domingo, março 17, 2019

Excrescência jurídica - aberração - absurdo


O presidente do STF, em Portaria sem amparo legal, determinou a abertura de inquérito para apurar quem são os críticos dos membros daquela suprema corte.

E o fez, segundo alega, com espeque no Regimento Interno da casa. Só poderia ser eis que não há previsão na legislação pátria.

Ou seja, não podemos criticar os ministros do STF. Numa canetada o ministro Dias Toffoli nos nega direito assegurado na Constituição Federal, em seu art. 5º, que é do livre exercício da manifestação do pensamento.

Os ministros do STF não podem ser criticados, inobstante a todo o tempo decidirem ideologicamente, sem isenção e usurpando competência de outros órgãos públicos, como no caso desta portaria supracitada, e legislando sobre os mais diferentes assuntos. Estou inventando?

Ora, deem-se ao respeito e serão respeitados.

Dias Toffoli desprezou, com este ato, a competência do ministério público e da polícia federal.

Ora vejam só. Conduzindo investigação, o STF estará, ao fim a ao cabo, atuando como acusador e julgador. É risível e pergunto, é constitucional?

Aquela corte constitucional não tem expertise, não tem um setor competente para levar adiante investigações (afinal o que é um inquérito?) e não poderá julgar se atuou na apuração e fará a acusação.

Esta composição do STF, é uma das mais incompetentes, ideológicas e sem isenção, desde que há pouco mais de 50 anos frequentei os bancos da Faculdade de Direito, da UFF, como acadêmico e onde obtive o grau de bacharel. 

Coloca o Judiciário na vala comum juntamente com o legislativo e o executivo, cujo conceito e imagem perante a opinião pública é de descrédito, desconfiança, desaprovação.

De alguns deles eu não compraria um carro usado.

sexta-feira, março 15, 2019

As guinadas do judiciário






Durante anos, desde os meus tempos de estudante na Faculdade de Direito de Niterói, pertencente a UFF, e até mesmo antes disso, prevaleceu o entendimento de que “pacta sunt servanda”.

Ou seja, pouco mais ou menos o seguinte: os compromissos livremente assumidos devem ser cumpridos.

O que estava pactuado era lei entre as partes. Era para ser cumprido e ponto.

Quando uma alteração na política cambial, há não sei quantos anos, a extrema valorização do dólar provocou um desequilíbrio nas relações contratuais vinculadas à moeda norte-americana, houve uma corrida ao Judiciário.

Foi desenvolvida no âmbito da Justiça, e encampada por renomados jurisconsultos, a teoria da imprevisibilidade.

Esta teoria que atende pela expressão latina “rebus sic standibus”, e traduzida, mais ou menos ao pé da letra, seria algo como “estando assim as coisas”, inovou nas relações contratuais.

Fatos extraordinários, imprevisíveis, podem tornar extremamente oneroso para uma das partes o cumprimento da obrigação assumida.

Esta teoria (da imprevisão) admite a possibilidade de desfazimento ou revisão do contrato, na ocorrência de um fato imprevisível e extraordinário.

O Direito, enquanto ciência, é dinâmico e, como diria Einstein, relativo.  A compreensão do julgador, seja no juízo monocrático, seja no colegiado (de qualquer grau), é que irá decidir se a hipótese é de aplicação da teoria do “pacta sunt servanda” ou a do  “rebus sic standibus”.

Outra guinada, esta mais recente, coloca o mero transtorno em confronto com a indústria do dano moral.

Explico. A lei civil codificada coíbe e pune a prática de ato ilícito. O conceito  de ato ilícito acabou sendo flexibilizado o que provocou uma verdadeira corrida ao ouro, como no oeste americano,  de sorte a que todo mundo se achava vítima de um ato ilegal que lhe geraria um direito a reparação por dano moral.

Pode haver certo exagero na conceituação, mas num dizer politicamente incorreto, criou-se sim, uma indústria do dano moral.

Para por termo a avalanche de ações para reparação de dano moral, foi criada a teoria do mero aborrecimento. Ou seja, a situação narrada não configurava exatamente um dano moral senão um pequeno aborrecimento, em consequência do que, quando procedente, acarretava um valor indenizatório ínfimo.

Os advogados que atuam na área dos direitos do consumidor, que em geral cobram os honorários pelo sistema de risco, ou seja, um percentual sobre o valor auferido pelo cliente na demanda judicial, botaram a boca no trombone. Seus ganhos caíram muito, posto que 30% sobre R$ 10.000,00 geravam R$ 3.000,00 de honorários. Entretanto, 30% sobre R$ 1.000,00 geram apenas R$ 300,00.

O arbitramento do quantum a ser pago, como reparação pelo dano moral, puramente subjetivo, criou situações  esdrúxulas como num caso que acompanhei de perto.

Um casal, retornando de viagem aos Estados Unidos, teve problemas no embarque em New York. Condições atmosféricas não permitiram a decolagem do avião no horário aprazado.

Ficaram no saguão, sentados e/ou deitados no chão, sem oferta de alimentação, etc.

Ao desembarcarem no Rio, aforaram em Niterói, onde residem, ação de reparação por dano moral, em juizados especiais cíveis,  contra a AA, assistidos pelo mesmo advogado.

As ações foram distribuídas para diferentes serventias: ela obteve sentença favorável com valor indenizatório arbitrado em R$ 10.000,00. O outro, seu companheiro, conseguiu apenas R$ 5.000,00 pelos mesmos transtornos e constrangimentos.

Quero só ver no que vai dar, no STF, o julgamento da prisão quando há condenação em segunda instância.

                                    
                                      ORDENAÇÕES
                           (Afonsinas, Manuelinas e Filipinas)




quarta-feira, março 13, 2019

Os britânicos



Não necessariamente em ordem de importância na listagem que se segue, vou enumerar britânicos que tenho como personalidades, em diferentes áreas do saber, da política, da ciência, das artes em geral, da religião, das lendas e costumes.

MARY QUANT


Que seria de nós homens se ela não tivesse criado a minissaia? Continuaríamos na imaginação.

CHARLIE CHAPLIN


Gênio do cinema. Seja como criador do famoso personagem Carlitos, seja como roteirista, seja como compositor inspiradíssimo. Para citar apenas duas lindas canções: Limelight e Smile.

WINSTON CHURCHILL


Estadista. Personagem fundamental no enfrentamento das “forças do eixo”.

CHARLES DARWIN


Naturalista, pai da teoria da evolução das espécies. Seleção natural.

ISAAC NEWTON


Físico e matemático, mas pode chamar também de cientista, filósofo naturalista, astrônomo e teólogo.


JOHN LENNON


Guitarrista, cantor, compositor, ativista, um dos nomes dos Beatles.

ALEXANDER FLEMING


Inventor da penicilina, que a par de ser uma de minhas alergias (as outras seriam o Flamengo, o PT, Faustão e outras), acabou com a gonorreia.

CHARLES DICKENS


Romancista. “Um conto de natal”, “David Copperfield” e outros títulos.

WALTER RALEIGH


Explorador, corsário, espião, mas também escritor e poeta.

JAMES WATT


Matemático e engenheiro. Importante no  desenvolvimento dos motores a vapor.

ALEXANDER GRAHAM BELL


Cientista e inventor. Tem o crédito, contestado por alguns, de ter inventado o telefone. Fica por sua conta.


WILLIAM SHAKESPEARE


Apenas, o maior dramaturgo da história. Como ninguém interpretou e explicitou a alma humana. Mesquinhez, inveja, ambição, traição, amor, coragem, tudo isso e muito mais  está em sua obra.

STEPHEN HAWKING


Físico e cosmólogo.


REI ARTUR



Líder bretão, que ao lado de seus fieis cavaleiros, rechaçava as invasões saxônicas. Deu bons filmes.

ROBIN HOOD


Esteve nas Cruzadas e na volta, com o bando que criou (hoje o crime seria de formação de quadrilha), na Floresta de Sherwood, roubava dos ricos para doar aos pobres. Será? Consagrou Errol Flynn no cinema. 


Nota do autor: 
O mundo seria pior sem eles.

segunda-feira, março 11, 2019

Shameful


O time da mulambada sempre se jactou de formar talentos em suas categorias de base. Alguém cunhou a frase "craque o Flamengo faz em casa".

Pois bem, de uns tempos a esta parte, quando jogadores viraram "ativos" dos clubes, fontes de receitas, os chamados clubes grandes do futebol brasileiro passaram a dar mais atenção aos jovens sonhadores, que almejam ascensão social e financeira, sendo negociados para os grandes clubes europeus. A peso de ouro, ou melhor, de euros.

Recentemente dez destes jovens que ambicionavam propiciar as suas famílias uma vida mais folgada, com mais conforto, perderam a vida num incêndio nas dependências do Flamengo.

Pois não é que este clube tem a cara de pau de oferecer aos familiares destes jovens uma reparação de um salário-mínimo.

Se formos recapitular o quanto estes jovens se transformam em fonte de receitas estratosféricas para os clubes formadores, tomando como exemplo apenas três das últimas vendas efetuadas pela urubuzada, estamos falando de algo bem acima dos 300 milhões de reais.

Peguem os casos de Vinicius Junior, Lucas Paqueta e Felipe Vizeu e verifiquem se estou mentindo.

Este mesmo clube tem a desfaçatez de oferecer um "me engana que eu gosto" equivalente a um salário-mínimo às famílias das vítimas.

Desrespeito, vergonha, escárnio.

Ou seja, o clubes admite que os meninos que acolhe são alocados em "móveis e utensílios", e que me perdoem os contadores e contabilistas pela heresia. Provavelmente a melhor classificação seria "reserva de lucros a realizar".

A imprensa noticiou largamente a venda de Vinicius, Paquetá e Vizeu, enfatizando os valores das transações e agora dá pouco destaque a vergonhosa negociação que o clube faz com as famílias enlutadas.

Acessem os links abaixo:








sábado, março 09, 2019

VAR PRA PQP



É isto mesmo que você pensou. Quero que o malsinado VAR, da sigla inglesa Video Assistant Referee, vá para a ponte que caiu.

Depois de anos acompanhando futebol, apaixonado por um clube, vejo o esporte virando um negócio, um produto, no dizer dos marqueteiros, altamente rentável.

Poderia alinhar aqui várias medidas ou mudanças que estão fazendo com que o esporte das multidões perca seu encanto. Mas limito-me ao tal árbitro de vídeo que, a par de quebrar o ritmo de uma partida, não resolve coisa alguma. Minto, resolve sim, mas muitas vezes equivocadamente.

À exemplo do que Rui Barbosa pensava sobre o Supremo Tribunal Federal, que muitas vezes decide de forma equivocada, ou pelo menos em descordo com o senso comum, com o apelo das ruas, o VAR serve apenas para chancelar um erro, tornando-o verdade.

Rui dizia que o STF tem o condão (o direito) de errar por último. Assim é o VAR que estraga o desenrolar de um jogo e erra muito.

Vou ilustrar a minha tese com um jogo recente. Estavam duelando, pela Champions League, a competição entre clubes mais importante do planeta, as equipes do Ajax (Holanda) e o Real Madrid (Estanha).

Houve um lance, que resultou num belíssimo gol da equipe holandesa, que seria um crime ser invalidado pelo VAR, em que claramente a bola transpôs a linha de fundo, tocada por último pelo jogador do Ajax.

Como a árbitro não marcou a saída da bola - e nem o bandeirinha - o lance seguiu, deu-se o cruzamento e outro jogador da equipe holandesa chutou no ângulo fazendo gol validado pelo juiz.

A jogada foi bonita. Mas a bola saiu pela linha de fundo antes de ser cruzada em direção à área adversária.

O tal do VAR alertou ao juiz de campo que houve irregularidade. O jogo parou por alguns minutos. As imagens mostradas ad nauseam revelavam a saída da bola, ou pelo menos a base desta.

Ficou a questão: na circunferência a bola saiu por inteiro?  Melhor, toda a esfera, tomada a visão do alto, traçada uma linha imaginária tangenciando a figura geométrica, teria ultrapassado a linha demarcatória do campo de jogo?

Não havia este ângulo de gravação, desde o alto. O juiz da partida sequer foi lá olhar o vídeo, deixando por conta do VAR a decisão. Demorada e, para a grande maioria dos telespectadores, narrador e comentaristas do canal de TV, errada. A bola saíra.

Se fosse anulado eu iria desligar a TV. O esforço do jogador do Ajax para, com o bico da chuteira, a perna toda esticada, tentar manter a bola em jogo, o cruzamento para o companheiro e a conclusão deste para o gol, num chute preciso, indefensável, não poderia ser anulado só por    porque um   equipamento burro, insensível, sem alma, teria revelado uma irregularidade.

O resultado da partida foi justíssimo. O Ajax eliminou o poderoso Real Madrid da competição.

Bem-feito por ter vendido o Cristiano Ronaldo e comprado um certo Vinicius Junior que, pelo menos por enquanto, não sabe chutar em gol, não tem passe preciso, não faz gol de cabeça e joga pelo equivalente ao valor de um balaio de maxixe, tendo custado milhões de euros.

Já o português, ambidestro, mortal cobrador de faltas, com impulsão incrível, foi artilheiro por onde passou e conquistou 5 vezes o troféu de melhor do mundo.

quarta-feira, março 06, 2019

Chuvas abundantes

A águas de março começaram em fevereiro. Lembro de janeiro de 1966, quando um forte temporal inundou a cidade deixando centenas de desabrigados e matando dezenas de moradores.

Alguém, muito bem-humorado, colocou na rede e circulou até chegar a minha caixa de entrada o seguinte texto:

Está chovendo tanto aqui, que...

... Crivella anuncia a construção da hidroelétrica da Praça da Bandeira.

... Na tijuca não se fala mais direita e esquerda... agora é bombordo e estibordo. 

... se a São Silvestre fosse hoje, o Cesar Cielo iria humilhar!

... depois do Airbag, os coletes salva vidas são os opcionais mais importantes nos carros do Rio de Janeiro.

... o melhor serviço de entrega no Rio de Janeiro é do Submarino.

... quem acredita que a água do mundo está acabando não mora no Rio de Janeiro.

... meu passeio ciclístico vai ser de pedalinho.

... pelo menos a CEDAE cumpriu o prometido: água e esgoto na casa de todo mundo.

... o Prefeito está trocando o bilhete Único pelo bilhete ÚMIDO. 

... o novo programa da Prefeitura: "Minha boia, minha vida"... Juntamente com o programa:  “BALSA-família”.



😂😂😂😂😂

segunda-feira, março 04, 2019

Mais sorte do que juízo


Sempre tive mais sorte do que juízo. Isso desde sempre.

Escrevo o título, que não é criação minha, e sou levado a uma reflexão. Por que ao invés de sorte não escrevo proteção?

Sim, proteção de num santo, um orixá, um anjo de guarda. Esta dúvida me assalta há nos. Se duvido da proteção de meu santo de devoção, é porque falta-me fé.

Se não tenho fé posso ser atendido em minhas preces?

E quais seriam os limites da proteção que sei que tenho?

Há anos meu carro despencou pirambeira abaixo, estando na estrada de volta de Itacoatiara.


Estrada velha de Itaipu - obtida via Google

Leve arranhão no peito, menos pela queda do automóvel e sua colisão com uma árvore, que o livrou de cair sobre uma casa modesta logo a seguir, do que pelo fato da árvore ter espinhos.

Quando o carro colidiu com a citada árvore a porta se abriu e fui atirado para fora indo parar abraçado a uma outra menor, mas igualmente espinhenta.

O arranhão, com leve sangramento, um filete, foi provocado pelos espinhos.

Ora vejam só: perdi o controle da direção num choque lateral com outro carro que eu tentava ultrapassar. O carro deslizou cerca de três metros, ladeira abaixo, e tive apenas um leve arranhão no peito, que dispensou curativo. O banho resolveu tudo.



Almoço com o MIllar, na época do acidente
O banho foi tomado na casa do Mauricio Millar, que na época morava em Itacoatiara, posto que para lá, de volta, fui levado por um jovem casal que me resgatou no pequeno penhasco onde me precipitei.

Fui protegido porque poderia ter sido mais grave  o acidente? Ou se realmente eu fosse alguém protegido o acidente não teria ocorrido?

Eis a dúvida. Quais são os limites da proteção e quando ela efetivamente se manifesta?

Não aconteceu quando imprudentemente tentei a ultrapassagem, mas evitou uma consequência mais danosa. Por que?

Na verdade tudo é fruto de destino? Do acaso? Ou da sorte, como explicitado no título?


Nota do autor: o jovem casal que me socorreu, fez mais do que me resgatar e me amparar de volta até a estrada. Perguntaram para onde queriam que me levassem, em seu automóvel, e me defenderam das crítica e imprecauções de outras pessoas que interromperam o trânsito na estrada, pela curiosidade de ver o que acontecera com o motorista irresponsável, sendo este um dos vários impropérios a mim dirigidos.
Não sei, nunca soube, os seus nomes. E nem sei se agradeci suficientemente o socorro que me prestaram.