21 de fevereiro de 2016

Samanguaiá, Jurujuba, Niterói

Na orla de Niterói, no bairro de Jurujuba, funcionou um restaurante badaladíssimo, frequentado por quem tinha po$$e$, residentes em Niterói e também no Rio de Janeiro.

Alguns de seus frequentadores moradores do outro lado da baia, chegavam de lancha ou iate e atracavam no píer. Acho que o "Bateau Mouche" fazia o percurso do Rio para Niterói trazendo frequentadores para o restaurante, fosse para uma refeição, fosse apenas para um drink.
Foto obtida via Google
É bem de ver que o local era acessível por mar e pela Estrada Fróes, em Niterói, via Icaraí, São Francisco, Charitas,  et voilà

Vim a  conhecer o Samanguaiá em 1984, quando retornei de São Paulo, onde morei e trabalhei por 9 anos. Mais tarde, em 1988, retornei a São Paulo por mais 7 anos, voltando definitivamente em junho de 1995.

Meu retorno, em  1984, deu-se em condições nada ortodoxas e violando conceitos básicos de recursos humanos. Trabalhava no Grupo Matarazzo mas estava infeliz, minha irmã Ana Maria, esta mesma que dá pitacos aqui no blog, leu um anúncio fechado no JB (jornal, não o uísque), que segundo ela era o meu perfil que procuravam: Gerente Administrativo, com ênfase em administração de pessoal.

Ela, minha irmã, respondeu ao anúncio, por carta, na qual relatava a história do irmão que trabalhava em São Paulo, longe da família (mãe, irmãs e sobrinhas), estressado com o trânsito e infeliz no trabalho.

O Sr. Carlyle Wilson, terceiro homem na hierarquia do "Grupo Bozano, Simonsen", mas presidente da Siderúrgica Hime, que publicara o anúncio, leu a carta e mandou que fizessem contato comigo, em São Paulo, para uma entrevista aqui em Niterói (na verdade no bairro de Neves, em São Gonçalo).

Durante a entrevista ele mencionou que ao ler a carta de minha irmã ficou bem impressionado, sobretudo pelo espírito de família. E teria dito para o diretor da área administrativa/financeira: “está aqui o homem que precisamos”.

Voltei para São Paulo apenas para solucionar pendências. Rescindir contrato de trabalho (já havia uma conversação prévia) e também o de locação da casa onde residia, no Brooklin Novo.

Admitido em outubro, na siderúrgica, ainda nem sabia direito o caminho do sanitário e já tive a incumbência de organizar o jantar anual de confraternização da diretoria e gerência, função tradicionalmente  delegada ao gerente administrativo. Escolha de local, cardápio, infraestrutura e logística (condução para os diretores que residiam no Rio, negociar o direito de levar bebida e pagar rolha, estas coisas).

Foi aí que alguém me soprou: vai ao Samanguaiá e negocia com o sócio Fulano (o nome que me foge, acho que era de origem árabe). O local é agradável e o Fulano vai sugerir o menu.

Assim fiz, telefonei e marquei um dia pela manhã, tipo 10 horas, para eu conhecer o lugar e podermos conversar calmamente.

O cardápio foi fácil porque seriam os pratos mais tradicionais na época. Descartado o estrogonofe como prato principal (ninguém aguentava mais), mantive, entretanto,  o não menos batido cocktail de camarão na entrada. Depois médaillon de mignon (confesso que escolhi a meu gosto). De sobremesa uma novidade que aparecia na época: tiramisù.












Eramos dezesseis casais. Foi uma noite agradabilíssima. Dançamos (música ao vivo, com um conjunto razoável), e ficamos a noite toda bebendo e trocando amabilidades. Como eu era o calouro no grupo (recém-contratado) tive que fazer a saudação aos convivas.

Foi assim que conheci o antigo hotel, mais tarde restaurante, em Jurujuba, e que hoje é a sede do Projeto Grael.


Notas do editor: só voltei ao Samanguiá uma única vez e, de novo, como pessoa jurídica. Como pessoa física era muita areia para meu caminhão.
Há um samba do Billy Blanco que cita o Samanguaiá. Ouça na interpretação do conjunto vocal "Os Cariocas". Este era um dos conhecidos conjuntos vocais do passado, como "Quatro Ases e um Coringa", "Trigêmios Vocalistas" e outros. Ouçam, querendo, em 
https://www.youtube.com/watch?v=tuSRfFf8UTU
As fotos que ilustram foram obtidas via Google.

26 comentários:

Kayla disse...

Foi bom saber que vc consegue "trampo" nas horas de aperto, Ana. Vou mandar meu currículo, mas quero emprego. Trabalho já tenho. ashuashuashua.

Jorge Carrano disse...

Kayla,
No meu caso ela tinha muito a oferecer: larga experiência profissional, sólidos conhecimentos teóricos.
Não fez, com meu curriculum, propaganda enganosa (rsrsrs).

Este comentário é mera provocação. Não leva a sério, viu?

Não fique ausente tanto tempo.

Jorge Carrano disse...

Por telefone Ana Maria me informou que tinha lembrança de já haver lido sobre este episódio de minha vida aqui no blog.
Como ela é mais nova cinco anos e sua (her) memória está melhor do que a minha, fui pesquisar e encontrei. Foi há um ano.

Se for o caso, leiam selecionando este endereço abaixo e colando na barra do navegador:

http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2015/02/so-poderia-ter-acontecido-comigo.html

Jorge Carrano disse...

Neste outro link tem uma foto na qual aparecem gerentes e diretores da Siderúrgica Hime, no terraço do Hotel Mercure, no Gragoatá. Eles estiveram no tal jantar citado no post.


http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2015/10/estudar-sempre.html

Ana Maria disse...

Só desculpo por saber que você é um ancião desmemoriado, mas preciso retificar: sou mais nova 20 anos.
Será que cola?

Kayla disse...

Será que o senhor está insinuando que não tenho qualificação para o emprego? Me garanto. Copiei o currículo do mesmo site que o filho mais novo do Lula, conseguiu imprimir o relatório. ashuashuashua

Jorge Carrano disse...

KKKKKKKKKKK
Boa Kayla! Depois desta se eu tivesse um emprego para oferecer seria seu.

Riva disse...

Realmente já conhecíamos essa passagem da sua vida, contada há algum tempo.

Roberto Carlos era cliente frequente desse restaurante, onde encostava seu barquinho nos domingos.

Fomos lá uma única vez almoçar ... quem pagou a conta foi meu falecido sogro ! Não lembro da qualidade da comida, mas lembro da beleza do visual local.

PS: torcida cada vez mais afastada do FLU, que se apequena a cada semana, acostumando sua torcida com derrotas e atuações medíocres. Lamentável. Melhor jogada do Fla-Flu de hoje foi a invasão da torcedora em campo, com o cartaz FORA DILMA. Foi ovacionada por 30.000 pessoas !!

Jorge Carrano disse...

Depois de mais de seis anos no ar, com 1922 postagens publicadas, é possível mesmo que eu tenha repetido alguns casos. Poderia ter sido evitado? Poderia! Bastaria que eu tivesse feito a pesquisa, como fiz depois de alertado pela Ana Maria.
Enfim, desta vez teve uma faceta nova: o Samanguaiá. O local está lá. A Hime foi vendida. Eu me aposentei. Virei advogado, tinha sido entre 1967/1970, na Fiat Lux.
Ana Maria poderia abrir uma agência de emprego (ou virar Head Hunter), já tendo a Kayka como cliente - rsrsrs.

Jorge Carrano disse...

Outros fatos novos, abordados dest afeita:
1) o samba do Billy Blanco;
2) o conjuto vocal "Os cariocas";
3) a gastronomia em moda na época: estrogonofe, cocktail e camarão;
4) restaurante com música ao vivo.

E o Riva acrescentou que o rei Roberto Carlos (vascaino) frequentava o restaurante.

Carlos Frederico disse...

Considerações esparsas:
- Nunca entrei no Samanguaiá
- Nunca degustei um cocktail de camarão
- Gosto de estrogonofe e ainda hoje é um de meus pratos prediletos, apesar de inúmeras controvérsias acerca de sua preparação.
- Gosto muito de tiramissu, o da Torninha é excelente. Todavia, minha atual condição de saúde o torna proibido pra mim, como todos os demais doces (ah, o quindim...).
- Pra terminar, não gosto de música ao vivo.

Essa última afirmativa é paradoxal, tendo em vista eu mesmo ser músico - e deveria valorizar. Na verdade, não gosto de música nenhuma em restaurante, considero o silêncio o melhor acompanhamento para refeições. Até conversas às vezes atrapalham o santo momento.

Dentre os que eu frequento, o Leopoldina, clássico restaurante do Hotel Solar do Império em Petrópolis, tem o ambiente ideal para se comer: poltronas estofadas, grandes cortinas, teto alto, lustre de cristal e nenhuma música. Além, claro, de comida excelente - com preço justo. Vale a visita.

Jorge Carrano disse...

Se vale indicar restaurante em Petrópoli, deve ser válido indicar um em Paris:
Restaurant Lasserre
17, Avenue Franklin Delano Roosevelt

Jorge Carrano disse...

Para quem não tem euros disponíveis ou para quem uma viagem a Paris pela classe econômica é muito penoso, sugiro uma visita virtual em
https://www.google.com.br/maps/uv?hl=pt-BR&pb=!1s0x47e66fdac63417f3:0xcf3ba46dec23641b!2m5!2m2!1i80!2i80!3m1!2i100!3m1!7e1!4s//plus.google.com/photos/photo/102034980975672947560/6213717191403627778!5srestaurante+lasserre+em+paris+-+Pesquisa+Google&sa=X&ved=0ahUKEwjfnN7EsovLAhVIvJAKHVPHChUQoioIgwEwDQ

Teria um outro para indicar em Viena, mas não agradaria ao Freddy, pois tem um quinteto de cordas que nos delicia com o melhor da música erudita durante o jantar.

Carlos Frederico disse...

Apesar de conhecer uma boa penca de países na Europa e Américas, nunca fui de frequentar restaurantes sofisticados. Para ser sincero, nem no Brasil, onde São Paulo tem um monte deles. Nunca acho que o que vão me cobrar terá contrapartida em qualidade e serviço. Fosse eu rico, quem sabe...

Uma única vez fui ao Bouquet Garni, espetacular restaurante mediterrâneo às margens do Lago Joaquina Rita Bier, em Gramado, mas apesar de recomendá-lo (e ter sido elogiado pela indicação por quem foi), não está em minha lista de repetições. Prefiro gastar meu dinheiro com outras coisas (por sinal muitas outras coisas).

O restaurante por mim indicado em Petrópolis é classudo, mas não é sofisticado a ponto de termos de entrar de terno, nem é caro. E decerto o Hotel Solar do Império merece um pernoite, com um passeio por seus jardins iluminados. Foi por mim citado (com fotos) no post "Impressões de Viajante: Petrópolis 2 - um pouco de história", publicado em 16.07.2014.

E se seu negócio é Europa, recomendo pernoitar no Schloss Egg, pequeno castelo medieval na Bavária que inclui um mini hotel (8 suítes duplex). Garanto que, como eu, vai gostar tanto da hospedagem como da comida e da cerveja.

Jorge Carrano disse...

Nossos poucos, mas valorosos debatedores, ficarão entediados com nossa disputa particular de quem conhece mais e melhores lugares sofisticados mundo afora.
Melhor eu capitular e assumir que você é mais requintado, mais classudo, e tem mais posses do que eu.
O que era para ser uma brincadeira virou coisa séria. Então parabéns Freddy, você venceu.
Touché!
Quero e volta o Mosteiro para eu almoçar.

Jorge Carrano disse...

ATENÇÃO

Tranquilizem-se pois não vamos postar nossas declarações de IR com o anexo de bens e direitos e tampouco exibir as páginas de nossos passaportes, para comparações de quem viajou mais e de quem tem mais patrimônio.

Carlos Frederico disse...

Acho que nessa competição vou perder para Riva no quesito repetição. Fui 18 vezes a Gramado, mas acho que ele foi mais vezes a Orlando...
rs rs

Jorge Carrano disse...


Freddy,
O lugar em que fui mais vezes, nas décadas de 60 e 70, foi a Churrascaria que existia na rua Desembargador Lima Castro, no Fonseca.
Mais de 18 seguramente, num período de, sei lá, 8 anos.
Depois a vida melhorou e passei a comer no Rio de Janeiro, na rua Alice, em Laranjeiras.
Um petisco em Bauru, na Eny, uma coisinha básica no Dragão Verde, em Porto Alegre, e outras visitas ocasionais a algumas casas conhecidas em viagens por esse Brasil, enquanto solteiro.
Você pisou tanto em Gramado que ficou "careca". Ainda bem que a FIFA autorizou a grama sintética.

Paulo Bouhid disse...

E ninguém passou, nem perto, do Angu do Gomes...

Jorge Carrano disse...

Bem lembrado, Paulo. Eu enfrentava com satisfação quando ia ao Maracanã. Na volta era obrigação, na Praça XV, traçar um prato de angu antes de ir para casa dormir.

Paulo Bouhid disse...

Do Samanguaiá tenho uma recordação que sempre me leva às lágrimas...

Já devo ter dito que não cresci aqui em Nikiti e nada conhecia quando vim pra cá. Praticamente recém-casado, fomos conhecer o famoso restaurante. Sem saber da especialidade da casa, perguntamos ao garçon o que ele sugeria. Resposta: "Supremo de Frango à Maryland". Delicioso!!

Numa segunda ida, não pensamos duas vezes: "Por favor, um Supremo de Frango à Maryland".

Na terceira ida, decidimos que íamos arriscar um prato que escolhêssemos. Pedimos, e veio a desculpa:
- "Sinto, mas estamos em falta."
- "Tudo bem... e que tal xxxxxxxxx?"
- "Lamento mais uma vez, mas estamos sem o ingrediente xxx".
- "Ok.. então, o que o sr. sugere?"
- "Já provaram o nosso delicioso Supremo de Frango à Maryland?".

E esse ficou sendo o único prato que comemos lá, virando piada de família...

Mais tarde soube que lá tb havia quartos, abertos ao público. Talvez por isso, volta e meia atracava uma lanchinha ali. As pessoas iam lá comer alguma coisa e depois comer alguma coisa...

Jorge Carrano disse...

Este tipo de história acaba sempre entrando para o folclore da família. Bem interessante, Paulo.

Jorge Carrano disse...

O melhor do FlaXFlu está aqui.
Acessem:

https://www.youtube.com/watch?v=tatDML31rk0

https://www.youtube.com/watch?v=75FtGpjqsCg

Carlos Frederico disse...

Eu costumo ser fiel a minhas preferências. De 1978 a 2006 devo ter almoçado 90% das vezes no Solar do Tâmega, à R. Senador Pompeu, 106. Era o melhor restaurante à la carte da redondeza apesar de caro para uma frequência diária. Contudo, minha aversão a quilo e pensões me fazia gastar mais do que devia.Às vezes, acompanhando colegas, acabava frequentando um ou outro alternativo, mas a qualidade e o fato de se situar a poucos metros da Embratel sempre me levava ao 106.
Alguns amigos já foram lá por sugestão minha degustar 1/2 camarão ( ou lula ou polvo) com arroz e brócolis. Imperdível. Meio dá pra 2 pessoas. O inteiro serve de 3 a 4. Não confundir com risoto de camarão, que é outro prato.
Não fiz conta do número de vezes que lá almocei, há até causos...
28 anos, 48 semanas de trabalho por ano, 5 dias por semana, 90% disso dá perto de 6.000 vezes. Que tenha exagerado e que sejam 5.000.. Não deixa de ser uma quantidade respeitável !!

Riva disse...

O post não era sobre o Samanguaiá ? E se transformou numa competição .......

Por favor, não exponham suas declarações de IR. Poupem seus amigos e leitores da constrangedora situação de perceberem que vcs são muito mais ricos e poderosos do que Lula, Cunha, Renan, Delcídio e tantos outros de Brasília ...

E vai que o Japa da Federal frequenta o Pub da Berê ..... olha o risco !!

Carlos Frederico disse...

Qualquer um é mais rico que o Lula.
Ele não tem nada no nome dele.
Vive às custas de amigos e parentes.
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