31 de março de 2012

31 de março de 1964

Nesta data, para uns houve um golpe militar; para outros uma revolução, liderada por militares mas com respaldo popular.

As duas correntes têm razão, em momentos distintos.

Se é verdade que grande parte da população apoiou a iniciativa dos militares, não é menos verdade que esta mesma população não pretendia que os militares ficassem encastelados no poder. E  muito menos que chegassem aos extremos a que chegaram.

Não vou entrar no mérito das mortes, torturas, sequestros, porque os dois lados se excederam. A tortura é um ato ignóbil? Claro que é. Mas o cárcere privado (sequestro) também o é. Não existiram heróis ou vilões. Cada lado errou a seu tempo e modo.

Deveriam os militares, depois da bem sucedida tomada do poder, diga-se que com poucos e isolados atos de força, te-lo devolvido aos civis, ou quem sabe a um militar, legitimamente eleito pelo voto secreto e direto do povo.

Não foi o que sucedeu e os militares se imiscuíram nos órgãos públicos e até mesmos nas empresas privadas, assumindo cargos diretivos mas com função policialesca.

Aconteceu na empresa onde eu trabalhava, que contratou um coronel para criar e  assumir a área de comunicação empresarial e editar uma revista interna (house organ).

Até na faculdade, lembro bem, durante uma prova de Direito do Trabalho, em 1966, um vice-almirante que era estudante, questionou o professor, que era também o diretor da faculdade na época - Geraldo Bezerra de Menezes (que já fôra ministro do TST) - sobre a presença, como fiscais durante a prova, de pessoas estranhas ao quadro docente da instituição. É uma longa história que não cabe aqui. Mas vale salientar que os militares se achavam com direito a tudo.

Rendeu até a piada das freiras, largamente difundida, que era a seguinte: faleceu a madre superiora; duas freiras caminhavam pelo patio interno no convento quando uma delas indaga se a colega sabia quem seria a nova madre superiora; ao que a outra responde: não sei não, só sei que é um coronel.

Fazia todo o sentido. Como uma praga os militares se espalharam em todos os segmentos do tecido social. Foi um erro crasso.

Vai daí que virou golpe militar mesmo.

Mas é tênue a linha que separa uma coisa da outra. Querem exemplo? A Proclamação da República foi um golpe de estado contra a monarquia ? Havia um poder legitimo e os militares o derrubaram e se mantiveram no comando. Sou republicano mas devo admitir que de certo modo houve um golpe militar, apoiado ou não por civis, não vem ao caso. Este golpe militar valeu e é reverenciado. Feriado nacional.

E a conspiração em Minas Gerais, abortada pela coroa portuguesa, que levou à forca o alferes Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes? Alguns militares, padres e poetas pretendiam realizar uma revolução e libertar  a capitania de Minas Gerais do dominio português. Como foram derrotados, virou uma conjuração; se tivessem sido vitoriosos teria sido uma revolução, que certamente se espalharia e levaria à independência de toda a colonia brasileira. 

Todo este intróito tem uma razão de ser. Tenho feito uma revisão nos arquivos deixados por meu pai. Deparando com uma foto, que coloco para ilustrar este post, fiquei matutando que posição ele teria tomado frente aquele movimento dos militares? Bem, acho necessário informar que ele falecera em junho do ano anterior (1963).

Não cheguei a uma conclusão. Isto porque ele era acima de tudo legalista. Para ele o comando maior era do império da lei.

Entretanto, tinha ótimo trânsito entre militares (de todas as patentes) e tão bom quanto entre alguns políticos, alguns dos quais vieram até mesmo a ser cassados.

Fernando Carrano, mais alto e grisalho civil ao centro. Os outros paisanos eram militares sem seus uniformes.
Era legalista, mas era extremamente leal (leal, não fiel, que é diferente) aos amigos. E tinha, claro, convicções.

Se o poder tivesse sido devolvido aos civis, como era a expectativa e teria sido o correto, acho que teria votado no Juscelino, que certamente seria um candidato. O outro candidato, provavelmente Carlos Lacerda, ele admirava pela oratória, pela combatividade.

SE assim tivesse sido (vele repetir SE), pela primeira vez eu e ele estaríamos no mesmo barco. Não que divergíssemos muito, não, afinal ele me moldou a sua imagem e semelhança nos terrenos da ética e da moral. Mas divergíamos no varejo: ele flamenguista, eu vascaíno. Ele tenentino (filiado à Grande Sociedade Tenentes do Diabo), eu democrata, porque torcedor e até frequentador do baile carnavalesco da Grande Sociedade Democráticos, na Rua Riachuelo, no Rio de Janeiero.

Nota explicativa:  foto tirada numa das dependências do Palácio do Ingá, onde funcionava a Secretaria Estadual de Governo, com Fernando Carrano recebendo um grupo de sargentos e suboficiais do exército, como interlocutor do governo Miguel Couto Filho. Os sargentos pleiteavam a doação de um terreno do Estado para construção de uma sede para seu Clube Social.  (1960).

30 de março de 2012

Saudades

Por
Rodney Gusmão


Tenho saudade do Fusca 1200, isto mesmo o 1200, que estava sempre pronto  na garagem, para o que desse e viesse.
Era só decidir ir para Vitória e fazer a mala. Nada de revisão preventiva de freios, embreagem, suspensão, pneus, nada.
Era bom verificar o nível de combustível, sabendo que faria 15 quilômetros, na estrada, por litro de gasolina. Gasolina comum. Não havia álcool.
Jamais quebrava ou enguiçava  no percurso, mas se acontecesse, em qualquer feira livre, da mais remota cidadezinha do interior, era possível encontrar os componentes necessários.
Não escolhia caminho, buracos, estradas de terra com aquelas costelas típicas, que faziam com que galopasse como um potro selvagem, mas ia em frente. E na lama tinha tração para  se desgrudar.
Quando o folclórico presidente Itamar resolveu fazer campanha para que a Volkwagen voltasse e fabricar o modelo (acho que ele queria o 1300), provavelmente eu era o único a aprovar a ideia. Se houvesse um abaixo-assinado, somente eu e ele teríamos subscrito. E estaríamos errados, tanto que a Volks o atendeu, mas não vingou a tentativa de ressuscitar o fusquinha.

Tenho saudade da mulher suculenta, de curvas voluptuosas, como a Angelita Martinez, apenas como exemplo.
Dizíamos que eram mulheres "para trezentos talheres", porque a mulher-objeto não estava nem aí para o rótulo.
Grandes peças de revista no teatro Recreio, onde Nelia Paula, Brigite Blair, Virginia Lane e outras, exibiam suas lindas pernas, até com celulite, mas ainda assim admiradas com gosto.
Mulher não se tatuava, quando muito um sinalzinho na bochecha (não se equivoque, eu escrevi BOCHECHA) e no colo, próximo do busto.
Busto este que, por sua vez era original de fábrica, e que mesmo não tendo volume, sendo pequeno, tinha a forma de... busto. Não de enorme melancia.

Tenho saudade da Gruta de Capri, com as cadeiras na calçada, onde se comia a pizza brotinho, acompanhada de alguns chopinhos, paquerando e sendo paquerado. Era frequentada pela então chamada “juventude dourada”, moças e rapazes queimados do sol, cor adquirida no banho de mar ali mesmo em Icaraí. Acredite, era possível banhar-se nas águas de Icaraí, nas quais eram encontráveis, apenas, alguns siris que pinicavam nossos pés e pernas.

Tenho saudade da paquera com o carro emprestado do pai, ou com um amigo que por sua vez pegara emprestado com seu (dele) pai.
Deslizávamos, a 10 por hora, junto ao meio-fio, dizendo ipsilones para as meninas que caminhavam na calçada, ainda estreita naquela época.
Só perdíamos para os lambretistas e seus idefectíveis casacos de couro, mesmo no calor infernal de 38 graus, às 8 da noite.

Sinto enorme saudade de Joel, Gerson e Santos, Arati, Bob e Juvenal, Paraguaio, Geninho, Pirilo, Otávio e Braguinha, escalação do meu vitorioso Botafogo de Futebol e Regatas.
Este time seria quase tão bom quanto o do tempo (para os mais jovens) de Garrinha, Didi, Nilton Santos, Quarentinha, Roberto, Pampolini e Jairzinho.

Tenho saudade de muitas outras coisas, como poder chamar gay de viado (ou bicha, mais familiar), baixinho de anão, deficiente visual de ceguinho.
  

29 de março de 2012

Caricatura, charge e cartum

Quando elenquei algumas das atividades do Millôr, no post anterior, inclui a de chargista.

Lendo algumas das dezenas de notícias que deram conta de seu falecimento e mencionando sua obra, verifiquei que a maioria aludia ao cartunista.

Arrostando minha santa ignorância, resolvi pedir socorro ao filho mais velho que por conta de seu ofício é envolvido com textos e imagens.

Perguntei para ele qual a diferença, se é que existe, e recebi como resposta a indicação de um sitio onde o tema está clara e perfeitamente colocado, ficando inteligível  para qualquer um,  inclusive leigos como eu.


Não vou, evidentemente, reproduzir aqui algumas das caricaturas que estão no site, em face dos direitos autorais protegidos.

Algumas das encontráveis na página Galeria do citado website são muito boas. Outras, entretanto, sem a legenda eu não identificaria.

Não encomendarei a minha caricatura, o que é possível fazer naquele sitio, eis que minha foto atual já é uma caricatura do que um dia eu fui.

28 de março de 2012

Millôr Fernandes




Caramba! Agora foi o Millôr. Perdemos, neste final de março , duas figuras marcantes nos meios intelectuais, artísticos, jornalísticos e quejandos.

Se tivesse postulado seria, com toda justiça, membro da Academia Brasileiera de Letras. Perdemos nós e perdeu a Academia.


Como Chico Anysio, mas num degrau acima, digo eu, Millôr foi um gênio do humor. Chargista, cronista possuidor de um humor ácido contundente, agudo, ferino.

Escritor, tradutor emérito, roteirista, jornalista que militou em vários órgãos de imprensa, entre outros importantes, n’O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã e Correio Brasiliense.

Na extinta revista O Cruzeiro, manteve a coluna Pif-Paf, com textos e desenhos.
Foi um dos integrantes d’O Pasquim, semanário de grande sucesso.

Muitas de suas frases célebres, serão veiculadas nos próximos dias.

A minha preferida, porque usei ad nauseam profissionalmente é: “Combinado o preço, podemos trabalhar por amor a arte”.

Muito será escrito sobre sua vida e obra, por pessoas mais qualificadas do que eu, que neste espaço limito-me  apenas a desejar que descanse em paz, onde lhe aprouver, em face de suas convicções religiosas.

RIP, Millôr.

Nasa wants you!


 Por
Jorge Carrano


Diz a lenda que Samuel Wilson era um comerciante de carnes, que tinha entre seus clientes o exército americano. As embalagens do produto tinham as iniciais U.S. (United States). Quando alguém perguntou o que queriam dizer, um  soldado brincalhão teria dito que significavam “Uncle Sam” (Tio Sam), uma referência ao dono da empresa. Isso foi no início do século XIX, mas em 1961 o Congresso Americano reconheceu Samuel Wilson como inspirador da figura do Tio Sam.

O lendário cartaz (abaixo) foi criado em 1917 pelo artista James Flagg. Com a frase “I Want You for U.S. Army” (“Eu Quero Você para o Exército dos EUA”), seu objetivo era recrutar soldados para a Primeira Guerra Mundial.
Parece que o “Tio Sam” ainda precisa de novos recrutas.
A  NASA (National Aeronautics and Space Administration) está lançando um evento chamadoInternational Space Apps Challenge (algo como Desafio Internacional de Aplicativos para o Espaço) cujo objetivo é o desenvolvimento de  novas ferramentas que melhorem a vida na Terra e no espaço.

O evento acontecerá nos dia 21 e 22 de abril deste ano. A ideia é juntar pessoas de todo o mundo para trabalharem de forma colaborativa em busca de soluções para alguns dos principais desafios atuais. Os encontros ocorrem em todos os continentes, e aqui no Brasil acontecerá em São Paulo.

O mais interessante é que você não precisa ser um cientista para participar. Isso porque a NASA – assim como as empresas mais antenadas no presente e preparadas para o futuro – sabe que as soluções realmente inovadoras para os complexos problemas do nosso mundo exigem a colaboração entre  indivíduos com talentos muito diferentes, e incluem engenheiros, cientistas, designers, artistas, educadores, estudantes e empresários.

Os temas inicialmente propostos  (mas outros podem ser incluídos) são softwares de código aberto, hardware aberto, visualização de dados e  o desenvolvimento de plataformas voltadas para ações de cidadania.

Quer saber mais? http://spaceappschallenge.org/about/

Onde acontece?
Casa da Cultura Digital  ‎
Rua Vitorino Carmilo, 459 – Santa Cecília
São Paulo, 01153-000
(11) 3662-0571

Quer se inscrever? https://spaceappschallenge.org/register/

No Twitter? http://twitter.com/#!/intlspaceapps

Nota do blogueiro: o original, da autoria do meu filho homônimo, foi publicado em http://www.cavernaweb.com.br/?p=2404

27 de março de 2012

Elitismo







Quem não me conhece direito há de imaginar que sou elitista e não admito flamenguistas no blog.

Muita calma nesta hora. Não é bem assim.

O espaço aqui é democrático e, desde que respeitados os padrões higiênicos os torcedores do urubu serão bem vindos.

Que eu saiba, o único rubro-negro que frequentou este espaço , até escrevendo posts, foi o primo distante – Ricardo Wagner – que de resto da mesma maneira que apareceu de repente (através de email), não mais que de repente sumiu sem deixar rastro. Estava na Carolina do Sul na última vez que tive notícias.

Tirante o Ricardo, que eu saiba, não temos torcedores do bonde sem freio por aqui.


Somos, os torcedores do “trem bala da colina”, maioria esmagadora entre seguidores e leitores habituais.

Em segundo lugar aparecem os tricolores. Que pelo menos são cheirosos (afinal usam pó-de-arroz) e mais atrás os botafoguenses.

Dei o mote para que possam se manifestar livremente, afinal futebol tem sido um dos temas prediletos de debates neste blog.




Imagens Google



26 de março de 2012

Classificados selecionados

Você que não aguenta mais a vida nas grandes metrópoles, inobstante as teses defendidas por Edward Glaeser, não importa que títulos tenha o cavalheiro em questão, sugiro mudar para Teresópolis, onde está à venda uma casa magnífica, em local aprazível da cidade.

Veja alguns dos detalhes da morada que estamos lhe oferecendo:


Casa grande, com amplo salão em  tábua corrida e lareira,  4 quartos (duas suítes), banheiro social, cozinha planejada, área de lazer c/churrasqueira e dois jardins. E uma vista maravilhosa. O local é cercado de verde das montanhas. Fica na Quinta da Barra, um bairro aprazível, com ruas cujos patronos são poetas compositores tais como Carlos Gomes, Manoel Bandeira, Joracy Camargo, Villa-Lobos, Ataulfo Alves, Lupicínio Rodrigues, Catulo da Paixão Cearense, Dolores Duran, Antonio Maria, Chiquinha Gonzaga. E  a Rua NOEL ROSA, onde fica o citado imóvel.


Ademais, pra quem não conhece o local o  Camping de Teresópolis é uma boa referência. 
Para você, interessado, ter uma ideia da casa, veja abaixo umas fotos.



Os interessados, pessoas de bom gosto, poderão obter maiores detalhes escrevendo para este blog, em comentários.

Se você pensa que estou brincando, lembro que 1º de abril ainda está distante.

25 de março de 2012

Post scriptum

O humor de Chico Anysio não se resumia a fazer rir, senão também a refletir. Através de seus personagens escrevia crônicas de costumes de época e fazia críticas ao sistema, por vezes sutis, mas agudas para quem estivesse atento.

Uma das cenas guardadas em minha memória e a qual recorro sempre que se discute, condena ou exalta o capitalismo, a riqueza e a ganância desenfreada, foi protagonizada pelo “Coronel Limoeiro” um de seus inesquecíveis 209 personagens.

A cena, claro num quadro humorístico, apresentava o Coronel Limoeiro acompanhado de sua mulher Maria Tereza*. Eles são cercados por um bando armado que pretendia assalta-los.

Maria Tereza entra em pânico, mas o Coronel, depois de fazer algumas considerações sobre os bandidos, mete a mão no bolso do paletó e arrancando a carteira diz: “MariaTereza, eles querem desafiar o poder econômico”. E tirando uma cédula da carteira a entrega a um dos marginais dizendo “tá aqui, quanto quer na espingarda?”

Lembrei deste quadro e deste personagem ao ler as matérias hoje publicadas, sobre o acidente que envolveu o filho do Eike Batista.

Vejam que agora o ciclista estava embriagado, e atravessou a estrada descuidadamente.

 E o velhinho atropelado tempos atrás, pelo mesmo Thor, faz uma declaração afirmando que não houve culpados naquele acidente; que também ele (o velhino atropelado) contribuiu para o fato e que o rapaz deu-lhe toda a assistência.

É o poder econômico.

Nota do blogueiro: dizia-se à época que a nome da personagem, mulher do Coronel Limoeiro, seria uma alusão à primeira dama, casada com João Goulart. Não sei, poderia ser.

Chico Anysio

Não me conformo com alguns locutores noticiaristas e apresentadores  que insistem em se referir ao Chico Anysio como humorista. É muito pouco para o gênio criativo, criador de muita arte.


No mínimo ele deve ser referenciado e reverenciado como artista. Multimídia, multifacetado. Roteirista, ator, diretor, pintor, compositor, escritor, dublador, comentarista esportivo, ufa!!! E humorista.

Concebeu  e interpretou  209 tipos característicos na TV, alguns dos quais ficarão imortalizados.

Guardada uma certa relatividade, foi o nosso Charles Chaplin.

No mundo recente, para mim, eram ele e o Woody Allen (roteirista, ator, diretor, músico ... e humorista). Gênio artístico de mesmo quilate, no Brasil, somente Tom Jobim.

Aprendi a admirá-lo quando, ainda na radio Mayrink Veiga, participava de alguns dos humorísticos da emissora. A "Escolinha do Prof. Raymundo" nasceu lá. E tinha a "Miss Campeonato". Que era a Rose Rondelli, depois sua esposa. Precisa ser septuagenário para lembrar.

Antes de virar moda, como atualmente, já fazia seus shows em teatro no formato stand up comedy.

Trocou de mulher e de clube algumas vezes. Foram seis casamentos e três clubes. Mas o do coração mesmo, no Rio, foi o Vasco, para o qual deixou de torcer mas voltou apaixonadamente para sempre até a morte.

Há anos apresentou quatro* shows no Rio de Janeiro, sendo que o primeiro deles tinha o título de “Chico Anysio Show”(que levou para a TV mais tarde), e foi apresentado no Teatro da Lagoa.

A única novidade neste post, considerando que tudo aqui relatado foi divulgado por todos os meios e formas de comunicação, como imprensa, rádio, TV e internet, é que fui, acho eu, personagem de uma piada, de improviso (na época, depois virou piada pronta).

Deu-se que fomos, eu, Wanda e um casal de amigos, assistir ao primeiro dos shows supramencionados no Teatro da Lagoa, no qual contava pequenas histórias hilariantes, como a do primeiro foguete interplanatério brasileiro.

Pois bem, eu ria muito, como de resto toda a platéia. Mas a horas quantas dei fortes e incontroláveis gargalhadas.

Foi o quanto bastou para o Chico interromper o que falava e mandar: “na plateia tem um sujeito que está se divertindo muito, a julgar pelas risadas. Acho que ele deveria sair, ir até a bilheteria, comprar novo ingresso, e voltar.

Botei a carapuça.

RIP Chico.


* Não lembro o nome do terceiro, mas os outros dois foram: 2º) "Gostei mais do outro" e 4º) "Com Chico Anysio no quarto".

Foto: Google

24 de março de 2012

De pater meo

Por
RC

Espero ter herdado algumas das qualidades do meu pai. Não comentarei os defeitos - depois de certa idade, não se pode mais culpar os pais por eles. Certamente, sofri boas influências e recebi bons exemplos.

Apresentar algo de qualidade a quem não conhece é dar um presente.

Assim, fui presenteado pelo meu pai com diversas coisas boas e até aprendi a apreciar algumas: Woody Allen, Nelson Rodrigues, José Saramago, Tom Jobim e Ray Charles, para citar alguns. Meu pai é um apreciador do que é excepcional, belo, genial ou grandioso - do iPhone à catedral gótica. Tem a capacidade (talvez ameaçada de extinção) de dar valor ao que tem valor, ou seja, ao resultado de um trabalho árduo e/ou ao fruto de uma mente rara.

Queria ser tão bem informado quanto ele. Lê de tudo e se interessa por tudo. Me lembro do "clipping" que ele preparava, sobre diversos assuntos: recortes das partidas entre Gasparov e Karpov, matérias sobre astronomia ou cinema, crônicas do Veríssimo. E, para quem quer que fosse, tinha sempre algo recortado (para minha mulher, decoração e animais; para meu irmão, publicidade e literatura, e assim por diante).

Queria também uma memória tão boa, fruto de uma ótima capacidade de associação. Essas qualidades são claramente perceptíveis neste blog.

Aliás, o clipping migrou para cá, e alcança uma audiência maior.

Sua disposição para o trabalho é rara, talvez ímpar. E continua, mesmo depois de septuagenário. Sempre foi admirado pelos colegas e deixou saudades (documentadas de diversas formas) por onde passou. Sua capacidade de se reinventar profissionalmente também é notável.

Começou e recomeçou em áreas novas e difíceis. Gostaria de ter metade dessa energia.

Ele ensina, pelo exemplo, que não é suficiente "ser honesto". Que a honestidade é obrigação do indivíduo, e não uma virtude. A lógica é: o que é seu ninguém tasca, e o que é dos outros, é dos outros. A vida é melhor assim, e o sono mais tranquilo.

Como ele, sustento posições impopulares, não necessariamente as mesmas, mas muitas em comum. Gosto de pensar que aprendi a pensar com a minha cabeça, e não ir atrás da moda. A maioria não está necessariamente certa. Na verdade, ela está frequentemente enganada.

Quem convive com ele, reconhece uma certa nobreza de espírito. Arrisco dizer que ela não está lá para satisfazer os outros, mas é uma necessidade íntima. É um humano falível, mas sempre busca a superação.

Tento imitar seu exemplo e, os raros momentos em que consigo me trazem grande satisfação.



PS - O título em latim é uma homenagem. Se estiver correto, quer dizer "sobre meu pai". Mas, em se tratando *do meu pai*, usuário de expressões como "tríduo momesco" e "adminículo", seria muito ralo, o título em português. 





Nota do blogueiro/editor: fiquei em dúvida se publicava ou guardava entre minhas relíquias (like a treasure), onde já estão desenhos feitos, quando ainda criança, no dia dos pais ou meu aniversário. Mas as boas ações, os bons exemplos, precisam ser propagados. Vai daí que publico.
Aqui não é o sentimento infantil, que tem seus próprios estímulos, mas de um adulto, um homem pleno.

23 de março de 2012

NOSSA PEQUENEZ




 Riva52




Algum de vocês leu A MONTANHA MÁGICA, de Thomas Mann ?

Se leu, ou não leu, leiam um trecho : " Mas, a quem alcançasse o ponto onde se trata daquilo que nem sequer é pequeno, escaparia toda a medida ; nem sequer pequeno equivalia a infinitamente grande, e o passo dado em direção ao átomo manifestava-se, sem exagero, como falta no mais alto grau. Pois, no instante da mais extrema dissecação e diminuição do material, descortinava-se de repente o cosmo astronômico."

Não existe nada visível a olho nu que nos lembre que o Universo também é muito pequeno !! Existe um livro intitulado MICROGRAPHIA, publicado em 1665, que nos faz cair na real .... na real de que o Universo é grandioso em sua pequenez, diferentemente do que a maioria procura e pesquisa .... planetas, galáxias, mega estruturas estrelares.

A invenção do microscópio fez-nos perceber a existência de um mundo de significados a ser encontrado no "muito pequeno". A vastidão da pequenez !!!

O atomismo é incômodo. Como pode haver um fim para a pequenez no mundo material ?

Devorando o livro VOCÊ ESTÁ AQUI de Christopher Potter, um dos exemplos descritos é : o menor organismo vivo registrado é o Nanoarchaeum. Vive nas profundezas oceânicas sob severas condições existentes ao redor dos ventos hidrotermais, onde a água se encontra em ebulição .... é igual a 10 a menos 6 do metro !!!!!

Pirante !!!

Ando meio estranho, valorizando a pequenez, seu valor, sua vida, sua participação no nosso mundo, na nossa existência, no nosso dia a dia. 

Outro dia, tomando café da manhã, fiquei chateado porque um dos meus filhos esmagou uma formiga que tentava se aproveitar das doçuras do nosso café da manhã.

" O que a formiga te fez, pra merecer um massacre desses ? Ponha-se no lugar da formiga, e tente entender a sua atitude, matando o bichinho por nada .... ela simplesmente deixou de existir à toa " 

Evidentemente que me olharam como se eu fosse um ET ..... 

Ando meio assim, valorizando a pequenez .... das coisas, do bicho homem, das atitudes, de uma caneta jogada em cima de uma mesa, da existência de uma aranha passeando na parede da minha sala ............. carácoles....... é a proximidade dos 60 ????????

 

22 de março de 2012

Turma de Direito, 1967 - UFF

Não é por me gabar, não, mas agora ficou muito mais fácil o ingresso nas universidades. Estes exames de ENEM, provas de múltipla escolha e sem patamar mínimo a ser alcançado, facilitarm as coisas.
Em 1962, quando prestei vestibular, a prova de Lingua Portuguesa (incluindo literatura), era ELIMINATÓRIA e exigida nota 6, no mínimo.

Foi uma pena que este critério somente tenha vigorado no ano de 1962, porque para o advogado é fundamental o domínio do idioma. Não que eu tenha sido, ou seja, um virtuoso escrevendo. Claro que não. Mas conmparado o meu texto com petições as quais tenho acesso, da lavra de advogados ex adversus, sou um Rui Barbosa.

Deixa eu explicar porque me lembrei deste vestibular, cujo regulamento publico abaixo.

Recebi do Ricardo dos Anjos, um trecho do poema I-Juca Pirama, do Gonçalves Dias. Imediatamente lembrei-me da época do vestibular, porque foi o período de minha vida em que mais li autores em lingua portruguesa (do Brasil e de Portugal), em prosa e verso. Vejam a abrangência do programa para a prova de português.








20 de março de 2012

Deu nos jornais

VINHOS

Está certo que Nova Zelândia, Austrália, África do Sul, entre outros países sem tradição vinícola, estão produzindo vinhos aceitáveis. É verdade que o Chile, a Argentina, os USA (na California), e até mesmo o Brasil, fabricam vinhos  bons. Não é menos verdade que Itália, Portugal e um pouco a Espanha, fazem vinhos muito bons, de primeira linha, sobretrudo nas  regiões de origem controlada. Mas vamos combinar que do mesmo nível dos franceses de Bordeaux, só mesmo os franceses da Borgogna.

Li que estão chegando os Bordeaux da safre de 2009, reputada como das melhores dos últimos anos. Foi um grande ano! Exclamam os experts.

Tanto é assim que embora o ideal fosse esperar por uns 10 ou 15 anos antes de abri-los, já dá para degusta-los com muito prazer, tal o equilíbrio obtido entre acidez e açúcar em face da qualidade das uvas, que tiveram uma maturação perfeita.

Então, aos apreciadores do bom vinho: vamos às importadoras, rapidamente, porque o governo vai baixar normas restringindo a importação de bebidas,  e também porque o verão está no fim.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Acho que já me referi no blog ao sistema oriental de seleção, veiculado como um reles apêndice no livro que contém a Lei de Parkinson, na edição que eu possuía e que se encontra em lugar incerto não sabido.
Resumidamente o método seria o seguinte: os melhores não se candidatam a coisa alguma; eles precisam ser convencidos a aceitar a posição a ser preenchida, seja uma chancelaria, seja um reitoria, seja a direção de órgão público.

Aqui no Brasil qualquer um postula cargos e posições, utilizando para consecução de seu objetivo todos os meios idôneos possíveis e, por vezes, até mesmo os  inidôneos.

Fiquei espantado com a notícia veiculada de que o secretário-executivo da Casa Civil, advogado Beto Vasconcelos, sonha em ser nomeado ministro do STF -Supremo Tribunal Federal. Ele é amigo da presidente Dilma. Alguém duvida que ela chegará lá? Com ou sem ilibada conduta e notável saber jurídico, que eram premissas para nomeação.

O ministro Dias Tóffoli está numa dúvida atroz. Não sabe, ainda, se deve se dar como impedido no julgamento do processo chamado de “mensalão” que envolve vários políticos ligados ao governo. A dúvida (?) decorre do fato de que sua sua ex-sócia e companheira, atuou na defesa de três dos acusados. 

Sem contar que ele mesmo, o Dr. Toffoli, foi advogado do PT (por isso foi nomeado para o STF) e assessor jurídico do ex-deputado José Dirceu que vem a ser um dos (ou o principal) acusados.

Você meu amigo seguidor deste blog, teria alguma dúvida, vacilaria diante de uma situação destas? Por favor não me decepcione com sua resposta.

Mas a minha decepção com os ministro  e com a Corte Suprema não terminam ai. Especula-se que haverá novo adiamento na colação do processo em pauta de julgamento. Deverá ficar para 2013.

CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL

Mas não é só no STF que encontramos casos de suspeição. Não é que a presidência da maior entidade futebolística do país está entregue a um cavalheiro que embolsou, surrupiou, uma medalha no dia da premiação dos jogadores que conquistaram a Taça São Paulo de Juniores? Chama-se José Maria Marin e foi governador de São Paulo. Bem feito! Os paulistas merecem,  e agora  correm o risco de eleger para a prefeitura da cidade o Haddad, aquele que não conseguiu organizar provas do ENEM sem fraudes.

ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA

Os da minha geração sabem da importância  das enciclopedias  Britânica, Barsa ou Lello Universal. Não contávamos com internet, logo, não tínhamos o Google. As enciclopédias eram o repositório de úteis informações, adminículo precioso para mestres e discípulos.

Pois bem, 244 anos após o lançamento de sua primeira edição, a Britânica, em sua forma impressa, irá desaparecer, não será mais reeditada. A partir de agora só será atualizada na rede mundial.

BAIXA PRODUTIVIDADE

O Brasil está colocado na 15ª posição no ranking de produtividade. Na América só ganhamos da Bolívia (se fosse no futebol diríamos que é culpa da altitude).
Nossa produtividade é de US$ 19.764 por trabalhador/ano. Nos USA é de US$ 105 mil e na Alemanha US$ 78 mil.
Perder para o Peru (US$ 24.054) é de lascar.


INVEJA

Você que inveja o Eike pelo dinheiro que tem, fique sabendo que em contrapartida ele é pai do Thor. Melhor dizendo, tem dinheiro mas tem o Thor como filho. Não estou criticando este último lamentável episódio no trânsito, mas sim o conjunto da obra. Iniciando pelo fato de jactar-se de jamais haver lido um livro completo.

19 de março de 2012

Reencontros

Temos falado muito de reencontros aqui no blog.



Esta foto documenta um reencontro, ocorrido em 1998, na sede campestre do Clube Libano Fluminense, e foi publicada em um hebdomadário que saiu de circulação, mas repercutiu em outros veículos como, por exemplo, na coluna da Tetê Bittencourt (ela namorava um dos fotografados, cuja identidade preservarei porque precisaria da autorização de ambos para divulgar).

Boa parte dos personagens participou de movimentos estudantis no final dos anos 1950 e início dos 1960, e fizeram parte da Federação dos Estudantes Secundários de Niterói. Alguns na diretoria executiva, outros como parlamentares representantes de seus colégios.

Acreditem. Havia reunião do parlamento estudantil, com regimento interno e tudo. Não se fazem mais estudantes como antigamente.

A FESN chegou a adquirir sede própria, na Rua XV de Novembro, no centro de Niterói, sem subsídios. Com recursos provenientes de mensalidades, comissões na venda de “passes” para transporte coletivo e emissão de carteirinhas de estudante. Naquela época os cinemas exigiam a apresentação da carteirinha de estudante emitida pela entidade estudantil. Em nível secundarista era a FESN e no nível universitário a UFE (União Fluminense do Estudantes ).

O golpe militar, ou revolução como preferem outros, em 31 de março de 1964, acabou com tudo. Confiscou, prendeu dirigentes e sepultou, por muitos anos, a possibilidade de movimentos estudantis em Niterói.

Quando veio a abertura os estudantes é que haviam mudado, sem interesse e consciência política.

Nesta foto, assim de memória, estariam faltando: Emetério Rodrigues Leitão, João Luiz Faria Neto, Silvio Romero Lessa, Jorge Rigó, Fernando Autran, Vantelfo Garcia, Emmanoel Sader (último dos presidentes da FENS), e muitos outros que me fogem neste momento.

Existia uma Confederação dos Estudantes Secundários que congregava as diferentes Federações Municipais. Tinha por sigla COFES e era presidida, na época (1959/1961) por Pedro Teóphilo de Mello Simão.

Na UFE, que como mencionei representava os interesses dos universitários, pontificavam Claudio Moacyr de Azevedo, João Kiffer Neto, Roulien Pinto Camilo e outros.


Foto: vejo, com alegria, que envelheci pouco desde 1998 a esta parte. Estou agachado, no lado direito.


18 de março de 2012

Reflexões dominicais

Ontem foi aniversário da Wanda. Completou ... anos. Tá louco? Achou que iria revelar.

Bem, aqui em casa estiveram os filhos, noras e netos. A neta, que já está com 15 anos, obviamente não é mais (em tempo integral) criancinha. Mas o neto, Ah! Quanta diferença (como na propaganda do shampu da Bozano).

Por causa dele lembrei da página de humor do Claudio Paiva, na Revista O Globo. Cenário: um casal conversando; ele sentado lendo jornal e ela perguntando se ele não iria se arrumar para irem a casa de um fulano amigo. Ele resmunga que não quer ir. Ela indaga porque. Ele responde que lá (na casa do tal amigo) tem “aquelas coisas pequenininhas”. Ela diz, “mas aquelas coisas pequenininhas são apenas crianças”. Ele arremata: “pois é, quando crescerem me avisa”.

Meu neto é um encanto, inteligente, amoroso, vascaíno, bonito, mas é muuuitooooo criança ainda. Trabalha com pilhas alcalinas que nunca terminam. 

Falar em Vasco, desde há muito não via um time do Vasco tão comprometido com resultado como este atual. Acho que as presenças de Felipe e Juninho, que antes de serem jogadores são torcedores do clube, influi bastante no comportamento dos demais.
Já notaram quando estão no banco, de saída ou substituídos? Comportam-se como torcedores apaixonados. Isso é muito importante, o amor (verdadeiro) à camisa.

Já que estou falando de futebol (afinal é domingo), causou espanto a alguém a opinião do Edmundo (ex-jogador ), de que no elenco atual do Vasco o jogador de quem ele mais gosta é Diego Souza? Futebol parecido (quando o Diego está “on”, não quando está “off”) e temperamento também.


Estava escrevendo sobre o Mercado São Pedro (mercado de peixe de Niterói), quando ainda funcionava ali na Visconde de Rio Branco, nas proximidades do cine Éden (claro que no lado oposto). Subitamente flagrei-me rindo, porque passou pela minha cabeça o esdrúxulo pensamento, quase uma heresia, de comparar seu estilo, sua arquitetura, com a Ponte Vecchio, em Firenze.

Olhando de lado, associei uma a outra, embora a ponte florentina seja sobre o Rio Arno e a ponte do Mercado São Pedro não leve a lugar algum, sendo apenas uma espécie de cais que avançava pelo mar alguns metros.

Mas observem. Na Ponte Velha, atualmente, são vendidas jóias e traquitanas diversas, em boxes de um lado e outro. No Mercado havia boxes, de um lado e outro.



Ao fundo de cada Box (ou barraca, ou banca) há uma pequena janela, nas duas construções (observem de lado).

No mercado, pela pequena janela, eram devolvidas ao mar as vísceras, cabeças, escamas,  guelras e tudo mais não aproveitável, para nós, porque para os outros habitantes do mar eram um ótimo suprimento de alimentos.

Leio muito que a internet afastou os amigos, que já não se promovem encontros reais, com beijinhos e abraços. E que vício tornaram-se estas tralhas tipo iPhone, iPads e correlatos , ditos “tablets”. A pessoa está com você, fisicamente, conversando, mas com o olho no iPhone sobre a mesa, diante de si, para não perder nada do que está contecendo no mundo virtual.

Mas por outro lado, não fora esta interligação instantânea de máquinas ao redor do mundo, e a Elizabeth Ré de Paiva, com quem trabalhei na Fiat Lux, jamais teria me localizado depois de tantos anos; eu não teria “achado” a Esther Bittencourt e o Ricardo dos Anjos, que trilharam caminhos muito distantes do meu, profissional e geograficamente (vivi muito tempo em São Paulo).

Temos conversado aqui neste blog, minha irmã (Ana Maria) em Teresópolis; Carlos March em Friburgo; Ricardo dos Anjos em Nova Petrópolis (RS); Esther em Caxambu, Ricardo Carrano (primo) na Carolina do Norte.

Viva a internet, que me propicia visitar museus e bibliotecas sem que tenha que gastar meu rico dinheirinho (dólares ou euros), ouvir canções que aprecio sem ter que comprar o CD que por vezes, no conjunto da obra, não valeria a pena.

Um bom domingo para todos. O que estão sempre aqui e também para os que estão de passagem. A menos que ai onde você está agora ainda não seja domingo, ou já não é mais.

17 de março de 2012

Manjubinhas


A manjuba, para quem não conhece, é um peixe pequenino, atingindo no máximo 12 centímetros, que vive em grandes cardumes, em água salgada, na faixa mais superficial dos oceanos de águas temperadas ou mais quentes.


Ainda que se reproduzam muito, são poucas as que atingem a idade de reprodução, pois estão na cadeia alimentar de outros seres marinhos.

Estação da Cantareira vista do mar
Há anos, quando ainda existia o antigo cais das barcas da Cantareira, enquanto aguardávamos a chegada e atracação da barca, de cima do cais flutuante atirávamos moedas de pequeno valor (10 e 20 centavos de cruzeiro) para que alguns molecotes mergulhassem e indo ao fundo do mar pudessem pega-las.

Era divertido para nós observar a habilidade, ligeireza e fôlego dos meninos. Alguns conseguiam pegar a moedinha antes que ela atingisse o fundo arenoso. E para eles um meio idôneo de defender uns trocados.


Mas uma outra coisa chamava a atenção quando do cais se olhava o mar, quando não estava muito agitado: enormes cardumes de manjubinha. A baia da Guanabara não era tão poluída, ainda.

E foi esta imagem que me veio à mente no outro dia, quando caminhava à beira do mar, em Icaraí. Excepcionalmente limpa, pelo menos aparentemente, a água tranquila como um lago, permitia ver bem no raso um cardume de manjubas que se estendia desde o Clube de Regatas Icaraí  até quase a altura da Belisário Augusto (fato raríssimo atualmente).

Barca Gragoatá
Continuei minha caminhada habitual, neste dia pela areia junto ao mar (em geral caminho no calçadão, mas vez ou outra é bom “fazer terra” e descarregar caminhando descalço na areia), e lembrando dos velhos tempos da travessia diária da Baia da Guanabara, primeiro nas velhas  barcas, algumas das quais eram mistas, transportando no piso inferior os veículos e na parte superior os passageiros.

Estação da Cantareira
 vista da Praça Martim Afonso
O velho prédio da estação das barcas da Cia. Cantareira e Viação Fluminense, que ficava na Praça Martim Afonso (agora Arariboia) foi depredado e incendiou parcialmente, numa revolta popular em face dos frequentes  atrasos nos horários de travessia da empresa de lanchas (mais modernas e velozes do que as barcas) conhecida como Frota Barreto, cujo cais era próximo a estação da Cantareira.

Os bondes, como o que se vê na foto e já foram objeto de post neste blog, deram lugar aos trolleybus que tiveram vida relativamente curta, até sumirem de circulação. Os bondes, não obstante os transtornos que causariam no trânsito hoje em dia, deixaram saudade.

Manjubinhas bem fritas
Já que falei das manjubinhas, vou invadir o terreno da Stella Cavalcanti (Telinha, como assina no Primeira Fonte), e dar uma receita de como se deve frita-las, até que fiquem bastante crocantes, que é a meneira de melhor aprecia-las. Principalmente com sua cerveja preferida, a um (1) grau de temperatura.





Ingredientes:

1 kg de manjubinhas
2 colheres (de sopa) de coentro picado
Suco de 2 limões
1 cebola média ralada
Farinha de mandioca
Sal a gosto
Pimenta-do-reino a gosto
Óleo para fritura


Modo de preparo:
Limpe os peixinhos deixando-os com as cabeças. Lave em água corrente e escorra bem. Misture o suco de limão com o coentro e a cebola ralada. Tempere com sal e pimenta.
Coloque as manjubinhas no tempero, misture bem e deixe tomar gosto por 15 minutos. Escorra-as bem, passe-as na farinha de mandioca e frite em uma panela com bastante óleo quente, até que estejam tostadas e crocantes.
Escorra em papel-toalha.


Dicas:
Sirva com limão cortado em 4 gomos e molho de pimenta à parte.
Serve 6 pessoas





Sobre peixes de minha infância, ver em http://jorgecarrano.blogspot.com/2011/04/carapicus-e-canhanhas.html

16 de março de 2012

Onde está a fábrica?

Por
Jorge Carrano
http://www.tauvirtual.com.br/

Nos últimos dois séculos, vimos o surgimento e o apogeu do modelo econômico baseado na produção fabril de mercadorias. Com o tempo, indústrias enormes, que empregavam milhares de pessoas, começaram a se automatizar, incluir sistemas de informação e robôs de diversos níveis de sofisticação naquela que havia sido a linha de montagem idealizada por Ford.

Nos últimos 30 anos, aproximadamente, tivemos uma mudança importante no modelo econômico, resultado direto do processo de globalização e do avanço dos computadores em nossos espaços de trabalho e privado, turbinado pelo surgimento da internet e suas consequências diretas, como as redes sociais.

Aparentemente, podemos imaginar tratar-se de uma mera evolução tecnológica, mas há outros aspectos mais interessantes. Vamos a dois deles.

O primeiro tem a ver com a relação dos empregados com o ambiente de trabalho. No modelo tradicional de produção industrial, você precisa levar os trabalhadores até a fábrica, estabelecer horários, turnos, cartões de ponto, refeitórios e outras características ainda presentes nas fábricas de todo o mundo. Nesse modelo, a separação entre público e privado era fácil. O uniforme, por exemplo, servia para marcar esse espaço. Ao chegar à fábrica, coloque o uniforme, pois uniformes também eram as mercadorias, produzidas em massa, anunciadas por meios de comunicação de massa, para os trabalhadores em geral, também chamados de “a massa”.

Numa sociedade onde o produto principal pode ser uma ideia, software ou projeto, concebido na mente e “fabricado” no interior de uma placa de computador, turbinada por chips cada vez mais potentes, a distinção entre público e privado é a primeira a desaparecer.

Já há algum tempo, os horários de trabalho e lazer se confundem. Você pode assistir a um vídeo engraçado no You Tube enquanto está no escritório, mas também atende a ligação do chefe no smartphone quando está em casa. O espaço de trabalho e lazer estão misturados porque o motor dessa nova forma de produção é o cérebro. A fábrica, assim, está onde você estiver. Parafraseando o Cinema Novo, seria algo como “um smartphone na mão e uma ideia na cabeça”.

O outro aspecto diz respeito à conscientização quanto ao esgotamento dos recursos naturais do planeta. No modelo fabril tradicional, havia a impressão de que poderíamos seguir produzindo cada vez mais, consumindo cada vez mais água, energia e outros recursos de maneira infinita. Produzir mais, anunciar mais, vender mais, para produzir mais, anunciar mais e vender mais, numa espiral sem fim. A conta não fecha.

Na perspectiva de uma sociedade menos baseada no carbono, muitas empresas fizeram verdadeiras revoluções em seu modelo de produção. Muitas delas, hoje, sequer possuem fábricas. Terceirizam sua produção industrial para países distantes. Com isso, cuidam do que tem “valor”, ou seja, a marca, e transferem parte do problema – consumo de água, poluição e outros impactos socioambientais – para longe dos olhos de seus preocupados consumidores.

Ter a fábrica por perto, antes um atributo de logística importante, virou um grande problema para muitas corporações. Então a solução é levar tudo para a China, certo? Errado.

Na conectada sociedade do conhecimento, a tecnologia joga a favor da comunidade. Pode colocar sua fábrica no interior da China, mas alguém sempre poderá filmar com um celular um processo poluidor e jogar nas redes sociais.

O publicitário David Ogilvy escreveu que só comprava produtos que tivessem boa propaganda, pois se a propaganda, que era a face mais visível da empresa, fosse ruim, “imagina o que a empresa fazia no escurinho da sua fábrica”, alertava ele.

Esse “escurinho” está cada vez mais claro, não importa onde esteja a fábrica.


Nota do  Editor: O Jorge Carrano que assina é o filho primogênito do blogueiro.
                          O texto original está em http://www.cavernaweb.com.br/?p=2361

15 de março de 2012

CHEIROS PERDIDOS E RESGATADOS

Por
Riva52




Todos os dias, mais ou menos às 8h da manhã, passo de motocicleta pela Estrada Fróes em direção às Charitas, para pegar o catamarã rumo à Praça XV.

É um raro momento de viagem no tempo, diária.

Naqueles curtos 1.000 metros de curvas gostosas com a moto, os cheiros da região invadem meu nariz e me transportam para minha infância e juventude.

Sim, porque quando casei em 1977 parei de viver na casa onde fui criado desde meu nascimento, no Pé Pequeno ( http://wikimapia.org/5939504/pt/P%C3%A9-Pequeno ) , e me “tranquei” em um apartamento com minha esposa, iniciando um novo ciclo em nossas vidas, pois ambos sempre moramos em casas com quintal até então.

Ali naquela casa do Pé Pequeno eu farejava diariamente o limoeiro da minha vizinha Dona Aninha (cujos espinhos caíam no meu quintal e encravavam na sola dos meus pés, quando jogava bola).

As pequenas queimadas dos morros do entorno – aquele trágico mas gostoso cheiro de mato queimado (no bom sentido, por favor).

O perfume que emanava das diversas plantas e arbustos do nosso quintal.

O cheiro do café da manhã sendo preparado.

A brisa da manhã contaminada pelo contato com o nosso flamboyant na frente da casa.

O cheiro do quintal molhado pela chuva.

O cheiro dos nossos cães .... não esqueço o cheiro do meu cachorro molhado ! Dava banho de mangueira nele 1 vez a cada 15 dias, com sabão de côco. No final, acabava encharcado junto com ele !

Na Estrada Fróes meu capacete é invadido diariamente por esses cheiros maravilhosos, que não são sentidos em Icaraí, onde vivo há quase 40 anos.

Outro dia, um desses cheiros me pegou de surpresa de forma tão forte numa das curvas, que tive a impressão que perdi os sentidos por 1 milionésimo de segundo.

Não me lembro exatamente do que era, mas com certeza era cheiro do Pé Pequeno.

Preciso dar um jeito de passear na Estrada Fróes em outros horários, porque certamente reencontrarei cheiros vespertinos e noturnos ... o almoço e o jantar sendo preparados, o cheiro do cair da tarde, e os sons também .... grilos, vira-latas latindo, periquitos mil, o vôo das andorinhas, a sinfonia dos pardais no fim do dia .... caramba !! estou quase ouvindo minha avó nos chamando pra jantar : “ Está na mesa !!!” ,,, rsrs .

Isso me lembra que uma das nossas vizinhas, mãe dos irmãos Pedro e Mauro, badalava um sino de vaca para chamá-los para o jantar. Dava pra ouvir no bairro inteiro ! rsrs.

Em Friburgo, onde temos um ap/chalé, consigo resgatar um pouco dessa química, principalmente em relação aos cheiros das comidas que minha avó fazia, maravilhosas. E lá tem realmente um lugar para almoçar que se aproxima muito mesmo dos temperos e cheiros das minhas refeições na casa do Pé Pequeno ... chama-se Dona Mariquinha (http://www.hotelmounteverest.com.br/index.php?secao=paginas/restaurante ).

Não sei porque resolvi escrever sobre isso .... seria a proximidade dos 60 ?

Vocês também têm saudade dos cheiros perdidos da infância e da juventude ?

14 de março de 2012

Homenagem do blog aos poetas

Por
Esther Lucio Bittencourt
(Jornalista e poeta)

Hoje é Dia Internacional da Poesia. Em homenagem a todos os poetas e para deleite dos visitantes deste blog, publicamos uma poesia de Esther Lucio Bittencourt, querida amiga, que pode ser encontrada em http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/obrasdigitais/saciedigpv/13/estherluciob01.php

Falta do que fazer: pesquisa sobre o @

    Por
  Riva 52


Durante a Idade Média os livros eram escritos pelos copistas, à mão.

Precursores dos taquígrafos, os copistas simplificavam seu trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais  rápido (tempo era o que não faltava, naquela época!). O motivo era de ordem econômica: tinta e papel eram valiosíssimos.

Assim, surgiu o til (~), para substituir o m ou n que nasalizava a vogal anterior. Se reparar bem, você verá que o til é um enezinho sobre a letra.

O nome espanhol Francisco, também grafado Phrancisco, foi abreviado para Phco e Pco ? o que explica, em Espanhol, o apelido Paco.

Ao citarem os santos, os copistas os identificavam por algum detalhe significativo de suas vidas. O nome de São José, por exemplo, aparecia seguido de Jesus Christi Pater Putativus, ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde, os copistas passaram a adotar a abreviatura JHS PP, e depois simplesmente PP. A pronúncia dessas letras em sequência explica por que José, em Espanhol, tem o apelido de Pepe.


Já para substituir a palavra latina et (e), eles criaram um símbolo que resulta do entrelaçamento dessas duas letras: o &, popularmente conhecido como e comercial, em Português, e, ampersand, em Inglês, junção de and (e, em Inglês), per se (por si, em Latim) e and.

E foi com esse mesmo recurso de entrelaçamento de letras que os copistas criaram o símbolo @, para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de casa de.

Foram-se os copistas, veio à imprensa - mas os símbolos @ e & continuaram firmes nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registro contábil http://br.mc1622.mail.yahoo.com/mc/compose?to=10@%C2%A33 significava 10 unidades ao preço de 3 libras cada uma. Nessa época, o símbolo @ significava, em Inglês, at (a ou em).


No século XIX, na Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar as práticas comerciais e contábeis dos ingleses. E, como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses davam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo devia ser uma unidade de peso. Para isso contribuíram duas coincidências:

1 - a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo inicial lembra a forma do símbolo;

2 - os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Por isso, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registro de http://br.mc1622.mail.yahoo.com/mc/compose?to=10@%C2%A33 assim: dez arrobas custando 3 libras cada uma. Então, o símbolo @ passou a ser usado por eles para designar a arroba.

O termo arroba vem da palavra árabe ar-ruba, que significa a quarta parte: uma arroba ( 15 kg , em números redondos) correspondia a 1/4 de outra medida de origem árabe, o quintar, que originou o vocábulo português quintal, medida de peso que equivale a 58,75 kg .

As máquinas de escrever, que começaram a ser comercializadas na sua forma definitiva há dois séculos, mais precisamente em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais datilografados), trouxeram em seu teclado o símbolo @, mantido no de seu sucessor - o computador.


Então, em 1972, ao criar o programa de correio eletrônico (o e-mail), RoyTomlinson usou o símbolo @ (at), disponível no teclado dessa máquina, entre o nome do usuário e o nome do provedor. E foi assim que http://br.mc1622.mail.yahoo.com/mc/compose?to=Fulano@Provedor X ficou significando Fulano no provedor X.

Na maioria dos idiomas, o símbolo @ recebeu o nome de alguma coisa parecida com sua forma: em Italiano, chiocciola (caracol); em Sueco, snabel (tromba de elefante); em Holandês, apestaart (rabo de macaco). Em alguns, tem o nome de certo doce de forma circular: shtrudel, em iídisch; strudel, em alemão; pretzel, em vários outros idiomas europeus. 

No nosso, manteve sua denominação original: arroba.