1 de maio de 2016

Não perder o humor é uma boa fórmula

Céu carrancudo, ondas fortes batendo contra o calçadão, naquele trecho em que o mar não se rende à areia e fica mais próximo da via pública foi que se deu o caso.

Aqui em Niterói isto ocorre na junção da Praia das Flexas com a de Icaraí, onde estão localizadas as pedras famosas da orla: a do Índio e a de Itapuca.

Pedra do Índio, a erosão já descaracterizou o rosto do índio
A Pedra do Índio já foi a mais usada nos postais da cidade, antes da construção do MAC (Museu de Arte Contemporânea), que passou a ser a nova logomarca da cidade sorriso.

Mas, dizia eu, embora com a temperatura mais baixa, céu cinza e um pouco de névoa na direção do Rio de Janeiro, fui dar minha caminhada.

Neste tal trecho onde o mar batia forte contra o calçadão, era natural que jorros de água fossem lançados sobre os transeuntes. Quando passávamos, eu e Wanda, um gari da CLIN, rindo, bem-humorado, falou alto: “cuidado vão se molhar o mar tá bravo ...”  e acrescentou: “tomara que leve o PT”.

Juro, invoco o testemunho de minha mulher que nunca me deixou mentindo sozinho.

Há muito tempo, e acho até que já contei num dos mais de 1.990 posts publicados, na época em que eu tinha vigor físico e fôlego e caminhava até quase a praia de Gragoatá, subindo a ladeira íngreme que leva até o MAC, passando pela Ilha da Boa Viagem e seguindo até o Forte lá existente, ouvi uma gozação feita por dois operários da obra de construção de um dos agora muitos prédios construídos no lado oposto, nas imediações do museu.

Forte Gragoatá
Foi assim. Era domingo e não passava das oito da manhã. Como antecipei caminhava no calçadão em direção ao museu quando ouvi conversa do outro lado. Como era cedo, sem trânsito, o silêncio só era quebrado pelo canto de um sabiá ou um bem-te-vi dos que habitam as árvores no local.

Praia da Boa VIagem, com o MAC
Por isso foi possível ouvir nitidamente a conversa de dois empregados (certamente nordestinos), na porta de entrada do canteiro de obras. Um perguntou ao outro: “você acha que aquele coroa vai perder a barriga andando?”

Subida para o MAC. À direita, um dos prédios na época em construção e
à esquerda Ilha da Boa Viagem com a ponte de acesso
Ainda foi possível ouvir a pronta resposta do outro: “se ele for até Fortaleza sim.  Ri com meus botões.

Voltando a hoje, dois senhores, cabelos grisalhos, que cruzaram conosco, conversavam e deu para ouvir um dizer para o outro que "se o inverno for rigoroso como esta amostra de hoje" (estava 16 graus Celsius), "vamos virar picolés". Repito, a temperatura estava em agradáveis 16 graus.

Na semana passada, estes mesmos amigos teriam um comentário diferente, tipo: “se não terminar este calor vamos derreter”.

Assim somos nós, eternos descontentes.


Mas louvo aqueles que não perdem o espírito de humor e a alegria da vida, embora enfrentem dificuldades, carências e incertezas.

Notas do autor:
1) A grafia, tradicional, é assim mesmo "Flexas"
2) As imagens são do Google, embora tenha muitas fotos destes locais (preguiça de digitalizar).
3) Aproxima-se o post de número 2.000, que será de autoria da Alessandra (já convidada).

13 comentários:

Jorge Carrano disse...

Este texto foi escrito ontem, sábado, dia 30 de abril. Está sendo publicado hoje, dia 1º de maio.
Logo, quando no texto está hoje, refere-se a ontem.

Hoje mesmo, domingo, ainda não fui caminhar. Mas irei.

Esta bula é necessária por causa dos pentelhos que adoram apontar erros, enganos, equívocos, distrações e inconsistências nos escritos do manager.

GUSMÃO disse...

Logo mais, às 16 horas, que vença o melhor. No caso o Glorioso (he he he ).

Jorge Carrano disse...

Gusmão,
Quando eu era menino, tinha times de botão das equipes cariocas. O ataque do Botafogo era: Paraguaio, Pirilo, Geninho, Otávio e Braguinha.

Eu recortava os nomes das escalações publicadas nos jornais e com muito cuidado para não lambuzar o botão, colava com "goma arábica".

Se fosse naquela época até poderia dar Botafogo, embora o Vasco tivesse Tesourinha, Maneca, Ademir, Ipojucan e Chico.

Não tenho antipatia pelo Botafogo, donde se ele for campeão assimilarei a derrota sem grande esforço.

Jorge Carrano disse...

O mar continua agitado e batendo forte naquele trecho do calçadão. O sol de mentirinha, vez ou outra sai detrás da nuvem e dá o ar da graça. Mas um ventinho frio também sopra uma vez ou outra.

Está mais para um vinhosinho do que uma cervejinha.

Hoje, "Dia do Trabalhador", quase onze milhões de desempregados irão ouvir o blablablá da anta que ao invés de se preocupar em empregar aqueles que querem resgatar suas dignidades e trabalhar, aumentará a esmola para os acomodados.



Carlos Frederico disse...

Antes de comemorar com a anta, os trabalhadores deveriam ler esse artigo cujo link informo abaixo (copiar e colar em navegador)

http://oglobo.globo.com/brasil/programas-sociais-tem-cortes-de-ate-87-com-dilma-19206020

Riva disse...

Dei minha caminhada, que sempre termina no Whiscrytório da Comendador Queiroz para traçar um pastel ... hoje foi de frango para a Matriarca Vascaína e de boi ralado. Os melhores ! Infelizmente hoje não tinha de bacalhau nem de camarão. Muuuuito bons.

Algum de vocês já viu algum sindicato fazendo manifestação contra o desemprego massacrante no país ? Não ??? ..... Ah, tá.

Também presto atenção aos diálogos no meu entorno. Vejam esse dessa semana, dentro do 47, indo para as Barcas :

- Cara, há quanto tempo não te vejo ! Senta aqui !
- Po, foram 15 anos. Já tenho o alvará de soltura, tudo legal.
- Cara, que coisa isso tudo, como você está ?
- Eu estou bem, e ele foi para o inferno. Disse na cara do juiz que só me arrependia de ter cortado ele muito rápido. Tinha que ter feito bem devagarzinho. Agora etou aqui tranquilo e ele acabou.
- Caramba !
- Como está a Patrícia ?
- Já é avó, dois netinhos.
- E o Augusto ?

..... fui para perto da porta e não ouvi o restante do rico diálogo.

Jorge Carrano disse...

Riva,
Você me fez lembrar uma conversa entreouvida que me assustou e me deixou perplexo na época.
Não lembro exatamente o ano, mas certamente foi por volta de 1998, porque eu ocupava uma mesas gentilmente cedida pelo amigo Hermes Santos, no escritório dele.
Eu vinha de dois anos sabáticos (rs), quando morei e cocei saco em São José de Imbassaí e voltei a moirara em Niterói, e queria (precisava) voltar a trabalhar.
O Hermes atuava (atua) na área criminal e eu não. Mas não tive como negar o pedido feito por ele de acompanha-lo numa visita a um cliente no presídio Ary Franco.
Ficamos aguardando na sala de espera até o horário estabelecido, juntamente com outra advogada. Nada tem a ver com o que quero contar, mas só para recordar outros tempos, digo que ele precisava telefonar e não tinha ficha. Eu, sempre prevenido, tinha e cedi, para ela poder usar o telefone público.
Quando foi liberado o acesso entramos e por coincidência o detento que ela foi visitar estava sentado bem próximo do cliente do Hermes, de sorte que pude ouvi-la chegar, indagando para o enorme "interno" que a aguardava: "Você precisava ter dado aquela cadeirada no promotor?"
E ele: "eu ia ficar ouvindo calado?"

Como você diria: "pano rápido".

Juro que foi verdade e por estas e outras nunca mais coloquei os pés em um presídio.

Para você ter uma ideia de como raciocinam os bandidos e como são inteirados da legislação, outro caso envolvendo cliente do Hermes.
Este não presenciei mas o próprio me contou. Ele estava contente por ter conseguido a transferência do cliente para Niterói, para ficar mais próximo da família. Segundo o Hermes não foi fácil, mas conseguiu.
Quando na visita ao preso ele contou a novidade, o cara respondeu para ele, em tom agressivo: grande coisa "dotô", o Zé (qualquer coisa, não lembro) conseguiu habeas corpus. E nem agradeceu ao Hermes.

Defender pé rapado, bandido chinfrim, é duro e arriscado. Se é para ser criminalista é bom ter como clientes os Lulas, os Cunhas, os Calheiros da vida.

Jorge Carrano disse...

Recebi uma piada, uma montagem fotográfica de Dilma anunciando:
"Neste dia do trabalho estou aumentando a renda de quem não trabalha".

A anta anunciando o aumento do valor do bolsa família. Este é um país do nonsense.

Jorge Carrano disse...

O Botafogo sufocou o Vasco, com marcação pressão, na saída de bola, assim como fez contra o Fluminense na semifinal, que ganhou bem.
Só que Jorginho parece ter estrela (ué! Não é o Botafogo o time da estrela?) e o pior jogador do Vasco fez o gol da vitória.
Jorge Henrique, em nossas peladas no passado, seria o último a ser escolhido no par ou ímpar.

Jorge Carrano disse...

Do Ricardo Noblat:

"A Lava-Jato dispõe de indícios e provas suficientes para prender Lula por obstrução da Justiça, ocultação de bens em nomes de terceiros e recebimento de dinheiro por palestras que não fez. Lula só não foi preso ainda porque o Supremo Tribunal Federal avocou a responsabilidade de decidir o futuro dele, uma vez que Dilma o havia nomeado ministro. Em breve, pode mandar prendê-lo. Ou deixar que o juiz Sérgio Moro o faça."

Carlos Frederico disse...

Opino que prender Lula, ou melhor, condenar Lula é mais importante que demitir a Anta. Apesar dela ter uma faca e um queijo nas mãos - e estar começando a praticar a filosofia da terra arrasada - é mais fácil ao congresso cercear suas medidas alucinadas.

Ao passo que todos sabem que Lula é venerado por uma legião de fanáticos e sua prisão pode desencadear uma revolta armada, uma guerra civil. Há que ser feita com muita psicologia de massas, provando com argumentos irrefutáveis e dentro da constituição que ele realmente cometeu os crimes de que é acusado.

Essa me parece a principal razão da demora em pegá-lo.

Jorge Carrano disse...

Fazer o quê com Lula condenado, Freddy?

Se não devemos prende-lo e não podemos expulsa-lo do país, é preciso apontar uma solução.

Carlos Frederico disse...

Jogo de palavras.
Eu achei melhor usar a palavra condená-lo do que prendê-lo, pois que hoje em dia prende-se e solta-se logo depois. Contudo, concordo que muitas das vezes se condena sem prender.

Jogo de palavras.
Quem gosta disso é advogado e negociador.
Minha falecida mãe também adorava, quando a gente discutia.
Achava que assim me distraía da linha de raciocínio, já que para ela era mais importante levar a melhor na discussão do que chegar a uma solução justa na contenda.

Vou imaginar que não esteja acontecendo a mesma coisa...
<:o)