24 de outubro de 2016

Comércio tradicional

Terminei o post anterior mencionando, de passagem, os dois grandes magazines onde se comprava de tudo. Ambos estavam instalados em grandes e confortáveis prédios no Rio de Janeiro. A "Sears" em Botafogo e a "Mesbla" na Cinelândia.

A "Mesbla" veio primeiro  para Niterói, e abriu sua loja na rua Visc. de Rio Branco, 511. Anos depois a "Sears" também  abriu filial aqui, na Rua São João, 34.

Como boas lojas de departamentos vendiam de tudo, ou quase tudo. Os anúncios a seguir dão uma ideia da variedade de produtos que comercializavam.




Não lembro de meus pais comprando roupas e calçados nestes magazines. Eu,  com certeza, nunca.

Meu pai comprava seus ternos na "Casa José Silva", que a exemplo das lojas de departamento supracitadas,  inicialmente só tinha loja no Rio de Janeiro. Anos mais tarde abriu filial na Rua da Conceição,  59, em Niterói.

Lá ele comprava ternos e camisas,  estas da marca Epson (exclusividade da casa). Os calçados, para toda a afamília, eram da Clark, que tinha filial na Av. Amaral Peixoto.


Vale lembrar que o Rio de Janeiro era a capital da República e durante muitos anos tínhamos que atravessar a baia, nas velhas barcas da "Cantareira", para fazer compras no Rio.

Assim, estes hábitos de meu pai passaram para mim, e acabei freguês da "Casa José Silva", onde comprei  roupas até o fechamento da rede de lojas. Em sua fase final, a frase de propaganda da "José Silva" era: “a maior butique do país.”

Antes da "Casa Josè Silva" desembarcar em Niterói, chegou aqui a "Ducal",  outra cadeia de lojas  que inovou no mercado de cionfecções masculinas, lançando o terno com duas calças (daí o nome da loja). Com efeito as calças "acabavam" primeiro do que os paletós, por várias razões.

As roupas da "Ducal" eram mais, digamos assim, populares e o inconveniente é que todo mundo se trajava igual (bancários, comerciários, funcionários menos graduados). Mesmo corte, mesmo tecido, mesmas padronagens.

Eu, muito pobre, mas muito vaidoso, nunca usei roupa da "Ducal".

Nos anos 1960 foi lançado o "Tergal" tecido sintético que não amarrotava. Pouco depois surgiu o "Nycron", com a mesma propriedade. A ênfase da propaganda do "Nycron" era a frase "senta, levanta, senta, levanta" para reafirmar que não amarrotava e nem perdia o vinco.


No link a seguir um pequeno comercial do tecido "Nycron".
https://www.youtube.com/watch?v=RbZrDKlmfe4


Poderia ter iniciado esta matéria falando dos restaurantes de antigamente, posto que nas postagens anteriores tratei de culinária e de comidas, mas não me ocorreu.

Como nem eram tantos, que eu conheci, passo agora a enumera-los, sem ordem de preferência ou cardápio.

Começo pelo "Samangauiá", já citado no blog quando falei de minha tarefa, como gerente administrativo da "Siderúrgica Hime", planejar e contratar o local para a confraternização de final de ano.

Este hotel/restaurante ficava na rua Carlos Ermelindo Marias, 494 em Jurujuba.  

Outro que não posso omitir, até porque lá comia, vez ou outra, até relativamente pouco tempo, é o "Monteiro", que funcionava no nº 55 da Rua da Conceição, que já era frequentado por meu pai, porque era o preferido de jornalistas, políticos e alguns profissionais liberais.

Lamentei seu fechamento, e ainda lamento quando passo defronte ao prédio porque a placa do restaurante ainda está lá.

Ainda na Rua da Conceição, funcionou o restaurante "City Niterói", na sobreloja do prédio nº 13.

Outros ícones da cidade fecharam as portas, como a exaustivamente citada "Leiteria Brasil", o restaurante "Arcádia", na Av. Amaral `Peixoto, 43, no centro, e o "Bier-Strand", na Praia de Icaraí, 219.

Ainda na Praia de Icaraí, que inapropriadamente mudou de nome (nada pessoal com o jornalista homenageado), funcionaram a "Churracaria Venezia", no nº 75 e e o "Texas", no nº 275.

Na Comendador Queiróiz, logo no início, tinha o "Bom Canto".

A "Gruta de Capri", na Rua Miguel de Frias, 37,  não cerrou as portras, mas nem se compara ao que era nas décadas de 1950 e 1960. A pizza "brotinho" vendia como se fosse água no deserto. Acompanhada de chopinhos bem tirados.

A "Esportiva", os dois italiano das pizzas, no centro da cidade, a "Imbhuí", e outros que não lembro agora, também desapareceram.


Nota do editor: as imagens foram obtidas no sitio a seguir.
http://memoriasoswaldohernandez.blogspot.com.br/2012/10/anuncios-de-moda-e-acessorios-nos-anos.html

18 comentários:

Carlos Lopes disse...

Boas lembranças, Carrano... só quem viveu a época conhece bem a importância que essas lojas (quase todas cm matriz no Rio) tiveram no crescimento de Niterói antes da ponte... Os restaurantes e leiterias eram criações nossas mesmo, da própria cidade...

GUSMÃO disse...

Em Niterói, todo mundo conhecia todo mundo. A cidade era como uma cidade interiorana.
Ou eramos vizinhos, ou estudávamos nas mesmas escolas, ou frequentávamos os mesmo clubes, ou tínhamos conhecidos que conheciam as outras pessoas citadas em conversas.
Era uma aldeia, embora fosse capital de um estado da federação.

Jorge Carrano disse...

Obrigado ao Carlinhos e ao Gusmão.
Abraços

Riva disse...

Não citadas, porque naturalmente não faziam parte da vida de vocês, mas fizeram da minha por muitos anos :

- Camisaria Tauil, ao lado da Leiteria Brasil. Comprávamos fiado ali, porque meu pai pagava depois.

- Ótica Argos, ali numa das ruas em volta da Prefeitura antiga. Comecei a usar óculos acho que aos 9 anos de idade, e tudo era comprado ali - armações e lentes.

- E as Samaritanas ??? Eu sempre dizia aos amigos que ia terminar meus dias de trabalho calçando os pezinhos das senhoras numa Samaritana ... não vai dar, sumiram !

Jorge Carrano disse...

Os tricolores cariocas devem estar de luto. Faleceu aquele que foi um dos maiores jogadores da história do clube, onde começou ainda nas categorias inferiores e conquistou ao longo da carreira alguns títulos.
E mais importante, o Fluminense era seu clube do coração.
Tem tricolor que acha Rivelino o ídolo maior do clube. Outros transferem essa idolatria para Castilho. Orlando (pingo de ouro) também brilhou com a camisa tricolor.
Na minha opinião de adversário (nunca jogou no Vasco, só o filho) foi o mais completo lateral direito que o Brasil já teve.
R.I.P

GUSMÃO disse...

Ele jogou no Botafogo, acho.
Grande capitão da seleção de 1970. Teria sido a melhor de todos os tempos?

Jorge Carrano disse...

Gusmão,
Numa hipotética seleção brasileira de todos os tempos (partir da década de 1950), alguns nomes não aceito discutir:
Carlos Alberto Torres, Nilton Santos, Zizinho, Garrincha e Pelé. Quanto a outras posições/jogadores, admito controvérsias.

Jorge Carrano disse...

Fechado acordo de delação com Marcelo Odebrecht. Agora Lula vai pro brejo com corda e tudo.

http://jovempan.uol.com.br/opiniao-jovem-pan/comentaristas/vera-magalhaes/lava-jato-fecha-escopo-de-delacao-com-odebrecht.html

Freddy disse...

Concordo com Carrano quanto aos nomes para a seleção. Incluiria Romário como presença indispensável, contudo.

Freddy disse...

Camisaria Tauil... Grande lembrança familiar. Periodicamente íamos todos juntos fazer uma espécie de "compra de ano" (rs rs). Passávamos horas escolhendo roupas para papai, Riva e eu. Depois, uma passadinha na Italiana, para uma pizza dupla. Eita lasqueira!

Em termos de lembranças puramente pessoais, uma de minhas lojas preferidas era a casa de fogos inserida na entrada do Cinema Mandaro. Era uma espécie de papelaria. Comprava papel de seda tanto pra cafifas como pra balões além de cadernos, lápis de cor e outras miudezas. Freguês assíduo.

Jorge Carrano disse...

O dia foi de notícia triste, face ao óbito do Carlos Alberto Torres.

Mas teve boas notícias:
1) Abertura de processo de impeachment do Maduro
2) A delação premiada do Marcelo Odebrecht


http://oglobo.globo.com/mundo/assembleia-nacional-aprova-iniciar-julgamento-politico-contra-maduro-20355266

Riva disse...

Carlos Alberto Torres realmente foi um baita lateral, mas mais ala que lateral.

Quebrou aquele paradigma do lateral-lateral, ou seja, cuja função era 100% marcar. Emblemático o 4º gol contra a Italia em 1970, demonstrando o que era ser um ala.

Mas não foi meu ídolo. Já externei por aqui que só tive um único ídolo no futebol: CARLOS CASTILHO.

Todos os outros grandes jogadores do meu FLU ou de outros times foram exatamente isso : grandes jogadores. E aí dá para montar umas 10 seleções brasileiras de todos os tempos, e outras 10 seleções mundiais.

PS: acho que agora o molusco se manda pra Italia !! Se ficar, o japa passa lá às 5 da matina !!



Jorge Carrano disse...

Como já escrevi no blog faz muito tempo, este maduro está na hora de cair de podre.

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/10/1826147-assembleia-nacional-da-venezuela-aprova-iniciar-julgamento-de-maduro.shtml

Jorge Carrano disse...

Riva, desculpe, mas quem inaugurou o lateral que marcava e atacava foi o Nilton Santos.

E foi em Copa (1958) que deixou este registro.

https://www.youtube.com/watch?v=Gr5LRukMm4c

Selecione e cole na barra do navegador. Claro que a qualidade da imagem não é tão boa.

Riva disse...

Sorry, Carrano, mas Nilton Santos não conseguia marcar a própria sombra kkkkkkkkkkkkk. A zaga tinha que cobri-lo.

Jorge Carrano disse...

Caro Riva,
Você era um menino quando Nilton Santos integrou a seleção brasileira, campeã sul-americana, em 1949. Não sei se já conhecia a tal de bola, trazida para o Brasil por Charles William Miller.
No ano seguinte, portanto 1950, ele foi o reserva de Bigode, um dos responsáveis pelo gol do Uruguai que nos tirou o título. Ghiggia passeou pela avenida deixada pelo lateral do Fluminense e chegou na cara do Barbosa, que também falhou no lance.
Este Nilton Santos, 8 anos depois já titular absoluto, foi campeão mundial e considerado pela FIFA, em premiação no início deste século, como o melhor lateral esquerdo do mundo até o século XX.
Eu quero sempre estar com a razão, conforme você sabe (rs), mas neste caso, tenho absoluta certeza do que estou afirmando.
Eu e todo mundo (técnicos, jogadores, comentaristas) entre os que conhecem futebol temos a mesma opinião.

GUSMÃO disse...

Aliás, em acréscimo ao comentário do Carrano, diria que no final da carreira o Carlos Alberto, já atuando no miolo da zaga, também perdeu a mobilidade e a velocidade.

Eu vi o Nilton Santos jogando em plena forma. Ele é um dos responsáveis por eu ter virado torcedor do Glorioso.

Jorge Carrano disse...

Sabe o que acontece, Gusmão? É que esses meninos, ainda cheirando a cueiro, querem discutir com provectos como nós, que ainda não atingimos a decrepitude.

Sejamos tolerantes com eles. Um dia reconhecerão que ainda têm muito o que aprender, até para poderem julgar a avaliar.

Os índios, que nunca haviam visto um garfo, quando viram os portugueses comendo com aquele apetrecho estranho, acharam ridículo e desnecessário. Faltava-lhes o referencial.

O Riva tem salvação porque tem disponibilidade mental para aprender. Tem a chamada cabeça aberta.