30 de setembro de 2015

Continuo não acreditando


Continuo não acreditando que o Vasco escapará de disputar a série “B” do próximo campeonato brasileiro de futebol.

Se os próximos 10 jogos restantes, até o final da competição, fossem contra o Flamengo, aí sim estaria confiante. Mais do que isso, seguro.

Estaria até mesmo marcando um churrasco para o qual convidaria vascaínos, inclusive o Paulo Bouhid, revisor ad hoc, que abdicou de seu fee em nome da causa nobre, que é o culto à língua portuguesa.

Gente, como a camisa do "Gigante da Colina" ainda assusta a mulambada. O Eurico precisa providenciar calendário, chaveirinho e outros brindes para presentear o melhor freguês do Vasco, no final do ano.

Mas como não enfrentaremos mais, este ano, o time da urubuzada, do bonde sem freio, nós do "trem bala da colina" teremos que sofrer muito durante as 10 partidas faltantes, contra adversários mais duros do que o rubro-negro, tais como Avaí e Chapecoense.


Falando sério, olhando a tabela que o Vasco ainda tem pela frente, fico desanimado. Precisaremos de, no mínimo, 6 vitórias nas 10 partidas restantes. É uma empreitada tão heroica quando os 12 trabalhos de Hércules (seria ótimo se tivesse ainda 12 a executar).

É uma tarefa para o "Expresso da Vitória" de saudosa memória.


Barbosa, Danilo, Ademir ...  por isso me tornei vascaíno

29 de setembro de 2015

Apertada síntese da evolução do homem

Tal e qual meus filhos na praia, com seus baldinhos e forminhas construíam, com areia molhada, seus bichinhos, também Deus, num dia de tédio, com o mundo já construído, resolveu criar bonecos sem inteligência.

Fê-los em barro e não de areia. Supostamente mais resistentes.

Sem referências, nenhuma experiência de vida, Eva foi presa fácil para a ardilosa serpente, que já habitava aquela imensidão, a que seu criador chamava de Paraíso,  e conhecia seu mistérios, lendas e verdades.

Eva, ao que consta, era fruto da mutilação de Adão, o primeiro a ser construído do pó pelo dono do pedaço, antes do pensador de Rodin,  e antes do David, de Michelangelo.

Com uma costela a menos, o que não era embaraço algum, Adão só observava os passos de Eva, sobretudo seu caminhar meio malemolente.  Não se dava conta do que tinha de menos e nem do que tinha a mais. Aquele apêndice  dianteiro por exemplo.

A cobra, para se divertir, comentou com Eva que aquele fruto, cujo nome não declinou,  era muito saboroso. Era um desperdício não poder ser saboreado como o Gestor do espaço havia determinado.

Você já comeu mas não alia o nome a pessoa. Nome fantasia.
Cabe explicar que esta história, para muitos verídica, embora contrariada por teses acadêmicas, ocorreu no tempo em que os bichos falavam.

Além do sapo, que era um príncipe, e além do macaco e do papagaio das piadas mais picantes de minha infância, parece que houve época em que outros bichos falavam.

Inclusive o elefante e a formiguinha. Lembram? "Obrigado uma ova, e na, enfim, lá, não vai nada?"

O fato é que com toda a malícia,  a serpente, com uma campanha de  marketing bem realizada, de deixar os Olivettos e  Nizans mortos de inveja, conseguiu convencer Eva.

E deu-se a primeira mordida na maçã. A aceitação, claro, foi imediata, pois realmente se trata de fruta saborosa;  neste particular a serpente não mentiu. É como propaganda dos produtos da Nestlé, que não mentem, realmente são gostosos e nutritivos. 

Muito injuriado por haver sido contrariado, Deus (o Síndico) mostrou-se intolerante  e expulsou Adão e sua inocente companheira curvilínea – Eva – daquele SPA cinco estrelas, chamado de Jardim do Eden.

E numa só cajadada, criou o trabalho, mas não os direitos trabalhistas que, aqui no Brasil, só foram estabelecidos por Vargas na década de 1940.

Adão passou a ter que trabalhar para ganhar seu sustento. Mas, incentivado por Eva, se empanturrou de maçã até a morte, 930 anos depois.

Além de comer maçãs, et pour cause, Adão fez filhos e filhas em Eva, que numa relação promíscua deram origem ao bicho homem.

Nota do editor: se é para despertar a ira de feministas e dos beatos em geral, é preciso assumir os riscos. Razão de ser deste e do post anterior: http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2015/09/mulher-sob-encomenda.html

27 de setembro de 2015

Mulher sob encomenda

Como o senhor quer a mulher? Já tem alguma coisa em vista ou prefere dar uma olhada no catálogo das mais procuradas?  Ah! E temos promoções de alguns modelos.

Seriam pontas de estoque?

Não, nós não temos estoque porque configuraria crime de exploração do sexo. Por isso não trabalhamos com prêt-à-porter, só com encomendas. Assim fica caracterizado que a mulher é para consumo próprio e por isso, como a maconha, fica descriminalizado.

Então porque a promoção?

Porque são modelos mais fáceis de fabricar, com acabamento menos sofisticado, como por exemplo perucas de cabelos artificiais, próteses de silicone industrial, estas coisas...

Não, não me interessa. Quero coisa mais fina, bem acabada, para levar para uma viagem a Paris. Vou passar lá quatro dias e preciso de uma mulher que atraia os olhares e me propicie o prazer que mereço depois de três anos sem férias.

Muito bem. Loura ou morena?

Tem diferença de preço?

Não, não, é só por causa da escolha do megahair. Ou o doutor prefere cabelos curtos?

Certo! Prefiro morena.

Busto? Tamanho standard ou algo turbinado? Aqui no mostruário o senhor escolhe o tamanho e o formato.

Este aqui, em formato de pera, com bicos voltados levemente para cima e para os lados, o da esquerda para a esquerda e o da direita para a direita.

Boa escolha doutor. Estes parecerão naturais, o cirurgião fará uma obra prima. E as pernas, como deseja? Longas? Coxas grossas?

As pernas eu preferiria que fossem como a da Cyd Charisse.

Cyd Charisse
O modelo de pernas da atriz e dançarina Cyd Charisse está fora de catálogo, hoje em dia é difícil reproduzir, sabe como é não? Muita malhação, músculos definidos, fica difícil tornear.

Bem, a esta altura devo explicar que estamos numa loja que produz e vende mulher sob encomenda. Com uma esquipe de esteticistas, cirurgiões plásticos, massagistas, fisioterapeutas e outros profissionais especialiazados, eles produzem a mulher de seus sonhos.

Utilizam produtos de primeira, muitos importados: silicone, botox, cílios, unhas, lentes de contato, cabelos, dentes para implantes, enfim, tudo que seja necessário para pegar uma mulher comum, destas que passam despercebidas e transforma-la na “sua” mulher preferida.

No caso que estava contando, o freguês tinha preferência especial por bumbum grande e volumoso. Ou seja, ele queria ancas largas e proeminência na traseira. O gerente da casa ponderou:

Olha doutor, gosto é gosto, e esse tipo de bunda tem muita saída mesmo, mas em compensação dá muita manutenção.

Como assim manutenção?

São os problemas de lordose, algumas ficam até travadas e é necessários leva-las ao ortopedista que certamente irá prescrever fisioterapia. Aí pode levar tempo até ficar em condições. Sem contar as piadinhas que o doutor ouvirá quando desfilar com ela. Motoristas de taxis e pedreiros nas obras irão assobiar e fazer piadas, algumas de muito mau gosto.

Tem razão, é que como advogado aprendi que “quod abundat non nocet”.

Mas este abundat aí não é relativo as nádegas, é?


Jennifer Lopez
Está bem, algo como a Jennifer Lopez atenderá bem meu projeto.

E abdômen? Sarado? Um pouquinho de celulite nas laterias das coxas?

Nem pensar em celulite, não preciso de código de barras, isso é para deficiente visual.

Vou chamar o desenhista e ele fará o retrato falado para confirmar se é isso mesmo que o senhor pretende porque não aceitamos devoluções. Muito dificilmente alguém terá o mesmo gosto seu. Nem mesmo as mulheres, que têm gostos excêntricos e que também passaram a gostar de outra mulher, mas mais recentemente, aceitam mulher devolvida. Ficaria encalhada e teria que ser submetida a desmanche. 

Como assim? Mulher gosta de mulher desde o tempo em que habitávamos as árvores. E como desmanche?

Bem, retiramos, para reaproveitamento, quando em bom estado, os cílios, as lentes de contato, as unhas, os cabelos, e até o silicones usados na mamoplastia e na bioplastia de bumbum, se o caso. E quanto ao gostar é num sentido menos bíblico (o gerente tem pouca cultura, digo eu, narrador).

Quando vocês me entregam e como posso pagar?

Quando o doutor viaja?

No próximo mês.

Bem, o seu modelo não levará  muito tempo, a matéria prima é fácil de encontrar, talvez uns poucos dias de dieta e ginástica localizada, o resto temos em estoque.

O que é a matéria prima?

Uma baranga que queira ser produzida, ficar atraente, e ainda ganhar um troco. Ah! Como disse não aceitamos devolução, se não gostar ou enjoar, vá para o justiça e peça a dissolução da união.

OK. Em seis vezes no cartão pode ser? 

Nota do editor: ocorreu-me escrever esta bobagem quando li uma matéria sobre as misses venezuelanas. Fiquei sabendo que eles praticamente fabricam as candidatas ao "miss universo", que já ganharam várias vezes.
Operam os olhos (modelo amêndoa), modelam o corpo (quadris e busto harmonizados), trabalham as pernas, tratam os cabelos, etc.
São meninas mais ou menos comuns que submetidas a tratamento acabam por ficar com as medidas dentro dos padrões dos concursos. Nem juma polegada a mais ou a menos.
Misturei tudo com o porte e cultivo da maconha para uso próprio, com o uso abusivo e exagerado (por vezes desnecessário) do silicone e do botox e da fugaz relação entre os casais. O verbo é ficar.

26 de setembro de 2015

RESTINGA - Praia de Icaraí

São passados dois anos desde que comentei as então recentes iniciativas de criar áreas de restinga na praia de Icaraí.
O post está em

No último final de semana pude fotografar a situação das áreas demarcadas e o que constatei é que tirante uma ou duas garrafinhas pet e saco plástico em meio a vegetação, as cercas não foram danificadas e as  mudas plantadas estão evoluindo, embora lentamente.





No geral nada tenho a questionar, apenas lamentar que algumas espécies típicas não tenham sido plantadas. Por exemplo os cactus.


Acho que teria sido interessante plantar, também, mudas de pitangueiras,  que se dão bem com solo arenoso, próximo de praias, cujas frutinhas (pitangas) atraem pássaros que por sua  vez acabariam por contribuir no desenvolvimento do ecossistema.


Além do que são decorativas. E sabem bem ao paladar, se não de todos, pelo menos de alguns, como eu.

Hoje e amanhã, nas caminhadas matinais, vou observar melhor para verificar que espécies mais poderiam ter sido plantadas, segundo minha memória da praia de Itaipuaçu, que frequentei enquanto era apenas ocupada por alguns pescadores.

Outras áreas de restinga natural (geração espontânea), em praias diversas. Notem a presença do cactus.

Arraial do Cabo 

Maricá
Geriba

Santa Cruz de Cabrália





Nota: as três primeiras fotos (restinga em Icarai), são do blogueiro; as demais foram obtidas via Google

24 de setembro de 2015

Nem música, nem comida



Por
João Danillo

Bom, vivemos hoje em uma sociedade em que educação e saúde não são coisas primordiais.  Mas o que fazermos para mudar isso? 

Bastamos nós adolescentes e adultos, começarmos a dar valor a isso, pois a única forma de evoluir nosso país é com o estudo. Mas como evoluir em um país onde os estudos não são valorizados? 

Como fazer uma boa faculdade e ser um bom médico, arquiteto, engenheiro, entre outras profissões? Basta você ser rico e pagar a faculdade, ou a escola, que já irá sair formado, e com poder de exercer a profissão sem saber absolutamente nada!

Vemos no ensino de hoje em dia, que o aluno precisa tirar 5,0 (média bimestral) e não precisa mais se preocupar com o resto, pois se essa nota for às mesmas nos quatro bimestres, já estará passado de ano! Os professores falam pros alunos tirarem à média e ficar só naquilo, sem dar um incentivo, deveriam motivar a tirar notas maiores e ter o prazer de estudar.

Os adolescentes agora só querem saber de ficar na boa, no celular, computador, tablet, etc, ficar o dia todo no tal do “Whatsapp”, “Facebook”, e “Instagran”, etc. Não estão nem aí pro estudo, que seria necessário para o sucesso deles, só com o estudo é que terão um futuro garantido.

Nas salas de aulas os alunos ficam deitados, jogados, sobre a mesa, no celular, em plena aula *_*, como eles pensam que será a vida deles dali pra frente? Acham que vai ser fácil?

Nada disso! Terão de batalhar muito se ficar nessa vida de não fazer nada, a escola da à matéria, e em casa estudamos. Aprendemos a metade da metade do que é necessária, minha mãe diz isso todos os dias. Professores não querem saber de nada, ao invés de dar aula preferem passar um filme que não tem nada haver com a matéria, preferem deixar de ensinar pra ter o prazer de não fazer nada, pois estão marcando isso como se fosse matéria dada. 

Só tenho um professor que dá esse incentivo e apoio moral aos alunos, que é o Samuel, melhor professor de história que existe nesse mundo, único professor que todo mundo aprende e nem precisa estudar, ele faz com que a gente pense sobre tudo, fora que ele é um ótimo amigo nosso. Ele quer que a gente mude o país. 

Como qualquer pai ou professor bom, ele cobra da gente o estudo. A mesma aula que ele dá na faculdade, em escola particular, e cursinho ele dá pra gente no colégio público, ele ensina muito bem, agradeço por suas aulas, pois jamais será esquecido por mim e por mais alguns alunos.

Agora, imagina se todos fossem como ele? A melhor coisa do mundo seria ir pra escola, e ter aulas com professores bons, pois os de hoje não querem nada com nada, como já tinha dito...

E o que mais precisamos hoje em dia é a educação, sem ela não seremos nada, deveríamos de reivindicar uma educação melhor para as crianças e adolescentes, mas nossa “presidenta” não está nem aí pra isso, pra ela o Brasil está ótimo. Basta ler os discursos dela.

A educação está muito ruim, vemos crianças de 8 anos fazendo música de funk com letras obscenas, e mal educadas, sem um pingo de educação. E fazendo com que adolescentes escutem isso e virem funkeiros, sem saber nada, nem sabem o porquê q vão à escola, tirando notas abaixo de 5,0 e se achando os melhores do mundo, e, além disso, tem o tal do “Iphone” celular que custa entre R$: 1.500,00 a 5.000,00 e ostentam com isso, como se fosse os maiorais do universo, e pra constar, eles só querem cantar essas músicas dentro de sala, sem menor respeito ao professor, e querem provar que são melhores que todo mundo e ninguém podem criticá-los.


E o futuro deles? Bom, a maioria não terá o que fazer então vai roubar sequestrar, matar, tudo por dinheiro pra comprar drogas, e ficarem “noiados” por algum tempo e ficarem mais agressivos...  Essas pessoas deveriam parar e pensar um pouco na vida delas, o que elas querem para o futuro dos filhos delas, ou netos, ou até pra elas mesmas...

Devemos ter uma boa conduta na escola, estudarmos, e aprender um pouco sobre a vida também, os professores querem se livrar dos alunos, os alunos dos professores...  É a vida, como que será a educação daqui pra frente? Vai melhorar piorar, ou continuar a mesma coisa?

Porque um jogador de futebol ganha milhões enquanto o professor ganha no máximo R$ 2.000,00?  Ai que é a grande diferença: dão mais valor aos jogadores de futebol do que a um professor que se mata pra ensinar, e tem uma resposta não muito boa dos alunos. Eu acho que um professor deveria ter mais respeito e merece honra ao mérito.

Tenho 15 anos e já vejo a educação como uma coisa que não cresce no nosso país, minha mãe e tia me ajudam muito, dão maior apoio e motivo, agradeço a elas. E essa é a minha opinião.  Quero que meus filhos e netos tenham uma bom ensino,  mas como deixaremos isso para eles sendo que nossa educação não anda bem?

OBS: estudo em uma escola técnica que é a 5º do estado, RJ,  é modelo na região serrana, e estou botando características do que presencio. Esse semestre só teve uma aula de Sociologia e quatro de Português, por falta de professores. E também por fazerem atividades extras no horário da aula.

Como podemos mudar esse nosso país? Com apenas uma palavra: ESTUDANDO.

É esse o futuro do país que você quer para seus filhos? E pra você?


Nota do editor: o João Danillo é filho da Alessandra, autora do post de ontem.

23 de setembro de 2015

Educação: Diferentes Visões



Por
Alessandra Tappes






A emoção tomou conta de mim. Meu coração quase pulou peito a fora. Estar ali naquele momento, em meio aquelas crianças me fez tremer toda por dentro. Juro! Sabe quando você consegue realizar um velho sonho? É muito mais que ganhar num desses concursos milionários da CEF ou tirar uma casa na sorte...

Estar ali sentindo o fervor do futuro da nossa nação em formação... ah isso realmente não tem preço. E sabe o que fica mais impagável ainda? É vc saber que vai poder contribuir (ou não) para que isso ocorra.

Há quase dois anos que me preparo para adentrar uma sala de aula e ouvir a palavra “Professora”. Pois é. Um sonho mesmo. E falando das condições em que se encontra o ensino-professor-educação, é quase utópico.

E nesse semestre que curso, surgiu em minha frente o tão sonhado estágio. Achei que fosse tirar de letra, como se diz, mas como relatei acima, fui tomada pela emoção da cabeça aos pés! E olha que essa fase do estágio é somente de observação!!!

Mas falemos das condições da educação em nossa pátria mãe tão gentil.

Existe uma corrente em prol da educação, mas uma mais forte ainda contra ela. A educação deixou de ser prioridade. E isso é fato constatado!  Não vou falar em números aqui, mas vou falar o que tenho visto ultimamente.

A nossa educação está em crise, sucessivamente o professor também. Esse mesmo vem encontrando obstáculos que acabam por sua vez, desestimulando na sua formação e sua profissão.  A dificuldade na interação social, descrença em seu papel como professor, conflitos nas instituições de ensino, baixos salários e sem falar no sentimento de insegurança, são alguns dos motivos que ajudam na tal crise de identidade, abrindo “vala” entre o que ensinar e o porquê de ensinar realmente.

Vale a pena o professor ficar horas preparando aulas (fora do seu horário curricular) pra turma chegar ao meio do ano e nem ao menos saber o nome do “mestre”? Mestre??? Vale a pena o professor enfrentar três turnos de aula pra poder ter um salário que pague, pelo menos, boa parte dos seus gastos, contando que seu cônjuge complete o orçamento da casa?

Vale a pena esse mesmo professor que um dia sonhou mudar o quadro da educação, perder seu prestígio quando o mesmo é ameaçado por um aluno que tem idade para ser seu filho, pois o mesmo foi advertido ou simplesmente tirou uma nota abaixo do esperado? Vale a pena o professor lutar contra um sistema falido e que dita que quanto menos souberem melhor é? Uma vez alçado um analfabeto ao poder, alimentaram-se os leões da ignorância...

A educação vem de berço sim. A escola é um complemento do ensino. O que é ensinado em casa é a base para a vida, mas mesmo assim, hoje em dia os pais largam seus filhos na escola e cobram que a mesma eduque seus filhos.

 Os valores mudaram! A escola virou um depósito de crias mal educadas e o sistema não dá respaldo algum para o professor.

Sabe qual é o resultado da péssima educação? Profissionais cada vez mais distantes do esperado. Entre médicos, advogados, tecnólogos, atendentes, recepcionistas, repositor, atendentes de mercado... e por aí afora. E olhem só, estou falando em escala regressiva. Os níveis de escolaridade são mais assustadores.

Atualmente, ter um diploma superior que tenha relevância foi obtido através do esforço do aluno, (vira caso do “Fantástico!”) ou foi investimento familiar desde os primeiros dentinhos do filho. Ou, a última saída: estudo no exterior.

Os cursos técnicos e profissionalizantes perderam o sentido. Temos uma enxurrada de cursinhos emergentes em sobrelojas assustadoramente assustadoras! E o que era para ser bom, o que tinha uma visão e razão para existir, perdeu-se na ganancia financeira.

Os “professores” da maioria desses cursos não são capacitados a dar aula, não tem treinamento algum, nem jogo de cintura ou postura de professor. O que desqualifica cada vez mais o profissional. Muitas vezes são ex-alunos da própria instituição que “acham” que sabem se julgam capazes e repassam seus curtos conhecimentos, fazendo assim surgir a corrente da má formação.

Por ora, o futuro aprendiz, sem noção alguma do que está sendo dito, aceita sem dúvida alguma, repassando adiante o que colhe do ensino. Aí pergunto: repassam o que? Se nada aprendem? Ou se o que aprendem é a 9° parte do que teriam mesmo que aprender?

Daí se vê o resultado repercutindo no comércio: péssimo atendimento. E não falo da educação de casa, falo de profissionais desqualificados que ocupam cargos importantes sem que tenham noção alguma do que fazer. Sente-se à mesa do seu gerente no banco e tente dar a ele seu comprovante de endereço para alteração do cadastro, num dia de sistema travado: ele fica amputado!

Ligue para a secretária do seu médico para confirmar sua revisão sem se contagiar com o mau humor dela; vá ao mercado e informe a um funcionário que tal freezer está desligado, ou produto congelado descongelado, sem que eles se ofendam! É batata... 

Sempre se ofendem. Esse é o resultado da péssima formação batida com doses assustadoras de falta de educação e bom senso.

Embora o ensino corra para caminhos decadentes, eu ainda sonho em me formar.

Tive grandes mestres nos quais me espelho. Da época do ginásio ao cursinho. Mestres que davam seu suor pelo entendimento do aluno, mestres que se preocupavam não só com o conteúdo aplicado em aula, mas com a matemática da vida de cada um. E fui privilegiada, abençoada, agraciada com alguns dos mais fabulosos no meu tempo: Maria Laura Prado e Fernando Teixeira, famoso FT, que hoje enriquecem o céu com suas interpretações divinas entre História e Literatura.

É motivada por essa vertente chamada “inspiração” e desafiada pela falência do ensino, que realizarei meu sonho de ser chamada de “professora”.

Não vou citar aqui meu aprendizado no ensino superior. Também estou sendo formada por esse tipo de profissional não qualificado para a proposta inicial.

Quero o Brasil de outrora, quero a educação que me foi dada lá nos anos 80/90 em São Paulo em uma distinta escola estadual chamada “Adelina Issa Ashcar”, onde cantávamos o Hino Nacional, fazíamos fila e festejávamos desde o Dia do Índio à Semana do Folclore. Sem falar na biblioteca circulante que nos “visitava” semanalmente exigindo redações e testes sobre o livro lido.

Mas, como sei que depende muito mais de mim, que é o meu sangue que dôo, meu suor e minha grande força de vontade. 

Mesmo com tantas barreiras no caminho, me pergunto: Quem disse que ia ser fácil?

22 de setembro de 2015

Brasil – Pátria educadora




Por
Ana Maria Carrano





Tive a sorte de nascer numa família que valorizava o estudo. Minha mãe e meu pai possuíam pouca escolaridade, mas uma enorme ânsia em aprender.  Essa vontade de obter graduação, eles nos incutiram.

Pensando bem, tive sorte de nascer também num outro Brasil, que embora estivesse se ressentindo da segunda guerra, estava disposto a buscar o progresso e a ordem preconizados em nossa bandeira.

Já falamos aqui neste espaço sobre nossa experiência nos bancos escolares e de como eram diferentes as relações entre mestres e discípulos e o interesse de todos em prol do aprendizado.


Naquela ocasião em que os direitos femininos ainda eram muito questionados, nós mulheres deveríamos escolher um  “bom partido”, um noivo com emprego que garantisse o sustento da família. Assim disse minha avó quando minha irmã terminou o Curso Ginasial e matriculou-se no Normal.

Dizia nossa avozinha que deveríamos aprender prendas domésticas para conseguir um bom matrimônio. Mas, por sorte mamãe não se conformava por ter largado cedo os bancos escolares e queria mais para suas filhas.  Um de seus sonhos era ser professora, profissão que naquela época era respeitada e reverenciada.

Por este motivo me tornei professora primária, lecionando no Colégio Plínio Leite antes mesmo de concluir o curso, graças à generosidade do dono e diretor geral da instituição que nos empregou após a morte prematura de nosso pai.

Fui uma boa professora (sem falsa modéstia) espelhando o exemplo dos excelentes mestres que tive. Ainda havia preocupação com a transmissão do conhecimento, coisa que não vejo nos dias atuais.

Lecionei por cerca de dez anos em diferentes escolas e diferentes cidades. Não só os alunos bem nutridos do colégio particular de Niterói, como os moradores do Gradim em São Gonçalo (a maioria vindos do Morro do Oriente) e as esforçadas  crianças da zona rural de Teresópolis que caminhavam até três horas para chegar ao Grupo Escolar Rural.

Aprendi tanto quanto ensinei, visto que desconhecia realidades tão diferentes da minha, mas em todas essas circunstâncias a responsabilidade e o respeito estavam presentes dentro e fora da sala de aula.

Falei tanto de minha experiência para reforçar o sentimento de repúdio ao Sistema de Ensino atual.

E vem o governo com seu marketing nos alcunhando de Pátria Educadora.

Os jovens de hoje são despreparados para o exercício de profissões e para a vida. Os exemplos dos líderes são desprezíveis. Somos o país do “jeitinho”, da “lei do Gérson”, das cotas, das bolsas e do pixuleco.

O que estamos deixando como exemplo para nossas crianças? Quem são nossos ídolos?

Assim como Renato Russo, eu pergunto : afinal, que país é esse?



21 de setembro de 2015

EDUCAÇÃO

Educação é, sem discussão, pois acho que não há divergências, o mais relevante campo de ação para qualquer governo. Mister se o país ainda engatinha nesta área, como é nosso caso. E também para os pais ou responsáveis pelas crianças.

Fora da educação eficiente, responsável, de qualidade, não há salvação e o salto tão desejado para ingresso no primeiro mundo fica impossível.

Falo de educação lato sensu, como podem ver.

Comparado com padrões de décadas passadas, no Brasil o ensino degradou muito.

Poderia elencar muitos fatores que levaram a esta constatação, mas limito-me aos seguintes: progressão automática (proibido reprovar); falta de programas efetivos, com planejamento; desmotivação  e despreparo de professores (a profissão ficou desprestigiada, sem remuneração digna e outros estímulos); falta de condições adequadas nos espaços físicos e recursos didáticos) e outras razões que vocês certamente sabem quais seriam.

Não me venham com casos isolados de crianças e adolescentes que a custa de esforço pessoal e persistência, superam obstáculos e conquistam resultados elogiáveis. Enquanto um feito ou outro for matéria do Fantástico ou do Globo Repórter, como elogiáveis e exemplos a serem seguidos, significa que estamos atrasados.

Somos mais de 200 milhões de brasileiros, habitamos um país continental, multicultural,  e no ranking mundial da educação estamos colocados na 60ª posição. Vejam:

Pela importância do tema,  certo de que a educação (a falta de) está na raiz de nossos principais problemas, irei publicar, a partir de amanhã, uma série de textos (de colaboradores) abordando o assunto.

Teremos a visão de uma ex-professora, já aposentada; de uma quase professora, otimista, ansiosa por obter sua graduação e cheia de planos; e finalmente de um jovem estudante matriculado em escola técnica, que no país tem pouca visibilidade, pouco investimento, mas mereceria, pela importância da capacitação e formação de nível técnico, ter mais incentivo e investimentos.

Todo mundo quer ser “dotô”, anel no dedo, pouco importando a qualidade do aprendizado. As faculdades estão aí mesmo formando gente despreparada, em todos os ramos do conhecimento: engenharia, direito, medicina, etc, pois basta o carnê estar em dia e a promoção de série e o diploma estarão garantidos.


Mas chega de lero-lero. A partir de amanhã os posts estarão aqui neste espaço. Cada um com sua visão, mas os pontos de contato são visíveis.

20 de setembro de 2015

O PADRE E O SERMÃO

Texto adaptado, de um antigo que sacaneava os argentinos. Pois é, argentinos e petistas se equiparam em rejeição (rs).


Desconheço quem fez a  adaptação, razão pela qual não lhe dou o crédito de autoria. Se o próprio ou alguém se manifestar, identificando-se, poderei : 1) acrescentar seu nome; 2) retirar o texto do blog.

"O padre começa o sermão numa igreja de uma cidade de São Paulo, que aos domingos ficava cheia de turistas das cidades do ABC paulista:

- Irmãos, estamos hoje aqui reunidos para falar dos "Fariseus", aquele povo desgraçado, vagabundo, mentiroso, corrupto e ladrão como esses petistas que estão aqui.

- Ohhhhhhh! - Coro generalizado na igreja e logo depois, o maior tumulto.

Os petistas saíram xingando o padre, houve briga na porta da igreja. O prefeito levou as mãos à cabeça, indignado.

Acabada a confusão, o prefeito foi falar com o padre na sacristia:

- Padre, pega leve, os petistas são sindicalistas e funcionários públicos, passam muito tempo sem fazer nada, ganham bem e aí vêm pra cá, gastam nas lojas, nos restaurantes, trazem divisas para a cidade. Não faça isso, por favor.

Durante toda a semana a cidade não falou de outra coisa senão do padre e do sermão do domingo. Aquele zum-zum-zum todo deixando as pessoas curiosas pra saber como seria no domingo seguinte. É bem verdade que uma parte da cidade estava até satisfeita, pois muitos moradores não morriam de amores pelos petistas.

Finalmente, chega o domingo, o prefeito vai à sacristia e recomenda:

- Padre, o senhor lembra da nossa conversa? Por favor, não arrume nenhuma encrenca hoje, certo?

Começa a missa e o padre chega ao sermão:

- Irmãos, estamos aqui reunidos hoje, pra falar de "Maria Madalena", aquela mulher, a prostituta que tentou Jesus, como essas petistas desgraçadas, vagabundas, mentirosas, corruptas e ladras que estão aqui.

Mal acabou de falar e não deu outra! Pancadaria na igreja, algumas internações no pronto-socorro local e o prefeito novamente foi ao encontro do padre:

- Padre, pelo amor de Deus! O senhor não me disse que ia pegar leve? Olha, eu também não morro de amores por esses petistas, eles são complicados, tem uns probleminhas, são ignorantes, prepotentes, não tem nenhuma ética, etc, mas se o senhor não parar com isso, vou ter que pedir ao Bispo a sua retirada da paróquia.

Naquela semana, o zum-zum-zum foi maior ainda. O papo era só o sermão e ninguém perderia a missa do próximo domingo nem por decreto!

Na manhã do domingo, a Igreja parecia final de Campeonato Brasileiro: sem lugar pra ninguém. o prefeito entra na sacristia escoltado pela polícia e adverte:

- Padre, pega leve, senão eu levo o senhor em cana!

A igreja estava abarrotada. Quase não se conseguia respirar de tanta gente. Pessoas que há anos não pisavam na igreja, estavam por lá com terços e santinhos nas mãos e parecia que eram as mais devotas dos católicos.

Quando o padre aparece, tensão generalizada... Cochichos... Até que ele começa o sermão:

- Irmãos, estamos aqui reunidos hoje, pra falar do momento mais importante da vida de Cristo: "A Santa Ceia". (O prefeito que estava preocupadíssimo, então respirou aliviado).

- Jesus, naquele momento disse aos apóstolos: Esta noite, um de vocês me trairá.

Então João perguntou:

- Mestre, serei eu?

E Jesus respondeu:

- Não, João, não será você.

Então Pedro perguntou:

- Mestre, serei eu?

E Jesus respondeu:

- Não, Pedro, não será você.

E então, Judas, aquele desgraçado, vagabundo, mentiroso, corrupto e ladrão, que estava vestindo uma camisa vermelha, com uma estrela amarela no peito, perguntou:

- Cumpanhêro... é eu?

Não teve jeito...a pancadaria comeu solta!"

19 de setembro de 2015

BOAS LEMBRANÇAS

Levei muito tempo para conseguir a autorização, clara e expressa, do Autor, e poder publicar aqui este post que foi publicado originariamente em seu próprio  blog. Está em

Muitas das histórias daquele que foi reputado o melhor colégio do Estado do Rio de Janeiro (antes da fusão com o Estado da Guanabara, que antes fora o Distrito Federal), estão contadas no livro de sua autoria, intitulado "Lembranças do meu Liceu (1953-1959)", que tive a alegria de receber como presente.

Quando o Carlinhos (para os amigos), a meu pedido, enviou a foto acima, fez questão de ressaltar que ele não se parece com o adolescente que era quando nos conhecemos. 

Também eu nem de longe guardo semelhança  com o magrela seu contemporâneo de Liceu.

Tempos muito bons, sob vários aspectos. Mas destaco os seguintes: tínhamos escola pública de bom nível (o Liceu é um exemplo), médico clinicando em farmácia do bairro; segurança nas ruas (dava para assistir a sessão das 22 horas nos cinemas), rede de transporte bem razoável (bondes e ônibus elétrico, a preços civilizados) e, uma coisa de valor inestimável, todo mundo conhecia todo mundo. Embora capital do Estado, Niterói era praticamente uma cidade interiorana graças a proximidade com a capital da República.

Dentro de alguns dias terá início o outono europeu (a meu juízo a melhor época para visitar o velho continente) e publicarei aqui, se conseguir superar alguns problemas de edição, matérias do Carlos Lopes, ex-Juiz de Direito, hoje globetrotter,  com ótima dicas que servem tanto para iniciantes em viagens quanto para veteranos.

Hoje fico com as memórias.





Por
Carlos Lopes









Segunda-feira, fevereiro 02, 2015                      


BOAS  LEMBRANÇAS


                                                                                             Calfilho
               
Depois de muito tempo,  na realidade vários anos, tive o prazer de reencontrar, graças aos mistérios da internet, o meu ex-colega do Liceu Nilo Peçanha de Niterói, JORGE CARRANO.

Apesar de nunca termos estudado na mesma sala, tivemos um contato bem próximo nos anos de 1958 e 1959, quando cursei a segunda e a terceira séries do então curso científico. Acredito que CARRANO era um ou dois anos mais atrasado que eu, não me recordo ao certo.

Em 1958, eu e outros colegas de turma, principalmente o Irapuam Assumpção e o Telúrio Tércio de Aguiar, vendo o abandono em que se encontrava o Grêmio Cultural Nilo Peçanha, decidimos reunir um grupo de abnegados de outras séries e reativar as atividades gremistas.

Éramos todos apaixonados por esportes, principalmente o futebol, mas ficávamos limitados a alguns "rachas" nos intervalos do recreio ou quando "matávamos" uma ou outra aula mais enfadonha. Depois de correr alucinadamente pelas quadras de basquete ou vôlei atrás de uma bola de borracha furada com prego quente para não quicar, voltávamos totalmente suados e bastante cansados para as aulas seguintes. Mas, exibindo sempre um sorriso de satisfação nos lábios.

Conversamos com alunos de outras séries mais novas, o João Bonvini, o Josa (José Henrique Paredes), o Fernando (Pernambuco) e alguns outros, e decidimos reativar o Grêmio.

Em primeiro lugar, fomos verificar as condições em que se encontrava a agremiação. Abandono total, que datava de alguns anos... O material esportivo, comprado em administrações anteriores, estava em casa de ex-liceístas, servindo um dos uniformes, conforme apuramos, para forro para o cachorro dormir...

Tínhamos que recomeçar do zero.

Procuramos um colega de outra série, o JORGE CARRANO, que às vezes "rachava" conosco na quadra de basquete, e propusemos lançar sua candidatura à presidência do Grêmio. Candidato único, pois ninguém se interessava pela agremiação, ganhou facilmente as eleições. CARRANO parecia-nos ser talvez o mais equilibrado, o mais responsável de todos nós, o mais indicado para nos representar junto ao diretor do estabelecimento e outras autoridades com quem teríamos que lidar.

Telúrio foi nomeado diretor de esportes e eu, responsável pelo futebol. Irapuam era o diretor social, cargo que bem lhe coube, dada a facilidade que tinha no convívio com as liceístas...

Eu, Carrano e Irapuam fomos ao gabinete do então diretor do Liceu, Professor Aldo Muylaert, e solicitamos sua permissão para a reativação do Grêmio, bem como a apresentação de um programa musical na hora do recreio do turno da manhã. Ele ouviu nossa reivindicação e, depois de refletir por alguns instantes, decidiu aprová-la.

Nascia, assim, a "Hora do Grêmio", que, nos quinze minutos do recreio, informava os alunos sobre as atividades da agremiação e tocava os 78 rotações da época: Elvis, The Platters, Little Richard, Nat King Cole, entre outros. O Brasil sofria, à época, forte influência da música norte americana, principalmente o rock'n roll, que invadiu como um furacão as rádios e televisões dos Estados Unidos e também do Brasil. A bossa nova brasileira ainda engatinhava e nossa música constituía-se de bolero e samba canção, não interessando muito à juventude dos anos 50. O programa, logo depois, foi estendido ao turno da tarde e, às vezes, até ao noturno.

Pela "Hora do Grêmio" convocamos os liceístas, amantes dos esportes, para que viessem ajudar na reconstrução de nossa agremiação. E, já no sábado seguinte, vários deles apareceram para, juntos, construirmos as balizas de futebol de salão. Pitamos as mesmas de amarelo, para ficarem diferentes das tradicionais brancas, compramos as redes e duas semanas depois, realizávamos nossa primeira Olimpíada Interna, na qual a turma do 2º. científico (por acaso, a minha) sagrou-se campeã.

Criamos, em seguida, o departamento de vôlei, tanto o masculino como o feminino e o basquete. Realizamos, em 1958 e 1959, várias excursões memoráveis, como as de Marambaia, Angra dos Reis e a inesquecível ida a Cachoeiro do Itapemirim. O Liceu também teve participação importante nas Olimpíadas Estudantis, realizadas no Ginásio Caio Martins. Em nossa quadra de basquete, adaptada para o futebol de salão, recebemos para partidas amistosas, vários colégios de Niterói, entre eles o Plínio Leite, José Clemente, Salesianos... Nosso diretor social, Irapuam, organizou uma festa junina no pátio e realizávamos festas nas casas de colegas para angariar fundos para comprar material esportivo.

Verdade que, para o desenvolvimento de nossas atividades, contribuíram decisivamente o Professor de Educação Física ALBER PESSANHA, que nos dava um toque oficial do corpo docente do colégio e o zelador do Liceu, AZER RIBEIRO, que abria o colégio para os liceistas aos sábados e lá ficava até terminarem os jogos realizados.

A salinha do Grêmio, escondida num cantinho do imponente prédio, na confluência de dois corredores na parte de trás do colégio, próximo a uma escada que dava acesso ao segundo andar, tornou-se o centro de reunião dos liceístas. Iam ali conversar, bater papo, folhear uma revista e, principalmente, comprar passes de trolley ou bonde, com desconto significativo para os estudantes, grande vitória alcançada pelo Grêmio junto à Federação dos Estudantes Secundários de Niterói (FESN). Vendíamos os passes na sede do Grêmio, sem necessidade do deslocamento dos alunos até a FESN, então localizada na Praça do Rink.


Mas, voltemos ao meu amigo CARRANO: depois que deixamos o Liceu, cada um seguiu seu caminho na vida, apesar de termos cursado a faculdade de Direto, eu talvez um ou dois anos antes dele. Lembro que ensaiamos abrir um escritório de advocacia quando eu voltei de minha temporada em Cantagalo, mas a coisa não evoluiu e perdemos o contato.

Voltei a revê-lo brevemente, na década de 1980, quando eu já era juiz presidente do I Tribunal do Júri do Rio de Janeiro e tive o prazer de receber sua visita. Conversamos rapidamente e outra vez perdemos o contato.

Só agora recentemente, quando entrei num site de buscas da internet, pesquisando coisas sobre o Liceu, foi que soube que CARRANO tinha um blog em que meu nome era citado numa de suas postagens. Localizei e li o mesmo com emoção, passados mais de cinquenta anos daquela época tão especial para nós.

E, passando por seu blog uma vez ou outra, vi uma postagem recente, em que ele fala do MANEL'S, um local misto de mercearia e botequim, na esquina das ruas Lemos Cunha com Mariz e Barros, onde passamos momentos saudosos e deliciosos, acompanhados de uma Portuguesa (não se faz mais cerveja como antigamente) ou de um conhaque Dreher.

 Mas, isso é outra história, que merece uma postagem especial...