Por
RIVA
Aos
amantes do futebol, e em especial aos reais tricolores – nada de Grêmio ou São
Paulo (rsrs), estou encaminhando abaixo uma análise perfeita de um tricolor
apaixonado* sobre o processo de apequenamento do meu time de coração.
Serve
na verdade como alerta para qualquer clube, que tem (deveria ter) como foco
principal a sua função social, o engrandecimento das suas cores e da sua
torcida.
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Desde
a saída da patrocinadora e, porque não dizer, gestora do futebol do Fluminense
na figura do Celso Barros, o Flu resolveu adotar um modelo dito de recuperação
financeira, o que na verdade, está longe disso.
Na visão da gestão do clube, nitidamente reducionista, isto significa “vamos
fazer o que der com o que houver”, trabalhar por superavit (ou redução de
deficit) financeiro.
Alguns ainda indicam isto como a única saída para a sobrevivência.
BULLSHIT !!! Não é nada disso …
O Flu é um gigante do futebol brasileiro, buscando erradamente dinheiro como
uma empresa com fins lucrativos, o que não é, esquecendo sua função social
preponderante, que é sua razão de
existir, o que realmente o sustenta.
Isso não poderia dar certo de forma alguma. Estamos falando de pelo menos 5
anos contados após a conquista do último brasileiro e, desde então, o que se
conseguiu significativamente na prática? Quase nada. Nenhuma surpresa.
A pouca ou nenhuma melhora nos malditos números, que seguem péssimos após anos
deste discurso fake de austeridade e recuperação, mas que na verdade é
basicamente desinvestimento, projeta inequivocamente um Fluminense
permanentemente em déficit e, pior, perdendo a condição de gigante ESPORTIVO
construída em 115 anos de existência.
Sim, a “bufunfa” está sumindo e ficando cada vez mais inacessível e o motivo é
simples: o Fluminense está mudando o seu “modelo de negócio” para um que o seu
cliente alvo não se interessa: passou a
ser formador de jogadores de prateleira, porque ninguém se engana que esta
exposição em massa de jogadores despreparados, subidos à fórceps, não tem o
objetivo único de colocá-los no mercado para negociação o mais rápido possível.
Pra piorar, gasta mal o que não tem, pagando salários irreais para jogadores
fracos e trazendo jogadores inexpressivos por valores altíssimos. Ou seja, o
core do Fluminense hoje não é fazer time e sim ser vitrine de açougue. Está
virando um Nova Iguaçú.
Seu cliente, o torcedor, quer futebol, time forte e títulos e só vai bancar,
ativando a matriz de receitas, a partir disso. Torcedor não comemora balanço
positivo no final do período …. e mesmo que comemorasse, nem isso teria hoje …
ou seja, mudamos o core da nossa atividade e, além de não fazermos futebol,
desvalorizamos o que temos.
E chega desta conversa de modelo do Flamengo … é preciso cair na real ! O
Fluminense não é o Flamengo, não dispõe das receitas e possibilidades que o
Flamengo dispõe e não cabe aqui, neste momento, questionar se elas ficam
disponíveis de forma justa e correta ou não para o clube da Gávea. A grana, o
cliente e os apoios fundamentais sempre estiveram lá, só faltava parar (ou pelo
menos reduzir significativamente) a sangria e a roubalheira. O modelo de um não
serve para o outro, isto é claro que nem águas caribenhas.
Querem um exemplo? Não vamos ter nunca a mídia direcionada e disposta a
alavancar a garotada na capa da frente de jornal todo dia, como fizeram com o
Vinícius Júnior, garoto que tem futuro, mas no momento com bom potencial e
só, valer 200 milhões com 16 anos …
Além do mais, com o discurso de miséria absoluta que expomos ao mercado,
ninguém valorizará os nossos jogadores. Sabem que negociaremos por muito menos.
O Fluminense tem que fazer diferente com os meios que tem: agradar o seu
cliente, o seu torcedor. Dar a ele o que ele precisa para que ele dispare a
possibilidade de criação de inúmeros produtos e serviços para seu próprio
consumo. Deus do céu, olhem os melhores clubes do mundo e verão isso! Futebol
forte gerando torcida comprada, espetáculos e entretenimentos em profusão,
produtos e serviços, patrocínios de todos os tipos, jogadores valorizados, os
bons querendo estar no clube … não
existe outro modelo viável.
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| Fluminense X Coritiba 1984 |
Não temos padrinhos, não temos mídia a nosso favor, nunca fazemos força nenhuma
neste sentido também, fato … mas quando estávamos trilhando um caminho para
reconquistar isso, num momento de disparar um processo virtuoso de crescimento,
que teve seu ápice em 2012, os grupelhos políticos fagocitários acharam que o
Fluminense estava perdendo uma suposta
autonomia sobre os seus próprios destinos. Uma profunda babaquice patológica de
achar que o Fluminense se encerra dentro das Laranjeiras e não pertence ao
mundo. Daí, começaram a fazer de tudo para derrubar o que vinha fazendo o clube
ter os seus melhores resultados esportivos da história. Em vez de comemorarem o
momento, como pessoas normais, implodiram o clube internamente … conseguiram …
Meus parabéns! O clube agora é todo de vocês. Neste caminho, vão ficar sozinhos
com ele em breve, porque os clientes torcedores estão indo embora … como li
outro dia, dito por um aspone de blog: “perdeu no voto, agora tem que aturar” …
dá ou não dá vontade mesmo de se afastar, depois de três golfadas ?
Pra não dizer que não falei das flores, só metendo o malho e não dando
alternativas, segue o que entendo como diretivas fundamentais para sair desta
areia movediça:
– Pra quem não tem padrinho ou estabilidade, não há recuperação sem
investimento e aumento de receitas. Aumento de receitas, no futebol, significa
ter time forte e torcida feliz.
– Reduzam ao mínimo tudo o que não gera receita significativa e não seja
auto-sustentável, como a atividade social (notem que sou sócio proprietário do
Fluminense e isto não me beneficia em nada). Revisem e, se possível, acabem com
projetos mal conduzidos, como o Samorin, e quaisquer outras bobagens que, mesmo
que tenham potencial, NÃO SABEMOS FAZER FUNCIONAR e direcionem TODO o
investimento para futebol profissional em primeiro lugar e na divisão de base,
por consequência.
– Um clube, assim como qualquer negócio, não pode ter apenas metas de longo
prazo. Isto para investidores, patrocinadores etc.. é visto assim como
realmente parece ser: NÃO HÁ PLANO ALGUM. Se pretendem tornar o clube atrativo,
estabeleçam metas de curto prazo, porque o resultado a longo é sempre resultado
de quick wins durante todo o período.
– Esqueçam estas mentiradas eleitoreiras de estádio, recuperação,eleição via
internet (só pensam nisso) e todas as obras politiqueiras. Não conseguem nem
tornar o estádio das Laranjeiras um lugar habitável … aquilo está quase uma
ruína, abandonado e sem gerar nenhuma receita … toneladas de espaço e dinheiro
jogados no lixo … chega a dar vontade de chorar.
– Abandonem os interesses de outros clubes e vejam somente o interesse do
Fluminense e do seu torcedor. Seria ideal que fosse outra a realidade, mas
hoje, e enquanto não evoluirmos muito aqui em Pindorama, cada um só cuida mesmo
do seu rabo e dos seus interesses. O ambiente é competitivo, tem muita grana
rolando. Ninguém vai ajudar ninguém. União em torno de objetivos definidos
comuns podem ser até válidas, mas é preciso entender as entrelinhas e afastar
riscos futuros.
– Admitam que falta competência técnica para fazer futebol, porque isso não é
pecado e enquanto ficarem achando que entendem, seguirão fechados para
aprender. Não funcionará qualquer processo de profissionalização em que
competência para a atividade core não seja o principal pré-requisito.
Organizem-se e procurem gente tecnicamente preparada para tocar e gerir o
futebol. Paguem o preço delas e paguem por resultado. Uma dica: trabalhem
eficientemente para o destino do clube assim como fazem pra criar tropa de
choque policial em blogs pra ficar batendo boca com oposição política (que
também não se mostra com postura e “know how” para resolver nada).
– Aliás, antes que eu me esqueça, FODAM-SE os politiqueiros com seus aspones
amestrados, não contribuem com nada, só emperram o clube! Despolitizem as
decisões e ações no clube imediatamente, juntem forças! Livrem-se dos que só
servem pra fazer politicagem … lugar de torcedor é na arquibancada. Na gestão
do clube, é preciso gente comprovadamente técnica e 100% dedicada. Chega de
palpiteiros de meio expediente.
– O Fluminense precisa ter time em condições de disputar para ganhar tudo que
disputa para recuperar a sua clientela. Invistam o que tiverem e, se não
tiverem nisso, busquem parcerias individuais, alternativas no mercado, enquanto
ainda temos marca. Se for necessário, procurem crédito e rolem dívida. Dívida
bem administrada e de longo prazo é sinal de saúde financeira. Administrar
financeiramente é saber gerenciar passivo de investimento.
– Não existe time campeão com onze unanimidades, mas não existe um em que não
haja pelo menos três ou quatro, assim como também não existe elenco formado por
mais de meia dúzia de jogadores de divisão de base. A relação, salvo em caso de
excepcionalidades, como estar subindo diversos jogadores acima da média, o que
não é o nosso caso, não pode passar de 20%. Divisão de base é complemento. Cada
ano que se passa nessa situação, repetindo estes erros, o caminho de retorno é
cada vez mais difícil e o clube fica menor. Ninguém está inventando nada aqui,
insisto … basta analisar times campeões.
– E, pelo amor de Deus, não tentem reinventar algo que vocês nem entenderam
ainda como funciona. Todo burro ou “sem noção” com iniciativa tem potencial de
destruição maior do que milhares de bombas de hidrogênio.
O Fluminense, senhores, não é uma startup
em busca de um modelo e uma melhor forma de negócio. O negócio do Fluminense
foi definido há 115 anos e está no seu nome. A missão do Fluminense sempre será
vencer as competiçoes que disputa. E a sua visão é fazer isso já na próxima. Todo
o direcional deve ser esse é isso que o sustentará gigante, como vinha sendo.
*Antônio Ramos
Ex-jogador,
auxiliar técnico e instrutor de futebol