5 de março de 2014

Petrópolis - Catedral e Quitandinha


Em comentário ao post do Freddy (http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2014/03/carnaval-no-quitandinha-ii_3052.html), disse que voltaria a falar do Quitandinha a partir de fotos antigas que procuraria em meu baú.

Pois bem, fui ao baú e lá encontrei uma curiosidade. Quem tem menos de 50 anos não conheceu essa catedral de São Pedro de Alcântara, na cidade serrana de Petrópolis, onde está localizado o velho hotel-cassino Quitandinha. 

Sim, porque a fachada da catedral foi concluída na década de 1930, quando chegou ao nível da rosácea. A torre ficou pronta nos anos 1960.

A atual catedral da cidade começou a ser construída em 1884, a partir de uma decisão de D. Pedro II na década de 1870.

A foto (postal) abaixo mostra a igreja ainda inconclusa, faltando acabamento de fachada, inclusive a torre e decoração interna.  
Catedral de São Pedro de Alcântara, sem a torre, ainda não construída
 Na década de 1940, não era comum encontrar cartões postais coloridos e as fotos em cores eram privilégio de alguns poucos.

Este postal logo abaixo, como poderão observar, é resultado de uma técnica nova, não existente no Brasil, até porque tinha patente registrada pela Tichnor Bros., Inc, de Boston, Mass., USA.
 
"Tichnor Quality Views" (cartão postal)

Na sequência vários ângulos dos jardins frontais do hotel e suas quadras esportivas. Chamo atenção para os modelos de carros então existentes, importados dos Estados Unidos ou Europa.

A foto (cartão postal) tirada do alto dá uma boa ideia da dimensão, da grandiosidade do hotel, que conforme esclareceu o Freddy em seu post, deveria ser o maior hotel-cassino da América Latina. Vejam em http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2014/03/carnaval-no-quitandinha-ii_3052.html




Nesta outra sequência, o lago, com um bar e os barquinhos e caiaques.




O hotel era deslumbrante por fora e requintado internamente, com amplos salões de pé direito de, sei lá, quatro metros ou mais, guarnecidos por poltronas grandes e confortáveis (a gente afundava ao sentar); tapetes e cortinas imensas (pois iam do teto ao chão), pesadonas, faziam parte da decoração.

Imagens: cartões postais adquiridos na cidade de Petrópolis, na década de 1950.

22 comentários:

Freddy disse...

Interessante a foto da igreja inacabada, realmente do fundo do baú!
As fotos do Quitandinha em si são ótimas, aquela vista aérea é espetacular. Faz parte de minhas lembranças os pedalinhos e as canoas na margem (dá pra ver até os cisnes!), além do farol que, na época em que fomos, faltava degrau e era difícil chegar ao topo.
Os automóveis importados eram realmente um espetáculo à parte , devido ao status de grande parte dos frequentadores. Cheguei a testemunhar as tais imensas e pesadas cortinas dos salões, mas em 1963 a maioria já havia sido substituída por modelos mais leves e modernos. As imagens mostram os belos jardins que o rodeavam, além das quadras de tênis e uma boa vista do Restaurante do Lago, como era chamado.

Li num site que o Quitandinha continua aberto à visitação, mas pelas fotos do SESC no Google algo já foi descaracterizado e modernizado. Não sei se a totalidade do andar térreo está acessível a visitantes como outrora. Aliás, a informação obtida é de que a entrega ao SESC foi uma maneira dos proprietários dos apartamentos conseguirem dar conta da elevada taxa de condomínio necessária à manutenção das áreas comuns e preservação do prédio.
A conferir.
Abraços
Freddy

Jorge Carrano disse...

Nesta época o farol ainda tinha todos os degraus. Quanto aos cisnes, estou te remetendo em anexo a e-mail, uma foto/postal, na qual aparecem em destaque sendo alimentados por um garçom.

Ao contrário do que disse o Riva, o assunto não estava esgotado, não é? (rsrsrs).

Freddy disse...

De certa maneira concordo com ele. Para estender o assunto, precisaríamos entrar mais ainda do que já fiz em nossas intimidades de família, que não acrescentarão nada aos posts como devem ser mostrados ao público em geral.
Abraço
Freddy

Riva disse...

Algumas lembranças mais ... vamos lá :

- as cadeiras dos restaurantes, etc, não eram de couro de vaca ? Lembro bem disso ... eram impressionantes. Estou errado ?

- aquela lanchonete no lago era local proibido para nós ... tudo lá era absurdamente caro, lembro bem de papai reclamando uma vez em que foi pedir um misto quente e um suco de laranja.

- lembrei-me também dos preços absurdamente caros do BELVEDERE, aquele lugar lindíssimo antes de chegarmos ao topo da serra. Acho que por isso nunca comemos nada lá.

- até hoje não sei a profundidade daquele lago, mas sei que para nós, crianças, era um pavor a idéia de cair ali. E por isso nada de pedalinhos sozinhos.

- uma pena as fotos não alcnçarem aquele lado esquerdo do hotel (olhando ele de frente). Lembro que ali tinha jardins muito bonitos, acho que até um Labirinto parecido com aquele de Nova Petrópolis (RS). Estou enganado ?

Sds,

Jorge Carrano disse...

Vocês sabem o que para mim foi o grande charme? Coisa que lembro até hoje porque foi a primeira (e única) vez que aconteceu?
Tomar o café da manhã, trazido em carrinho até o apartamento e tomado na varanda olhando o lago e os jardins. Já pedi (adulto)café da manhã, em outras oportunidades, para tomar no quarto, mas nunca mais na varanda com vista para uma bela paisagem. Ficou em minha memória.
Ficamos em dois apartamentos localizados no lado esquerdo de quem de frente olha o hotel. Papai pediu o café para tomarmos juntos na varanda do aposento que ele ocupava com minha mãe.

Jorge Carrano disse...

Tomar café da amanhã, no Jaraguá (ainda existe?) em São Paulo, não tem o apelo igual. Aliás que igual ao Quitandinha penso que jamais.

Freddy disse...

Não lembro de termos ficado em apartamento de frente para o lago, ainda mais com varanda! Como nossas estadias eram de 15 a 30 dias, seria inviável para nosso poder aquisitivo.

Não só o restaurante do Lago, como o principal e até a lanchonete interna eram caros. A gente saía muito para as refeições, isso eu me lembro. O Falconi e a pensão da Dona Abigail eram as opções de almoço, e à noite era sempre lanche, em geral no apartamento.
De vez em quando a gente fazia uma refeição (ou lanche) no hotel, mas não era comum.

Foi na lanchonete da varanda esquerda que eu conheci a torrada americana, com pão de forma de Petrópolis e coberta de queijo parmesão. Até hoje quando faço em casa (e faço muito) me lembro do Quitandinha!

Essa mesma varanda esquerda tinha muitas mesas com 4 cadeiras, preparadas para jogos carteados, ou não. À noite, as senhoras de idade ficavam até altas horas da madrugada jogando canastra, buraco, sueca. Foi nelas que a gente aprendeu a jogar xadrez com o tal espanhol.

O que me marcou mesmo foram as brincadeiras com a turma, fuçando os recantos do Hotel. Tinha muita "passagem secreta". A gente se divertiu muito lá!
Abraços
Freddy

Jorge Carrano disse...

Freddy,
Sabe onde eu comi, muitas vezes, "torrada petrópolis"? Na Leiteria Brasil, você ouviu falar dela? Ficava na Rua da Conceição, no centro de Niterói.

Riva disse...

Carrano, já pensou em viabilizar, como no Facebook e no Twitter, comentários com possibilidade de colocarmos fotos ou desenhos ? Seria legal.

Que eu me lembre sempre nos hospedamos na lateral esquerda, virada para aqueles jardins e quadras de tenis.

Vcs não comentaram sobre as cadeiras com pele de vaca, e sobre um jardim tipo Labirinto. Tinha ou não tinha

Jorge Carrano disse...

Riva,
Dei tratos a bola (como se dizia na época a que me refiro)e não lembro do jardim tipo labirinto. Se tinha lá nãu fui com medo de me perder (rsrsrs).
Quanto ao mobiliário do varandão, encontrei num site de vendas (OLX), um conjunto, sem as almofadas. Veja em
http://cidaderiodejaneiro.olx.com.br/mesa-e-cadeiras-de-varanda-do-famoso-hotel-quitandinha-de-petropolis-rio-de-janeiro-iid-581474580

Helga Maria disse...

Genial. Não conheci este cassino. Devia ser sensacional a julgar pelas imagens dos posts.
Espero que tenham aproveitado o carnaval.
Helga

Jorge Carrano disse...

Olá Helga!
Estou admirado de você, tão viajada, não conhecer o Quitandinha. É bem verdade que, como informou o Freddy, depois da proibição do jogo de azar, o hotel/cassino foi degradando até virar praticamente um condomínio de luxo (para poucos). As unidades foram vendidas e alguns dos adquirentes as alugavam. Não tenho informações recentes, mas parece que foi encampado por um serviço social de classe trabalhadora (SESC).
Ainda é um prédio majestoso.

Freddy disse...

- Não me lembro do labirinto.
- Não me lembro das cadeiras com couro de vaca.
- Realmente a gente se hospedava sempre do mesmo lado, o das quadras de tênis.

Sobre torradas: petrópolis são na manteiga, americanas são as de petrópolis com queijo parmesão ralado em cima.
Não, nunca comi torradas na Leiteria Brasil. Na verdade, a não ser as do Quitandinha, nunca mais comprei torradas americanas. Sempre as faço em casa. Hoje em dia uso queijo grana padano ralado em vez do parmesão e quase nunca mais usei forma de petrópolis e sim grossas fatias de pão rústico italiano. É como eu gosto delas.
Abraço
Freddy

Riva disse...

A Leiteria Brasil merece um post .... só dela.

Jorge Carrano disse...

Você é, dentre nós, o mais qualificado para tal mister. Eu poderei, modestamente, contribuir com um ou outro comentário de consumidor (lá comprava, para a família, biscoitos amantegados a granel e a famosa manteiga de Cordeiro/Cantagalo)e frequentador da parte interna, com meus pais, comendo torradas-petrópolis e tomando chá (eles) e eu leite com achocolatado (Toddy?)batido em liquidificador.
Depois adolescente, quase adulto, tomando a canja da madrugada, quentinha, depois dos bailes, para curar o pilequinho e alimentar o estomago.
A Leiteria Brasil foi, durante anos, um point referencial da cidade, onde se reuniam políticos, intelectuais, jornalistas, estudantes e quem mais entrasse e sentasse nas pequenas cadeiras nem tão confortáveis.
Seu fachamento foi uma perda para a cidade, assim como agora recentemente o Restaurante Monteiro, na mesma Rua da Conceição.
Desculpe, Riva, por ter feito um comentário antes de você escrever e publicar seu post sobre aquele estabelecimento de tantas histórias.

Riva disse...

rsrsrs .... a minha relação com a LB era de consumidor. E como tal, sem exagero, comi ali os melhores filets mignon da minha vida !
E também era ali que conseguia salmão defumado, muito difícil de encontrar naqueles anos 70/80.

Na verdade eu ia muito ali perto, mas para comer aquela pizza maravilhosa numa casa quase ao lado.

Jorge Carrano disse...

Aquela pizza era excelente mesmo, mas a do italiano que tinha uma loja pequena na Travessa Alberto Victor, ao lado do prédio da prefeitura antiga, era um pouco melhor.
Eu pedia (quando tinha grana) dobrada, uma fatia sobre a outra formando um sanduiche.
Esta outra pizzaria ficava próxima ao Bar Municipal, outro ícone da cidade que fechou há alguns anos.
Lá se comia rã e testículos de boi e se bebia também (rs). Foi já (Municipal)que, pela primeira e ultima vez comi jacaré. Isso antes do Ibama e outras siglas.

Freddy disse...

Acabei de superar um trauma do passado! Achava que por ser gordo era o único que pedia pizza dupla, fechada como um sanduíche na Pizzaria Ialiana.
'Brigado, Carrano!
<:o)
Freddy

Unknown disse...

Nossa Jorge,Gostei do seu trabalho realmente é dificil algum Brasileiro não conhecer ou já ter na Catedral São Pedro de Alcântara!
Eu,gostaria de pedir para postar uma foto do teto da igreja olhado de dentro,pois estou precisando para um trabalho escolar!
Agradecida Tamara Furtado.

Jorge Carrano disse...

Tamara,
Não tenho, em meu acervo fotográfico, foto do teto da Catedral de Petrópolis.
Todavia, é possível que no site cujo link estou colocando a seguir você consiga alguma coisa do interior da igreja (vitrais, etc).
Selecione e cole na barra do seu navegador:
http://destinopetropolis.com.br/catedral-sao-pedro-de-alcantara/44-6017

Boa sorte com seu trabalho.
Volte sempre se e quando quiser.

Riva disse...

Tem muitas fotos do teto do interior no Google Imagens.

A propósito, Carrano, nesse post eu comentei com vc da possibilidade de colocarmos fotografias nos nossos comentários, e vc disse que tinha dado tratos à bola ..... conseguiu alguma coisa já ?

Sds !

Jorge Carrano disse...

Não Riva, minhas fontes de consulta informaram não ser possível a colocação de ilustrações.
Acabei de fazer um teste aqui mesmo, agora, e não deu certo.
Já que o momento é de cobranças, cadê o post da Leiteria Brasil sugerido por você?
Encaixa no post sobre tempo de estudante que pedi para integrar a série que vou publicar a partir de sábado.
Abraço