30 de março de 2016

Enquanto ainda lembro

Nunca perdoarei o Carlinhos por me escalar no time reserva. Ele preferia o Paulo Massa, no time de futebol de salão.

O parágrafo acima, pequeno, contém duas mentiras. A primeira é que nunca pensei no assunto, eu queria era jogar. A segunda é que o Carlinhos não “preferia” o Paulo Massa. A questão é que ele jogava muito mais mesmo, era mais completo.

Eu me empenhava, com muita  entrega , muita disposição, mas técnica e chute forte quem  tinha era o Massa.

Estou me referindo  aos tempos áureos do Liceu Nilo Peçanha, padrão de ensino  no lado de cá da Guanabara. No lado de lá a grande referência era o Colégio Pedro II.

Perdemos-nos nos caminhos da vida, dobramos esquinas diferentes. Ele, formado, partiu para concursos públicos, obtendo êxitos, até atingir o que realmente queria: a magistratura na área criminal.

Um belo dia, não lembro como e nem porque, eu morava e trabalhava em São Paulo, tivemos oportunidade de uma conversa telefônica. Ele, pensava eu, ainda era promotor de justiça. Indaguei, então ainda está "promovendo"? Ele, de bate-pronto, ” não, agora estou magistrando”.

Havia assumido o Primeiro Tribunal do Júri, na capital. Tempos depois apareceu na mídia como o juiz que presidiu o julgamento da atriz Dorinha Duval, que teve grande repercussão na época.

Nas minhas férias, como não poderia deixar de ser, vim para o Rio de Janeiro e resolvi numa tarde visita-lo no Tribunal do Júri.  Não nos víamos há muitos anos. Cheguei cedo e o porteiro/secretário/segurança  informou que ele não havia chegado. 

Entreguei meu cartão de visita e disse que aguardaria um pouco. Havia uma sala de espera no gabinete dele.

Passado algum tempo, ele abre a porta  e  me parecendo contente com a visita, sacaneou: “que história de cartão de visita é essa?” “Babaquice”, exclamou.

Conversamos por não muito tempo porque ele teria que presidir a sessão daquele dia. Quando estávamos em meio às novidades recíprocas (ele havia morado em Cantagalo, e eu nem sabia), eis que entra na sala do Carlinhos ninguém menos que o Alberto Motta Moraes (agora desembargador), que era juiz de instrução (é isso mesmo Carlinhos?) no mesmo Tribunal.

O Alberto não era meu amigo, até que numa excursão a cidade de Cachoeiro de Itapemirim ele aprontou horrores. Além botar a bunda na janela quando nos aproximávamos de alguma estação – fomos de trem – na competição de natação da qual ele participou, no nado de costas a superioridade dele era tal em relação aos capixabas que disputavam, que na virada ele começou a esguichar um filete de água pela boca, como se fosse uma baleia. De morre de rir.

Já contei aqui neste espaço que só me elegi, por duas vezes, presidente do Grêmio do Liceu, porque tinha como apoiadores (cabos eleitorais) duas das pessoas mais conhecidas da escola, naquele tempo: o Carlos Lopes e o Irapuan Paula Lima de Assumpção.

Estes dois apresentavam, nos intervalos de recreio, aproveitando a aparelhagem de som, um programa informal com comunicados de interesse geral, faziam algumas fofocas e botavam algumas músicas para tocar e alegrar e descontrair o pátio.

Gente! Quem não viveu isso perdeu. E não tem volta.

Para encerrar, o Carlinhos tocava tarol (ou era caixa?) na banda do Liceu, que desfilava nas paradas da independência, nos 7 de setembro.

Ajudou muito a recuperar o prestígio do Liceu nas competições esportivas, contando com o apoio do professor de educação física - Alber Pessanha, com o qual tomávamos muita cerveja, inclusive na casa dele – Alber – deixando  dona Lucia sua (his) esposa em polvorosa.

Foi na casa dele que ouvimos a final da Copa de 1962 e depois fomos bebemorar.

Antes cantei “Conceição” sucesso do momento. Quem acredita?

17 comentários:

Paulo Bouhid disse...

Bom dia, Jorge. Se for o mesmo "Paulo Massa", irmão do Edgard, jogamos - os três - muito futebol lá no Country. Vou procurar uma foto tirada em fins de 74, quando jogamos o campeonato no mesmo time, o "Cruzeiro". Nela tb aparece o Gugu, e um garoto cabeludo inidentificável!!!

Jorge Carrano disse...

Sim, Paulo, também tenho foto do seu xará (vou procurar). Eu ia ilustrar o post com fotos da época, mas fiquei com preguiça de procurar e digitalizar.
Edgard Massa também foi Juiz. Aposentou e virou advogado. Não o tenho visto no Forum já há uns três anos.

Paulo Bouhid disse...

Já esbarrei com Edgard algumas vezes, no Centro de Niterói (sabia que ele era juiz, mas não sabia de sua aposentadoria)... mas faz algum tempo. O Paulo Massa, me parece, teria ido pra outro município. E faltou o Chico Massa, médico, que tb batia uma bola com a gente.

Falando nessa família, me lembrei de outra, dona das Casas Leader, que acaba de pedir falência, fechando 90 lojas em todo o país. O patriarca (Nilton) era muito amigo de meu irmão (que mora em Terê); dois dos filhos, Emerson e Robson, tb batiam uma bola lá no clube. Faz tempo...

Jorge Carrano disse...

Não sou sócio do Country Club, mas conheci bastante um presidente (ex?) de nome Alfredo Schnetzler. Trabalhamos juntos na Fiat Lux e a falecida esposa (Nancy) dele foi amiga de minha mulher.
O esporte do Alfredo era basquete. Jogava bem e foi técnico da equipe feminina da empresa.
Isso foi na década de 60, do século passado.

Jorge Carrano disse...

Quando o Edgard se aposentou, sem esperar ir a desembargador, passou a advogar. Mas como disse não o vejo faz muito tempo.
Quanto ao Paulo Massa acho que se profissionalizou no esporte e deixou Niterói.

Paulo Bouhid disse...

Alfredo ainda está por lá... (foi ex-presidente, sim) e tb um de seus filhos (Marcelo), na turma do basquete. Quando do meu primeiro casamento, ficamos muito amigos. A Nancy chegou a preparar uma festinha surpresa (na casa deles em SFrancisco) num dos meus aniversários. Era uma turminha boa...

Jorge Carrano disse...

Paulo,
O Carlinhos, citado no post, está na foto que lhe enviei, agachado bem diante de mim.

Também estivemos (eu e Wanda) naquela casa, em São Francisco, num encontro promovido pelo casal. Nancy também trabalhou na Fiat Lux e jogava basquete. Estavam presentes, se bem me lembro, Lerruth Pinheiro, Alvaro Cardoso de Oliveira, Joel F. Figueiras, e outros que realmente não recordo.

Para quem não viu a foto supracitada, esclareço que é da equipe de futebol de salão do Liceu, no final da década de 50, do século XX.

Em outra foto, esta enviada pelo Paulo par mim, aparecem ele, claro, e outros integrantes do "Cruzeiro" um time de futebol do Country. Nela aparece o Paulo Massa citado também na postagem.

Vai ver todos nascemos na mesma maternidade (KKKKKKK)

Ana Maria disse...

Também nasceram na casa da vovó?????

Jorge Carrano disse...

Outra nota de esclarecimento:
O chiste de minha irmã, é porque eu nasci na casa de minha avó materna, com parteira, e não numa maternidade.

Paulo Bouhid disse...

Não tô reconhecendo o "Carlinhos". Havia um sócio, tb antigo, que jogava lá, e que era apelidado de Carlinhos Frigideira...

Dessa turma que vc citou na casa da Nancy, não conheço ninguém, até pq, conforme exaustivamente citado aqui no blog, só desembarquei em Nikiti em 1971.

A quem interessar possa, nasci na Beneficência Portuguesa, em Petrópolis/RJ!! Não sei dizer se a casa pertencia à minha vó...

Jorge Carrano disse...

O Carlinhos "Frigideira" era o Carlos Augusto Braga Land, filho do desembargador Braga Land.
Foi contemporâneo meu no Liceu. Seu irmão Luiz Gonzaga, entretanto, foi meu colega de turma. O Luiz fez concurso para a aeronáutica (Escola Preparatória de Cadetes do Ar). Acho que pertenceu à "esquadrilha da fumaça". Fiz o mesmo concurso, um ano depois, e fui reprovado no exame de vista (discromatopsia).
O Frigideira (Carlinhos) tinha este apelido porque ele batia frigideira muito bem, no ritmo do samba. Acho até que ele subia o Morro do Cavalão pra tocar com o crioléu de lá.
Não tenho certeza, mas acho que fez odontologia.

Cacilda!!! E você só chegou em 1971. Eu já tinha 31 anos de idade, era casado e tinha dois filhos.

Jorge Carrano disse...

Não achei, via Google, nem o Carlinhos "Frigideira" e nem o Luiz Gonzaga, mas achei o pai deles, agora como nome de rua em Camboinhas:

CEP 24358-649
Rua Desembargador Moacyr Braga Land - Camboinhas
Niterói - Rio de Janeiro

Paulo Bouhid disse...

Vc falou e me lembrei... era Land sim... nunca mais vi.

Os amigos que fiz ou foram no clube ou no trabalho... Se passou pelo Country, ou se trabalhou na CBEE/CERJ/AMPLA, devo ter conhecido!!

Jorge Carrano disse...

A quem interessar possa:

http://tecnicopaulomassa.com/curriculo/

Carlos Lopes disse...

Prezado Carrano:
Realmente, o Paulo Massa jogava muito mais que você eu. Tanto que foi jogador profissional do Internacional de Porto Alegre e do Canto do Rio, que então disputava o Campeonato Carioca. Por isso, eu, como técnico observador e imparcial, escalei-o para o primeiro time de futebol de salão do Liceu. Não se esqueça que eu, também, joguei no segundo time, ao teu lado. Lá no Liceu, uma das coisas de que tínhamos muito orgulho, era o fato de não favorecermos ninguém. O Massa, mesmo tendo entrado naquele ano no Liceu, foi logo escalado para o time titular.
O Alber Pessanha, nosso professor de Educação Física, logo tornou-se nosso amigo. Frequentávamos sua casa (no mesmo prédio onde vc. morou), com ele tomávamos algumas cervejas, participou de algumas de nossas excursões. Nos anos 60, dirigindo o Canto do Rio F.C., fez uma proveitosa excursão pela Europa, comandando o time de futebol.
O Alberto Motta Moraes, citado por você, foi titular da Vara Sumariante do I Tribunal do Júri, enquanto eu era o Juiz Presidente desse tribunal. Era uma espécie de juiz de instrução, cuja competência ia até a decisão de pronúncia, passando daí para a frente o processo para a Presidência do Tribunal. Essa Vara Sumariante foi extinta posteriormente.
O Carlinhos "Frigideira", realmente, era o "Campista" (Carlos Augusto da Costa Land), que tocava muito bem frigideira, meu colega de turma no Liceu desde o primeiro ano científico e do Curso Pasteur, onde estudamos para o pré-vestibular de medicina. Ele acabou dentista e eu, magistrado. Muitas vezes o acompanhei em subidas aos morros do Cavalão e do Viradouro, onde participamos de várias rodas de samba. Frequentávamos muito as casas um do outro e tive o prazer de conhecer seu pai e mãe, o então juiz Moacyr Braga Land e sua mãe, dona Izaura, bem como seu irmão Luiz e sua irmã Ângela.
Você comentou em outra publicação que eu teria funcionado no processo do general Newton Cruz. Sim, é verdade, mas somente até a decisão de pronúncia, que foi minha e após ter sido alvo de diversos recursos até mesmo junto ao Supremo Tribunal Federal, foi mantida e o acusado foi julgado pelo Tribunal do Júri, sendo absolvido. Mas, não presidi o Júri, pois já estava aposentado.

Jorge Carrano disse...

Caro Amigo,
Muito grato pelos esclarecimentos.
O que me deixa feliz é que mesmo na idade que (felizmente) alcançamos, nossas memórias continuam intactas.
Principalmente a memória afetiva.
Volte sempre ao blog, querendo.
Abraço.

Jorge Carrano disse...

Vejam o curriculum do titular do time de futebol de salão que me levou para a reserva:

http://tecnicopaulomassa.com/curriculo/