12 de junho de 2017

Cuidado com avatares

Esta história, ocorrida no último domingo, obrigou-me a fazer uma reflexão profunda sobre relacionamentos virtuais, em especial com avatares.

Estávamos eu e Rick, meu caçula, a tomar uma água de coco quando  se aproximou  um senhor de meia-idade, boa presença, e indagou dirigindo-se e mim: você por acaso se chama Jorge e tem um blog? E  emendou : onde vez ou outra faço correções e por isso nada recebi até hoje?

- Sim, sou eu. E com quem estou tendo o prazer de falar? - Sou o Paulo Bouhid.

Enquanto ele falava - e ante de se anunciar -  estava conjecturando quem seria. Um cliente insatisfeito? Não! Logo descartei porque não tenho, que saiba, clientes ou ex-clientes descontentes. Seria um ex-liceísta como eu, e que as marcas do tempo metamorfoseou?

Poderia ser. Não faz muito tempo – dois ou três anos – marcamos um encontro para relembrar velhos tempos (mais de 40 anos) de amizade. Não reconheci ninguém de bate-pronto, senão o Irapuam que ainda guarda alguns traços de sua fisionomia. Mas o Carlos Lopes (Carlinhos), agora mais para rechonchudo e grisalho, não reconheceria cruzando na rua. Assim como o Bonvini, passaria transparente por mim.

Voltando ao domingo, não, nem de longe o semblante denunciava alguém que conheci um dia. Quando anunciou seu nome foi um alívio e uma alegria.

Ele me abordou e fez a pergunta por que minha foto no blog revela como sou. Mas ele é, no blog, um Avatar. Assim é desigual. Se fosse alguém que eu pretendesse evitar não teria como. Ao passo que ele teve e tem acesso a fotos minhas em diferentes ângulos, só o rosto, de pé por inteiro, em trajes esportivos e  mais formais.

É bem verdade que segundo me contou depois, no curso de nossa conversa, algumas outras abordagens foram infrutíferas. As pessoas não eram eu.

Agora imagina se fosse um desafeto. Se fosse o marido da ... ou da ... , ou o menino da Rua São Diogo de quem peguei uma cafifa toreada e não devolvi?

O Paulo apareceu no blog buscando informação sobre uma casa noturna de shows, meio por acaso, eis que estava rastreando na rede mundial de computadores.

Foi ficando, se arvorando em corrigir equívocos de grafia e concordância num ou outro texto, até que, tantos eram (quase diários) e sem contrapartida pois não tenho verba para remunerar revisores, foi desistindo e até sumiu do blog.

Quando aventamos, no início do ano, promover um encontro dos mais habituais frequentadores do blog, imaginei convidar o Paulo. Seria uma chance de conhecê-lo pessoalmente. Ele já relatara em e-mail (trocamos muitos) que numa das passeatas “fora Dilma”, ‘fora PT”, ficou tentando em meio aos quase 30.000 manifestantes me localizar. Em vão. Éramos muitos os idosos. A juventude está cada vez mais alienada, ou conformada, sei lá.

Não poderia fazer o mesmo, pois avatar não faz passeata de protesto (rsrsrs).

O fato é que quase íntimos, com algumas dezenas de mensagens trocadas, sobre assuntos jurídicos, políticos, de show business, de música, futebol, envio de  fotos, etc, não nos conhecíamos.

O encontro dos comentaristas do blog não aconteceu, em face de doença e posterior falecimento de um dos mais atuantes debatedores (Carlos March).

Estávamos condenados, talvez, a uma eterna camaradagem puramente virtual. Até que o acaso, sempre chamado de mero acaso, nos colocou frente-a-frente num quiosque de venda de coco, no calçadão.


Terei, doravante, muito mais cuidado com Avatares. Imagina se eu devesse alguma coisa para ele? Nem teria como me defender porque não fazia a menor ideia de como era.


 

Muito prazer!



14 comentários:

Carlos Lopes disse...

Carrano, desculpe minha ignorância, mas ainda não sei o que é "avatar"...

Paulo Bouhid disse...

kkkkkkkkkkkkk

Da mesma forma, muito prazer!!

Esse avatar tem uma explicação, acredite... não surgiu do amontoado de bolinhas vermelhas e azuis. Já devo ter dito a vc que, ligado às ciências exatas - mas não por isso -, sempre fui um aficcionado por jogos ou problemas (de raciocínio) e quebra-cabeças. Cheguei até mesmo a criar algumas dezenas e que estão engavetados...
Esse avatar, em particular, não é de um jogo (na verdade um quebra-cabeça) por mim criado. Me refiro sempre aos dois (jogo e quebra-cabeça) pq alguns quebra-cabeças (criei alguns) tem sua solução bastante difícil de ser encontrada, e por isso, sempre sugeria que as pessoas o utilizassem como um jogo entre várias pessoas.
Mas enfim: esse avatar é a solução para um quebra-cabeça de enunciado bastante simples: num tabuleiro 6x6, dispor 36 peças, 18 de cada cor, de forma que não seja formado nenhum quadrado (pode ser inclinado) unindo-se 4 peças quaisquer de mesma cor. A solução é unica, ressalvadas as obtidas por rotação ou espelhagem do tabuleiro.

Somente isso.

No mais... foi um grande prazer, após algumas abordagens infrutíferas, conhecê-lo... e a seu filho... pessoalmente. E cá entre nós: se minha indireta, explicitada lá, não funcionar, nada o fará. Aguardemos o "dia dos Pais"...

Forte abraço.

Jorge Carrano disse...

KKKKKKK
Eu também não. Afinal somo da mesma geração. Dei-me ao prazeroso trabalho de ir ao Google, e lá encontrei:
"No exuberante mundo alienígena de Pandora vivem os Na'vi, seres que parecem ser primitivos, mas são altamente evoluídos. Como o ambiente do planeta é tóxico, foram criados os avatares, corpos biológicos controlados pela mente humana que se movimentam livremente em Pandora."

Ajudou em alguma coisa? Bem, no post, aquele quadrado com bolinhas, que parece ser página daquele livro chinês que identifica daltônicos é a representação gráfica que chamam de avatar.

Bom nisso é o Paulo Bouhid, quem sabe ele passando aqui explica melhor.

Paulo Bouhid disse...

Acabo de postar meu comentário, e vejo a pergunta do Carlos Lopes. "Avatar" é uma imagem qualquer que vc utiliza para "identificar vc" em algum site, ou blog, quando vc não quer utilizar sua foto. Muitas vezes, não se usa nem o próprio nome, mas um apelido (nickname), e assim, vc pode se manifestar em sites sem ser identificado.
Entretanto, não faça nada de errado, pois o Jorge, como advogado, se decidir te processar (hehe...), judicialmente ele pode conseguir o endereço (IP - Internet Protocol) do computador de onde saiu o comentário...

Abs.

Paulo Bouhid disse...

A palavra "avatar" utilizada para representar o que expliquei, foi cunhada algumas décadas antes do filme de mesmo nome...

Abs.

Jorge Carrano disse...

Caro Paulo,
Obrigado pelo socorro.

No respeitante ao alerta feito ao Carlos Lopes, de que sou advogado, informo que ele é Juiz de Direito, aposentado, mas presidiu o Primeiro Tribunal do Juri, no Rio de Janeiro.

Só não vou fazer uma piada sobre juiz porque o Carlinhos é um velho e querido amigo desde o Liceu Nilo Peçanha e não merece, nem como chiste.

Jorge Carrano disse...

A pergunta que não quer calar é: o que vem a ser (IP - Internet Protocol) do computador?

Paulo Bouhid disse...

Mas podemos fazer piada com aqueles elementos que atuam no futebol, e que alguns insistem em chamar de "juízes", quando são apenas árbitros. Não fosse a intervenção telefônica instantânea do Gilmar, a marcação daquele penalty teria sido mantida. No resumo da noite, com lances de vários jogos do domingo, ficaram envergonhados (ou teriam outro motivo?) de reprisar aquele episódio...

Jorge Carrano disse...

Não duvido que a "intervenção do Gilmar" (você o disse - rsrsrs), tenha sido iniciativa da Globo, que pelo Flamengo e pela Beija-Flor faz qualquer coisa.

Só alardeia isenção no campo política. Outra mentira deslavada.

Paulo Bouhid disse...

Jorge, IP (Internet Protocol) é o "endereço" de seu computador, quando conectado à Internet (web). São números deste tipo: 10.130.1.15 ou 200.152.98.2...

Se não me engano, essa primeira parte do código (200) identifica o país, mas é fácil esclarecer consultando...a Internet.

Jorge Carrano disse...

Valeu, Paulo.
Não dá para rasurar, como é feito com número de chassi de automóvel (rsrsrs)?
Abraço

Riva disse...

Em não sendo um avatar, há que se cuidar muito bem do que se escreve .....

Eu, p.e., não posso expressar tudo que penso, pois minha identidade foi algumas vezes denunciada. Uma pena.

Jorge Carrano disse...

Riva,
Aceite minhas escusas. Mas esteja seguro de que nas vezes em que associei, aqui no blog, foi sem ma-fé, antes pelo contrário tive a intenção de dar relevância ou fazer justiça ao pensamento ou posição adotada pelo homem atrás de um nickname.

Cria um avatar, pelo que informou teu xará é fácil. Mas veja que só não há identidade física, da fisionomia, da cara. O Paulo assina o próprio nome, preservando apenas a imagem.

Riva disse...

Amigo, nem precisava escrever o 1º parágrafo. Claro que o sei (gostou, Profª Rachel ?).

No Twitter estou pensando na possibilidade de um twittercídio, após 8 anos de frequência, para a reconstrução da minha rede de relacionamentos.

Preciso eliminar, sem melindres, muitos personagens que só debatem assuntos que não quero - o FLU é um deles. Pretendo dar um tempo, abandonando o PFC da Sky e os torcedores do Twitter.

Meu novo foco no Twitter seria viagens, gastronomia, música, livros, fotografia e utilidade pública.

Mas tudo isso ainda está em fase de "grokagem", como Freddy diria.