23 de abril de 2017

Salve Jorge!



O machão não toma mel, come a abelha.

Algumas pessoas usam figa de guiné, eu comprei logo um pé da planta. E também outro de arruda para o escritório. O arbusto deve ter mais energia do que uma simples "figa".

Se você não acredita em olho gordo, inveja e mau olhado, parabéns. Gostaria de não acreditar nestas bobagens, mas não sou suficientemente culto, maduro e confiante para desprezar anjo de guarda, ferradura, banho de sal grosso e outras crendices, costumes e tradições que dizem serem próprias de povos incultos, primários, de baixo nível intelectual, colocados poucos elos adiante daquele que nos classificava como primatas.

Esses povos se não nos trazem o saber (acadêmico), trazem-nos a sabedoria (de vida).

Afinal é preciso ter fé. Tem quem prefira acreditar na sorte. Não eu.

O intuito ao usar defumador e tomar banho de sal grosso é desonerar São Jorge, para quem dou muita mão-de-obra, exigindo constante proteção e ajuda.

O que Ele já fez por mim, meu cartão American Express não faria. E custa-me pouco, pouquíssimo, apenas trilhar o caminho do bem, do cumprimento do dever, com dignidade e ética.

Hoje é dia de comemorarmos o aniversário do Santo Guerreiro, que não desampara aos que Lhe pedem proteção, com fé verdadeira.


A bem dizer sou Seu devoto, do que tenho orgulho e faço alarde (se me permite José Cândido de Carvalho, de quem parafraseei o verso).

Notas do autor:
1) Minha mãe nunca deixou de desejar, ao me levar até à porta, quando eu ia para a escola ou,  quando depois mais velho, ia trabalhar: "São Jorge te acompanhe!" As mães sabem o que fazem e dizem.

2) Na obra "O coronel e o lobisomem', o autor José Cândido de Carvalho assim apresenta o personagem: "A bem dizer, sou Ponciano de Azeredo Furtado, coronel de patente do que tenho honra e faço alarde."

3) São Jorge, não sem razão, é o padroeiro de países, cidades, exércitos, clubes e associações.

4) Nasci dois dias antes, num 21 de abril, carrego seu nome e não dispenso sua proteção que invoco diariamente.

20 de abril de 2017

Inverdades repetidas

Quantas vezes você já leu ou ouviu a frase “é como o vinho, quanto mais velho melhor”?

Deve-se aceitar esta afirmativa? A resposta é NÃO.

Château Lafite Rothschild
Claro que alguns vinhos melhoram quando guardados em condições ideias de temperatura e iluminação. Mas isto depende da casta com que foram produzidos. Da região, da latitude ...

Os chamados vinhos de guarda, produzidos a partir de cepas especiais, são bem mais caros porque “envelhecem” em barris, durante muito tempo e mesmo depois de engarrafados ficam nas caves ainda por longo tempo até serem colocados no mercado.

E estamos falando de tintos, pois em relação aos brancos e aos espumantes arte e técnica são diferentes. E os resultados também.

Esta mentira, embora repetida muitas vezes, ao contrário da máxima consagrada, não a torna verdade.

Outra frase repetida à guisa de piada, ou não, é que “quem gosta de velho (ou velharia) é museu”.

Museu do Amanhã
Desde quando museu é local onde se reservam apenas coisas antigas? Se assim fosse não teríamos museus de arte contemporânea ou de arte moderna, e eles são muitos pelo mundo afora.

Temos, no Rio de Janeiro, até museu do amanhã.

Então museus são locais onde são preservadas obras de arte, ou relíquias antigas ou modernas e até futuristas.

Outra frase que não consigo digerir é “Deus é fiel”. Como se pudéssemos admitir infidelidade de um Deus que pretenda ser amado e respeitado.

Outra coisa meio mentirosa, no sentido em que é corriqueiramente empregada é “gosto muito de música clássica”.

Todos os gêneros musicais têm seus clássicos. Ou “Besame Mucho” não é bolero clássico?

“Bésame, bésame mucho
Como si fuera esta noche
La última vez”

Ou ainda  “Caminito” não é um tango clássico?

“Caminito que el tiempo há borrado
Que juntos um dia nos viste passar
He venido por última vez
He venido a conterte mi mal”

E “As rosas não falam”, do mestre Cartola, não se trata de um dos clássicos da música popular brasileira?

“Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de tí, aí...”

Não sei como seria correto classificar a  Sinfonia nº 9, de Beethoven. Dizer que se trata de um clássico é verdade, mas que já foi popular  quando composta também é verdade.

O amor de Vinicius, em seu “Soneto de Fidelidade” não era imortal porque era chama, mas seria infinito enquanto durasse.


Algumas músicas, sejam sinfonias, sambas, rumbas, boleros ou tangos serão imortais e sobreviverão infinitamente, porque são “clássicos” deste ou daquele gênero. 

19 de abril de 2017

Comendo com os olhos

GUSMÃO
rodneygusmao@yahoo.com.br



Nada contra a Ana Paula Padrão, mas  o MasterChef na versão brasileira deveria ter apresentação da Patrícia Poeta.

Patrícia Poeta
Assim nada ficaríamos a dever às elegantes, charmosas e bonitas presentadoras de versões de outros países latinos.

Ana Paula Padrão
A Ana Paula, bonitinha, mas mignon, é uma Sandy mais articulada, ou seja, picolé de chuchu.

Outra apresentadora de telejornal que eu admirava, da Band, migrou para programas culinários e me decepcionou. Falo da Ticiana  Villas Boas. No telejornal estava melhor do que na área de entretenimento.

Ticiana Villas Boas
Ela apresenta programas de culinária mas falta-lhe tempero. No telejornal se destacava principalmente apresentando a previsão do tempo. Tem o rosto bonitinho e um sotaque gostoso (baianês).

Mas nem todas são Fátima Bernardes que é competente em tudo o que faz. Poucos aprovaram quando ela abandonou a bancada do Jornal Nacional para se meter numa aventura em terreno desconhecido.

Mas se firmou e está no ar agradando.

A franquia  MasterChef tem um menu de apresentadoras que valorizam o programa. É impossível desgrudar os olhos delas, mesmo diante de pratos selecionados e elogiados pelos jurados.

Vejam se não tenho razão.

Anette Michel - México

Claudia Bahamon - Colômbia

Eva González - Espanha

Nota do editor: imagens selecionadas via Google a pedido do autor.

15 de abril de 2017

Eu e as palavras que me surpreenderam

Meu pai tinha um vocabulário rico. Fruto, imagino, de longo período em que foi linotipista na imprensa oficial (Diário Oficial) e em jornais privados.

Foi, também, revisor. Ficou familiarizado com palavras, e as empregava no cotidiano com naturalidade, sem afetação.

E esse, por assim dizer, rico vocabulário, empregava com propriedade para o bem e para o mal. Se era para enaltecer, elogiar, ou se era para criticar, contestar, usava sempre palavras inusuais nos diálogos de filmes, novelas ou seriados.

A primeira que tenho lembrança – era menino – foi parcimônia. Ele havia deixado sobre o móvel dinheiro para despesas da casa com um escrito lacônico onde se lia: parcimônia nos gastos.


Uso culto da palavra
Ora, isso gerou comentário de minha mãe, porque nem era tanto dinheiro assim que ela pudesse gastar perdulariamente. A repetição da palavra parcimônia fixou-a em minha memória.

Mais tarde, no curso ginasial ouvi do Otávio, colega de classe, que fulano, outro colega, era um bucéfalo. Assustei-me porque ele falou em voz alta e me parecia ser um palavrão daqueles proibidos no ambiente familiar.

Alexandre e Bucéfalo (aqui um cavalo)
Em casa, à noite, meio encabulado disse para meu pai que ouvira uma palavra desconhecida e não sabia do que se tratava.

Ele disse para eu falar qual era. Como estivesse hexitante, ele incentivou, diga!

Que alívio, não era um palavrão, não era obsceno.

Nos testes psicotécnicos para ingresso na Escola Preparatório de Cadetes do Ar, na década de 1950 do século passado, havia uma pergunta: Costuma se masturbar?

Mulher se masturba.
Na época os meninos não sabiam
Ora, nós candidatos estávamos numa faixa de idade entre 14 e 16 anos, recém-formados no ginasial e embora o ato em si pudesse fazer parte de nosso cotidiano, o nome pelo qual conhecíamos era outro. Outros na verdade porque conhecia pelo menos mais duas variações.

Sorriso geral na sala quando um dos candidatos levantou o dedo pedindo esclarecimento sobre o vocábulo.

Ah! É isso?!

Outras palavras, sem dúvidas inéditas para mim, apareceram ao longo da vida e me levaram aos dicionários. Mas foi já “burro velho”, pai de filhos e advogado, que me deparei com “esgargalado” numa obra do José Saramago.

Caramba! Que será isso? Indagava a mim mesmo a caminho da estante onde repousava e repousa ainda o Aurélio (embota tenha agora versão digital).

Achei tanta graça que acabei por escrever primeiro um conto que mais tarde foi adaptado para um post publicado neste blog.

http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2014/08/palavras-sao-palavras.html

Que surpresas o idioma ainda me reserva?


14 de abril de 2017

Irracionalidade ... talvez minha

Não tenho a menor ideia do que ocasionou o extermínio dos dinossauros.

Não sei o que fez o mar virar sertão e o sertão virar mar.

Desconheço o que originou a fragmentação do Rodínia e porque os oito continentes daí resultantes voltaram a se unificar para formar o supercontinente chamado Pangeia.

Mas estou tentado a torcer, pedir ao Universo ou ao Criador, que provoque acidente natural semelhante, aqui no planeta, a fim de que tenhamos nova chance de começar tudo de novo.

Quem sabe numa nova futura era tememos mais sorte e o homem – who knows? - vir a dar certo?

Vocês hão de pensar que esta minha opinião tem apoio apenas no fato de que aos 77 anos já fiz o que valia a pena e desfrutei do que o planeta tem a oferecer. E perguntarão: E as crianças? Ficarão sem chance? Meus pósteros inclusive?

Pergunto se Deus levou isto em consideração ao destruir Sodoma e Gomorra, segundo relatado na Bíblia judaica. Ninguém foi poupado.

Vocês argumentarão que de nada adiantou a destruição total destas cidades porque sejam elas quais forem, localizadas em qualquer parte do planeta, o homem que lá nasceu e viveu depois, em nada diferiu do que lá vivia antes do fogo caído do céu. 

Todos estes atentados, todas as disputas entre nações pelo poder, todas as guerras púnicas, de cem anos, mundiais, convencionais, químicas ou atômicas o que nos acrescentam como espécie?

Por que o homem alimenta ódio e provoca destruição até por motivos religiosos?

Na minha cidade matam por um par de tênis ou um celular, na Síria por intolerância, e em todo o mundo homens querem ser mais poderosos, mais ricos e mais respeitados do que seus vizinhos de bairro, de cidade, de país ou continente.

A degradação atingiu seu mais alto nível? Ou ainda vamos piorar como seres “racionais” (KKKK)?

Alguém comenta sobre em quem poderemos votar nas próximas eleições a julgar pelas denúncias que atingem todos os partidos, todos os homens públicos, até mesmo alguns dos quais eram tidos e havidos como imunes, refratários, insuspeitos.

Esse é um quadro de horror. Não tem como qualificar o ato de desviar (roubar) dinheiro destinado à saúde pública. Cadeia é uma pena proporcionalmente comparável à baixeza deste ato ignóbil? 

Somente se fossem centenas de anos de condenação até que deste ser desprezível restasse apenas uma poeira fina e estéril incapaz de semear a terra. 

Nota do autor: nunca pensei que José Serra seria um anjo em procissão de prostitutas. Mas as acusações de que agora é alvo deixam-me inteiramente decepcionado.

13 de abril de 2017

Valem quanto pesam?

Não sei quais eram (são?) os critérios adotados por empreiteiras para avaliar a importância dos políticos que “compravam” (compram) .

Pelo menos de uma das empreiteiras favorecidas em negócios, segundo colaboração premiada de seus dirigentes, os critérios eram muito subjetivos e aproveitavam os “preços” de ocasião.

Ou a necessidade do momento - como um copo d’água no deserto - elevava muito o “preço” da autoridade. Uma grande licitação, envolvendo bilhões, claro que justificava pagar ao corrupto de plantão até um pouco mais do que valeria.

Esta situação me remete à antiga piada que sintetizarei. Numa viagem pela ponte-aérea, o cavalheiro sentado ao lado de uma bela mulher, depois de algumas palavras trocadas propõe que jantassem juntos em São Paulo. Ela hesitava e ele deu um cheque mate: você vai encontrar um anelzinho de brilhante debaixo do guardanapo. Ah! Disse a mulher, assim fica tentador.

O homem fez uma alteração no mimo e indagou: e se for um cordãozinho de ouro com medalhinha de Nossa Senhora? A mulher indignou-se: “está pensando que sou prostituta?”

Tranquilo e sereno o homem respondeu: “isso já vimos que você é; agora é só questão de preço”

Se não valiam quanto pesavam, como o conhecido sabonete da década de 1950, no século XX, acho que pelo menos o slogan deste produto de higiene era adotado: “grande, bom e barato”.


Para mim é incompreensível a tabela praticada. Seria relação custo/benefício? Seria a relevância do cargo público? Seria o prazo de validade do político em vias de vencimento? Não, penso que não.

Ex-presidentes foram comprados por valores diferentes, bem diferentes. Pelo noticiado e pelas imagens liberadas de algumas delações, verifiquei que Lula, Fernando Henrique e Fernando Collor tinham cotação bem diferente.

Será que Fernando Henrique e Collor fizeram uma “promoção comercial” de seus apoios para fazer capital de giro mais rapidamente? Lula parece ter sido especial a julgar pelo montante pago a ele, em espécie e em favores.

Uma mesada para o irmão aqui, uma ajuda nas obras de um sítio alí ou a compra de um terreno acolá.

Entre os ex-futuros-presidentes (candidatos derrotados) igualmente os valores divergiam. Não era um cartel. Serra e Aécio tinham preços diferentes.

Presidentes de casas legislativas também foram adquiridos a preços módicos, assim como ministros  de estado e governadores.

Por que Renan custava tanto? Comparado a Jucá, o que fazia diferente? Na casa da Eny Cezarino, em Bauru, a Cassandra era mais requisitada pelo diferencial que oferecia.



A visão empresarial dos empreiteiros era elogiável. Compravam alguns políticos pensando no futuro, na possibilidade de utiliza-los lá adiante. Reserva técnica.

Nota do autor: é possível que alguns dos citados no texto sejam inocentes. Como não fui eu que liberei as delações, apenas li e ouvi os conteúdos, se for o caso peçam reparações aos caluniadores.

11 de abril de 2017

Alguém explica?

Freud não vale.

Tenho uma paranoia, uma ansiedade, instinto, idiossincrasia  ou que nome tenha esta minha “mania” de me antecipar  aos fatos e horários, e prevenir eventualidades que possam causar atrasos ou surpresas desagradáveis.

Já contei, sei disso, que toda noite antes de ir dormir separo toda a indumentária que usarei no dia seguinte.

Escolho o terno (ou conjunto calça e blazer). Seleciono a camisa, examinando se os botões estão bem pregados, no colarinho e nos punhos; separo a gravata, que deve, tanto quanto possível, harmonizar com o suspensório; pego as meias e as deixo próximas dos sapatos que usarei, enfim, ficam as roupas como um enxoval aguardando o dia seguinte.

Quando morrer ninguém de minha família terá que se preocupar com prazo de vencimento de contas ou faturas de minha responsabilidade, porque pago tudo com antecedência (bem antes do vencimento) ou estão em débito automático.

Podem todos ir para o velório e sepultamento sem pensar nas contas que estariam vencendo naquele dia (rsrsrs).

Nos encontros marcados ou reuniões profissionais sempre chego antes da outra parte. Minha avó Ana dizia que a “missa se espera na igreja”, mas não foi este brocardo, esse por assim dizer, aforismo, que me condicionou a chegar sempre com antecedência. Acho que é mais uma questão de concordância com outro proverbio popular: “a pontualidade é cortesia dos reis e obrigação dos educados”.


Imagem do Google
Se a reunião era em local que ainda não conhecia, procurava chegar com antecedência maior, para evitar contratempos, como a numeração da rua ser aleatória (sem obediência ao rigor sequencial), errar o caminho no trânsito caótico, em suma imprevistos.

Isso por vezes me custava chegar muito cedo e ter que ir a um bar da esquina tomar uma água mineral ou um cafezinho para “fazer hora”.

Em São Paulo aconteceu várias vezes porque lá o trânsito era muito pior e os traçados das ruas não obedecem a nenhum critério. Você pode entrar numa transversal pensando poder pegar uma paralela logo adiante, e esta transversal ir fazendo uma curva e te levar para outro bairro distante (rsrsrs).

Doença? Que nome tem? Cura sei que não tem, porque toda vez que tento me controlar para não sair muito cedo de casa ou do escritório, vai me dando uma agonia enorme, e a ansiedade vence o controle programado.

Aquela outra situação em que muita ansiedade atrapalha também já aconteceu. Mas pedi revanche e virei o placar. 

10 de abril de 2017

Política e politicagem

Os poucos mas fiéis leitores do blog conhecem minha opinião sobre o governo Temer: ruim com ele, pior sem ele.

Um afastamento, agora, seria um retrocesso para o país. Haveria uma nova desestabilização na economia, perda de credibilidade nos mercados externos, quem sabe novos rebaixamentos nos graus de risco para investimento afugentando investidores.

E paralisação das reformas tão importantes para o nosso futuro. 

Assim sendo achei bom o adiamento, no TSE, do julgamento da chapa Dilma/Temer. Alias acho muito engraçado petistas criticando Temer, candidato escolhido por eles para compor a chapa com Dilma, de olho, claro, nos votos dos leitores do PMDB partido que, queiramos  ou não, tem boa estrutura e presença em todo o país.

No próximo ano, se tivermos juízo, critério racional e bom senso, quem sabe elegeremos um candidato que goze de mais respeito e confiança.

Respeito e confiança seriam fatores que se atendidos deixarão o apedeuta, farsante e populista fora da  disputa.

E quem diria, o cangaceiro do século XXI pretende se candidatar a residência da república.

Falo de um tal Ciro Gomes, arrogante, pretensioso e valentão que desafia as instituições, ameaçando receber à bala os agentes públicos munidos de mandado judicial, que eventualmente forem prende-lo ou pretendam conduzi-lo coercitivamente para depoimento.

A frase dita por ele está na página 2, do primeiro caderno do jornal O Globo, em sua edição de domingo dia 3 de abril de 2017:

"Ele que mande me prender. Eu vou receber a turma dele na bala".

Este fanfarrão, repito, pretende se candidatar a presidência da república. 

Desafia a lei, se coloca em oposição a ordem democrática e revela um víeis de Virgulino Ferreira.

6 de abril de 2017

BLOG EM LUTO

Faleceu hoje o amigo, antigo cliente - Carlos Frederico Marques Barroso March -  seguidor e colaborador do blog, com vários posts aqui publicados, assinando como Freddy.

Apresentamos à família nossas condolências, e oramos para que seu espírito siga seu caminho com luz e paz. 

R.I.P Freddy.







O golpe da lista fechada

Leiam esta criativa parábola sobre o projeto de eleição com lista fechada, que visa perpetuar as mesmas moscas sobre o dejeto criando ademais um escudo protetor para os indiciados na Lava-Jato.

"- Garçom, me veja o cardápio, por favor.


- Nós não trabalhamos mais com cardápio, senhor.



- Vocês usam uma tabuleta, você me fala os pratos?



- Não, senhor, trabalhamos agora com lista fechada.



- Como assim, "lista fechada"?



- O senhor escolhe o restaurante (no caso, escolheu o nosso), e o nosso gerente escolhe o que o senhor vai comer.



- E o que é que eu ganho com isso?



- O senhor não precisa perder tempo escolhendo. 



- Mas como vou saber o que vou comer?



- O senhor come o que o gerente achar que o senhor deve comer.



- Mas baseado em quê, se ele não sabe do que eu gosto.



- Baseado nos critérios dele. 



- Que são...



- Ele pode querer que sejam os pratos mais caros. Ou os que usam ingredientes que estão com prazo de validade perto de vencer. Ou os que já estão prontos. Ou os que dão menos trabalho. Isso não cabe ao senhor decidir. 



- Então eu me sento e...



- Senta, come o que o gerente quiser, e paga a conta. 



- E se eu não gostar do prato?



- Nós não trabalhamos com essa possibilidade, senhor. Gostando ou não, vai pagar a conta do mesmo jeito. 



- Bem, acho que vou então para outro restaurante...



- Todos agora trabalham assim, senhor.



- Mas quem decidiu isso?



- O Sindicato dos Donos dos Restaurantes. 



- Pois então eu não vou mais comer fora. Vou comer em casa.



- Não tem problema, senhor. Posso trazer a conta?



- Que conta? Não vou comer nada...



- A do Fundo Suprapartidário dos Restaurantes. Comendo aqui ou em casa, o senhor tem que financiar os restaurantes. 



- Por que é que eu tenho que financiar vocês?



- Porque se não financiar por bem, nós vamos conseguir o financiamento de outra forma, que é assaltando o senhor - um método também conhecido como Caixa Registradora Dois. O senhor pagar diretamente é muito mais civilizado, não acha?



- E quem me garante que eu pagando, vocês não vão me assaltar do mesmo jeito?



- Ninguém, senhor. Ah, não aceitamos cartão. E os 10% são obrigatórios."

5 de abril de 2017

ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA STAR WARS




Átila Soares da Costa Filho 
Professor especialista em História e Antropologia

















NA SEQUÊNCIA DA BATALHA FINAL EM "O RETORNO DE JEDI", Mon Mothma, aquela estrategista rebelde com pinta de sacerdotisa comenta, melancólica, que "muitos perderam a vida para que os planos de construção da Estrela da Morte chegassem às mãos certas". Foi inevitável a curiosidade geral em saber que história era aquela. E, decorridos 32 anos, eis que “ROGUE ONE” pretende responder a questão.

Não, o filme não tem caracteres deslizando ao infinito na abertura do filme, mas é sensivelmente superior ao que vimos no ano passado em “Episódio VII – O DESPERTAR DA FORÇA”. Tudo bem que os primeiros 2/3 de duração neste spin-off sejam muito rasos e previsíveis, mas, daí em diante, este "episódio apócrifo" tem um ganho vertiginoso até o desfecho (?) digno de emoção extra por parte dos fãs ‘old school’.

Outra curiosidade é a inserção de legendas para apresentar alguns cenários e planetas ao longo da trama - recurso este inédito nos filmes anteriores, mas sempre presente nos games da LucasArts.

Os efeitos especiais também vão muito bem, obrigado, e foram capazes de nos permitir assistir a batalhas aéreas de um jeito nunca vislumbrado.

Esse impressionante trabalho de CGI foi responsável também pela assombrosa "ressurreição" do ator Peter Cushing em vários momentos, assim como trazer novamente a juventude da Princesa Leia tal qual nos foi apresentada no clássico “GUERRA NAS ESTRELAS” de 1977. 

Curiosa(e triste)mente, Carrie Fisher, a atriz que deu vida à personagem, viria a falecer pouco após a estréia de “ROGUE ONE” nos cinemas, a 27 de dezembro, em decorrência de um ataque cardíaco.

Como uma sequência para os personagens do filme seja altamente improvável, o maior legado de “ROGUE ONE” deve ser direcionar os próximos episódios canônicos de George Lucas a um outro nível de brainstorm para a construção de argumentos mais independentes - algo que mal se viu em “DESPERTAR DA FORÇA”, mais pra um remake feminista de "Uma nova esperança"...

É torcer pra que a Força esteja com o Mickey.


Notas do editor:

1) Átila Soares da Costa Filho é também admirador da saga de George Lucas desde que foi inaugurada, e tem até uma nave Tie-Fighter da Lego.

2) Lançamento em BLU-RAY E DVD:

4 de abril de 2017

Emprego está difícil, mas trabalho tem

Estas pessoas, tecnicamente, estão desempregadas. Não têm carteira assinada, não cumprem horário controlado, não têm patrão.

E sobrevivem bem.  Com dignidade e prestando serviços úteis, embora pudéssemos fazer algumas restrições quanto uma ou outra destas informalidades.

Economia informal, dizem os economistas e pesquisadores do IBGE.


Começo pelo engraxate. A cadeira dele fica bem ao lado do Fórum Trabalhista, em Niterói. Tem, entre advogados, clientes fixos. E tem os eventuais, transeuntes, ou partes nos processos. E eu, que vou lá vez ou outra, especificamente para engraxar sapatos.

Ele cobra R$ 7,00. Engraxa, em média, 15 pares por dia. Se considerarmos cinco dias úteis na semana, ele “fatura” R$ 2.100,00 por mês: 15XR$7,00X20 dias úteis no mês.
E descansa sábado e domingo.


Os vendedores de coco, na praia de Icaraí, num bom final de semana, vendem 150 frutos. Como o preço atual é de R$ 6,00, isto lhes rende R$ 900,00 em cada final de semana.

Como são 4 por mês, estamos falando de R$ 3.600,00.

Ainda não contabilizei as vendas, menores, de segunda a sexta-feira. E nem considero que em certos eventos realizados na praia, as vendas aumentam bastante: torneios de vôlei, shows, réveillon, etc.

Sabem que eles têm uma Associação de Vendedores de Coco?


Ainda no calçadão, tem um enfermeiro aposentado que mede a pressão arterial e os níveis de glicose, a preços variados.

Ele fica sentado num dos bancos e tem um tabuleiro que trás de casa, onde coloca o material e instrumentos necessários.

Nunca perguntei quanto ele fatura, mas estou seguro que não será menos de R$ 2.000,00 por mês. Para um aposentado e como reforço do orçamento está muito bom.

Trabalha somente pela manhã e descansa, ou não, à tarde.

Quem caminha no calçadão conhece o personagem.

O último caso que vou relatar hoje é um pouco mais delicado, pois envolve uma atividade que combato aqui sistematicamente. Falo de vendas ambulantes (camelôs).

Especificamente meu personagem executa serviços variados em relógios: troca bateria, troca pulseira e faz limpeza da máquina.

Também utiliza um pequeno tabuleiro e pode mudar de ponto a qualquer momento. Em geral fica na rua Cel. Gomes Machado onde há uma concentração de vendedores ambulantes. Mas já o encontrei numa esquina da Av. Amaral Peixoto. Quanto será que ganha por mês? 

Isto depende um pouco da procedência das baterias e pulseiras que vende e coloca. Se vêm do Paraguai o lucro é maior, com certeza. 


Nota: 
https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2017/03/31/desemprego-e-de-132-e-atinge-135-milhoes-de-trabalhadores-diz-ibge.htm

13,5 milhões de desempregados em fevereiro de 2017.
http://g1.globo.com/economia/noticia/desemprego-fica-em-132-no-trimestre-terminado-em-fevereiro.ghtml

2 de abril de 2017

Música de câmara foi um ótimo começo

Não poderia ter sido melhor o começo de meu domingo. A caminhada matinal foi com meu filho Ricardo, colocando os assuntos em dia.



Às 10:30 h, já com a presença da Erika, que foi ao nosso encontro no jardim  da entrada da Reitoria, fomos assistir, e principalmente ouvir, música de câmara, série que hoje se iniciou, com a orquestra sinfônica nacional. 

Na verdade não se tratava da OSN e sim de grupos menores compostos por músicos da orquestra no caso hoje um quinteto e um octeto.

No perograma "Quinteto em sol menos, Opus 39", de Serguei Prokofiev e "Octeto em mi bemol maior, Opus 20", de Felix Mendelsshon.


Pela módica quantia de R$ 7,00 (meia entrada) alimentei a alma e acalmei o espírito, no sentido bíblico das palavras. No passado estas apresentações da OSN eram grátis nestas séries aos domingos pela manhã. O preço ora cobrado é mais do que justo nestes tempos de crise econômica. A maior que jamais vi.

Acompanhem a programação no site. O Centro de Arte UFF, a par de sua excelente localização, oferece conforto. Não estava inteiramente lotado, mas eram pouquíssimas as poltronas vagas. A maioria da plateia era constituída por idoso, mas havia jovens e até crianças.

O público ouviu atenta e respeitosamente, aplaudindo as apresentações ao final com justo entusiamo.

Às 11:45 h, ao término da apresentação, Erika e Ricardo se despediram, e fui tomar minha água de coco. O movimento no calçadão, ao contrário do sábado, estava grande. 

Já em casa, assisti ao Arsenal empatar com o Manchester City, resultado que não ajudou nem a um e nem ao outro. Eu que já fui fã do Arsène Wenger estou começando a achar que é chegado o momento do Arsenal agradecer ao francês a contribuição que deu para fazer dos gunners uma equipe competitiva, jogando futebol arte, e trazer sangue novo. 

Arsène Wenger
Mais tarde, depois do almoço, vi o Vasco se classificar para as finais da Taça Rio e, também, do Campeonato Carioca.

Vamos ter, de novo, VascoXFlamengo. Como se classificaram o 4 clubes grandes, e o Vasco tem o elenco mais fraco dos 4, é pouco provável que conquiste o tricampeonato.

É um sonho, e dizem alguns que os sonhos morrem primeiro. 


http://www.centrodeartes.uff.br/programacao/