30 de janeiro de 2015

Australian Open - 2015













Tadinha de nossa musa. Terá que enfrentar, na final do primeiro Grand Slam do ano, na Autrália, ninguém menos do que Serena Willians.



Dá só uma olhada no físico da Serena. Ela poderia disputar, fácil, a competição masculina, tal o seu vigor e força. Numa hipotética luta com Cassius Clay talvez perdesse por pontos.



Nas quinze últimas vezes em que se defrontaram a americana ganhou da russa. A última vitória de Sharapova sobre  Serena aconteceu há dez anos.



Não percam amanhã, sábado, a final do Australian Open - Women's Singles. Estarão frente a frente as duas primeiras do ranking atual do tênis feminino.

Como já disse certa feita, aqui no blog a Maria Sharapova só perde quando em quadra, fora dela é, ainda, imbatível.

29 de janeiro de 2015

Por que será?

Não importa quantas pessoas já estejam diante do elevador, aguardando. Cada um que chega torna a apertar o botão de chamada mesmo que este já esteja acionado e com o led aceso. Por que será?

E algumas pessoas tornam a apertar o botão depois de alguns segundos.

Provavelmente, sendo o elevador “mais inteligente” do que estas pessoas, irá atender prioritariamente ao chamado e pensando com seus botões (modo de dizer): deixa atender logo este impaciente antes que ele quebre o botão (de verdade).

Por que será que oito entre dez mulheres que saem de casa levam consigo, além da bolsa convencional, de couro ou courvin, à tiracolo, uma outra, de papel ou plástico, destas com mensagem comercial, estampando o nome da griffe ou da loja?

Por que será que torcedores de Vasco, Fluminense e Botafogo, na sua maioria, torceria pelo Boca Juniors num jogo deste  contra o Flamengo, mesmo sendo aquele clube "argentino" e com uma das torcidas mais antipáticas do mundo? A torcida do Flamengo é pior?

Por que será que na parada de ônibus, estando lá quatro ou cinco pessoas, quando da aproximação do transporte público todas levantam e acenam uma das mãos? Não bastaria que um o fizesse? Será que o condutor do veículo só vai parar porque são muitas pessoas acenando? Se fosse um só ele não pararia?

Por que será que oito em cada dez homens, com idade entre dez e cinquenta nos, carregam uma cangalha nas costas (parentes e amigos levam mochilas) ?

Por que será que oito em cada dez motoqueiros (amigos e parentes são motociclistas) são idiotas e mal educados? Já não seria correto estacionar nas calçadas, mas precisa subir com o motor ligado e sentado no selim? Não seria mais prudente e civilizado desligar o motor e empurrar o veículo, segurando-o pelo guidão, até o ponto onde irá estaciona-lo?

Por que será que num ônibus de trajeto curto, como os 47-A e 47-B, as pessoas precisam entrar comendo ou tomando refresco?  E depois deixam os guardanapos  ou embalagens de biscoitos, escondidos atrás das cortinas do veículo, assim como os copinhos e garrafas de refrigerante embaixo do banco, muita vezes ainda derramando o restinho do líquido? É falta de princípio, muita fome ou os pais nunca ensinaram boas maneiras? Ah! Que saudade do tempo em que as crianças levavam palmadas (ou pelo menos uma reprimenda) quando faziam coisas fora dos padrões de educação vigentes.

Por que será que a partir dos setenta anos de idade as pessoas ficam mais ranzinzas? Experiência própria (rs).

28 de janeiro de 2015

Fui infeliz e não sabia


Foi um somatório de sonhos e expectativas.  Por isso, quando regressei de São Paulo, onde vivi e trabalhei de 1988 até 1995, resolvi que moraríamos no interior. Na roça, lato senso.

Bem, não poderia ser um interiorzão,  para não dificultar a vida dos filhos – e quem sabe amigos -  que poderiam querer nos visitar, e também porque em caso de emergência médica ou hospitalar a locomoção não poderia ser demorada.

A cidade escolhida foi Maricá, mais precisamente o distrito de São José de Imbassaí. E fiz a bobagem de comprar uma casa. O certo, agora conjecturo, teria sido alugar uma, por certo período,  para ter experiência de adaptação ao lugar e ao estilo de vida.

Mas não, motivado por uma expectativa, e empolgado, a partir da leitura de “Um ano na Provence”, de Peter Mayle, achei que poderia fazer algo parecido. E me dei mal.

Não foi porque São José de Imbassaí não se compara à Provence; nem tampouco porque nem de longe me pareço com o famoso autor britânico (nem física, nem financeira e nem intelectualmente); simplesmente porque aqui é Brasil. Entenderam ou querem que desenhe?

Uma casa nunca está pronta e a que comprei, além de tudo, foi mal construída. Feita nas coxas. Certamente com material e mão-de-obra desqualificados.

Para coloca-la habitável, despendi quase tanto quanto paguei pela aquisição. E não demoraram a aparecer defeitos inimagináveis.

Deixo-os para mais tarde. Neste passo, relatarei sobre o lugar em si e as limitações e contratempos enfrentados.

O lugar era pobre (e deve ser ainda), muito pobre. Comércio precário. Sem mão-de-obra capacitada (nem pedreiro, nem eletricista, nem encanador, nenhuma profissão). Ir até Marica nem sempre resolvia. Quase nunca.

A rua onde localizada a casa não era  asfaltada. Não havia nenhum calçamento senão a terra batida e poeirenta. A cada veículo que passava defronte à casa, uma nuvem de poeira inundava o seu interior.

Mas se chovia o problema era pior, embora de outra natureza. Lamaçal, de ficar impossível transitar pela rua. Até mesmo os veículos patinavam, derrapavam e quase ficavam atolados.

O pior é que era uma das ruas principais do que seria, originariamente, um condomínio de nome até pomposo “Balneário Campo Mar”. Em consequência tinha um trânsito relativamente constante na dita rua.

Mas o condomínio não saiu do papel e o que se materializou foi um salve-se quem puder. Construções de tamanhos, formas e orçamentos os mais distintos. E muitos terrenos abandonados, nos quais bois e cavalos buscavam alimento.

Acreditem!  Bois (e vacas) principalmente, vagavam pelas ruas livres e impunimente. Por que implicava com isso? Aprendi, pouco depois de mudar, que eles são portadores de carrapatos. E estes bichinhos antipáticos, espécie micro de morcegos, saiam do mato do terreno abandonado, contíguo ao meu, subiam o muro e desciam do meu lado. Uma praga difícil de controlar.

Ensinaram-me um remédio, um produto químico, que eu deveria colocar ao redor da propriedade. Pouco resolveu. Com isso o Bill exigia cuidados especiais.

Naquele trecho do distrito, algumas poucas casas chamavam a atenção (para o local), como a minha, que foi construída em dois pisos, entretanto outras, em sua maioria, eram  mais modestas. Bem modestas.

Meu terreno era mais largo do que profundo, assim a fachada ocupava toda a frente de uma quadra, voltada apara a tal rua principal,  com uma rua transversal de cada lado.

Havia uma Associação de Moradores. Mediante o pagamento de uma módica importância mensal ficava-se associado.

Era nesta Associação, que distava  cerca de um quilômetro e pouco de minha casa, que o carteiro (funcionário dos Correios) entregava a correspondência destinada a todas as casas do lugar. O associado, entretanto, pagando mais uma quirela recebia em casa. Um empregado da entidade fazia a entrega domiciliar usando uma bicicleta.

Mas não se podia confiar. O empregado faltava ao serviço ou tirava férias, ou o pneu da bicicleta furava ou qualquer outro motivo, justificado ou injustificado, poderia nos deixar sem a correspondência.

O mais prudente era, vez ou outra, dar um pulo lá para checar se havia alguma entrega. Como era também na dita associação que estava instalada uma das únicas linhas telefônicas do distrito, aproveitávamos para ligar para aparentes e amigos.

Só que a demanda era grande e, informado o número a ser chamado, esperava-se a vez de ir até a cabine. Havia uma ordem para as ligações, segundo a hora de chegada e pedido da ligação, mas se o seu número telefônico, eventualmente, estava ocupado, depois de duas tentativas você iria para o final da pilha de papelotes com os números e pessoas a serem contatadas. Podia levar horas.

Pode-se dizer que estávamos quase isolados do mundo civilizado, tais as dificuldades de expedição e recebimento de correspondência e ligações telefônicas.

Sim, Niterói estava a 19 quilômetros, mas era alcançada através de uma estrada horrível, esburacada e mal sinalizada. Com trânsito intenso. Depois, bem depois, e já não morávamos lá, a estrada foi melhorada, duplicada em um trecho e recapeada.

Os tipos do lugar eram muito estranhos. Está certo, o ser humano pé estranho em todo lugar. Mas lá eram estranhamente diferentes.

Os caras trabalhavam um ou dois dias, e depois passavam outros dois bebendo  até acabar o dinheiro que ganharam.

Ninguém tinha ferramenta adequada. Nem os que capinavam tinham enxadas, nem os pedreiros colheres e alisadores, nem os encanadores tinham chaves de boca ou alicates.

Logo, eu precisava ter uma caixa de ferramentas completa, incluindo máquina de furar, as brocas, carrinho de carregar massa, pá, ancinho, machado, enxada,  etc.

O sonho da minha mulher de termos frutas e verduras sem agrotóxico morreu antes da primeira safra. As lagartas comeram as hortaliças antes de podermos colher alguma coisa. E o pulgão dominou as laranjeiras, que já existiam no quintal.

Ensinaram-me uma mistura, natural, que combateria a infestação. Era uma infusão com fumo de rolo. Fedia bastante, e portanto nos molestava pelo odor desagradável, mas nem as lagartas e nem o pulgão se abalaram com a pulverização.

Resolvi radicalizar e partir para o produto químico. Pedi na loja um que fosse pouco agressivo. Mas era preciso, ainda assim, usar máscara. Então comprei máscara e a bomba para pulverizar. E luvas. O cheiro era muito ruim. Mas só para mim.

A terra, por outro lado, não era propícia para cultivos. Muito pobre, praticamente areia. Mas não aquela branca, e sim aquela cor de terra acinzentada. Não sei se existe uma nomenclatura própria para ela.

A solução, recomendada pelo matuto do lugar, era adubar com estrume. De preferência de galinha. Não tinha ideia de que o estrume de galinha fertilizava melhor. Você pensa que é fácil conseguir titica de galinha? Não é não, e quando consegue paga caro.

Quase tão caro quanto as dezenas de garrafas e garrafões, quebrados ou inteiros, que comprei para colocar os cacos sobre os muros que cercavam a propriedade. A garotada e os pais desmiolados tentavam pular o muro para pegar laranjas, limões  e mangas.

O triste desta história é que eles moravam na mesma região e tinham lá seu pedacinho de terreno. Só que a terra era nua, sem um mísero pé de couve plantado. Preguiça, indolência, falta de vergonha e princípios.

Retrato da parcela abandonada do  povo, e que agora vive das bolsas públicas.

Antes que as lagartas fiquem muito para trás, quero registrar que elas não eram as únicas espécies indesejáveis que resolviam viver sob minhas custas, já que eu pagava o IPTU.

Havia grilos, sapos e vaga-lumes. Estes, os conhecidos pelo nome, eis que alguns outros insetos nunca consegui identificar para poder registrar a ocorrência de invasão.

Sobre os mosquitos, numerosos e invencíveis, precisaria escrever duas laudas para explicitar como eram inconvenientes, agressivos, famintos, verdadeiros vampiros. Por falar em vampiro, houve um período em que aparecerem muitos morcegos. Segundo o matuto de plantão, por causa da mangueira carregada de frutos.

Se eu colocasse uma espécie de bandeira, que tremulasse ao vento, fazendo barulho característico, eles iriam embora. Nunca tentei.

Os sapos incomodavam meu fiel amigo Bill. Pastor manto negro que veio para minha casa com dois meses de nascido e se tornou um adulto respeitável e respeitado, até pelos caipiras do lugar.

Quando apareciam – os sapos -  o Bill ficava impaciente e lá tinha eu que levantar no meio da noite, mesmo com chuva, para expulsar o diacho do anfíbio anuro.

Quando narrei isto no blog, há algum tempo, um biólogo, educado, alertou que eu fazia muito mal em pegar o sapo, com minha vassoura de tiras metálicas, e arremessa-lo sobre o muro, para o terreno baldio contíguo. Os sapos, disse o biólogo, são partes importantes no controle e equilíbrio da população de insetos. O difícil seria explicar isto ao Bill.

E alguém me amedrontou dizendo que os sapos têm um veneno mortal e se o cachorro o mordesse teria problemas.

O Bill deveria saber disso, tanto que a vez em que mais se aproximou do sapão (enorme), quando eu cheguei atendendo aos seus latidos, ele estava com a pata sobre as costas do sapo, mas sem ameaçar morder.

As nuvens de mosquitos, mais legiões do que tinham os romanos, chegavam ao final da tarde, início da noite. Durante o dia apareciam alguns poucos já instalados na casa.

Telas de malha bem apertada foram colocadas nas janelas. Mas elas tinham que ser retiradas e lavadas com muita frequência por causa da poeirada que já noticiei lá em cima. A solução engendrada foi prendê-las com velcro. Alguns metros e algumas bisnagas de cola foram necessários.

Também copiei do Peter, na obra citada, a ideia de ter uma mesa no quintal. Comprei uma de concreto, assim como os bancos. Coloquei embaixo da mangueira, mas não conseguíamos sentar e fazer uma refeição ou simplesmente ficar tomando um refresco com um petisco qualquer. O tempo todo caia um pedaço de casca de galhos, ou insetos, ou folhas, e não se tinha sossego.

E colocar em outro ponto, que não fosse sob a mangueira, implicava em não ter sombra. E o sol era inclemente. Conclusão, a mesa só era utilizada para sobre ela colocar os cães na hora de escovar os pelos depois dos banhos.

Estão acompanhando meu raciocínio? Não era uma maravilha a vida no campo, longe da poluição urbana? Sem carteiro, sem telefone e sem água, mas com muito carrapato, mosquito, sapos e poeira.

Sem água? Ah! Ainda não informei que não havia, claro, rede de água tratada entregue pela concessionária. Havia um poço manilhado.

Na primeira estiagem maior a vasão foi diminuindo, diminuindo, e não me restou alternativa senão furar um artesiano.

O poço artesiano é um caso especialíssimo. O sujeito que morava nas redondezas e anunciava que furava poços artesianos, numa placa tosca de madeira e agredindo o idioma (furasse artesiano), e que ingenuamente e irresponsavelmente contratei, não queria nada com o trabalho.

Chegou lá em casa e ficou coçando o queixo enquanto caminhava pelo terreno em busca do lugar ideal, segundo ele. O lugar escolhido era ideal para ele, mas não para mim. Implicaria em  fazer uma rede longa de tubos e conexões até alcançar a caixa d’água, e colocar uma bomba potente.

Mas vá lá, se é aí que você acha que vai jorrar água, pode começar. Ele furava vinte centímetros e parava. Por vezes ia até o bar mais próximo e ao retornar furava mais dez centímetros.

Para não cansa-los com esta história abrevio e informo que quando o furo alcançou a marca de oito metros de profundidade, e segundo ele a água não dava sinal de vida, minha impaciência deu sinal de vida.

Como eu já estava com os “bagos plenus”,  paguei-lhe parte do contratado e desisti.

Mas o problema de suprimento de água persistia. A solução emergencial foi comprar  bombonas  de PVC e duas vezes por semana vir até Niterói, enche-las e levar para nosso consumo e cozinhar. A pouca água que ainda brotava no poço ficou para banhos e descargas no banheiro.

Aí, um pedreiro que contratei para refazer o reboco em volta da casa, até a altura de cerca de um metro, em virtude da umidade absorvida do lençol freático sobre o qual foi construída a casa (por esta eu não esperava), disse que tinha um irmão que furava poços. E teve uma grande ideia. Por que não fazer o artesiano por dentro da manilhado. Já se sabe que aqui tem um veio.

Sugerido e contratado o irmão. "Vamos matar o poço manilhado, revesti-lo com selante e perfurar no fundo até uns dez metros",  sugeriu o irmão do pedreiro.

Não era fácil perfurar por dentro do poço porque as manilhas tinham um diâmetro relativamente pequeno e a profundida era pouco mais ou menos de  três metros. Mas o cara conseguiu e, para nossa alegria, aos doze metros a água brotou  com boa vasão.

Faltava apenas testar a qualidade da água. Exames de laboratório revelaram estar livre de coliformes fecais. O gosto aceitável. Muito discretamente salobra.

O poço manilhado virou um reservatório, uma cisterna praticamente. Mas deu trabalho e custou caro.

A energia elétrica era outro grande problema. Muitas vezes havia interrupção, por desarme de transformador. Por vezes ficava com apenas uma fase de alimentação, o que implicava em não poder assistir televisão (ficava com imagem estreitada). E o ventilador não funcionava. E a lâmpada parecendo aquela luz morta de porta de bordel do interior.

A televisão dependia de antena parabólica que comporei e mandei instalar. Só que numa determinada época, por volta das 17:30/ 18:00 horas, o sinal ficava prejudicado. Sem imagem e aquelas listas enviesadas de interferência.

Não havia explicação. A CERJ, acionada, disse não ser responsável. Ninguém atinava. Numa caminhada matinal, resolvi perguntar em algumas casas próximas, que tinham antena parabólica, se eles estavam com problema de recepção, apenas neste horário,  partir da 18:00 horas.

A resposta sempre negativa. O problema era só comigo.

Indo até Maricá encontrei uma loja que vendia e instalava equipamentos de telecomunicações e parabólicas. Pedi uma visita técnica e o dono da loja, enquanto anotava o endereço, perguntou o que estava havendo.

Quando relatei o fato, ele parou de escrever, abaixou-se e pegou sob o  balcão uma tampa de ralo. Destas de plástico que são colocadas nos ralos dos banheiros. Diâmetro pequeno.

Entregou-me e falou: são andorinhas! E veio a explicação, as andorinhas resolveram se alojar no cone (uma peça cônica) da parabólica. E elas se recolhem neste horário. Se você colar esta tampa na boca do cone estará resolvido.

E não é que resolveu !? Às vezes a experiência é mais importante do que a formação técnica.

Bem, o título da postagem é irônico. Na verdade ninguém que nasceu e foi criado na cidade, com água encanada e tratada com cloro, portanto potável, tem energia de 110, ou 220 volts, mais ou menos estável, não tem poeira da rua de barro batido, não tem sapos e grilos em sinfonia no quintal durante a noite, tem telefone em casa e a correspondência deixada pelo porteiro do prédio em seu escaninho, pode achar graça em morar na roça.

Ficar com seus livros e discos e nada mais, só na canção popular. 

Nossos filhos nos abandonaram, mesmo dispondo de uma ala de hóspedes a disposição. Uma boa suíte, com armários e televisão.

Algumas noites apenas a lua, se aparente, lançava luz em nosso quintal. Ficávamos sem energia elétrica, e não havia romantismo que resistisse ao silêncio absoluto, minto, havia os sapos, e à escuridão. A sensação é de ... qualquer coisa desagradável.

Felizmente nunca fomos mordidos por bicho peçonhento. Era só o que faltava. Soro, em São José de Imbassaí?

Eu, minha mulher, o Bill e a Mag, sentados na varanda, olhando estrelas só teve graça alguns poucos meses.

Além do Bill, que veio viver conosco desde o início da aventura, mais tarde adotamos (na verdade compramos) a Mag, uma pastora, também capa preta, que era muito dengosa e preferida da minha mulher.

Os mosquitos nos enxotavam para dentro de casa, onde o calor era muito desagradável, porque sem energia o ventilador não funcionava e a iluminação era gerada (o mais das vezes) por  lampião.  Quem aguenta?

O lampião de querosene era mais, digamos, comme il faut, já que nossa decoração era toda rústica, country, mas a fumaceira encardia o vidro rapidamente e empestava a casa. A solução foi adotar os mais modernos a gás.

Feliz sou agora, e era antes de me mudar para a frustrada experiência de vida saudável no campo, com enormes despesas e pouco proveito.  

Nota do editor/autor: Quem acompanha o blog ha mais tempo perceberá, facilmente, que este assunto é recorrente. Uma rápida pesquisa no blog colocará na tela vários posts sobre São José de Imbassai. Basta escrever "roça" na janela de busca (tem a lupa desenhada) e pronto...
Isto porque, como alguns mestres da pintura, estou fazendo exercícios que me levem a um texto mais elaborado, no futuro, que terá como escopo falar dos tipos com o quais convivi naquela época, aqui chamados ou de matuto ou de caipira. São boas histórias. 
Antes de SJI, bem antes, mas ainda no Município de Marica, tive uma mais modesta casa em Inoã, que só usávamos nas férias e finais de semana. Os tipos do lugar também entrarão no relato que pretendo publicar em e-Book.

27 de janeiro de 2015

Teremos as águas de março?


Espero que sim. Não necessariamente aquelas trombas d’água que provocam deslizamentos de encostas, inundam cidades, desalojam os mais humildes e soterram famílias.

Chuva na estrada
Mas aquelas chuvas fortes e intermitentes serão extremamente bem-vindas. Um pouco mais do que as garoas. E se as chuvas torrenciais forem inevitáveis, que as mãos sábias da natureza as dirijam em direção às represas, às cabeceiras dos rios.

Nunca imaginei que um dia pediria chuva. E nunca acreditei que a água, mais precisamente sua falta, representava um perigo para a humanidade.

Os versos de Ary Barroso eram, para mim, apenas poesia. Lembremos:
“...........................................................
...........................................................
Quando o nego chegou por aqui,
Era mais vivo e ligeiro que um saci,
Varava estes rios, estas matas estes campos sem fim
Nego era moço e a vida um brinquedo prá mim,
Mas este tempo passou e esta terra secou, o,o,o,
A velhice chegou e o brinquedo quebrou
................................................................
................................................................”

Rio Piracicaba, cadê?
 Agora, ao contrário do pedido pelo Jorge Benjor, em “Chove chuva”, na qual quer o fim da chuva, chamando-a de ruim, nós queremos é que ela venha e fique um bom tempo.
"..................................................
Por favor chuva ruim
Não molhe mais o meu amor assim
Por favor chuva ruim
Não molhe mais o meu amor assim
..................................................."

Valem estes versos da mesma canção:

“Chove chuva, chove sem parar
Chove chuva, chove sem parar”

Brincadeira de criança
Será que teremos as águas de março, a que alude Jobim, fechando o verão? Seria a promessa de vida nos nossos corações.

Amém, Maestro, com a devida vênia pela adaptação.

E se vierem antes, melhor ainda. Volume morto é uma nomenclatura que me deprime...


Linda imagem

Notas do editor:Todas as imagens foram colhidas no Google.

26 de janeiro de 2015

O que aprendi sobre vinhos


Levei muitos anos recusando vinho sob alegação que me dava dor de cabeça. Pudera, que vinhos me ofereciam argh!

No seio da família materna, avó e as primeiras tias nascidas Tràs-os-montes, casadas estas com portugueses, bebiam vinho da "santa terrinha", que compravam em garrafões ou a granel em importadoras que os tiravam de toneis.

Sabem o que diziam? Que eram vinhos "rascantes". Não me sabiam bem, para o dizer como eles.

Passados muitos anos, quanta bobagem reproduzi, por pura ignorância. Pior, louvado em palpites e comentários de outros igualmente ignorantes, aqui no sentido de desconhecedores.

Até que um dia, em São Paulo, jantando com um empresário, ele pediu um Bordeaux. Neste dia fui a presentado à bebida. Poderia ter dito: com que então isto é que o vinho tão falado? Amor a primeira vista.

A vantagem de ter feito um rápido curso sobre vinhos, na Associação Brasileira de Sommeliers, já nos anos 1990, foi aprender algumas coisas das quais nem suspeitava.

Querem um exemplo, desde já? Existe, mais raro, mas igualmente saboroso, o vinho do Porto branco. 

Va lá, antecipo mais um aprendizado. O vinho não é branco porque feito com uvas verdes. Inclusive, e aí me surpreendi, os famosos brancos espumantes, da região de Champagne, são feitos com um blended - na área de vinhos diz-se corte - de castas, inclusive duas tintas.

Sim, eu disse vinho branco espumante, porque o Champagne, denominação privativa dos espumantes produzidos na região de mesmo nome, localizada no nordeste da França, nada mais é do que um vinho branco que fermentou duas vezes.


Esta maneira de abir deve ser usada excepcionalmente

Devem ser produzidos, obrigatoriamente, apenas com as uvas chardonnay, pinot noir e pinot meunier. As duas últimas tintas.

A base dos espumantes, em geral, é um vinho branco, feito a partir de cepas que combinadas, harmoniosamente, e que duplamente fermentado resulta no precioso líquido, a rainha das bebidas, que se presta a vários momentos da vida, com variada gama de pratos, antes ou após as refeições, com doces ou salgados.

Isso eu não sabia. Como não sabia que a coloração do vinho, que permite classifica-los como tintos, rosés e brancos, depende do tempo de contato das cascas das uvas utilizadas durante a fermentação. 















Sim, diferentemente das azeitonas que nascem verdes e ficam pretas, numa mesma árvore, não existindo pés distintos onde se colhe azeitonas verdes e outros nos quais se faz colheita de pretas, existem vitis vinifera que produzem frutos verdes e outras que produzem uvas tintas.

Dentre as coisas mais triviais que aprendi, citaria a questão da temperatura de serviço. Dizer que um vinho tinto deve ser servido em temperatura ambiente, não é uma verdade absoluta.

É como dizer que antes de “p” e “b” só se escreve “m”. Lembram destas lições de português?  Se você tem mais de 50 anos deve ter ouvido isto da professora. Péssimo enunciado.

Como ficariam as palavras deplorável, antipático e estúpido?

Então coloquemos as coisas nos seus devidos lugares. Se você está num local, numa cidade, com a temperatura girando entre os 15 e 18 graus certamente poderá degustar seu tinto sem precisar assusta-lo.

Vinhos não devem ser servidos com temperatura acima de 18 graus e os tintos  abaixo de 8 porque perdem muito de seu bouquet.

Mas hoje, aqui em Niterói, com a temperatura oscilando entre 35 e 40 graus célsius, o vinho precisa ser refrescado para poder ser melhor saboreado.

Bem, se vocês  tiverem uma adega climatizada, como eu, graças aos meus filhos que me presentearam, é fácil manter o vinho numa temperatura  boa para consumo. Basta programar o termostato.

Ainda assim resta um probleminha. Como a minha adega é pequena e de poucos recursos, os vinhos brancos ficam em temperatura um pouco acima do ideal para degustação.

Esta foi outra coisa que aprendi e depois de testar assumi como verdadeira: os vinhos brancos devem ser servidos em temperatura mais baixa do que os tintos.

A temperatura exata, para uns e para outros, é objeto de  algumas controvérsias,  mas nada muito significativo. Há uma faixa dentro da qual tudo correrá bem.

A faixa mais aceita varia entre 11 e 18 graus, para os tintos, a depender de características: se o vinho é jovem (11 a 14), se encorpado (15 a 17) ou se reserva (16 a 18).

Para os brancos: leves e doces 6 a 8 graus; meio seco ou encorpado 7 a 10, e se bem encorpado 10 a 12 graus de temperatura.

Espumantes: entre 6 e 9 graus, e se for brut 6 a 12. O rosé entre 7 e 10 graus vai muito bem.

Mesmo os vinhos fortificados, tipo Porto, sabem melhor quando servidos em temperatura máxima de 18 graus. Se for branco entre 8 e 12 graus.

Se você vai usar um balde de gelo, coloque igual porção de água e, num primeiro momento, coloque a garrafa enfiada pelo gargalo. Os paulistas diriam de ponta cabeça.



Depois vire-a,  de sorte a conseguir uniformidade na temperatura que fica mais distribuída. Ter um termômetro ajuda.

wine saver
Depois de aberto se não vai consumi-lo todo naquela refeição ou momento, coloque um wine saver tipo vacu vin e volte com ele para o refrigerador.

Aprendi algumas outras coisas, interessantes, históricas e culturais. Algumas lendas como a que atribui à cordilheira dos Andes o papel de barreira natural que impediu a chegada  no Chile do pulgão conhecido como phylloxera, praga que dizimou as plantações de viníferas na Europa.
Vitis atacada pela  phyloxera


Bem, tem a questão do formato e tamanho das diferentes taças e suas adequações a este ou aquele tipo de vinho.

E a maior de todas as bobagens, repetidas ad nauseam, o vinho quanto mais velho melhor.

Outro dia explico e falo de outras dicas que podem nos tirar de desconfortáveis situações tal como não saber o que fazer com a rolha, apresentada em um pequeno prato pelo garçom. As vezes ele simplesmente pousa na mesa ao seu lado. E fica aguardando.

Se quiser leva-la para casa, para a coleção que fica num jarro de vidro transparente ou outro recipiente qualquer (que já tive), faça-o depois do ritual esperado.

Não vou falar sobre o vocabulário, o dialeto dos experts. Apendi o que é mosto, vindima, champenoise, charmat, estas coisas. A terminologia utilizada nas degustações passa muito de cem verbetes, segundo dois dos mais festejados conhecedores de vinho aqui no Rio de janeiro: Danio Braga e Celio Alzer.


Notas do editor:
1) imagens tiradas no Google
2) Tenho um opúsculo, adquirido na ABS, que tem por título "Tradição, Conhecimento e Prática dos Vinhos", de autoria dos dois experts mencionados no texto.
3) O blog já publicou vários posts sobre vinho, cultivo, degustação etc. quase todos da lavra do confrade Carlos Frederico (Freddy). Alguns poucos eu mesmo ousei. A dica para acessa-los é simples: na janela de busca (desenho da lupa), dentro do blog, escreva, por exemplo, "vinho".

25 de janeiro de 2015

O improviso, a réplica, a agilidade mental - 9

Fim da série. Agora escolham as  suas preferidas. Com estas, são 27 as publicadas.




O improviso, a réplica, a agilidade mental - 8

Está terminando  série, e aqui está uma das mais festejadas de Churchill.










O improviso, a réplica, a agilidade mental - 7

Aqui termina a série de frases imortais. Todas muito boas. Algumas são bem-humoradas, outras irônicas, e algumas outras filosóficas.

Recapitule a série e escolha as preferidas.




24 de janeiro de 2015

O improviso, a réplica, a agilidade mental - 6

Continuem escolhendo dentre elas as mais significativas, as mais impactantes, ou mais inteligentes:






19 de janeiro de 2015

O improviso, a réplica, a agilidade mental

Vou publicar uma série de respostas, de frases memoráveis, de conceitos irretocáveis de algumas personalidades do mundo da arte, da religião, da política, da ciência e da diplomacia.

Algumas delas são bem conhecidas e recorrentes em discursos e palestras. Outras são menos citadas, mas igualmente inteligentes, mordazes e irônicas.

Tenho as minha preferidas, mas só declinarei ao final da série. Como serão publicadas três por dia, e serão vinte e sete no total, aguardarei as opiniões de vocês fieis leitores, ou a cada post ou ao final dos nove.

Não elegi nenhum critério na seleção diária. Serão publicadas na ordem em que as recebi via e-mail. Outrossim desconheço o autor/selecionador/editor, daí não dar o crédito devido. Sorry!

Vamos as personalidades, suas tiradas, e seus improvisos:




18 de janeiro de 2015

Nossos governantes

"VAMOS PROVAR QUE É POSSÍVEL CORRIGIR EVENTUAIS DISTORÇÕES, 
E TORNÁ-LAS AINDA MELHORES"

(Dilma Rousseff, discurso de posse.


Com ponto eletrônico, ou de improviso, com ghost-writer ou próprias palavras, a presidente falando é um perigo.



Mas pior papel fez e faz o apedeuta, que se gaba de não ler. Mas finge que lê para fotografia. E o papel fica mais ridículo ainda.









Eu e você que constituímos "as zelite" somos muito intolerantes.

17 de janeiro de 2015

Je suis ou Je ne suis pas



Por
Ana Maria Carrano








Primeiro eles atacam jornalistas, mas não nos importamos porque os franceses provocaram; depois massacram uma aldeia, mas não nos importamos porque são todos africanos; depois eles destroem torres, mas não nos importamos pois não somos capitalistas...
Um dia seremos as vítimas e quem se importará?

Eis o que nos ensinou Brecht:                              
Bertold Brecht
“Como eu não me importei com ninguém
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”


Bertold Brecht (1898-1956)