20 de setembro de 2019

"O senhor não pode errar"


Esta frase foi o mote utilizado pelos jornalistas de esquerda, albergados nas páginas d"O Globo", na edição de domingo passado, dia 15 de setembro.

Não creio que tivessem combinado as matérias, apenas constato como são afinados no ideal esquerdista.

Os jornalistas são Ascânio Seleme e Míriam Leitão.

A frase, com tal afirmativa, teria sido proferida por Augusto Aras, recém-indicado para a procuradoria-geral da República, no encontro deste com o presidente Jair Bolsonaro.

A livre interpretação dos jornalistas para a aludida frase, é de que a intenção de Aras - o indicado - seria alertar ao presidente que era melhor nomear logo alguém afinado com ele e suas ideias, porque se errasse não teria como corrigir a escolha.

E perderia o controle sobre a PGR, em face das garantias constitucionais conferidas ao cargo, em especial a autonomia.

Seleme acha que o então candidato a vaga na PGR, queria dizer o seguinte: se o senhor quer mandar e desmandar na procuradoria, não pode errar na escolha, portanto faça a minha indicação e terá um aliado fiel.

Toda a celeuma em torno da indicação de Augusto Aras decorre do fato de que ele não estava na lista tríplice apresentada pela própria procuradoria.

Esta alegada praxe já foi violentada outras vezes, por outros presidentes, com todo o direito eis que não há preceito constitucional que obrigue a escolha de um dos membros da tal lista.

O primeiro da lista já foi preterido em outros casos e a nomeação de outro que sequer constava da  tal lista tríplice já aconteceu.

Eu também me lixaria para a lista elaborada pelos próprios membros da procuradoria. Os nomes escolhidos obedeceriam a famosa regra do corporativismo. Seriam de candidatos comprometidos com as reivindicações da corporação, seus interesses pessoais,  e não com os deveres constitucionais.

Não conheço os nomes que constavam da malsinada lista e portanto nada tenho contra a idoneidade deles.

Mas reservo-me o direito de achar que qualquer deles estaria mais próximo dos anseios da classe de procuradores, do que  deveres constitucionais, assim como Míriam e Seleme cham  que o escolhido, Augusto Aras, será subserviente e controlado pelo executivo, no caso exercido por Bolsonaro.

19 de setembro de 2019

Parabéns ao Juiz, à PGR e à PF


Não fazia ideia da eficácia na atuação da Polícia Federal, que somada à vigilância da Procuradoria Geral da República, culminando com a ação rápida e corajosa do juiz Sergio Moro, que irmanados conseguiram abortar uma manobra escusa, que seria perpetrada às escondidas, de forma atentatória aos bons costume republicanos.

Tomei conhecimento graças a matéria assinada por Elio Gaspari, no jornal O Globo.

A guisa de censura e em tom de crítica maledicente, o jornalista relata os acontecimentos que antecederam o fim da trama engendrada por Dilma e seus asseclas para fazer de Lula ministro chefe da Casa Civil, conferindo-lhe foro privilegiado.

A narrativa, passo a passo, das ações da PF, do ministério público federal e do então juiz Sergio Moro, em mim produziram efeito contrário ao pretendido pelo parcial jornalista.

Louvo a atenção, o senso de responsabilidade e a tempestividade das ações que sepultaram a ardilosa manobra dos petistas, que tentavam salvar o molusco apedeuta da prisão.

Elio insinua procedimentos orquestrados, levados a cabo pelos órgão citados, que não estariam a salvo de uma apreciação judiciosa; mas não escreveu uma palavra, não colocou uma vírgula de censura ao golpe que seria efetivado por Dilma em benefício de Lula.

Mandar por portador confiável, um termo de posse que deveria ser mantido oculto e só revelado em caso de extrema necessidade, deve ter que rótulo?

Que tal fraude? Ou golpe? 

Estranha a visão caolha de parte (significativa) da imprensa. A obtenção, e vazamento, de conversas entre membros do MPF entre si e com Sergio Moro, mereceu manchetes; entretanto nem uma palavra sobre a ilicitude na obtenção das gravações das conversas, por meios inidôneos.

18 de setembro de 2019

Era mais que paixão, era tara


Dizer que fui apaixonado por futebol ficará longe da verdade. Era tarado. Tinha a leitura, tinha a música, tinha o cinema, mas jogar futebol e assistir a jogos de futebol era tudo de bom para mim.

Enquanto peladeiro não passei de esforçado. Tanto no futebol de campo quanto no de salão, que surgiu quando já era adolescente.

As peladas na Rua São Diogo, na Ponta D'Areia, em Niterói, terminavam por volta das 19 horas no verão.

Em geral as partidas terminavam aos 10 gols, com virada aos 5. Virar o lado de ataque era essencial por causa das enormes diferenças nas condições de jogo, posto que o "campo" era em diagonal. De uma calçada para a outra, de sorte a que pudéssemos aproveitar as árvores (pés de ficus) plantadas na beirada do meio-fio e os muros das casas, a guisa de gols.

Sim, não havia um travessão e a altura da bola, para validação como gol, era objeto de pequena discussão. A altura do goleiro determinava se era alcançável ou não.

Assistir era comigo mesmo. Fossem os jogos dominicais disputados na pequena praia (agora aterrada) defronte a rua Silva Jardim, fosse no campo do Vianense, fosse no campo do Diário Oficial (na rua Jansem de Mello).

Os campeonatos niteroiense (Fonseca, Ipiranga, Fluminense, Sepetiba, Byron, etc.) e gonçalense (Mauá, Tamoio, Carioca, Metalúrgico, etc), eram um prato cheio. Acompanhava.

E os jogos do campeonato carioca, no Caio Martins, era o suprassumo, principalmente os jogos do Vasco.

Era tão viciado que, só para exemplificar, em 1966, já casado e pai de um filho, fui ao Maracanã assistir a duas partidas das seleções brasileiras que se preparavam para a Copa.

Vicente Feola, o técnico, convocou 43 jogadores. Tínhamos 3 seleções diferentes.

No dia 8 de junho daquele ano foram realizados dois amistosos em sequência, no Maracanã. O primeiro jogo foi contra o Peru, e ganhamos por 3X1, com a escalação abaixo:

1 - Ubirajara Motta [Bangu] (1)
2 - Fidélis [Bangu] (2)
3 - Britto [Vasco] - cap (6 / 7)
5 - Fontana [Vasco] (1 / 2)
6 - Oldair [Vasco] (1 / 2)
4 - Denílson I [Fluminense] (4)
8 - Roberto Dias [São Paulo] (15 / 18)
7 - Paulo Borges [Bangu] (3)
9 - Alcindo [Grêmio] (2 / 3)
10 - Tostão [Cruzeiro] (4)
11 - Edu [Santos] (2)
Técnico (Coach): Vicente Feola (48 / 55)

O segundo jogo foi contra a Polônia e vencemos por 2X1, com o time assim constituído:

1 - Manga [Botafogo] (10 / 11)
2 - Djalma Santos [Palmeiras] - cap (95 / 107)
3 - Djalma Dias [Palmeiras] (6)
5 - Altair [Fluminense] (15)
6 - Paulo Henrique [Flamengo] (3)
4 - Dino Sani [Corinthians] (15 / 23)
8 - Lima [Santos] (8 / 9)
7 - Garrincha [Corinthians] (47 / 53)
9 - Silva I [Flamengo] (3 / 4)
10 - Pelé [Santos] (53 / 58)
11 - Paraná [São Paulo] (7 / 8)
(Jairzinho) [Botafogo] (10 / 11)
Técnico (Coach): Vicente Feola (49 / 56)


Neste mesmo domingo, uma seleção paulista, formada por jogadores não convocados para a seleção nacional, jogou e venceu a Hungria, que se preparava para a Copa, na Inglaterra.


Já na semana seguinte, em 12 de junho, entrou em campo a seleção que mais se parecia com a que seria a titular na aludida Copa. Ganhamos da antiga Checoslováquia por 2X1, com o time assim formado:

1 - Gylmar [Santos] (87 / 95)
2 - Fidélis [Bangu] (3)
3 - Britto [Vasco] (7 / 8)
5 - Fontana [Vasco] (2 / 3)
6 - Paulo Henrique [Flamengo] (4)
4 - Zito [Santos] - cap (43 / 48)
8 - Lima [Santos] (9 / 10)
7 - Jairzinho [Botafogo] (11 / 12)
9 - Alcindo [Grêmio] (3 / 4)
10 - Pelé [Santos] (54 / 59)
(Tostão) [Cruzeiro] (5)
11 - Amarildo [Milan] (20 / 22)
(Edu) [Santos] (3)
Técnico (Coach): Vicente Feola (50 / 57)


Nossa participação naquela Copa foi vexaminosa. Muitos convocados, pressões políticas (bairrismo), desorganização. Tudo errado.

Explicada, justificada e exemplificada minha paixão pelo esporte, passo a explicar minhas decepções mais recentes e que me levaram a perder o interesse e o entusiasmo.

O futebol virou (descaradamente) um negócio. Os clubes - seus nomes - viraram marcas fortes ou fracas num mercado internacional. 

Ainda não no Brasil, mas na Europa alguns clubes têm donos. Os patrocínios nas camisas descaracterizaram por completo os uniformes.

Alguns jogadores são negociados pelo valor correspondente ao PIB (produto interno bruto) de alguns países. E beijam, jurando amor, várias camisas ao longo de suas carreiras. Identidade com um clube, nem pensar. 

E, para piorar, adotaram o tal do VAR, num esporte que, ao contrário do tênis e do voleibol (onde deu certo) é interpretativo. Acabou a emoção espontânea, imediata, reflexa.

Esperar cinco minutos pela definição de um gol, é como numa relação sexual, na hora do orgasmo parar tudo para botar a camisinha.




http://rsssfbrasil.com/sel/brazil196466.htm

16 de setembro de 2019

População mundial, do Brasil e de Niterói, no futuro


A julgar pelo que se vê nas ruas a população de Niterói envelheceu. 

Cadê a juventude dourada? Deu lugar a senhoras e senhores, com acompanhantes, cuidadores, amparados em bengalas ou andadores.

Tomo como exemplo o núcleo por mim liderado (pela idade), composto de filhos, noras, netos, irmã, sobrinhas e sobrinho.

São apenas três membros com idade abaixo dos 25 anos. Os dois netos e um sobrinho neto. Acima dos cinquenta anos são 11 parentes, no mesmo restrito grupo: irmã, filhos, noras e sobrinhas e sobrinho.

Foi criada uma subcategoria de prioridade, a dos maiores de 80 anos. Estas pessoas independem de senha. Dirigem-se diretamente ao caixa no banco, por exemplo. Em alguns locais, o painel de senhas já tem a opção para maiores de 80 anos.

A Alemanha irá facilitar a contratação de profissionais estrangeiros, recrutando entre outros enfermeiros geriátricos. O envelhecimento da população já é uma preocupação eis que no ano 2050, pelas projeções, os idosos representarão 35% da população do país.

Em março de 2020 entrará em vigor naquele país europeu a "Lei de Imigração Qualificada", que vai facilitar a entrada de trabalhadores fora da União Europeia.

Voltando ao Brasil, se eu fosse empreender num negócio promissor, escolheria fabricar bengalas; e uma atividade com mercado de trabalho garantido por alguns anos é a de cuidador de idosos.

A remuneração é boa. Quem tem parente que precisa deste tipo de atendimento sabe do que estou falando. E a Alemanha, como escrito acima, também precisará de mais profissionais neste campo. Por isso a facilitação para imigração de enfermeiras geriátricas. Outros países no Velho Continente também certamente precisarão.

Pelo que li recentemente, ainda no final da segunda metade deste século voltaremos a ser, no país, 90 milhões de habitantes. Ou seja, voltaremos à população de quando fomos tricampeões mundiais de futebol em 1970.

E olha que já ultrapassamo, segundo o IBGE, a faixa dos duzentos milhões. Voltaremos a menos da metade de nossa população?

Estaremos na contramão do fenômeno mundial?

Isto em função da diminuição da taxa de natalidade, mesmo sem adoção de  política de controle. A sociedade resolveu, por si mesma, reduzir suas proles. E o envelhecimento médio da população resulta em aumento da  mortalidade. Mesmo levando em conta o aumento da longevidade.

Agora pergunto onde será, no planeta, que haverá crescimento da população, se levada em conta a previsão de que serão 10 bilhões de almas por volta de 2050?

Não escrevi "seremos" porque naquele ano, salvo engano, já terei partido desta para melhor.

14 de setembro de 2019

Estamos doentes




Por
Ana Maria Carrano





Estou ficando craque em aproveitar ideias alheias.

Fiz isso na postagem do “manager” (Quase quase)* e agora me preparo para embarcar na afirmativa do Riva (comentários no post Balanço Geral)** de que “o  Brasil está gripado.”




Está sim, na verdade está mais do que gripado.

Não adiantaram as Campanhas governamentais de vacinação. Nesta, apenas o vírus da influenza e suas várias cepas são inoculados e o que nos acomete é muito mais que isso.

Não sei por efeito das alterações climáticas, das queimadas na Amazônia, dos comentários do Presidente, mas nossa imunidade anda em baixa.

Podemos estar imunizados contra a gripe, mas isso não impede que vírus, bactérias, bacilos e uma série de micro-organismos agressivos ataquem laringes, faringes, brônquios, seios da face e quase todo corpo.

Não bastassem as invasões destes micro-organismos, somos brindados por diabetes, hipertensão, artrose, gastrite, esofagite, e por aí vai.

Num grupo de 100 pessoas, quantas encontraremos com problemas na coluna? Quantas com intolerâncias alimentares à lactose, ao glúten, à frutose e à sacarose? Quantas com enxaquecas, fibromialgias, tendinites LER?

E só abordamos até agora problemas físicos, mas nossas cabeças também não andam lá essas coisas.



Hoje em dia não temos mais filhos levados ou quietos. Uma enorme quantidade de siglas rotula nossas crianças que são diagnosticadas com TDAH, TEA, TGD, TOD.

Alguns destes transtornos foram identificados há pouco tempo e já fazem parte do nosso cotidiano.


E nós os adultos? Acreditamos em “fake news”, “fake gurus”, “fake amores”. Trocamos um abraço por um “like”.  Nos deprimimos, sofremos.

O que nos falta, ou que nos sobra?

Sem muito pensar ouso falar em excesso de informação, em excesso de estímulos e escassez de interação.

Gostaria muito de saber as opiniões dos possíveis leitores, ainda que discordantes. Tenho certeza que alguma luz pode ser jogada sobre o tema.


https://jorgecarrano.blogspot.com/2019/09/balanco-geral.html

** https://jorgecarrano.blogspot.com/2019/09/balanco-geral.html

13 de setembro de 2019

20 de novembro de 2009


Foi nesta data que publiquei meu primeiro post, neste espaço virtual.

Quando decidi me expor publicando na internet informações a meu respeito e de minha família, tinha como propósito perpetuar informações que se na época soavam irrelevantes poderiam ser úteis no futuro.

Explico melhor. Mais pelos filhos do que por mim mesmo, resolvi pleitear cidadania italiana. Foram tantas as dificuldades para fazer as ligações, via certidões de casamento, nascimento e óbito, que nadamos e morremos na praia. 

Por incrível que pareça, certidão de nascimento de meu bisavô, foi obtida pela via postal, sem custo, na comuna de Tramutola, em Potenza, capital da Basilicata.

Já documentos gerados no Brasil, como por exemplo certidão de casamento de meu avô, nada feito.

Meu avô aportou no Brasil, em companhia de seu pai - aquele bisavô nascido em Tramutola - ainda menino. Cresceu, casou e .... onde e quando casou?

Bem, este é só um pequeno exemplo das dificuldades para comprovar os vínculos familiares. Na memória, quem poderia ter retido alguma coisa já falecera. 

Para complicar apareceram divergências de nomes. Algumas fáceis de explicar e justificar, como por exemplo quem nasceu em Tramutola com o nome de Carlo Michele, aqui no Brasil a horas tantas virou Carlos Miguel.

Neste meio tempo apareceu um parente distante, de outro ramo Carrano, com um ancestral comum. Tem até um livro publicado.

Ajudou alguma coisa, mas não solucionou todas as pendências.

Então indo ao ponto, minha ideia era documentar quem nasceu onde, filho de quem, o que fez na vida, etc. , para termos o registro da família.

Para não ficar um troço chato, de interesse relativo apenas da família, decidi que intercalaria as postagens com atualidades.

O primeiro post publicado foi de atualidades. Um dos assuntos que dominavam as mídias, na época, era um italiano de nome Cesare Battisti, que tinha seu processo de extradição em julgamento no STF.

Lula livrou a cara dele, mas finalmente ao cabo de nove anos ele foi enviado para seu país de origem, para pagar por seus crimes.

Com o passar do tempo o blog alargou os limites aos quais eu o condenei e passou a publicar até mesmo matérias diversificadas escritas por parentes e amigos, que enriqueceram sobremaneira o  espaço.

Se eu decidir parar por aqui, o titulo desta postagem mudará para: nascimento e morte de uma ideia.

Nota:
Abordei este tema em 2015. Ver link abaixo:

11 de setembro de 2019

Existe filho dileto?



É possível amar mais a um filho do que ao outro?

Diria que não. Mas aceito controvérsias. Eu trato os meus de maneira desigual, porque eles não são iguais. 

Salvo engano esta é a maneira correta de lidar com diferenças. Meus filhos não são cão e gato, portanto a comparação a seguir é meramente retórica.







Se você tem um cão fiel e companheiro e um gato de estimação, qual deles é o seu preferido? Não tenho experiência pessoal neste campo, mas imagino que você estima igualmente os dois, mas os trata de maneira distinta, obedecendo a índole, o temperamento, a vocação e as individualidades de cada um deles. 

O osso é para o cão, o leite no pires é para o gato.

Num jardim a céu aberto, descampado, se você planta espécies aleatoriamente, algumas ficarão ressentidas com o sol a pino, já outras estarão plenamente adaptadas a luz e ao calor.

O regime de regas deve ser diferente para cada uma das plantas; umas exigem mais água, já outras o excesso de água as prejudica.

Filósofos e ideólogos teorizam pregando tratamento diferente para desiguais: "não se deve tratar igualmente desiguais", não é assim?








Um de meus filhos aprecia a floresta  como um todo. Observa o conjunto. Já o outro não se compraz em observar, do alto, as nuances de cores, o porte de cada uma das árvores. Ele quer  saber as razões, examinar as raízes, saber o porque da seiva, a explicação para que umas gerem flores e frutos e outras não.

Um fica gratificado com o resultado; o outro se preocupa com os meios de obtê-lo.

Um é mais expansivo, irreverente; o outro é mais comedido, mais conservador.

Um tem mais caracteres genéticos do pai, o outra da mãe. 

Seus valores são diferentes, seus talentos, suas vocações, suas ambições são absolutamente distintas, como posso trata-los igualmente?

O afeto, o amor, pode ser distribuído igualmente, mas as formas de expressa-lo são diferentes.

NOTA:
Depois de publicado o post, recebi, por e-mail, a oportuna contribuição abaixo. Certamente extraído do Facebook, sem indicação de autoria.



9 de setembro de 2019

Preocupação da amantíssima esposa


Caminhávamos no calçadão, no último sábado, quando fomos abordados por um homem. Não se tratava de um pedinte ou alguém que, a julgar pelo aspecto, representasse algum risco.

Admito, envergonhado por minha falta de memória visual, que não identifiquei de quem se tratava, embora as feições me parecessem, como se dizia antigamente, familiares.

A pessoa, e antecipo de quem se trata pois a ideia aqui não é fazer mistério, era o Paulo Bouhid.

A justificar meu lapso de memória, devo esclarecer que se trata de um amigo virtual, mais ou menos recente, e não alguém que conheço há anos (mais de sessenta), como Carlos Lopes, por exemplo.

Meus encontros, nos últimos anos, com o Carlinhos são bissextos e nossas fisionomias mudaram muito por conta do envelhecimento, mas ainda assim ao nos reencontrarmos a identificação foi imediata.

Voltando ao Paulo, ele se identificou o que me ajudou a reconhece-lo. Acho que foi o nosso terceiro encontro presencial.

Comentou desde logo, às 09:30 hs. que leu o post publicado naquele sábado, como faz, acrescentou, diariamente, embora sem participação em comentários ultimamente.

Contou um episódio ocorrido num show do Paul Anka, quando a compositor de "My Way" fez uma blague explicando porque compôs para Sinatra.

Bem, nos despedimos e no percurso até nossa casa, minha mulher, que nunca estivera com o Paulo, perguntou de quem se tratava. Expliquei que era alguém culto e inteligente que certa feita surgiu no blog com uma indagação e acabou por permanecer, como direi, fiel seguidor, por algum tempo. Depois escafedeu-se a francesa.

Wanda fez então a seguinte observação: se tem gente que lê seu blog, você não acha arriscado falar mal do Bolsonaro? Não é perigoso?

7 de setembro de 2019

Balanço Geral




Por
Ana Maria Carrano





O administrador do blog, apesar de ter começado sua postagem de 06 de setembro, falando generalidades, acabou descambando para uma retrospectiva de sua vida.

Gostei da ideia, afinal estamos quase no final deste ano da Graça de 2019 e essa época é propícia a balanços comerciais, retrospectivas jornalísticas  e reflexões sobre o ano em curso.

Na velhice o sentido é mais lato, pois a análise abrange toda uma vida.

Onde foi que eu errei... ou acertei?

Aproveitando o roteiro do “brother”, poderia me definir como Cristã; contra pena de morte, mas a favor de trabalho obrigatório para presidiários; contra corrupção seja lá qual for o viés político; tolerante a burrice, mas com aversão a falta de caráter; convicta que o Amor é a única solução para a Humanidade.

Torço pelo Fluminense, pela Mangueira e para dar praia no domingo, mas superficialmente, pois nenhum desses quereres tem importância na minha vida.

Acho que até aqui não afastei ninguém que possa fazer diferença na minha jornada, o que, aliás, é um dos meus objetivos.

Gostaria de passar esta existência sem deixar mágoas, ressentimentos ou quaisquer sentimentos negativos. Trabalho para isso com afinco, embora isso não signifique ter que me calar quando a discordância ou antagonismo possa trazer prejuízo a mim ou a pessoas que amo.

Não sei se poderia dizer que estou contente comigo, mas, em minha defesa devo dizer que estou melhorando. Na juventude errei mais do que acertei e fui equilibrando este placar conforme amadurecia.

Não tenho e nunca tive ambições de ser um “pinheiro no alto da colina”, mas me esforcei para ser uma excelente “relva no vale”.

Hoje, olhando para trás, sinto que as coisas poderiam ter se desenrolado diferente, mas não seria de certo a minha vida.

Na verdade eu nem precisava ter ocupado esse espaço com essas considerações subjetivas e totalmente sem importância, bastaria copiar e colar a letra de “ My way”, música celebrizada por Frank Sinatra, mas que na verdade é uma canção francesa de autoria de Claude Françoise com título original de “Comme d’habitude”

Eis portanto o que posso afirmar nesta retrospectiva. Seja lá como vivi, eu o fiz do meu jeito.


My Way
Frank Sinatra

My Way
And now, the end is near
And so I face the final curtain
My friend, I'll say it clear
I'll state my case, of which I'm certain
I've lived a life that's full
I've traveled each and ev'ry highway
And more, much more than this
I did it my way

Regrets, I've had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exemption
I planned each charted course
Each careful step along the byway
And more, much more than this
I did it my way

Yes, there were times, I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all, when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all and I stood tall
And did it my way

I've loved, I've laughed and cried
I've had my fill, my share of losing
And now, as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way
Oh no, oh no not me
I did it my way

For what is a man, what has he got?
If not himself, then he has naught
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels
The record shows, I took the blows
And did it my way!
Yes, it was my way

Meu Jeito
E agora o fim está próximo
E portanto encaro o desafio final
Meu amigo, direi claramente
Irei expor o meu caso do qual estou certo
Eu tenho vivido uma vida completa
Viajei por cada e todas as rodovias
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz do meu jeito

Arrependimentos, eu tive alguns
Mas aí, novamente, pouquíssimos para mencionar
Eu fiz o que eu devia ter feito
E passei por tudo consciente, sem exceção
Eu planejei cada caminho do mapa
Cada passo, cuidadosamente, no correr do atalho
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz do meu jeito

Sim, em certos momentos, tenho certeza que você sabia
Que eu mordia mais do que eu podia mastigar
Todavia fora tudo apenas quando restavam dúvidas
Eu engolia e cuspia fora
Eu enfrentei a tudo e de pé firme continuei
E fiz tudo do meu jeito

Eu já amei, ri e chorei
Cometi minhas falhas, tive a minha parte nas derrotas
E agora, conforme as lágrimas secam
Eu acho tudo tão divertido
E pensar que eu fiz tudo isto
E devo dizer, sem muita timidez
Ah não, ah não, não eu
Eu fiz tudo do meu jeito

E para que serve um homem, o que ele possui?
Senão ele mesmo, então ele não tem nada
Para dizer as coisas que ele sente de verdade
E não as palavras de alguém de joelhos
Os registros mostram, eu recebi as pancadas
E fiz tudo do meu jeito

Sim, foi do meu jeito


6 de setembro de 2019

Quase, quase


A rua Bulhões de Carvalho, em Copacabana, é um caso típico de quase, quase. Ou por pouco.

Houve um tempo em que brincávamos de que se tratava de um erro de imprensa. O linotipista foi pudico.

O ano de 2019 está quase acabando. O que aconteceu, tirante as tragédias? Não, não estou pensando na posse do Bolsonaro. Estava pensando nos incêndios no Museu Nacional, na Catedral de Notre Dame e na Amazônia.

Não se mede desastres desta natureza, os três são de grandes proporções.

Voltando ao quase, este blog está prestes a completar 10 anos. Aproximou velhas  amizades, mas afastou também antigas camaradagens e parcerias. A política e a religião, e em menor medida o futebol, criaram barreiras e destruíram pontes.

Não convenci ninguém e também não fui influenciado por quem quer que seja. Minhas posições estão solidificadas porque são frutos de uma vivência diversificada - diria também rica - de observação do comportamento humano, de leituras seletivas, de tentativas e erros.

A síntese, apertada, seria: sem religião, a favor da pena de morte, contra as esquerdas, aversão à burrice. Devoto de São Jorge e torcedor do Vasco.

Pois não é que com duas linhas de posicionamento  consegui afastar pessoas pelas quais nutria muita simpatia?

Também estou quase com 80 anos de idade. Fico matutando se a esta altura de minha vida certas coisas ainda fazem diferença. 

Aceitação e reconhecimento, que estariam quase no topo da pirâmide dos fatores motivacionais aos quais se referem Abraham Maslow, Douglas McGregor ou Frederick Herzberg, ainda têm peso nas minhas fontes de ambição?

Maslow

McGregor
Herzberg










Estou estacionado na autorrealização. Se considerada a hierarquia das necessidades a que alude Maslow.



And last but not least, chego ao final desta postagem sem dizer coisa alguma que me coloque  no Panteão dos grandes pensadores, filósofos, cientistas sociais ou sociólogos.

Mas estou contente comigo mesmo. Contentar-se com pouco exige sabedoria. O desajuste é fruto do abismo entre o nível de ambição e o de realidade.

Como lamentar se eu me limitei?

5 de setembro de 2019

Bons relatos


Temos aqui neste espaço virtual um seguidor - poderíamos considera-lo com tal?  Não sei! - que de um tempo a esta parte vem fazendo intervenções a guisa de comentários, sempre falando do "Rio antigo", personagens, fatos e costumes.

Talvez você identifique alguém, algum lugar ou ainda, quem sabe?, se identifique nestas histórias homeopaticamente contadas pelo LORD GIN.

Tendo tempo e curiosidade, acesse os links e leia. Se tiver algo a dizer, comente. Basta clicar.



3 de setembro de 2019

Brexit, Hezbollah, Hong Kong



No Reino Unido, o Brexit levou manifestantes - contra e a favor - às ruas.



Em Hong Kong, medidas chinesas levaram manifestantes às ruas. Aqui os conflitos são entre a Policia e a população insatisfeita.



No Líbano, o Hezbollah ataca Israel, que por sua vez revida. Foguetes e bombas para lá e para cá.



A Venezuela vive uma crise séria. A Argentina tem uma recaída econômica. 

O mundo todo condena a política ambiental do Brasil. E enquanto isso, a cada amanhã, o Bolsonaro, como a Ofélia, casada com o Fernandinho,  personagem clássica do humor, que só abria a boca para dizer besteira, nos brinda com pérolas dignas de Dilma Rousseff.

Pior porque despreza o a liturgia do cargo. E pensa que é engraçado.

Como se dizia outrora, não dá pra ser feliz.

Não, minto, talvez não seja pior a falta de compostura do capitão. Uma anomalia chamada VAR, introduzida no futebol, passou a decidir as partidas.

Não faz mais sentido assistir a um jogo para ver um belo drible, uma bola bem enfiada pelo meia armador, uma arrancada mortal do centroavante ou uma defesa milagrosa do goleiro, porque nada disso valerá se ao fim a ao cabo o VAR anular a jogada sob imputação de uma anormalidade que ninguém viu, como sempre foi. E era bom ver. Era apaixonante.

Fora VAR!!! Bem, ao Bolsonaro darei mais algum tempo para se corrigir, caso contrário: FORA!!!

29 de agosto de 2019

Custa-me admitir


Mas o fato é que foi justa a classificação do Flamengo. Adotou, pela visão de um mero telespectador, sem acesso a informações privilegiadas, uma estratégia bem interessante.

Já o Internacional não tinha uma estratégia. Se teve e não percebi, foi equivocada. 

O Flamengo, a meu ver, entrou com o propósito de marcar, pelo menos, um gol, e com isso aumentar o problema do Internacional, que já não era pequeno, tendo em vista a desigualdade entre os elencos.

Atribuo ao técnico do colorado a responsabilidade pela absoluta falta de chance de vencer de eliminar o rubro-negro carioca, no tempo regulamentar ou na cobrança de tiros livres da marca do pênalti. Não na forma com que seu time jogou. Jogou?

Escalou mal sua equipe, haja vista que colocou o Sobis, ex-jogador em atividade, peça absolutamente nula para jogar uma partida em que precisava de pelo menos dois gols.

E fez pior; numa decisão bizarra, indefensável, fez a substituição aos 4 minutos do segundo tempo. A equipe já deveria ter retornado, para a segunda etapa, com a substituição do supramencionado Rafael Sóbis.

O que o Odair Hellmann esperava que acontecesse naqueles 4 minutos? Tempo precioso para quem precisava fazer dois gols, no mínimo, sem tomar nenhum.

O fato é que feitas as substituições seu time melhorou, e não fosse a afobação e desorganização com que se lançou ao ataque, poderia, estou dizendo poderia, ter obtido um melhor resultado.

Sabem que defendo a tese de que burrice deveria doer.

28 de agosto de 2019

Você é idiota ou o quê ?


Por certo corro o risco de ser taxado de idiota. Afinal votei no capitão e agora critico. E não poderia, pois tenho culpa em cartório.

Acontece que sigo a lógica de que quanto menos ruim melhor. Ou do ditado popular hoje em desuso de que "o ótimo é inimigo do bom". Ou ainda, e finalmente, da opção menos gravosa.

Passei por situação semelhante quando batia panela e soprava apito em favor do impeachment de Dilma. Algumas pessoas me afrontavam: você quer o Temer no poder? É ele que assume!

Sim, eu achava que o Temer seria abominável, só que  com prazo de validade definido. Seu mandato seria, como foi, curto.

De igual sorte, à falta de alguém mais qualificado, achei que Bolsonaro poderia ganhar do PT et caterva, como ganhou. Você dirá: mas ele não terá um mandato curto. 

Volto aos ditados populares, sábios, e lembro que se você der bastante corda a um tolo ele de enforca. 

Estou juntando fichas para apostar no Doria. O capitão está esgotando seu cacife eleitoral como um perdulário, como um pródigo a merecer um processo de interdição (a se perpetrar nas urnas).

Bolsonaro passou 28 anos no Congresso sem protagonismo. E vai passar algum tempo, talvez 4 anos, na presidência, sem sequer um Oscar de coadjuvante.

Trata-se de canastrão não consegue representar o papel dele mesmo.  

26 de agosto de 2019

Dúvida e certeza, segundo ato


Se você está pensando "lá vem esse chato - de novo - falar de fé, religião, Deus e o Diabo na terra do sol (Glauber?)", está com o pressentimento certo. Se não agrada vire a página, siga navegando.

Muita agente, fora do meio familiar, acha que me chamo Jorge em homenagem ao santo guerreiro.

Ledo engano. Mas tem fundamento este engano. Afinal nasci em 21 de abril e a data comemorativa do santo é o dia 23.

E minha fé neste santo, ou entidade (Ogum), só reforça este pensamento.

Mas a história é mais comum ... e romântica.

Minha mãe, aos 11 ou 12 anos de idade circunstancialmente virou babá do primeiro filho de sua irmã mais velha. O nome deste sobrinho era Jorge.

Como ela - criança - na década de 30 do século passado,  acabou se achando mãezinha do menino, colocou na cabeça que se tivesse filho homem iria se chamar Jorge,


Então chamam-me Jorge (e não Trinity), por causa de meu primo mais velho, filho de minha tia mais velha.

Isto posto, é bem de ver que se minha mãe consumou o que planejara, contou com a aprovação irrestrita de meu pai - no caso por razões de crença religiosa - porque, sendo umbandista, tinha muita fé em Ogum, que no sincretismo corresponde ao santo que abateu o dragão (que simboliza a tirania).

Vai daí que desde tenra idade ouvi minha mãe recomendar "São Jorge te acompanhe e guarde", sempre que ia para a escola, ia ao armazém da esquina fazer uma compra, ou ia ao cinema Rio Branco, perto de casa.

Aos 13 anos, quando mudamos para um apartamento e passei a ter meu próprio quarto, ganhei dela uma imagem, em gesso, que tenho até hoje, agora no escritório sobre  a estante de livros jurídicos, velando por mim.

Seria um idiota se não confiasse em minha mãe, porque ninguém no mundo quer mais ao filho do que sua mãe. Se ela pedia e confiava que eu estaria protegido pelo santo, não seria eu a duvidar da intuição, fé e desejo dela.

Esta é a origem da escolha do meu nome e a explicação - irracional? -  de minha fé.

Para quem saiu ileso e imune de situações de risco, até de morte, esta fé/proteção ajuda a explicar o que muita gente chamaria de sorte.

Piadistas dirão que só quem morre de véspera é o peru de Natal. Posso até achar graça no chiste, mas compadecido  de sua ignorância, mesmo sendo um autodenominado filósofo.