30 de dezembro de 2015

Smartphone ou câmera?




Por
Carlos Frederico March
(Freddy)






O dia de Natal de 2015 foi agraciado com uma lua cheia. A mídia não especializada já tratou de arranjar algum modo de fazer manchete e apregoou a “primeira lua cheia num dia de Natal desde 1977”. Até parece que isso a faz diferente das demais...

OK, mas ensejou a observação do nascer da Lua em várias pessoas, que normalmente nem olham pra cima. Eu me ligo nessas coisas, mas como ia visitar um amigo que faz aniversário justo no dia 25, mesmo ele tendo varanda no apartamento, achei que não precisava me importar com o fato. Dependendo de onde a Lua nasce - sim, a cada vez num lugar - podia ser que nem a víssemos.

Engano meu, logo me arrependi de não ter trazido minha Sony HX300. Assim que o primeiro pedacinho apareceu por trás de um morro, todos perceberam. “- Oh! Que linda!” eram as exclamações.

Num instante, vários dos presentes se interessaram em fotografá-la com seus smartphones, e eu já fui avisando que não ia resultar nada de interessante, apenas um clarão arredondado tendo como contorno alguns prédios.

Mesmo assim tentaram. Para não parecer diferente, também apontei meu “poderoso” Galaxy A5 e sabia que daquele mato não sairia coelho algum. Tentei algumas alterações de configuração, puxei seu zoom digital ao máximo (4 vezes apenas), mas como esperava não deu em nada. Ou melhor, deu nisso:

Tentativa de foto da lua cheia com smartphone

Pode ser que nem com câmeras compactas automáticas você consiga. O recurso que permite a fotografia da Lua Cheia (ou em outras fases) é o “manual”. Não só isso: há necessidade de que a máquina permita a escolha dos valores adequados de velocidade e abertura para tal foto - além do zoom adequado.

Talvez, já que tenho pouca experiência no assunto, os modelos Lumia (ex-Nokia, agora Microsoft) tenham controles suficientes para chegar ao ponto em que a foto sai decente. Penso que com ele possamos aumentar a velocidade de exposição a um ponto onde consigamos uma exposição razoável. Mas nãos sei se o zoom óptico/digital deles chegam lá...

O que sei é que com a maioria absoluta de smartphones do mercado, mesmo os mais bodosos (super incrementados em funções fotográficas amadoras), uma boa foto da lua seria impossível de obter.

Como contra-exemplo, mostro abaixo a foto da tal super lua que protagonizou o recente eclipse total visível em várias localidades, menos de minha janela... A foto foi batida cerca de 1 hora antes do início do eclipse, quando as nuvens deram um “refresco” e me deixaram vê-la por inteiro.

Superlua em 27.09.2015

Portanto, está novamente aceso o debate acirrado entre smartphones e câmeras fotográficas (compactas ou não) com recursos profissionais.


Créditos:
Fotos do acervo do autor 

11 comentários:

Jorge Carrano disse...

Não posso opinar pois não vivo no mundo da lua (como diziam nossos avós). Meus olhos estão voltados para o planeta e seus problemas prementes: aquecimento, acolhimento de refugiados, disseminação do terrorismo, governos corruptos, e outras mazelas que assolam a Terra.

E de fotografia o máximo que sei é distinguir a 3X4 do tamanho postal 10X15.

Carlos Frederico disse...

A Lua serviu como exemplo da dificuldade de se obter imagens decentes a partir de smartphone. Apesar de algumas pessoas já acharem que o referido aparelho supre suas necessidades fotográficas (e é verdade para essas pessoas), ainda há incontáveis situações em que só o equipamento profissional ou amador avançado tem os recursos adequados.

O maior empecilho de todos costuma ser tempo de resposta, ou seja, o tempo em que você decide captar um acontecimento móvel e o momento em que a câmera ou smartphone tira a foto. Há casos em que o smartphone simplesmente não tira. Fica travado. Em outras vezes demora tanto que a foto sai depois do fato ocorrido. Exemplos: crianças brincando, cachorros e gatos fazendo artes, fotos de assunto se movendo em locais escuros... A lista pode ser grande.

Devo admitir que com o tempo isso será resolvido.
Minha visão é o estado da arte atual.

Jorge Carrano disse...

Ei! Cadê todo mundo?

Ana Maria disse...

Sou fã de fotografia. Como dizia uma colega de trabalho, isso é pura magia. Já parou para pensar que um flash de luz captura a imagem de uma pessoa ou cenário para dentro de uma maquineta? É fantástico desde o tempo do daguerretipo, image agora com toda a tecnologia à nossa disposição?
Durante minha juventude fui fotografa da familia. Com isso acumulei centenas de fotos dos sobrinhos e irmãos, registrando Natais, aniversários, passeios e almoços de domingo. Hoje não tenho mais as fotos em meu poder, visto que distruiu pela família.
Porém não possuo (nem quero)nenhum equipamento. Para documentar eventos ou pessoas, me basta o velho sartphone. No mais, deixo para profissionais e diletantes.

Carlos Frederico disse...

Seu comentário, Ana, trouxe-me à lembrança o medo de alguns indígenas de serem fotografados, achando que sua alma é capturada e presa dentro da foto!
KKK
Abraço
Freddy

Riva is Back disse...

Gosto muito de fotografar.

Nas 2 últimas viagens que fiz quase comprei essa SONY espetacular. Mas sempre a pego na loja, reflito sobre que tipo de fotógrafo sou, vejo o trambolho que vou ter que carregar, penso no risco de me roubarem ela no Brasil, e .... acabo não comprando.

Adoro os aplicativos que temos para o iPhone, sua praticidade, mas a qualidade do meu modelo 4 deixa a desejar.

Minha nora tem um iPhone 5 e a diferença de qualidade é brutal. Sem falar que muitos novos aplicativos de fotografia requerem uma versão do software iOS que o meu iPhone 4 não suporta ( máximo no meu é o iOS 7). Conclusão: vou ter que mudar de iPhone ...

Outro lance interessante a comentar é que apesar de poder filmar com um smartphone, eu praticamente não uso esse recurso. Curto mesmo é fotografar. Freud explica ?

Minha leitura do assunto é: com as câmeras cada vez melhores e com ótimos aplicativos nos smartphones, cada vez menos máquinas fotográficas nas ruas. Muito mais prático, embora não profissional.



Jorge Carrano disse...

O máximo que lembro sobre máquinas fotográficas é que tive uma Xereta, da Kodak.

Em viagens internacionais sempre peguei emprestadas máquina fotográfica e filmadora. Do filho e da nora.

E sempre tive muita dificuldade em lidar com elas. Quanto mais recursos mais me atrapalho.

Carlos Frederico disse...

Farei para Riva uma analogia.

Você tem um sítio no meio do mato, com uma trilha tosca cortada a facão, onde dá para passar um caminhãozinho ou uma carroça larga. Mas mora na cidade. Qual o carro que você compra para suas idas ao sítio? UM GM Cruze? Um Hyundai ix35? Um Fiat Stilo?

Vai atolar na lama se chover, meu caro, ou ficar enganchado numa raiz mais alta de árvore no caminho. Para você que tem um sítio, só vai servir um 4x4 de preferência de perfil alto, como uma camionete Nissan ou Ford.

Ah, mas 99% dos compradores de carro no Brasil compram veículos comuns, leves. É a tendência do mercado, não? Sim, claro, eles não têm sítio no meio do mato.

O mesmo com fotografia. O John Doe vai ficar satisfeito com um smartphone, mas um fotógrafo poderá se ressentir da falta de uma câmera com recurso na hora de uma foto mais complicada. Claro, o John Doe dará de ombros e em segundos esquecerá que não pôde tirar uma ou duas fotos, e continuará dizendo que para ele o smartphone é bom pracas.

Ah, e o cara da analogia dirá: ora, não tenho (ou não posso ter, mas não espalha!) sítio mesmo! E ficará satisfeito com seu carrão.
É isso.

Riva disse...

Afinal, "é bom pracas" ou "é bom pacas" ?

Profª Rachel, please !!

Carlos Frederico disse...

Eu uso pracas.
É mais próximo à expressão que ele vem substituir e que não fica bem colocar por extenso aqui no blog.
<:o)

Carlos Frederico disse...

Uma atualização em termos de vivência tendo à disposição, para uma viagem em Gramado-RS, um smartphone Samsung Galaxy A5 e uma bridgecamera Sony HX300. A não ser pelo desconforto de ter de portar uma câmera relativamente volumosa, ela resolve todos os problemas que encontrei usando o smartphone.

Sim, de fato eu bati uma quantidade bem grande de fotos com o Galaxy A5, algumas mesmo em paralelo com a HX300, pois se essa tem uma desvantagem é não acessar imediatamente as redes sociais.

Um problema com o smartphone A5 é que ao sol você não consegue enxergar nada no display, não consegue enquadrar, tem de fazer malabarismos para achar uma sombra ou usar um artifício qualquer para conseguir enxergar algo. Sorte que você então bate um monte e joga fora as inúteis, mas isso não é razoável.

Outra dificuldade é velocidade de foco. Não há recurso para você escolher foco manual, tem de confiar no programa do smartphone, que é bem lento - há delays insuportáveis entre bater o dedo e a foto sair. E quando o assunto é difícil ou está se movendo, o A5 simplesmente se nega a concluir a foto. Você perde o momento. Teve horas em que deu vontade de jogar aquela m... fora!

Testemunhei um sujeito tentando bater uma foto das filhas se jogando na piscina, queria pegá-las em pleno pulo. Desistiu sem conseguir o intento, pois estava usando um smartphone...

Portanto, quando se tratou de encarar assuntos de responsabilidade (shows e passeios), eu banquei o desconforto e levei minha Sony HX300! Eventualmente tirei algumas fotos em paralelo com o A5 para mandar para as filhas por WhatsApp.

<:o) Freddy