Voltando à primeira infância. Vindos do Rio de Janeiro, do bairro do Andaraí, onde nasci, meus pais se instalaram em Niterói, na Rua São Diogo, 21, no bairro da Ponta D'Areia (atualmente Portugal Pequeno).
O nº 21 da rua nada mais era do que a entrada para uma vila de casas, idênticas e geminadas.
Por exemplo, a Rua São Diogo, que era de terra batida, permitia fazermos búlicas para jogar bola de gude, agora é asfaltada.
Como o trânsito era muito reduzido, à época, em razão disso podíamos jogar pelada na rua, no sentido diagonal, de sorte a que um dos gols ficava numa calçada e o outro noutra.
Para fazer as vezes de travas, aproveitávamos as árvores (Ficus e Amendoeiras) existentes nas calçadas, junto ao meio-fio, de um lado, e do outro o muro da casa alinhada.
Quase não era necessário parar o jogo, em virtude do pouco trânsito de veículos já mencionado; parávamos somente quando uma das senhores precisava atravessar a rua. Alguém gritava: Para! para! para a dona fulana passar. Isso se era conhecida dos participantes da pelada. Se não era conhecida gritavam apenas: Para! Para a "dona" passar. (verbo e preposição sem acento agudo, para não molestar a professora Rachel).
As folhas do Ficus, cuidadosamente enroladas e sopradas funcionam como apito, assobio. Sabia?
Voltarei outro dia, para tratar de costumes da época - oitenta anos passados - como por exemplo o hábito de pedir "emprestado" à vizinha, uma xícara de açúcar, ou dois ovos, coisas assim. Se faziam um acepipe, uma iguaria, levavam num pratinho para a vizinha mais chegada, que por sua vez deveria devolver o pratinho com uma guloseima.
Não era uma regra social escrita, mas consolidada pela tradição.
Vou comentar, outrossim, que os homens jogavam damas, trajando ainda, ou já, o paletó de pijama. Se eram mais de dois o jogo poderia ser dominó. Em plena rua, no nosso caso, moradores de vila sem tráfego.
Esses e outros costumes e tradições, antes do surgimento dos "arranha céus", e principalmente da televisão, computador, celular, e coisas eletrônicas do gênero, que tornaram tudo digital, afastando as pessoas de convívio presencial, abolindo o simples cumprimento: Bom dia! Boa Noite!
No prédio onde resido, que nem é tão grande, vez ou outra me deparo no elevador com alguém que não sei se morador ou visitante de alguém.
Sim, tem o fenômeno rotativo na ocupação (venda, locação), mas e os antigos, como eu que aqui resido há 48 anos que raramente encontro (nem nas assembleias)?
Onde o convívio?
NOTAS:
1. Tirante as fotos de minhas irmãs, do acervo familiar, as demais foram colhidas via Google.
2. Matéria sobre o assunto em:
.jpeg)




10 comentários:
Não pensem que acho o passado melhor (só no respeitante a idade rsrsrs), seria não valorizar avanços importantes, mas que era bom era.
Mesmo na primeira infância (até os 8 anos), vivida em tempo de guerra mundial, com restrições, escassez, racionamentos e outras mazelas, não foram anos ruins, para mim e minha família.
Nosso quintal era pequeno, mas em alternância, tivemos galinheiro, horta, tive uma preá, tivemos cachorro.
uma das minhas diversões prediletas era o jogo de botões. Ninguém, na vila, tinha a mesa de jogo, então jogava na varanda da casa que estava sempre encerada e o piso era liso.
Também não tinha os botões industrializados, eram os das capas de chuva, casca de coco, e até tampa de relógio de pulso.
Dava trabalho prepará-los, raspando com caco de vidro.
Apesar de 10 anos de diferença de idade, muitas coincidências com a minha infância. Em detalhes mesmo, como no jogo de botões no piso bem encerado da varanda, os rachas na rua, etc.
Mas para mim o passado era melhor, mais bacana, muito mais humano sem essa tecnologia hoje agregada às nossas vidas no dia a dia.
PS : sabia que búlica e búrica estão corretas ? .....poiZé....
Acabei de fazer um comentário, sem salvar, e ao final diz que houve um problema na publicação ........
Tem aí um erro na escolha da palavra. Um comentário é escrito e enviado. Fica aguardando a "moderação" do manager. Este sim, publica ou não. O que seria "problema na publicação?"
Informa a IA:
A diferença de idade que define gerações não é uma regra biológica exata, mas sim uma divisão sociológica baseada em períodos de aproximadamente 15 a 20 anos, marcados por eventos históricos, avanços tecnológicos e mudanças comportamentais comuns.
Principais Gerações e Faixas Etárias
Baby Boomers (aprox. 1946–1964): Nascidos após a 2ª Guerra Mundial. Atualmente têm entre 60 e 78+ anos.
• Geração X (aprox. 1965–1980): Nascidos durante o boom de mudanças sociais. Têm entre 45 e 59 anos.
• Geração Y / Millennials (aprox. 1981–1994/96): Cresceram com a popularização da internet. Têm entre 30 e 44 anos.
• Geração Z (aprox. 1995–2010): Nascidos na era digital e redes sociais. Têm entre 15 e 29 anos.
• Geração Alfa (aprox. 2010–2025): Nascidos com tecnologia ubíqua (tablet/IA). Têm 14 anos ou menos.
• Geração Beta (aprox. 2025–2040): Próxima geração, nascidos no futuro próximo
Como sou de 1940, qual seria minha geração? Nascituro?
Depois que escrevo um comentário, clico em PUBLICAR (tecla laranja).
Após ter feito isso, surgiu um AVISO em azul dizendo que houve um erro / problema da PUBLICAÇÃO (que só vc autoriza) - não estava escrito "problema no ENVIO".
Pelo visto nada ocorreu .......
Quanto a nossa diferença de idade (com crase tbm está correto) que mencionei, não estava/estou me referindo à gerações, apena à diferença de idade mesmo.
Por exemplo : quando tinha 14 anos e vivia na rua jogando bola, a galera de 18 anos não jogava comigo, me achava criança .... e todos nós tivemos as mesmas diversões aos 14 anos.
Apenas um exemplo.
Tudo nos conformes, caro Riva, mencionei gerações porque estão nas mídias. É geração X ou Y para lá, geração Z para cá.
Achei graça porque a minha é inominada. Nasci em 1940.
Engraçado, não sei como é no outro lado do balcão. Preciso dar um jeito de acessar e comentar como seguidor. Será diferente?
É interessante vc pular o balcão (no bom sentido, claro kkkkk) pra ver como funciona.
Não existe ENVIAR, existe tecla laranja PUBLICAR, mas na verdade quem publica é você, se concordar com o comentário.
Não sei se vc leu um livro que foi best seller, O CAÇADOR DE PIPAS escrito por um afegão Khaled Hosseini.
A história descrita é no Afeganistão, e me surpreendeu perceber que as brincadeiras das crianças lá eram as mesmas da minha infância aqui.
Postar um comentário