12 de fevereiro de 2016

Reflexões Carnavalescas - parte 1




Por
Carlos Frederico March
(Freddy)







É esquisito uma pessoa que não curte muito Carnaval se propor a escrever algo sobre o assunto. É bem verdade que não gosto de samba de uma maneira geral, apesar de não ser radical e ter alguns preferidos. Posso destacar aqui:

- “Foi um Rio que passou em minha vida”, de Paulinho da Viola que, apesar de não ter sido o samba enredo da Portela em 1970, foi a que o povo cantou antes (aquecimento) e depois do desfile. Nesse mesmo ano a Portela foi campeã com “ Lendas e Mistérios da Amazônia” mas curiosamente o samba de Paulinho é que ficou associado a essa escola. 

- “Bumbum Paticumbum Prugurundum”, samba enredo da campeã de 1982, a Império Serrano. A autoria é dos desconhecidos Beto sem Braço e Aluísio Machado.

Apesar de não gostar de Carnaval em termos de participação e animação como em minha adolescência e início de juventude, o evento Desfile de Escolas de Samba é algo que me atrai. Não pelo samba em si, e sim pelo trabalho artístico desenvolvido. A análise que farei é de certa maneira inocente e superficial, já que não me enfronho demais no submundo do evento, onde forças imensas entram em combate.

É escolhido um tema, e a escola tem essencialmente um ano para preparar tudo. Aí os compositores saem em campo para a disputa acirrada do samba enredo, tem o desenho das fantasias, a escolha da sequência de desfile, o projeto de carros alegóricos. Tem a construção disso tudo, com patrocínios diversos, incluindo dinheiro escuso, mas não vem ao caso aqui.

A comunidade inteira se lança ao trabalho para confecção de fantasias e carros, artistas especializados são convidados dependendo dos itens a serem desenvolvidos na avenida. Malabaristas, acrobatas, lutadores, atletas de diversas modalidades, são apenas parte de todo um imenso universo de atividades que têm de ter aderência ao enredo escolhido e proporcionar um desfile coerente em harmonia e evolução.

A bateria ensaia novidades, que devem chamar atenção de espectadores e jurados, e tudo tem de ser executado à perfeição num cenário complicadíssimo em termos de sincronismo do som tendo em vista a distância entre o início e o fim da escola na avenida. Complexos circuitos de áudio com defasagem controlada são usados, é assunto de profissionais altamente especializados.

A disputa é desumana, a meu ver, apesar de ser ela que traz motivação para que cada escola invista o seu melhor para mostrar na avenida. Para mim, e para muitos analistas leigos, todas elas mereceriam o prêmio pela simples participação e desenvolvimento de toda uma ideia em uma hora e 22 minutos, depois de um ano inteiro de preparação.

Não sei analisar, ou melhor, não tenho competência para analisar cada quesito da planilha de julgamento, que apontará a campeã a cada ano, além da questão de acesso e descenso que traz a parcela de drama para as últimas colocadas no desfile das escolas de primeiro grupo.

Contudo, como mero espectador, como todos que ligam a TV ou que vão ao Sambódromo assistir ao desfile, sou emocionalmente atingido pelo que vejo. Tenho condição de fazer uma avaliação superficial do conjunto e da evolução. Como não torço, fica mais fácil apenas assistir e gostar ou não do que vi.

Abro parêntesis para declarar que, quando perguntado sobre escola de preferência, costumava citar Império Serrano, mas sem saber exatamente o motivo. Nunca me emocionei especialmente pelos seus desfiles. Sim, tenho ojeriza à Mangueira por motivos que não sei explicar, de modo que nesse ano de 2016 fiquei um tanto frustrado. Pelo que vi, preferia que a Portela tivesse vencido, mas vamos lá.

A TRANSMISSÃO

Agora sim posso descer a marreta! Não consigo conter minha indignação pelo que essa emissora obriga as escolas a fazer, simplesmente por ser patrocinadora exclusiva. A coisa chega ao nível de humilhação. Desde o ano passado, para que o desfile do Grupo Especial não prejudique sua programação normal, a Globo passa a transmitir apenas a partir da 2ª escola a desfilar em cada dia (domingo e 2ª feira). Passa um compacto da primeira escola ao fim de tudo.

Acham pouco? Esse ano rolou o maior quebra-pau antes, pois a Globo já queria passar apenas da 3ª escola em diante, ou então que o desfile começasse sei lá, à meia-noite! A Liga fez valer um tico de sua dignidade e disse que o patrocínio da Globo não era tão grande assim que ela pudesse fazer tais exigências.

Ademais, fez com que a Globo tirasse aquele monstrengo que transmitia o desfile num arco que limitava a altura das alegorias. Quem não lembra a ginástica a que foi obrigada a Portela no ano passado para passar a sua águia? 

Outra imposição que a Globo vem tentando é a redução do tempo de desfile, que ela acha longo (1h22min). Se fosse mais curto (menos de 1h por escola), poderiam começar mais tarde e acabar mais cedo, prejudicando bem pouco a programação normal da emissora.

Sinceramente torço para que a Liga dê um pé na bunda da Globo e volte ao esquema anterior, tão simpático, de várias emissoras transmitindo simultaneamente. A gente simplesmente escolhia aquela que nos fosse mais agradável ou que mostrasse o desfile num ângulo mais favorável. Podíamos também alternar emissoras durante a transmissão, tirando de cada uma o melhor.

A Globo retaliou. Montou seu estúdio panorâmico e ali desenvolveu atividades paralelas que tiravam a atenção completamente do desfile. Dou exemplo. Antes mesmo da escola terminar, entravam os comerciais. Aí voltava já com alguns integrantes da escola para entrevistas - isso com a escola acabando de passar pelo portão, que é um estresse danado. Aí entrevista um, outro, faz-se uma série de comentários, e mais anúncios.

Ao voltar para o estúdio, percebe-se que a próxima escola já está bem avançada no desfile. Mas a Globo tenta enganar o público. Mostra a concentração, o aquecimento dos puxadores de samba, o nervosismo de certos integrantes ou diretores, e então volta à avenida como se estivesse tudo no tempo certo.

Que nada! Aí é uma correria na transmissão para recuperar o tempo perdido! A escola já vai longe e sobra pouco tempo para detalhar o desfile. As grandes manobras acrobáticas, detalhes dos carros, da evolução, são mostrados às carreiras! Em geral apenas uma passada em cada efeito e fim! Foi-se o tempo em que degustávamos as imagens em detalhe, câmera lenta, closes, repetições...

Nesse ano foi tudo corrido, às pressas. E mais uma vez a transmissão do desfile não terminava, a imagem voltava para o estúdio panorâmico e toda a série de eventos internos programados pela emissora era desenvolvida, independente do que estivesse ocorrendo na avenida nos momentos finais, em geral cercados de grande emoção.

Assim como aqui no blog se brada “fora PT!” em se tratando de política, é minha vez de bradar “fora Globo!” em se tratando de Carnaval.

O RESULTADO

Escrevo depois da apuração. Para meu desgosto pessoal, a Mangueira levou o título desse ano. Confesso que gosto tão pouco dela que desliguei a TV assim que terminou o desfile da Imperatriz Leopoldinense, desdenhando a última a desfilar. Concordo, vendo repetições esparsas do desfile, que foi bonito, provavelmente mereceu o titulo.

As 6 primeiras colocadas voltam a desfilar em ordem inversa no sábado dia 13/02, no Sambódromo do Rio de Janeiro, a partir das 21:30. Entre parêntesis, a pontuação de cada escola na apuração dos quesitos.

1 - Mangueira (269.8): Maria Bethânia, 50 anos de carreira
2 - Unidos da Tijuca (269.7): Semeando sorrisos, Tijuca festeja solo sagrado
3 - Portela  (269.7):  No voo da águia uma viagem sem fim
4 - Salgueiro  (269.5):  A ópera do Malandro
5 - Beija-Flor  (269.3):  Marquês de Sapucaí
6 - Imperatriz  (269.2):  Sonho de um caipira 
7 - Grande Rio (268.7):  Santos
8 - Vila Isabel (267.9):  Memórias do Pai Arraia
9 - São Clemente (267.8): Mais de 1000 palhaços no salão
10 - Mocidade (266.5):  O Brasil de La Mancha
11 - União da Ilha (265.8): Rio, olímpico por natureza
12 - Estácio de Sá (265.0):  Salve Jorge, guerreiro na fé

Não vi todas. Nenhuma das primeiras de cada dia, por causa do esquema global. Assisti União da Ilha e Beija-Flor no primeiro dia, mais Salgueiro, São Clemente, Portela e Imperatriz no segundo. Briga de cachorro grande, deu pra perceber e depois a apuração confirmou: foi uma disputa ferrenha de gigantes. Darei a seguir alguns pitacos sobre o que vi, seja ao vivo ou em resenhas.

PRIMEIRO DIA

Começou com a Estácio de Sá, com enredo homenageando São Jorge. Vencedora da Série A no ano anterior, coube a ela dar início à sequência de desfiles edição 2016, sem direito a transmissão ao vivo pela Globo, que mostrava o Fantástico. Portanto, não vi nada desta escola. Poderia ter ficado acordado até o amanhecer e ver o compacto. Pois sim... .

Posso inicialmente destacar que a Estácio era a preferida de nosso blog manager, devoto do santo. Pincei três imagens que considero representativas do enredo, sendo que uma delas destaca uma bela integrante sobre um dos carros. Nas rodas sociais ela provavelmente será considerada gorda. Alguma voz se levanta a favor da moça?

Os jurados não gostaram do desfile, provavelmente nenhum deles é devoto de São Jorge. Com isso, a Estácio de Sá sofreu o efeito gangorra: acabou de subir para o Grupo Especial e já foi rebaixada novamente. Alguma similaridade com o Vasco da Gama nos recentes campeonatos brasileiros? Hmmm...

Estácio de Sá: comissão de frente

Estácio de Sá: Martírio de S. Jorge

Estácio de Sá: Belo destaque em carro alegórico
A seguir entrou a União da Ilha, com um enredo “da moda”, ou seja, relacionado com os jogos olímpicos a se realizarem no Rio de Janeiro. Na comissão de frente paraplégicos treinados faziam belas evoluções, algumas quase impossíveis. Sobre um carro, outro realizava provas similares à do cavalo com desenvoltura exuberante.

Em sendo a primeira escola que assistia no carnaval 2016, estava ansioso pela evolução da ideia, dentro do que já relatei: tenho um imenso respeito pelo trabalho de todos os envolvidos no projeto. Todavia, achei-a, para minha frustração, “misturada”. Não consegui montar mentalmente um padrão de desfile. Muita cor, muita informação, achei que faltou um certo sentido de ordem, arrumação...

Cheguei até a pensar que, se o carnaval de 2016 fosse seguir esse padrão, seria muito ruim. Ao final, tendo visto muitas outras escolas de altíssimo padrão, mudei de opinião no sentido geral, tendo a impressão que a União da Ilha talvez fosse ser a escolhida dos jurados para descer. Salvou-se por conta da Estácio de Sá, que pontuou menos ainda.

Como fotos representativas do seu desfile, escolhi uma da comissão de frente e seus paraplégicos em evolução - que bem representa as Paralimpíadas, e uma de Bianca Leão, a bela rainha de bateria que receava que seu bumbum fosse tremer demais durante o desfile. E alguém se importa?
 
União da Ilha: detalhe da comissão de frente
 
União da Ilha: Bianca Leão, a rainha da bateria
Seguiu o desfile da Beija-Flor de Nilópolis, que comemorava seus 30 anos de existência. Aí sim, identifiquei diversos elementos de seus desfiles anteriores. Muito, muito luxo, muito dourado, fantasias riquíssimas, carros feéricos, dentro de um enredo que até pedia o dourado: versava sobre a vida do  Marques de Sapucaí. Abordava Minas Gerais e sua riqueza, com muito barroco e história da época do império, estudo em Portugal, volta ao Brasil...

O que eu achei, e parece que os jurados também, é que todo mundo já vira isso em incontáveis desfiles da Beija-Flor no passado. Tudo certinho, dentro do figurino, pasteurizado. A mim parecia que não havia falha que fizesse a escola perder pontos no julgamento, mas como já disse, entendo bem pouco. Os jurados acharam erros suficientes para jogar a escola para o 5º lugar na classificação geral.

A comissão de frente veio bem criativa, muito bem ensaiada. O leque mostrado na foto se abria por controle e a igrejinha se transformava numa espécie de mapa antigo. De dentro saía o marquês e se desenvolvia elaborada coreografia. Bonita.

Uma bossa diferente foi a tentativa de uso de violinos à frente da bateria. Interessante, mas juro que não consegui ouvi-los, para mim se tornaram apenas recurso visual. Escolhi também mostrar a ala das baianas, que representa de uma maneira geral o tipo de luxo que imperou no restante da escola.

A ala das Baianas, assim como a Velha Guarda, são elementos indispensáveis nos desfiles de cada escola por permitir que integrantes com idade mais avançada se mostrem e participem dos desfiles. Não pontuam separadamente, mas contribuem como essenciais.

Beija-Flor: comissão de frente

Beija-Flor: violinos à frente da bateria

Beija-Flor: ala das baianas
Pensei ter pinçado o essencial da noite e fui me deitar, sem ver o restante. Assim, sendo, o que mostrarei a seguir sobre a primeira noite de desfile se baseia em resenhas e fotos/vídeos que revi de cada escola citada.

Depois da Beija-Flor entrou a Grande Rio, com o enredo “Fui no Itororó e não achei água, achei a bela Santos e me apaixonei”. É um nome complicado como a maioria dos nomes oficias de enredos, por isso simplifico para “Santos”. Comentários abalizados disseram que quem não conhece a cidade de Santos não entendeu nada.

Claro que tinha bola, tinha Pelé e Neymar Jr (sósias, pois os verdadeiros astros não puderam comparecer). Os times de futebol masculino e feminino do Santos F.C. estavam em carros alegóricos, que também apresentavam outros aspectos da cidade portuária, mas nem o futebol foi suficiente para elevar o nível da disputa. A essa altura só dava Beija-Flor. 

 
Grande Rio:  Pelé à vontade sobre uma bola

Grande Rio: uma alegoria representativa do enredo
Depois desfilou a Mocidade Independente de Padre Miguel. Ah, quem ainda lembra de quão célebre era a bateria dessa escola, a genuína nota 10 esperada em todos os desfiles. Hoje em dia, a planilha de notas dos jurados mostra a realidade: um desempenho apenas mediano.

O enredo tentando adaptar o Brasil a Dom Quixote de La Mancha mostrou-se quixotesco. O que pude pinçar de interessante foi a rainha de bateria, Cláudia Leitte - que se acha mais importante e bonita do que realmente é, sem deixar de ser uma bela estampa fantasiada e sambando. Também destaco o carro alegórico mais alto de todos os desfiles, segundo informação dada. Esse provavelmente não teria sido aprovado no ano passado, quando a altura era determinada pela barra da torre de transmissão da Globo, retirada este ano.

Mocidade: Rainha da bateria Cláudia Leitte

Mocidade: O carro alegórico mais alto de todas as escolas

A noite terminou em grande estilo. Assim reportaram os jornais na manhã seguinte e assim os jurados também acharam. A Unidos da Tijuca conseguiu lutar pau a pau, nota a nota com as outras favoritas, terminando apenas um décimo atrás da campeã Mangueira e empatada em pontos com a Portela, conseguindo a 2ª colocação por critérios de desempate.

O enredo era promissor: “Semeando sorrisos, Tijuca festeja solo sagrado”. Numa época de ecologia em evidência, exaltar o agronegócio caiu bem. Destaque visual já se mostrou logo no início do desfile, com cerca de 100 figurantes totalmente cobertos de barro, em bela coreografia encenando uma versão da criação do mundo.

Sem ter visto o desfile, tenho infelizmente pouco que comentar. Mesmo assim faço destaque de 2 elementos essenciais. Um deles, já mencionado e que não conta ponto a favor, mas contaria contra se não fosse mostrado, é a Velha Guarda. No caso, ela veio concentrada num dos carros alegóricos sobre agricultura.

O outro elemento destacado é o casal mestre-sala e porta-bandeira. Existe um casal principal (às vezes mais um ou dois casais secundários) e a responsabilidade que cai em suas cabeças é monumental: respondem por um quesito inteiro na planilha de julgamento, ou seja, 30 pontos da escola dependem de sua evolução. Basta um mero erro, uma escorregada, e pontos importantes serão fatais na hora de computar o total. Haja responsabilidade! No caso, desempenharam muito bem.
 
Unidos da Tijuca: Criação do mundo em barro

Unidos da Tijuca: Velha Guarda

Unidos da Tijuca: Mestre sala e porta-bandeira
A resenha das escolas que desfilaram no 2º dia, além de informações complementares, serão objeto de post subsequente.


Créditos:

As fotos foram extraídas da resenha fotográfica do site do Globo na internet da 2ª feira (08/02/2016) pela manhã, quando constaram os respectivos créditos individuais. Infelizmente as informações são substituídas a cada dia, de modo que resgatar posteriormente o crédito individual de cada foto fica praticamente impossível. Uma ou outra foto complementar foi pinçada no Google.

13 comentários:

Jorge Carrano disse...

Freddy,
Também vou fracionar meu comentário, em duas partes (rsrsrs).
Vou começar falando da Unidos da Tijuca. Esta Escola não caiu de paraquedas entre as primeiras colocadas. Já ganhou em 2010, 2012 e 2014. Em 2004 e 2005 já ensaiara incomodar as maiores, ficando na segunda colocação.
O binômio Fernando Horta (presidente)/Paulo Barros(carnavalesco) deu tão certo quanto Anísio (presidente)/Joãozinho Trinta (carnavalesco) na Beija-flor.
É claro que Joãozinho morreu e a Beija-flor continuou sendo protagonista nos carnavais. Assim como o Paulo Barros deixou a Unidos da Tijuca (está na Portela), mas deixou uma linha, um lastro.
O Fernando Horta provavelmente será o sucessor do Eurico na presidência do Vasco. O português tem tino.
Assim como a Portela tem por símbolo uma ave, a águia; o da Unidos da Tijuca é o pavão.
Minha torcida, excepcional, pela Estácio, se justificava pelo enredo escolhido. Se tem São Jorge estou dentro. A Escola não se manteve no grupo especial menos pela qualidade de seu desfile, do que pelo fato de ser a primeira a desfilar, no primeiro dia dos desfiles, com os jurados ainda “frios” e sabendo que era oriunda do grupo de acesso. Logo, dar notas mais contidas seria natural.
Infelizmente para a Estácio, este ano o nível estava bem alto. O resultado reflete isso.

Jorge Carrano disse...

O Paulinho da Viola fez “Foi um rio que passou em minha vida” por razões emocionais/comerciais/éticas. Ninguém perdoou o fato dele haver composto um belo samba enaltecendo a Mangueira. Veja alguns versos:
Sei lá Mangueira
Paulinho da Viola

“Vista assim do alto
Mais parece um céu no chão
Sei lá,
Em Mangueira a poesia fez um mar, se alastrou
E a beleza do lugar, pra se entender
Tem que se achar
Que a vida não é só isso que se vê
É um pouco mais
Que os olhos não conseguem perceber
E as mãos não ousam tocar
E os pés recusam pisar
Sei lá não sei...
Sei lá não sei...”

Logo, ele tinha a obrigação, como portelense, de fazer algo para sua Escola. Foi inspirado, o samba pegou e se tornou um clássico. Em todos os seus shows ele tem que cantar este samba.

Com todas as vênias, Beto Sem Braço é um desconhecido para você, cara pálida. Não para o mundo do samba. E o Aluísio também tem méritos como compositor.

A Portela, não obstante o jejum de títulos, ainda é a maior vencedora dos desfiles. Ao tempo do Natal o buraco era mais embaixo. Quando ele morreu, Castor, Anísio, Luizinho Drummond e Capitão Guimarães, entre outros menos conhecidos tomaram conta.

Anônimo disse...

Ué, o blogueiro escreveu a parte 2 nos comentários?
(SP)

Jorge Carrano disse...

Ao invés de comentar como anônimo, você deveria faze-lo como "Piadista".

Carlos Frederico, o autor, está concluindo a segunda parte. Aguarde!

O manager só botou um temperinho.

Carlos Frederico disse...

Agradeço o tempero, Carrano.
Tendo em vista que conheço muito pouco de samba e de escolas, deixei claro que o texto foi escrito baseado na mera emoção de alguém que aprecia manifestações artísticas diversas.
Assim sendo, qualquer colaboração no sentido de trazer mais clareza e precisão ao tema é bem-vinda. Espero mais contribuições de outros comentaristas, pois quando bem colocadas trazem mais conhecimento para mim e eventualmente para outros leitores.
=8-)

Carlos Frederico disse...

Uma primeira correção é devida - quem sabe não haverá outras?
No calor da produção do texto, fiz uma lista das escolas segundo a classificação após a apuração, para me guiar. Contudo, ela acabou entrando no texto com os “apelidos” que dei a cada enredo. Tendo em vista uma maior precisão de informações, repito abaixo a mesma lista, mas agora com o nome oficial de cada enredo. Coisa de louco!

1 - Mangueira 269.8 pontos (campeã)
Maria Bethania, a menina dos olhos de Oyá

2 - Unidos da Tijuca 269.7 pontos (2ª pelo critério de desempate)
Semeando sorrisos, a Tijuca festeja o solo sagrado

3 - Portela 269.7 pontos (3ª pelo critério de desempate)
No voo da águia, uma viagem sem fim

4 - Salgueiro 269.5 pontos
A Ópera dos Malandros

5 - Beija-Flor 269.3 pontos
Mineirinho Genial! Nova Lima – Cidade Natal. Marquês de Sapucaí – O Poeta Imortal

6 - Imperatriz 269.2 pontos
É o Amor... Que mexe com minha cabeça e me deixa assim... Do sonho de um caipira nascem os filhos do Brasil

7 - Grande Rio 268.7 pontos
Fui no Itororó beber água, não achei. Mas achei a bela Santos, e por ela me apaixonei…

8 - Vila Isabel 267.9 pontos
Memórias de 'Pai Arraia' - Um sonho pernambucano, um legado brasileiro

9 - São Clemente 267.8 pontos
Mais de 1000 palhaços no salão

10 - Mocidade 266.5 pontos
O Brasil de La Mancha: Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, sou Quixote Cavaleiro, Pixote Brasileiro

11 - União da Ilha 265.8 pontos
Olímpico por natureza... Todo mundo se encontra no Rio

12 - Estácio de Sá 265.0 pontos (rebaixada)
Salve Jorge! O guerreiro na fé

<:o)

Anônimo disse...

Vou esperar sair o DVD. Assim terei vídeo e áudio. E vou conferir.
(SP)

Jorge Carrano disse...

Vou informar em primeira mão a escola que será rebaixada no próximo ano: Paraíso do Tuiuti. Sorry!

Anônimo,
E em São Paulo, teve desfile? A prefeitura paulistana poderia contratar as escolas do grupo "A", de acesso, no Rio de Janeiro, para desfilarem no Anhembi. Fariam mais sucesso que essas que vocês têm aí (rsrsrs).

Incógnita disse...

Quem não gosta de Carnaval? Seguramente o manager é passional também neste quesito, no que é acompanhado pelo autor do post. Deve ser característica de vascaíno.

Riva disse...

Passo .....

Quando começa 2016 ?

PS: em tempo, a minha torcida pela Mangueira foi uma sacanagem, tb no Twitter, pois TODOS associam Mangueira Àquele Time do Mal. Fui abduzido durante o Carnaval, e um ET usou meu smartphone e meu netbook. Mas já estou de volta, lúcido, e juro, não rolou lobotomia.

FLUi

Jorge Carrano disse...

Incógnita e Anônimo:
Terminado o carnaval tirem suas máscaras (KKKKKKKK)

Calm down It's just a joke !

Riva disse...

Também poderia ser ao contrário :

"Acabou o Carnaval, já podem recolocar suas máscaras !"

rsrsrs

Carlos Frederico disse...

Cláudia Leitte já não é mais rainha de bateria da Mocidade. Ela e o diretor de carnaval Rômulo Ramos já saíram.
Boatos apontam a funkeira Anitta para o lugar de Cláudia.