16 de janeiro de 2016

Será que dá pra fugir para as montanhas?





Por
Carlos Frederico March
(Freddy)







Recentemente veio à baila o tema "será que um dia a Terra vai acabar?". Foi abordado num artigo publicado no site da UOL. O articulista cobriu praticamente tudo, mas como já me acostumei que, mesmo havendo 3.958 artigos na internet sobre um assunto, sempre podemos acrescentar nossa visão pessoal, e também instigado pelo blog manager, lá vai.

As hipóteses que nos ocorrem podem ser divididas em capítulo, ou sub-temas:

1) A Terra ser consumida pelo Sol em seu declínio como estrela

2) Sermos atingidos por um grande asteroide ou cometa

3) A Terra entrar em convulsão interna

4) A Terra ser tornada inabitável por humanos (guerra, efeito estufa)

5) Catástrofes biológicas

De todas as hipóteses acima elencadas, a única que certamente acaba com a Terra é a de número 1, contudo num futuro pra lá de longínquo em se tratando de raça humana. A 2 poderia até ser, mas a chance de sermos atingidos por um astro que consiga destruir a Terra como planeta é essencialmente nula. As demais implicam em extinção da raça humana, mas não da Terra como planeta.

Hipótese 1 - Terra ser consumida pelo Sol

É uma quase certeza astronômica. Pelo tipo do Sol, a evolução esperada segue uma sequência como a mostrada na figura a seguir:

Autoexplicativa, não precisa de caption

Ele irá queimando seu combustível interno, hoje majoritariamente hidrogênio e um pouco de hélio, até começar a queimar elementos mais pesados. Com isso ele vai esquentar bem mais do que é hoje. Só isso já é o suficiente para fazer evaporar oceanos e dispersar a atmosfera. Dizem os pessimistas que isso pode acontecer já nos próximos 500.000 anos.

Em cerca de mais uns 4 a 5 bilhões de anos ele finalmente atingirá o segundo estágio mais significativo, que é o de gigante vermelha. Sua atmosfera causticante aumentará tanto de tamanho, apesar de ser muito tênue, que vai engolir sucessivamente Mercúrio, Vênus, Terra e quem sabe também Marte. Esse não temos certeza porque não há como antecipar até onde o Sol vai expandir antes de... antes de atingir o próximo estágio em sua evolução esperada: ejeção do envelope de gás rarefeito num evento chamado de nebulosa planetária. Sobrará apenas uma estrela bem pequena, uma anã branca. Pequena em tamanho, mas densa a ponto de uma colher de matéria pesar tanto como um edifício.
 
                                                            Nebulosa do Anel, M57

Após o estágio de anã branca, cercada apenas dos planetas que sobreviveram a isso tudo, provavelmente de Júpiter em diante, ela vai esfriar por éons até desaparecer de vista no tempo infinito, cadáver frio do que foi uma fulgurante estrela.

Não creio que haja civilização que resista a uma espera de 500 mil anos, a experiência mostra que a gente vai se destruir antes. Se num acaso divino sobrevivermos, até lá já teremos desenvolvido tecnologia pra cair fora daqui.

Hipótese 2 - sermos alvo de asteroide ou cometa

Escrevi artigo sobre essa hipótese em junho/2015, antecipando o evento "Asteroid Day". Pode ser consultado através do link:

http://www.jorgecarrano.blogspot.com.br/2015/06/papo-de-astronomia-asteroid-day_6.html

Recentemente a mídia voltou a abordar o perigo de sermos alvo, agora focando na ameaça de grandes cometas que orbitam os confins do Sistema Solar na chamada Oort Cloud (Nuvem de Oort). Milhões de cometas nela vagueiam inocentes mas, de vez em quando, algum planeta ainda desconhecido, ou algum dos incontáveis planetas-anões das extremidades do Cinturão de Kuiper (abordado no recente texto sobre Plutão), podem lhes perturbar a órbita e lançá-los em direção ao Sol.

Mera loteria, isso acontece amiúde e no passado recente temos notícia de poucos grandes o suficiente para causar danos consideráveis, como relatado no post "O medo dos gauleses". Eles não temiam nada, a não ser que o céu lhes caísse sobre as cabeças! Consultar, se interessar:

http://www.jorgecarrano.blogspot.com.br/2012/04/papo-de-astronomia-o-medo-dos-gauleses.html

A catástrofe seria, provavelmente, restrita a alguma localidade ou, num exagero imenso, poderia afetar toda a ecologia terrestre. Contudo, a figura de "destruição da Terra" não se aplicaria.

Hipótese 3 - Convulsão interna na Terra
 
Vulcão Calbuco, Chile
Pouco ainda se sabe sobre o que nosso planeta nos reserva. Estamos sobre grandes placas sólidas que nadam sobre um manto de magma fervente. Vez por outra uma fissura acontece e temos a erupção de um grande vulcão. Um exemplo recente (historicamente) foi a explosão do Monte Tambora na Indonésia em 1815, causando uma condição climática no planeta similar a um inverno nuclear. As colheitas foram atingidas em diversos continentes, muita gente morreu de fome e o ano de 1816 foi conhecido na Europa como o "ano sem verão".

Os cientistas bem que tentam monitorar as profundezas, mas o planeta pode se tornar irascível de um momento para o outro e a movimentação de algumas placas continentais pode causar uma série de erupções vulcânicas, terremotos e tsunamis capazes de arrasar a civilização. Por destruição imediata ou por alteração climática posterior.

É uma condição que traria as mesmas consequências da queda de um grande asteroide ou cometa. Portanto, como dito na hipótese anterior, a figura de "destruição da Terra" não se aplicaria.

Hipótese 4 - Auto destruição da civilização

O homem já deu mostras de constituir sociedades que não se agradam umas das outras. Seja por fanatismo religioso, necessidade de expansão territorial, radicalização de opiniões de cunho político, divergências comerciais, motivos não faltam.

Nada impede que entremos numa guerra que venha a destruir toda a civilização, provavelmente de cunho nuclear ou bacteriológica. As consequências seriam imprevisíveis. Desde a extinção completa de seres vivos na superfície como uma destruição seletiva. Apenas algumas espécies sobreviveriam, com mutações ou não.

Uma morte mais lenta seria, como tem sido previsto e é um tema bastante atual, o efeito estufa. Levado a um estágio de descontrole, pode causar escassez de água potável, perda de safras em âmbito global e, como consequência, fome generalizada. As florestas definhariam, os campos se tornariam uma imensa planície estéril, o acesso à água doce seria dependente de tecnologia para dessalinização dos oceanos. Recurso para poucos e mesmo esses poucos acabariam se extinguindo.

Mais uma vez, é uma hipótese que resultaria na extinção da humanidade sem a destruição física do planeta. E vejam: mesmo que a Terra se mostrasse por alguns milênios inóspita, um dia haveria novamente estabilidade ecológica e algum tipo de vida voltaria a dominar os mares, campos e céus.

Hipótese 5 - Catástrofes biológicas

Fruto de guerra ou de falhas de manipulação de espécies perigosas em laboratórios de pesquisa, pode acontecer um dia sermos assolados por algum tipo de doença global, destrutiva e incurável.

O resultado seria um planeta cheio de vida, ecologicamente equilibrado, mas sem o homem. Quem sabe daí a dezenas de milênios uma nova raça de seres "inteligentes" não se formaria, um pouco melhor que a nossa atual?

CONCLUINDO

Em quaisquer das hipóteses acima elencadas, eu sinto muito mas creio que não vai adiantar fugir para as montanhas. Talvez prevendo isso começa-se a cogitar colônias humanas em Marte, mesmo tendo a Lua aqui do lado. O que eles sabem que nós não sabemos?


11 comentários:

Jorge Carrano disse...

Admira-me o Autor do post, de formação católica, que crê em Deus, não haver relacionado entre as hipóteses da Terra acabar, a decisão divina.
Ou seja, o Criador, arrependido de sua obra, acaba com o planeta, com o universo.
Seria a melhor das soluções. Ele já ensaiou em Sodoma e Gomorra.

Carlos Frederico disse...

Como respondeu Jesus:
- Você disse isso, não eu!

Jorge Carrano disse...

Tinha pensado em comprar um pequeno lote de terra (12X30) em Gararu, no Sergipe, mas pelo visto não ficaria a salvo.
Resta rezar e ter esperança de conseguir uma gleba no Paraíso. Não o bairro gonçalense onde meu avô José Carrano y Segovia é nome de rua, mas no Eden (méritos eu tenho).

Riva grokando disse...

A hipótese 1 parece ser real, e é arrasadora. A Terra vai realmente desaparecer, como nós também vamos.

Isso implica em fechar os olhos e imaginar que não mais importa dinheiro, saúde, céu azul, mar, minha Sky, meus livros, trabalho, contas para pagar, automóvel, moto, caminhar, pensar, olhar, sentir, chorar e sorrir, as montanhas e o mar, aviões, viagens para os EUA, whisky e música, políticos e política, amigos, meu violão, cães e gatos, etc, etc, etc ...... No nosso caso a vida continuará, todos seguirão em frente sem a nossa presença. Mas com a Terra não. Acaba tudo mesmo.

Eu, particularmente, creio mais na Hipótese 3. Acredito numa série de eventos catastróficos da natureza terrestre (não da natureza humana), não sei em que intervalos - erupções vulcânicas e terremotos seguidos de maremotos.

A Terra vai erradicar essa bosta de raça humana da sua superfície, na esperança de que alguma nova espécie melhor surja com o passar dos milênios.

Seria isso uma ação do tal Deus que o Freddy não quis explicitar, nos destruindo?
E em sendo, isso seria uma maldade divina?
Ou um castigo?
Ou seria uma boa ação para com o resto da sua Criação Universal?

Milagre não seria, pois milagre nada mais é do que uma violação das leis da natureza. E elas não estariam sendo violadas.



Jorge Carrano disse...

Vou voltar a Londres (o livro do E. Rutherfurd) pois ainda faltam 300 (das mais de 1.000) páginas por ler.
Bom final de semana.

Riva disse...

Livros, adoro ..... está gostando do Londres ? Recomenda para quem nunca esteve por lá?

Eu acabei Karmatopia, sobre a Índia (gostei muito). Mas é um relato para quem curte ou curtiu os beatniks, hippies, anos 60. Embora tenha centenas de detalhes sobre o dia a dia em diversas cidades.

Kayla nos abandonou. Idem Alessandra. Ana ainda dá umas passadas pelo Pub.

Voltando aos livros, agora estou devorando EM BUSCA DE JESUS.

É uma espécie de mergulho em teologia, arqueologia e relíquias, para tentar desvendar o que é possível sobre a vida do Cara. E também tentar entender como e porque Jesus passou - na época - a ser mais "importante" do que João Batista, quando a lógica era o contrário.


Jorge Carrano disse...

Não, Riva, não recomendo. Recomendo, com reservas, para quem gosta de história. Mas é tarja preta. Sem um pouco de cultura e informação sobre os britânicos, sobre os ingleses, fica difícil digerir. Como escrevi para Erika, minha nora (apaixonada como eu pela cidade e pelo país), “está tudo no livro, embora sem aprofundamentos. A cobiça de Felipe, rei da Espanha, pela coroa inglesa, na época da rainha Elizabeth I. A reação da minoria católica que se recusou a lutar ao lado dos espanhóis, porque eram católicos sim, mas não traidores.
Está lá a Torre de Londres, a catedral de Saint Paul, os Tudors, Henrique VIII e suas seis mulheres, o Mayflower (e os peregrinos que partiram de Southampton para o Novo Mundo), Hampton Court, o incêndio de Londres. Enfim, 2.000 de história, desde a formação da ilha e do Canal da Mancha depois das várias eras glaciais”.
O Autor cria famílias fictícias para costurar a história. Os fatos, acontecimentos e descobertas são todos reais e documentados (muita pesquisa histórica).
Para mim, admirador da Inglaterra e de seu povo, um prato cheio.

Riva disse...

Ontem à noite fomos no Torna Pub comemorar o aniversário do meu primogênito. Um dos convidados, amigo de longa data, mostrou-me fotos da sua recente viagem de carro pela Grã-Bretanha.

Babei !! Muito mesmo ....... pendência total.

PS: Torna Pub é muuuuito caro. Coisa para raramente ir lá - no meu caso. E estava estranhamente vazio, para um sábado à noite.

Carlos Frederico disse...

Os comerciantes, só de ouvir falar em reajuste de salário mínimo ou combustíveis, aplicam reajustes em seus produtos. Planilha de custos? Babaquice de teóricos.
Fizeram isso no Torna Pub e posso apostar que na Torninha também. Têm mais é que ficar vazios mesmo!
E olha que eu gosto dos caras... Imagina se não gostasse!
Só que estão mexendo com meu bolso, o órgão mais sensível de meu corpo (rs rs rs)

Carlos Frederico disse...

Aqui em Gramado sinto-me assaltado em cada loja, bar ou restaurante.
O jeito é esquecer o assunto e agradecer por ainda poder estar vindo aqui.
O Natal Luz estava belíssimo, comemorando seus 30 anos. Mudou quase tudo em relação aos anteriores. Acabou ontem.
=:o)

Jorge Carrano disse...

Parece-me uma política um pouco míope, reajustar preços num momento de grave recessão econômica. Melhor seria rever os custos e reduzir onde possível sem comprometer o negócio e, prudentemente, reduzir a margem de lucro até o reaquecimento.
Melhor do que ficar às moscas. O princípio da bicicleta estabelece que o negócio é continuar em movimento, mesmo que reduzido.
Afugentar os clientes não me parece inteligente, até porque as perdas são irrecuperáveis. Acaba a fidelidade.