). O bafo sentido no calçadão, o sorvete de doce de leite da Independência, a caipirinha do Margarida na praia, a casquinha de siri e o empadão de frango servido junto com MPB nos barzinhos e o mar morno a noite. As ondas fazendo espuma nos pés, a água q molha metade da saia, as horas passando e vc nem sentindo, os parceiros de caminhada, as famílias, as bicicletas, o trânsito apertado,  mas vc nem liga, é fim de semana. É praia de paulista...

São Paulo é assunto q dure ... e saudade dela em mim também. Nem falei do meu timão...da Duncan, do Bexiga, de Adorinan Barbosa, Vicente Matheus...Do Clayton Baroboskin (temos histórias amigo, n caberia em uma noite conta-las)

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa



Vamos conjugar o verbo saudade.

Eu pensei que pudesse esquecer certos velhos costumes

Tu muito além longe daqui

Ele zomba do quanto eu chorei porque sabe passar e eu não sei

Nós somos feitos um pro outro pode crer

Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele.

Eles estão surdos.

26 de maio de 2014

Parece que foi em outra encarnação



   Por
 Claudia C. Almeida






    É engraçado falar dos tempos do colégio... Parece que foi em outra encarnação, que essas lembranças não pertencem a Cláudia de hoje.

As coisas eram tão diferentes: o medo e respeito com os professores, a vergonha de por qualquer mínima razão ser chamada a atenção, a responsabilidade com as obrigações escolares.

  Vejo essas duas ou talvez três gerações posteriores à minha com ações e reações escolares totalmente opostas. Meu filho ainda é mais respeitoso por ter uma criação mais rígida (assim eu acredito...), mas os jovens de hoje tratam os professores como colegas de sala, as discussões são feitas no tom que lhes é conveniente, e muitas vezes tentam convencer no grito. Os professores não têm voz, sob pena de um processo de assédio moral...

Mas vamos ao que interessa. Comecei meus estudos na Escola Estadual Raul Vidal, que ficava em frente ao prédio onde eu morava, do outro lado da Avenida Feliciano Sodré, no centro de Niterói.  Saí direto de casa para a sala da 2ª. série, por já ser alfabetizada.  Foi terrível... Levava uma foto 5x8  em preto e branco da minha mãe e ficava chorando em cima dela. O drama digno de uma grande atriz durou cerca de 2 semanas, que foi o tempo que os adultos julgaram suficiente para minha adaptação. Depois a água subiu e rapidinho comecei a nadar...

Quem me conhece hoje não acredita, mas até a 5ª série eu era extremamente tímida, não tinha amigos, não falava com ninguém. Em casa qualquer estratégia para faltar às aulas tava valendo.

A partir da 5ª. série fiquei mais solta, fiz minha turminha e tive uma vida escolar relativamente tranquila.

Algumas coisas que me lembro do 1º. Grau, hoje Ensino Fundamental: a reunião semanal onde era hasteada a bandeira e cantávamos o hino Nacional; os ensaios para a quadrilha da festa junina; as aulas de música com a professora tocando piano e nós cantando aquelas música politicamente corretas, típicas do governo militar; os gritos da professora de educação física me chamando de lerda e preguiçosa (acho que se o conceito de bulling tivesse surgido em 1978, eu seria bem mais feliz...).

Sobre isso, nas veladas ameaças onde minha mãe falava o que aconteceria em um caso trágico e hipotético de se repetir o ano, a única vez em que fiquei em recuperação final foi em educação física. Por faltas.  Nas férias tive que frequentar algumas aulas de recuperação e a situação foi resolvida sem maiores problemas.

Com 13 anos fiz minha inscrição para a prova de admissão no Colégio Estadual Aurelino Leal, que ficava no bairro do Ingá. Por que esta informação tão precisa? Naquela época, ou talvez minha família fosse assim, não sei, a gente se virava sozinha. Tirei foto num lambe-lambe em frente à Igreja de São João, peguei o ônibus, levei a documentação, preenchi todos os formulários. Vê se hoje é assim??? Enfim, no fatídico domingo marcado, fiz na prova. Passei. Fiz meu 2º. Grau, hoje Ensino Médio, nesse que era na época, um excelente colégio técnico.

O dinheiro sempre foi tão escasso lá em casa, que eu só pude cursar o 2º. Grau em outro bairro, o que implicava em duas passagens de ônibus por dia, porque minha irmã do meio, a Andréa, tinha acabado de concluir o curso Técnico em Contabilidade nesse mesmo colégio, e cessariam os gastos familiares com as passagens dela. Passagens para duas estava fora de questão.

O Aurelino Leal foi outro estilo, mas solta e segura, fui bem feliz.  Estudava numa turma só de meninas: fazia o técnico em secretariado.  Fiz um grupo de amigas que durou até ficar adulta, casada. Depois mudei para longe e as amizades se perderam.

O Aurelino Leal oferecia merenda e almoço, Eu não perdia nada... Café com leite ou mingau, uma delícia. O almoço tinha uma variação de feijão, arroz acompanhados de carne seca com abóbora ou carne moída.

Lá também, tive meus primeiros professores homens, uma experiência adolescente marcante.

Participava do time de vôlei do colégio, simplesmente adorava... Numa dividida quebrei o nariz. Ossos e cartilagens do ofício.

Uma vez por semana almoçava na casa da minha madrinha, Tia Wanda, que morava próximo ao colégio, também no Ingá, onde mora até hoje. Ela fazia pratos caprichados pra mim. Muitas vezes deliciosas e douradas batatinha fritas...

Nunca fui uma aluna brilhante mas passei muito bem pelo ensino médio. Me destacava pelo bom humor e ao mesmo tempo respeito com todos os professores. Eu diria que foi uma época feliz. Melhor: uma outra era, há muito tempo atrás, em que eu fui simplesmente feliz.

P.S. No terceiro ano, ficava no jardim da frente da escola tentando, com sorte, ver passar meu namoradinho, que fazia algumas disciplinas de direito no Campus da UFF, quase em frente ao colégio. Este ano completamos 20 anos de casados...
  

24 de maio de 2014

REMINISCÊNCIAS RUMINANTES




Por
Elizabeth Paiva
(Beth)







MORÁVAMOS NO GRAJAÚ.

NOVINHO EM FOLHA, ERA O ÚNICO BAIRRO DO RIO DE JANEIRO QUE FORA PLANEJADO.

SUA SIMETRIA IMPRESSIONAVA A TODOS QUE IAM ATÉ LÁ.

HAVIA UMA PRAÇA REDONDA NO CENTRO DO BAIRRO E SUAS RUAS TRANSVERSAIS E PARALELAS FORAM CUIDADOSAMENTE TRAÇADAS, COM DESTAQUE PARA DUAS AVENIDAS [NORTE-SUL/LESTE-OESTE],QUE ERAM ARBORIZADAS COM A PERFEIÇÃO DAS ALAMEDAS QUE OSTENTAVAM AS ÁRVORES ERAM TAMARINEIRAS ENORMES, QUE NO OUTONO COBRIAM DE TAMARINDOS TODO O CHÃO DAS DUAS AVENIDAS.

NÓS, CRIANÇAS, CATÁVAMOS E LEVÁVAMOS PARA CASA AQUELA FRUTINHA MARRONZINHA.

NA PRACINHA PONTIFICAVA A IGREJA, MAS IGUALMENTE IMPORTANTES LÁ ESTAVAM A PADARIA, O ARMAZÉM, A QUITANDA, A FARMÁCIA DO SEU PONTES, ONDE TÍNHAMOS CONTA...

BASTAVA EU PASSAR POR LÁ E PEGAR UM SHAMPOO [SHAMPOO ALLO], POR EXEMPLO, E SEU PONTES ANOTAVA...

A CONTA VINHA NO FIM DO MÊS, QUANDO PAPAI PAGAVA. PAPAI ERA O DENTISTA DO BAIRRO. O PRIMEIRO A SE ESTABELECER [DEPOIS VIERAM OUTROS], E TINHA UMA CLIENTELA ALENTADA...

EU, ERA A FILHA DO DR.RHODIO... TODO MUNDO ME  CONHECIA E EU NÃO CONHECIA NINGUÉM...

ERA UM TEMPO EM QUE ÍAMOS A PÉ PARA A ESCOLA, PARA O CLUBE, PARA A IGREJA...

CAMINHÁVAMOS QUILÔMETROS SEM SENTIR...EM GERAL AOS GRUPOS, ÍAMOS CONVERSANDO E RINDO QUE NEM  NOTÁVAMOS QUE ANDÁVAMOS TANTO ASSIM...

O CONSULTÓRIO DO PAPAI ERA QUASE NA PRACINHA... MINHA AVÓ MORAVA NA CASA, SENDO QUE O QUARTO DA FRENTE PARA A RUA FOI ADAPTADO PARA SER O CONSULTÓRIO DO PAPAI...

EU PASSAVA OS DIAS LÁ NA CASA DA VOVÓ, MAS TINHA QUE ESTAR EM CASA, PARA O JANTAR, ÀS 6 HORAS DA TARDE... ORDENS DA MAMÃE...

E ESSE PERCURSO NO CREPÚSCULO, DA CASA DA VOVÓ ATÉ A MINHA CASA, TINHA UMA TRILHA SONORA ATÉ HOJE INESQUECÍVEL PARA MIM....

PASSANDO PELAS CASAS, NUM TEMPO EM QUE NÃO HAVIA TELEVISÃO E O RÁDIO ERA O REI ABSOLUTO, EU ESCUTAVA DIARIMENTE:... ”SÃO SEIS HORAS, A HORA DO ANGELUS!”

E AÍ VINHA O SOM DA AVE MARIA DE SCHUBERT... ERA A TRILHA SONORA DO MEU PERCURSO...

AQUELE CHEIRINHO DE ENTARDECER, NUM BAIRRO TÃO ARBORIZADO, GRAMADO E FLORIDO, SENTINDO OS ODORES DOS REFOGADOS DAS ”JANTAS” SENDO PREPARADAS E QUE  SAIAM PELAS JANELAS DAS CASAS...TUDO COMBINAVA COM SOM DA AVE MARIA.

MUITO LINDO.

ATÉ HOJE SINTO SAUDADES DAQUELE HORÁRIO, DIARIAMENTE CELEBRADO DE FORMA TÃO SIMPLES E AO MESMO TEMPO, TÃO RICA DE ESPIRITUALIDADE QUERENDO OU NÃO, EU ACABAVA CAMINHANDO RUMO À MINHA CASA REZANDO BAIXINHO A AVE MARIA.

NO OUTONO, IA PISANDO NOS TAMARINDOS QUE CAIAM AOS MONTES DAS ÁRVORES... O CHÃO FICAVA MARRON... E AQUELA FRUTA AZEDINHA -CHAMADA TAMARINDO- QUE A GENTE CATAVA E LEVAVA PARA CASA, GERALMENTE VIRAVA GELÉIA PARA O LANCHE DA TARDE...HUMMMM!!!

ASSIM, COM SIMPLICIDADE E SEM QUERER, TODOS OS NOSSOS  SENTIDOS ERAM CONTEMPLADOS NUMA MERA E CURTA CAMINHADA: O ENTARDECER, COM O CHEIRINHO DOS REFOGADOS DE ALHO E AZEITE SAINDO PELAS JANELAS; O SOM DA AVE MARIA DE SCHUBERT, QUE ME ACOMPANHAVA PELA RUA; O CATAR DOS TAMARINDOS E A ÁGUA NA BOCA DE PENSAR QUANDO ELES VIRAVAM GELÉIA PARA O LANCHE; E A BELEZA DO CREPÚSCULO NAQUELE LUGAR, UMA BENÇÃO PARA OS OLHOS...

TUDO ISSO NAQUELE BAIRRO TÃO LINDO, VERDE E APRAZÍVEL, CHAMADO GRAJAÚ, HOJE  DESTRUÍDO, DETERIORADO E MALTRATADO...

OS TEMPOS SÃO OUTROS E TAMBÉM NUNCA MAIS OUVIMOS: "SÃO SEIS HORAS... A HORA DO ANGELUS".

SINTO FALTA.


23 de maio de 2014

Vitis Viníferas, comentários




Por
Carlos Frederico March
(Freddy)










Está certo, Carrano, vou morder a isca do post Vitis Viniferas (19/05/2014). Apesar de todos os comentários que teci quanto a estar gostando mais de licor e de cerveja artesanal que de vinho, farei algumas considerações sobre as uvas do referido artigo.

A Cabernet Sauvignon se tornou a uva mais apreciada do mundo devido a um estranho acontecimento. Ela é a preferida do famoso crítico Robert Parker, que legislando em causa própria dava notas mais elevadas a vinhos que eram elaborados com essa uva. E se Robert Parker pontuava alto, os vinhos vendiam mais. Os produtores começaram então a elaborar melhor seus vinhos e plantações de Cabernet Sauvignon para que recebessem notas elevadas de R. Parker e assim vender mais. Como elas melhoravam, as notas subiam e elas melhoravam...
De fato, hoje a Cabernet Sauvignon é uma das melhores uvas, mas por conta desse estranho círculo vicioso!

A Carmenère estava extinta na França. Um dia, um enólogo estranhou as folhas de uma plantação atribuída a uvas Merlot no Chile. Usando técnicas de DNA, descobriu que não eram Merlot, e sim de sua “prima” Carmenère, que por obra e graça do destino havia frutificado no Chile. E esse país se tornou um excelente produtor e hoje a Carmenère é praticamente símbolo de vinho chileno!

A uva Shiraz, ou Syrah, é símbolo da viticultura australiana, que dizem que produz os melhores Shiraz do mundo. No Brasil, ela fez parte de um projeto de uso de solo nordestino para cultura de uvas. Daquelas nobres, a Shiraz foi a que melhor se adaptou ao solo de nosso sertão, lá para os lados de Petrolina e arredores. Consegue-se hoje 2 colheitas anuais, porque não havendo estações definidas, puderam manipular os tempos e enganar a genética das uvas! Quanto à qualidade, estão evoluindo aos poucos.

Eu gosto de vinhos produzidos com Shiraz porque são “diferentes”. Apesar das tentativas nordestinas, recomendo no Brasil o produzido pela Almaúnica, no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves - RS.


Petit Verdot           
Marselan
                                  















Já que se falou em Petit Verdot... Ué, não falaram? Bem, eu falo! A Petit Verdot é usada como parte da genética das uvas Marselan (resultado de casamento entre Cabernet Sauvignon e Petit Verdot) e AriNarnoa (resultado de casamento de Merlot com Petit Verdot). Um dos bons vinhos gaúchos é o Dom Cândido 4ª Geração, Marselan. A Casa Valduga produz vinhos Arinarnoa no Brasil, mas confesso que são extremamente agressivos ao meu paladar.
Arinarnoa Valduga 


Dom Cândido Marselan 4ª Geração                                
       













A PINOT NOIR tem uma característica interessante. Apesar de tinta, é usada na fabricação da maioria dos bons espumantes brancos. Simples, é só não esmagar suas cascas... Para vinhos, eu a considero “fraquinha” se usada como varietal (vinho com apenas uma uva).

Nunca tomei vinho com Zinfandel, uma uva que encontrou bom “terroir” nos Estados Unidos, principalmente na Califórnia. Pra quem não sabe, “terroir” é uma palavra francesa que pretende significar a região na qual solo, clima e uva se entenderam muito bem. A GRENACHE parece que é muito comum na Europa, mas por aqui quase não se fala nela. Bom, hoje pode ser, dada a proliferação de novas vinícolas no Sul.

Das brancas exóticas, a Viognier também é rara por aqui, apesar de que já tomei vinho dela no Sul, não me lembro de qual vinícola. Idem CHENIN BLANC. A campeã dos vinhos brancos seria a CHARDONNAY, mas confesso que cansei dela. Aliás, antes era a RIESLING, da qual quase não se fala no Sul do Brasil... Tem a SAUVIGNON BLANC, bem sutil, e duas que me agradam muito: a MALVASIA DE CÂNDIA (o elaborado pela Don Laurindo é muito aromático e saboroso, seco pero no mucho) e a GEWURZTRAMINER.


Sauvignon Blanc
Malvasia de Candia 
















                          
Eu gosto muito da Gewurztraminer, porque dá vinhos aromáticos, saborosos e, principalmente, diferentes dos demais brancos. Gosto de sua personalidade. A Casa Valduga vende um bom Identidade Gewurztraminer. Seco mas sem ser agressivo, parece suave sem o ser. 

A uva Malbec é símbolo da Argentina, assim como a Carmenère é do Chile e a Tannat é do Uruguai. Em geral os Malbec dos nossos hermanos são muito bons. Daqueles produzidos no Brasil, eu gosto do elaborado pela Don Laurindo.


Tannat, a campeã em resveratrol

 A TANNAT merece ser mencionada pois descobriram que, dentre todas as uvas tintas, é a que tem maior concentração de RESVERATROL, o atual ícone contra envelhecimento! Dizem os exagerados (ou não o seriam?) que tomar uma taça de Tannat equivale a duas dos demais, em termos medicinais.

Algumas informações colhidas aqui e ali:
- O resveratrol possui comprovadas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, e segundo estudos recentes pode prolongar a longevidade das células em até 40% se consumido diariamente.
- Retarda, pois, o envelhecimento (oba!)
- Evita o acúmulo de colesterol
- Diminui risco de doenças cardiovasculares
- Combate dores articulares
- Atua na prevenção de Mal de Alzheimer
- Aumenta a resistência de fibras colágenas

A famosa indicação de 2 taças (eu disse taças com 125 ml e não taças de borgonha cheias até a boca!) de vinho tinto diários é por conta justo da presença de resveratrol. Difícil é encontrar um bom Tannat não-uruguaio. Eu recomendo o melhor nacional deles, o da Don Laurindo.





Saúde!



Créditos:
Imagens de uvas e garrafas obtidas através de consulta no Google
Foto das taças:

http://www.winetag.com.br/artigos/index.cfm?artigo=38

22 de maio de 2014

Histórias

Tudo começou lá longe, quando escrevi algumas coisas sobre minha infância na Ponta d’Areia e a vizinhança com a Vila Pereira Carneiro.

Depois tomou corpo com a série de 4 posts escritos pelo Carlos Frederico (Freddy), sobre o bairro do Pé Pequeno onde morou na infância e adolescência.

Ocorreu-me que poderia, aqui  neste pequeno espaço virtual, frequentado por poucos mas calorosos e valorosos amigos, explorar esta temática das reminiscências, com histórias contadas por eles (amigos, participantes fieis do blog), em suas infâncias, no ambiente escolar ou na rua, bairro ou cidade onde viveram seus primeiros anos de vida.

Convidados,  alguns sequer responderam, outros declinaram e alguns, creio eu, estão ruminando a ideia, dando tratos a bola e revolvendo a memória, como é o caso de minha mulher, que escreverá sobre seu primeiro colégio lá em Cachoeiro de Itapemirim.

Estou seguro que serão histórias universais embora vividas em bairros  e cidades  brasileiras.

Para minha alegria a primeira convidada a enviar sua colaboração foi a Elizabeth Paiva, a querida Beth, que eu havia perdido de vista nas brumas do tempo. Trabalhamos juntos na área jurídica da Cia. Fiat Lux, nos longínquos anos de 1960.

Graças à internet, há cerca de dois anos ela me localizou no ciberespaço e começamos a trocar e-mails. Por isso sei que ela graduou-se em Direito, casou e descasou,  tem filhos, morou nos Estados Unidos e regressou ao Brasil, mas está com as malas prontas para voltar a viver  “nos esteites”.

Roqueira assumida e protetora dos animais, em especial os que embora domésticos, são irracionais, sempre foi,  durante a época em que convivemos no ambiente profissional, uma pessoa determinada. E parece que continua com a mesma disposição e coragem para lutar pelas coisas nas quais acredita.

Em sua primeira mensagem eletrônica, há dois anos, perguntou se eu era o Carrano  que ela conhecera e justificava dizendo que não me encontrara na foto que consta no blog.

Pudera, cinco décadas se passaram. Ou como diria Camões  na estrofe  37 do canto 5 de sua mais afamada obra "Já  cinquenta sóis eram passados..." 

Pois é, mudamos fisicamente  pois o tempo é implacável. Mas no caso da Beth ele foi generoso e ela continua charmosa, como poderão verificar na foto que ilustrará o post, que será publicado no sábado próximo.

Obrigado Beth e reitero aqui deste cantinho virtual meus votos de muitas felicidades aqui e nos USA.