Acho um equívoco este “nacionalismo” manifestado em partidas
de futebol, através da cantoria do hino nacional.
A primeira e menos importante razão é que as normas devem ser
respeitadas. Se não são adequadas lutemos pela modificação das mesmas.
Ordem e disciplina não fazem mal a ninguém, Antes pelo
contrário. E se há normas em vigor, devem ser cumpridas.
E esta prática esta se disseminando entre os países Sul-Americanos,
como Chile e Colombia, cujas torcidas estão fazendo o mesmo. Desculpem os maus
modos, mas exatamente como nós, países atrasados em educação.
Há um protocolo, e ele é sempre necessário, a ser seguido. E
isto não ocorre apenas nas partidas de futebol. Na Fórmula 1, automobilística,
por exemplo, são determinados xis minutos para cada hino, ou seja, do país da
equipe vencedora, e do piloto vencedor.
E assim será durante as Olimpíadas em 2016. Cada atleta ou
equipe vencedora escuta, do pódio, quinze minutinhos de seu hino e pronto. Quem
irá transgredir?
Atingido o tempo limite, esteja onde estiver o hino, cortam o
som, e pronto!
Mas, voltando ao fio da meada, a meu juízo o maior equivoco
está em confundir as coisas e misturar torcida com patriotismo.
O que está em jogo numa partida de futebol, mesmo que pela Copa
do Mundo, não é o prestígio, a soberania
e o respeito ao país. O que está em disputa é o futebol, ou a qualidade
do futebol praticado por aquele país. E digo mais, qualidade pontual, porque a
história registra fases melhores ou piores, gerações mais ou menos qualificadas,
haja vista existirem oito países que conquistaram o título.
Achar que a seleção é a pátria de chuteiras é coisa de
marqueteiro. Despertar o orgulho nacional via futebol é uma coisa menor. O
orgulho nacional deveria ter origem na qualidade de vida. Neste particular
lembro de um primeiro ministro canadense (perdão, pois lembro do milagre, mas
não do santo) que indagado certa feita, respondeu que seu país não estava
preocupado em ser potência mundial, mas sim em ser feliz.
O caminho é mesmo este ou bem próximo a este.
Por que a FIFA não
adota o modelo da Liga dos Campeões da Europa, patrocinado por ela e pela UEFA,
quando antes das partidas, que em geral envolvem equipes de países diferentes
(raramente são do mesmo país), não há execução de hinos nacionais e sim do hino
oficial da competição. E todos ouvem e respeitam?
O hino nacional divide, inflama e apaixona, quando a
competição deveria ter um viés de unir os povos, diminuir diferenças, irmanar.
É só futebol gente. Ou vocês acham que a Suiça e a Suécia,
por exemplo, são infelizes porque nunca venceram uma Copa do Mundo? E não são
respeitadas no cenário mundial porque o futebol deles é primário?
E para arrematar. Quando dezessete técnicos que dirigem as seleções na competição têm nacionalidade diferente, sete jogadores nascidos no Brasil defendem seleções estrangeiras, sem contar que dois irmãos de sangue, Jérôme e Kevin-Prince Boateng, defendem as cores de diferentes países, um a Alemanha e o outro Gana, fica e ficará cada vez mais difícil vincular as seleções aos berços.