18 de junho de 2018

Mulheres

Trabalhei em unidades fabris. Nas linhas de produção predominavam, com ampla maioria, as mulheres. Foi assim na indústria têxtil, na de fabricação de fósforos e na farmacêutica.

Sim, havia muitas mulheres que eram secretárias e algumas até assistentes. Nos bancos também pontificavam no atendimento de balcão. Na época em que havia balcões.

Hoje, nos bancos, gerenciam contas. No banco onde movimento  meus parcos recursos financeiros, minha conta já foi gerenciada por cinco diferentes mulheres nos últimos três anos.

Como uso pouco este atendimento, quando eventualmente preciso e procuro pela gerente Fulana, sou informado que ela não está mais na agência e que minha conta, agora, está com a Sicrana. Já foram Taís, Débora, Ana Paula, Priscila e a da vez  chama-se Thamiris (acabo de confirmar no cartão-de-visita).

Vou dar um salto no tempo e nos costumes para chegar logo ao ponto. As mulheres dominam o Judiciário. Em Niterói, por exemplo, das 10 serventias cíveis, 7 têm mulheres como juízas titulares.

Na mais alta corte de Justiça, são duas ministras (2 em 11). E as chefias da Procuradoria Gral da República e da Advocacia Geral da União estão sendo exercida por mulheres.

Quando iniciei na advocacia não era assim. As petições eram endereçadas, basicamente, ao Sr. Dr. Juiz de Direito de tal Vara Cível.

No que diz respeito aos escreventes, imagino, por alto, que as mulheres sejam maioria absoluta. Basta entrar em um cartório qualquer e constatar.

Nos últimos dias duas notícias surpreendem pelo inusitado. Uma mulher esta dirigindo a CIA importante agência de inteligência norte-americana. E mais inusitado ainda, a bolsa de valores de Nova York será presidida por uma mulher.

Primeiras-ministras, presidentes, ministras de Estado já são há bastante tempo. O que falta alcançar não tenho ideia.

Uma face perversa desta revolução, é que mulheres cobiçadas, apreciadas e até sexy, estão virando fio. Tudo bem, nenhum questionamento. Cada qual trate de si.

Mas pondero o seguinte, cada uma que vira "marido", e passa a ter uma companheira, nos priva de duas mulheres a um só tempo.

Exemplos mais recentes:
Nanda Costa

Fernanda Gentil
https://revistamarieclaire.globo.com/Celebridades/noticia/2016/09/fernanda-gentil-assume-namoro-com-jornalista-diz-jornal.html

Daniela Mercury
http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/1256528-daniela-mercury-assume-namoro-com-mulher-e-a-chama-de-esposa.shtml


O resumo da opereta é que mães (biológicas), papel que a natureza lhes outorgou já não são, e não estão fazendo questão (com perdão pelas rimas).

Notas:
1) Balconistas, garis, telefonistas, policiais não chamam a atenção. Mas babá está difícil de encontrar no mercado de trabalho.
2) Que papel restará aos homens? 
3)Confirmações:
https://oglobo.globo.com/economia/apos-226-anos-de-historia-bolsa-de-nova-york-tera-1-mulher-no-seu-comando-22704880

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2018/03/13/trump-nomeia-gina-haspel-como-nova-diretora-da-cia.htm

16 de junho de 2018

Ora pois pois. Ó pá!

Uns dizem que foi o Eusébio, outros ainda indicam o Figo, já o escriba não tem dúvidas. Cristiano Ronaldo é o maior jogador português de todos os tempos.

Ele tem velocidade, força física, uma impulsão excelente, chuta com os dois pés, dribla com habilidade ... e faz muitos, muitos gols.

Foi artilheiro nos clubes por onde passou e em várias competições.

Este ano conquistou a Champions League, com o Real Madrid, a maior competição de clubes do mundo, embora restrita a clubes europeus. Foi campeão da Eurocopa, torneio entre seleções de países da Europa, a segunda mais importante competição entre seleções do mundo, quando Portugal, pela vez primeira, conseguiu ganhar a taça de campeão. E ontem conquistou, com o Real Madrid, o campeonato mundial interclubes.

Na Inglaterra, onde atuou pelo Manchester United (durante seis anos), sob o comando do histórico treinador Alex Ferguson, foi artilheiro, e no Real Madrid, onde está há sete anos também é goleador.

No Manchester United
Tive oportunidade de ver Eusébio jogando e assisti também algumas atuações do Figo, mas nenhum dos dois foi tão decisivo quanto o Cristiano Ronaldo.

Eusébio
Considerado por muitos como mascarado, joga muito mais do que outros marrentos do futebol mundial. Fica antipatizado, mas ele pode.

Quatro vezes eleito, com toda justiça, o melhor jogador da temporada, tem na estante quatro bolas de ouro. E se não ganhou mais é porque teve a infelicidade de ser contemporâneo de um gênio da bola chamado Messi.

São coisas que acontecem. Dirceu Lopes, meia armador da maior categoria que se consagrou no Cruzeiro, de Minas Gerais, não jogou na seleção brasileira (apenas rápida passagem em 1967) porque na mesma época, havia Gerson e Rivelino brilhando no Rio e em São Paulo. Gerson jogou também em São Paulo (São Paulo F.C.) e Rivelino jogou também no Rio (Fluminense F. C.).

Sim, Ronaldo é vaidoso. A primeira coisa que faz após qualquer lance de que participe é olhar para as telas de transmissão existentes no alto, erguidas sobre os gramados de alguns estádios de futebol na Europa.

Cabelo engomado e uniforme sempre arrumado.

Há quatro anos já enalteci as qualidades do portuga em postagem encontrável em

Ele está, sem dúvida, entre os fora de série que vi jogar: Di Stefano, Puskas, Pelé, Maradona e Messi, pela ordem de entrada em cena.  

Estes acima citados estão num degrau; outros ótimos e bons jogadores estariam em outro abaixo.

Mal comparando, mas para estabelecer parâmetros, menciono alguns lusitanos famosos.

Cristiano Ronaldo, no futebol e José Saramago na literatura, são dois portugueses que quase superam, em talento, os donos de padaria que conheci e faziam pães fantásticos (rsrsrs).

Eusébio e Eça de Queirós, nas mesmas áreas artísticas mencionadas, estariam em outro patamar, um pouco mais abaixo.


Nota do autor: aqui também falei do CR7, como é conhecido o Cristiano Ronaldo. 
http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2015/01/messi-e-cristiano-
ronaldo.html

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Nota do autor:
Na republicação, hoje, 16 de junho de 2018:
Tendo acabado de assistir ao jogo entre Portugal e Espanha, pela Copa do Mundo de 2018, disputada na Russia, lembrei que desde há muito sou muito fã do gajo. Rastreei no blog a achei este post, publicado originariamente em 19 de dezembro de 2016.

E também este outro no qual há 6 (seis) anos já tecia loas ao portuga.
https://jorgecarrano.blogspot.com/2012/06/cristiano-ronaldo-e-muito-bom.html



14 de junho de 2018

Síndrome do excesso de informação



Por
Ana Maria Carrano






Há algum tempo reduzi minha participação aqui neste espaço e em outras mídias.

Tenho mantido contato diário nas redes sociais, graças às ferramentas de símbolos (curtir, aplaudir, rejeitar) e aos oportunos emojis.  Com eles se podem passar superficialmente por cima das notícias, avisos e mensagens, sem dar muita bandeira. Uma carinha triste, animada, gargalhada ou carrancuda, evita muitas palavras.

Parei com a leitura dos livros que tanto preso. Limito-me a passar os olhos pelo título ou dois ou três parágrafos. Apenas o suficiente para deduzir o tema e a intensão da mensagem.

Se o assunto se refere à religião, coloco as mãos postas e um lacônico Amém; se é um texto de autoajuda ou edificante, uso as palmas num sinal de aprovação; em se tratando de denúncia política, me valho das carrancas diabólicas para expressar meus sentimentos.

Não. Não gosto desse comportamento. Gosto de me posicionar e uso sem pudor um número significativo de palavras para reforçar meu ponto de vista. Como se vê, sou prolixa.

Então, se essa não é minha conduta habitual, por que tenho usado esses recursos? Simplesmente porque estou cansada, ansiosa e estressada.

Uma rápida pesquisa satisfez minha curiosidade: estou sofrendo de um mal comum nesta era.

Descrita pelo psicólogo David Lewis, a “Síndrome da Fadiga Informativa” cabe como uma luva no meu caso. Segundo Lewis, “o excesso de informação paralisa a capacidade analítica e aumenta dúvidas e ansiedades”.
Deixe-me envolver nesse despertar para a realidade, que está vivendo o povo brasileiro.

Acompanhei os noticiários e segui nas redes, os movimentos sociais e alguns comentaristas (historiadores, advogados, jornalistas e até um ator de filmes pornô), para analisar opiniões e informações que pudessem embasar minhas conclusões.

Deixei meu comentário em 80% das publicações que li. Confronte, concordei, discuti e aplaudi, sempre enfaticamente, conforme o sentimento que me despertava.

Por outro lado, nos aplicativos de mensagens, sou bombardeada amorosamente por desejos de bom dia, boa noite, felicidade e outros tantos bons sentimentos. Recebo inúmeras preces para todos os Santos e Santas já canonizados, lado a lado com mensagens aos Orixás e Pretos Velhos  e textos fortes e assertivos de Buda, Osho, Chico Xavier e pastor Cláudio.

E tem as piadas!  Charges, charadas, fotomontagens, frases inteligentes e bem-humoradas, que agem como um contraponto aos textos áridos e ofensivos.

Critica-se tudo na Net. Maridos e mulheres pegos em delito conjugal, curadores de animais desleixados, cortes de cabelo e figurinos das amigas  e qualidade e técnica das produções televisivas. A Globo também nesse quesito é vencedora. Tipo um Ibope negativo.

Tudo isso junto e misturado me levou a uma ansiedade tal que me vi paralisada.

Hoje, entendendo o que ocorreu e tentando atenuar os malefícios deste excesso de informação, vou retornando aos poucos.

Ainda não é o texto que o dono do blog queria, mas é o que tem pra hoje.

12 de junho de 2018

Copa? Que Copa?




Por
Ana Maria Carrano





Estamos a poucos dias do início da Copa do mundo de futebol.

 Será desta vez na Rússia e por este motivo a Rede Globo de Televisão vem, exaustivamente, colocando imagens das cidades onde serão realizados os jogos. Belas imagens por sinal. Deixam boquiabertas pessoas que imaginavam um cenário sombrio e gelado. Política à parte é uma nação de tradições e vasta história de lutas contra adversidades.

O país está preparado para receber os milhares de turistas que, com certeza, quebrarão todos os protocolos soviéticos. Parece que vai ser concorrido o campeonato de futebol mais esperado.

Isso lá na Rússia.  Aqui pouco se fala sobre esse evento.

Não se veem ruas decoradas por bandeirinhas verde e amarela, painéis grafitados em paredes e chãos exibindo nossos maiores ídolos no esporte bretão. As lojas exibem o estoque de camisetas e acessórios que sobraram de 2014. Poucos itens citando o ano de 2018.

Finalmente o brasileiro tem mais o que fazer. Outras preocupações e prioridades com o que se importar.


Conforme circula no Facebook, é mais fácil o cidadão comum citar o nome da maioria dos membros do STF do que dos jogadores da seleção.

Domingo 10 de junho, senti esse clima aqui em Teresópolis. Neste dia foi realizado e televisado o último amistoso antes da Copa. Parece que foi às 11 da manhã, horário de Brasília.

Não se ouviram fogos na comemoração de gols; nenhum telão nos bares pelos quais passei a caminho do Supermercado. Silêncio total.



Curiosa que sou, perguntei aos funcionários o placar final e surpreendentemente nenhum deles soube responder.

É. Parece até que estamos amadurecendo. Será?

11 de junho de 2018

Você já foi a Bahia ?

Ouvindo o conselho de Dorival Caymmi, fui a Bahia. 

"Você já foi à Bahia, nêga?
Não?
Então vá!
Quem vai ao "Bonfim", minha nêga,
Nunca mais quer voltar"

Corria o ano de 1974. Morava em São Paulo e iria tirar férias. Comprara há pouco uma Brasília 0KM.

Onde ir? Avaliadas as possibilidades, ponderados os desejos, a decisão, na época, parecia óbvia. Vamos para Salvador?

Tínhamos que estabelecer uma estratégia porque  nossos dois filhos eram ainda pequenos e não queríamos leva-los. Como estávamos no mês de julho, estavam em férias escolares.

Então bolamos o seguinte plano. Faríamos escala em Niterói, onde morava minha mãe e com ela deixaríamos o filho mais velho.

A segunda escala seria em Cachoeiro de Itapemirim, onde moravam meus sogros e com eles deixaríamos o mais novo.

Achei que seria uma longa e cansativa viagem (1.993 Km) pois minha mulher não dirigia e teria que enfrentar ida e volta em 10 dias. Afinal seriam, por estimativa, 27 horas na estrada. E teria a volta. Telefonei para um amigo, em Niterói, e falei: - Estamos indo para a Bahia, topa ir conosco? Ele não pensou muito, fez apenas alguns questionamentos sobre dinheiro.

Também eu não tinha muita grana, então ponderei que sendo apenas os dois casais poderíamos arriscar uma ventura barata, com hospedagens e refeições alternativas.

Ele topou e combinamos sair no dia seguinte de Niterói. Peguei a Dutra e vim para Niterói onde deixei um filho. Saímos de Niterói, os dois casais e meu filho caçula (4 anos) e fomos numa só etapa até Cachoeiro de Itapemirim, onde deixamos meu filho. Pernoitamos e no dia seguinte partimos em direção à Bahia. 

Tudo precisava correr como planejado pois em Salvador teria que fazer a revisão dom 10.000 KM, numa concessionária local. Antecipo que fiz a revisão em Salvador, como previsto.

Minha mulher registrou em seu diário de bordo, algumas das cidades pelas quais passamos no caminho. Só na Bahia foram um pouco mais de 5 dezenas: Conceição da Feira, Cachoeira, Muritiba, Cruz das Almas,  Sapeaçu, Castro Alves, Nazaré, Amargosa, Itabaina, Ituberá, Guandu, Itacaré, Ilhéus, Itajuípe, ufa!!! Menciono apenas mais Itabuna, onde efetivamente entramos porque precisava comprar filmes para a máquina fotográfica.

Ao todo utilizamos 5 filmes de 24 poses. Algumas das fotos ilustram este post.



Uma parada em Linhares, no norte do Espírito Santo, para almoço , e  voltamos à BR 101.  Em São Mateus, ainda no ES, abasteci enchendo o tanque e seguimos em frente. A ideia era fazer uma parada para descanso. Pernoite com jantar. Passamos por Itamaraju e chegamos por volta da 20 horas em Eunápolis.

Um daqueles meninos que fazem papel de guias turísticos nos sugeriu uma churrascaria e um motel. Aceitamos e ele nos conduziu até ao motel "Costa do Sul", onde era muito conhecido. Tomamos banho e fomos levados até a churrascaria, chamada "Porto Velho do Cabral". Propus que o menino comesse conosco mas ele preferiu ganhar uns trocadinhos e partir, cerificando-se de que saberíamos regressar ao motel.



O nome dele, do menino cicerone,  era Jânio Carlos, isso mesmo Jânio Carlos.

No dia seguinte, tomamos um café frugal e voltamos para a estrada, pois queríamos chegar a Salvador antes do anoitecer.

Esqueci de um pormenor importante: era julho, mês de férias e não tínhamos reservas de hotel em Salvador. Conclusão, quando chegamos a cidade saímos em buscas de hotéis pouco estrelados e nenhum tinha vaga. Num deles o recepcionista deu uma dica.

Já que vocês estão em busca de local simples, sem luxo, porque não tentam o Retiro de São Francisco? Nesta época do ano as freiras aceitam alguns hóspedes, para fazer refeita.

Fomos até lá e depois de muita conversa a freira ouviu nossa história  resolveu nos acolher e nos cedeu dois quartos muito pequenos. Efetivamente muito simples. Cheirando a limpo, os lençóis e fronhas pareciam feitos com sacos de farinha. E o cafe matinal era de fato de uma pobreza franciscana. Café, leite e um pão francês (50gr) com manteiga.

Mas o preço era "prá lá de bom". Barato mesmo. O local, a edificação e o jardim muito bem cuidados. E tinha espaço para estacionar o automóvel. Inconveniente? Depois das 22 horas o grande portão de acesso para veículos era fechado.



Teríamos que fazer alguns programas a pé ou de ônibus. Ou voltar cedo para o retiro. Entretanto os programas que não queríamos perder eram diurnos: Mercado Modelo, Lagoa de Abaeté, Farol da Barra, Elevador Lacerda, Igreja do Bonfim, Feira de Água de Meninos,  e algumas praias.



Já que mencionei o Mercado Modelo, cabe registrar que fomos aos dois principais restaurantes do local: Camafeu de Oxossi e Maria de São Pedro. Comemos moquecas de siri molhe e de siri catado, muito peixe e, claro, vatapá.

Ficamos em Salvador, no retiro,  durante três dias e em todos os dias fomos ao Modelo. Também para compras como veremos adiante. 

Chegou o dia de voltarmos ao trabalho e as crianças às aulas. O carro estava abarrotado. Eram dois berimbaus (uma para cada casal), um atabaque para mim, una enorme estátua de Santa, em madeira (80 cm), comprada pelos amigos muito devotos, e ainda, também comprados por eles na feira de Água de Meninos - que vende de um tudo - um mico e um papagaio. JURO!!!

Em Cachoeiro de Itapemirim, paramos para repouso e pegar meu filho caçula. Isso significa dizer que se já estávamos apertados, tudo piorou com mais uma pessoa dentro do automóvel.

No dia seguinte, logo cedo, viajamos em direção a Niterói, onde o casal de amigos e companheiros de viagem ficariam. E embarcaria meu filho mais velho.

E voltamos para a fria  e cinza cidade de São Paulo, ni inverno de 1974.

Notas:
1) Esta viagem já foi abordada em postagem antiga. Está em:
https://jorgecarrano.blogspot.com/2010/02/salvador-ba.html

2) Este post é um revide, uma represaria, um desagravo a série de postagens do amigo Riva, que narrou em 9 episódios sua incursão a Alemanha, Bélgica e Holanda.
A parte I está em https://jorgecarrano.blogspot.com/2018/05/uma-incursao-na-alemanha-belgica-e.html

3) Naquela época animais silvestres eram vendidos às claras na feira de Água de Meninos.

4) A feira em imagens mais recentes, posto que obtidas via YouTube. Para quem não conhece:
https://www.youtube.com/watch?v=ULIWyPuoiyg

9 de junho de 2018

UMA INCURSÃO NA ALEMANHA, BÉLGICA E HOLANDA - IX





Por
RIVA






CAPÍTULO 9 – AMSTERDAM (Holanda)

Fomos de trem de Haarlem para Amsterdam, um rápido percurso de apenas 20 minutos, desembarcando na estação principal da cidade, na “cara do gol”, ou seja, em frente à avenida principal (Damrak).

Dali, iniciamos nossa extensa caminhada pela região principal da cidade, contemplando o que estava ao alcance dos nossos olhos.

Importante nesse ponto falar que chegamos em Amsterdam tipo 9h da manhã, e ali ficamos até 22h. Então nossas impressões são sobre um “overview” num lapso de tempo muito curto, diferente de quem, por exemplo, ficou dias na cidade. Mas deu para perceber a cidade .....

O casal  proprietário da casa onde estávamos em Haarlem nos visitou no dia anterior à noite, batemos um papo muito legal. Ele é músico local. Nos alertaram para cuidados em Amsterdam, pois é bem diferente das cidades que temos visitado em nossa viagem. E era mesmo ...

Saindo da estação de trem e adentrando a Damrak, a paisagem já era diferente, com muitos imigrantes cruzando nosso caminho. Como em NY ou Paris. Descemos a pé um trecho bem grande da rua, apreciando a paisagem, suas lojas e restaurantes, a fauna e a flora (rsrsrsrs).








Decidimos por um Hop On/Hop Off mix de barco e ônibus, para conhecermos os principais locais do centro de Amsterdam, que era nosso objetivo. Aqui uma dica: todos os ingressos para os principais pontos de visitação da cidade são vendidos “on line pela web”, e devem ser comprados com muita antecedência. Estou falando dos museus e da Casa de Anne Frank (essa uma decepção).

Enfim, vamos lá .... passeio de barco muito legal pelos canais da parte central da cidade, parte no topo aberto de um ônibus, muitas caminhadas por locais muito interessantes, e claro, uma incursão na loja Primark, para compras com preços inacreditáveis ! E as casinhas flutuantes ?!








Tangenciamos o Red Light, bairro da prostituição, mas não sentimos nada chocante, agressivo. Em Las Vegas, onde se diz ser a Sin City, por lá estivemos 2 vezes por vários dias e nunca nos sentimos agredidos ou desconfortáveis com a prostituição local existente. Tudo numa boa.

Impressiona o dia a dia de um cidadão de Amsterdam .... indo e vindo do trabalho, de terno, pilotando seu próprio barquinho pelos canais, assim como as diversas cenas de vizinhos nas escadas da frente das casinhas conversando e compartilhando um vinho .... ou dezenas de casais no fim da tarde balançando as pernas à beira dos canais, num ambiente de paz e tranquilidade invejáveis. Assim é Amsterdam.

À noite a luz amarelada (nunca brilhante) do interior das casas nos arremessa a um ambiente de calmaria e aconchego, imaginando os seus interiores, aquele livro, aquele vinho, aquela companhia ... um encanto realmente, paisagem que não conseguimos infelizmente vislumbrar onde vivemos.

A cidade não é agitada, é cheia mas é calma, com uma infraestrutura muito eficiente, com modais de transporte diversos, que convivem em harmonia, como vimos também na Bélgica.

Não mergulhamos na gastronomia local, mas experimentamos pela 1ª vez o Herring, na verdade arenque, que é servido de várias maneiras. Pedimos o nosso no The Seafood Shop, com cebolas e pepinos cortados em rodelas. Uma delícia.
Também lambemos os beiços com a maravilhosa panqueca da Pancakes Amsterdam. Para comer de joelhos !! (rsrsrs). Se forem lá, não deixem de experimentar.























Sabíamos que a loja de queijos principal da cidade fechava às 22h, e então apressamos nosso passo para não deixar de comprar alguns queijos antes de voltar para casa em Haarlem ..... mas ..... isso sem saber, claro, que no dia seguinte na cidade de Zaanse Schans nos aguardava uma loja de queijos simplesmente de outro planeta ! kkkkk ... essa é a Holanda !!






Voltamos de trem para casa, cansados pelo dia puxado em Amsterdam, mas como sempre comentamos entre nós, “deixa pra ficar cansado e descansar no Brasil” !

7 de junho de 2018

RESSOCIALIZAÇÃO


Imagem via Google

Os defensores dos indultos concedidos a presidiários, de todas as estirpes, acham que a medida é importante para ressocialização dos apenados.

Estou seguro que vocês já leram ou ouviram nos noticiários casos de indultados, no Natal, Dia dos Pais ou Dia das Mães, que não retornaram as unidades prisionais ao final do prazo? Muitos casos!

O que falta? Em primeiro lugar critério, controle rígido. Controle não quanto à concessão do benefício, digamos, humanitário, mas quanto aos que efetivamente se enquadrariam nas regras que regulam o “direito ao indulto”.

Vou lhes relatar caso verídico, do qual participei na qualidade de um dos protagonistas.

Era gerente administrativo de uma cadeia de supermercados, em São Paulo. Esta gerencia abrangia a área de recursos humanos.

A empresa era uma das patrocinadoras de programa esportivo na Rádio Gazeta. Um dos analistas esportivos, um sergipano muito popular, acabou se aproximando da administração além da relação anunciante-veículo.

Deixarei de lado detalhes desta aproximação pois não interessam ao caso sob relato.

O fato concreto é que num determinado dia, através de comunicação interna, um colega gerente da área de compras, disse que o aludido comentarista esportivo estava na sala dele (eram amigos) e queria conversar comigo.

O radialista estava pleiteando uma vaga para um conhecido e foi informado que precisaria tratar comigo deste assunto.

Embora não tivéssemos uma ligação muita estreita, ele resolveu conversar comigo. Até aí morreu neves* não é mesmo? A situação é corriqueira, se você é diretor ou gerente de uma empresa, em especial se for da área de recursos humanos, recebe muitos pedidos de emprego.

Ele chegou a minha sala, extrovertido como sempre, mas embaraçado para entrar no assunto.

Resumo a situação. Era mesmo um pedido de emprego. Só que tinha um dado não muito comum. O candidato era um criminoso que estava em liberdade condicional.

Quando me refiz da surpresa (era fato novo para mim), resolvi aprofundar. Que crime ele cometeu? Tem família? Qual a escolaridade dele? Experiência anterior?

Reto e direto: não tinha qualificação alguma, senão para trabalho braçal; a família vivia no Nordeste; seu crime era assalto.

Perguntei: ele matou alguém? - Não ele jura que nunca matou ninguém, nem seus comparsas, embora tenha participado de assalto à mão armada. A família dele era conhecida da família do radialista esportivo lá em Sergipe.

Para decidir precisava dar tratos a bola e pensar numa estratégia. Disse para que o candidato viesse no dia seguinte, procurasse por mim pessoalmente.

Ele chegou. Um nordestino típico na cor da pele (queimada). Alto e forte. Vocabulário pobre e limitado.

Mandei preencher a ficha de praxe para então poder entrevista-lo. Confirmou que foi assaltante, nunca matou ninguém. Queria viver uma vida limpa e deixar a criminalidade.

Estamos nos anos 1970. Eram outros tempos. Os brasileiros éramos “90 milhões em ação” (lembram da música da seleção?)

Fiquei com a ficha dele: sem escolaridade e sem experiência funcional. Era saudável, forte.

Mandei que voltasse na semana seguinte. Não queria pegar o pião na unha. Ficar com o problema sozinho. Assumindo unilateralmente o risco. Mas queria ajudar o “cabra da peste” por alguma razão não definida. Acho que o jeito franco e direto.

Minha estratégia foi, em primeiro lugar, conversar com o chefe da segurança patrimonial, um coronel reformado, da Polícia Militar de São Paulo. Expus a situação, ele ouviu, achou um grande risco, mas topou endossar minha decisão.

Fui então ao diretor da empresa ao qual eu reportava, relatei toda situação, inclusive que já havia trocado ideia com o chefe da segurança. Ele - diretor - conhecia o tal comentarista esportivo de quem partiu o pedido, e não colocou objeção. Falou: problema seu.

O passo seguinte seria como colocar o novo empregado numa determinada loja (não poderia ser em qualquer uma) sem que o gerente da filial pudesse opinar e aprovar a contratação. Não era conveniente que muita gente estivesse a par do caso.

Minha preocupação e a do coronel da segurança era a seguinte: qualquer furto ocorrido na loja ele seria o primeiro suspeito.

Liguei para o gerente da loja (na capital) eleita como a mais indicada, com muita movimentação de entrada e saída de mercadorias, ele poderia ser lotado no depósito. Era uma loja grande na Zona Oeste.

Precisei fazer crer ao gerente da loja que eu tinha interesse pessoal na contratação do ajudante a fim de viabilizar a quase imposição de que ele fosse admitido como ajudante de depósito, sem interferência da administração da loja.

Deu tudo certo. Sem suspeitas. O coronel monitorava através de sua equipe formal e informal** e o conceito do cara era bom no local de trabalho. Caladão, com disposição para o trabalho, pontual a assíduo.

Que alívio! Corria tudo bem e já praticamente havia me esquecido do caso quando um belo dia o Ezequiel (este era o nome dele) apareceu na portaria do prédio da administração para falar comigo.

A recepcionista anunciou pelo interfone, que ele estava lá querendo falar comigo “pessoalmente”. Quando caiu a ficha e me lembrei do episódio mandei que ele entrasse e subisse.

Que houve Ezequiel? - “Dotô” Jorge, vim pedi demissão ao sinhô” (imaginem um sotaque ainda carregado de nordestino). Por que, arranjou trabalho melhor?

Não era nada disso. No tom de voz mais baixo que conseguia fazer contou que foi localizado por velho parceiro de crimes que lhe propunha planejar um roubo lá na loja em que ele trabalhava por entender que haveria alguma facilidade para entrar.

Em suma, a proposta era ou ele participava do golpe ou iria se arrepender. Ele temia fosse tornado público o caso. Quando de sua admissão recomendei muito de que ele não poderia falar com quer que fosse sobre seu passado.

Senti de um lado um grande alivio, eis que ficaria livre de um cutelo sobre meu pescoço. Não tinha dúvida de que havendo algum envolvimento do Ezequiel em algum delito eu seria cobrado.

Por outro lado lamentava que a chance que ele tivera de se reintegrar na sociedade estava prejudicada.

E ele estava amargurado, porque quando indaguei se ele estava disposto a voltar a se aliar ao antigo comparsa, me lançou um olhar de desespero. Como se indagasse, que alternativa tenho?

A demissão dele foi formalizada, aproveitei que era um dos frequentes períodos de redução do quadro de pessoal e pedi ao gerente da loja (outra vez assumindo como interesse pessoal) para que ele fosse incluído na lista dos que seriam dispensados. A ideia era ele ter acesso ao FGTS e conseguisse uma graninha, para quem sabe voltar à terra natal.



 Notas:
1. Significado da expressão até aí morreu neves. 
       https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/at%C3%A9%20ai%20morreu%20o%20neves/26679/
     
  2. As lojas de departamento e de supermercados têm (ou tinham) funcionários de vários setores, de plena confiança, que fazem papel de fiscais, denunciando fraudes, furtos e comportamento estranho de outro empregado. São fiscais informais e ganham um extra oficiosamente pelo serviço.