Bem, se por um lado a missão do Brasil, na fase de grupos,
não será muito difícil (teoricamente), a partir das oitavas a coisa complica
uma barbaridade. De cara, na teoria, enfrentaremos Espanha ou Holanda. Que se imagina serão as duas
classificadas no grupo “B”. Em qualquer hipótese, complicado.
E o caminho projetado, até à final e ao título, podemos ter
que passar por outros campeões mundiais, segundo probabilidades consistentes:
Argentina e Alemanha. Também estas seleções elencadas como favoritas ao título.
Por falar em título, algumas das seleções na disputa não têm
nenhuma chance. Alias mesmo para classificação dento de seu grupo, a chance é
mínima. Exemplo? Costa Rica.
A Inglaterra tem hoje, indiscutivelmente, a melhor liga de
futebol. A mais bem organizada, a mais prestigiada, a mais badalada. Mas tem um
time fraco, comandada por um técnico inexpressivo, sem grandes conquistas na
carreira. Tentaram técnicos estrangeiros e não deu muito certo. Decidiram
colocar um inglês na função, mas não existe um profissional inglês vencedor,
com méritos.
Além da capacidade técnica das seleções, outros assuntos
extracampo dominam as discussões e as resenhas esportivas. As questões
geográficas e climáticas, que implicam em grandes deslocamentos, entre uma sede
e outra, o que pode ser agravado com as variações de temperatura e humidade do
ar.
Argentina viajará pouco e ficará aqui pelo sul e sudeste.
Algumas seleções terão percurso de quase 6.000 Km para percorrer na fase
classificatória. Isto pesa bastante.
Entre as duplas de ataque, destacam-se as do Uruguai, com
Luis Soáres e Cavani. A da Argentina, com Aguero e Messi (se este estiver em
forma, sozinho desequilibra), ou ainda Higuain e Di Maria. A Holanda tem Van
Persie e Robben, dois perigosos atacantes. A Espanha, é curioso, matador mesmo
não tem nenhum em boa forma, o Eduardo Costa (brasileiro naturalizado), é uma
aposta, assim como o Negredo (veterano). Isto porque o Fernando Torres
atravessa uma má fase. Iniesta, Xavi e Fabregas são mais “armandinhos”.
Nós não temos ainda, com certeza, um Fred bem física e tecnicamente.
Neste momento ele é uma incógnita. O que significa dizer que o Felipão poderá ter
problemas para encontrar o “homem de referência na área” que ele tanto gosta.
Portugal tem o Cristiano Ronaldo, que vale por dois. O que
ele anda jogando é uma barbaridade. Será, e com todos os méritos, eleito o
melhor jogador da temporada, já que o Messi teve muitos problemas de lesão e não
foi tão brilhante como nos anos anteriores.
Duas palavrinhas sobre as seleções da Croácia e da Bósnia. Como sabem estes países tiveram origem no esfacelamento da antiga Iugoslávia, o que ocorreu após a morte do Marechal Tito que conseguiu manter unidos os povos de origem croata, servia e eslovena, não obstante as diferenças entre eles.
A Iugoslávia*, ainda unida, tinha um bom futebol. Foi uma vez campeã olímpica e pelo menos três vezes vice-campeã. Naquela época o futebol no leste europeu** era amador, e por isso levavam vantagem na disputa, pois utilizavam adultos, em geral militares, contra os juvenis (nossos amadores) do Brasil, por exemplo. Assim, Hungria, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental e Iugoslávia conseguiram a taça olímpica no futebol.
Pensei em fazer uma lista das seleções que segundo meu entendimento não têm qualquer chance de conquistar o título, ou mesmo ir até a final. Mas ficaria uma lista imensa, com pelo menos vinte e duas seleções.
Por isso prefiro relacionar as dez que na minha opinião podem chegar à final: Alemanha, Argentina, Espanha, Itália, Inglaterra, França, Bélgica, Holanda e Brasil.
Notaram que listei apenas 9? Pois é, não consigo atinar que outra seleção não arrolada teria condição de caminhar até a partida final. E desta lista apenas dois países até hoje não levaram o título, Holanda e Bélgica. Isto significa que dificilmente teremos um novo campeão. Haverá repetição de vencedor.
*1
Breve histórico:
- 1918 – Da fusão de territórios do Império Turco e
Austro-Húngaro, surgiu o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos
- 1929 – A denominação muda para Reino da Iugoslávia
- 1941 – Iugoslávia foi invadida pela Alemanha
nazista e desmembrada. Na guerra de resistência contra o invasor alemão,
destacou-se a liderança da figura de Jozip Broz (TITO), Secretário-Geral
do Partido Comunista Iugoslavo e artífice da libertação do seu povo.
- Término da 2ª GM – A Iugoslávia estava devastada, o
Marechal Tito teve seu poder fortalecido, fato que causava mal-estar em
Moscou.
1945 até 1980 – Governo do ditador socialista Tito,
em sistema federalista. O território englobava 06 repúblicas e 02
províncias autônomas, pertencentes à Sérvia. Ver figura abaixo.
- 1980 – Morte de Tito. Foi instituído um colegiado,
com presidência rotativa, sem sucesso.
- 1991 - Croácia, Eslovênia
e Macedônia declaram independência. Sérvia e Montenegro uniram-se formando
uma nova Iugoslávia denominada República Federal da Iugoslávia.
- 1992 - Bósnia declararou
sua independência. Então iniciaram-se os conflitos armados.
- 1995 - Acordo de Dayton
resolveu a situação da Bósnia, transformando o país em uma confederação
formada por uma república muçulmano-croata e uma república sérvia,
separando territorialmente esses grupos.
- 2006 – Montenegrinos
optaram, em plebiscito, pela separação em relação à Sérvia. Com a
separação ficou concluído o processo de fragmentação das seis repúblicas
que formaram a antiga Iugoslávia.
**2 Trata-se de erro geográfico pois na verdade ficam no centro do continente.