21 de julho de 2016

O idioma francês

Houve uma época em que era chiquérrimo falar francês. Era inclusive o idioma diplomático. E a França ditava moda, inclusive e principalmente na haute couture.



No Liceu Nilo Peçanha, de Niterói, onde estudei, algumas alunas e alguns poucos alunos, daqueles que não jogavam futebol, criaram o “Clube de Francês”, tal a relevância da língua na época (língua culta).

No cinema a nouvelle vague française dominava as telas dos cinemas de arte. O diretor Louis Malle era cultuado e a atriz Brigitte Bardot musa que levava a doces sonhos os jovens  estudantes.



Na nossa casa, anos 1940, tínhamos um sommier e não um sofá de almofadas soltas. Dormi nele um par de anos, até ter meu próprio quarto.

Sommier
Mulheres usavam cache-col, antes do aportuguesamento da palavra. Assim como o vaso de cerâmica, com plantas, era acondicionado em cache-pot, que virou cachepô nos dicionários.

Menu na porta
Bem, na culinária, até hoje, nos restaurantes à la carte, os pratos têm nomes franceses, em geral: confit de canard, magret de canard, canard à l’orange, gigot d’agneau, ris de veau, ratatouille, foie gras,  lapin à la moutarde, e por ai vai.


As famílias integradas por nobres ou pessoas de mais posses, tinham chauffeur e não motorista, porque estes conduziam ônibus, taxis e caminhões. Havia uma diferença sutil.


Nas conversas entre pessoas mais letradas, era comum, mesmo naquelas coloquiais, a inserção de palavras ou locuções francesas, sem que parecesse afetação. Lembro de algumas vezes ter que recorrer ao dicionário para entender o que seria dépaysé, dernier cri, démodé, démarche, demi-sec, e outras palavras tão corriqueiras, quanto eram palavras e expressões latinas, como carpe diem, causa mortis, et caetera.

Vou explicar o porquê deste texto. Meu amigo Carlos Lopes gosta da França e ama Paris de paixão. Como, ou mais, eu gosto de Londres, o Riva é fissurado em New York e o Freddy admira Amsterdã. Só para citar casos já explicitados aqui.

O último post publicado por ele (Carlinhos) em seu blog, denuncia seu amor ao país e aos franceses com sua “joi de vivre”.
Leiam em:


11 comentários:

GUSMÃO disse...

Meu vocabulário de francês, não passou de rendez-vous, ménage à trois, miché, e outras palavras correlatas.

Jorge Carrano disse...

Je suis désolé!
Quel beauté, hein?!

Freddy disse...

Eu tive um sommier, que herdei da casa de meus pais, onde estava instalado em nosso quarto de dormir. Levei-o para o quarto do som de meus 2 primeiros apartamentos (é, eu sempre tive um quarto de som em casa). Sofreu apenas uma reforma ao longo de sua vida útil e foi bastante usado.

Estudei francês na 2ª série primária, no Marília Mattoso, como matéria complementar ao currículo. Esse fato trouxe-me maior facilidade em aprender francês que inglês, de modo que no Liceu minha média anual no único ano em que cursei francês foi 9,98.

Quis o tempo e as oportunidades que não mais me interessasse pelo estudo regular, tendo pendido para o inglês - até por causa da PUC, cujos livros oficiais de cada matéria eram sempre em inglês.

Numa avaliação psicológica na Embratel, faz 22 anos, foi-me recomendado estudar francês por ser a língua estrangeira mais aderente à minha natureza. Não obedeci e continuo claudicando no inglês.
=8-)

Jorge Carrano disse...

Valeu!

Carlos Lopes disse...

Carrano, muito boa matéria e obrigado pela referência ao meu nome. Não só eu sou apaixonado pela França. Em minha companhia, entre muitos e vários outros ilustres, estavam, além de meu pai, também os dois imperadores do Brasil, os Pedros I e II.

Jorge Carrano disse...

Muito bem lembrado, Carlinhos.

Além dos ilustres citados, poderíamos listar uma plêiade de artistas plásticos, escritores e intelectuais que fizeram do pais, e em especial de Paris (cidade luz), local para viver e desenvolver suas artes interagindo com outros pares.

"Paris é uma festa", como proclamou Hemingway.

Riva disse...

Putz, há décadas não ouvia essa palavra sommier !! Essa pegou pesado, lembranças da nossa casa da infância e juventude.

Errata : Mr. Blog Manager, não sou fissurado por NY, sou fissurado por tudo na America (menos o Trump).

FLUi

Ana Maria disse...

Estudei francês no ginasial (com Dona Nilse) visto que este era, na época, o idioma usado na diplomacia. O inglês, (lecionado por Dona Astréa) era lingua comercial e também era ensinada.
Embora reconhecesse o charme desta lingua latina, minha mãe,como boa aquariana, antevia o crescimento da importância da lingua inglesa e principalmente dos EEUU e admirava a cultura americana através de sua música e seu cinema.

Jorge Carrano disse...

Também fui aluno da Nilce Mesquita. E teve um episódio que já contei aqui e vou poupa-los da repetição, em que ela me deu uma nota 10 na prova oral.

Mas nunca fui muito ligado na língua. Tanto que, no vestibular para a Faculdade de Direito, como era opcional, escolhi o inglês ao invés da língua de Voltaire.

Kayla disse...

Descobri agora, pesquisando para fazer o comentário, que o francês ainda é falado na diplomacia e que é língua oficial de diversos países.
Mas vamos deixar pra lá churumelas. Ele continua sendo a língua preferida dos amantes. Os filmes e músicas franceses quase sempre provocam uma associação a sexo. Na introdução (da música)de "Et comme femme" pinta erotismo no ar. ashuashuashua
Tudo no bom sentido. ashuashuashua

Riva disse...

Quando eu era adolescente, sempre diziam que francês era língua de bicha, que homem que é homem não fala francês (rsrs). Não sei de onde surgiu isso, mas era assim.

Nunca tentei aprender ... e realmente achava estranho um cara falando francês.

Hoje, do alto dos meus 60 anos, continuo achando uma língua estranha ... e feia. Não consigo ver nenhum filme quando vejo que é em francês.

Estive em Paris a 1ª de 2 vezes em 1979, numa época em que vc pedia uma informação em inglês, e o cara respondia em francês. Briguei com um motorista de táxi, tentaram me assaltar no metrô mas dei porrada no cara, e a cidade é uma beleza ! Aprendi como é SAÍDA e PRESUNTO em francês.

Hoje é dia de FLUMINENSE !