14 de junho de 2016

Hipocrisias

A hipocrisia humana não tem limites.

Hoje vou me colocar, uma vez mais, e da forma mais explícita, sobre coisas que me incomodam.  Caminhos equivocados, de novo sob minha ótica, para corrigir (lato sensu), equívocos, erros do passado, tratamentos desumanos, evolução da espécie e outras teses que me incomodam.

Vou começar pelo acordo ortográfico, firmado entre países que têm a língua portuguesa como oficial, numa desnecessária tentativa de unificar a ortografia do idioma.

Esse malsinado acordo é de 2009, mas entrou oficialmente em vigor no primeiro dia deste ano, depois de um período de carência que encerrou em 31 de dezembro do ano passado.

Fazem parte desta comunidade, salvo engano, Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Timor Leste, São Tomé e Príncipe.

Vejam a desnecessária confusão causada. Como advogado, levei anos escrevendo que apresentaria contra-razões de recurso. Agora, desde 2009, devo escrever contrarrazões. Escrevia microondas, ao me referir ao forno, e agora tenho que escrever, na língua erudita, micro-ondas.

E como é doloroso escrever cinquenta sem o valioso trema. Conto até dez antes de grafar em meus textos a palavra subsequente sem os dois pontinhos lado a lado, que me lembravam que não deveria, na pronúncia da palavra, esquecer do letra “u” ali espremida. Afinal não falo subsekente, não é mesmo?

Enfim, esta reforma não agradou nem aos gregos e nem aos troianos. Ou seja, nem aos lusitanos, que a partir do latim vulgar e do dialeto crioulo criaram a língua pátria, e nem aos colonizados pelos navegadores que se aventuravam por mares nunca dantes navegados.

Pior do que a ortografia eventualmente diferente, é o significado inteiramente diferente, de palavras escritas da mesma forma. Todos conhecem alguns exemplos: bicha, paneleiro, e muitas outras.

Já que falei em crioulo, referindo-me ao dialeto, emendo falando de outra bobagem criada por desocupados. E essa bobagem é a coisa do politicamente correto.

Desde quando dizer que o crioulo foi lá, meteu três goals e ganhamos o jogo, era ofensivo ao maior jogador de futebol de todos os tempos até agora? Digo até agora porque não demora aparece um Messi bom na cabeçada e com mais vigor físico e supera o negão.

Negão, aliás, era como ele mesmo se referia ao jogador. Lembram que ele falava na terceira pessoa?

Inventar o politicamente correto foi um dos grandes erros cometidos por quem não tem cartão-de-ponto para bater pela manhã cedo.

E o bulling (de bully – valentão)? Querem coisa mais babaca? Se vocês não conhecem, conheço eu, muitos diplomatas, magistrados e empresários bem sucedidos que em criança eram chamados de “quatro olhos”, se usavam óculos; ferrugem, se tinham sardas no rosto e mãos; “caolho” se tinham desvio ocular. E por aí vai...

Nenhum destes que conheço ou ouvi falar, ficaram traumatizados, revoltados, inseguros ou deprimidos.

Ficam deprimidos aqueles que, caolhos ou não, sardentos ou não, ficariam do mesmo jeito. São traços da personalidade.

Uma das piores expressões cunhadas e que foram desvirtuadas é a tal de direitos humanos. Ora, a composição obriga ao atendimento de duas premissas. Pressupõe que ambas estejam presentes: ser direito e ser humano.

Ora, se uma Richthofen da vida mata os pais enquanto estes dormiam, por motivo torpe (e mesmo que não fosse), estamos diante de um caso em que não estão presentes nem o direito e nem o humano.

Ela não tinha o “direito” de matar e sua atitude de “humano” não tem nada. Logo, ela pretender regalias, condições menos adversas de cumprimento da pena, é coisa ridícula, sem amparo, sem fundamento.

Desde quando um estuprador de menor, por vezes criança de 5 anos de idade, é humano, ou tem direito?

Não tem nenhum direito, nem à vida. E aí abordo outra matéria controvertida, mas sobre a qual tenho opinião definida, madura, sedimentada porque fruto de muitos anos de reflexão: sou a favor da pena de morte.

Para finalizar, sobre invencionices, sentimentos de culpa hipócritas e descabidos, menciono as politicas raciais afirmativas. Em outras palavras, os sistemas de cotas.

Desde quando os “brancos”, os arianos são culpados pela escravidão? E desde quando protecionismo, sem mérito do favorecido, redime ou corrige erros?

Estas políticas realimentam preconceitos, discriminações. 

17 comentários:

Carlos Frederico disse...

Ortografia
Acordo ortográfico veio tardio. Com a perda gradual da capacidade do cidadão médio, comum, de se expressar por palavras - escritas ou faladas, debater sobre contra-razões ou contrarrazões se tornou supérfluo. Basta ser usuário de Twitter, Facebook e similares que você vai arrancar os cabelos de vez!
Eu, não raro, me torno agressivo e desrespeitoso ao comentar mensagens a mim encaminhadas, apontando agressivamente os erros de português e afirmando que eles me impediram de me concentrar na mensagem veiculada.

Politicamente correto
Inviabilizou a prática do humorismo. O humorismo sempre foi baseado em críticas a erros e defeitos. Negro, crioulo, cego, fanho, surdo, gago, coxo, homossexual, careca, pixaim, maneta, caolho, nenhum desses e outros mais poderão ser base de piadas. Ferrou...

Bullying
Discordo em parte da opinião dada. Tendo eu mesmo sido alvo de intenso bullying minha vida inteira (até hoje por uma de minhas mazelas físicas, que é ser gordo), devo admitir que esse fato entranhou em minha personalidade. É assunto para longas horas de divã - de verdade, não uma mesa do pub.

Direitos Humanos
São para quem nunca sofreu sequestros, roubos, quem nunca teve parentes próximos ou distantes assassinados cruelmente por bestas que se dizem humanos. Note-se que não disse animais em geral, dado que a maioria deles jamais teria comportamentos tão vil. Na natureza há ética até no caçar e matar.

Políticas raciais
A instituição delas foi uma maneira de, ao contrário do desejado, reafirmar a diferença de classes, de raças, de credos. Mais efetivo seria atender a "todos são iguais perante a lei". Num país com tanta miscigenação, com boa parcela da população tendo sido oriunda de um regime escravagista do passado, formalizar a discriminação racial através de cotas diversas é uma maneira de angariar simpatia e votos.

Jorge Carrano disse...

Freddy,
Se o caso não é de obesidade mórbida, quem sabe você se livra com uma nutricionista ao invés de um analista?
O que passou, na infância, ficou muito para trás.
Deixa o retrovisor e acende o farol de milha.
Não existissem os riscos de problemas decorrentes do excesso de peso, até seria um diferencial ser gordo. Que o digam o Jô, que até hoje se intitula "o Gordo" e o Oliver Hardy que ganhou a vida fazendo o papel de "Gordo".

Carlos Frederico disse...

Carrano, não se atenha ao problema de peso. Meu bullying foi foi diversos motivos, o peso sendo apenas um deles. Por mero acaso, o diabetes vem resolvendo essa questão, tendo emagrecido já cerca de 28kg.

Análise já fiz, com 3 profissionais diferentes, tendo conseguido grandes progressos. Contudo, o que está impresso lá no fundo não tem como mudar, apenas como conviver. E é o que venho fazendo.

Em suma, minha observação se limitou à discordância de sua opinião de que bullying não afeta pessoas. É uma opinião muito cômoda para quem nunca o sofreu ou, pior, quem o praticou.

Jorge Carrano disse...

Crianças, Freddy, são essencialmente más. É a educação (no lar e na escola) e o meio-ambiente que as molda.
Portanto é natural que crianças pratiquem o bulling. Nem sei se tem maldade consciente.

Não lembro de ter apelidado alguém ou de alguma maneira usado eventuais diferenças, distúrbios ou deficiências físicas, para humilhar, melindrar ou angustiar terceiros.

Chamar o Aislan de perna-de-pau não conta como bulling (rsrsrs).

Mas mudemos o rumo da prosa. Estes remorsos, tipo recompensar escravidão, fora de época, são descabidos.

A única cota que aceito é a condominial porque acaba sendo um sistema justo dee rateio de despesas comuns.

Riva disse...

Lembro de algumas da infância, adolescência :

- Girafa : o porteiro do Abel, que não tinha pescoço, tipo Mike Tyson

- Filet de Borboleta : meu grande amigo tricolor Gustavo, que de frente parecia estar de lado, e de lado parecia já ter ido embora

- Dentinho : eu, pq era dentuço até consertar os dentes

- Pêndulo : meu amigo Pedrinho, por motivos que não posso mencionar aqui

- Espanador da Lua : Luisê, pela sua altura

- Foguetão : sei lá porque, mas era feio pra cacete, alto, sei lá .... esse ficava muito puto quando o chamávamos assim

Isso era bullying ? rsrs

Jorge Carrano disse...

Você me fez lembrar do apelido mais apropriado e bem bolado que já ouvi. O crioulo tinha 1,98 metros de altura, 110 quilos de peso e uma envergadura que dava para abraçar um barril de vinho. Seu apelido? "Tem razão". Poderia ser mais criativo?

Ana Maria disse...

Por incrível que pareça concordo com quase todas as opiniões do autor do texto.
Discordo da pena de morte, esclarecendo que defendo o trabalho obrigatório e não remunerado com carater indenizatório e do seu enfoque sobre o bulling.
outro ponto discordante é sobre a obesidade. Sou obesa e já tentei todos os recursos para emagrecer.
O bulling já provocou suicídio em jovens que por motivos independentes a sua vontade, fogem aos padrões do seu grupo. Freddy tem razão, visto que apelidos poderiam até ser aceitos se não contivessem intenção discriminatória.

Riva disse...

Deixa eu bullynar vcs !! Por favor escrevam certo ... é bullying

#prontobulinei

Riva disse...

Ninguém tocou no assunto do massacre em Orlando......

Uma cidade que emana alegria, que é o sonho de milhões de pessoas e crianças que nunca lá foram, uma cidade símbolo de alegria e diversão.

Aos poucos vão surgindo testemunhos e novas notícias sobre o evento. Duas me chamam muito a atenção :

- por que a SWAT esperou 3 horas para entrar em ação, contra um cara que estava massacrando os reféns trancados no local, dando mais de 1 tiro em cada uma, para ter certeza de que tinham morrido ? Todos sabiam disso pelas mensagens via celular dos reféns.

- agora descobriram que o cara frequentava a boate, interagindo, digamos assim, com os gays da boate. Ou seja, nada a ver uma atitude dessas com as "doutrinas" do Estado Islâmico.

Uma coisa é certa : a tragédia, infelizmente, vai servir para acirrar demais as eleições entre Hillary e Trump. Que vença o menos pior, só que na America não se tem a menor noção de quantos irão às urnas ..... uma Caixa de Pandora ?

Jorge Carrano disse...

Sim, Riva, trata-se do gerúndio do verbo to bully, citado no post.

Na verdade agora é um anglicismo (mais um) adicionado ao nosso idioma.

De qualquer forma foi bem observado. Quando fizerem um "acordo ortográfico" da língua inglesa você será meu consultor (rsrsrsrs).

GUSMÃO disse...

Subscrevo quase tudo que foi dito no post.
Nunca fui vítima e nem autor de bullying (está correto?), que no meu tempo de menino chamávamos de tirar sarro, sacanear, zoar.
Até no uso do trema (¨) a Argentina está melhor do que nós. Viram o Agüero jogando?

Jorge Carrano disse...

Pois é, Gusmão, a Argentina tem medalha de ouro olímpica no futebol, no basquete, e tem o trema e nós ... somos eliminados num grupo com Haiti, Equador e Peru e perdemos de 7x1 para a Alemanha. Sim, perdemos o trema também.

Carlos Frederico disse...

Perdemos o trema junto com a vergonha.

Sobre bullying, é bom esclarecer que não se trata de apelidar colegas, todo mundo recebe apelidos mais ou menos jocosos. É uma atitude de desprezo visível de uma ou várias pessoas (às vezes o grupo que vc frequenta) em relação às suas deficiências ou habilidades. Sim, ver as coisas que vc sabe fazer desdenhadas (p.ex. por inveja) pode deixá-lo isolado.
O assunto é vasto.

Jorge Carrano disse...

Verdade, Freddy.

Riva disse...

Pra mim o que chamam de bullying atualmente é como o Gusmão falou : há tempos era chamado de zoar, tirar sarro, sacanear, etc.

Só que agora tudo é por demais negativo, carregado, como até mencionaram .... não pode mais chamar de negão, crioulo, ficha de ônibus, viadinho, etc, etc, etc...agora TUDO é ofensa, gera agressão, ações na "justiça", etc.

Ou seja, sempre existiu, mas hoje a questão virou um debate mundial, como o aborto, a causa LGBT, e tantas outras. E as TVs forçando a barra para mostrar que o que era anormal agora é normal, e vice-versa, uma transformação total.

Eu, particularmente, continuo como sempre fui. Outro dia a MV me chamou a atenção porque numa reunião social mencionei a palavra negão, com um negão presente.

Não dá para policiar-me aos 64 anos de idade. #simplesassim

Viva o ser humano ..... qual será a próxima ?

Jorge Carrano disse...

Enquanto conversamos aqui sobre o politicamente correto - uma idiotice - o país está parado aguardando um sim, ou não, do Tite.

Antes, aguardávamos a decisão sobre Dilma, Cai ou não cai.

Pobre país.

Riva disse...

TITE ... para quem não lembra, ele assinou o manifesto em dezembro para a destituição/renúncia do Del Nero, que tem medo de sair do Brasil, porque lá fora será preso.

Esse mesmo TITE que ontem foi lá cheirar a CBF atrás de ..... grana, muita grana ! Se Dunga ganhava 850 mil, imagine quanto será o Tite. Se recusar é porque não deram o que ele pediu. Apenas isso.

O ser humano é uma merda mesmo .... o brasileiro então !! é o 7x1 sem fim.