18 de julho de 2016

Patriota, eu?

Consoante relatos bíblicos (João 8:3-5), a mulher adúltera apanhada em flagrante deveria ser apedrejada. E cabia ao marido traído o direito de atirar a primeira pedra.

Séculos mais tarde, em torno de 1595, Michelangelo Caravaggio imortalizou, em tela, a penitência da mundana, na obra “Madalena Arrependida” (exposta na Galeria Doria Pamphilj, em Roma.

Palazzo Doria Pamphilj

Muitos, muitos anos antes, no século XIII, os mensageiros de más notícias não eram poupados por Genghis Khan, segundo lido na série “O Conquistador”, de Conn Iggulden, na qual o autor narra as batalhas e conquistas do famoso imperador mongol.

Desde aí, segundo lendas e tradições orais, os arautos de más notícias deveriam morrer.

Essa chorumela  aí ao alto seria a introdução para uma confissão, que me deixaria exposto a apedrejamento, ou minimamente como alvo de vitupérios. Bem, pena de morte talvez não.

E a confissão, já antecipo agora mesmo, sem mais prolegômenos é que estou muito longe de ter amor à pátria. Tanto se me dá ter nascido aqui ou em qualquer outra parte, já que não me foi dado o direito de escolha.

Diferentemente da família, que amo de paixão, ela sim, meu espeque, responsável pelo meu norte, por meus valores, seja nos exemplos (e principalmente com eles), seja nas recomendações e cobranças.

Não nasci numa manjedoura porque minha avó materna, também no papel de parteira, abrigava meus pais, extremamente pobres, e me ajudou vir a luz.

Meu pai, boêmio inveterado, espírita e barnabé do serviço público (linotipista da imprensa oficial), abandonou (mesmo) a boemia, afastou-se do espiritismo, porque minha mãe era oriunda de família portuguesa católica, conseguiu outras ocupações na imprensa privada, trabalhando de madrugada para aumentar a renda e virou um pai pimpão com o primogênito.

Por ele, eu seria “Bebe Jonhson” (quem se lembra), com bochechas rosadas e aqueles pezinhos gordinhos. E isso custava dinheiro.

Minha mãe - claro que não tenho memória deste tempo - nos primeiros meses de vida em Niterói, para onde o casal mudou, cozinhou um bom tempo em fogareiro à carvão e tinha que ficar, comigo ao colo, abanando para atiçar o braseiro. Vida dura.

A dedicação, o amor que me deram, é que merecem reconhecimento e reciprocidade, não devo coisa alguma ao estado/nação/pátria. Se me formei em universidade pública foi porque os impostos pagos pelos cidadãos custeiam este ensino. Em outros países a abrangência de investimento no ensino é até maior.

Cumpri todas as minhas obrigações como cidadão: prestei serviço militar, alistei-me eleitor, trabalhei 35 anos para me aposentar, com benefício de valor aviltado e indigno, tendo pago contribuição previdenciária pelo teto  (20 vezes o SM).

Mas amor? Como e porque? Vergonha tenho mesmo. Inveja de outros povos, tenho mesmo. Por que não vou embora? Porque não o fiz quando talvez fosse acolhido: jovem, hígido, com potencial de desenvolvimento. 

Não sei se há um país ideal, e provavelmente não haverá, segundo minhas aspirações e conceito de civilização, mas certamente existiram muitos que oferecem aos seus cidadãos, uma vida melhor.

O país do futuro, desenhado por Stefan Zweig, ainda não passa de desejo, sequer chegou a rascunho. E com a classe política que temos, escolhida por nós mesmos (tsk tsk tsk), com a corrupção endêmica; com a “Lei de Gerson” em vigor; com as progressões de regime ou impunidades; com slogans vazios tipo “Pátria Educadora”, longe da realidade; com as bolsas sem exigência de contrapartida; com as cotas sociais ou étnicas que não consideram mérito individual, continuaremos navegando sem timoneiro, sem mapas, sem bússola, apenas confiando em que Deus é brasileiro.

Se fosse, estaria lamentando, como eu. 


Notas do autor: 
http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2016/07/17/datafolha-indica-que-2018-flerta-com-a-surpresa/

Como admirar um país onde  parte do povo vota em Lula, porque:
1) está em alguma mamata ou gosta de levar vantagem em tudo (incluídos os bolsistas em geral e fregueses da Lei Rouanet);
2) é tão ingênuo ou politicamente ignorante que enxerga nele um chefe de estado;
3) é farinha do mesmo saco, um pulha, um canalha.

Para mim é um apedeuta, oportunista, populista, manipulador das massas incultas e flerta com os chamados "intelectuais", os quais  no Brasil, salvo algumas exceções, são fisiologistas e não idealistas.
Lula entrou no vácuo de liderança política de boa cepa. Como uma bactéria ou virus que se instala num organismo indefeso.

10 comentários:

GUSMÃO disse...

Não sou tão radical, mas admito que o Brasil não será um país civilizado com o povo que tem, eu inclusive.
Estou me incluindo porque não desfilo de anjo em procissão de prostituta. Danço conforme a música. Não combato moinhos como Quixote. Se molhar a mão resolve, molho. Se dar “caixinha” me tira da fila, dou. Em suma também cometo meus deslises.
Enquanto educação não for, de fato e de direito, a prioridade deste país, não teremos segurança, assistência social digna e oportunidades iguais dependendo do esforço e mérito de cada um.
A classe política brasileira (será que existem exceções?) é podre.
E sem comando nossa caravela vai colidir com os rochedos ou vagar à deriva.

Jorge Carrano disse...

Seu comentário, desenvolvido aqui e ali, daria um belo post, que eu assinaria.

Basicamente somos carentes de educação e de políticos íntegros e dedicados as causas públicas.

Riva disse...

Vou comentar o que ? Que não é só educação ?

Educação : como colocar esse menino que vc vê na rua, dentro de uma sala de aula ? Quem em casa vai ajudá-lo a estudar, fazer os deveres ? Quem vai mostrar a ele que vale a pena estudar, porque será uma pessoa melhor e vai trabalhar, e vai ganhar seu sustento, e vai gerar uma família bacana ? Quem vai garantir o ir e vir dele à escola, com segurança e alegria ? Quem vai garantir o ir e vir dos seus pais ao trabalho, se é que terão trabalho ?

Fui ali

Carlos Frederico disse...

Repetirei pela enésima vez: depois de ter visitado a Holanda, incluindo arredores de Amsterdam e inevitável passeio aos moinhos, passei a ter vergonha de ser brasileiro. Isso em 1977 e até hoje não vi motivo para mudar de ideia...
Não há um metro quadrado de terra que não esteja cultivado, plantado, construído. O povo tem de empurrar o mar para ter terra pra viver, usa rios e riachos como ruas e estradas. Passei em rodovias sob pontes onde cursava acima um rio... E são primeiro mundo.
Nós temos a terra prometida em mãos mas optamos por ter nela um povo de m...
Não, realmente não dá para se orgulhar de ser brasileiro.

Jorge Carrano disse...

Quando se tem referenciais fica mais difícil ainda se orgulhar do país onde nascemos.
Como no caso do Freddy e de tantos quantos tenham tido a oportunidade de viajar para destinos em estágio de civilização mais adiantados.
Mal comparando é como nossos índios que viviam bem, comendo com as mãos, e até seus adversários (no caso dos antropófagos), e depois de Cabral e principalmente dos irmãos Villas-Bôas não queriam mais viver sem apito e radinho de pilha e espelhos. Porque foram aprentados a coisas boas, para eles novidades.
Hoje têm cotas asseguradas para ingresso em universidades públicas. Para eles houve avanços.
Eu quero um Brasil de primeiro mundo. Ou irei repudiar sempre.
Não farei como o Riascos (jogador de futebol) que tendo sido obrigado a retornar ao Cruzeiros (MG) disse ontem ao microfone de uma emissora de rádio que estava feliz (no Rio, e no Vasco) e foi obrigado a voltar para aquela merda (com todas as letras).
Pegou mal, mas num momento de raiva perdemos o razão e o juízo.

Riva disse...

Resumam: temos um DNA ruim. #simplesassim

Jorge Carrano disse...

Será que teríamos tido melhor sorte com o franceses ou holandeses?

Jorge Carrano disse...

os (sorry Rachel)

GUSMÃO disse...

A professora está de volta? Não percebi a presença dela no pub (he he he ).

Jorge Carrano disse...

A julgar pelo comentário do Carlos Frederico, os holandeses teriam sido boa alternativa.
Se em "terras baixas" fizeram aquele país, imaginem num território continental, onde se plantando tudo dá?