18 de janeiro de 2016

Trabalho escravo de animais

Minha mãe não gostava do Jerry, achava que ele fazia muitas maldades com o pobre do Tom.  Com efeito o ratinho de cara simpática judiava muito do gato que, afinal, estava só cumprindo seu papel e seguindo sua natureza.

O que esperava a dona da casa que o Tom fizesse era exatamente aquilo, afugentar os ratos.

Mas vamos a explicação do porquê de ter escolhido este tema apara o post de hoje. Acabei de ler, no livro da vez,  uma passagem sobre o Palácio de Cristal, um gigantesco salão construído  para a Grande Exposição  de 1851, numa borda do Hyde Park, na época da rainha Vitória.

Importaram um par de gaviões para cuidar dos pássaros que invadiriam as galerias, daquela enorme estrutura de mais de seiscentos metros de comprimento, com área  de noventa mil metros quadrados, todo construído em ferro e vidro.

Assim é, a natureza dos animais, suas índoles, colocadas a serviço do homem.

E os jacarés que habitavam os fossos que circundavam alguns castelos medievais? Estavam ali prestando serviço, longe de seu habitat natural.

No Clube Líbano Fluminense, na sua sede campestre, eram mantidos alguns carneiros com a missão precípua de manter a grama aparada e evitar o crescimento do capim indesejável.

Lembro que na fiação que o Grupo Matarazzo mantinha em São Bernardo, no ABC paulista, havia gansos para proteger a área  contra  ação de intrusos. Os gansos, como é sabido, são excelentes guardas.

O conde tinha tanta preocupação e carinho com os tais gansos, que quando um deles apareceu morto, exigiu que fizessem uma autópsia para saber a causa da morte e, se o caso, responsabilizar a administração da planta fabril.

Claro, eu mesmo tive um cão que se impunha pelo porte avantajado e pela disposição para enfrentar perigos. Claro que tinha afeição pelo animal, davamo-nos muito bem, mas a verdade é que ele tinha uma missão: proteger minha propriedade em São José de Imbassaí.

Os burros puxam carroças, as focas fazem gracinhas em parques aquáticos e os coelhos, coitados, ajudam os mágicos.

Tudo trabalho escravo. Deixemos de hipocrisia, porque mesmo a velhinha que mantém um gato de estimação, o faz para ter uma companhia. 

22 comentários:

Anônimo disse...

Uma das coisas que gosto neste blog é que a cada dia é tratado um assunto diferente.Sempre uma surpresa. Nem sempre interessante ou curiosa (he he he)

Jorge Carrano disse...

Também gosto de todo dia encontrar comentários de diferentes Anônimos aqui no blog. É verdade que nem todos são interessantes ou curiosos (KKKKKKKK)

Paulo Bouhid disse...

Caro Jorge, vc poderia ter feito referência à anta que "toma conta" do governo, embora não seja de estimação...

Jorge Carrano disse...

Muito bem lembrado, Paulo.

Anônimo disse...

Vale lembrar que a utilização de outro ser por sua utilidade é uma criação do homem.Salvo o chupim, não se encontra este comportamento entre os outros animais. Por isso, mesmo pessoas são alvo destas relações por interesse. Mulheres casam com um homem que a sustente e homens o fazem com mulheres que assumam o serviço doméstico. Mesmo amizades, em muitos casos, teem um cunho utilitário. Amigos ricos, com poder, colocados em cargos chaves na administração são muito cortejados.

Jorge Carrano disse...

Caro(a) Anônimo(a),
Penso tratar-se de outro Anônimo, pois seu enfoque é mais crítico ao conteúdo do post, um questionamento, quase um libelo.
Gostaria de dizer que o objetivo do autor era puramente o de fazer uma alegoria, melhor dizendo, uma paródia.
Sou capaz de jurar que o que mais incomodou à prezada leitora/visitante, foi o desfecho quando aludi à velhinha que mantém o gato por necessitar de companhia. Devo estar "conversando" com uma senhorinha.
Mas veja que admiti que possui um cão, com o egoísta interesse de que vigiasse minha casa, inobstante minha grande estima, carinho e respeito para com o mesmo.
Não leve tão a sério o que escrevemos aqui, senão as duras criticas a Dilma, que realmente quero fora do poder por sua absoluta incapacidade.

Jorge Carrano disse...

Este é o post de número 1900. Como e porque não entendo.

Jorge Carrano disse...

Sobre animais tem este de 2009, nos primórdios do blog:

http://jorgecarrano.blogspot.com.br/2009/12/os-animais.html

(Copy and paste, ou seja, selecione e cole na barra de seu navegador).

Carlos Frederico disse...

É um assunto que mobiliza. Recentemente rolou no Facebook elogios rasgados a uma lei que proibiria uso de animais de tração no estado. Muito bacana, a não ser pelos costumeiros "entretantos" das leis brasileiras. Lendo com calma, percebe-se as exceções: uso dos mesmos em áreas rurais e cidades turísticas.
Ou seja, continuam permitidas as charretes com bodes, cabras, cavalos...

Riva disse...

Percebo que o "revisor" não está trabalhando. "Teem" foi forte .... rsrs.

Concordo com todos os comentários, e acrescentaria o trabalho escravo dos animais do Congresso, que puxam essa carroça chamada Brasil, nesse atoleiro de bosta, que eles mesmo defecam enquanto caminham.

FLUi

PS: para que servem as poltronas amarelas dos ônibus e dos catamarãs das Barcas?

Jorge Carrano disse...

Trabalho escravo no congresso? Eles estão ali porque querem ... e como querem. Candidatam-se gastando fortunas para depois buscar o ressarcimento. É o que mais anseiam: ter privilégios, imunidades, benesses e caminho aberto para todo tipo de delitos.
Não são escravos, antes pelo contrário, escravizam. Diferentemente do coelho do mágico que certamente preferiria estar namorando (é o que mais fazem). E os gaviões estariam mais livres nas montanhas rochosas.
Riva, vamos combinar que não há revisão de texto em comentários, porque se houvesse o blog morreria à mingua. Todo mundo, todo mundo mesmo, se equivoca quando se trata de escrever pontualmente, direto na tela, por vezes sem tempo necessário e no impulso.
No caso, mais importante do que a forma é o conteúdo do comentário do Anônimo. Muito pertinente e bem colocado. Coisa de quem pensa. Pode-se até discordar, mas ele entendeu o sentido do post.
Já você, Riva, com todas as vênias, colocou congressistas como escravos do trabalho, quando o que menos fazem é trabalhar.

Carlos Frederico disse...

Carrano, eu bem percebi o tema do post e achei uma abordagem válida. O comentário do Anônimo complementou bem.

Contudo, o parágrafo em que deu seu testemunho sobre seu cão de guarda me fez pensar sobre exceções. No nosso caso, nunca pegamos cães para ter companhia nas eventuais horas de solidão, como a hipotética velhinha. Pegamos porque gostamos de cães.

No nosso caso atual, temos um poodle. Podemos considerá-lo parte da família pois essa raça tem um comportamento muito interativo. Dormia conosco na cama pois tinha energia para pular em cima na hora que bem entendesse.

Devo terminar dizendo que agora ele nos permite exercitar nosso amor: velhinho, quase cego, quase surdo, cada vez mais doentinho, exige de nós cuidados quase horários e de madrugada também. Diria que se fosse humano caberia até uma acompanhante ou enfermeira, mas é apenas um cãozinho no final da vida e só tem a nós e eventualmente uma filha toma conta dele, como agora que estamos em viagem.

Ficou portanto difícil assumir que é uma relação de interesse... Mas repito que aceito de uma maneira genérica o tom do texto, exceções à parte.

Anônimo disse...

Uma das coisas que gostava neste blog era que a cada dia via tratado um assunto diferente. Nem sempre interessante ou curioso.
Reenviado por motivos óbvios.

Jorge Carrano disse...

Acuso o recebimento. Ciente. Grato.

Riva disse...

A diferença entre uma mesa real de Pub e uma mesa virtual é que na mesa real se percebe logo quando o outro está ironizando, ou de sacanagem, ou cutucando para ver a reação. Na mesa virtual, a miopia e a cegueira às vezes sobreçaem.

Gostaram da minha Ç ?
É que foi direto na tela .... sorry.

Continuo reajindo muito mau quando mautratam a língua portugueza. Um dia eu páro com iço.
Vou tentar, tendo em vista que não incomoda mais, já faz parte do senário desse Brasil. Só não contem comigo para ficar quieto com outras aberrassões.

Jorge Carrano disse...

Está certo, Riva.
Veja que no post de hoje, dia 20, intitulado "Nostalgia", seu irmão Freddy, sempre tão cuidadoso com a redação e estilo, meteu o abolido trema em duas oportunidades (agüentava e freqüentava) e comeu uma letra erre (r), em "cheiro de terra".
São coisas que acontecem e veja que o corretor de texto acusa o emprego indevido do trema.
Por isso a função do revisor é tão necessária e indispensável até mesmo para profissionais da literatura e da imprensa.
Concordo que certas heresias léxicas ou gramaticais são inaceitáveis, mas num pub, entre confrades, devemos ser mais "compreensivos" ou, ao fazermos o reparo, esboçar um sorriso condescendente (rsrsrs).
E o Ronaldinho? É jogador do Flu ou é apenas figurante?

Riva aproveitando o Feriado disse...

O sorriso foi dado ..... veja lá no comentário : "Teem" foi forte .... rsrs."

O resumo é que em mídias escritas as interpretações não são as mesmas por pessoas diversas, lendo o mesmo texto. Lembra das letras em maiúscula o que geraram por aqui ?

O fato é que sempre me incomodaram os erros de português. Eu mesmo erro às vezes, acho que por navegar demais no Twitter, onde tem cada aberração ! E tal qual de tanto olhar o peixe no aquário .... absorvo o comportamento do peixe.

Mas a intenção não é sacanear, é ensinar ... não custa nada.Mas numa mesa virtual, impossível passar essa intenção.

Outro fato nítido é a desvalorização da escrita. Não estarei por aqui mais, mas creio que daqui a algumas décadas ninguém escreverá mais nada, livrarias não existirão mais por falta de clientes.Tudo será imagem, voz e teclas para escrever de uma forma "entendível", como diria o Magri, ou seja, sem acentos, tudo abreviado, etc.

Já uso esse recurso nas teclas, tipo vc, dps, qqer, daki, ñ, vlw, etc. Inclusive ativei os recursos de atalho no meu iPhone, onde, por exemplo, se eu digitar wp ele escreve WhatsApp.

PS: Ronaldinho não é mais jogador nem figurante. É um artista de circo, com todo o respeito aos maravilhosos artistas circenses.Especializou-se em embaixadinhas, alguns passes mágicos, controle de bola com a cabeça (com todo respeito às focas). Mas é realmente a nova profissão dele.E ganha muito bem para isso. É contratado para pequenas aparições em vários países, ganhando uma $$$$$.



Jorge Carrano disse...

Num pub real (os preços andam caros - rsrsrs), oralizando, o equívoco do Anônimo não seria notado. Teem ou têm soariam da mesma forma.
A eufonia não seria maculada.
KKKKKKK
Pano rápido, como diria o interlocutor virtual.

Riva disse...

Não tenho certeza .... não sei como esse Anônimo pronuncia a palavra "teem" ... em português.

Desce mais uma, por favor ! rss

Jorge Carrano disse...

Pô! Assim fica difícil encerrar este assunto. Não demora você aventa a possibilidade dele ser americano e não haver se libertado do sotaque (rsrsrs)>

Riva disse...

Bingo ! Estava pensando exatamente nisso, porque não vejo um erro dessa natureza há muito tempo rsrsrsrsrs.

Talvez ele tenha confundido com "teen", do vocabulário nativo dele.

Esses Anônimos são assim, sem rosto, sem pátria, sem cores .... nos confundem. Fica difícil entender se foi realmente um erro ou uma distensão cerebral que ele teve na hora, e confundiu as 2 línguas.

Anônimo disse...

Ceio que este não é um espaço livre e democrático visto que a hostilidade com os visitantes é patente. Digo hostilidade por educação pois o comportamento com os incautos que ousam participar é de uma grosseria incompatível com o discurso dos comentaristas. Claro que não voltarei pois erro em diversas coisas, inclusive no uso da lingua portuguesa.