21 de novembro de 2017

Foi bom para quem?

Noutro dia impliquei com a Proclamação da República, festejada até hoje, em nome da preservação da história e culto a heróis. 

Foi uma das empulhações, tidas e havidas como benéficas e necessárias para o país, em nome da melhoria das condições de vida da população. Como mais recentemente, por exemplo, uma assembleia constituinte, para alterar o texto constitucional.

Às folhas tantas  a Constituição de 1946 acabou por se transformar na vilã dos problemas nacionais. O pais estava emperrado porque as normas fundamentais estavam superadas. Aí aprovaram um texto tabelando os juros, juro! Alguém se deu conta da bizarrice a na revisão, mais tarde, suprimiram a insensatez.

Ressalto que a Proclamação da República foi obra de uma revolução militar, que nem o PT, PSTU e PSOL ousam questionar.

Assim como os oportunistas da época, os que tiraram vantagens pessoais, também não o fizeram. Deram um xeque-mate, e os militares, embora não fossem exatamente as vacas fardadas a que aludiu o Gal. Mourão Filho (em 31 de março de 1964),  não souberam conduzir os peões.

Hoje colocarei na berlinda Cabral e Anchieta.

Quem lucrou com a descoberta deste pedaço de continente, quase virgem, onde seus habitantes viviam bem, com liberdade, água com fartura, sol durante todo o ano, com um solo rico e produtivo, onde se plantando tudo dá?

Gozavam de boa assistência médica, eis que pajés experientes, observadores e inspirados, conheciam todas as propriedades terapêuticas contidas nas florestas. Atualmente são necessários milhares de pesquisadores, graduados em química, farmácia, biologia, etc., para identificar e desenvolver medicamentos para diferentes doenças, a partir dos mesmos princípios ativos da mata.

Alguém irá dizer que algumas tribos guerreavam entre si. E dai? Abel matou Caim lá atrás.

E hoje, nos morros e favelas, facções criminosas se matam pelo controle do tráfico, causa muito menos nobre, convenhamos.

No título indaguei para quem foi bom a descoberta (?) da enorme área de terra banhada pelo oceano, habitada por povos indígenas, considerados selvagens.

Só para os portugueses, claro, que saquearam boa parte de nossas riquezas minerais, ouro e pedras preciosas, e transformaram o país que criaram numa “casa de mãe joana”, abrindo os portos às nações amigas. Até hoje continuam abertas para venezuelanos famintos e maltrapilhos porque deram ouvidos aos bolivarianos que arrasaram com a economia do país deles. Bem feito!

E a monocultura petrolífera ainda não mostrou sua face mais perversa, posto que os dias do petróleo, substância oleosa e inflamável,  como fonte de geração de energia estão contados. Os caras pensam que a produção, em escala mundial, de candidatas a miss, era uma forma de diversificação da economia.

Acho que devemos vender nossos campos de petróleo, em especial as reservas do pré-sal (não deveria ser pós-sal?) para os primeiros otários que aparecerem. De minha parte já vendi minhas poucas ações da Petrobrás na época do boom (em 1971) da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro que, por sinal, já virou pó, desapareceu em 2002.

Tudo agora pertence a Bovespa Holding.

Voltando ao tema e a nossa terra (deixando para trás  Venezuela), outra figura que questiono pelas intenções e benefícios oferecidos aos índios, é o jesuíta espanhol José de Anchieta, que se homenageou dando seu nome a cidade que fundou no Espirito Santo.

Notem que espanhóis e portuguesas dividem entre si a Península Ibérica, assim como dividiram, através do Tratado de Tordesilhas, a vasta extensão de terras que acabou remembrada sob a denominação de Brasil.


Catequese? O que na verdade significava isso? Ser emprenhado pelos ouvidos na existência de um único Deus, mais poderoso do que o sol e a lua, que eles veneravam, sabiamente?

Os índios conheciam a importância do sol e da lua, para suas vidas e para a existência e preservação dos rios e florestas que habitavam.

Aprender a usar garfo e faca? Bobagem, os japoneses não aprenderam até hoje e ninguém pensou em catequiza-los.

Os silvícolas pintavam seus corpos e enfiavam pedaços de madeira e ossos nas narinas e orelhas? E daí? 

O que fazem os jovens de hoje em dia? Cobrem seus corpos com tatuagens, enfiam piercings, nas orelhas, narizes e até nas sobrancelhas e língua.

Santo deus! Que regressão, quanta involução.

O idioma que nos impuseram também está sendo aviltado. É um tal de tb ou vc, ou mt, que nos deixa sem entender o que querem dizer ou escrever. De todas as abreviações tão utilizadas, a única que me permito  usar  é PQP, em geral para maldizer os Twitter e Facebook da vida moderna.

Já o tupi-guarani, embora vilipendiado, e em desuso como o latim dos romanos, ainda se impõe aqui em minha cidade: Icaraí, Itacoatiara, Imbuí, Itaipu, Piratininga, e outros nomes do nosso dia-a-dia, aqui e no resto do país. Menos catamarã, caro leitor, que tem origem na polinésia.

Cabral e Anchieta, seu cúmplice, acabaram com o paraíso na terra.

Vejam vocês que as índias andavam com as suas vergonhas (no dizer das portuguesas) a mostra, sem timidez, o que não era, para os invasores da terra, de bom tom.

Hoje, passados tantos anos, as mulheres se despem por tudo e por nada, promovem marchas e concentrações de topless e todos os homens ficam só apreciando, e imaginando coisas, conjecturando fantasias.

Se as mulheres quisessem mesmo protestar, e não exibir suas mamas, usariam  burca. Isso sim seria um protesto que nos levaria a pensar nas causas delas. 

As últimas manifestações (com nudez) que lembro foram contra a Copa do Mundo e contra o machismo.



Antes tivesse surtido algum efeito o protesto contra a copa de futebol. Teríamos sido poupados do vexame dos 7X1. Vexame que acaba de ter uma versão italiana, eliminada na fase de classificação, jogando em casa. Eles chamaram de apocalipse!

E olha que algumas destas que hoje, desinibidas, exibidas, oferecidas, se despem a todo o instante, sob alegação de protesto, têm as mamas tão caídas quanto a de algumas índias velhas, retratadas em gravuras e aquarelas, sendo as mais conhecidas as do francês Jean-Baptiste Debret e do alemão Johann Moritz Rugendas.








E que aparecem em danças ritualísticas do Globo Repórter.

Não terminei, voltarei ao tema. Fico a apensar num país sem Câmara e Senado, sem STF, sem Joesleys e Cunhas.

E sem Cabral, o ladrão safado, sem caráter, resultante da aventura e da incompetência  do outro Cabral. Aquele que não conseguiu, com pouco vento, chegar às Índias.


Rugendas

5 comentários:

Jorge Carrano disse...

Amanhã Niterói comemorará 444 anos de sua fundação.

A cidade teria sido fundada por a um dos índios insensatos, sem juízo, que se aliaram aos portugueses.

Falo de Arariboia, catequizado pelos jesuítas, que como mencionei no texto postado, emprenhavam os nativos pelos ouvidos. Arariboia resolveu ajudar os portugueses a expulsarem os franceses.

Um duplo ero: primeiro aderir aos invasores que, por via de consequência causaram todos os male dos quais padecem hoje os índios brasileiros. Segundo, achar melhor a colonização portuguesa do que a francesa.

Onde já se viu achar os vinhos do Douro melhores do que os de Bordeaux. E nem os do Porto são melhores do que os champagnes. Além de tolo, nada entendia de vinhos.

Como recompensa à valiosa ajuda de Araribóia, a coroa portuguesa concedeu-lhe a propriedade deste pedaço terra numa das margens da Baia da Guanabara.

Outro índio tonto (não o amigo do Zorro) foi o Filipe Camarão, também seduzido pelos jesuítas. Este ajudou a expulsar os holandeses, responsáveis por belas mulheres de pele marrom e olhos verdes no nordeste brasileiro.

Tivemos duas chances concretas, com os franceses e com os holandeses. Não foram a proveitadas.

Carlos A. Lopes Filho disse...

Belo texto, Carrano. Depois de passar dois meses na Europa, ligo a TV e vejo tudo como deixei... as notícias quase as mesmas, só mudam alguns personagens: corrupção, violência, assaltos, apadrinhamento e proteção de políticos pelo STF, já desmoralizado há muito tempo... enfim...

Jorge Carrano disse...

Bem-vindo de volta Carlinhos.

Obrigado pela visita virtual.

Jorge Carrano disse...

No Chile que está em processo eleitoral, uma das plataformas de um dos candidatos é convocar uma assembleia constituinte. Acha que é preciso alterar a constituição.

Se a Constituição fosse a solução para qualquer pais, a Inglaterra estaria ainda na idade das cavernas, eis que não tem Constituição escrita, nos moldes em que nós e outros países temos.

Se tem dúvidas vá até a Wikipédia.

Jorge Carrano disse...

Está certo, exagerei na Inglaterra, remontando aos povos primitivos, habitantes das cavernas.

Falemos então desde Alfredo de Wessex, em 849. Isso mesmo anates do primeiro milênio.