19 de junho de 2016

Curiosidade do blogueiro

Inicio pedindo escusa aos que leram e ainda se lembram da explicação sobre a origem do blog. Vou tentar resumir para quem não leu.



Foi quando há anos, pelos meus filhos, resolvemos buscar a cidadania italiana, que verificamos o quanto desconhecíamos de nossos ancestrais.


Tramutola - Potenza - Basilicata - Italia

Meu avô paterno, que seria o link a nos permitir postular a dupla cidadania, mal conheci porque faleceu quando era ainda menino.

Carlo Micheli Carrano
Os registros civis, no passado, eram precarissimos. Os registros de entrada de imigrantes também eram falhos. O que sabíamos é que meu bisavô Carlo Micheli Carrano, nascido na comuna de Tramutola, na província de Potenza, na região da Basilicata, chegou ao Brasil acompanhado de um filho, menor de idade, que supúnhamos ser o meu avô, José Carrano y Segovia.

A origem italiana de meu bisavô – Carlo Michele – está documentada em certidão obtida, pela via postal, enviada pelas autoridades de Tramutola. E, acreditem, a custo zero, pois nem a despesa postal de envio para o Brasil eles cobraram.

José Carrano y Segovia
Mas a partir daí, tudo era dúvida, suspeita, incerteza. Percorremos igrejas, cartórios no Rio, em Niterói, em São Gonçalo (meu avô é nome de rua na cidade), em Piraí (onde faleceu o Carlo Michele, e foi feito seu inventário), enfim buscas infrutíferas, cansativas e onerosas.

Como o escopo do post não é relatar esta “odisseia” e sim falar da curiosidade que tenho, resumirei para dar ideia da dificuldade, comentando  que depois de muito custo, sem conseguir desarquivar o inventário dos bens de meu bisavô, pois não era localizado no Arquivo do Judiciário, tive que apresentar reclamação na Corregedoria.

Depois de idas e vindas,  e muitas ligações telefonias, o processo de inventário apareceu. Estava na Prefeitura de Piraí, como documento histórico, dada a importância dele para o crescimento do município.

O tal processo, que depois de ter podido consulta-lo, no Forum da cidade, voltou para os arquivos da prefeitura, nada continha que pudesse ajudar sobre meu avô. Onde nasceu, quando e onde casou?

Nem mesmo o livro “Encontro com os Ancestrais”, de autoria do primo Pedro Wilson, resultado de muito tempo e dinheiro investido, muita pesquisa na Itália e no Brasil, nada, ou muito pouco, acrescentou. Acesso ao livro em:
http://www.pedrohalbuquerque.net/carrano/index.html

Todo este frustrado esforço levou-me a convicção de que é preciso conversar mais com os filhos e netos sobre nossas origens e, se possível, deixar documentos para os pósteros. Afinal nunca se sabe quando serão necessários.

Um dos caminhos que encontrei foi fazer relatos e registrar informações sobre mim mesmo. E um blog, que começava a virar uma ferramenta virtual interessante por suas características, foi o meio que adotei.

Então, por esta finalidade, o blog poderia ser comparado àquelas caixas ou baús que eram colocadas nos alicerces de algumas construções, com recortes de jornais e revistas, fotos e outros dados que permitissem em futuras escavações arqueológicas, identificar como viviam e como eram as modas e costumes do lugar, em determinada época.


Daí que apareceram os primeiros comentários de leitores. Inicialmente parentes e amigos e depois terceiros. Gostei da brincadeira e transformei o baú de relíquias e informações, naquelas garrafas jogadas ao mar pelos náufragos que ficaram isolados em ilhas distantes e que pretendiam socorro.

Algumas garrafas que atirei retornaram com respostas. Pronto, viciei e fiquei convencido que o blog era interessante não só para mim como diversão e repositório de informações pessoais.

Chegamos ao ponto de minha curiosidade, mas o texto está longo e deixarei para arrematar amanhã, quando então revelarei o que me deixa curioso.


Vista geral da comuna de Tramutola

11 comentários:

Carlos Frederico disse...

Sim, você já havia vez por outra tocado nessa intenção do blog ser um repositório de informações suas para a posteridade. Não raro aparecem posts relatando suas vivências.
Minha curiosidade é o que isso tem a ver com o nome Generalidades Especializadas!
<:o)

Jorge Carrano disse...

Porque o projeto era falar de generalidades, caro Freddy. E em especial generalidades sobre a família.

No dia da criação, em outubro de 2009, foi o que me ocorreu. Hoje teria outro título.

Jorge Carrano disse...

No site que tem link de acesso no post, na margem esquerda há um menu que leva ao livro, fotos, brasão, etc.

Evidentemente que a família cresceu após a publicação. Meus netos, por exemplo, não constam. O blogueiro é um verbete.

AS informações complementares sobre nosso ramo, foram dadas ao autor/primo por minha irmã Ana Maria.

Carlos Lopes disse...

Muito boa lembrança, Carrano. Eu também passo pela mesma dificuldade em saber quem foram meus ancestrais. Avós, só conheci os maternos, não tendo conhecido os paternos. Escrevi um livrinho sobre eles, a característica de aventureiros que tinham, intitulado "OS DESBRAVADORES'. Ali, relatei o que tinha ouvido de conversas com minha mãe e meu pai, alguma coisa contada por minha avó materna, o resto foi fruto da minha imaginação baseado nesses relatos. No prefácio ressalto o desconhecimento que temos sobre nossos antepassados, como viveram e a época em que estiveram por aqui. Parece que, realmente, caímos de paraquedas nos anos 40 do século passado, desconhecendo quase que completamente o que ocorreu com nossa família até nosso nascimento.

Riva disse...

E conseguiram a cidadania ?

Jorge Carrano disse...

Depois que a Sra. Marisa Letícia conseguiu, de sorte a poder se refugiar no pais quando for decretada a prisão de seu marido, meus filhos desistiram.
Como disse eles eram os interessados, porque viajavam bastante pela Europa e o passaporte da UE facilitaria as coisas.

Meus netos, via avós maternos, têm a cidadania portuguesa. Ficou tudo resolvido.

Jorge Carrano disse...

Prezado Carlinhos,
Você teve a gentileza e a cortesia de me presentear com um exemplar do seu livro "Os Desbravadores", depois que nos reencontramos após um afastamento involuntário de alguns anos.
Valeu!


Riva disse...

Por falar em livros, estou terminando mais um sobre o terremoto de Lisboa em 1755 : O mal sobre a Terra, de Mary del Priori.

GUSMÃO disse...

A tradição oral se perde, ou os fatos se distorcem com o tempo.
Acho boa a ideia de documentar a história familiar.
Outra coisa que acho legal, são os encontros de famílias com muitos membros, geralmente realizados em grandes espaços (sitios, fazendas, clubes) e as pessoas vão se apresentando e buscando o parentesco entre si. Por vezes cada qual com seu crachá.

Jorge Carrano disse...

A história do processo de obtenção da cidadania já foi contada com publicação de documentos, em

http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2015/03/cidadania-italiana.html

(Copy and paste)

Ana Maria disse...

Assim como as delações premiadas, a transmissão oral tem pouco valor legal. Falo isso porque fui ouvinte atenta e sempre curiosa das histórias de minhas avós e tios, tanto do lado paterno quanto do materno.
O que restou disso? Pistas para algumas pesquisas e deliciosos relatos com lances romanticos, rocambolescos ou épicos. Mas na hora da comprovação documental muitas vezes "damos com os burros n'água".
Portanto, tão importante quando os meros relatos é a guarda e conservação de documentos legais, fotos, recibos e outra gama de papeis amarelecidos e corroidos pelo tempo.