29 de maio de 2016

Fatura de otário

O Sr. João Roberto Marinho não refutou que foi procurado para intervir em seu jornalismo e abrandar as críticas ao governo. Ou, vai saber, para elogiar o governo malgrado os gritos das ruas contra a corrupção, a bandalheira, os malfeitos que são a tônica das administrações petistas.

Um delator, de nome Sergio Machado, empresário de atividades diversificadas, com destaque para meios de comunicação, como jornais e emissoras de rádio e TV, assim como os Marinho, foi quem numa delação entregou uma conversa sobre apoio ao governo terminal de Dilma.

Em nota, o diretor das Organizações Globo, de nome João Roberto, não contestou que tenha conversado com a presidente sobre  o telejornalismo da rede que comanda, dizendo apenas que o compromisso do Grupo Globo é com a informação fidedigna.

Ora, está querendo enganar a quem? Quer me passar fatura de otário, de tolo? 

A manipulação da informação é clara e evidente. E acontece desde sempre e abrange todas as áreas de interesse geral.

E a maneira de informar, o espaço concedido a cada corrente de opinião, as palavras empregadas, até a entonação dos apresentadores, no caso dos telejornais, pode influenciar a opinião dos menos dotados de senso comum, de capacidade de interpretação dos fatos, de perspicácia ou de cultura mesmo.

O interesse econômico de um jornal ou de uma emissora de TV é o mesmo de uma loja de ferragens, de um restaurante, de um hospital particular ou de um grande magazine.

A palavra lucro está no fim do objetivo social, entendido este como o objeto da sociedade comercial.

Vou dar exemplos baseados em minha experiência profissional e de vida, mencionando nomes e circunstâncias quando possível.

Nos anos 1960, mais precisamente na época da copa de 1966, a ser disputada na Inglaterra, a Cia. Fiat Lux, patrocinava a seleção, transmissões esportivas e uma resenha comandada pelo comentarista Rui Porto, então na rádio Tupi.

A Fiat patrocinava por uma razão básica, a copa seria na Inglaterra, e o controle acionário da empresa era inglês.

Certo dia o Rui resolveu criticar duramente ao presidente da CBD, que era João Havelange. Este, zangado com as críticas, procurou a direção da Fiat Lux. E queixou-se: o Rui Porto anda me criticando injustamente. 

Advinham o que aconteceu? Sem patrocínio o programa da Rui Porto não se manteria no ar. E a Tupi perguntou ao Porto: queres continuar com teu programa? Então manera com o Havelange.

Claro que este diálogo é fictício, obra de minha liberdade de expressão. Poderia ter sido mais áspero, como por exemplo, o diretor da rádio Tupi chama o Porto e diz: olha, o pessoal da Fiat Lux me mandou um recado, informando que se nós queremos patrocínio você tem que calar a boca sobre política e se limitar a falar de futebol.

Outro caso deu-se em São Paulo, também no século passado nos anos 1970. A revista Status, voltada para o público masculino, publicou dura matéria sobre os Matarazzo, que então ainda tinham muito prestígio.

A matéria da revista enfocava um peça teatral que tripudiava dos hábitos e costumes da família e seu método capitalista selvagem de dirigir o grupo de empresas.

Em contato telefônico, um dos diretores do Grupo Matarazzo, informou à editora da revista que iria fazer contato com a FIESP e presidentes de muitas empresas que faziam propaganda através das páginas da Status para pedir que deixassem de veicular  mensagens comerciais em suas páginas.

Ora, sem anúncios nenhuma revista subsiste. Nenhum veículo de informação se mantém.

Logo, é conversa fiada dizer que a Globo se atém à informação. A TV Globo pode manter o alto nível de suas produções sem anunciantes? E o governo é, sabemos e vemos diariamente, um dos grandes anunciante. Seja em propaganda institucional, seja em comerciais de estatais, ou em campanhas nacionais como vacinação e programas sociais como minha casa minha vida.

A Globo pode prescindir desta boquinha? Se nem o Jô Soares pode abrir mão das verbas da Lei Rouanet?

Para arrematar, um caso ocorrido em São Paulo, quando Paulo Maluf foi aleito governador. Ele convocou as maiores empresas de publicidade  e numa mesa redonda  afirmou categoricamente, parafraseando Luiz XIV: o estado sou eu (L'etat c'est moi).

O que ele queria dizer é o seguinte e todos entenderam (inclusive meu amigo presente a reunião): se querem verbas publicitárias não deixem de mencionar que as obras são do "governo Maluf".

Quem acredita em contos da carochinha ou gosta de ser emprenhado pelos ouvidos é que acredita na ISENÇÃO da Globo ou qualquer outro veículo de informação.

Brizola e Lula foram vítimas de edições de telejornais e divulgação de pesquisas manipuladas. Casos Proconsult e debate Collor x Lula.

Nota do autor: o mencionado Sergio Machado, que foi deputado e senador, está fazendo o papel daqueles infiltrados pela polícia nas quadrilhas de bandidos nos filmes americanos.
Nos áudios que estão sendo divulgados percebe-se claramente que ele conduz as conversas para assuntos e personagens previamente escolhidos . 
Isso não é delação premiada, é um canalha manipulado fazendo o papel nojento de obter declarações e confissões de forma conduzida.
Finge uma coisa mas está fazendo outra, traindo descaradamente velhos comparsas. Que nojo!!!
Mesmo que algumas destas gravações comprovem o envolvimento de Dilma e Lula, que quero longe do poder e na cadeia, acho  o papel aceito por este Machado uma coisa ignóbil.
Não caracteriza o instituto da colaboração premiada. Está mais para aquele engodo que lançamos aos peixes para fisga-los depois com o anzol.

Um comentário:

Ana Maria disse...

Não existe imprensa imparcial. Somos seres políticos e sempre temos opiniões. O que podemos considerar um bom jornalista é o profissional que relata os fatos friamente, sem juízo de valor. Hoje em dia porém, existem os comentaristas nos jornais televisivos e os editores nos impressos, e estes tomam partido.
Vender opinião é outra coisas. Diz respeito ao caráter.