4 de janeiro de 2017

Minha estante - Don Camillo

Antes dos padres de passeata a que aludia Nelson Rodrigues. Antes de Hélder Câmara ser cognominado “arcebispo vermelho”, mais ou menos na época em que fui coroinha de igreja, padre usava abatina, rezava missa em latim, a igreja e os comunistas estavam em lados opostos.


Personagens de um e outro lado, entretanto, podiam se admirar e respeitar.

Giovannino Guareschi
Um escritor, também jornalista e cartunista, italiano, sarcástico, bem humorado, captou com precisão e maestria este antagonismo colocando como contendores, num imaginário vilarejo italiano, um padre grandalhão, anticomunista ao extremo e um mecânico, igualmente muito forte, comunista e prefeito do vilarejo.

Don Camillo e Peppone, estes são os nomes dos personagens centrais, volta e meia se estapeiam, mas sem abrir mão de suas convicções religiosas e políticas, se respeitam e se admiram.

Algumas destas histórias foram roteirizadas para o cinema e foram também sucesso. Fernandel, ator e cantor francês,  fez Don Camillo, e Gino Cervi fez o Peppone.

FGernandel e Gino Cervi
Não sei onde foram parar os livros de Giovanni Guareschi que tínhamos em casa, comprados por nosso pai, admirador das histórias. Nós tínhamos (confira  por favor, Ana Maria), “O Pequeno Mundo de Don Camillo”, “Don Camillo e seu Rebanho”, “O Careta Pálido” e “Don Camillo e os Cabeludos”.

Mas li outros dois, se bem me lembro,  graças a Biblioteca Estadual que está em vias de fechar as portas, por malversação de recursos públicos de Sergio Cabral, Pezão  et caterva.

Consta que a prefeitura de Niterói vai assumir a operação da Biblioteca. Estou na torcida porque entendo de suma importância manter de portas abertas aquela casa de cultura.



Notas do editor:
1) imagens do Google
2) Link com enrevista imaginária de Nelson Rodrigues com o Arcebispo Don Hélder Càmara
http://angueth.blogspot.com.br/2008/06/nelson-rodrigues-entrevista-d-hlder.html

3 comentários:

GUSMÃO disse...

Os filmes são interessantes. Mas, como sempre, os livros são melhores, quando contam a mesma história.
Don Camillo não fugiu da regra.

Ana Maria disse...

Creio que is livros em questão foram para sua casa, junto com outros clássicos quando precisei abrir mão deles por causa da asma. Creio que tenho O Retorno de Dom Camillo, que por sinal não gostei.

Jorge Carrano disse...

Assistam a esta matéria. São Paulo é outro "pais" mesmo.
Enquanto aqui as biblioecas fecham, lá ampliam o tempo de atendimento aos leitores.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/emprestimos-na-mario-de-andrade-dobram-depois-que-biblioteca-passou-a-funcionar-24-horas.ghtml