8 de maio de 2014

Papo de Astronomia: The Hidden Side of the Moon





Por
Carlos Frederico March
(Freddy)









Não não é The Dark Side of the Moon, famoso disco do Pink Floyd e que difundiu mundialmente aquela que, para mim, é a maior expressão do rock de todos os tempos, superando The Beatles. Está bem, são estilos diferentes, já que o Pink Floyd é classificado como progressivo e The Beatles é pop.

Capa do disco The Dark Side of The Moon

Não existe  “the dark side of the Moon”. A Lua não tem um “lado escuro”. Tem um “lado oculto” para nós, terráqueos, já que apresenta sempre a mesma face voltada para a Terra ao longo de sua órbita.

Uma prova relativamente simples de que ela se torna escura não apenas atrás, mas também na frente e dos lados são suas fases. Assim como o Sol ilumina a Terra de modo que enquanto de um lado é dia no outro é noite, o mesmo acontece com a Lua, só que bem mais lentamente (do nosso ponto de vista cerca de 29 dias e meio). Temos então que: 

1 - Quando ela está na fase de Lua cheia, sua face oculta está totalmente escura
2 - Quando ela está na fase de Lua Nova seu lado voltado para nós está totalmente às escuras, ao passo que a face oculta está em radiante luminosidade.
3 - Quando ela está nos apresentando um formado de D ela está com a metade de cada face, tanto da voltada para nós quanto da oculta, escura.

Aludindo ao Pink Floyd, podemos deduzir que o único momento em que o lado oculto (the hidden side) se torna o lado escuro (the dark side) é na Lua Cheia. Diria no entanto que o rigor científico jamais vai desmerecer o conteúdo musical de um dos mais vendidos discos da história.

Face da Lua voltada para a Terra

Nós, humanos, só fomos conhecer o lado oculto na era espacial, através de naves e sondas. É bem mais acidentado que o lado voltado para a Terra.  Dizem os astrônomos que é porque, durante sua formação, esteve mais exposto a quedas de asteroides e cometas que o lado voltado para a Terra, que serviu como escudo e desviou boa parte deles.   
 
Face oculta da Lua

Uma outra versão da mesma explicação afirma que a Terra é que foi poupada de intenso bombardeio espacial pelos mesmos asteroides e cometas, e isso até hoje, pela presença da Lua à nossa frente, que cria um escudo e os atrai, evitando que sejamos atingidos com maior frequência.

De fato, a craterização da Lua em seu lado oposto a nós é muito mais intensa que a do lado voltado para nós, bem mais liso e coalhado daquilo que os antigos chegaram a achar que eram “mares”.  Uma comparação das fotos dos dois lados (acima) já dá, mesmo a leigos, essa ideia. Mostro a seguir uma foto de algumas crateras do lado oculto, um terreno bastante acidentado.
 
Crateras na face oculta da Lua

Para terminar, uma curiosidade: o solo lunar, ao contrário do que nos parece visto da Terra por estar intensamente iluminado, é absolutamente escuro. Uma comparação que parece efetiva é com a cor do asfalto meio gasto nas ruas das nossas cidades!


Créditos:
Fotos obtidas no Google e/ou na “Wikipedia, a Enciclopédia Livre”


13 comentários:

Helga Maria disse...

Tenho aprendido algumas coisas com o Sr. Carlo Frederico.
Não iria, sem motivação, a wikipedia, ou a Barsa, para saber mais sobre eclipses e sobre nosso satélite especialmente.
O post despertou curiosidade. Assim como o caso dos drones.
Muito bom.
Helga

Freddy disse...

Obrigado, Helga.
Como disse, praticamente sobre tudo que possamos conversar existe algo na rede. Foi até um dos motivos que me desestimulou a fazer posts com fotos de viagens, há bilhões delas! Sobre todos os lugares, e muito melhores que as minhas!
No entanto, também aprendi que os blogs têm um nicho de seguidores, misto de frequentes e eventuais. Não nos custa (pelo contrário, dá prazer) fazer resumos mais ou menos didáticos de alguns temas, científicos ou não.
No mínimo, serão apresentados sob o ponto de vista do autor, além de dar motivo para conversas e trocas de ideias.
Abraço
Freddy

Jorge Carrano disse...

O título "The dark side of the moon" é uma licença poética.

Jorge Carrano disse...

Quando terminei o curso ginasial, na década de 1950, a ignorância sobre nosso satélite era muito maior.
Num post aqui publicado contei o que achavamos da lua.Leiam:
http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2014/01/na-vida-nada-e-imutavel.html

Freddy disse...

Quando eu comecei a me interessar por Astronomia, nos idos de 1963, esquemas de Marte ainda o mostravam com canais e se discutia se eram naturais ou artificiais, construídos por alguma civilização extraterrestre. Hoje em dia temos naves-robô passeando em sua superfície totalmente árida.

Plutão ainda era estimado com cerca de 5.000km de diâmetro e hoje se sabe que é tão pequeno que foi reduzido a planeta anão. Em 2015, se tudo der certo, teremos a nave New Horizons passando por ele e o fotografando de perto, junto com suas 5 (por enquanto) luas.

O avanço nos conhecimentos de Astronomia são tantos que tornam a maioria das publicações antigas obsoletas, assim como em informática. Já joguei fora praticamente minha biblioteca inteira sobre o assunto!

Abraços
Freddy

Freddy disse...

Sobre o Pink Floyd, tenho a acrescentar que quem o julga pelo álbum "The Dark Side of the Moon" perdeu toda a noção da importância que esse grupo teve para o cenário do rock progressivo nos anos 70. Álbum como Meddle, Atom Heart Mother, Animals, Wish We Were Here, The Wall, The Final Cut estão entre os ícones de uma geração, que por acaso na época olhavam de lado para o Dark Side como sendo uma expressão "comercial" do Pink Floyd.

Recomendo, para quem tiver paciência de gastar 23 minutos e meio de sua vida num quarto escuro (fator fundamental), ouvir toda a faixa "Echoes" do Meddle (de 1970). Eu chamo de "vestibular para curtidor de som". É uma viagem astral, algo indescritível, quase lisérgico.
Pode ser encontrada, por exemplo, no YouTube em versão completa de estúdio em:

https://www.youtube.com/watch?v=xmADpBu_ZCA

<:O) Freddy, "viajando..."

Riva disse...

Freddy, sobre essa fotografia da face oculta da Lua, iluminada pelo nosso Sol ....

Para essa foto pegar a Lua por completo, foi clicada na fase da Lua Nova, correto ?

Mas, a que distância ????
Quem/o que conseguiu essa foto ?

Freddy disse...

Ela é um mosaico, juntando através de computador diversas fotos menores tiradas por uma sonda. Provavelmente as fotos foram em fases próximas à Lua Nova, já que apresentam sombras nas crateras para melhor defini-las.
Se fosse direto na Lua Nova não haveria tanta definição.
Pode ser também que existam outras montagens, essa foi apenas uma delas, colhida a esmo.
Saber qual a sonda (russa ou americana) não acrescenta valor à informação. Idem a distância, dado que com teleobjetiva se traz pra perto qualquer detalhe.
;-)
Freddy

Jorge Carrano disse...

Astronomia e fotografia são dois dos assuntos que o Freddy conhece como especialista/diletante.

Freddy disse...

A técnica de juntar fotos para fazer grandes mosaicos é surpreendente. Já vi exemplos cavernosos de multidões em que você consegue definir cada rosto, montagens de estádios lotados, para dar alguns exemplos.
O Google Live View é um exemplo de mosaico, mas malfeito - as junções não são exatas.
Quando se trata de assuntos científicos, o software de edição é extremamente sofisticado.
=8-)
Freddy

Riva disse...

Freddy, continuo em entender a questão da distância em que a foto/fotos foram batidas.

Alguma nave/sonda já orbitou na Lua a essa distância toda ??? Isso é possível ?

Freddy disse...

Vou tentar explicar através de exemplos mais contundentes...

Já ouviram falar na sonda Cassini? Ela AINDA está orbitando Saturno, orbitou sua maior lua Titan e depositou nessa lua uma sub-sonda, que penetrou na atmosfera de Titan e fotografou coisas incríveis. Até hoje Cassini continua a extasiar astrônomos e leigos com suas espetaculares fotos do sistema Saturno/suas luas.

A Galileu fez coisas similares no sistema Jupiter (com anéis e satélites), de quebra fez fotos também da nossa Lua, quando passou por lá em direção ao planeta gigante.

Já ouviram falar nas sondas que orbitaram Marte e mapearam todo o planeta vermelho com nitidez extraordinária, desmistificando de vez a lenda dos canais marcianos? E nas sondas que passeiam em solo marciano até hoje, sob comando de um pessoal tranquilamente instalado num laboratório de controle na Terra?

Acabaram de orbitar o segundo maior asteroide do sistema solar, Vesta, e a mesma nave está se posicionando para orbitar Ceres, o maior asteroide e hoje elevado à categoria de planeta-anão, como Plutão. Ambos se encontram no Cinturão de Asteroides, entre Marte e Jupiter.

Concluindo: que há de extraordinário no fato de uma sonda orbitar ou pousar na Lua, que astronomicamente fica em "nosso quintal"? Os cientistas espaciais (americanos, russos, europeus, chineses e japoneses) já estão léguas à frente desse simplório feito.
Abraço
Freddy

"The bottom line": acabei de vender minha Lua, um globo de 30cm de diâmetro, com todas as crateras mapeadas de ambos os lados (visível e oculto). Quem quiser uma, eu indico onde comprar (site da revista Sky & Telescope: Moon globe).

Riva disse...

Freddy, vc continua sem tirar minha dúvida.
Essa foto não está a uma distância muito grande da Lua, para ser uma órbita ? Qual a órbita limite, sem ser atraído pela Terra ??