25 de julho de 2011

Os lugares por onde andei... e morei

Este post começa em http://jorgecarrano.blogspot.com/2011/07/os-lugares-por-onde-andei.html


Parque do Ibirapuera
   Além de peregrinar por estados e cidades por deveres funcionais, no exercício de cargos executivos, houve ocasiões em que tive que me mudar, de mala e cuia, para outras cidades. Bem, em São Paulo, capital, residi ao todo, em dois períodos, por 15 anos.

Nas duas ocasiões moramos no bairro do Brooklin; na primeira fase, com mulher e filhos. Já na segunda, entre 1988 e 1995, com os filhos já crescidos, eles ficaram em Niterói, onde estudavam e minha mulher ficava duas semanas comigo e uma em Niterói, para botar ordem na casa, que ficava um caos, segundo me relatava.

Mas morei também em cidades do rico interior paulista, tais como Ribeirão Preto e São José dos Campos.
São duas cidades importantes, sede de regiões progressistas, como são a Mogiana, no caso de Ribeirão Preto, e do Vale do Paraíba, no caso de São José dos Campos.

Foram experiências muito boas, principalmente em Ribeirão, onde meus filhos puderam ter quase a mesma infância que tive, com bastante vida ao ar livre. Moramos em duas diferentes boas casas, uma delas com pequena piscina, em razão da qual até hoje sou alvo de piadas e gracejos por parte de meus filhos, eis que eu não permitia que enchessem a piscina, admitindo, apenas, uns 60/70 centímetros de água. Tinha receio de afogamento, pois eles eram pequenos e ainda não sabiam nadar.

Pinguin
 Morar em Ribeirão me permitiu conhecer e frequentar o famoso Pinguim, bar onde era (ou é) servido o melhor chopp do país.

Em Ribeirão existiam importantes faculdades, onde estudavam estrangeiros vindos de países vizinhos na América do Sul. Escrevo usando o tempo passado, pois no presente, a julgar pelas notícias a que temos acesso, a cidade cresceu e se desenvolveu muito mais ainda.

Parque industrial de
São José dos Campos

Morei também em São José dos Campos, outra grande cidade, que tem um parque industrial importante, onde estão localizadas empresas de primeira linha, tais como Panasonic, Johnson & Johnson, General Motors (GM), Petrobras, Ericsson, Monsanto e Embraer, entre outras, e também importantes centros de ensino e pesquisa, como o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), uma das mais bem reputadas faculdades de engenharia do Brasil.

Morei inicialmente numa boa casa, de propriedade da empreesa onde trabalhava, mas ficava muito isolado, principalmente à noite. Então mudei-me para um flat e viajava para Niterói toda sexta-feira retornando na segunda de madrugada.

Minha mulher e meus filhos ficaram morando em Niterói, indo a São José a passeio vez ou outra, quando então eu permanecia na cidade.

Toca da Traíra
 A cidade oferecia boas opções de restaurantes, pizzarias e bares, como o “Post Office” onde o chopp era renovado automaticamente tão logo o copo fosse esvaziado, ou a “Toca da Traíra” onde se comia o delicioso peixe sem espinha e boas moquecas.

A localização da cidade é estratégica, pois fica relativamenete próxima da capital do estado, e tem acesso fácil para Campos do Jordão, na serra, e também para o litoral onde estão Ubatuba e Caraguatatuba, também a pouca distância.

As cidades do Vale do Paraíba crescem tão vertiginosamente, que falta muito pouco para que se transformem numa mega região metropolitana. São José, Taubaté, Caçapava, Pindamonhangaba, Lorena, estão praticamente se fundindo.


Veja a parte inicial em http://jorgecarrano.blogspot.com/2011/07/os-lugares-por-onde-andei.html




Fotos: Google imagens

24 de julho de 2011

Niterói, do luxo ao lixo

Ressaltando que escrevo sobre Niterói, e que este quadro em seu país, cidade ou lugarejo, pode ser diferente: pergunto para que servem as calçadas?

Moradores de rua
 Aqui servem de moradia, sob as marquises, para moradores de rua. O numero de desocupados e pedintes aumenta  a cada dia. Em alguns casos, são famílias inteiras.

Alguns comerciantes sofrem muito com a sujeira deixada por eles pela manhã em suas portas, pois até mesmo suas necessidades fisiológicas fazem na rua mesmo. Além do desagradável odor fica o risco de doenças.

Como não poderia deixar de ser, no meio desta população desassistida, existem muitos vagabundos, trombadinhas e assaltantes, responsáveis pelo alto índice de criminalidade que campeia na cidade.

Motos nas calçadas

 Outra ocupação desregrada é a de motos. Principalmente no centro da cidade, mas também em Icaraí, de ponta a ponta das calçadas estão estacionadas motocicletas.




Barraca de camelô
O pior, entretanto, é o comércio predatório dos camelôs que ocupam as calçadas com seus tabuleiros e barracas, onde vendem de um tudo. E vendem, em alguns casos, muita mercadoria roubada, muito contrabando, sem contar muito imposto sonegado além da imundície que provocam com os restos de caixas de papelão, sacos plásticos e outros resíduos, muitos dos quais irão parar nos bueiros.

Existem dois aspectos, censuráveis e absurdos, a considerar sobre os camelôs. Quando a fiscalização quer coibir (o que é raro), e apreender as mercadorias à venda, alguns transeuntes reagem e protestam dizendo que é melhor te-los ali do que roubando nos sinais de trânsito ou assaltando nas saídas dos bancos. Alguns hipócritas vão além: “coitados, estão ganhando seu dinheiro honestamente”.

O outro lado perverso e absurdo, é que alguns comerciantes, estabelecidos em lojas, colocam seus produtos a venda através dos camelôs, para burlar os impostos.
Orelhão


Banca de jornais

As calçadas, por vocação e conveniência pública, abrigam ainda alguns equipamentos úteis, tais como os orelhões e bancas de jornais.



Então o que temos? Calçadas, o mais das vezes estreitas, abarrotadas com tabuleiros de camelôs - isto quando as mercadorias não estão expostas no chão, sobre pedaços de plástico – mais as motos estacionadas no sentido transversal e mais os moradores de rua sob as marquises, esmolando.

O que resta a fazer? Um curso de caranguejo para aprender a andar de lado, se esgueirando nos apertados espaços entre motos, camelôs e desocupados.
Lancha
Rio-Niterói

Niterói foi durante muito tempo uma ótima cidade para se morar. Tranqüila e ordeira. Tinhamos praias frequentáveis, trampolim, vários cinemas, bailes aos sábados nos clubes sociais e festinhas nas casas das colegas de escola.Tanto que atraiu muitos moradores dos subúrbios do Rio de Janeiro para cá, inclusive pela facilidade de acesso ao centro do Rio através do sistema de barcas e lanchas. Melhor do que enfrentar viagens de trem desde o subúrbio da Central ou da Leopoldina.

Principalmente depois da ponte, que nos liga à cidade do Rio de janeiro, a coisa degringolou. E os governos que temos tido, convenhamos, foram e são vergonhosos.

Aos poucos vieram incorporadores e construtoras e a cidade cresce desordenadamente. Corremos o risco de uma grande explosão de esgoto, que soterrará a cidade com dejetos humanos. O trânsito é um caos. A sujeira campeia, no centro da cidade, nas proximidades da estação das barcas.

Pedra do Indio
Icarai - NIterói


A população está chegando ao meio milhão de habitantes, com uma infraestrutura dimensionada para 300.000 quando a cidade era um luxo.





De uns tempos a esta parte, pela incompetência, desonestidade, omissão ou leniencia das autoridades virou um lixo.

22 de julho de 2011

Visita ao Vale dos Vinhedos - IV

Por
Carlos Frederico Marques Barroso March
Friburgo - RJ



EXTENSÃO DA ESTADIA NA VILLA


O pacote original da Villa Valduga oferecido aos turistas, focado na Festa da Vindima, terminava no domingo, na hora do almoço. No entanto, como disse no início do relato, estendemos a estadia com o objetivo de visitar outras vinícolas da região, que concentra a maior parte das grandes marcas brasileiras. Pela manhã demos uma volta a pé pelos arredores. Pra começar, voltamos à Vinícola Dom Cândido, que fica logo ao lado. Sua porteira fica a 100m da porta da Casa Valduga. Fomos recebidos por Dom Cândido Valduga em pessoa, que nos brindou com uma degustação e algumas histórias. Informou-nos, por exemplo, que descobriu-se recentemente que a melhor maneira de armazenar espumantes não é deitado, como ainda é para os vinhos ditos tranquilos, e sim de pé! Contou-nos de sua mágoa por não lhe ter sido permitido usar seu sobrenome na vinícola, quando a família se separou em três. A outra vinícola conduzida por integrantes da família Valduga, mas independentes do Grupo, se encontra pouco mais de 1km à frente: a Marcos Luigi, a qual não visitamos.

Dom Cândido
Todas essas três vinícolas oriundas da família Valduga produzem vinhos de boa qualidade. No que tange à Dom Cândido, eu tenho preferência por um de seus rótulos, que nem é o mais caro, mas como sou chegado a itens um pouco fora do padrão (válido também para cervejas), me afeiçoei ao 4ª Geração Marselan. Como já tive oportunidade de informar, essa uva é resultante de um cruzamento entre Cabernet Sauvignon e Grenache. Resulta um vinho bastante interessante.

Outro produto da região que aos poucos vem sendo colocado no mercado são os vinhos em caixas de 3 ou 5 litros. Como muitos deles são vinhos suaves e baratos, costuma-se rejeitar quaisquer deles. No entanto, a Dom Cândido produz duas caixas com produto de sua linha CV vendidos também em garrafa, todas de vinho tinto fino seco: a CV Cabernet Sauvignon de 5 litros e a CV Merlot de 3 litros.

Depois de mais um excelente almoço no restaurante Maria V, desta feita acompanhado do espumante Gran Reserva Natura, contratamos um tour de 2 horas pelo Vale. É um novo serviço oferecido pela Villa, por hora. Já tínhamos nosso roteiro em vista de modo que declinamos das ofertas feitas pelo guia (obviamente direcionadas segundo conveniências da Casa Valduga) e fomos direto à Don Laurindo.


Don Laurindo - setor de degustação
Eu, pessoalmente, sou um fã de alguns rótulos dessa vinícola, em especial Tannat, Ancellotta e Malbec. A Don Laurindo ficou conhecida pelos seus bem sucedidos esforços no cultivo da Tannat. Essa uva tem sua melhor expressão em solo uruguaio e produz vinhos encorpados, de cor bem escura, fortes. Com um trabalho esmerado, a Don Laurindo obteve resultados excelentes em solo nacional. Acaba de lançar um rótulo comemorativo, o Tannat 10 anos, justamente para celebrar esse sucesso.





Almaúnica, modernos equipamentos



Depois, fomos à nova Vinícola Almaúnica. Fundada recentemente (2008) pelos filhos gêmeos de Don Laurindo Brandelli, Magda e Márcio colocaram como objetivo aliar a tradição familiar com propostas inovadoras para produzir vinhos de altíssima qualidade. Tive oportunidade de degustar o Syrah 2010, lançado agora em junho, quando era ainda um néctar em garrafa sem identificação. Sou suspeito por ser um apreciador inveterado dessa uva. A descrição oficial fala em paladar encorpado, intenso e prolongado. É complexo e distinto, com aromas e sabores de especiarias (pimenta-do-reino preta), frutas escuras maduras (framboesa negra, groselha negra, amora), alcaçuz, couro, caça e alcatrão, além de notas de tostados e defumados. O mais importante: tem boa capacidade de envelhecimento, apesar de poder ser bebido desde a juventude graças à maciez e doçura dos taninos.

Para terminar, ainda conseguimos visitar a Pizzato, pequena vinícola que fabrica rótulos restritos à região mas bem interessantes. É uma das pioneiras no trato da uva Egiodola, que já conhecemos quando da visita à Cave de Pedra, e da surpreendente Alicante Bouschet, de origem franco-espanhola. Segundo Flávia Pizzato, que gentilmente nos guiou na rápida visita de fim de dia, o Pizzato Reserva elaborado com essa uva é bem estruturado, potente, adequado para guarda. Não o provamos, infelizmente...

Na 2ª feira, tiramos o dia todo para um passeio com motorista, contratado à mesma empresa que fez nosso traslado Porto Alegre - Vale dos Vinhedos. Estávamos cheios de "más intenções", porque uma das atividades mais desejadas toda vez que vamos à Serra Gaúcha é fazer compras no enorme Varejo da Tramontina, em Carlos Barbosa. Normalmente as operadoras incluem essa visita no pacote Maria Fumaça que é um passeio de trem entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa (ou vice versa) com parada na estação de Garibaldi, mas recomendamos apenas para marinheiros de primeira viagem, como curiosidade.


Varejo da fábrica Tramontina






A realidade é que a distância entre a Villa Valduga e Carlos Barbosa é algo em torno de 15km, ou seja, muito perto. Em minutos estávamos dentro do varejo, enchendo o carrinho (força de expressão, são cestas) e solicitando despacho para o Rio de Janeiro. Dependendo da compra, o frete é gratuito. Há quem nos questione se é vantagem, dado que se encontra produtos da Tramontina no Brasil todo. Damos como justificativa a existência de promoções sazonais com descontos muito bons por conta de mudança de linha, às vezes apenas pequenas alterações cosméticas. Além disso, nesse varejo você encontra simplesmente TUDO que a Tramontina fabrica!

Depois das compras, que nos tomaram hora e meia e uma boa quantia, voltamos na direção de Bento, almoçando no Di Paolo, ótimo restaurante em Garibaldi, com rodízio colonial bem saboroso. Seguindo viagem, encontramos a Domno e a Chandon. A Domno é uma empresa do Grupo Valduga e seu principal produto são os espumantes Ponto Nero, honestos e situados numa faixa de preço popular. 

Chandon - tanques de aço do método Charmat







Optamos por parar para conhecer a mais famosa Chandon, onde fizemos visita guiada e uma degustação de seus poucos rótulos. A Chandon vende no balcão a preços bem interessantes, mas para levar na hora. Não tem serviço de despacho, para não concorrer com seus distribuidores. Apesar da fama e do DNA francês, é digno de nota que todos os espumantes por ela fabricados no Brasil usam o método Charmat, mais eficiente para produção em massa. Em contrapartida, a maior parte dos produtores da região usa o método champenoise, ou tradicional, de segunda fermentação na garrafa.

Vinícola Salton



 Terminamos o passeio na Salton, outra das grandes vinícolas de Bento Gonçalves, com ampla distribuição no país. Ela se situa no distrito de Tuiuty, a 14,5 km do pórtico de entrada da cidade de Bento Gonçalves, em direção oposta à do Vale dos Vinhedos, de modo que só de carro para conhecê-la. Fizemos a degustação paga, declinando da visita guiada (que incluía uma degustação gratuita, limitada). Ficamos surpresos ao conhecer os novos rótulos, de alto nível, produzidos pela vinícola. O portfólio da Salton é imenso, indo de vinhos definitivamente populares, de baixíssimo preço, até os da série comemorativa de 100 anos. Vende pela Internet e no balcão, tendo um serviço de despacho a preço convidativo. Um destaque é o espumante Salton Poética, "tiro certo" por conta de uma   conjugação bem sucedida de aparência (cor), sabor e preço.

Para coroar o último dia integral de estadia, optamos por jantar novamente na Villa Valduga, no Restaurante Luiz V, com menu fechado e toda a carta da Casa Valduga à disposição. Aproveitando a oportunidade para conhecer as novidades, insistimos na série Identidade e tomamos o Arinarnoa (como já disse anteriormente, cruzamento de Petit Verdot com Merlot). Eu acho que ele tem taninos muito acentuados, tornando-o um pouco "rascante", mas minha mulher adora e acompanha bem carnes com temperos generosos.

A 3ª feira, dia da saudosa despedida, foi aproveitada com um derradeiro passeio de manhã, fotografando a vinícola e suas redondezas.


Planta principal da Vinícola Casa Valduga






Fizemos a inevitável compra de espumantes, escolhendo para levar na viagem de volta o preferido de minha esposa, Gran Reserva Natura. Ao invés de almoçar, resolvemos degustar mais uma garrafa de Mundvs Alto Malbec 2006, eleito por mim um dos melhores da casa, no bar do restaurante Maria V. De brinde, ganhamos duas taças do maravilhoso sagu de vinho com creme, sobremesa típica da serra e feita com absoluta perfeição nos restaurantes da Villa.

Retornamos ao Rio de Janeiro com a nítida impressão de que fizemos uma das melhores viagens de toda nossa vida, por conta do que vimos, aprendemos, degustamos e partilhamos. Entrar em contato com o cerne da colonização italiana, ouvir de descendentes diretos a história toda, ser guiados nas visitas por gente da própria família e não meros contratados, foi uma experiência inesquecível.

Casa Valduga - Vinhedo Centenário







E finalmente pude ver as parreiras carregadinhas de uvas maduras, prontas para o corte!






Fotos: dos arquivos do autor do texto, exceto as do D. Candido e da garrafa de espumante, obtidas no Google.

20 de julho de 2011

Visita ao Vale dos Vinhedos - III

Por
Carlos Frederico Marques Barroso March
Friburgo - RJ

FESTA DA VINDIMA


O objetivo da Festa da Vindima é mostrar ao participante como funciona todo o processo de colheita, fabricação e engarrafamento do vinho, com visita guiada a toda a fábrica da Valduga e seus vinhedos, com participação direta de cada conviva em alguns momentos. Programação de dia inteiro, começando às 8 da manhã e terminando depois do Jantar Festivo. Originalmente, estaria prevista sua execução sempre sob vinhedos ou ao ar livre, mas o dia amanheceu chuvoso e assim permaneceu até a noite, portanto houve alterações no local de algumas atividades.


Brindando ao sucesso da colheita







Grupo realizando a colheita -
uva Isabela
Reunimo-nos às 8 para o lauto café da manhã colonial, realizado ao lado dos vinhedos centenários, no restaurante Luiz V. Recebemos então o kit para colheita, que se compunha de avental, chapéu de palha, canivete especial (britola) e, no caso, capa plástica de chuva. Fomos então acomodados em trenzinhos puxados por trator e levados à primeira atividade: colheita das uvas. Era um vinhedo de uva Isabela, adequada a sucos e não a vinhos, mas como treino foi suficientemente eficaz. Após o "sucesso" da colheita, todos protegidos por capas de chuva, brindamos com espumantes abertos pelo método da sabrage. Isso já às 10 da manhã...


Roseiras nas extremidades
 das espaldeiras verticais



















Depois de circular por mais alguns vinhedos, percebemos um detalhe que chamava a atenção em todos eles: na ponta de cada coluna de videiras, havia uma roseira. A razão de ser delas é que há uma praga que ataca eventualmente as uvas, mas ataca primeiro as rosas. Então, as roseiras servem de alarme, de modo que se forem atacadas, dá tempo de se tomar providências com defensivos agrícolas antes que as videiras sejam atingidas. Alarme natural...






Casa de Madeira - fabricação
 do suco de uva integral







Seguimos então novamente para a Casa de Madeira, local do almoço no dia anterior. No entanto, desta feita fomos conduzidos a uma visita ao setor de fabricação do suco de uva natural da casa, cujo processo foi-nos explicado e mostrado por inteiro. É um suco puro, totalmente natural, com uma qualidade realmente elevada, como tive oportunidade de provar e do qual hoje sou um consumidor habitual.



Mesa na Adega Original



O almoço não poderia ser em melhor local que a Adega Original da família, nas dependências do Restaurante Maria V. A Adega hoje é apenas decorativa, mas o ambiente mantém a comprida mesa, ideal para congraçar os inúmeros participantes numa grande refeição alegre e festiva. O cardápio foi mais uma vez o delicioso rodízio colonial, harmonizado com rótulos da linha Valduga Premium (espumante Blush, branco Chardonnay e tinto Merlot).


Houve um breve tempo para descanso, quando retornamos a nossos aposentos - vantagem de quem estava hospedado. Como já dissemos no início, a Festa da Vindima é aberta a turistas em geral, desde que se pague o valor estipulado pelo evento inteiro.

Retomamos a visita guiada à tarde. Eduardo Valduga percorreu conosco toda a planta de fabricação de vinhos e espumantes da Casa Valduga, com explicações e degustações, onde pudemos provar o insumo intermediário que mais tarde se tornará um dos espumantes da casa. É fantástica a diferença entre ele e o produto final!


Valduga, método Champenoise




Vale lembrar que a Casa Valduga, como a grande maioria das vinícolas do Vale, produz seus espumantes através do método champenoise, ou tradicional, com segunda fermentação nas garrafas, que descansam em suportes especiais ao longo do imenso corredor subterrâneo da fábrica.





Igreja N. Sa. das Neves,
construída com vinho na argamassa




Dando seguimento ao passeio, fomos instalados novamente nos trenzinhos puxados a trator e seguimos para visitar a Igreja N. Sa. das Neves, cuja argamassa foi feita com vinho, história que nos foi relatada por Remy Valduga, um simpático senhor que escreve livros contando a saga da Família Valduga e dos demais imigrantes italianos na Serra. Fomos presenteados com um de seus livros, O Sonho de um Imigrante, recheado de emoção, conquistas e perdas.






Pisada de uvas






O último evento da tarde foi a cerimônia da "pisada das uvas", obviamente superada hoje pelos processos modernos, mas ainda um remanescente histórico da fabricação artesanal de vinhos. Todos que quiseram puderam participar alegremente, acompanhados de um grupo musical regional para dar o ritmo às pisadas.



 A Festa da Vindima termina com o jantar festivo, com direito a costela no bafo e muitas outras iguarias regionais. Normalmente programado para ser realizado em mesas rústicas sob os Vinhedos Centenários, por conta do mau tempo ele foi realizada no Restaurante Luiz V, logo ao lado. Eduardo Valduga se manteve conosco até o final, dando explicações adicionais e tirando dúvidas de todos que o seguiram nas visitas guiadas ao longo do dia.

A harmonização incluiu o espumante Prosecco e o tinto Cabernet Franc, ambos da linha Premium, mais o Identidade Arinarnoa. Adicionalmente complementamos às nossas expensas com espumante Gran Reserva Natura, um dos raros Natura brasileiros e por nós considerado o melhor espumante da casa.

Um parêntesis para uma explicação. Na fabricação de espumantes costuma ser adicionado ao final do processo um complemento regulador de sabor, adocicado, chamado licor de expedição, feito com o mosto de uvas viníferas, em geral as mesmas que constituem o produto em elaboração. Dependendo da quantidade adicionada, eles são classificados segundo o teor de açúcar: extra-brut, brut, demi-sec, doce. No entanto, quando o espumante resulta excepcional, não há necessidade de adição de nada para balancear o sabor: é o tipo natura, com 0% de açúcar. Raras vinícolas o fabricam no Brasil.


Eduardo Valduga
Sim, mas quem é Eduardo Valduga? 29 anos (em fevereiro de 2011), descendente da família de imigrantes italianos, filho de um dos proprietários da Vinícola, contou-nos que aos 21 anos enfadou-se de tudo e, mochila nas costas, ganhou mundo. "Anos mais tarde, tendo saciado sua sede de liberdade, retornou à casa, mas com uma idéia: fazer vinhos que extrapolariam a região do Vale e do próprio país. Em seguimento, ele se tornou o responsável pela linha Mundvs da Casa Valduga, composta de 5 vinhos, utilizando parreiras de propriedade da Valduga em outros países.

São 2 Mundvs Malbec, oriundos de vinhedos argentinos, 2 Mundvs Cabernet Sauvignon, oriundos de vinhedos chilenos e o Mundvs Portugal, oriundo de vinhas portuguesas. Tanto o Mundvs Malbec como Cabernet Sauvignon têm uma versão chamada de Alto, diferenciada em seu método de produção, sendo que eu considerei o Mundvs Alto Malbec 2006 como o melhor rótulo de vinho tinto degustado durante a estadia.


Fotos do acervo do autor do texto


18 de julho de 2011

Visita ao Vale dos Vinhedos - Parte II

 Por
Carlos Frederico Marques Barroso March
Friburgo - RJ


VILLA VALDUGA



A chegada se deu na 5ª feira (10 de fevereiro de 2011) à tarde, via pacote aéreo e traslados adquiridos por conta própria. Ficamos na Pousada Duetto, com vista para alguns dos vinhedos internos. O Espaço Identidade fica debaixo dessa pousada. Ali funcionam o bar com Internet, sala de TV e cinema (esse sob agendamento). Funciona de 18:00 às 24:00. Como chegamos cedo, optamos por almoçar. E fomos conhecer a gastronomia da Villa.


Restaurante Elisabete e pousada Arte

Retaurante Luiz V
São 3 restaurantes. No Elizabete V, situado embaixo da Pousada Arte, é servido o café da manhã, com direito a espumantes e música suave de piano ao vivo. O Maria V consta dos guias turísticos de Bento Gonçalves. Fica aberto para almoço com rodízio colonial, e pode ser reservado à noite para grupos com mais de 20 pessoas mediante agendamento prévio. O restaurante que atualmente abre à noite na Villa é o Luiz V, com cardápio harmonizado que muda diariamente. O menu é apresentado aos hóspedes às 19:00 para aprovação e confirmação de reserva.


Restaurante Maria V

Sagu de vinho com creme

A culinária colonial servida em rodízio no Restaurante Maria V está entre as mais deliciosas que eu já provei em minha vida. É baseada principalmente em galeto, costeleta de porco e massas diversas com molhos celestiais. Dentre as sobremesas tradicionais da região encontramos o melhor sagu de vinho com creme já degustado nesses anos todos que frequentamos a Serra Gaúcha. Posso afirmar que nossa experiência gastronômica na Villa foi a constatação de que a simplicidade pode ser inesquecível!

Uma característica dos restaurantes e bares da Villa Valduga é que a carta de vinhos contém todo o acervo da Casa Valduga, a preço de varejo. Não há sobrepreço. Isso nos permite avaliar itens que provavelmente não teríamos "coragem" de apreciar em restaurantes, ou teríamos de fazê-lo em casa. Em contrapartida você não encontra uma cerveja sequer na propriedade inteira!

No nosso primeiro almoço optamos por degustar o espumante Amante Brut Rosé (Malbec), que combinou bem com o relativo calor e o rodízio colonial. Esse espumante é produzido em par com um vinho tranquilo, de mesmo nome e com a mesma uva: Amante Malbec Rosé.
Parreirais centenários

Utilizamos o tempo livre à tarde para reconhecimento na vinícola e arredores. A vinícola preserva a área de seus vinhedos originais, não mais usada para colheita, mas para visitação e alguns eventos ao ar livre. Nos arredores destacamos o fato da Casa Valduga se situar na Via Trento, de modo que ao alcance de um prazeroso passeio a pé se encontram várias atrações. A Vinícola Dom Cândido é vizinha da Valduga e a distância entre portões é de apenas 100m. Próximas se encontram também Tritton, Marcos Luigi e Terragnolo de um lado, Larentis e Casa de Madeira do outro, não esquecendo diversas referências turísticas ligadas à imigração.

À noite, foi-nos sugerido participar do jantar harmonizado do Luiz V, o que aceitamos depois obviamente de fazer jus ao drink de boas vindas no Espaço Identidade. O cardápio fechado e mais elaborado do Luiz V consta da sequência tradicional caldo, entrada, prato principal e sobremesa, variando diariamente ao sabor do maître. Experimentamos um dos novos vinhos da casa, da série Identidade: Ancelotta 2006, bem seco e um tanto adstringente, ao gosto de minha esposa Mary. Soube depois que é uma característica dos vinhos dessa série, que inclui as pouco conhecidas uvas Arinarnoa (resultado de cruzamento de Petit Verdot com Merlot) e Marselan (resultado de cruzamento entre Cabernet Sauvignon e Grenache).

Preparação para a sabrage
Na 6ª feira, depois do café, a programação habitual oferecida aos hóspedes constaria inicialmente de visita guiada ao setor de fabricação da Casa Valduga, mas como também fazia parte da Festa da Vindima, foi-nos aconselhado não fazê-la de imediato. Assim sendo, fomos ao item seguinte da programação: curso Segredos do Mundo do Vinho, orientada pelo sommelier Márcio Mortari, com direito a sabrage e diploma. Para quem não sabe, sabrage é uma maneira de se abrir garrafas de espumante com um sabre, à maneira da tropa de Napoleão Bonaparte. A rolha com parte do gargalo é arrancada com um golpe preciso de um sabre (não amolado!) e eventuais estilhaços são removidos pela expulsão de gases. É absolutamente seguro tomar o espumante após a sabrage, não fica um único resíduo de vidro na garrafa.


Após a sabrage o gargalo degolado
A aula foi muito bem conduzida, e a seleção para degustação incluiu:
Branco Chardonnay série Premium, 2010 (comum, refrescante)
Branco Chardonnay série Gran Reserva, 2010 (bem diferenciado em comparação com o Premium)
Tinto Malbec série Mundvs - Alto, 2006 (para mim o melhor do dia, quiçá da estadia)
Tinto Cabernet Sauvignon série Premium, 2007 (comum, para o dia-a-dia)
Tinto Arinarnoa série Identidade, 2007 (8 a 12 meses em carvalho, taninos bem acentuados)
Espumante Extra Brut (comum, foi o utilizado na sabrage)



Visitamos então a Casa de Madeira, pertencente ao Grupo Valduga, que fabrica geléias (incluindo as de uvas Malbec e Cabernet Sauvignon) e suco de uva natural. Lá almoçamos, mas digamos que o rodízio não teve a qualidade do servido no Restaurante Maria V.

A seguir, o passeio da tarde terminou com a visita de mais uma empresa do Grupo Valduga, a Vinícola Cave de Pedra, muito bonitinha e bem organizada, com salões para festas e belos vinhedos. Seus vinhos são bons, mas além do fato deles trabalharem uma nova uva chamada Egiodola, e também a Marselan, não destaquei nada de especial na degustação que nos foi gentilmente oferecida.


Vinícola Cave de Pedra





Egiodola
Dos terraços da sede da Cave de Pedra tem-se uma vista privilegiada de parte do Vale dos Vinhedos, em especial da Vinícola Miolo e do Hotel Spa Caudalie (mostrado na primeira parte do relato):








Sede da Vinicola Miolo
Na oportunidade vale comentar que desta vez não visitamos a Vinícola Miolo, talvez a maior do Vale dos Vinhedos, pelo simples motivo que já o fizemos em visitas esporádicas ao Vale em anos anteriores. O esquema de visitação é muito bem elaborado e a degustação bem variada, podendo-se abater o valor da mesma nas compras feitas no varejo interno. 

 
Miolo, vista da Casa de Pedra

À noite, optamos por lanchar no Espaço Identidade, em vez de jantar no Luiz V. Preparamo-nos psicologicamente para o sábado, dia da Festa da Vindima, evento de dia inteiro e ponto culminante da estadia. A programação começava às 8:00, havia que acordar cedo!


Fotos: do acervo do autor do texto.

16 de julho de 2011

Visita ao Vale dos Vinhedos - Parte I

Por
Carlos Frederico Marques Barroso March
Friburgo - RJ

A MOTIVAÇÃO


O Vale dos Vinhedos é uma região do Rio Grande do Sul que concentra boa parte das mais famosas (além de outras nem tanto...) vinícolas do país. Denominação de origem controlada, ela abrange cerca de 82 km2 cuidadosamente delimitados com parte dos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. Num ponto de vista mais restrito, turístico, costuma-se referir Vale dos Vinhedos como uma região concentrada e bem específica situada dentro de Bento Gonçalves, no entorno do trecho inicial da rodovia RS-444 (Estrada do Vinho) e da Via Trento, a alguns minutos do centro da cidade.

Visitante eventual, quando em turismo pelas Serras Gaúchas, habitualmente baseado em Gramado, sempre passamos por lá em épocas em que as parreiras estavam ou secas, ou com as uvas ainda em formação. Nosso desejo era visitar o Vale quando elas estivesse carregadinhas de uvas maduras e suculentas. Isso só seria possível entre o final de janeiro e início de março, na época da colheita.


Parreiras carregadas

A segunda meta era conhecer o máximo que pudéssemos de vinícolas importantes, a maioria das quais oferece degustação de seus produtos aos visitantes, sejam gratuitas ou com um custo simbólico. Chamo a atenção aqui para o comportamento das operadoras de turismo que operam na região. Só levam você àquelas que têm convênio e não me pergunte qual a vantagem que levam nisso. No esquema de excursão, em anos anteriores, fomos levados à Cooperativa Vinícola Aurora (diversas vezes!) e mais umas 4 ou 5 de pequeno porte, seja em Bento ou Garibaldi. Antes da viagem que ora descrevo, só visitei a Vinícola Miolo, provavelmente a mais bem instalada e com a melhor estrutura de atendimento aos visitantes, indo por conta própria - 2 vezes, é muito bonita.

No entanto, não há só a Aurora ou a Miolo, eis aqui uma lista daquelas associadas à Aprovale, muitas outras existem (cito Domno e Salton, bem conhecidas), mas que dá uma idéia da diversidade existente na região:

Interior Vinicola Aurora
Adega Casa de Madeira
Adega Cavaleri 
Adega e Vinhedos Dom Elisiario
Casa Graciema
Casa Valduga
Angheben Vinhos Finos
Chandon do Brasil
Cooperativa Vinícola Aurora
Família Tasca
Milantino Vinhos Finos Peculiare Vinhos Finos
Pizzato Vinhas &Vinhos
Vinhos Terragnolo
Vallontano Vinhos Nobres

Vinicola Marcos  Luigi





Vinhos Don Laurindo
Vinhos Finos Della Chiesa
Vinhos Larentis
Vinhos Michele Carraro
Vinhos Titton
Vinícola Almaúnica
Vinícola Boutique Lídio Carraro
Vinícola Calza
Vinícola Cavas do Vale
Vinícola Cave de Pedra
Vinhos Michele Carraro

Vinícola Cordelier
Vinícola Dom Cândido
Vinícola Marcos Luigi
Vinícola Miolo
Vinícola Torcello
Vinícola Toscana
Essas então foram as diretrizes principais: visitar o Vale na época da colheita e ter liberdade para circular nas redondezas, conhecendo o que fosse possível de vinícolas. Onde se hospedar, então? Bento Gonçalves tem uma boa rede hoteleira, mas há uma certa distância entre o centro da cidade e a principal parte do Vale, distância essa que é curta para quem está de carro, mas longa para quem depende de transporte diário. Terminei com 3 opções, por mera simpatia: o Hotel Spa Caudalie, nas dependências da Vinícola Miolo, a Villa Valduga na vinícola de mesmo nome e o Hotel Michelon, também ligado a vinhedos próprios.

O Hotel Spa Caudalie é bastante luxuoso, cercado de vinhedos e com um atendimento de primeira. Para quem deseja relaxar a caráter, há até ofurô de cabernet sauvignon, entre outras mordomias relacionadas a uvas e vinhos. O restaurante segue uma gastronomia de alto nível e a adega é bem variada, para não falar da vista maravilhosa.


Hotel Spa Caudalie, em frente à Vinícola Miolo



Hotel Villa Michelon segue um padrão turístico mediano e talvez seja o mais indicado para famílias, pois suas dependências são bem organizadas em termos de acomodação, gastronomia e lazer para adultos de todas as idades e para crianças. No entanto, a meu ver, está abaixo dos demais do Vale no que tange aos vinhos da casa. Opinião pessoal. Possui programação específica ligada a uvas e vinhos, mas não era bem o que eu queria.

Castelo Valduga
A escolha acabou recaindo na Villa Valduga . O complexo tem 5 pousadinhas temáticas junto ao castelo que faz as vezes de sede e ao lado da bela fábrica, 3 restaurantes, bar com internet, cinema, vinhedos, jardins... O preço era razoável para casal, o ambiente parecia romântico, eu conhecia alguns vinhos interessantes da Vinícola. O fator primordial, contudo, foi a constatação de que a Casa Valduga patrocinaria um evento chamado "Festa da Vindima", aberto a todos (sob pagamento) mas priorizado em relação aos hóspedes da Villa. A festa ocorria justo no período desejado (final de janeiro a início de março) e sua programação era muito interessante, preenchendo todos os meus requisitos, inclusive financeiros.

Casa Valduga - vista do terraço do castelo


O pacote oferecido habitualmente pela Villa Valduga é de 5ª a domingo, com uma programação bem definida incluindo visita interna, passeio e curso de degustação, sendo que nesse período específico havia o opcional de participação na Festa. Por conta de nossos planos pessoais, escolhemos estender a reserva até a 3ª feira seguinte: 5 pernoites, em vez de 3.


Pousada Duetto

Por questões de localização dentro da Villa, optamos pela Pousada Duetto, o que afinal se revelou uma boa escolha, apesar de que podemos garantir que qualquer uma delas atende aos padrões confortáveis de hotelaria. Os veículos, para quem for de carro, têm vaga coberta apenas sob a Pousada Excellence. A pequena piscina e o indispensável quiosque para churrasco (afinal é o Rio Grande do Sul) ficam ao lado da Pousada Arte.




Pousada Premium



Pousada Gran Reserva
 
Pousada Arte e quiosque



 Fotos: todas as fotos ilustrativas referentes a Casa Valduga,  são do autor do texto. As demais, Aurora,  Michelle Carraro e Marco Luigi  foram obtidas no Google.