23 de fevereiro de 2016

Futebol, mulher e automóvel

Ou mulher, automóvel e futebol. Pouco importa a ordem, estes assuntos estão sempre presentes nas conversas masculinas, seja na mesa no bar, seja no clube.

Mas em outros meios, locais e circunstâncias, é assim também?

Bem, quando diretor de um laboratório em São Paulo, frequentei encontros anuais de confraternização da indústria de perfumaria e de artigos de toucador, promovido pelo sindicato patronal – SIPATESP – localizado na Av. Paulista, 1313, em São Paulo, conhecido prédio da Federação das Indústrias do Estado.

O laboratório onde fui gerente geral e, depois, diretor, tinha uma linha  cosmética. Embora o forte fosse a farmacêutica.

Nestes encontros de final de ano, tomando uns drinks e comemorando o resultado do exercício (sempre muito bom), não é que mulher, futebol e automóveis não fossem comentados, mas o forte mesmo era política, viagens ao exterior, jazz e economia.

O presidente da Bozzano (creme de barbear, shampoo Colorama, etc), era uma figura ímpar. Não tinha, como a maioria dos executivos de outras indústrias do ramo, mestrado em administração. Não tinha MBA (Master of Business Administration), não tinha títulos acadêmicos, mas tinha uma enorme experiência, sobretudo em vendas.

Tive com ele alguns contatos efêmeros porque éramos vizinhos de plantas fabris, na Via Anhanguera. Chegamos a negociar terceirização de linhas menores do portfólio da Bozzano. Lixa de unhas, por exemplo, ele queria fora de seus domínios: vendia pouco, fazia uma poeirada danada e ocupava muito espaço físico.

Mas estou fugindo do cerne do post. Outro tema muito conversado nestas rodas de empresários é o relato de histórias (em geral bravatas) que protagonizaram. Histórias de êxito, de conquistas.

Este presidente era um excelente contador de histórias (segundo os mais antigos frequentadores destes cocktails as histórias e piadas eram sempre as mesmas).

Ele não acreditava em marketing. Só acreditava em vendas, em bons vendedores, criativos, persuasivos.

Duas das histórias que me lembro mais são  as seguintes:

11)  O sujeito entra num grande magazine (loja de departamentos), tipo Mappin, tipo Mesbla (ambas faliram em 1999) e dirigiu-se a um vendedor. Conversa vai, conversa vem com o atendente, este pega alguns anzóis e coloca sobre um balcão. Em seguida o vendedor pega caniços, ajuda o comprador a escolher um. Ato continuo ainda confabulando com o freguês, o atendente pega um molinete e demonstra como colocar no caniço. Por fim, já com a escolha de uma lancha, em alumínio, moderna, realizada, o vendedor encaminha o freguês ao setor de motores para embarcações. Sem grande esforço vende ao sujeito um motor possante.

Tudo isto estava sendo observado por um gerentão que estava no mezanino só monitorando o movimento. Concluída a venda, de valor bem significativo, o gerente desce e vai cumprimentar o vendedor: “estive observando seu desempenho e fiquei impressionado com sua capacidade de argumentação, o freguês acabou por comprar vários itens para pescaria”.

O vendedor, sem falsa modéstia, comentou: “pois é, e ele entrou aqui procurando o setor de absorvente feminino (Modess).”

2) A segunda história envolve sapatarias. Consta que duas delas, concorrentes, estavam quase lado a lado na mesma rua. E operavam com seus respectivos nomes comerciais. Tinham um ótimo movimento. Vagou a loja que ficava entre elas e um vendedor de uma delas teve uma ideia e alugou a loja para nela instalar exatamente outra sapataria. E, encimando a fachada, ao invés de colocar o nome fantasia, mandou colocar um enorme letreiro: “ENTRADA PRINCIPAL”.

Se você não entendeu as piadas, ou é bitolado, ou está desligado ou não tem tino comercial. Se precisar de bula é só se manifestar.

Assim eram as histórias daquele self made man que acreditava que o sucesso de uma empresa está na equipe de vendas e que ações de marketing são perfumaria (sem trocadilho). Com isso galgou o posto de dirigente da grande multinacional, de capital americano (Revlon).

Não era incomum encontrar nestas reuniões executivos – chairmen, controllers, diretores para a américa latina) que eram instrumentistas diletantes e mantinham grupos ou bandas com outros amigos.



Seus assuntos preferidos eram os clubes de jazz em NY, e as grandes apresentações que tinham presenciado, de ícones, como Chet Baker, Miles Davis, Thelonious Monk e outros do mesmo naipe.




Estes músicos não precisam de legendas. Quem é do ramo conhece-os de sobejo. Embora os admire, nenhum dos três está entre meus preferidos. O que não lhes tira o mérito e a fama. Questão de gosto. 

Imagens: Google

9 comentários:

Carlos Frederico disse...

Pois é, não tenho tino comercial (frase de um dos parágrafos).
Na verdade, tenho ojeriza à atividade comercial.

Não ao fato de que precisamos de comerciantes para termos acesso ao que uns e outros produzem, mas minha rejeição nasce do método usado para precificar as coisas. Na minha cabeça, há um custo de aquisição, mais custo de estoque, de infra-estrutura e impostos. Em cima disso, a parte que me constrange: o lucro.

Claro que percebo que o cara não vai trabalhar de graça e o lucro é justo o seu salário, mas a maioria dos comerciantes no varejo não tem cuidado com a planilha de custos. Sua percepção de lucro é intuitiva, emocional. Se algo cai na boca do povo, o preço sobe. Se está mofando no estoque, o preço cai até abaixo do custo.

Ah, a lei da oferta e da procura: é onde minha ojeriza ao comerciante tem sua raiz. Não acho justo nem moral nem ético que alguém se valha da minha necessidade para auferir mais lucro. Ponto.

Dou um exemplo que testemunhei por 28 anos, o restaurante Solar do Tâmega, abordado nos comentários do post anterior, que só funciona para almoço. Seu dono observava a porta. Se havia fila, no dia seguinte o preço aumentava. E aumentava até a fila desaparecer e ter algumas mesas vagas na hora do pico. E assim permanecia até as filas voltarem a aparecer na porta, quando então era novamente reajustado. Planilha de custos? O que é isso?

Não, não vou falar de como os médicos precificam seus procedimentos...
=8-(

Carlos Frederico disse...

Não sou chairman, nem controller, nem diretor para a América Latrina, apesar de ter sido gerente de manutenção ou de processos durante a maior parte de meus 32 anos na Embratel.
Todavia sou instrumentista diletante, como a maioria que frequenta o espaço sabe: pianos, sintetizadores e violões.

Onde essa frase do texto me pegou foi numa de minhas frustrações: apesar de ser músico e ter instrumentos, não mantenho grupo nem banda com outros amigos. Podem acreditar que não é por falta de vontade. Eles simplesmente não apareceram em minha vida...

Algumas coisas são difíceis de conciliar. Uma delas é o gosto musical. Pra mim não é tão difícil, dado que apesar de gostar de OUVIR heavy metal o que TOCO em meus instrumentos são músicas clássicas (algumas), românticas, pop e pop-rock. Parte do repertório é de música brasileira, pasmem (não tenho como hábito ouvi-las nem em CD nem em DVD).

Só que as pessoas com quem tive oportunidade de conviver musicalmente são todas radicais. Só querem tocar o que gostam. Não abrem oportunidade para outros gêneros, ficam desconfortáveis em participar como coadjuvantes em parcerias eventuais.

Além disso, muitas delas só admitem a prática musical (sozinhas ou em grupo) se voltada para alguma espécie de retorno financeiro, o que não é meu caso.

Fico portanto no aguardo de alguma alma similar à minha que queira se juntar a mim nesse sonho de ter um grupo ou banda regular, sem fins lucrativos, apenas pelos prazer de se juntar e tocar.

Jorge Carrano disse...

Durante o horário político, hoje, às 20:30h, mais da metade dos apartamentos no entorno de onde moro, estavam piscando as luzes, com gente nas janelas apitando e batendo panelas. Ouviam-se, em alto e bom som, as já tradicionais palavras de ordem: FORA PT! FORA DILMA! E FORA LADRÃO, no aparecimento de Lula na telinha das TVs.
Barulheira infernal a qual aderi com meu sino tipo os que são colocados no pescoço de algumas cabeças de gado.

É legal ber o povo ganhando cada vez mais consciência de que depende de de nós. De mãos limpas de armas e sem violências de qualquer tipo.

FORA DILMA!!! JÁ!!!

Jorge Carrano disse...

Leiam e vejam algumas imagens:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/02/cidades-registram-penalaco-durante-programa-do-pt-com-lula.html

(selecionar e colar na barra do navegador)

Dia 13 de março tem mais.

Jorge Carrano disse...

Até na cidade de Uruçui, no Piauí.

Leia mais sobre esse assunto em:
http://oglobo.globo.com/brasil/panelacos-acontecem-em-pelo-menos-14-capitais-durante-programa-do-pt-18735063

Carlos Frederico disse...

Situação real:
Está mais que provado que Dilma tem de ser impedida por incapacidade administrativa: seu projeto é de manutenção do poder e não de governo do país

Está mais que provado que houve corrupção na campanha da eleição de Dilma

Está mais que provado que Dilma mentiu para angariar votos, tendo mudado de opinião imediatamente após a reeleição

Lula está envolvido até os ossos em tudo isso.

CONTUDO...
Tem as leis brasileiras.
Está sendo impraticável colocar tudo isso no formato que o "jogo de tabuleiro" que é o andamento processual no país exige para condenar os acusados. Ninguém está focado em quem é ou não culpado, e sim nas vírgulas e parágrafos das leis e artigos, e vai vencer o jogo quem for mais esperto no uso das regras.
Vou ali vomitar...

Jorge Carrano disse...

Vem aí o basquete cruz-maltino:

http://globoesporte.globo.com/basquete/nbb/noticia/2016/02/com-foco-no-nbb-9-vasco-estreia-em-casa-na-liga-ouro-contra-o-ginastico.html

Carlos Frederico disse...

Jorginho elogia desempenho do Vasco no empate de 2x2 com Friburguense, em S. Januário...
E pensar que a gente ainda se esforça pra torcer...

Jorge Carrano disse...

Futebol. UEFA.

Seleção dos melhores.

http://espn.uol.com.br/noticia/582635_com-voto-popular-uefa-fara-selecao-da-historia-da-eurocopa-veja-candidatos