13 de junho de 2016

Para você, relacionamento, a carta que nunca enviei...




Por 
Rodrigo Muniz




Sempre respeitei minha irmã, por todas as razões pelas quais respeitamos brothers&sisters. E também, entre outras coisas, pelo seu amor às letras. Sempre leu muito, desde os clássicos até as bulas dos medicamentos (rs).

Telefonou e perguntou se poderia enviar, para publicação no blog, um texto em prosa de um jovem poeta de suas relações (é amiga da mãe do escritor).

Claro, respondi, tendo em vista que uma recomendação dela - Ana Maria - dispensa qualquer crivo ou peneira.

Eis abaixo o texto que me enviou: 


"Enquanto a meta for perfeição e não felicidade, cumplicidade, amizade e respeito, sempre haverá uma trava.

Uma trava de conceitos, o que é perfeito pra você pode não ser pra mim. E nos deparamos com uma questão muito comum, a diferença. Que origina alguns dos muitos problemas na sociedade de uma forma geral, por que seria diferente no relacionamento a dois?! Mas tudo é uma questão de aprender e de respeitar.

A individualidade deve ser respeitada, antes de tudo. Pensamentos diferentes, vontades diferentes, tempos diferentes, não são sinônimos de um casal infeliz. Individualidade é sinônimo de um casal que se respeita, mas principalmente sinônimo de casal.

Casal é feito de dois, logo de dois modos diferenciados de ver a vida, dois jeitos distintos de se portar pela manhã, por exemplo. É sinônimo de casal onde um respeita o outro no simples modo em que o outro é. Se quiser alguém exatamente como você, case-se com você. Depois me conte a tediosa experiência.

Discordar, quer um verbo mais bonito para um texto sobre relacionamento?!

Você deve estar me achando louco, mas não. Vamos analisar: Imagina um longo namoro sem a discussão aparentemente chata de qual filme assistir, qual restaurante ir ou para onde viajar. Agora imagine esse mesmo relacionamento cheio de diálogos, planos, pesquisas de roteiro e diretor, cheff e localização ou gastos com filtro solar ou repelente, por exemplo.

Não, as duas situações nunca se encontrarão no mesmo relacionamento. Não há o que pesquisar ou planejar, tudo já foi decidido por um conselho comum, pronto e ativo, também conhecido como “tanto faz” vindo de uma das partes envolvidas. 

Longe de mim dizer que um casal deve discordar sempre, mas convenhamos que discordar é bom, entrosa, anima, cria expectativa e ansiedade para dizer o famoso “eu disse que do outro jeito era melhor”, ou simplesmente deixar o outro orgulhoso com um “é, você tinha razão”.

Acima, a primeira coisa que pensou ao deparar com “discordar” foi “brigar” certo?!

E continuou lendo meio retraído por estar só tentando entender onde vai chegar esse texto meio sem jeito. Vou aguçar um pouco mais sua curiosidade, por que não brigar?!

Brigar é tão bom, principalmente quando o motivo é desnecessário e a reconciliação é digna de um último capitulo de Manoel Carlos, ou quando simplesmente após uma longa guerra de coceguinhas, já não se consegue lembrar o porquê da briga ter começado.

O maior medo da maioria das pessoas apaixonadas é o tédio. Pois eu associo diretamente o tédio a ausência de discordância e brigas.

Nada é mais tedioso que tudo estar sempre perfeito. Dela ou dele fazer sempre exatamente o que você quer ou pensa. Não, eu definitivamente não acredito que duas pessoas distintas possam ter opiniões idênticas sobre tudo a todo o momento.

Eu associo esse excesso de afinidades à omissão de uma das partes, parte essa que se sentirá mal após algumas seções de “você que sabe” o que causará a parte ativa, ou mandona como a primeira a irá chamar, um grande conforto. Conforto esse que aos poucos se transformará em tédio, tédio esse sem explicação, que irá avançar para a discordância de qualquer coisa banal em forma grave, que agravará para brigas tolas com proporções gigantescas seguidas de reconciliações tristes e recheadas de mágoas.

Em meio a tantas contradições e complicações, um relacionamento feliz e saudável é leve, com equilíbrio entre chatices e momentos bons, onde ninguém se doa de mais ou de menos, onde ninguém cobra de mais ou de menos.

Deve haver bom senso na hora de escolher pelo o que discutir. Sim, guarde as forças, as lágrimas e os argumentos infalíveis para quando eles realmente necessitam ser utilizados, para quando por mais que se evite a discussão de acontecer, por qualquer motivo que seja, o outro insiste!

Não se esqueça “quando um não quer, dois não beijam” amplie a superfície de aplicação da regra. Falei de brigas, discordâncias de forma sadia e natural, me inspirei na desculpa de barraco em festa chique “isso acontece sempre gente”.

Mas como toda pessoa que fala de relacionamento, me senti livre para descrever o que seria bom, o que eu acredito que faz com que não se crie travas e nem discordâncias de grandes proporções que possam chegar a falta de respeito mútuo, o que torna o clima muito desagradável.


Acrescente, então, ao seu amor, carinho, atenção, diálogo, guerras de cócegas, risadas, muitas risadas, travesseiros, momentos ou momentos com travesseiros. Adicione mais afinidades aos finais de semana.

Compartilhe mais os estresses do dia-a-dia, de segunda á sexta feira somente em horário comercial. Compartilhe também sonhos, metas, planos, o instante em que algo tão pequeno te fez lembrar-se da pessoa amada, a quebra da dieta em plena quarta feira, você sabe que vai ouvir um “não podia ter feito isso” típico de mãe, mas vai compartilhar com quem ama, talvez, o momento mais doce do dia após uma amarga reunião com o chefe ou notícia de um não encontro entre vocês. 

Doe tudo o que puder ao outro, compartilhe sempre que for possível - ninguém sabe de tudo ou viu tudo ou não precisa de nada realmente. Tudo que for bom e fizer bem, merece ser dado de bandeja a pessoa que queremos bem.

Vamos fazer do relacionamento uma troca, zerar o cronômetro e começar a contar tudo de novo, afinal tudo é novo.

É novo aos olhos de quem vê e um olhar apaixonado nunca será igual a um olhar solitário. Cada dia é um novo dia, é um dia de aprender e ensinar, crescer e ajudar, brigar e reconciliar, ceder e invadir.

Cada dia é um novo dia e esse dia tem que ser o melhor, feito da melhor pessoa que você vê com a melhor pessoa que você pode ser."


Nota do editor: nossos agradecimentos ao Rodrigo por compartilhar conosco sua compreensão sobre relacionamentos. Ele está no Facebook, no endereço em epigrafe.

Prêmio que recebeu por sua atuação na "Accenture". Nem só de poesia vive o autor.



9 comentários:

GUSMÃO disse...

Legal a visão deste aparentemente jovem que tem visão bem madura sobre relacionamento amoroso.

Kayla disse...

Meu Deus!!! Que rapaz romantico. Não que eu esteja mal servida, mas é bom saber que temos opções. Ashuashushuashua.

Carlos Frederico disse...

Bonito texto. É uma visão bem pessoal, intensa, sobre o amor.
Valeu!
=8-) Freddy

Ana Maria disse...

Sou fã do Rodrigo. Acompanho sua página e recebo suas poesias postadas pir sua mãe. Tem talento e sensibilidade.
Mas hoje quero aproveitar o espaço para conclamar os frequentadores do pub Berê para um ruidoso parabéns para Kayla que hoje completa mais uma primavera. Que ela seja feliz e amada como merece.

Alessandra Tappes disse...

Tão bom ler um texto cheio de romantismo em meio a crise que nos abala, em meio as furadas do futebol que nos atiram, em meio a sopa de letras ralinha ralinha que somos obrigados a engolir (em se tratando da educação falida) em meio a crise da saúde engessada se preferirem, quebrada.

Tão bom saber rever conceitos.

Texto ótimo para reflexão.

Que venham mais!!!

Riva disse...

Não há dúvida de que precisamos de posts assim, muitos, vários temas amenos, pra acalmar nossos corações, sobressaltados diuturnamente (Dilma sabe o significado dessa palavra).

Parabéns Kayla, sumida, malvada rsrsrsrs. Bj no coração !

PS : quando vi a foto do autor pensei que fosse o Juninho Pernambucano rsrsrs

Kayla disse...

Oh, Riva. Brigadinha pelos parabéns. Tirando a Ana que lembrou ninguém tinha dado bola pra euzinha. Beijokas

Ana Maria disse...

O jovem poeta auto do texto não vive só de/na poesia. É um funcionário eficiente que acaba de receber reconhecimento por parte da empresa onde trabalha - Accenture -   pela sua participação em projeto que recebeu prêmio de qualidade total em 2015.
Sua mãe orgulhosa (Vera Lucia Gonçalves) compartilhou no face o certificado recebido pelo filhote.
Dá gosto saber que ainda germinam cérebros neste país.

Jorge Carrano disse...

Como justa homenagem, a editoria colocou, nesta data, em notas do editor, cópia do certificado obtido pelo autor da postagem.
Parabéns!