12 de março de 2016

Você fala português?

A gente pensa que fala, mas quando se chega em Portugal constata-se que nós falamos alguma coisa parecida com o idioma lusitano. O ritmo é diferente, a entonação também.

Assim como o galego que alguns ainda falam na Galícia, nossa língua é uma corruptela da língua derivada do latim vulgar (lingua crioula).

Fui comer os famosos pasteis de nata (pasteis de Belém), na casa que os criou e detém, à sete chaves, a receita original.

Lá chegando: surpresa!!!

Não eram pasteis e, sim, empadas. Vejam abaixo se não tenho razão.
Pastel de Belém (pastel de nata)

Fui conhecer a loja de departamentos El Corte Inglés, de Lisboa. Já conhecia a de Madrid, mas como queria comprar para o Jorge (meu primogênito) o livro do José Saramago intitulado “O Homem duplicado” achei uma boa razão para ir o tal magazine (magasin, em francês).

loja de Lisboa
Seria uma surpresa para ele ter o exemplar da edição portuguesa, na forma casta. Depois fiquei sabendo que por exigência contratual as edições brasileiras deveriam respeitar as palavras  e a forma da escrita original.

Comprado o livro, na saída passamos pela confeitaria no interior do magazine. Na vitrine os doces eram tentadores. Todos!

Pedi uma bomba de chocolate. P’ra que? A balconista não conteve o riso e perguntou: és brasileiro, pois sim?

Perguntei como ela deduziu e ela respondeu: aqui não as chamamos de bomba, que é explosivo. Nós as chamamos éclair.

Éclair de chocolate
Passei uns meses no Brasil na casa de uma tia que lá mora, por isso sei.
O mais absurdo, entretanto, aconteceu no Palácio  da Pena, em Sintra.
Palácio da Pena, em Sintra
Ao percorrê-lo havia um determinado cômodo que não consegui identificar na plaquinha indicativa presa à porta. Era um português que a mim parecia grego. Mas o texto escrito abaixo, em inglês, era fácil de entender, tratava-se de uma espécie de escritório.

Absurdo estando em Portugal entender melhor uma placa em inglês do que a escrita em português.

Notas do editor: 
Na wikipédia
Uma língua crioula é uma língua natural que se distingue das restantes devido a três características: o seu processo de formação, a sua relação com uma língua de prestígio e algumas particularidades gramaticais. Uma língua crioula deriva sempre de um pidgin, que não é uma língua natural, mas apenas um sistema de comunicação rudimentar, alinhavado por pessoas que falam línguas diferentes e que precisam de comunicar. É errada a ideia de que as línguas crioulas sejam dialetossem gramática,corruptelas ou uma mistura de outras línguas (normalmente europeias).

Série sobre idiomas
A série sobre viagens e idiomas será interrompida antes do "parlare italiano" e "hablar español", porque um valor maior se alevanta. Vamos aguardar o que nos reservam os próximos dias.

3 comentários:

Carlos Frederico disse...

As melhores bombas (eclairs) de chocolate que já comi em minha vida foram nas lojas da franquia "Doces Húngaros", seja em Teresópolis ou Petrópolis. Grandes, recheadas de creme chantilly não muito doce e cobertas de chocolate meio amargo.

Fazem dupla com os mil folhas idênticos, com a massa folhada fina e crocante entremeada com chantilly e recoberta com uma grossa camada de chocolate. Impossível de comer sem se lambuzar! Recomendo garfo e faca - para o mil folhas, não para a bomba.

Ah, que maldade com quem acabou de se saber diabético...

Jorge Carrano disse...

Em Niterói, atualmente, prefiro os da Beira Mar. Ambos: folheado e bomba.
Doces são a minha perdição gastronômica. Por isso triglicérides altíssomo.

Riva disse...

Passo longe de doces .... já basta o açúcar natural dos alimentos ...

Mas ... e a Coca-Cola ? hmmmmmm