10 de maio de 2016

Leituras I

Não li Monteiro Lobato. Na verdade minhas primeiras histórias não foram lidas, foram ouvidas. Não me refiro as histórias por certo contadas por minha mãe para eu dormir, pois destas não guardo nenhuma lembrança. Nem poderia.

Falo dos discos com histórias infantis, muito bem produzidos. Nosso pai comprou o da “Branca de Neve e os Sete Anões” e o “João e Maria”.

Lembro até hoje o diálogo da rainha malvada com seu espelho mágico: escravo do espelho meu, surge do espaço profundo e vem dizer se há no mundo mulher mais bela do que eu.

E o espelho responde: Sim, há! Branca de Neve.

Já no curso primário, a professora, dona Consuelo, ao final da quarta série, deu-me de presente um livro de história. Ela costumava, vez ou outra, separar a turma colocando os meninos de um lado e as meninas do outro e promovia uma espécie de game (uma disputa de conhecimento).

As equipes deviam responder perguntas que ela fazia sobre as últimas matérias ensinadas. Alternava perguntando aos dois times. Se um não soubesse, a pergunta passava para o outro lado. Ela  ia contabilizando erros e acertos.

As meninas eram lideradas pela Suely, estudiosa demais da conta. À falta de um líder melhor preparado, eu falava pelos meninos.

Fui o segundo melhor aluno da turma - da primeira até a quarta série primária - sempre secundando a Suely. A modéstia me impede de escrever que uma ou outra competição os meninos ganhavam.

Graças, também, ao Afonso, bom aluno, morador do Morro da Penha, filho de lavadeira que com muito sacrifício mantinha o filho em escola particular. Ele era um pouco mais velho do que os outros alunos, por isso mais alto.

E era caolho. Mas era dedicadíssimo, para superar a dificuldade natural de memorização e aprendizado.

Mas voltando ao tema desta postagem, que é leitura, diria que li muito mais gibi do que outra coisa até ingressar no curso ginasial. Lia a Família Marvel (do Shazam!), o Zorro, que tinha como amigo o índio Tonto. E também o Pato Donald e seus sobrinhos.

Não sei se lembram, mas o jornal O Globo tinha uma página inteira com histórias em quadrinhos. Eram tirinhas com quatro ou cinco quadros de diálogos e ação, que eram acompanhadas diariamente.

Além dos detetives, Nick Holmes e Dick Tracy, havi o Pafúncio (casado com a Marocas) e a Família Buscapé.

Eu e minhas irmãs disputávamos quem iria primeiro ler as histórias em quadrinhos do jornal, o que vez ou outra implicava em broncas de nosso pai porque nós tirávamos o jornal da ordem, misturando os cadernos.

Tinha o Fantasma, namorado da Diana Palmer, com seu cachorro chamado Capeto;  e o Zorro, mas não o amigo do índio, e sim o que tinha a persegui-lo  o sargento Garcia.

Livros mesmo, iniciei em alto estilo, com um clássico que reputo leitura obrigatória até hoje: “O Pequeno Príncipe”. E, claro, as fábulas de La Fontaine, como "A raposa e as uvas" e "O leão e o rato".

Meus filhos já tiveram outra obra muito interessante para crianças e adolescentes: “Fernão Capelo Gaivota”. E liam com interesse as histórias de Asterix, o Gaulês. Eu também.





2 comentários:

Carlos Frederico disse...

Leituras da infância... O livro mais importante de minha infância não foi preservado e hoje é encontrado em alguns sites de livros fora de catálogo. Chama-se “As aventuras de Rénard, velha raposa”, versão de original em francês.

Li Monteiro Lobato, mas pouco me lembro. O primeiro volume da série se chamava “As reinações de Narizinho”, seguido de outros que acabaram por formar o enredo de “’O Sítio do Picapau Amarelo”.

Fui leitor assíduo de historinhas dos personagens de Disney, publicadas nas revistas do Mickey, Pato Donald e Tio Patinhas (meu personagem preferido na época). Ainda escreverei sobre “A Saga de Tio Patinhas”, livro criado e desenhado por Don Rosa contando toda a história do pato e que recebeu recentemente trilha sonora composta por Tuomas Holopainen, o mentor da banda Nightwish.

Comprava muito, também, Bolinha e Luluzinha. Pafúncio, Reizinho, Mandrake, Roy Rodgers, também fizeram parte de minha infância. Foi muito interessante sua lembrança de que havia 2 Zorros.

Astérix, o gaulês, foi um de meus heróis e cheguei a comprar toda a coleção lançada no Brasil, da qual guardo muitos exemplares, mas não todos. Não tenho (nem li) as histórias mais recentes. O humor delas é muito refinado e às vezes se perde piadas por falta de atenção numa primeira leitura.

Uma coleção (livros de capa dura) lida e relida foi uma de histórias da 2ª Guerra Mundial, sendo que meu volume preferido se chamava “O sobrevivente do Pacífico”, contando todas as batalhas aeronavais das quais participou o porta-aviões americano Enterprise, o único que começou e terminou a guerra sem ser afundado.

Fui ávido leitor de ficção científica desde menino (ainda sou, porém mais moderado) e se tivesse guardado todos os livros que comprei no gênero somaria algumas centenas. Mantive uns cem como recordação.

Jorge Carrano disse...

Amanhã e depois mais leituras. As de obrigação profissional, as prazerosas, as decorrentes de deveres escolares, os clássicos e as "proibidas" para menores, feitas às escondidas.