30 de junho de 2016

Vinhos da língua inglesa

A Inglaterra não produz vinho. Ou, para não laborar em erro, visto que não conheço todo o país, corrijo para dizer que a Inglaterra não produz bons vinhos. Não tem o terroir, solo e clima não ajudam. Mas os ingleses são responsáveis pela criação de um tipo que acabou por se consagrar, o vinho fortificado, especialmente o Vinho do Porto; e pelo aperfeiçoamento – melhoria de qualidade – dos festejados Bordeaux.


Os habitantes  do outro lado do Canal da Mancha, eram os maiores consumidores do claret (de clarait –clarinho em francês), mas exigiam qualidade dos vinhos bordaleses. Os tempos do clarete ficaram para trás e hoje Bordeaux se transformou na mais famosa e importante  região vinícola de nosso planeta.

Mas embora não sejam produzidos bons vinhos no Reino Unido, existem bons vinhos produzidos em países de língua inglesa. E São considerados, estes países, o Novo Mundo vinícola. São eles: Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e, claro, Estados Unidos.

A vinícola norte-americana sofreu um debâcle com a Lei Seca, embora ninguém, que eu saiba, tome vinho para se embebedar (para isso existem coisas mais fortes e baratas),  os vinhos foram banidos como as demais bebidas alcoólicas.

Com isso a incipiente produção de vinhos no continente recém-colonizado, fruto das missões jesuítas,  perdeu mercado e sucumbiu à crise.

Mas alguns produtores, principalmente imigrantes europeus, com a revogação da lei, perseveraram e reergueram  a produção de vinho no país, em especial na Califórnia e mais especificamente no Vale do Napa.

Não se envergonhe se nunca ouviu falar, pois confesso que também eu não conhecia o termo, mas consta que um húngaro, radicado nos USA, idealizou um projeto e partiu para a Europa em busca de sarmentos (eis a palavra que desconhecia e não me envergonho), que vêm a ser galhos férteis que servem como mudas de variedades viníferas (da Espanha, Italia, França e Alemanha), para iniciar a produção de vinhos na Califórnia.

Hoje os vinhos californianos são muito apreciados. Em especial os brancos.


A Austrália terra do talvez mais famoso marsupial,  fabrica ótimos vinhos brancos (especialmente da casta Chardonnay), mas também bons espumantes e tintos. O país está certamente entre os 10 maiores produtores e exportadores do mundo. 

Apenas uma parte do território da ilha/país/continente é apropriado para cultivo de uva vinífera.

A Nova Zelândia, formada basicamente por duas grandes ilhas, entrou mais recentemente no universo de produtores de vinhos.

Antes de conhecer o vinho neozelandês, conheci uma das frutas mais características do país, o kiwi, quando morei em São Paulo. Já quanto aos vinhos fui apresentado a eles ha cerca de 20 anos, quando fui fazer um curso básico na ABS e eles - assim como os sul-africanos - eram considerados exóticos.

O país, de clima frio, favorece mais ao cultivo de uvas brancas. E a Sauvignon Blanc é  mais representativa.


A África do Sul, para minha surpresa, faz bons vinhos. Vez ou outra encontro no mercado de Niterói um ou outro rótulo de preço acessível, com bom nariz  e bem equilibrados.

Cultivam muitas variedades brancas, como  a Chardonnay, a Sauvignon Blanc, a Riesling, mas é uma tinta que mais se destaca no país, uma casta que resultou do cruzamento da Pinot Noir com a Hermitage (?), e por isso se chama Pinotage.

As restrições feitas ao país, durante muito tempo, por causa de sua política de apartheid, atrapalharam seu comércio internacional. 

5 comentários:

GUSMÃO disse...

Sarmento: ramo de videira.
Vi no dicionário.
Este blog também é cultura.
Que puxada de saco hem?

Jorge Carrano disse...

Prestigiem o Carlos Lopes.

Leiam em:

http://calfilho.blogspot.com.br/2016/06/o-data-venia.html


(copy and paste)

Kayla disse...

Conheci um Sarmento. Foi meu boss e realmente era magro como uma vara. Ashuashuashua.

Jorge Carrano disse...

E eu conheci um sarnento um cão vadio que vivia nas rua em Inoã. KKKKKKKK

Carlos Frederico disse...

Eu também fui chefiado por um Sarmento. Gente fina.