31 de janeiro de 2016

Proposta irrecusável

Tenho lido muito - ultimamente - declarações de jogadores justificando irem jogar na China, no Catar (Qatar), na Índia, Uzbequistão e outros importantes centros futebolísticos, porque a proposta recebida era irrecusável.

Suponho que devo entender irrecusável sob o ponto de vista financeiro. Porque o Ramires, por exemplo, jogador de seleção nacional, que atuava no Chelsea, da Inglaterra, clube pelo qual foi campeão nacional (Premier League) e conquistou uma Champions League a mais importante competição interclubes do planeta, nada mais teria a aspirar na carreira, exceto, volto a frisar, mais dinheiro.


O cara abandona  isso para jogar no futebol chinês que, com todo o respeito, em matéria de importância, se equipara a série “C” do Campeonato do Estado do Rio de Janeiro. Sem falar no almoço de carne de cachorro (rsrsrs).

Esse fato e a estória abaixo comprovam a tese de que tudo e todos têm preço.

A piada é mais ou menos assim: num voo para Salvador, uma bela mulher senta-se ao lado de um elegante cavalheiro. Conversa vai, conversa vem, descobrem que ficarão no mesmo hotel. Ele propõe uma noite juntos e promete uma joia (anel de brilhante). Ela considera a proposta e responde: "porque não!"

Meio arrependido de ter oferecido tanto (ela aceitou facilmente) ele faz nova pergunta: "e se ao invés do anel, eu lhe oferecer um cordão de ouro?"

Indignada ela reponde: "você pensa que eu sou puta?"  E ele, ato contínuo: “isso a gente já viu que é, a questão agora é só de preço”.

E tem uma proposta que além de irrecusável é indecente. Quem assistiu ao filme “Proposta Indecente” (Indecent Proposal)?

Neste drama, um casal com sérias dificuldades financeiras vai para Las Vegas tentar a sorte em cassinos. Eles conhecem um bilionário (Robert Redford) que fica atraído pela mulher (Demi Moore) e oferece ao marido desta (Woody Harrelson) um milhão de dólares (US$ 1.000.000) por uma noite com ela (uma única noite).

Não vou contar o filme, que está disponível no YouTube, porque não vem ao caso. Mencionei apenas para ilustrar um caso de proposta irrecusável e indecente.

A questão que se oferece é a seguinte: qual o meu preço? Que proposta seria para mim irrecusável, sob o ponto de vista financeiro?


E o seu, já avaliou?

Notas explicativas: gostei do filme (é de 1993) e a Demi Moore, na época, poderia não valer um milhão de dólares, mas uns dois salários-mínimos ... sei não! 


Outro exemplo (histórico) de proposta irrecusável e indecente, esta envolvendo Napoleão. O imperador francês se mostrou perdidamente apaixonado pela condessa polonesa Maria Waleska. Ao saberem da situação, os compatriotas encorajaram Waleska a ceder, para convencer Napoleão a estabelecer a independência da Polônia. Na época o país estava tomado pelas tropas da Prússia e Áustria.

30 de janeiro de 2016

Melhor piada do mês

Qual era a nacionalidade de Adão e Eva 
Adão e Eva
Adão e Eva  é um dos quadros mais famosos de Dürer. Foi pintado em 1507 e pode ser  admirado no Museu Nacional del Prado, em Madrid.
 NACIONALIDADE DE ADÃO E EVA
Um alemão, um francês, um inglês e um brasileiro
apreciam o quadro de Adão e Eva no Paraíso.
alemão comenta:
- Olhem que perfeição de corpos:
Ela, esbelta e espigada;
Ele, com este corpo atlético, os músculos perfilados.
Devem ser alemães.

Imediatamente, o 
francês contesta:
- Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende das figuras...
Ela, tão feminina...
Ele, tão masculino...
Sabem que em breve chegará a tentação...
Devem ser franceses.

Movendo negativamente a cabeça o 
inglês comenta:
- Que nada! Notem a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose,
 a sobriedade do gesto. Só podem ser ingleses.

Depois de alguns segundos mais, de contemplação silenciosa,
brasileiro declara:
- Não concordo. Olhem bem:
não têm roupa,
não têm sapatos,
não têm casa,
tão na merda...
Só têm uma única maçã para comer.
Mas não protestam,
ainda estão pensando em sacanagem e pior,
acreditam que estão no Paraíso.
Só podem ser 
BRASILEIROS...

Nota explicativa: Esta foi considerada, pela gerência do blog,
a melhor piada do mês de janeiro, dentre as que circularam na rede.

Dilma é um gênio

Muito mais engraçada do que a personagem Jeannie, do seriado americano: https://pt.wikipedia.org/wiki/I_Dream_of_Jeannie




Dilma, aquele mesma, é muito mais engraçada e criativa. Confiram nos vídeos a seguir:

Recolocando a pasta de dente no tubo. Não, não, pior, no dentifrício: https://www.youtube.com/watch?v=6WVCZK0JDf0










Arquiteta, assistente social, psicóloga, juiza de vara da criança e juventude e chefe de conselho tutelar:





As rupturas legais. Sim, houve ruptura da barragem, mas existem as rupturas legais,  confiram. Raciocínio rápido e fluência verbal. Um espanto!



Atrapalhada com as metas. 






Mas ela nem sempre está errando, por vezes está fazendo bobagens. Depois do "Dia do Tambor de Crioula", aguardo ansioso pela legislação que crie dia especial em comemoração ao Fandango, ao Maculelê, à Marujada, ao Samba de Roda, à Ciranda, à Capoeira e outras manifestações artísticas de nosso rico folclore. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13248.htm)

Assim como Igreja criou o Dia de Todos os Santos, Dilma poderia criar o Dia de Todas as Danças Folclóricas Regionais. Que tal?


Mais explicações sobre dentifrício:

29 de janeiro de 2016

Safadezas e leviandades

Zé das Couves chuta com violência, mas sem direção. A bola iria se esvair pela linha de fundos. Todavia, o zagueiro Tonhão Três Pernas, na ânsia de defender, atabalhoadamente cabeceia contra o próprio gol. Coitado do goleiro, nada pode fazer.

Em meio às comemorações com os companheiros da equipe, Zé das Couves aponta para o céu, com os dois indicadores, e ergue a cabeça como num ato de agradecimento, ou reconhecimento, de que o gol  foi obra e graça do Criador.

Eu acho sacanagem do Pai do Céu se efetivamente houve interferência sua, com favorecimento de um jogador – e sua equipe – em detrimento dos adversários.

Deus é dado a estas gracinhas, estas discriminações.

Desde Jesus Cristo Superstar, quando Judas Iscariotes questionou com veemência a decisão do Pai Eterno de fazê-lo o traidor  (Por que eu, Senhor?) passei a prestar mais atenção aos desígnios do Criador, mais na linha discriminatória do que na discricionária.

Por que a escolha recaiu em Judas? Poderia ter sido um Santiago, qualquer dos dois. Quem sabe o Zebedeu? Neste caso eu não teria ido a Compostela para conhecer a catedral e assistir à Missa do Peregrino.

Bem, juro que não é invenção minha - pois embora ímpio sou respeitoso - o fato é que dizem, à sorrelfa, que Deus sofre de alzheimer pois escreve direito por linhas tortas.

Mas a maior das safadezas do Homem foi ajudar a eleição do Lula. Esta não perdoarei jamais.


28 de janeiro de 2016

Acabou-se o que era doce

Fim de recesso no judiciário. Fim de férias, compulsoriamente gozadas entre 20 de dezembro e 20 de janeiro.

Este ano os advogados enfrentarão um novo e complicado obstáculo. Assim é que entrará em vigor um novo Código de Processo Civil. Ninguém está preparado para os novos ritos que entrarão em vigor. Ninguém mesmo!

Assim como aconteceu quando  da criação dos juizados de pequenas causas, que mudaram de nome e passaram a ser chamados de juizados especiais, cíveis e criminais, que também foram anunciados como meio simplificado , mais informal e mais ágil para solução de conflitos, e que agora são um pesadelo para advogados e partes porque os processos se avolumaram, tramitam de forma extremamente lenta e com resultados imprevisíveis, graças sobretudo a “invenção” da figura dos juízes leigos, este novo Código de Ritos, que sinaliza mais celeridade e mais ênfase na mediação e conciliação  também terá efeito reverso e perverso.

Podem me cobrar. Mudo meu nome para Luiz Inácio se estiver equivocado.

Por que Luiz Inácio? Porque como o ex-presidente com este nome, também dou palpite em tudo, como se fosse o dono da verdade, e erro muito mais do que acerto, como ele. A diferença é que não me considero o homem mais honesto do mundo, como o citado apedeuta. Aliás que esta afirmativa - dele - contém, além da mentira descarada (e o triplex?), uma inaceitável valoração de honestidade.

Hoje acordei com um pensamento me incomodando. A voz corrente na sociedade um pouquinho mais esclarecida, é que os juízes pensam que são deuses (os desembargadores têm certeza), não leem* os processos, não exaram os despachos e, muitas vezes nem prolatam as sentenças (apenas assinam).

Os gabinetes estão superlotados de secretárias e assistentes (escreventes um pouco mais experientes) que fazem o trabalho de estiva: leem, despacham e sentenciam, e o magistrado assina.

Imaginem agora, com processos eletrônicos, se os juízes lerão as petições e examinarão as provas  (documentos escaneados). Com o processo em papel, disponível para colocar sobre a mesa e folhear para melhor leitura eles já não o faziam, imaginem ler numa tela de computador.

E mais, como a assinatura agora também é eletrônica (certificada), basta informar a senha para a secretária e pronto ... processo solucionado. Solucionado?

Deus do céu! Coitados daqueles que precisam recorrer ao judiciário. É tão arriscado quanto depender de um hospital público para atendimento pelo SUS. 

* Leem é a forma correta de escrever o verbo ler, na terceira pessoa do plural, do presente do indicativo, desde que entrou em vigor o Acordo Ortográfico, em 2009. Perdeu o chapeuzinho.

26 de janeiro de 2016

Flashes do meu cotidiano



Por 
RIVA






Sem trabalho (termo mais suave do que desempregado), admirava os amigos que passavam de ônibus a caminho do trampo, enquanto eu caminhava no calçadão. Com trabalho, admiro os amigos caminhando no calçadão, através das janelas do 49 ou do 47.

São Domingos
Prefiro sempre os ônibus da linha 47, porque gosto muito do caminho pelo antigo bairro de São Domingos, com suas casinhas quase centenárias. É uma viagem no tempo. Uma das primeiras coisas que fiz quando comprei minha motocicleta foi rodar por ruas de Niterói que não percorria há muitos e muitos anos, principalmente no Vital Brazil, Santa Rosa, Pé Pequeno e São Domingos.


Voltei ao circuito Niterói-Rio pelas Barcas tradicionais. Adorava quando usava as das Charitas, mas os quase 16 reais cada vg, e mais a enorme dificuldade de estacionar minha moto, me fizeram abandonar aquela gostosa ida pela Estrada Fróes e seus cheiros (já escrevi sobre isso em (http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2012/03/cheiros-perdidos-e-resgatados.html), e a belíssima paisagem na travessia para o Rio.

Charitas - Niterói

Na travessia tradicional, pelo Centro de Niterói, é outro perfil de usuário, geralmente vindo de lugares mais distantes, evitando a Ponte Rio-Niterói. O que se vê são pessoas cansadas, tanto na ida quanto na volta, muitas dormindo. Mas a maioria fica mesmo é teclando o smartphone. Alguns, como eu, aproveitam esses 50 minutos diários para leitura.

Os novos catamarãs que chegaram da China são muito confortáveis e com ar condicionado, com bons banheiros. Bem maiores, levam 2.000 pessoas. Os catamarãs antigos são horríveis : sem ar condicionado nem ventiladores de teto, sem paisagem (as janelas foram mal projetadas), muitas poltronas danificadas, banheiros fétidos. Eu os evito, podendo esperar e tendo certeza que vem um chinês.

Novo catamarã
Trabalho no Centro do Rio, e indo a pé até meu prédio, sou obrigado a atravessar os canteiros de obras existentes, mal sinalizados, perigosos para pessoas idosas. Desabilitados então, impossível se deslocar por ali. Um caos. Em dias de chuva então ...

Obras no centro do Rio de Janeiro

Já tive muita pressa, e como Renato Teixeira, agora ando devagar, sem me preocupar com horários, deixo os catamarãs saírem sem mim, não entro em restaurantes com filas, não entro em ônibus se percebo que vou ficar em pé ... tudo pode esperar por mim.

No novo trabalho encontrei uma equipe show de bola como há muito não tinha. Atenciosa, dedicada, gentil, muito legal mesmo. O dia a dia é de problemas e mais problemas para resolver : jurídicos, de relacionamento, reivindicações de locatários, problemas com as instalações prediais, não conformidades mil, política interna, gestão financeira e operacional, mas o ambiente é muito bom, o tempo flui com facilidade.

Tem sido prazeroso como há muito tempo não era.

O horário de trabalho foi uma novidade : das 11 às 19 horas. A única desvantagem é que chego em casa quase na hora de jantar, e não há tempo para um drink, se eu quiser. Em compensação tenho tempo pela manhã para minhas caminhadas.

Impressionante comparar nosso tempo em trânsito com uns 20 anos atrás. Naquela época eu saía da Rio-Petrópolis às 17h, chegava em Nikity tipo 17:45h, e ainda ia jogar tênis antes do jantar, pelo menos 2 vezes por semana. Hoje em dia nem pensar num esquema desses.

Obs: para não deixar de lado o futebol, viu Incógnita, estou escrevendo mas assistindo Arsenal 0x1 Chelsea. Simon, comentarista de arbitragem, precisa de óculos ! Diz que não houve o toque que provocou a expulsão do jogador do Arsenal. O cara merecia 3 vermelhos ! rsrsrs

Almoço em restaurantes no entorno do prédio onde trabalho, e procuro não transitar muito pela Av. Rio Branco, que está com muitos pivetes agindo, como agiam anteriormente na Av. Presidente Vargas.

Todo cuidado é pouco. Sair de casa com o kit básico: ID, cartão de débito ou Ticket Refeição e Bilhete Único. Dinheiro em espécie não precisa mais !

Se já tenho dicas de bons restaurantes ? Sim. O DC10, na Av. Rio Branco, o Sabor e Saúde na Rua da Quitanda e o Zanetti, na Rua do Ouvidor. Gosto também do chinês no subsolo do Edif. Avenida Central. E se quiser beliscar, o Gaúcho na Rua São José (croquetes de carne e cachorro quente).

Em resumo ... tirando a falta de educação dessa geração que insiste em sentar nas poltronas amarelas, eu gasto em média 1h tanto no trajeto de ida quanto no da volta para casa. Um tempo excelente para os dias de hoje, com o colapso do transporte público em vários modais e em vários trechos.


Uma observação interessante: há alguns anos, quando fazia esse trajeto pelas Barcas, sempre revia amigos que não via há algum tempo. Não tenho visto mais ninguém ..... Hmmmmmm ..... não me deixem só !! 

24 de janeiro de 2016

La Tempête





Por
Carlos Frederico March
(Freddy)








La Tempête, A Tempestade - P.A. Cot 1880

Pronto, sem mais delongas apresento meu quadro preferido: La Tempête, The Storm, A Tempestade. Seu autor é o francês Pierre Auguste Cot (17.02.1837 - 02.08.1883), nascido em Bédanieux, Hérault (parte da região francesa Languedoc -Rousillon). Cot fez estrondoso sucesso, ganhando vários prêmios e medalhas, e em 1874 foi sagrado Cavaleiro da Legião de Honra da França.

Preciso deixar claro que não entendo quase nada de pintura. Quando estive na Europa, nos idos de 1977, tinha completa noção dessa realidade e reconheço ter deixado de curtir um bom número de atrações. Contudo mesmo um leigo fica extasiado com certos quadros. Comigo aconteceu em Amsterdam, quando dei de cara com "A Ronda Noturna" de Rembrandt no Rijksmuseum. Parei e pensei comigo: "- É, preciso estudar mais um pouco..."

A Ronda Noturna, de Rembrandt - 1642

Comprei e li uma coleção da Universidade de Cambridge chamada História da Arte e o volume mais útil de todos veio a ser "A arte de ver a arte". É o que eu precisava. Abordava pintura, escultura, arquitetura e explicava o simbolismo usado nas imagens e as influências da época nas obras.

Acompanhei o desenvolvimento do uso de perspectiva nas pinturas, que foi um dos aspectos que mais me impressionou, trazendo dimensão e profundidade aos trabalhos. Foi-me apresentado o mesmo tema (em geral religioso), pinturas absolutamente similares, mas evoluindo com os anos e chegando ao ápice na Renascença, depois se deteriorando com as pinceladas emocionais dos movimentos posteriores, como impressionismo, modernismo, e outros mais que não me atrevo a mencionar (medo de dizer asneira).

Mesmo assim, minha veia cartesiana venceu e, em termos de pintura e música, fixei-me no período barroco e clássico, em que as pinturas procuravam imitar a realidade com a máxima precisão e as músicas eram belíssimas.

Foi em 1999, quando em visita ao Metropolitan Museum of Art de New York, que dei de cara com as pinturas de Pierre Auguste Cot, as duas mais famosas: Le Printemps (A Primavera, The Spring - 1873) e La Tempête (A Tempestade, The Storm - 1880). Na verdade, a única exposta era A Tempestade e estava tão eufórico que quase fui agredido pelo segurança, um caribenho mal encarado. Aproximando-me demasiado da pintura (que é grande: 2,34m x 1,57m) para que me tirassem uma foto, esqueci-me da bendita mochila que carregava às costas e ela quase encostou no quadro!

P. A. Cot havia alcançado grande destaque quando foi exposto seu quadro A Primavera no Salão de Paris em1873, na época uma das mais conceituadas mostras de arte do mundo. Não vou dizer que desgosto dessa obra, e reconheço um fundo de verdade quando as pessoas a consideram o melhor quadro de Cot.


Le Printemps
A Primavera - P.A. Cot 1873

Contudo, no gostar ou não de uma pintura ou escultura ou de uma criação arquitetônica, uma obra de arte em geral, vale mais a emoção que a razão. O que eu senti vendo A Tempestade não consigo explicar. Mexeu mais comigo que A Primavera. Fim.

Estudiosos afirmam que A Primavera (terminada em 1870 mas apresentada em 1873) teria sido a inspiração de Cot para pintar A Tempestade, que ficou pronta em 1880. Como já disse, não entendo quase nada de pintura, mas fiquei quase alucinado com a perfeição de detalhes nas feições e trajes do par romântico que protagoniza o quadro. Há quem relate influência da novela Paul et Virginie (Bernardin de Saint-Pierre, 1788), outros vão mais longe e citam o romance Daphnis and Chloe, do escritor helênico Longos (aprox. século III).

Detalhe de La Tempête, A Tempestade

No Metropolitan tem uma imperdível lojinha de gifts e comprinhas, e lá estavam disponíveis vários itens referenciando ambas as pinturas de Cot. Tinha guardanapos de papel, descansos de copo, baralhos, mini posters, posters de tamanho convencional...

Comprei posters grandes e miniposters, que emoldurei. Na sala de minha cobertura estavam os 2 grandes, na minha casa de Friburgo os 2 pequenos. Com o passar dos anos, o da Primavera perdeu cores e tive de descartar, mas A Tempestade ainda retém as cores originais quase que intactas. Quando mudei de apartamento, consegui um lugar para expô-lo. 

La Tempête, na minha sala

Os dois miniposters emoldurados estão cuidadosamente armazenados, esperando aparecer um lugar para novamente verem a luz do dia. Comprei também um par de baralhos, um deles com A Tempestade, outro com A Primavera. Nunca foram usados, estão bem guardados como lembranças raras daquela viagem a New York.

Baralho com obras de P.A. Cot
 UM ADENDO

Tem gente que já me criticou por emoldurar um poster como se fora um quadro. Assim como eu fiz com todos do P.A. Cot que comprei, grandes e pequenos. Considera-se cafona. Pode ser, mas eu gosto tanto dele que banco a cafonice.

Durante minha vida de casado, sempre enchi as paredes com fotos ampliadas (em geral formato 28x35), sejam tiradas por mim ou compradas em sites de astronomia. Algumas eu simplesmente colava sobre madeira e eucatex, sem moldura, outras eu chegava ao extremo de colocar moldura e proteção de vidro. A decoração de meu quarto de dormir era (no passado) recheada de posters de Mary e das meninas. 

Possuo também quadros "reais". Tenho 3 do Paulo de Almeida (que expunha no Campo de S. Bento), um do Célio Tomás (do Recife, tema: instrumentos musicais), um casario do Ivan (Praça da República, S. Paulo), além de entalhes diversos em madeira.

Tenho até uma tela desenhada por mim (lápis e esfuminho) quando estudava desenho em 1991 com a Sandra Hoskens, que não é um original e sim uma ampliação de um desenho que me foi mostrado numa revista. Só que ficou tão bonita que emoldurei - está exposta no corredor do apartamento.

Portanto, não tenho vergonha do poster emoldurado de "La Tempête" ocupando lugar de destaque em minha sala.


Créditos das imagens:
Imagens dos quadros de P.A. Cot obtidas na Wikipedia, a enciclopédia livre.
Imagem no Rijksmuseum obtida no Google.

As 2 últimas, pertencem ao acervo do autor.

22 de janeiro de 2016

Miscelânea II

A Copa da Inglaterra, a mais antiga competição de futebol no mundo, reserva interessantes surpresas. Como dela podem participar todos os clubes filiados a The Football Association, ocorrem confrontos curiosos.

Nesta etapa ora em disputa, o Aston Villa, tradicional clube da primeira divisão, que conta entre seus ilustres torcedores com ninguém menos que William, futuro rei da Inglaterra, tropeçou feio apenas empatando com o  Wycombe Wanderers, que embora exista ha 130 anos, disputa a quarta divisão e está na sexta colocação sem chance, portanto, de ascender à terceira 

O que me chamou a atenção foi a comemoração da torcida  e a reação dos jogadores do Wycombe, após o empate histórico. Parecia que a clube havia conquistado um titulo mundial. A torcida (9.700), em delírio, não arredava pé do estádio e cantando, com movimentos coreografados de braços. Os jogadores se abraçando e saltando uns sobre os outros também pareciam maravilhados com o feito: empataram com o Aston Villa (atualmente na última colocação na Premier League). Mas que no ano passado dispuram a final desta competição.
http://www.maisfutebol.iol.pt/internacional/09-01-2016/taca-de-inglaterra-aston-villa-empata-em-casa-do-wycombe

O Chelsea enfrentou o modesto Scunthorpe United, da 3ª Divisão, e venceu em seu estádio por 2X0. O Arsenal, atual campeão e que já conquistou esta taça 12 vezes (maior vencedor) pegou o Sunderland, da primeira divisão e ganhou de 3X1. Chelsea e Arsenal avançaram para a próxima fase.


Como já comentei em algum lugar estou lendo um romance histórico, intitulado “Londres”, de autoria de Edward Rutherfurd, que ao longo de 1019 páginas conta a história dos dois mil anos da cidade que gosto muito.

Como fazem todos os autores do gênero ou biógrafos de personagens da antiguidade, como por exemplo Robert Harris (vide trilogia sobre Cicero), é feita a ressalva de que passagens fictícias se encaixam em fatos reais documentados. E mesmo o que é ficcional é verossímil.

Pois bem, fiquei sabendo da existência de um bordel de nome “Dog’s Head” localizado próximo da Charing Cross (https://pt.wikipedia.org/wiki/Charing_Cross), que no ano 1295 era frequentado até mesmo por edis.

Estátua de Carlos I,
que substituiu a cruz de Eleanor, na Charing Cross
Mas as maiores curiosidades eram:
As prostitutas tinham uma indumentária própria: vestido branco de listras e deveriam usar um capuz; a Igreja mantinha bordeis; e o mais curioso é que condenados a morte, se reivindicados por uma prostituta (com registro junto ao meirinho), escapavam do carrasco para se casarem. Bastava que comparecesse pessoalmente no tribunal, com suas vestes tradicionais, e diante dos juízes reivindicasse o condenado para desposa-la.

Desde 1971, quando comprei meu primeiro apartamento na Rua Miguel de Frias, que eu e Wanda caminhamos no calçadão (que no início nem era tão calçadão). Atualmente, mais preguiçosa, preferiria fazer o percurso de taxi (rsrsrs).

Deus não é brasileiro. É argentino, com certeza. A eleição de Francisco, como Papa, com o referendum dele -  Criador - por si só já comprovaria minha tese. Mas tem mais o seguinte fato, inaceitável e inadmissível num compatriota: permitiu a eleição de Lula e Dilma.

Dilma ensaiando pedaladas às margens do Guaíba

Só pode ter sido para esculhambar bem o país, deixando sua economia em frangalhos, favorecendo a Argentina que voltaria a ter a supremacia comercial no continente.

A modéstia me impede de comentar que um leitor do blog, atento e perspicaz, enviou uma mensagem com justos elogios ao blog. Disse ele que se trata de um repositório de informações úteis sobre a cidade de Niterói (colégios, restaurantes, cinemas), com belas crônicas do cotidiano do calçadão, em especial (tartarugas, trampolim, pombos, amendoeiras, etc).

Obrigado, leitor, mas não é bem assim. Também escrevemos bem sobre outros temas. 


Nota do editor: Miscelânea I está em:
http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2016/01/miscelanea.html

20 de janeiro de 2016

Nostalgia




Por
Carlos Frederico March
(Freddy)






Faz mais de 2 anos que entregamos a casa de Friburgo aos novos felizes proprietários. Sua venda fez parte de uma revisão orçamentária, sem a qual estaríamos o tempo todo fazendo contas para sobreviver em nossa aposentadoria. Não é razoável... Ou a gente encara e continua trabalhando (aí não é aposentadoria) ou se ajeita para que as coisas continuem macias - dentro do que permite a economia e a política brasileira, mas isso não vem ao caso agora.

Tudo começou em 1980. Conversando com o já falecido colega da Embratel, Ulysses (aquele que fez a guitarra pra mim, assunto de post publicado), ele me mostrou as facilidades de um programa de férias do Pargos Club (parece que ainda existe). Dentre as cidades disponíveis, constava Nova Friburgo.

Dos destinos previstos no programa do Pargos, experimentamos os de Rio das Ostras, Cabo Frio e Nova Friburgo. Para nossas necessidades da época, o da serra se mostrou maravilhosamente adequado. Chama-se Villa Rica Country Club e fica no km 2,5 da estrada que liga os distritos de Mury e Lumiar.

Villa Rica Country Club
Na época a gente só tinha Renata e quando Flávia nasceu (1982) já éramos frequentadores assíduos do Pargos. Uma lembrança quase trágica marcou esse período: em 24/03/1984 Flávia achou um buraco num parapeito de madeira e se jogou, caindo de mais de 3m sobre um jardim. Por pouco não foi pior, ela caiu sobre um arbusto a centímetros do caminho de cimento que atendia ao pavimento inferior do bloco de chalés.

Passamos um bom tempo indo com as meninas e familiares passar dias ou semanas no Vila Rica, até que em meados de 1987 as deficiências do estabelecimento começaram a nos incomodar. Orientado por meu psicoterapeuta (“você já alcançou um patamar acima desse padrão de vida”), resolvi frequentar Friburgo em hotéis, mesmo tendo o Pargos como quase grátis.

A escolha foi o Hotel Schumacher, hoje Dominguez Plaza na Praça dos Suspiros. Fomos diversas vezes durante 1988, quando aproveitei para sondar propriedades na cidade. Comecei procurando terreno para construir, depois a preguiça me levou a procurar apartamentos prontos e então recaí no condomínio Serraville, o mais novo em construção na cidade no padrão veraneio serrano.

Comprei um pequeno apartamento de 2 quartos em dezembro/88 e comecei a usá-lo efetivamente em janeiro/89, plena época de um daqueles mirabolantes planos econômicos do governo Sarney: o Plano Verão. Quase que não consegui pagar os móveis e eletrodomésticos, mas sobrevivemos ao plano e a vida seguiu.

Condomínio Serraville

Flávia e Renata foram criadas participando ativamente de grupos da mesma idade no condomínio e eu era quase pinto no lixo. Havia muita atividade social no clube Serraville e passei a participar ativamente de noitadas musicais. Várias delas foram patrocinadas por mim (disponibilizava meus instrumentos para o pessoal se divertir junto). Em outras tantas, eu era parte da noitada que algum de meus amigos patrocinava. Ou fazíamos tudo em grupo. Sempre tinha música lá.

Pouco tempo depois, Collor assumiu e imóveis se mantiveram por algum tempo muito baratos. Aproveitamos para incluir no patrimônio familiar 2 apartamentos num condomínio similar ao Serraville, mas num patamar superior de concepção: o Parcville.  Foram construídos na modalidade plano condomínio, de modo que ao terminar não havia saldo devedor. Eu e meu irmão Paulo (Riva deste blog) ficamos lado a lado em belos e compactos apartamentos duplex no bloco D2, tendo a mata e jardins floridos como vista perene em nossas minúsculas varandas.


Condomínio Parcville

Paulo logo assumiu seu apartamento mas eu relutava em sair do Serraville. Sim, claro, o apartamento do Parcville era muito superior ao do Serraville, mas eu já tinha um enorme grupo social. Contudo, por pressão, acabamos nos mudando (acho que foi em 1996).

Foi o primeiro de nossos grandes erros em Friburgo.  Na cidade havia pouco o que fazer: restaurantes, compras eventuais, e passeios mais eventuais ainda. Não há tanto o que se ver na região, ainda mais sendo veranista constante. Passamos a frequentar muito o distrito de Mury, onde alguns excelentes bistrôs eram (e ainda são) referência gastronômica.

Fora comer e comprar calcinhas e sapatos (putz, como tem sapataria naquela Av. Alberto Braune!), pouco resta a não ser a vida social nos nossos condomínios. Se por um lado fui pinto no lixo no Serraville, no Parcville definhei... Não consegui intimidade com nenhum dos moradores e a gente basicamente só interagia localmente com Paulo e família - quando íamos juntos.

Parcville, vista da varanda
Nem por isso deixei de lado meu belo apartamento de frente para a mata. Levávamos com frequência parentes e amigos para lá e passamos grandes momentos - só entre nós, não junto aos demais moradores como era no Serraville... Poderia talvez ter mantido contato com meus velhos amigos, afinal era a mesma cidade. Acho que foi falha pessoal...

E assim foi até 2006. As filhas cresceram, deixaram de participar de nossa rotina familiar. Cada vez era mais comum subirmos eu e Mary, solitários. Começou a perder a graça, quase que passou a ser obrigação ir a Friburgo, para não deixar o apartamento mofar, sujar, etc...

Preciso deixar claro que justo durante a “era Parcville” foi quando comprei em Niterói a cobertura duplex. Muitas de nossas festas e algazarras sociais eram realizadas no terraço, que aos poucos foi sendo melhorado, culminando com o piano-bar e a boate. Ficava difícil para o Parcville competir em termos de união familiar festiva. Ainda mais sem a vida social local.

Em 2006 aposentei-me e não demorou, conversando com um corretor de imóveis que morava no Parcville, pedi-lhe indicação de poucos, bem poucos imóveis dentro de um padrão fechado que eu escolhera, incluindo faixa de preço. Ele me mostrou a casa de meus sonhos, duplex, belíssima vista, mas que tinha uma escadaria para ser acessada que inviabilizaria seu uso dentro de poucos anos - a gente envelhece...

Como um de meus requisitos era uma certa liquidez (quem garantia que eu me adaptaria a morar para sempre em Friburgo? - premonição braba), acabei deixando de lado a casa dos sonhos e optando por uma casa plana numa aconchegante “vila americana” no Cônego.  

Condomínio Pedra do Cônego
A casa 10 tinha um inteligente projeto arquitetônico, bela decoração interna e excelente qualidade de materiais, situada num bairro nobre e de grande liquidez imobiliária. Foi, de fato, uma escolha “quase” perfeita. Tinha um  ou outro senão que com o tempo foram superados.

Sobre nossos demais imóveis em Friburgo: vendêramos o apto do Serraville já há alguns anos, acabamos vendendo também o do Parcville depois de curto tempo de moradia na casa 10. Esta era suficiente para um casal que eventualmente receberia hóspedes. Costumo dizer que de todos os imóveis que tive na vida, foi o melhor deles em concepção, decoração e uso. Coloquei em prática minha veia jardineira e operei pequenos milagres, como salvar e transformar em atração especial a trepadeira de arco no jardim lateral.

Trepadeira de arco


Seus jardins eram também meu estúdio fotográfico de macrofotografia, com grandes oportunidades em flores, insetos (principalmente aranhas e suas teias) e cogumelos. A única coisa que a casa não tinha era horizonte...

Cogumelo no jardim da casa 10
Isso a cobertura em Icaraí tinha, e era lindo, quase 360º de vistas, incluindo o Cristo Redentor ao longe! Apesar de praticamente morarmos a partir de 2007 em Friburgo,  ainda mantínhamos nossa base niteroiense.

Infelizmente não podíamos nos fixar direto em Friburgo, por causa da necessidade de atendimento constante à minha mãe cega e a essa altura limitada a uma cama, Semanalmente descia para Niterói, o que gerava um desgaste emocional muito grande.

Além disso, nossas filhas ainda lá moravam e mesmo depois que elas saíram, cada uma para viver sua vida independente, quando eu descia a serra vivia batendo centenas de fotos de nascer e por do sol lá do terraço. 

Crepúsculo visto da cobertura em Niterói

Mesmo com esses percalços, quebrando semanalmente a calma rotina serrana, conseguimos um início empolgante, quando nos inserimos rapidamente na vida social da pequena comunidade. Estava indo tudo bem, eventualmente minha mãe faleceu em 2008 e a necessidade de vir a Niterói com frequência se restringiu a visitar as filhas, que por seu lado podiam nos visitar em Friburgo, para isso existia um bem montado quarto de hóspedes.

Eis que acontece o momento de ruptura: o desastre de 12 de janeiro de 2011.

Havíamos subido depois de uma ausência desde antes do Natal e Réveillon de 2010/11, que passamos em Gramado/RS. Justo no dia 11/01/2011 subimos. À noite fomos jantar no La Bamba, como de hábito. Em Nova Friburgo é o nosso restaurante preferido, tanto pelo cardápio, pelo preço, pelo atendimento. Saímos de lá às 22h, já sob temporal insistente. Deu pra chegar em casa. De madrugada, os raios e trovões sacudiam a estrutura da casa (que não tinha laje no teto, apenas forro de gesso e o telhado) e o cheio de terra era intenso.

Quando amanheceu sem luz, sem TV, sem internet, sem telefone, sem celular, tudo destruído em torno, aos poucos fomos nos inteirando da enormidade do acontecido. Quando soubemos que o retorno da eletricidade era incerto, quem sabe 3 dias, pegamos tudo da geladeira e freezer, um tico de roupas e nem arrumamos o resto: descemos a serra que estava com inúmeros pontos de retenção e quedas de barreiras.

Os vizinhos olharam para nós tipo “vão nos deixar sozinhos?”. Respondemos que não tínhamos motivo algum para permanecer no local da tragédia pois tínhamos nosso apartamento em Niterói. Pronto! Olhares desaprovadores nos seguiram quando nosso carro se foi...

Quando voltamos, já tudo praticamente normalizado, passamos a ser alijados de rodas de conversa, de pequenas reuniões caseiras. Não éramos mais “parceiros”, não havíamos sido solidários no desenrolar da crise. A coisa chegou ao clímax quando, no Natal de 2012, chegamos dois dias antes e percebemos movimentos de festa. Havia uma comemoração no condomínio e não fomos convidados. Até caminhão de Papai Noel chegou, e era numa casa em frente à nossa.

Lá pelas 21:30 um vizinho foi eleito para desfazer a gafe e nos chamou lá do portão. Éramos convidados a participar - isso depois de meia festa andando. Preferimos declinar do convite. A partir daí, não éramos mais parte do corpo social do Condomínio Pedra do Cônego.

Como parte da reestruturação financeira familiar, já estávamos com a cobertura à venda e juntamos a casa de Friburgo. Um acaso do destino fez com que ambas fossem vendidas com 2 dias de intervalo. Primeiro a cobertura, na base de troca e torna financeira, e logo após a casa em dinheiro vivo.

O apartamento da troca era excelente e suficiente, mas vender junto a casa foi uma decisão adequada . Apesar de não mais essencial em termos de reestruturação financeira, a rejeição de que éramos alvo no condomínio era motivo mais que suficiente para nos desfazermos dela. Posso acrescentar que Mary já não agüentava mais a cidade. Até concordo: veranear é uma coisa, morar é outra!

No dia 28 de novembro de 2013 tomamos posse do apartamento no qual moramos agora, porém subimos imediatamente para Friburgo para fazer a retirada dos pertences para permitir a ocupação pelos novos donos. Portanto, no dia 2 de dezembro de 2013 foi quando nos despedimos definitivamente da cidade de Nova Friburgo, depois de 33 anos de convívio constante.

Nunca mais voltamos... Por quê?

Em parte, porque não nos faz falta, a não ser um ou outro restaurante no qual costumávamos passar incontáveis noites entre acepipes e bebidinhas. Essa prática se restringiu ao Cônego depois da Lei Seca, que acontece raramente mas é uma loteria... Nos momentos finais, raramente íamos a Mury e quando íamos ao La Bamba à noite, a gente evitava consumir álcool...

E finalmente porque, se pensar bem, nos libertamos da “prisão” de termos de ir somente a um destino turístico: Friburgo. É puramente emocional, mas quando você já tem uma casa de serra, fica estranho pagar para ir a outra. Agora vamos com certa freqüência a Petrópolis, Campos do Jordão, Penedo e também Teresópolis.

Como derradeira justificativa, vi-me diabético da noite para o dia (novembro/2015). Frequentar uma cidade na qual o lazer é comer e beber não é exatamente o programa adequado a quem precisa manter uma alimentação controlada...

Assim sendo, já se vão hoje mais de 35 anos de minha história de vida...

Friburgo a cada dia se torna uma lembrança mais distante... 

18 de janeiro de 2016

Trabalho escravo de animais

Minha mãe não gostava do Jerry, achava que ele fazia muitas maldades com o pobre do Tom.  Com efeito o ratinho de cara simpática judiava muito do gato que, afinal, estava só cumprindo seu papel e seguindo sua natureza.

O que esperava a dona da casa que o Tom fizesse era exatamente aquilo, afugentar os ratos.

Mas vamos a explicação do porquê de ter escolhido este tema apara o post de hoje. Acabei de ler, no livro da vez,  uma passagem sobre o Palácio de Cristal, um gigantesco salão construído  para a Grande Exposição  de 1851, numa borda do Hyde Park, na época da rainha Vitória.

Importaram um par de gaviões para cuidar dos pássaros que invadiriam as galerias, daquela enorme estrutura de mais de seiscentos metros de comprimento, com área  de noventa mil metros quadrados, todo construído em ferro e vidro.

Assim é, a natureza dos animais, suas índoles, colocadas a serviço do homem.

E os jacarés que habitavam os fossos que circundavam alguns castelos medievais? Estavam ali prestando serviço, longe de seu habitat natural.

No Clube Líbano Fluminense, na sua sede campestre, eram mantidos alguns carneiros com a missão precípua de manter a grama aparada e evitar o crescimento do capim indesejável.

Lembro que na fiação que o Grupo Matarazzo mantinha em São Bernardo, no ABC paulista, havia gansos para proteger a área  contra  ação de intrusos. Os gansos, como é sabido, são excelentes guardas.

O conde tinha tanta preocupação e carinho com os tais gansos, que quando um deles apareceu morto, exigiu que fizessem uma autópsia para saber a causa da morte e, se o caso, responsabilizar a administração da planta fabril.

Claro, eu mesmo tive um cão que se impunha pelo porte avantajado e pela disposição para enfrentar perigos. Claro que tinha afeição pelo animal, davamo-nos muito bem, mas a verdade é que ele tinha uma missão: proteger minha propriedade em São José de Imbassaí.

Os burros puxam carroças, as focas fazem gracinhas em parques aquáticos e os coelhos, coitados, ajudam os mágicos.

Tudo trabalho escravo. Deixemos de hipocrisia, porque mesmo a velhinha que mantém um gato de estimação, o faz para ter uma companhia.