28 de fevereiro de 2015

A rolha pedagógica



Esta história, esta fábula, esta parábola, este instrumento de treinamento, chegou a mim via e-mail. Fui ao Google em busca da autoria, para dar o devido crédito. Só encontrei o texto reproduzido em outros blogs.

Assim sendo, publico suplicando a quem conheça a origem, a fonte original, ou o autor, que informe, por favor.

A mensagem é muito positiva e oportuna:

"Um Supervisor visitava uma escola fundamental. Em seu trajeto observou algo que lhe chamou a atenção: uma professora estava entrincheirada atrás de sua mesa, os alunos faziam a maior bagunça; o quadro era caótico. Decidiu, então, se apresentar:

- Com licença, sou o Supervisor... Algum problema?

- Estou completamente perdida senhor, não sei o quê fazer com estas crianças... Não tenho lâminas de apresentações, não tenho livros, o ministério não envia sequer o mínimo material didático, não tenho recursos eletrônicos, não tenho nada novo para lhes mostrar, nem o quê lhes dizer!

O Supervisor, que era um docente de alma, viu uma rolha sobre a mesa, pegou-a, e com serenidade oriental falou às crianças:

- Alguém sabe o que é isto?

- Uma rolha! - gritaram os alunos surpresos.

- Muito bem. E de onde vem a rolha?

- Da garrafa. Uma máquina a coloca. De uma árvore. Da cortiça. Da madeira. – respondiam as crianças animadas.

- E o que dá para fazer com madeira? – continuava entusiasta o docente.

- Cadeiras. Uma mesa. Um barco!

- Muito bem, então teremos um barco. Quem se anima a desenhá-lo? Quem faz um mapa na lousa e indica o porto mais próximo para o nosso barquinho? Escrevam a qual Estado brasileiro corresponde. E qual é o outro porto mais próximo que não é brasileiro? A qual país corresponde? Alguém lembra que personagens famosos nasceram ali? Alguém lembra o que produz esse país? Por acaso, alguém conhece alguma canção desse lugar?

E assim, começou uma aula variadíssima de desenho, geografia, historia, economia, música, etc.

A professora ficou muito impressionada. Quando a aula terminou, comovida, disse ao Supervisor:
- Senhor, nunca esquecerei a valiosa lição que hoje me ensinou. Muitíssimo obrigada!!!  

O tempo passou. O Supervisor voltou à escola e procurou pela professora. Encontrou-a novamente encolhida atrás de sua mesa, os alunos, outra vez, em  desordem total.

- Mas, professora, o que houve? Lembra de mim?

- Mas é claro, como poderia esquecê-lo? Que sorte que o senhor voltou! Não encontro a rolha. Onde a deixou? 

Quando alguém não tem vocação para aquilo que deve realizar, nunca vai achar a rolha!




27 de fevereiro de 2015

São piadas, gente, podem confiar

Um advogado e sua sogra estão em um edifício em chamas. Você só tem tempo pra salvar um dos dois. O que você faz? Vai almoçar ou ao cinema?

A profissão de advogado é a segunda mais antiga do mundo... justamente por serem filhos da primeira.

99% dos advogados dão aos restantes má reputação.

Por que Minas tem mais advogados e São Paulo mais depósitos de lixo tóxico? 
R: São Paulo escolheu primeiro. 
           
Por que cobras não picam advogados? 
R: Ética profissional. 
     
Você sabe como salvar cinco advogados que estão se afogando? 
R: Não? Ótimo!

Como você sabe quando um advogado está mentindo? 
R: Quando ele está mexendo os lábios.  

26 de fevereiro de 2015

O atoleiro do Brasil




Leiam a matéria em :

Eu estou envergonhado desde que estes incompetentes e salafrários conquistaram o poder por conta da ingenuidade, burrice e falta de visão dos babacas que elegeram Lula. 

Quem não conseguiu enxergar que o Serra era muito mais preparado para exercer a presidência, é míope (adjetivo para os amigos), idiota (para os que são mesmo) ou desqualificado que não tinha nada a perder ... e continua desqualificado.

Conheço muita gente que hoje reclama e esperneia, mas votou em Lula na primeira eleição do apedeuta, demagogo, populista e corrupto. Até empresários.

E agora, José? Parafraseando o poeta. O que fazer se eles partidarizaram até o STF ? E compraram o Congresso. E bancam os black blocs.



PARA O BRASIL SAIR DO VERMELHO,
TEMOS QUE TIRAR O VERMELHO DO BRASIL.

Ouçam e vejam este vídeo e chorem quando receberem a próxima fatura de consumo de energia, enviada pela concessionária de sua cidade. 
https://www.youtube.com/watch?v=6xSvXfiuROE


Nota do editor: o endereço colocado pelo Paulo, em comentários, poderá ser melhor acessado aqui. É só clicar:
https://www.youtube.com/watch?v=vab0_LlItD8

A fala da presidente revela falta de planejamento, de controle, da capacidade para administrar uma loja de R$ 1,99.

CORPORATIVISMO

Em sua concepção moderna, o corporativismo é uma prática de organização social, baseada em entidades representativas dos interesses de categorias profissionais.

Para não correr risco adoto aqui, acima,  o conceito que encontrei no Aurélio velho de guerra, disponível agora na versão  digital.

Sei um pouquinho, porque estudei o assunto, que o conceito de corporativismo  mudou em função do período histórico,  a depender de  época e local.

Ferreiros
Na idade média, as corporações de ofício eram eficientes associações que congregavam artesãos de um mesmo ofício ou arte, ou atividade produtiva.

Aquelas corporações  regulavam quase tudo em relação ao ofício e à atividade de seus associados.  Assim, os preços, o controle da qualidade, a quantidade produzida e até mesmo a margem de lucro era controlada e disciplinada pela corporação.

Com isso, suponho, era evitada a concorrência predatória, preservada a imagem dos exercentes dos referidos  ofícios, ou artesãos, por causa do controle de qualidade, ou seja,  valorizava-se a  reputação, e era  coibida a ganância.

Quanta diferença em relação ao que hoje se verifica. As entidades representativas que hoje são os alicerces das organizações profissionais viraram um balcão de negócios, um trampolim político.

E em nome do corporativismo quantas leviandades, quantas injustiças e quantas irregularidades são encobertas. O corporativismo é um escudo protetor para os desqualificados, para os incompetentes, para os sem dignidade profissional.

Penso eu que ao proteger os levianos, os desqualificados as entidades de classe acabam por comprometer a imagem de toda a categoria profissional.

O foco deveria estar na depuração dos quadros associativos, na exclusão dos incompetentes, dos inescrupulosos. Mas não é bem assim que a banda toca.

Quando a OAB  (advogados), ou o CRM (médicos), ou o CRO (odontólogos) ou o CREA (engenheiros), em nome do espírito de corpo protege e acoberta o mau profissional está comprometendo toda a classe.

Quando a gente diz que por solidariedade as entidades não punem devidamente os que transgridem as normas legais ou a ética profissional, eles mostram estatísticas de repreensões, suspensões e advertências. Mas onde as exclusões por exercício temerário, por negligência, por despreparo?

Experimente ajuizar uma ação de reparação por erro médico em ato cirúrgico. Erro decorrente da falta de atenção, do descuido, ou até mesmo da falta de qualificação para a prática do ato, e veja se consegue um laudo que afirme que houve negligência ou prática equivocada ou utilização de meios inadequados.

Um juiz não pode, ou não deve, decidir casos de erro médico sem estar louvado num laudo de profissional da medicina. E são pouquíssimos os médicos que se dispõem a analisar o caso, as circunstâncias e os meios empregados para elaborar um laudo corajoso, isento, imparcial.

Isto é uma lástima, porque a impunidade vai gerando mais descaso, mais incúria, e mais falta de ética de alguns médicos.

O rigor na aferição da qualificação profissional do médico, do advogado, do engenheiro, e todas as outras ocupações profissionais regulamentadas e que têm suas entidades de classe deveria ser a tônica quando do registro de diplomas e habilitação para o exercício profissional.

A OAB criou, há algum tempo, em boa hora, um exame de admissibilidade de bacharéis nos quadros da entidade. Mas é pouco. Falta fiscalização no exercício da profissão, sobretudo no que concerne  a ética.

Honra, caráter e dignidade não são aferidos num exame escrito. É preciso fiscalizar o profissional ao longo de sua atividade.

Manter com registro na entidade um advogado inescrupuloso só faz engrossar o coro, já retumbante, dos que acham que advogado é um perigo. É preciso ter cuidado com eles.

Quantas práticas ilegais, se confrontadas com os estatutos da entidade, são acobertadas em nome da amizade pessoal com o integrante do grupo político no poder.

Sim, porque tem este lado também. A vinculação política.

É inimaginável o que é gasto em campanhas nas eleições para a gestão destas entidades de classe. E as disputas são acirradas, com ofensas e agressões verbais entre as chapas competidoras.

Você, leitor, já deve ter visto bandinhas de música, muitas faixas e distribuição de folhetos. Folders feitos com papel de alta qualidade, e custo elevado,  são  enviado aos associados.



Quando um candidato a cargo eletivo (câmaras municipais, assembleias legislativas ou congresso nacional) gasta fortunas em propaganda eleitoral nós sabemos como ele pretende se ressarcir, se reembolsar. Mas qual é a contrapartida de um dirigente eleito para conduzir uma entidade de classe?

Eu duvido e faço pouco de tanto espírito público, de dedicação, e de desprendimento, apenas para defender os interesses de uma classe profissional.




As atividades de uma diretoria, que seja zelosa e comprometida com as tarefas que lhes são  acometidas, devem tomar um grande tempo. Onde arranjar este tempo para dedicação à entidade e ao seu próprio trabalho profissional? Alguma coisa há de ficar comprometida.

Nunca cogitei, e muito menos agora considero a hipótese de dedicar tempo à entidade profissional a qual por força de lei sou obrigado a me filiar.

Foi sempre a duras penas que, individualmente, sem sócios ou parceiros, dei conta de minhas responsabilidades profissionais.

Acompanhar os processos, estudar via leitura da doutrina, manter-se atualizado com a jurisprudência e principalmente com a legislação, um verdadeiro cipoal de normas legais aplicáveis aos mais diferentes casos, toma todo o tempo e um pouco mais. Por vezes subtrai horas de sono.



Então onde conseguir tempo para ser dirigente de entidade profissional? E quando arranja não espera contrapartida? É só abnegação, amor à classe?

Como diziam meus filhos, há anos, ainda pequenos, “é ruim hein!”

Notas do editor/autor: imagens disponíveis na rede, via Google

25 de fevereiro de 2015

Impaciência

Sou impaciente com crianças desobedientes. Isto me custa caro.

Acho que crianças têm que ter limites e responsabilidades. E devem obedecer aos mais velhos.

Sou impaciente com a burrice (lato sensu). Acho que burrice deveria doer, e impor  terrível sofrimento ao ignorante.

Sou impaciente  com a falta de educação. Acho que entrar comendo em transporte público é a um só tempo falta de higiene e de educação.

Diariamente me deparo com sacos de  biscoito ou batata  frita, amassados e deixados atrás das cortinas dos ônibus.  Canudos e guardanapos são enfiados entre o assento e o encosto dos bancos. 

E o refrigerante ou refresco escorre pelo corredor do veículo.

Você estar sentado, e o passageiro ao lado mastigando aquele sanduiche com cheiro de cebola e gordura saturada, é uma coisa muito desagradável.

Sou impaciente com os impontuais. E as pessoas percebem em meu comportamento. Quando era um cliente, a primeira coisa que ouvia de mim era: você terá menos quinze minutos (ou vinte ou o tempo que fosse) a menos para nossa conversa, portanto seja objetivo.

Mas a minha impaciência maior, que já está no terceiro volume morto, é com a impunidade, o aumento avassalador da criminalidade, que reduziu a vida humana a menor expressão. Banalizaram o crime de morte.

Se não for implantado, "desde ontem", com a urgência urgentíssima  que se impõe, um programa de tolerância zero, teremos um pais sem lei e sem ordem.  Viraremos uma pátria selvagem, com cada um defendendo seus direitos de arma em punho.

Convivemos com a leniência, com a covardia, com a hipocrisia e os interesses escusos do congresso, da OAB, da imprensa, do clero e das autoridades da área de segurança que não tomam iniciativas concretas para acabar com a impunidade, baixando os intoleráveis índices de criminalidade a que chegamos.

Posso até, sem muito pensar, dar minha contribuição para a elenco de medidas urgentes que deveriam ser votadas no congresso ou até baixadas por medida provisória:

Nos casos de homicídio, latrocínio, enfim todos os crimes que resultem em morte da vítima, deveria ser instituída a "possibilidade" da pena de morte, a critério do corpo de jurados. Portanto decisão colegiada, se houvesse unanimidade.

Nos homicídio dolosos, o rito de julgamento deveria ser sumário e deveriam ser suspensas as progressões de regime, as liberdades vigiadas e quaisquer outros benefícios. Assim, se condenado a dez, seis ou quinze anos, o criminoso deveria cumprir integralmente sua pena. Acabar com as visitas e convívio familiar de Natal, Ano Novo, Páscoa ou outra qualquer ocasião especial.

Estas "visitas" não socializam coisa alguma, e são geralmente utilizadas para evasão, fuga. E há que começar tudo de novo, com caçada da polícia, etc.

Nos homicídios dolosos a pena máxima poderia deveria poder chegar a supressão da vida, mediante execução a menos dolorosa possível, mas impostergável tramitado o processo nas instâncias legais.

A condenação deveria se dar por voto unanime do conselho de sentença. Não havendo unanimidade caberia ao juiz, se a decisão dos jurados fosse pela condenação (sem unanimidade), observadas as agravantes e atenuantes, a fixação da pena, atendidos os pressupostos de que não haveria benefícios, reduções, etc.

Construção de presídios especiais em todos os estados, em número proporcional a criminalidade e a população.

E, por fim, suspensão de algumas garantias individuais, constitucionais, que envolvam crimes contra a vida, pelo prazo  de vinte anos, mais ou menos correspondente a uma geração.

Claro que não poderiam faltar escolas para as crianças e trabalho para os adultos.

E os recursos existem. É só acabar com privilégios odiosos concedidos a parlamentares, juízes e ministros do executivo e do judiciário.

Combate sem trégua à sonegação, a corrupção, via receita federal, polícia federal, ministério público e colaboração da sociedade denunciando.

Não pode é ser hipócrita ou tendencioso, achando que a pena de morte não reduz a criminalidade e que as progressões de regime fazem parte do processo de recuperação do apenado.

Se cadeia tivesse como objetivo a reinserção do indivíduo na sociedade, todos os ex-detentos poderiam processar o Estado por haver falhado em seu dever.

O caráter tem de ser o de punição mesmo, sem outras interfaces.

Só rindo, achando piada de mau gosto, podemos admitir que nossas cadeias favorecem a recuperação ética, moral ou de respeito aos padrões socialmente aceitos.

A tendência de minha impaciência é piorar, porque a velhice propicia  sermos  mais sinceros e verdadeiros. 

24 de fevereiro de 2015

São Longino



São Longuinho
São Longino, na crença popular, é o santo que ajuda a encontrar coisas perdidas.

Fico matutando se esta especialidade do santo inclui reencontro com a democracia verdadeira, com um governo de mãos limpas, voltado para os interesses da sociedade, com um programa social calcado em bases sustentáveis.

O dia festivo, quando se prestam reverências e homenagens especiais ao São Longuinho, como também é conhecido aqui no Brasil, é o 15 de março.

Está próximo. Não frequento redes sociais, como já adverti ad nauseam, mas chegam aos meus olhos e ouvidos informações de que estão sendo convocadas, para este dia, manifestações populares em todo o país.

Estava um pouco cético porque já correram rumores de outras, anteriormente, e nada aconteceu de significativo.

Como desta feita até o Gustavo Franco, em sua coluna jornalística, aludiu às passeatas neste próximo dia 15 de março e fez até analogia com o velho calendário lunar romano, estou propenso a acreditar que desta vez poderemos avançar um pouco em direção ao impedimento ou renúncia da residente.

Motivos não nos faltam para estas manifestações. Há um programa encontrável na internet que informa sobre horários e locais de concentração em diferentes cidades, de norte e sul do Brasil.

Acho que não custa nada ter em mãos um apito, ou uma panela na qual se possa bater com um  socador de alho ou colher de pau, para produzir bastante barulho, no horário aprazado.

Bem, se acontecer em Niterói e eu estiver disponível participarei.

Não serei o primeiro a erguer a voz e os punhos. Mas aderirei e dançarei conforme a música.

Quousque tandem...



Nota do editor: este santo também é natural da Capadócia, terra de São Jorge. Salve!!!

23 de fevereiro de 2015

O ministro foi procurado ou convocou a reunião?

Já corre uma versão, verossímil,  de que a tão comentada, criticada e justificada reunião do ministro da Justiça, dependendo do lado em que politicamente se situa o manifestante, não foi uma iniciativa dos advogados de empreiteiros.

Na verdade, eles teriam atendido a uma convocação do ministro, que tinha um objetivo traçado, uma missão em defesa dos petralhas.

E sabem qual seria? Pedir para que os clientes destes advogados – empreiteiras e empreiteiros – não façam opção pela delação premiada.

E por que? Porque sobraria para o ex-presidente. Simples assim. 

Claro como água na nascente. Eu aceito esta versão, porque se encaixa com todas as outras peças colocadas no tabuleiro e que visam precipuamente, blindar Lula.

Justificar que era dever do ministro ouvir os advogados dos acusados foi apenas uma cortina de fumaça porque a ser divulgado o verdadeiro motivo da reunião e quem a convocou, não haveria explicação possível.

Eles são espertos, mas não são competentes. Portanto, tudo será questão  de tempo.

A imagem abaixo simboliza uma situação inimaginável até que alguém corajoso deu o pontapé inicial  e o que era castelo de areia ruiu. O mundo gira e os farsantes, os caudilhos, os espertos, os manipuladores de eleições, das massas,  se estrumbicam.



Tomara que não demore e que os safados sejam punidos em vida. Sofrendo na pele a na alma.

As baionetas  e as penas (canetas) empunhadas por homens de bem, nas forças armadas e na magistratura, poderão por um fim no balcão de negócios em que se transformou o governo que aí está.

Vou enxertar este post com duas outras opiniões que, pensando bem, podem ser relacionadas com o tema acima.

Primeiro, a surpresa (agradável) que tem me despertado a leitura das colunas assinadas por Fernando Gabeira.

Lanço um repto, um desafio, ao caro leitor: você conhece ou conheceu um militar que tenha ficado rico enquanto vigorou ao regime militar?  Você teve notícia de um FILHO de ex-presidente de farda que tenha ficado milionários da noite pra o dia?

Pense bem. 

Nota do editor: para quem não identificou informo que a estatua derrubada e martelada por manifestantes, em várias cidades, é de Lenin. Aquele mesmo.

POLÍTICOS HONESTOS ? TINHA, ACREDITE !

Houve um tempo em que os bichos falavam. E não só nas fábulas ou histórias infantis. Também no capítulo 3 do Gênesis a serpente e Eva batem um animado papo. Sobre a maçã  (tsk, tsk, tsk).


Assim também houve um tempo em que havia políticos honestos. Conheci alguns. Não vou aqui e agora nomeá-los por duas razões: já não vivem e vocês não acreditarão, assim como não acreditam que houve época em que os bichos falavam.

Claro que faziam jogo partidário, faziam um pouco de demagogia, tinham um viés populista, mas eram honestos inclusive em relação aos seus propósitos.

O populismo era manifestado ao sentarem em bares e festas de pequenos clubes de bairros para compartilharem feijoadas e cervejas.

Compravam uniformes para os times de futebol destes pequenos clubes. Conheciam pelo nome os dirigentes das escolas de samba e dos clubes de futebol. Como morava em Niterói, durante infância e adolescência, é natural que minhas lembranças sejam relacionadas a políticos de Niterói e São Gonçalo.

Se hoje São Gonçalo cresceu e tem população maior do que Niterói, naquela época a cidade dos “papa-goiabas” era equivocadamente conhecida como um bairro de Niterói.

Isto se deve, em grande parte, ao fato de Niterói ter sido a capital do antigo Estado do Rio de Janeiro.

Nenhum dos que conheci pessoalmente, via meu pai, que era um político vocacional (fazia política por prazer), ficou milionário com a política.

O mais chegado, cuja casa frequentávamos vez ou outra, quando deputado, morava num apartamento confortável mas simples, na Rua Gavião Peixoto, num prédio sem elevador e dirigia, ele mesmo, o carro oficial a sua disposição.

Outro que conheci também por intermédio do irmão, que estudou comigo na mesma escola, era médico por profissão e fazendeiro por herança familiar.

Uma coisa que sempre me intrigou foi a inclinação de médicos para a política. Conheci muitos vereadores, deputados estaduais e federais que iniciaram a vida clinicando. E como em alguns casos nem cobravam, ou cobravam pouco, acabavam por conquistar a admiração a gratidão e, claro, os votos deles e de seus familiares.

Sim, antigamente o chefe da família, aquele que provia o sustento, preparava os envelopes com as cédulas dos candidatos nos quais todos iriam votar.

Não confundir com o coronelismo tão combatido e que no nordeste tinha contornos de subserviência, de cabresto.

Falei de colega de escola e reforço comentando que no Liceu Nilo Peçanha, por exemplo, estudavam filhos e netos dos políticos deste lado na Baia da Guanabara.

Portanto, escola pública, onde estudavam outros jovens de classes sociais mais baixas, mas que tinham mérito escolar. Havia um teste de admissão, embora admita que alguns “entravam pela janela”, em função de apadrinhamento.

Quando lá ingressei, o diretor,  que foi deputado estadual em algumas legislaturas, mantinha lá suas duas filhas.

Para encerrar, tornarei público um fato verdadeiro, e que é de conhecimento, hoje, de apenas mais uma pessoa - minha irmã - se é que ela lembra do caso.

Os políticos, muitos deles, mantinham escritórios partidários. Outros ocupavam a sede regional de seu partido para atender aos eleitores.

Quando meu pai faleceu, deixando-nos em situação financeira delicada, passados alguns poucos meses resolvi escrever uma carta, manuscrita, para o já supracitado deputado que ara aquele com o qual meu pai mais tinha contato político.

Narrei nossas dificuldades e pedi ajuda (pensava num emprego público), explicando que não tinha grande qualificação profissional. Ainda não era formado e trabalhava numa fábrica ganhando um modesto salário.

Ele mandou alguém telefonar para nossa casa e agendou um dia para procura-lo na sede regional do partido ao qual estava filiado.

Recebeu-me, depois de ter atendido, sem exagero, uma dezena de outras  pessoas. Ouvia a todas atentamente. Fazia anotações e escrevia bilhetes.

Quando chegou minha vez, sentei na cadeira ao lado da escrivaninha onde ele sentava. Ele pegou minha carta, que estava em seu bolso, dobrada, e começou a falar da grande estima que tinha por meu pai, dos serviços que ele prestara  ao partido, e de sua lealdade.

Entretanto, era período de fim de mandato, vésperas de eleições. Não havia qualquer chance de me encaminhar para me candidatar a um cargo público.

Entretanto, disse-me, enfiando a mão no bolso interno do paletó, "aqui está uma ajuda que eu posso dar". E entregou-me, quitada, uma promissória relativa a um empréstimo do antigo Banco do Estado do Rio de Janeiro.

Como havia sido o avalista, no vencimento o gerente ligou para ele. Que pagou e não alardeou com minha mãe.

Então, o que temos: um fiscal de rendas do estado, função  que me pai exercia ao morrer (há 53 anos) depois de muitos anos de serviços prestados aos governos estadual e federal, que morava em apartamento alugado e precisava empinar papagaio em banco para poder alimentar, vestir e calçar três filhos e comprar uniformes e material escolar.

Não, ele não tinha outra família, não jogava e não bebia. É que vivia única e exclusivamente da parte fixa da remuneração dos fiscais. E não se envolvia em suborno e não admitia propina.

Do outro lado, temos um deputado que era avalista de um correligionário político e que como prova de amizade e camaradagem quitou uma dívida que seria da família.

Ajudou com recursos próprios e não com adoção de cabide de emprego, mesmo que de nível baixo na hierarquia do funcionalismo.

Por fim, o empréstimo fora contraído no Banco do Estado do Rio de Janeiro, não por razões de influência política, tráfico de influência, ms sim porque o gerente da Agência onde contraído, também era criador de canários roller, diversão de meu pai nos últimos anos antes do infarto fulminante.

22 de fevereiro de 2015

Frases memoráveis, atribuídas a jogadores de futebol

'Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG.' 
(Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa)

'Tanto na minha vida futebolística quanto com a minha vida ser humana.'

(Nunes, ex-atacante do Flamengo, em uma entrevista antes do jogo de despedida do Zico)


'Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado.'

(Jardel, ex-atacante do Grêmio)


'As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe.'

(Dunga, em entrevista ao programa Terceiro Tempo)


'Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja..'

(Jardel, ex-atacante do Grêmio) 


'O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom.'

(Souza, meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro)


'A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto.'

(Jogador Fabão, assim que chegou no Flamengo)


'Eu peguei a bola no meio de campo e fui fondo, fui fondo, fui fondo e chutei pro gol.' 

(Jardel, ex- jogador do Vasco e Grêmio, ao relatar ao repórter o gol que tinha feito)


'A bola ia indo, indo, indo... e iu!' 

(Nunes, jogador do Flamengo da década de 80)


'Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu.' 

(Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72) 


'Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola.' 

(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)


'No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias.' 

(Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)


'Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.' 

(Jardel, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção)


'O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente.' 

(João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)


'Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar.' 

(Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)


'Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático.'

(Vicente Matheus, eterno presidente do Corinthians)


'O difícil, como vocês sabem, não é fácil.' 

(Vicente Matheus)


'Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão.' 

(Vicente Matheus)


'O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável.' 

(Vicente Matheus, ao recusar a oferta dos franceses)

AGORA SENTA E CHORA...... 
COMPARE O SALÁRIO DELES COM O SEU.... 

Nota do editor: estas frases estavam num e-mail que recebi faz tempo. Como estou fazendo faxina nas pastas do gmail, dei de cara com elas.Não sei se são verdadeiras. Mas algumas são verdadeiras pérolas, por isso resolvi publicar antes de deletar a mensagem.
Coitado do Jardel, é a vítima preferencial do colecionador. Vicente Matheus virou folclore. A melhor dele, que não está no rol acima, e que li também há muitos anos, foi quando da comemoração de um título do Corinthians: "encomendei umas braminhas da antártica prá gente comemorar".








21 de fevereiro de 2015

Mais do mesmo, ano após ano ...

Acho que foi o Tom Jobim - estou quase convicto - que fez um comentário irretocável: “New York é uma cidade para se visitar de maca”. Claro, deitado, a fim de poder contemplar os altos edifícios. É uma cidade vertical.


Assim será também a melhor maneira de assistir aos desfiles das escolas de samba. Já é, na verdade.

O gigantismo dos carros alegóricos, com destaques lá no topo, já nos obrigam a ficar olhando para o céu. Na terceira escola você já está com torcicolo.


Em 2001, com Joãozinho Trinta, na escola Grande Rio, colocou em seu enredo um astronauta sobrevoando o Sambódromo.


Agora outros carnavalescos resolveram colocar paraquedistas, drones e o diabo sobrevoando a pista de desfiles.

Há anos, quando as escolas de samba substituíram as grandes sociedades carnavalescas, como grandes atrações, o que contava mesmo era o pé-no-chão.  Eram os e as  passistas, dizendo no pé, para utilizar a expressão dos comentaristas d'antanho.

Agora que o visual virou quesito, na concepção destes sambeiros (vejam a letra do samba interpretado por Beth Carvalho  em http://letras.mus.br/beth-carvalho/426636/),  a coisa mudou muito estando mais para Cirque du Soleil, como definiu o confrade Riva num inspirado comentário aqui no blog.

Hoje é dia de mais do mesmo. Desfile “das campeãs”. Quem aguenta?

Só mesmo os parentes dos participantes dos desfiles das escolas (agora recheadissimas de estrangeiros que podem comprar a fantasia), assim como eu ia assistir meus filhos jogando futebol no colégio ou lutando karate na academia. Por noblesse oblige. Ou fanatismo dos membros da comunidade.

Parafraseando o Gerson, ex-jogador e agora comentarista esportivo: "prefiro ver pela oitava vez o filme O poderoso chefão".

Convido-o a acessar o link acima e ler a íntegra da letra do samba (e ouvir, se quiser) pois ali está tudo que eu queria dizer, só que de forma mais poética. 

Maria, Maria




Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta

(Milton Nascimento)










Ah! Sim, ela é uma tenista vitoriosa. Tem 59 kg bem distribuídos em 1,88 m de altura, isto aos 28 anos de idade que serão completados em abril.

Comecei com Milton Nascimento e termino com versos tirados do samba-enredo da Mangueira neste ano de 2015, de autoria de um consórcio de 6 compositores:
"Glória a essas divas tão guerreiras
A nossa Maria não é brincadeira,
É raça, é fibra, é jequitibá!"

20 de fevereiro de 2015

Raízes portuguesas

Não é uma homenagem a quaisquer dos portugueses ou descendentes que conheço. E estimo, embora implique vez ou outra com a literalidade deles. Não se pode, por exemplo, pedir a um garçom português ao escolher um prato: "olha quero aquele ali" apontando para um que está sendo servido na mesa ao lado. Certamente ele responderá: "aquele não é possível porque já foi pedido pelo senhor lá sentado".

Perdão, Isa!  (Riva a Isa está lendo isso?)

O tema de hoje foi inspirado num e-mail recebido noutro dia da amiga Beth que tem, também como eu, numa perna, ancestrais lusitanos. No meu caso a outra perna está firmada em outra península, a itálica.

Beth me enviou na citada mensagem eletrônica, uma série de ditados portugueses. Ao fim e ao cabo da leitura já pensava como minha avó Ana, a matriarca da família de onde veio minha mãe Edith.

O primeiro da lista era: "Os visitantes sempre dão prazer, se não quando chegam, pelo menos quando partem”.

Querem conceito mais preciso? Este é precioso.



Minha avó nasceu na região de Trás-os-Montes. Sua família vivia entre Lamego e Viseu. Seu pai era construtor. Fazia casas de pedra, comuns na época e no local. Era este também o ofício de seu primeiro marido, que a antecedeu na viagem para o Brasil, em busca de oportunidades.


Casa de pedra da região de Trás-os-Montes ( via Google)
Não tenho registro se este marido de minha avó (que não era meu avô), veio para o Brasil seduzido ou chamado (o que era comum na época) por algum parente que aqui vivesse. Esta carta de chamada facilitava a entrada no país.

Ficou viúva, aqui, e algum tempo depois conviveu, como se marido fosse,  com outro português, este sim meu avô. Não o conheci porque quando eu era menino minha avó já havia dado um pé na bunda dele, por causa de bebida.

Não que minha avó condenasse as bebidas por regra, preconceito. Não, ela mesma tomava suas taças de vinho até pra lá dos oitenta anos, até sua morte.

E pela manhã, durante muitos anos, comia côdeas de pão embebidas em vinho. O que ela condenava era o excesso. A bebedeira incontrolada.

Criou, praticamente só, suas seis filhas (duas nascidas em Portugal) e um filho. Ou porque enviuvou ou porque mandou embora o segundo companheiro. Já bastavam os filhos,  ainda iria sustentar um homem dado a bebida?

As duas filhas portuguesas casaram-se com portugueses. Assim,  nas reuniões de família, com avó portuguesa, duas filhas mais velhas portuguesas casadas com portugueses, era natural que a culinária adotada fosse a portuguesa.


Castanhas portuguesas
Alguns dos costumes foram incorporados  e perenizados por toda a família. Por isso até hoje como bacalhoada no Natal. E rabanadas e castanhas cozidas.  E “caldo verde” no inverno. Assim como meus filhos e netos.

Estes porque, para o bem e para o mal, têm no lado materno avós portugueses.

Minha avó Ana repassava para mim, que contava 14 ou 15 anos de idade,  uma moeda de um ou dois mil reais, que havia ganho de uma das filhas, toda vez que eu ia a sua casa, na Rua Ferreira Pontes, no bairro do Andaraí, levar um bolsa ou embrulho com alguns mantimentos enviados por minha mãe.

Ela viveu o quanto pode  sozinha, por teimosia, depois das filhas e filho casados. Como não tinha renda (pensão ou aposentadoria), as filhas e genros pagavam-lhe o aluguel da pequena casa; e levavam para ela gêneros alimentícios. Como morávamos em Niterói, cabia-me, alguns meses, levar até lá a cota de minha mãe.

Minhas tias, além de comida não perecível, deixavam umas quantas moedas para outras despesas (pão, etc). E era uma destas moedas que me propiciava o cinema semanal. 

Até hoje ressoam em meus ouvidos sua voz com sotaque carregado que nunca perdeu: "ó Jorge, anda cá ao pé de mim".