10 de fevereiro de 2016

Era no tempo do rei

Prefiro “Passarela do Samba”, ou como antes, quando de sua inauguração em 1984, “Avenida dos Desfiles”.

Admito que faz sentido haver sido batizada pelo povo de “Sambódromo” em face da correria dos desfiles, da aceleração dos sambas, que até mesmo para marchinhas têm hoje ritmo corrido demais.

Dromo, do grego, segundo o Aurélio (fui lá conferir) significa “ação de correr”, “lugar para correr”.

Imaginei que fosse este mesmo o sentido deste complemento – dromo - por causa de autódromo, hipódromo, que são locais onde se disputam corridas.

E as Escolas de Samba, de uns tempos a esta parte, disputam é isto mesmo: corrida. Com tempo cronometrado para o desfile de 4.000 a 5.000 figurantes, e vários carros alegóricos, o negócio foi acelerar os sambas de enredo que viraram marchinhas.

Vai longe o tempo do samba cadenciado, cantado e dançado num compasso sem pressa, sem hora para acabar.


E se falo em cantar é porque as letras contavam histórias. E história brasileira, porque o regulamento não permitia enredos estrangeiros.

Quantos personagens de nossa história oficial, quantas lendas, quanto folclore aprendemos através dos sambas que serviam de suporte para os desfiles. 

Refiro-me aos bons tempos de Silas de Oliveira e de Mano Décio da Viola, ambos da Império Serrano, que isoladamente ou em parceria, são responsáveis pelos mais belos (ou entre os mais belos) sambas até hoje compostos. 

Quem não se encanta com “Heróis da Liberdade” ou  “Aquarela Brasileira” ?

Silas
Hoje os sambas são compostos por verdadeiros consórcios, com letras o mais das vezes de pouca inspiração e para serem cantados num ritmo alucinante de marcha.

Cinco, seis, ou até mesmo oito compositores, para fazer “aquilo”? Umas ONGs de comerciantes de arte popular.

Em 1966, eu tinha “apenas” 26 anos de idade, um jovem compositor da Portela (um dos responsáveis por ser minha escola do coração), carinhosamente chamado de Paulinho da Viola, compôs para escola de Madureira, o antológico “Memórias de um Sargento de Milícias”, baseado na obra homônima, escrita na século XIX, por Manuel Antônio de Almeida.

Quem leu o romance pode constatar que toda a história está contada na letra do samba, desde os primeiros versos. Imperdíveis, o samba e o romance.

Legal, ainda, o fato de que a trama do livro se desenrola na região do Mangue, que era a zona boêmia e de meretrício na cidade. E era onde aconteciam os desfiles antes da inauguração da passarela do samba.

Ao final do conteúdo da página que será possível acessar  com o link a seguir, vocês encontrarão a letra do samba, que é um resumo da história do livro.

Ou seja, leia o livro ouvindo o samba.

E neste outro link, poderão ouvir o samba cantado por um outro grande compositor de sambas de enredo, que é o Martinho da Vila.

Perceberam o andamento do samba? Outros tempos. Era nesta época que eu gostaria de ter desfilado. Sem pressa, sambando (as pernas ainda obedeciam) e cantando grandes sambas.




Notas do editor: foi causa da obrigatoriedade de temas nacionais, principalmente históricos, que Stanislaw Ponte Preta compôs o "Samba do Crioulo Doido". Uma bem-humorada confusão de fatos e personagens.

Além da mudança nos sambas, o visual virou quesito, no dizer dos inspirados compositores Neném e Pintado, samba cantado por Beth Carvalho, sob o titulo "Visual".

Hoje a tarde será conhecida a escola vencedora de 2016. Quer arriscar um palpite? O meu é ditado pelo coração: PORTELA.

21 comentários:

Jorge Carrano disse...

No passado, terminado o tríduo momesco, era chegada a hora das reminiscências carnavalescas.
As pessoas chegavam em seus escritórios, seus empregos nas sedes das muitas indústrias instaladas no Rio, com a revistas O Cruzeiro, Fatos & Fotos e Manchete debaixo do braço.
E ficavam admirando o que perderam, ou relembrando o que viveram nos bailes do Municipal, do Sirio e Libanês, do "Mamãe eu Vou as Compras", nos desfiles de fantasias do Quitandinha, do Copacabana palace.
Mulheres seminuas, os artistas estrengeiros que tradicionalamente eram convidados a virem para o Carnaval.

Anônimo disse...

Acho que o bogueiro é do tempo dos corsos, da Rodouro e da fantasia de marinheiro ( he he he )
(SP)

Jorge Carrano disse...

Quase que acerta Anônimo. Corso não, mas grandes Sociedades Carnavalescas sim.
Inclusive, durante dois ótimos carnavais, brinquei na Democráticos.
Sim, quanto ao lança perfume da Rhodia, que chagava aqui vinda da Argentina.
E embora nunca tenha me fantasiado de marinheiro (aliás nunca usei fantasia), admito que era moda nos salões, o quepe branco e a camisa listrada em azul e branco.

Talvez você, não sendo de Niterói, não saiba. Mas as meninas do Beto, da Dinah e da Churrascaria, alegravam nosso carnaval nos bailes no Rio. Nos Democráticos, na Embaixada do Sossego, etc.
Ah! Ia me esquecendo: fantasia sexual sim. Mas indumentária não.

Jorge Carrano disse...

Deixa eu explicar uma coisa para quem não é do ramo. Assim como o Vasco, um dos maiores clubes do Brasil, e alguma expressão internacional, está na séria "B" do campeonato brasileiro, da mesma sorte a Império Serrano, uma das grandes escolas do Rio de Janeiro está no grupo de acesso. Ou seja, está fora da elite, da série especial. Espero que só até logo mais e que ela consiga voltar, depois da apuração, ao lugar que merece por toda sua história. Afinal é a escola dos citados autores Silas de Oliveira e Mano Décio.
Simpática escola de Madureira, vizinha da Portela.

Riva disse...

Eu acho um absurdo essa quantidade de membros de uma escola de samba, e o cronômetro rodando.
Há quem considere isso uma evolução, comparadas com as de "outrora", do tempo do Blog Manager rsrsrsrs ..... A evolução sem dúvida foi na tecnologia agregada e na qualidade das fantasias e carros alegóricos.

Da mesma forma, o futebol. Só voltará a ter graça se os times jogarem com 10 jogadores, ao invés dos 11 tradicionais. E sem a maldita regra do Impedimento.

PS : cheguei há pouco em Niterói, e ouvi na CBN na estrada que hoje teremos uns 41º, com sensação térmica de 50º ..... Saí de Friburgo às 8h dessa manhã, com 19º ....

Carlos Frederico disse...

Não sigo escolas de samba, mas houve um tempo em que automaticamente respondia Império Serrano quando me perguntavam se torcia por alguma. Nenhuma razão especial além do nome.
Contudo, se me perguntarem por quem eu NÃO TORÇO, a resposta é imediata: Mangueira! Adoro quando ela se f...
Nessa 2ª feira, assisti a todas as escolas até chegar a hora da Mangueira, quando então desliguei a TV e fui dormir, apesar de ainda estar sem muito sono. Dá-me uma espécie de asco, não sei por quê...
<:o)

Incógnita disse...

Agora entendi por que o comércio popular é chamado de camelódromo. É lá que os camelôs correm dos "puliças".

Ana Maria disse...

Esse ano não assisti nada sobre Carnaval. Nem compactos, nem bastidores e nem reportagens em noticiários. A única notícia que tive foi no facebook, onde postaram um vídeo da comissão de frente da Mocidade e sua simulação de prisão de corruptos.
O Carnaval do passado era bom? Concordo que sim, mas hoje tudo ficou deturpado com luxo excessivo e gastos incompatíveis com o padrão das Escolas.
Há uma deturpação dos valores e esquecem que o que tornou o Carnaval do Rio famosos foi a criatividade. Hj é tudo pasteurizado, cansativo e sem criatividade.
Graças a Deus existe Netflix, livros e tepo para bater pao.

Jorge Carrano disse...

Freddy,
Sua opção pela Império Serrano é respeitável. É uma escola com muita tradição, com belos desfiles e muitas vitórias no grupo espacial.
Sua ala de compositores era talvez a mais qualificada e dela saíram sambas fantásticos. Foi a primeira a admitir mulher em sua ala de compositores, Ivone Lara, aquela mesma conhecida como Dona Ivone Lara, autora de muitos sucessos fora do carnaval.
Sua ojeriza pela Mangueira tem algum sentido, mas que não seja por causa de uma falsa ligação com o Flamengo.
Um dos ícones da escola, seu puxador Jamelão, era vascaíno roxo. Assim como vários outros membros ilustres da escola.
Mais ainda, o presidente da Mangueira - Chiquinho da Mnaguira - é conselheiro do Vasco, aliado de Eurico Miranda.
Portela, Mangueira e Deixa Falar foram as escolas fundadoras do carnaval das escolas de samba.
Não se impressione com os títulos da Beija-Flor, todos conquistados na era do sambódromo. Esta escola, assim como o Chelsea na Inglaterra, não tem história, não tem tradição, teve e tem é muito dinheiro bancando luxo e riqueza.
O Chelsea é fruto da grana de um milionário russo. Tem, ainda, menos torcida do que o Tottenham, West Ham e Arsenal, só para mencionar os londrinos.
Assim é a Beija-flor, com a grana do Anisio e a criatividade do falecido Joãozinho Trinta, com sua filosofia de que quem gosta de miséria é intelectual, que o povo gosta mesmo é de luxo, acabaram por de certo modo desvirtuar o cartnaval pé no chão, o dos sambistas.

Jorge Carrano disse...

Ah! Esqueci de mencionar a forte ligação entre Anísio Abraão David e José Bonifácio de Oliveira, o Boni, antigo homem forte da Globo.
Com esta amizade a escola passou a contar com o apoio da Globo (até hoje) e como sabemos a propaganda, a divulgação, acabam por conquistar adeptos.

Jorge Carrano disse...

Se essa moda pega, hein?
"A Coreia do Norte executou o chefe de seu Estado-Maior, Ri Yong-gil, acusado de corrupção."

Confiram em:
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2016/02/10/coreia-do-norte-executa-chefe-do-exercito-diz-agencia-sul-coreana.htm

Riva disse...

E as execuções lá são meio, digamos, diferentes.

O tio foi colocado nu numa jaula, para ser devorado por vários cães famintos.

O pelotão de fuzilamento é com bateria anti-aérea, ou seja, metralhadora que derruba avião, a curta distância.

PS1: no Twitter rola a info que Lula entrou em depressão .... tadinho. No mínimo vai baixar hospital, para tentar sensibilizar os indecisos.

PS2: cadê a Kayla e a Alessandra ? Se perderam no Carnaval ????

PS3: Freddy, sei não hein .... Mangueira será que vai dessa vez?

Riva disse...

MANGUEIRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA !!!!!!!!!!!!!!!!!!! FREDDY

Jorge Carrano disse...

Duas coisas:
O presidente da Mangueira é vascaíno (conselheiro) : Chiquinho.

O presidente da Unidos da Tijuca (segunda colocada), é vascaíno (vice-presidente): Fernando Horta

E os caras sem fé rebaixaram a Estácio.

Jorge Carrano disse...

Freddy,
A Império Serrano continuará amargando o grupo de acesso. Lamento!
A Unidos do Viradouro também.

Jorge Carrano disse...

O melhor do carnaval é que amanhã já será sexta-feira (rsrsrs)

Jorge Carrano disse...

Um monumento de mulata, que atende pelo nome de Evelyn Bastos, desfilou como madrinha da bateria da Mangueira. E arrasou.
Declarou seu amor pelo Vasco.
O pessoal do samba torce pelo Vasco.

Jorge Carrano disse...

Lula tá preocupado. Parte do que "ganhou" terá que repassar para "advogados de peso".

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2016/02/1738774-advogados-de-peso-entram-em-caso-de-sitio-frequentado-por-lula.shtml

Carlos Frederico disse...

O peixe está cada vez mais ensaboado!
Mas se tomou essas medidas, é porque a brasa está chegando mais perto, vai acabar fatiado em anéis como petisco para o povo!

Jorge Carrano disse...

Degustarei com prazer.

Jorge Carrano disse...

Li na rede mundial, sobre o time dos urubus:

Eu conheço outros recordes negativos: 120 anos sem estádio, 35 anos sem Libertadores, último colocado do carioquinha de 1933, penúltimo colocado do carioquinha de 1934, inexistente antes da década de 80, fujão que tem medo do Sport, comprador de Portuguesa, eterno 7 x 0, 7 anos sem vencer o Vasco, tetra eliminado da primeira fase da Libertadores, tetra tri vice consecutivo no carioca. Só que esses recordes não são do Vasco. São da chacotinha do Rj,