16 de julho de 2017

Molusco à moda Moro

Sou absolutamente ignorante na área criminal. Algumas referências a Lombroso e  aos doutrinadores Carrara e Ferri, citados pelo prof. Álvaro Sardinha, em suas aulas na  Faculdade de Direito da UFF, na década de 1960, é tudo o que lembro.

Dizer que sei pouco é exagerar. É ser modesto para com minha ignorância. Nada sei.

Não tenho talento, vocação e nem mesmo cacoete para a esfera penal. Mas não concordei com um amigo, paulista, que disse uma vez que "o advogado criminalista é um bandido que está do nosso lado." Achei radical demais.

E gostei de assistir, há muitos anos, a uma sessão de julgamento, no I Tribunal do Juri do Rio de Janeiro, principalmente porque presidida pelo juiz Carlos Lopes, meu amigo de fé, ex-colega do Liceu.

Todo este prolegômeno, esta digressão, foi para chegar à douta sentença prolatada contra o "Molusco Cachaceiro", pelo juiz Sergio Moro.


Pouca vezes, em 50 anos de formado, li uma sentença tão bem fundamentada, tão bem formulada. Falo de forma e conteúdo.

Noutro dia, em fala raivosa, seu estilo, Lula pediu que fossem apresentadas as provas que o incriminariam. Se apresentadas seria o primeiro a pedir que o condenassem. Duas mentiras num mesmo parágrafo, quando reduzidas a termo estas palavras proferidas via Embratel para todo o país.

Primeiro porque ele NUNCA fala a verdade, ou sempre não sabia de nada.

A outra enorme mentira é que o tal triplex não estava a ele destinado, com reformas que o colocaram ao seu gosto pessoal e de sua esposa, cujo espírito agora ele vilipendia e desonra.

O repto que lançou, para que qualquer um de nós apresentemos as prova de seus crimes é a coisa mais escrota que jamais ouvi.

Sabemos todos que ele é um apedeuta, que se orgulha de haver estudado somente até a quarta série primária e nunca ter lido um livro por inteiro.

Mas dai a não ter lido sequer sua sentença condenatória é surrealismo. Queixou-se de ser muito grande, com várias laudas. 

Por isso pede que sejam apresentadas provas de seus crimes. Elas estão todas na irretocável sentença.

Como assumi lá no alto minha total ignorância em matéria penal, poderia estar enganado no respeitante as provas produzidas durante a instrução do processo e os fundamentos legais que servem de espeque à condenação.

Mas autoridades, do universo jurídico, referem-se à respeitável sentença com encômios, sob todos os aspectos, em especial ao conjunto probatório, com provas testemunhais, documentais e periciais. Até documento rasurado foi apresentado por sua defesa.

Recomendo a ele, e aos seus defensores, que leiam matéria do jornal O Globo, acessando o link a seguir.
http://g1.globo.com/politica/noticia/condenacao-de-lula-veja-as-provas-que-basearam-a-sentenca-de-moro.ghtml

Vejamos o que disse o desembargador João Pedro Gebran Neto, que será o relator no julgamento do recurso de Lula, a ser apresentado perante o TRF da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, acessando o link a seguir onde se encontra a entrevista do desembargador veiculada ano Jornal Nacional. 

Disse o magistrado: "São duzentas e dezoito páginas, eu li. Uma sentença, como lhe disse, pode-se gostar dela ou pode-se não concordar. Para isso existem os recursos. Mas uma coisa é preciso reconhecer, foi muito bem trabalhada." (o grifo é meu).

Acessem: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/07/presidente-do-trf4-diz-que-caso-lula-deve-ser-julgado-ate-agosto-de-2018.html

Se Lula tivesse lido, como já fez o ilustre magistrado, antecipando-se ao recebimento oficial do processo, não estaria proclamando inocência. São tão robustas as provas que muito provavelmente a decisão, no TRF virá  na direção de prestigiar a sentença de primeiro grau, do juiz Sergio Moro.

Uma promotora de justiça - Mariela Siqueira - recém-aposentada, assim se manifestou em rede social: "Sentada, interrompo a leitura da histórica sentença do juiz Sergio Moro, para fazer um registro. A objetividade jurídica do juiz é impecável. A leitura é fácil, sem qualquer rodeio ou drama. Da mesma forma, o exame da prova é cuidadoso e detalhado. Muito detalhado. Mas de forma clara e direta."

E acrescenta a ilustre membro do MP, no qual militou por trinta anos, afirmando "estar feliz por estar viva para ler esta obra de arte jurídica."

2 comentários:

Anônimo disse...

Riva no anonimato diz:
Ainda acho que foi precipitado.
Deveria esperar ele ser julgado pela população nas urnas.

Jorge Carrano disse...

Parte da grana do molusco já foi bloqueada e transferida para ficar a disposição da Justiça:

https://oglobo.globo.com/brasil/bancos-transferem-419-mil-de-lula-para-conta-judicial-21625086