6 de dezembro de 2020

Demolições na rua Paulo Alves - Ingá - Niterói

 

Agora estão utilizando tratores e retroescavadeiras nas demolições. Vai acelerar o processo. Ainda bem!

O barulho e a poeirada estão sendo transtorno para moradores e transeuntes. Mas dizem que é o preço do progresso.

O trânsito que já estava complicado, virou um inferno.

Aqui demolição na esquina de Paulo Alves com Casemiro de Abreu.


















Estou publicando estas fotos e comentários sobre esta obra de alargamento da via, para que seja possível, no futuro, se comparar como era, mais estreita, com fiação  aérea e sem arborização.

Não que outros, mais inspirados e qualificados, não estejam fazendo isso, mas assim tenho minha visão particular do caso, como alguém que conviveu com os problemas até para entrara em casa, tendo a calçada defronte ao prédio obstruída.

5 de dezembro de 2020

SEM PALAVRAS

Ou por outra, se bem escolhidas cabem algumas palavras: patético, bizarro, risível, deprimente, vergonhoso ...

O menino, o goleiro Lucão de 19 anos, pelo menos mostrou-se envergonhado e chorou. E choro, como demonstração de vergonha na cara, é coisa que está faltando no país.





Dois tristes exemplos da situação do agora nem tanto "Gigante da Colina". Sem elenco, sem administração, sem vergonha.

4 de dezembro de 2020

Da pontinha da orelha

 


Usar a expressão ninguém usa mais, e lembrar só alguns poucos de nossos leitores, fieis e eventuais.

Rose Rondelli
Uma coisa da pontinha da orelha era muito boa, muito bonita ou muito gostosa. A torta de nozes estava da pontinha da orelha; a Rose Rondeli era da pontinha da orelha.

E chuchu este legume insípido, que dá muito na cerca, também tinha seu nome associado  a grandiosidade,  a superlativo. Rockeffeler é rico p'ra chuchu. Todo mundo sabia que significava ter muito dinheiro.

Alias que este mesmo legume sem graça (precisa do camarão para ser consumido) entra numa outra locução, que também caiu em desuso, designativa de quantidade. "Dar mais do que chuchu na cerca" queria dizer dar muito e com facilidade.

Tinha uma vizinha que era referida desta maneira.

https://www.englishexperts.com.br/forum/como-dizer-dar-mais-que-chuchu-na-cerca-em-ingles-t59487.html

Estas expressões idiomáticas, por assim dizer, levam-me aos apelidos que podíamos grudar nas pessoas  no tempo anterior ao politicamente correto.

Alguns eram tão criativos, originais e bem-humorados que nem mesmo as vítimas se aborreciam.

O baixinho, virava "pouca sombra"; o cara valentão, forte e temido poderia ser "tem razão". Este último um ótimo apelido; quem discordaria de alguém com tais características?

Tive uma amigo, colega de trabalho, de nome Péricles, cujo apelido era Maracanã. Sabem por que? Era grande, feio e mal acabado. Nesta época o Maracanã ainda estava por terminar, faltavam os acabamentos (revestimentos, etc) que demoraram muito.

A gorda era rolha de poço; o alto e magro, caniço; o manco virava deixa que eu chuto. Os negros, antes de virarem Pelé, eram chamados de Sabará, alusão ao ponteiro do Vasco.

O politicamente correto impingiu perdas ao humor, assim como o tal VAR ao futebol.



2 de dezembro de 2020

COISAS QUE FICARAM EM MINHA MEMÓRIA

 

Por  

RIVA                                      
                                                                                                                                                 

 



A sugestão de pauta é no sentido de expormos aquelas passagens marcantes, marcantes mesmo, de qualquer natureza, em nossas vidas, a qualquer época. Claro que vai de cada um querer expor ou não, mas essa troca deve ser bacana se houverem coincidências entre os relatos. 

Para exemplificar, lembro que quando li o livro O CAÇADOR DE PIPAS, cuja estória se passa no Afeganistão, fiquei impressionadíssimo constatando que muitas brincadeiras da minha infância eram exatamente as mesmas lá no Afeganistão, que acho nem sabia que existia na época. 

Se eu for relatar todas as coisas marcantes em minha vida, não termino hoje. Então vou começar com uma delas, e creio que cada um deva fazer o mesmo, para irmos desenvolvendo o tema. Convido as meninas a participarem !! Espero que compareçam. 

Coisa 1 – Minha primeira viagem aos EUA 

Foi um divisor de águas em minha vida. Eu simplesmente era fascinado pelos EUA, pelo que via e ouvia do dia a dia dos jovens, pela música dos anos 60, pelos aviões da Boeing e da Douglas, pelos jeans, pelos tênis, por NY, enfim, por tudo. 

Imaginem então um jovem de 16 anos desembarcando lá, em 1969, pela 1ª vez, depois de um longo voo num DC-8 colorido da Braniff, que tinha alguns passageiros ilustres : Mick Jagger e Keith Richard dos Rolling Stones, tocando violão durante umas 3 horas do voo !! Foi um choque anafilático ! 

A primeira coisa que fiz quando cheguei em Miami numa escala de horas, foi ir correndo numa loja comprar meu tênis Converse All Star branco, sonho de consumo no Brasil, e o LP do Steppenwolf que eu já sabia que tinha sido lançado, pelo programa do Big Boy. 

Vou tentar resumir as coisas impactantes que vi, vivi e senti nessa viagem maravilhosa :

- a TV colorida da casa onde me hospedei, em Baltimore.

- ver ao vivo as casas sem muro como via nos filmes, com aquela tradicional caixa de correio na entrada.

- neve, sim, a neve !!!! Fiz meu boneco de neve, que dei o nome de Walker. Cheguei a pegar 17º abaixo de zero !

- andar em carros hidramáticos.

- conversar com um jovem recém chegado do front no Vietnam.

- todos os “bailes” que fui lá, inclusive um com o Greatful Dead tocando ao vivo !!

- conhecer NY !!! Empire Estates, Estátua da Liberdade, ONU, Central Park, Greenwich Village (bairro hippie da época).

- comer um autêntico hotdog americano.

- comprar as fantásticas blusas e flâmulas de universidades americanas.

- comer milho nas refeições – não se comia no Brasil.

- as máquinas de cigarro … eu fumava na época.

- os tapetes que abriam as portas – fiquei brincando com um, até um guarda me chamar a atenção.

Esse tsunami de imagens e emoções me marcou profundamente, fui um privilegiado em poder vivenciar tudo isso numa época difícil para muitos. Foi também uma experiência de vida longe dos meus pais, num país distante, me virando com a língua inglesa. Uma ligação telefônica era através de telefonista, e demorava até 2 horas para se completar. 

30 de novembro de 2020

Um substituto para ...

 

A postagem do Carlos Lopes Filho (Calf), ou Carlinhos para alguns sobreviventes contemporâneos do Liceu Nilo Peçanha, sobre comparações descabidas, acabou por me oferecer um mote para esta matéria de hoje, que encerra (por ora) o ciclo futebol.

Contratar um substituto ou comemorar e enaltecer  o aparecimento de um novo fora de série era uma forma de comparar. Pouco mais ou menos, claro. Buscar um substituto implicava conseguir alguém de mesmas característica, habilidades e desempenho.

Foi assim, por exemplo, quando o Vasco perdeu o Vavá para o Palmeiras. Era premente contratar um novo artilheiro, com características de combatividade e faro de gol semelhantes ao do centroavante campeão mundial.

O Vasco foi além, foi ao extremo na busca pela substituição. Foi ao Nordeste, região de origem, na esperança de que lá encontraria o substituto a altura.

Trouxe de lá um certo Pacotí. Quem se lembra? Não deu certo e a busca continuou; vieram Oswaldo e outros testados e reprovados. Até o Wilson Moreira, de linhagem de técnicos consagrados. Quem solucionou em parte o problema foi o Delém, de quem não tínhamos referências. Mas não foi o "novo Vavá".

Delém foi um bom centroavante e propiciou a um certo narrador apregoar seu gols com uma tirada interessante (para nós vascaínos). Gritava ele - o narrador: "Delém, delém, delem, bate o sino da matriz de São Januário". Era gol do Gigante da Colina.

Substitutos ou "novo Pelé" surgiram muitos. Todo neguinho habilidoso que fazia gols virava um novo Pelé. Muitas frustrações, obviamente. Pelé é único, como Michel Jordan, como Senna, como Da Vinci, como Shakespeare, se me permitem a exagerada e eclética prateleira.

Alguns jogadores tiveram estilos semelhantes, e resultados práticos consistentes. Cito por exemplo Walter (Marciano de Queiroz), comparável ao Rubens (Dr. Rubis), do Flamengo. Dirceu cujo papel em campo o aproximava de Zagalo. E paro por aqui.

E há casos em que aquele que seria o substituto supera o substituído. Tipo discípulo que supera o mestre. Mas sem comparações, cada qual com suas competência, habilidade, arte.

Nem a genética assegura transferência de habilidade, talento e vocação, pois que se assim fosse o filho de Pelé iria além de um goleiro razoável e nada mais.

São poucos os casos de herança de habilidade técnica. Lembro de poucos casos. Os filhos do Zico, do Bebeto e do Roberto Dinamite, só para exemplificar, não vingaram e não atingiram o sucesso deles.

Um caso, em particular, chama minha atenção. O Thiago Alcântara joga melhor do que o pai -campeão mundial - o Mazinho.

Comparações são perigosas, por vezes odiosas, por vezes pretenciosas se quem compara não tem cabedal para avaliar e julgar.

Quem foi melhor, quem deixou mais ensinamentos? Sócrates, Platão ou Aristóteles?

Pelo conjunto da obra sou mais Pelé do que Maradona. 

#tenhodito.

28 de novembro de 2020

AMADOR E PROFISSIONAL...

 


“MEU CLUBE DE CORAÇÃO...”

Identidade clubística...


     


Calfilho

Carioca de Olaria, botafoguense de coração, niteroiense por adoção, copacabanense por predileção, parisiense e europeu por admiração ... 78 anos de idade, tentando chegar aos 80, se Deus ajudar.




Até os primeiros anos da década de 60, quando o amadorismo já tinha sido totalmente erradicado do futebol dos principais países do mundo, os jogadores ainda tinham uma forte afinidade com os clubes em que começaram suas carreiras.  

Segundo li e pesquisei, o profissionalismo foi introduzido no futebol brasileiro no início dos anos 30 do século passado. Por isso, alguns contestam o tetracampeonato carioca do Botafogo (1932/33/34 e 1935). Houve uma cisão no futebol do então Distrito Federal, alguns clubes continuaram com jogadores amadores, enquanto outros aderiram de vez ao profissionalismo. A AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Amadores) até então tinha os clubes amadores como filiados. Em janeiro de 1933 foi criada a LCF (Liga Carioca de Futebol), tendo quase todos os clubes do Rio migrado para ela, menos o Botafogo, que continuou na AMEA. Em São Paulo, o mesmo ocorreu, tendo a liga local, a APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos) se dividido em duas, a profissional e a amadora. Na Argentina, isso já ocorrera desde 1931 (informações colhidas na internet, no site “Imortais do Futebol”). O Botafogo, continuando na liga amadora, ganhou facilmente o campeonato. Na Copa do Mundo de 1934, como a liga profissional não era reconhecida, o Brasil foi representado por jogadores, em sua maioria, do Botafogo. Ainda em, 1934, o Vasco, São Cristóvão e Bangu voltaram para a AMEA e, juntos com o Botafogo mudaram o seu nome para FMD (Federação Metropolitana de Desportos), que passou a regular, apoiado pela CBD, o profissionalismo carioca em1935, quando o Botafogo conquistou seu inédito tetracampeonato consecutivo (material da mesma fonte). Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, jogou pelo Botafogo nesse ano. Logo depois, transferiu-se para o Flamengo.

A transição do amadorismo para o profissionalismo não foi difícil, pois muitos jogadores que disputavam a liga amadora já recebiam prêmios por vitórias, além de outros “agrados”. A década de 40 talvez tenha sedimentado um pouco mais o profissionalismo, mas os jogadores ainda permaneciam muito ligados aos clubes que os formaram. Ainda eram raras as transferências de atletas de um clube para outro, na mesma cidade onde atuavam. Para outros Estados, ainda mais. Para o exterior, praticamente não ocorreram. A grande transferência entre clubes no futebol carioca foi a de Ademir Menezes do Vasco para o Fluminense em 1945, dando origem à famosa frase proferida pelo técnico Gentil Cardoso, então dirigindo o Fluminense: “Contratem-me o Ademir e eu lhes dou o título”. O Fluminense contratou Ademir e foi o campeão de 45. No ano seguinte, Ademir voltou para o Vasco. Nessa década de 40, jogadores totalmente identificados com seus clubes foram Heleno de Freitas, Nílton Santos (começando no Botafogo), Ademir, Barbosa, Augusto, Eli (Vasco), Zizinho, Biguá, Bria (Flamengo). São os que me lembro, apenas por ler ou ouvir falar.

Para o exterior, soube apenas de Yeso Amalfi, que se transferiu em 1948 para o Boca Juniors, no ano seguinte para o Penarol, em 1951 para o Nice (da França), em 1951 para o Torino, em 1952 para o Mônaco, tendo encerrado a carreira no Olympique de Marseille em 1959 (fonte: Wikipedia).

Na década de 1950, depois da Copa do Mundo realizada no Brasil, o profissionalismo enraizou-se de vez no futebol brasileiro. Mas, as transferências eram raras e, até consideradas como “traição” por parte dos clubes e jogadores envolvidos. Lembro-me bem de uma, que ficou bem marcada em minha memória: no início da década, um jogador da base (os antigos juvenis) do Botafogo, Joel, foi aliciado pelo Flamengo, que o contratou, desrespeitando seu coirmão que havia formado o jogador. Joel teve uma carreira vitoriosa no Flamengo, participando do time tricampeão de 1953/54/55, e foi convocado para a Copa do Mundo de 1958, sendo titular nas duas primeiras partidas, contra a Áustria e a Inglaterra. Na terceira e decisiva partida da fase eliminatória, Garrincha entrou em seu lugar e “acabou” com o jogo, sendo o titular até o final da competição, vencida pelo Brasil. Na Copa seguinte, Joel nem foi convocado, sendo Jair da Costa o reserva de Garrincha, que foi eleito o melhor jogador da equipe bicampeã mundial. Foi a “vingança” do Botafogo contra a “traição” do Flamengo e de Joel.

Nessa década, ainda os jogadores permaneciam muito tempo em seus clubes, mesmo, às vezes, não tendo sido formados por eles. Assim, o Fluminense de Castilho, Píndaro, Pinheiro, Clóvis, Vítor, Lafayette, Telê, Orlando Pingo de Ouro, manteve esses mesmos jogadores por quase toda a década em sua equipe. O Vasco de Barbosa, Augusto, Eli, Danilo, Jorge, Friaça, Maneca, Ademir, Jair da Rosa Pinto (que se transferiu para o Santos no início da década). O Flamengo de Garcia, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Rubens, Índio, Evaristo e Esquerdinha. O Botafogo de Osvaldo Baliza (depois Gilson), Gérson e Santos; Arati, Pampolini e Didi; Garrincha, Edson, Paulinho, Quarentinha e Neivaldo. O América, de Osny, Dimas, Ranulfo, Oswaldinho, Alarcon, João Carlos, Maneco. O Bangu, de Ubirajara, Mario Tito, Zizinho, Ari Clemente e tantos outros. A garotada da época, eu aí incluído, sabia de cor a escalação de todos os times cariocas. Até do Madureira, com Irezê, Bitum e Weber (muito mais tarde, juiz de Direito na antiga Guanabara), Frazão, e outros. O Canto do Rio de Carango e Jairinho. O Olaria, de Olavo “Sarrafo”. O São Cristóvão, de Santo Cristo etc...

Vai perguntar hoje a um garoto de 10 anos qual a escalação do seu time: vai te dizer uma num dia, outra no mês seguinte, mais outra completamente diferente um ano depois... Sobre a seleção brasileira, nem se fala...

Enfim, o profissionalismo foi avassalador...

Recordo-me que naquela década de 50, a grande transferência de um jogador brasileiro para o exterior foi a de Julinho Botelho da Portuguesa de Desportos de SP para a Fiorentina, da Itália. Julinho disputara a Copa do Mundo de 1954 pela seleção brasileira e, em 1955, transferiu-se para o futebol italiano. Ponta direita de rara habilidade, foi convocado por Feola para a Copa do Mundo de 1958, juntamente com Joel, do Flamengo. Num gesto de rara humildade e grandeza, não aceitou a convocação, dizendo que não tomaria o lugar de um jogador que estivesse jogando no Brasil. Resquício forte do amadorismo, quando defender a seleção brasileira significava defender as cores do Brasil... Igual aos dias atuais, não lhes parece?

Feola não gostava de Garrincha, por achar que ele “driblava demais, sem produtividade para a equipe...”. Com a recusa de Julinho, foi quase obrigado a convocar o “anjo das pernas tortas”, já que a “grita” popular era muito forte... Vejam só o absurdo: quase deixamos de ser campeões do mundo em 1958, não fosse o ato de grandeza de Julinho...

Dino da Costa e Vinicius (Leão), atacantes do Botafogo, também foram duas outras transações marcantes do futebol brasileiro na década de 50. Foram jogar em equipes italianas, o Milan foi uma delas, a outra não me recordo... Evaristo foi para o Barcelona e, lembro-me bem da festa que a cidade preparara para ele, quando eu passei por lá, em fevereiro de 1957, numa viagem de navio em direção a Nápoles... Paulinho Valentim e Orlando Peçanha foram para o Boca Juniors, da Argentina...

No Brasil, internamente, duas transferências marcantes: a de Didi, do Fluminense para o Botafogo; a de Gilmar, do Corinthians para o Santos... ajudem-me a lembrar de outras...

Já na década de 60, Brasil bicampeão do mundo, os jogadores brasileiros valorizaram-se rapidamente. Transferência milionárias para o futebol europeu, que, constatando a superioridade da individualidade brasileira sobre os rígidos esquemas de seus países, decidiram importar em massa os “craques” tupiniquins: Amarildo para o Milan; Vavá, para o Atlético de Madrid; Didi, para o Real Madrid, Jair da Costa para a Internazzionale, Dino Sani para o Boca Juniors,  Joel Martins para o Valência... bem, quem mais?

Pelé ficou no Santos, recusando propostas milionárias. Garrincha permaneceu no Botafogo até 1966, quando preferiu deixar o clube, indo para o Corinthians, porque não conseguia recuperar-se de uma violenta lesão nos joelhos. Nílton Santos, em clubes, só vestiu a camisa do Botafogo. Gilmar, Djalma Santos, Zito, Pepe, permaneceram em seus clubes até abandonar o futebol, ou transferiram-se para equipes menores apenas para encerrar a carreira e ganhar um dinheirinho extra. Lembro bem, já no final da década de 60, que, Gerson, morador de Niterói, recusou propostas da Europa por detestar viajar de avião...

As décadas seguintes, após a conquista do tricampeonato mundial em 1970, marcaram, a meu ver, o declínio do futebol brasileiro. Mesmo conquistando mais dois outros títulos mundiais, a qualidade do nosso futebol foi caindo a olhos vistos. As transferências para a Europa e, depois, para o Japão e para o resto do mundo multiplicaram-se em velocidade exponencial. Hoje, o que vemos, são jovens com menos de quinze anos sendo recrutados pelo futebol europeu e lá aprendendo a jogar futebol como eles. Acabaram-se a improvisação, o jogo de cintura, a boa molecagem do futebol brasileiro...

Grande culpa desse declínio cabe a nós mesmos... acabando com os campos de futebol que existiam pelas cidades, com os terrenos onde animadas peladas eram jogadas, acabou-se também a improvisação, o gosto pelo futebol bem jogado... Nossos campinhos transformaram-se em prédios de cimento, e com eles nosso futebol foi afundando... Lembro-me bem que, só em Niterói, joguei nos campos do Niteroiense, Ypiranga, Fluminense, Vienense, Henrique Lage, Manufatora, Cruzeiro, Country, Caio Martins. Quantos deles existem atualmente? Hoje, as crianças começam a jogar futebol de salão (ou futsal), que nunca foi a mesma coisa que o futebol de campo... Quando vão para este, já estão viciados com o pouco espaço que o salão lhes proporcionou, obrigados a  passes curtos e rápidos, e são incapazes de levantar a cabeça,  procurar um companheiro desmarcado lá na frente e fazer um lançamento...  Não, bola pro lado, que “não quero ficar com a responsabilidade de tentar uma jogada de profundidade, uma jogada mais aguda, de tentar o drible... afinal, se perder a bola...”

Dá pena de ver a seleção brasileira em campo, atualmente... conheço apenas um ou outro jogador que esteve por algum tempo num clube brasileiro... a grande maioria é desconhecida ou só esteve aqui na base de nossos times... Não são maus jogadores, mas nem parecem brasileiros... vestem a camisa da seleção como vestem a camisa de seus clubes na Europa, sem amor, sem identidade com a mesma... alguns até se naturalizam europeus para poder jogar pelas seleções dos países de seus clubes... Os jogos do campeonato brasileiro também são duros de assistir... A comparação com o futebol europeu é inevitável e saímos perdedores, de longe, em qualidade técnica... Hoje, é muito mais agradável assistir um jogo dos campeonatos europeus pela TV do que outro do Brasileirão... Por isso, em nossas ruas já vemos algumas crianças (e até adultos) desfilando com camisas do Real Madrid, do Barcelona ou de uma seleção europeia...

           Vou falar apenas de dois exemplos mais recentes que conheço e que, por acaso, são do meu clube: o Túlio, pouco conhecido meio de campo do Botafogo na década passada, passou um tempo jogando fora do Brasil e, quando voltou, procurado por outros clubes, disse:

“-- Primeiro, quero ouvir a proposta do Botafogo, que é meu clube do coração”.

Acabou voltando para o clube, apesar de ter recebido uma proposta um pouco mais elevada de outra equipe.

O outro exemplo é Lucio Flavio, durante alguns anos meia armador do Botafogo, que, depois de ter parado de jogar, ao receber um convite do clube para trabalhar na Comissão Técnica, aceitou imediatamente.

Parabéns aos dois, amor à camisa não se demonstra apenas no momento da assinatura do contrato, quando o escudo do clube é invariavelmente beijado. Esse amor é muito mais importante quando o jogador deixa o clube, precisa dele, mesmo quando não mais joga futebol...Por isso, os dois atualmente, fazem parte da Comissão Técnica do Botafogo... Não foram jogadores excepcionais, apenas medianos, mas respeitam e têm carinho pelo time que defenderam...

O amor ao clube, coisa rara...

Os jogadores atuais trocam de camisa, como quem troca... de “camisa...”.


27 de novembro de 2020

Os chutadores

 

            


         J
orge Carrano

          Carioca, do Andaraí, octogenário, vascaíno.




Os narradores adjetivavam de petardos os chutes mais fortes. Ou bomba. Pepe, jogador do Santos, contemporâneo  de Pelé, tinha uma “bomba” nos pés.

Vi jogar alguns excelentes chutadores. Quando menciono excelentes, quero dizer que o chute era forte, e tinha precisão. Acertavam o alvo, no caso o gol adversário. Caso contrário alguns zagueiros botinudos seriam relacionados entre os melhores.

Pinheiro, zagueiro do Fluminense, chutava com o bico da chuteira, inclusive na cobrança de penalidades.

Aqui em Niterói, no futebol local, havia um chutador que foi lenda. Chamava-se Draga. Atribuíam a ele ter provocado tuberculose num goleiro que ousou agarrar no peito um de seus poderosos chutes.

Um dia fui ao campo do Vianense porque me disseram que ele iria jogar. Perdi meu tempo, nem jogo teve naquele dia citado. Acabei não vendo o chute do Draga.


Chico, ponta esquerda

Jair da Rosa Pinto - Jajá

Silvio Parodi, ponta esquerda

Um dos mais famosos chutadores foi o Jair da Rosa Pinto, apelidado de “Jajá de Barra Mansa”, que integrava o ataque da seleção de 1950.

O Vasco teve um paraguaio chamado Silvio Parodi, que certa feita furou a rede com seu potente chute. Menos pela força e velocidade da bola, e mais porque a rede (de barbante) estava já desgastada pelo sol e chuva.

Chico, também do Vasco e seleção brasileira,  chutava forte.

Nelinho, do Cruzeiro e seleção nacional, chutava forte, com efeito e precisão. Canhoteiro, do São Paulo, também tinha bom chute, além de habilidade para drible.

E Rivelino, ídolo do Corinthians e de boa parte da torcida do Fluminense, campeão mundial em 1970, chutava muito forte. Sobre ele o Riva, nosso confrade, pode falar melhor porque ganhou o apelido em função do profissional.

Chutar forte nem sempre é a melhor opção. Por vezes é melhor jeito. Que o digam Didi, criador da “folha seca”; Gerson, o canhotinha de ouro; Rubens, o “Dr. Rubis”, que antes do Zico, no Flamengo, era o cobrador oficial de faltas, o que fazia à perfeição, com chutes colocados, em curva ou por cima da barreira.

 


Nota: 

1) Claro que foi coincidência colocar fotos do jogadores do Vasco. Rsrsrsrs😁😁😁

2) Pepe, ex-jogador referido no texto, acaba de superar a Covid-19, aos 85 anos.  Que boa notícia.