19 de outubro de 2017

KBrO3 e SO2

O bromato de potássio e o sulfito (ou dióxido de enxofre) são nocivos a saúde?

Pode ser, não discuto com cientistas, acadêmicos e petistas.

Hein!? Por que incluí os petistas num nicho seleto? Por causa do Lobão (cantor e compositor) que os definiu de forma bem-humorada, mas mordaz, ferina:

"Discutir com petista é como jogar xadrez com pombo. Ele vai derrubar as peças, cagar no tabuleiro e sair de peito estufado cantando vitória".

Ele nem acrescentou que os pombos são ratos com asas, transmissores de doenças. E que emporcalham monumentos públicos, para dizer o mínimo.

E, cá para nós, os petistas, como os pombos, transmitiram corrupção, fraudes, falcatruas, apropriações indébitas e outros malfeitos (valeu, Dilma), contaminando todo o organismo político que já vinha combalido.

Quanto a não discutir com cientistas, é porque eles nos colocam dúvidas, caraminholas na cabeça, e depois saem se desdizendo, tornando não dito o que foi dito, com firma reconhecida e várias testemunhas.

Ou esquecerem que o ovo poderá ser responsável por suas elevadas taxas de colesterol? Sim, esquecerem porque agora não mais: a ciência comprovou que não é bem assim.

A cafeína, a sacarose, a lactose fazem mal? Não sei hoje. Preciso da ajuda dos universitários.  Ou então, se não estou num programa de prêmios (quiz) vou à wikipédia.

Discutir o bromato de potássio no pão, quando até mesmo o trigo do qual basicamente é feito está no banco dos réus?

Você não sabe? Pelo excesso de glúten na farinha, o consumo de pão não é recomendado: causa inflamação no intestino.

E nós ainda agradecemos na oração "o pão nosso de cada dia..."

Voltando ao bromato, não por outra razão o pão argentino é melhor do que o nosso, assim como o Messi é melhor do que o Neymar. Lá o uso do bromato é permitido de forma controlada.

Tenho saudades de um pão que comprava em São Paulo quando lá morei nos anos 1970. Leve, massa aerada, parecia um biscoito. Sim, com bromato.

Agora é proibido.

Alguns puristas querem chegar ao nível zero de utilização de aditivos na fabricação de vinhos. A última fronteira do uso de elementos químicos parece ser o sulfito.

Ora o sulfito possui atividades antibacteriana e antioxidante, ou seja, previne o desenvolvimento de bactérias que podem modificar o vinho comprometendo sua qualidade. Em outras palavras podem estragar o seu vinho.

Essa nova febre de consumo orgânico, não sei não ... e a qualidade da água com que é feita a irrigação?  E a chuva ácida?

Dos meus tempos de Liceu, assistindo com um mínimo de interesse as aulas do prof. Humberto Kopke, lembro da lei de Proust, não o Marcel, autor de "Em busca do tempo perdido", mas o químico francês Joseph Louis Proust, que enunciou a Lei das Proporções Constantes.

Segundo sua lei uma determinada substância composta é formada por substâncias mais simples, unidas sempre  na mesma proporção.

Como em minha memória: quando duas ou mais substâncias simples se combinam para dar formação a uma composta, só o fazem em proporções definidas e invariáveis.

Você está pensando que "colei" o enunciado do Proust - químico francês - pois fiquem sabendo que várias fórmulas matemáticas e leis físicas e químicas estão gravadas em meus chips cerebrais e posso surpreende-lo com citações em meio a conversas descompromissadas.

Querem outro exemplo? A fórmula da equação do segundo grau: menos "b", mais ou menos raiz quadrada  de "b² " menos 4ac, sobre 2a. Veja abaixo o valor de x.


Que pretendo então dizer sobre o uso de bromato nos pães e dióxido de enxofre nos vinhos?

Quem pariu Mateus que o embale. Os puristas querem vinho sem aditivos? Inventem, mas mantenham o frescor, o sabor e o aroma que lhes dão vida e alma.

Se pode usar farinha, com glúten, então deveria ser possível usar bromato, de forma controlada, para que o pãozinho francês nosso de cada dia (lembram da média com pão e manteiga?) fique fofinho, leve, com casca como de biscoito.

Meu saudoso e estimadíssimo amigo Mario Castelar estava com níveis altos de colesterol. Foi ao médico pois afinal seu irmão Francisco (Chicão), não menos estimado por mim, acabara de fazer um infarto.

O médico recomendou que ele tomasse Crestor. Alguns poucos meses depois, voltou à consulta e já com os resultados de novo exame de sangue em mãos. Olhando o resultado disse o médico: seu nível de colestrol caiu muito. Precisamos rever isto.

Se bem entendi, e o Castelar também, é preciso ter algum colesterol. É isso? 

Sim, é isso mesmo. Embora associado a doenças cardiovasculares, como infarto, e acidente vascular cerebral, o colesterol é uma gordura importante no organismo. Precisa apenas ser controlado.

Durma-se com um barulho deste.

Em resumo, mas sem qualquer relação com o ponderado acima: "Tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda", decretou o poeta popular.



NOTAS:

SO2 = anidrido sulfuroso

KBrO3 = bromato de potássio

Ler a respeito em:
http://www.artwine.com.br/artigos-e-reportagens/416/sulfitos-nos-vinhos-amigos-ou-inimigos

http://centralsul.org/2008/promotoria-investiga-uso-de-bromato-em-pao/

http://www.euromedic.com.br/detalhe-materia/porque-devemos-evitar-o-pao-nosso-de-cada-dia

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/oxidos-chuva-acida.htm

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2017/08/taxas-desejaveis-de-colesterol-ficam-mais-rigidas-com-novas-diretrizes-9869672.html

17 de outubro de 2017

Da caixa de entrada de meu correio eletrônico

Os carrascos constroem as armas. Os detentores de poder de veto no Conselho de Segurança, na ONU, são os maiores fabricantes de armas letais, lideres da indústria bélica.

As armas que produzem visam lhes garantir respeito para exigir a paz, ou são um mero negócio, puro business?

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E os defensores da plena liberdade para manifestações de arte? Eles estão imbuídos de que propósitos? E o conceito de arte, é universal?


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Ideologia de gênero? Cura gay? 

Luiz Felipe Pondé, respeitado filósofo, fala da cura gay e da Globo.



Este parlamentar alemão ironiza.


Até o Alexandre Garcia pode ter razão em algum momento.


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A Rede Bandeirantes, ao contrário da Rede Globo, tem opinião ... as vezes. E eu aprovo, as vezes.


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Não sei quem fez a montagem, fez a edição, mas uma coisa é certa ... não é tricolor.


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Ainda na linha do humor, divirtam-se.


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Nota de agradecimento: agradeço a todos os parentes e amigos que me enviam vídeos de diferentes origens, temas e apelos. Continuem enviando.

Certamente os remetentes reconhecerão os que me enviaram, embora ocorra, com alguma frequência , receber o mesmo vídeo de fontes amigas diferentes.

Como este que recebi de três diferentes remetentes:


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Sobre Luiz Felipe Pondé, ler em
https://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_Felipe_Pond%C3%A9

16 de outubro de 2017

Comemorações

As garrafas de espumantes, envoltas em papel acetinado, são para comemorar a prisão do molusco. Todas para mim. Quem vier confraternizar comigo terá que trazer sua própria bebida.

Já encomendei algumas para celebrar a permanência do Vasco na primeira divisão.



Já já irão para a adega climatizada.

15 de outubro de 2017

DESAPEGO

Dando continuidade ao processo de desapego iniciado há alguns meses, chegou a vez de algumas revistas.

Vou oferece-las aos sebos existentes na Rua Almirante Tefé. Free. 0800. Se quiserem terão que vir pegar.

Se alguém se interessar é só ligar, passar e pegar. A única pessoa que receberá em casa, em tendo interesse, é a Ana Maria.

Diferentemente do que ocorreu com as caixinhas de fósforos e os lápis com propaganda, nada quero em troca.







Os lápis e as caixinhas de fósforos foram adquiridas por gaúchos, de Gravataí e Novo Hamburgo, respectivamente. Cliquem no link abaixo.







As revistas são sobre vinhos e livros. Da clássica EntreLivros tenho poucas edições. Foi numa adelas que consegui, finalmente, conhecer "Ulisses", de Joyce.













Já havia feito duas tentativas para ler, na tradução do Antônio Houaiss, única disponível. Não passei da página 20.

Até que, em 2005 foi lançada a tradução da professora Bernardina Pinheiro e a revista EntreLivros publicou uma ótima resenha, palatável. 

Conclusão: continuo sem ter lido o livro (rsrsrs), mas agora conheço a história, graças a bem articulada resenha feita sobre e versão da prof. Bernardina.

Já as revistas sobre vinhos, nas duas diferentes edições, versam sobre todas as mais importantes regiões produtoras do planeta, como França, Itália, Espanha e Alemanha; e, ainda, os emergentes Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos; e também  Chile, Argentina e Uruguai aqui em nosso continente.

Abordam, também as castas mais difundidas e cultivadas. E tratam dos vinhos  espumantes, dos tranquilos, dos fortificados e dos adocicados (sobremesa).

Para iniciantes são um bom ponto de partida, por isso meu primogênito, parceiro no curso da ABS, comprava todas as edições das duas coleções.



Notas: 


11 de outubro de 2017

Palocci caindo fora do PT

Faz tempo ...
O PT resolveu punir Antonio Palocci. Saiu pela culatra. O ex-ministro pediu desfiliação, em carta endereçada a Gleise Hoffmann, presidente do partido. A propósito, o PT tem exatamente a presidente que merece.
Eis o texto:

"Senhora Presidente,
Soube pela imprensa da abertura do processo disciplinar pelo PT-RP, bem como de minha suspensão pelo Diretório Nacional por 60 dias. Confesso minha estranheza sobre o conteúdo do referido processo. Neste último período, havia me preparado para enfrentar junto ao partido um procedimento de natureza ética frente à recente condenação que sofri na 13ª Vara Federal de Curitiba, pelo DD. Juiz Sérgio Fernando Moro. Pensava ser normal que o partido procurasse saber as razões que levaram a tal condenação e minhas eventuais alegações. Mas nada recebi sobre isso. 
Recebo agora as notícias de abertura de procedimento ético em razão das minhas declarações no interrogatório judicial ocorrido no último dia 6/9/2017, sobre ilegalidades que cometi durante os governos de nosso partido. 
O procedimento questiona minhas afirmações a respeito do ex-presidente Lula.



Depondo ao juiz Sergio Moro
Sobre isso, tenho a dizer que: 
1) Há alguns meses decidi colaborar com a Justiça, por acreditar ser este o caminho mais correto a seguir, buscando acelerar o processo em curso de apuração de ilegalidades e de reformas na legislação de procedimentos públicos e na legislação partidária-eleitoral, que reclamam urgente modernização. 
2) Defendo o mesmo caminho para o PT. Há pouco mais de um ano tive oportunidade de expressar essa opinião de uma maneira informal a Lula e Rui Falcão, então presidente do PT, que naquela oportunidade transmitia uma proposta apresentada por João Vaccari, para que o PT buscasse um processo de leniência na Lava Jato. 
3) Estou disposto a enfrentar qualquer procedimento de natureza ática no partido sobre as ilegalidades que cometi durante nossos governos, as razões e as circunstâncias que me levaram a estes atos e, mesmo considerando a força das contingências históricas, suportar pessoalmente as punições que o partido julgar cabíveis. 
4) Não vejo possibilidade, entretanto, de colaborar no processo aberto pelo partido sobre minhas afirmações quanto às responsabilidades do ex-presidente Lula nas situações citadas por ocasião do interrogatório de 6/9/2017. Isso porque tais questões fazem parte do processo de negociação com o MPF, e tal procedimento encontra-se envolto em sigilo legal. Foi por isso que naquela oportunidade limitei-me a fatos relacionados àquele processo. Dito isto, declaro minha disposição de responder aos questionamentos do partido sobre qualquer tema, logo após os prazos legais. 
5) De qualquer forma, quero adiantar que, sobre as informações prestadas em 6/9/2017 (compra do prédio para o Instituto Lula, doações da Odebrecht ao PT, ao Instituto e a Lula, reunião com Dilma e Gabrielli sobre as sondas e a campanha de 2010, entre outros) são fatos absolutamente verdadeiros. São situações que presenciei, acompanhei ou coordenei, normalmente junto ou a pedido do ex-Presidente Lula. Tenho certeza que, cedo ou tarde, o próprio Lula irá confirmar tudo isso, como chegou a fazer no "mensalão", quando, numa importante entrevista concedida na França, esclareceu que as eleições no Brasil eram todas realizadas sob a égide do caixa dois, e que era assim com todos os partidos. Naquela oportunidade ele parou por aí, mas hoje sabemos que é preciso avançar na abertura da caixa preta dos partidos e dos governos, para o bem do futuro do país. 
6) Ressalto que minha principal motivação nesse momento é que toda a verdade seja dita, sobre todos os personagens envolvidos. 
7) Sob o ponto de visa político, estou bastante tranquilo em relação a minha decisão. Falar a verdade é sempre o melhor caminho. E, neste caso, não posso deixar de registrar a evolução e o acúmulo de eventos de corrupção em nossos governos e, principalmente, a partir do segundo governo Lula. 
Vocês sabem que procurei ajudar no projeto do PT e do presidente Lula em todos os momentos. Convivi com as dificuldades e os avanços. Sabia o quanto seria difícil passar por tantos desafios políticos sem qualquer desvio ético. Sei dos erros e ilegalidades que cometi e assumo minhas responsabilidades. Mas não posso deixar de destacar o choque de ter visto Lula sucumbir ao pior eda política no melhor dos momentos de seu governo. Com o pleno emprego conquistado, com a aprovação do governo a níveis recordes, com o advento da riqueza (e da maldição) do pré-sal, com a Copa do Mundo, com as Olimpíadas, "o cara", nas palavras de Barack Obama, dissociou-se definitivamente do menino retirante para navegar no terreno pantanoso do sucesso sem crítica, do "tudo pode", do poder sem limites, onde a corrupção, os desvios, as disfunções que se acumulam são apenas detalhes, notas de rodapé no cenário entorpecido dos petrodólares que pagarão a tudo e a todos. 
Alguém já disse que quando a luta pelo poder se sobrepõe à luta pelas ideias, a corrupção prevalece. Nada importava, nem mesmo o erro de eleger e reeleger um novo governo, que redobrou as apostas erradas, destruindo, uma a uma, cada conquista social e cada um dos avanos econômicos tão custosamente alcançados, sobrando poucas boas lembranças e desnudando toda uma rede de sustentação corrupta e alheia aos interesses do cidadão. Nós, que nascemos diferentes, que fizemos diferente, que sonhamos diferente, acabamos por legar ao país algo tão igual ao pior dos costumes políticos. 
Um dia, Dilma e Gabrielli dirão a perplexidade que tomou conta de nós após a fatídica reunião na biblioteca do Alvorada, onde Lula encomendou as sondas e as propinas, no mesmo tom,  sem  cerimônias, na cena mais chocante que presenciei do desmonte moral da mais expressiva liderança popular que o país construiu em toda a nossa história. 
Enfim, é por todas essas razões que não compreendo o processo aberto agora. Enquanto os fatos me eram imputados e eu me mantive calado não se cogitava a minha expulsão.  Ao contrário, era enaltecido por um palavrório vazio. Agora que resolvo mudar minha linha de defesa e falar a verdade, me vejo diante de um tribunal inquisitorial dentro do próprio PT. Qual o critério do partido? Processos em andamento? Condenações proferidas? Se é este o critério, o processo de expulsão não deveria recair apenas contra mim. 
Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do "homem mais honesto do país" enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto (!!) são atribuídos a Dona Marisa?  
Afinal, somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?
Chegou a hora da verdade para nós. De minha parte, já virei essa página. Ao chegar ao porto onde decidi chegar, queimei meus navios. Não há volta. Depurar e rejuvenescer o partido, recriar a esperança de um exercício saudável da política será tarefa para nossos novos e jovens líderes. Minha geração talvez tenha errado mais do que acertado. Ela está esgotada. E é nossa obrigação abrir espaço a novas lideranças, reconhecendo nossas graves falhas e enfrentando a verdade. Sem isso, não haverá renovação. 
E tenho razões ainda maiores. Nas últimas décadas, sempre me decidi pelo PT, pela política, e minha família sempre aceitou, suportou e sofreu com isso. Agora decidi pela minha família! E o fiz com a alma tranquila. 
Desde que fundei o PT há 36 anos, em Ribeirão Preto com um grupo de amigos, na sede do Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina, entre 1980/1981, dediquei-me totalmente ao partido, à política e a nossos governos. 
Tive a honra e a felicidade de ser vereador e prefeito de minha cidade por duas vezes. Tive a honra de servir aos governos de Lula e Dilma. Enfrentei como Ministro da Fazenda uma das mais duras crises econômicas de nossa história, mas a competência de meus assessores permitiu um  trabalho com fortes e duradouros resultados. Nunca supus que o governo tenha desandado com minha saída em 2006. Na verdade, o caminho até a crise de 2008 foi, do ponto de vista do projeto de desenvolvimento, de grande sucesso. Mas, como o ovo da serpente, já se via, naqueles melhorses anos, a peçonha da corrupção se criando para depois tomar conta do cenário todo. 
Coordenei várias campanhas eleitorais, em vários níveis e pude acompanhar de perto a evolução de nosso poder e nossa deterioração moral. Assumo todas as minhas responsabilidades quanto a isso, mas lamento dizer que, nos acertos e nos erros, nos trabalhos honrados e nos piores atos de ilicitudes, nunca estive sozinho. 
Por isso concluo: 
1) Continuo a apoiar a proposta de leniência do PT. 
2) Aós respeitar os prazos legais de sigilo quanto a  minha colaboração com a Justiça, terei toda a disposição para esclarecer e depor perante o partido sobre todos esses temas. 
3) Com humildade, aceitarei qualquer penalidade aprovada. Mas ressalto que não posso fazê-lo neste momento e neste formato proposto pelo partido onde quem fala a verdade é punido e os erros e ilegalidades são varridos para debaixo do tapete. 
Por todas essas razões,  ofereço a minha desfiliação, e o faço sem qualquer ressentimento ou rancores. Meu desligamento do partido fica então à vossa disposição. 
Saudações cordiais,  
Antonio Palocci Filho"

É questão de tempo, tenhamos paciência

Imagens obtidas através do Google.

9 de outubro de 2017

Saturação, desânimo e desilusão

Foram exatos setenta anos até que eu atingisse o ponto de saturação. Aos sete anos fiz minha opção pelo Vasco da Gama, que nas décadas de 1940 e 1950, era um clube respeitado no Brasil e no exterior, grande vencedor, com estádio próprio, construído com doações de sócios e torcedores, e que foi durante muito tempo o palco de apresentação da seleção nacional e de muitos eventos políticos.

Lá, em São Januário, Getúlio Vargas discursava no 1º de maio - Dia do Trabalho  - e anunciava direitos sociais para aos trabalhadores.

Para não perder a oportunidade, vou contar uma piada então corrente.

Antes preciso recapitular que no pós-guerra o Brasil recebeu muitos imigrantes vindos de Portugal e dos Açores. Como muitos dos portugueses embarcavam em porto localizado na Galícia, já na porção espanhola da Península Ibérica, nós chamávamos estes lusitanos de galegos.

A grande maioria das padarias, armazéns e bares pertencia a portugueses. Chegava um, trabalhava como um mouro e depois trazia os parentes. As “cartas de chamada” permitiam a vinda de parentes, com emprego assegurado, no comércio do patrício, o que facilitada o visto de entrada e obtenção da carteira de estrangeiro.

Com efeitos estes imigrantes portugueses trabalhavam duramente, abrindo seus estabelecimentos nas primeiras horas da madrugada e mantendo-os em funcionamento até o início da noite. Os bares ficavam até tarde da noite. Ou seja, eles trabalhavam mesmo. Tios meus, portugueses – João e Manuel – eram proprietários de padaria e armazém.

O armazém do tio Manuel ficava no Grajaú, na Ria Borda do Mato; e a padaria do tio João ficava na Rua Frei Caneca, próximo ao Campo de Santana.

Getúlio começava seus discursos invariavelmente da seguinte forma: “Brasileiros, trabalhadores do Brasil ....”.

A piada que fazíamos a boca pequena era de o presidente se referia primeiro aos brasileiros e depois, em seguida,  aos portugueses porque estes eram realmente os trabalhadores do Brasil.

A colônia portuguesa, numerosa, torcia pelo Vasco, claro. Mas não foi por isso que elegi o clube como meu preferido. Foi pelas conquistas dentro dos gramados e fora deles. Clube pioneiro ao admitir negros em seu elenco, acabou por conquistar o coração do pessoal do samba.

Eu tinha sete anos de idade e Barbosa, Ademir, Danilo e outros grandes jogadores que acabaram por envergar a camisa da seleção brasileira em 1950, levaram-me a fazer a opção. Claro, torcer por vencedores é sempre mais gratificante e mais fácil.

Durante este longo período de setenta anos, assisti ao vivo, e em filmes e vídeo tape, grandes futebolistas. Zizinho, Puskas, Di Stefano, Pelé, Garrincha, Ronaldo (o fenômeno) e Maradona,  e mais recentemente Messi e Cristiano Ronaldo. Acompanhei a conquista de cinco Copas Mundiais, vários Sul-Americanos e outros títulos menos expressivos.

Fui levado por meu pai ao Maracanã, no inesquecível 6X1 sobre a Espanha e engrossei o coral (152.772 torcedores) que entoou "Touradas em Madrid": "eu fui as touradas em Madrid, pararatibum, bum, bum..." Maravilhado com Friaça, Zizinho (um gol), Ademir (dois gols), Jair (um gol) e Chico (dois gols), para falar apenas do ataque.

Assisti ao Expresso da Vitória, ao Expressinho e ao Trem Bala da Colina. Grandes equipes do Vasco, que nos orgulhavam. Era um futebol  semiamador. A maioria dos atletas nutria amor pela camisa que envergavam.

A sala de troféus do clube é rica em taças nacionais e internacionais.

Depois vivi o amargor de três rebaixamentos. E suportei, com o coração partido, alimentado pela esperança de que sairíamos das cinzas para voos mais altos. Debalde.

Acompanhei o Vasco em vários estádios no Rio de Janeiro, nos jogos pelo Campeonato Carioca, que era o mais importante do país (afinal do Rio de Janeiro era a capital federal). Até mesmo nos chamados alçapões: Olaria, na Rua Bariri; Bonsucesso, na Av. Teixeira de Castro; Madureira na Rua Conselheiro Galvão; América, na Av. Campos Sales; Bangu, em Moça Bonita e, claro, Canto do Rio, Caio Martins.

Ao Maracanã fui dezenas de vezes para ver  o Vasco, e principalmente a seleção brasileira. Passei sufôcos como no Brasil X Paraguai pelas eliminatórias da Copa de 1970; e no jogo de despedida do Pelé. Frequentei as arquibancadas, a geral e cadeira cativa (cortesia do Mário Coelho da Silva, meu chefe na Fiat Lux, sócio do Vasco e concunhado do Ademir Menezes).

O espetáculo de bandeiras desfraldadas, das serpentinas atiradas, dos cantos e vivas com aplausos é inesquecível.

Hoje, Neymar vale (vale?) quase um bilhão de reais. Os elencos do PSG, do Real Madrid, do Barcelona, do Bayern de Munique, do Manchester City, do Manchester United, atingem cifras indecentes, indecorosas. O futebol virou um grande negócio, os clubes já são tratados como marcas.

As arenas são cada vez maiores e mais confortáveis, contando com restaurantes, bares, butiques e área de recreação infantil. Novos uniforme são vendidos  aos milhares, em lojas  dos próprios clubes.

E ainda tem a receita, nada desprezível, dos naming rights das arenas.

As emissoras de TV pagam fortunas pelos direitos de transmissão. O esporte movimenta bilhões de dólares em todo o mundo. Novos mercados, como dizem agora, estão franca expansão: China, USA, Catar, e outros menos endinheirados.

Em contrapartida a movimentação dos jogadores cria situações constrangedoras. Eles hoje beijam um escudo e amanhã outro. Este outro poderá ser até de um rival histórico. Neste momento o Liverpool, da Inglaterra, e o Barcelona, da Espanha, travam uma batalha pela contratação do brasileiro Philippe Coitinho. Um leilão que atinge cifras absurdas. E agora consta que o PSG vai entrar na disputa pela contratação do jogador. Quem dá mais?

No passado aconteciam casos semelhantes, mas que eram muito menos frequentes: Zizinho deixou o Flamengo trocando-o pelo Bangu, por dinheiro. Afinal a família Guilherme da Silveira tinha muita grana.

Houve outros casos de trocas de clube, mas com jogadores já quase em final de carreira (Rubens no Vasco, por exemplo). No Brasil Pelé jogou em um só clube. Zico também. Rogério Ceni idem.

Este excesso de competições, levaram à saturação. São tantas as competições, nacionais e internacionais, eu os clubes acabam por privilegiar a participação em uma em detrimento de outras julgadas menos rentáveis. Um clube carioca poderá ter que disputar ao longo de uma temporada várias competições, algumas simultaneamente, como o Campeonato Carioca, a Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro, a Taça Primeira Liga, a Copa Libertadores.

É muito futebol programado e pouco em campo. Em certas épocas do ano, se acompanhamos campeonatos europeus, nacionais ou internacionais, ficamos saturados com futebol todos os dias da semana; Na Inglaterra além da Premier League, tem as duas Copa (da Inglaterra e da Liga). E tem a Copa do Campeões (Champions League) e a Copa da Europa (com clubes que não disputam a Champions). Assim como acontece na América, onde temos a Libertadores e a Copa Sul-Americana.

E tem a Eurocopa, entre seleções europeias, tem as eliminatórias para a Copa do Mundo, tem futebol todos os dias e todos os horários. É só ligar a TV por assinatura.

Muito interesse financeiro, muito mercenarismo, muita maracutaia, muita decisão em tribunais, enfim ... basta!

E ainda vem por aí a utilização de meios eletrônicos para decisões nas quatro linhas. Não demora e a bola de jogo deixará de ser redonda.

Assim como deixei o cigarro e afastei-me do Whisky, vou conseguir libertar-me do futebol. Fui tão viciado que ia assistir jogos dos campeonatos de São Gonçalo, onde meu pai foi presidente do Carioca,  e de Niterói, onde ele presidiu o Sepetiba. Para minha tristeza ambos rubro-negros.


Parava durante as caminhadas no calçadão, para assistir um pouco das partidas disputadas na areia. Ainda tem jogos aos domingos, com os veteranos barrigudos correndo atrás da bola. O futebol era como um vício.

Assistia por amor ao clube ou a seleção, com grande componente de paixão. Mas assistia também por amor à arte. Como se estivesse num teatro. Para ver grandes jogadas, matadas de bola, gols antológicos. Mas e as outras coisas prazerosas? Estavam sendo negligenciados outros interesses até mais nobres. Não, para mim chega.

Assim como deixei o cigarro e afastei-me do Whisky, vou conseguir libertar-me do futebol. Fui tão viciado que ia assistir jogos dos campeonatos de São Gonçalo, onde meu pai foi presidente do Carioca,  e de Niterói, onde ele presidiu o Sepetiba. Para minha tristeza ambos rubro-negros.

Joguei (mal) em gramados e em quadras, quando estudante. E gostava de jogar, compensando a pouca técnica com muita disposição. Estão aí, felizmente, muitos amigos contemporâneos que não me deixarão mentir sozinho.

Parava durante as caminhadas no calçadão, para assistir um pouco das partidas disputadas na areia. Ainda tem jogos aos domingos, com os veteranos barrigudos correndo atrás da bola. O futebol era como um vício.

Ficarei doravante só nas manchetes.  Alguém tem um bom livro para recomendar?


Nota do autor: depois de ler o post e acessar o website profissional (abaixo), é legítimo supor que estou me despedindo do mundo. Ledo engano, agora é que vou começar a viver.
www.carrano.adv.br

8 de outubro de 2017

Goleiros do Flamengo





Quando Muralha, goleiro do Flamengo, foi apanhado furtando energia elétrica, Felipe, goleiro do Flamengo, teria comentado que roubado é melhor (KKKKKK).




Muralha retrucou que furtar energia não é crime grave, pior seria mandar matar a mulher, como fez o Bruno, também goleiro do Flamengo.



Os três goleiros, entretanto, reclamam que o dirigente do Flamengo, envolvido com a Lava-Jato, só porque usa colarinho branco não é tão achincalhado.

Bem, com o exemplo que tiveram de um vice-presidente, os goleiros não poderiam ter outros comportamentos: assassinato, furto, e falta de princípios éticos e morais.

Flávio Godinho, vice-presidente do Flamengo

Leiam as matérias nos links a seguir:

https://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2017/10/06/quando-a-fase-e-ruim-companhia-de-luz-encontra-gato-na-casa-de-muralha.htm


https://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/companhia-de-energia-encontra-gatos-de-luz-na-casa-de-muralha-jogador-se-defende.ghtml


http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2014/04/felipe-tira-onda-com-vasco-acho-que-ficaram-10-anos-jogando-o-paulista.html


https://oglobo.globo.com/esportes/felipe-roubado-mais-gostoso-12184924


http://globoesporte.globo.com/mg/sul-de-minas/futebol/noticia/2017/04/goleiro-bruno-se-apresenta-policia-e-e-preso-apos-mandado-ser-expedido.html


http://www.lance.com.br/futebol-nacional/bruno-fala-pela-segunda-vez-expoe-magoa-com-flamengo-gostaria-ter-recebido-uma-carta.html


http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/01/1853448-alvo-da-lava-jato-dirigente-do-flamengo-fez-fortuna-junto-com-eike.shtml


http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/01/1853177-preso-na-lava-jato-vice-presidente-do-flamengo-foi-socio-de-eike.shtml