6 de julho de 2016

O velho esporte bretão


O esporte pode ser bretão, em sua origem, mas desde há muito, muito tempo mesmo, os britânicos deixaram de ser os melhores no esporte que inventaram e que por razões inexplicáveis no campo racional disseminou no mundo todo. China e Índia, os países mais populosos, demoraram mas embarcaram na canoa.

Os ingleses ganharam um título mundial, jogando em casa, em 1966, "deus sabe como". Mas não conquistaram, ainda, o titulo europeu. Vejam os ganhadores da segunda competição mais importante deste esporte das paixões incontidas. Na edição de 2016 já estão eliminados.
http://www.milanbrasil.com.br/bd/ganh-eur.htm

A paixão despertada pelo futebol é uma coisa que ultrapassa minha capacidade de entender e justificar. Nós trocamos de emprego, de mulher, de marca de cerveja, até do barbeiro que nos corta o cabelo há anos, mas não mudamos o clube que elegemos, quando jovens, para torcer.

A escolha do time do coração é uma coisa que não obedece a qualquer norma consolidada. Mesmo o critério, por assim dizer, mais comum, que é optar pelo clube do coração do pai, não vejo como consagrado. A não ser quando o pai impõe, desde o berço, como fiz. Comprei e coloquei uniformes e fotografei. Não houve escapatória.

Existem exceções. E outras razões, como a popularidade e as conquistas de títulos, a presença de um grande jogador, como Pelé no Santos, da década de 1960,  ou Ademir no Vasco da década de 1940, as cores do uniforme, ser o clube da cidade (vide o Cantusca) e outras menos votadas, acabam por influenciar os meninos e meninas no momento em que fazem suas escolhas.

O título fala do esporte bretão, mas a Inglaterra, dentro dos gramados anda em baixa. Agora mesmo, nesta Eurocopa em fase final, que vexame fizeram sendo eliminados pela Islândia. E, em seu grupo, ficaram em segundo lugar atrás do País de Gales.

A derrota da Islândia por escore dilatado para a França, fez com que a imprensa e a torcida inglesas não perdoassem o técnico Roy Hodgson que, a propósito, tem mais cara de alfaiate do que técnico de futebol.

A meu juízo ele foi efetivamente um dos grandes responsáveis pela eliminação prematura do english team. Com efeito convocou mal e escalou pior ainda. 


Harry Kane
Quando vi o Harry Kane, centroavante alto e forte, artilheiro do Tottenham, cobrando escanteios e faltas, alçando a bola na área, onde ele deveria estar, fiquei convencido de que o que falta aos ingleses, e não é de agora, é um bom técnico, atualizado, estudioso.

Nem os clubes ingleses têm. Os mais destacados são estrangeiros. Nos dois clubes de Manchester mais famosos (United e City), teremos no próximo ano, José Mourinho e Pepe Guardiola, português e espanhol. Nos dois da cidade de Liverpool, a mesma coisa: Jürgen Klopp, alemão, no Liverpool e Ronald Koeman, holandês, no Everton.

Os da capital, de maior torcida, também são dirigidos por estrangeiros. É o Arsène Wenger – francês – no Arsenal, o argentino Mauricio Pachettino, no Tottenham e no Chelsea será, nesta próxima temporada,  o italiano Antonio Conte.

Não que o treinador da seleção não possa ser estrangeiro, mas eles nunca souberam escolher. E a decisão de prestigiar um inglês não foi bem sucedida. Faltam talentos no comando, embora exista uma geração bem aproveitável de jogadores ingleses, que veio substituir a de Gerrard, Lampard, Terry,  e Rooney, que nada conquistaram por falta de management.

Se a seleção  vai mal, seu campeonato nacional, a Premier League, é um sucesso absoluto em todo o mundo. Os jogadores da Islândia estavam felizes por poderem jogar contra astros que eles acompanham pela televisão disputando o campeonato inglês.

Notem o contra senso. A França, com jogadores que atuam, quase todos, na Inglaterra, não tomou conhecimento da Islândia.  Da equipe francesa, titulares absolutos ou que entram sempre em substituição, oito jogam na Inglaterra.

Lloris (goleiro) joga no Tottenham; Sagna (Manchester City) e Koscielny (Arsenal) são zagueiros; os meias Cabaye (Cristal Palace), Kanté (Leicester) e Sissoko (Newcastle) e os atacantes Giroud (Arsenal) e Payet (West Ham).

Os jogos da Premier League são transmitidos para todo o mundo. Os estádios estão sempre lotados, vendem muitas camisas, inclusive para turistas e os clubes têm torcidas organizadas pelo mundo todo (Brasil inclusive, com sites na internet).

Alguns dos estratagemas que fizeram do futebol jogado na Inglaterra um dos mais disputados, charmosos e prestigiados, estão, pouco a pouco, sendo copiados. Também no Brasil. Cito algumas medidas bem interessantes.

O corte da grama, bem rente, de pouca altura e  a irrigação do gramado antes das partidas, fazem com que a bola deslize mais e o jogo fica mias rápido. Faltam os juízes aprenderem a deixar o jogo mais frouxo, aceitando contatos que não têm intenção dolosa.

Lá os horários das partidas são distribuídos ao longo dos dias, nos finais de semana. Assim um treinador pode acompanhar, querendo, duas partidas num mesmo domingo, até em cidades diferentes.

Outra tradição que parece que agora será introduzida aqui no Brasil é a de programar uma partida para as segundas-feiras, à noite. O horário das 11 da manhã há anos uma tradição britânica, já foi implantado em nosso campeonato e parece que com bom resultado de público.

Paralelamente ao campeonato, na Inglaterra, são disputadas anualmente duas copas tradicionalíssimas, sendo uma delas a mais antiga competição do mundo: a Copa da Inglaterra (The FA Cup). A outra é a Copa da Liga Inglesa.



Aqui já temos a Copa do Brasil e poderemos ter as Ligas Regionais, a partir da experiência com a Sul, Minas, Rio, disputada este ano.

Falta expertise para planejar e organizar. É uma vergonha que jogos do campeonato chinês estejam na grade de algumas emissoras de TV e o futebol brasileiro não é vendido para o mundo todo.

8 comentários:

Carlos Frederico disse...

Para não passar batido:

- se fosse escolher o time do coração de meu pai, torceria pelo América. Ele teve o bom senso de nos apresentar Vasco e Fluminense, como alternativas.

- Mary, minha esposa, torcia pelo Flamengo, como seu pai. Depois de alguns anos de casada, seguiu minha filha Renata, torcedora ardente do Vasco e virou casaca. Renata fazia sabatinas à época obrigando Mary a decorar o time de então do Vasco - fato que seria impossível hoje em dia (que tristeza...).

Se fosse por minha influência teria continuado Flamengo, dado que não sou torcedor fanático do Vasco nem obrigo ninguém a sê-lo. Interessante que, mesmo sem eu fazer força nem propaganda, Flávia e Renata se tornaram vascaínas... E tal escolha se deu antes do vira-casaca de Mary.

- Passar jogos do Brasil lá fora? Só serviria para aumentar nossa vergonha frente ao mundo esportivo. À exceção de um ou outro clássico, que interesse haveria em seguir Avaí x Sport, para dar um exemplo?

O primeiro passo, me parece, é aumentar o interesse do próprio brasileiro nos jogos. A frequência média aos estádios é ridícula. Os jogos são pífios. A liga pode ser um início, uma tentativa de trazer qualidade à média dos espetáculos.

Sou a favor de campeonatos regionais, umas 4 ou 5 ligas. E depois um campeonato brasileiro só com os melhores desses regionais no ano. Quem sabe com mais vagas para Leste-Sul-Sudeste que para Norte-Nordeste, não importa, desde que fosse critério meramente técnico e não força política esportiva, como é a liga sul-minas-rio.

Complicado isso...

Jorge Carrano disse...

Outros países encontraram solução, como Alemanha (maior média de público em estádios) e Espanha. A Itália, outrora Meca dos jogadores brasileiros, está um pouco por baixo e a França está melhorando.

Alegam que na Europa a remuneração média do trabalhador é bem maior, mas esquecem de ressaltar que em contrapartida os preços dos ingressos são absurdamente altos.

Futebol deixou de ser um esporte para ser um negócio que faz girar muito dinheiro. Os grandes clubes europeus são marcas importantes que vendem muito.

Como diria o Tavares (personagem do Chico Anysio) business is business.

Jorge Carrano disse...

Outras Ligas, inclusive uma Sul-Americana estão em gestação:

http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2016/07/06/paulistas-se-reunem-para-discutir-liga-propria-e-substituicao-da-conmebol.htm

Riva disse...

Não vou estar por aqui, mas tenho certeza que os estádios comportarão no máximo umas 35.000 pessoas, com todo o conforto, e o restante será visto e faturado por TV, internet e sei lá mais o que.

Um estádio de futebol tem um altíssimo custo operacional, e portanto, inviável para campeontos deficitários como os nossos. A prova está aí : estádios vazios e o pay-per-view bombando. Viva o sofá.

Estou nessa, na FluSofá. Não dou um centavo para ir e entrar num estádio de futebol : tempo no transito com risco de assalto, estacionamento, gasolina, cachorro quente, cerveja, ingresso, e em campo, Magno ALves, Osvaldo, Gum, ec, etc, etc.

FLUi

Jorge Carrano disse...

Mesmo os clubes que tradicionalmente disputam a segunda divisão inglesa têm estádios confortáveis, com bons gramados.
E alguns clubes da terceira divisão também.
Atraem muito mais público do que no Brasil.
Este estádio de Volta Redonda, alternativa dos clubes carioca é uma vergonha se comparado aos ingleses de qualquer divisão.

Planejamento, organização e disciplina, faltam no Brasil.
Se bobear acabaremos virando o país do voleibol. Bons jogos, bons públicos e bons resultados internacionais.

Jorge Carrano disse...

Aliás, quando um time colombiano vem ao Brasil e no Morumbi com quase 62.000 pessoas sapeca 2X0 no São Paulo, numa partida semifinal da Libertadores, fica clara a decadência do futebol jogado no país.
Notem que não escrevi decadência do futebol brasileiro, e sim do jogado no Brasil, agora invadido por estrangeiros, alguns dos quais nada acarescentam.
Uma lástima!

Jorge Carrano disse...

Nosso futebol está degradado e aviltado até na corrupção e na fraude. Vejam o valor da propina paga. É coisa de mendigo. Um menino (menos de 20 anos) começa vida profissional no esporte se vendendo por duzentas pratas. É triste.

"Um jogador que participou da derrota do Atlético Sorocaba por 9 a 0 para o Santo André, pelo Campeonato Paulista sub-20 de 2015, afirmou que alguns jogadores da equipe sorocabana receberam R$ 200 cada para entregar o jogo. A partida faz parte da investigação que levou à operação Game Over, encabeçada pelo Drade (Delegacia de Repressão aos Crimes de Intolerância Esportiva), que prendeu oito pessoas acusadas de manipular resultados no futebol – uma delas em Sorocaba."

Jorge Carrano disse...

Por falar em futebol, mas o americano, de bola oval, o Vasco começou arrasador o campeonato brasileiro:

http://globoesporte.globo.com/es/futebol-americano/noticia/2016/07/vasco-arrasa-rio-branco-es-na-estreia-do-brasileiro-de-futebol-americano.html