26 de junho de 2016

Médicos, curandeiros, rezadeiras e parteiras

Quando eu era menino, e morava na Ponta D’Areia, bairro de pescadores e de colônia portuguesa na cidade de Niterói, a família era pobre. Eu continuei pobre mesmo depois de crescido.


Cais no bairro, hoje chamado de Portugal Pequeno
Por essa razão, todos (pai, mãe, irmãs), quando ficávamos doentes (infecção de garganta e ouvido, gripe, virose, estas coisas), éramos atendidos por um mesmo médico, que clinicava nos fundos de uma farmácia na Rua Silva Jardim, bem próximo de nossa casa, na Rua São Diogo.


Bonde que atendia ao bairro
Vejam que havia um médico de família, antes do governo, em tempos mais recentes, instituir este programa oficialmente.

Não posso render minhas homenagens à memória deste médico, e dar-lhe o crédito merecido, pois não lembro como se escreveria corretamente seu sobrenome (Chedi, Chedy ou Ched), mas seu nome era Dair. A farmácia mencionada era a mais próxima da Rua Visconde do Rio Branco, pois havia outra (do Demerval), mais pertinho da Rua Visconde de Itaboraí, ao lado da barbearia do Dirceu.

Munido de estetoscópio, mandava que disséssemos “trinta e três” enquanto auscultava nossos pulmões. Sim, claro, usava termômetro de mercúrio e uma espátula para prender nossa língua enquanto examinava a garganta.

Receitava antibiótico ou anti-inflamatório se necessário, antitérmico, Melhoral infantil, se era resfriado e acertava o diagnóstico na maioria das vezes.

Se o caso fosse mais complicado, pedia exames laboratoriais de sangue, urina e fezes. Exame de imagem só mesmo o RX torácico e olhe lá.

Hoje os médicos dispõem de uma enorme gama de exames que lhes permitem diagnosticar até doenças raras.

Todos estes exames têm inconvenientes para os pacientes, nós outros pobres mortais, ou são muito desagradáveis.

Experimente fazer uma colonoscopia, tendo que tomar antes um negócio com gosto de limonada, mas que nos faz evacuar até as tripas. É melhor mudar para o banheiro, colocar uns três livros ao lado do vaso e depois conviver com assadura até o horário do exame, que é feito sob sedação.

E o exame de fundo de olho? Colocam um colírio que nos deixa com a pupila dilatada ao ponto de ao final sairmos da clínica quase cegos, precisando se um guia ou um cachorro amestrado.

O exame de ultrassom, por exemplo do abdome, exige a ingestão de litros de água, até encher a bexiga, e não é possível urinar antes do exame. E como é desagradável e sofrido controlar a vontade.

E a tal de tomografia, com contraste, um composto químico que é injetado e põe em risco o paciente se este tiver alergia  as substâncias nele contidas?

Já fizeram exame de ouvido, para constatar labirintite? É melhor conviver com a doença, garanto.

Tem um exame que te colocam deitado, e a cama desliza para dentro de uma câmera, chama-se ressonância magnética, que parece algo de ficção científica. O ruído é de lascar (acho que ondas de rádio). Fiz este exame no cranio, quando do AVC.


Imagem do Google - ressonância
Outros exames hoje disponíveis, e nem dolorosos ou inconvenientes, como eletrocardiograma, eletroencefalograma, teste ergométrico (de esforço), ecocardiograma, com Doppler, e outros, facilitam a vida dos médicos. Até operação à laser, de cálculo renal, já fiz. Mas neste caso, a dor, o sofrimento, é antes da operação, com o maldito se deslocando. 

Quanto ao respeito pelo Dr. Dair, que apalpando nosso ventre, e medindo temperatura, pressão arterial e batimentos cardíacos, descobria as doenças e nos mandava embora com prescrição de algumas poucas drogas, num receituário de impressão modesta, fico na intenção.

Ah! Para comprar os medicamentos não precisávamos parcelar no cartão de crédito.

Minhas avós, ambas, morreram octogenárias, sem moléstias graves. E não frequentaram hospitais. Uma por queda, batendo a cabeça, a outra por desgosto pela perda do companheiro e de um filho.

Tendo falado de médicos, faltou falar de benzedeiras (espíritas ou não) e parteiras.

Nasci amparado por uma parteira e já resolvi problema insolúvel, no meu caso especial (dito por médicos), por meio de recursos alternativos, mas eficazes.

Contarei outro dia.
  

14 comentários:

Carlos Frederico disse...

Já passei por diversas das situações apontadas.
Já li um livro inteiro numa madrugada que passei acordado antes de um exame de clister opaco. Boa parte dela sentado no vaso.

Além da infinidade de exames que nos obrigam a fazer hoje em dia, médicos atuais ainda se comprazem em prescrever remédios por injeção ou via anal, quando existe opção de comprimidos ou líquido. Mero sadismo.

Mas não sofro calado não. Quando tive de fazer uma urografia para estudar uma crise de cálculo renal ameacei o técnico responsável pelo exame. É sabido que na urografia os caras espremem você até unir frente e costas, por sadismo. Eu disse que sofria de hérnia de hiato, que fragiliza a separação entre abdômen e tórax. Se passasse mal no exame processaria a clínica. Nunca fiz uma urografia tão tranquila! E com ótimas imagens do referido cálculo.

Riva disse...

É óbvio que a medicina avançou demais devido à tecnologia aplicada, assim como muitas outras atividades. Mas, e o médico de família, fundamental, aquele que te acompanha até onde puder?

Na minha infância esse cara era o Dr. Lauro Monteiro, que se não me engano atendia na Rua XV de Novembro, ali por perto do Plaza Shopping e Teatro Municipal. Lembro até hoje do papel cor de rosa que ele forrava a maca onde deitávamos, para os exames de praxe em crianças.

Eu tenho o mesmo clínico geral há pelo menos uns 20 anos, que visito pelo menos 1x por ano. Tem um bom histórico meu, e é um excelente médico, estudioso, atualizado. Idem o meu oftalmologista, há uns 30 anos, e o meu dentista, também há muito tempo. Minha esposa idem.

Vejam que cerquei a clínica geral, os olhos e os dentes ...... por enquanto kkkkkkkkk !!

Nos últimos 60 dias fiz :

- exame de sangue e urina (1 a 2x por ano)
- ultrassonografia abdômen total e aparelho urinário
- doppler colorido dos pés e das pernas - circulação
- ressonância magnética dos pés
- ressonância magnética da coluna lombar
- eletroneuromiografia dos membros inferiores - choques e agulhadas

Quanto aos incríveis sons da ressonância magnética, devo dizer que tiro de letra. Pra mim aquilo é música eletrônica, bem ritmada, que gosto muito. Chego a curtir o exame, acreditem, sério rsrs !

Já a tal eletroneuromiografia, não aconselho .... rsrsrs ... mas fui bem avisado que não ia ser agradável levar choques e agulhadas nos membros inferiores. Sobrevivi.

Enquanto isso, a Alemanha passeia em campo contra a Eslováquia. IImpressionante a disparidade técnica e tática. Não conheço os cruzamentos das chaves, mas os melhores são França e Alemanha.

E hoje, se o LEVIR não escalar o SOBRENATURAL DE ALMEIDA, iremos levar uma chicotada Daquele Time do Mal .... só espero que não seja vexaminosa.

FLUi





Ana Maria disse...

Os nomes de origem árabe (assim como de outras linguas) têm grafia diferente da pronúncia. Tive um contemporâneo do Colegio Plínio Leite que dizia se chamar Surrei Saud, mas seu nome se escrevia Sohail Saud (era da família Saud que tinha camisarias na Rua Mal Deodoro em Niterói).
Relatei o fato para dizer que creio o nome do médico era Dahyr Chade. Excelente profissional como já não se encontra fácil hj em dia.
As descobertas científicas tornaram a medicina mais eficiente, mas dificultaram a existencia dos médicos generalistas.
Assim como na aviação o piloto comandava a aeronave sem ajuda de aparelhos, com índices mínimos de erros, eram os antigos médicos. Hoje em dia em ambas as profissões os profissionais usam apenas aparelhos para guiá-los.

Jorge Carrano disse...

Obrigado por me socorrer Ana Maria, com o nome do médico, e olha que você era pequenininha, loirinha, bonitinha e mimadinha naquela época.

Jorge Carrano disse...

Vai rindo enquanto pode Riva. Este elenco de especialistas vai aumentar. E a alternativa seria muito pior, como diz meu urologista.
No caso a alternativa é morrer antes da hiperplasia de próstada (mesmo benígna), por exemplo.

Jorge Carrano disse...

Com ajuda do Vasco (que empurrou o Rafel Vaz goela abaixo no Flamengo), o Fluminense obteve boa vitória. KKKKKKK

Carlos Frederico disse...

Quando você não é alertado para eventuais desconfortos do exame, pode ser muito pior. Fiz uma sessão de laser na retina que pareciam agulhas queimando meu cérebro. Quase desmaiei. Eventualmente tive de repetir o procedimento mas, já escolado e psicologicamente preparado, sofri bem menos.

Jorge Carrano disse...

Puxa! Até que enfim vamos concordar numa coisa, Freddy.

O que me motivou a escrever este post, foi o fato de que alguns dos exames hoje disponíveis são muito desagradáveis ou provocam algum desconforto.

Fiz, na quinta=feira, um ultrassom do abdome. Com a bexiga cheia, ao nível do insuportável, e a médica apertando meu ventre com aquele mouse. Mais um pouco ia me mijar todo.

Riva disse...

E não é que o SOBRENATURAL DE ALMEIDA realmente entrou em campo e deu aquele passe para o Richarlison fazer o gol da vitória em cima Daquele Maldito Time do Mal ????

Jorge Carrano disse...

Como eu disse lá em cima:
"Com ajuda do Vasco (que empurrou o Rafel Vaz goela abaixo no Flamengo), o Fluminense obteve boa vitória. KKKKKKK"

GUSMÃO disse...

Ninguém vai falar do feito do alvi-negro? A vitória do fogão mais mais expressiva.

Riva disse...

Bela vitória do Botafogo ..... rsrsrs.

Riva disse...

toc toc toc

Jorge Carrano disse...

Isso mesmo Riva. Pé de pato mangalô três vezes.

Algumas falências são inevitáveis com o avanço da idade. Mas em relação a muitas a gente aprende a conviver, ou têm solução, como no caso da visão.