21 de fevereiro de 2026

A Geni (do Chico) e o STF

 Na tradição cristã pode-se pecar por pensamentos, palavras e obras, foi o que aprendi enquanto coroinha na Paróquia dos Sagrados Corações,  na Praça Camilo Pereira Carneiro, 176 – na Vila Pereira Carneiro, no bairro Ponta d'Areia, em Niterói, RJ.

Recorro a este princípio religioso para sedimentar aqui no blog meu respeito incondicional ao Supremo Tribunal Federal, enquanto instituição jurídica, guardiã dos preceitos contidos na Constituição Federal.

Nunca alimentei pensamentos  espúrios, verbalizei em desfavor, ou adotei posturas hostis contra a Suprema Corte de Justiça.

Uma Corte de Justiça independente, composta por magistrados de notável saber jurídico e conduta ilibada é essencial numa democracia.

Essas premissas, ignoradas, num ou noutro momento político, enriquecem ou empobrecem o colegiado.

Se o STF para mim é inatacável, sua composição mereceu e merece reparos quando é composta por advogado que não logrou aprovação em concurso para juiz de primeiro grau; magistrado terrivelmente evangélico (só por isso); procurador amigo e de confiança do presidente da República, a quem cabe a indicação, e assim por diante com utilização de critérios nada republicanos, ortodoxos, conservadores, isentos, criteriosos.

Nada contra adotar critério de cotas, para priorizar mulheres ou negros, desde que não sejam apenas mulheres e negros.

A composição atual é, a meu juízo, a pior desde que me formei em 1967.

Passaram por lá, entre outros, Ribeiro da Costa, Victor Nunes Leal, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva, Antônio Gonçalves de Oliveira, Lafayette de Andrada, Adaucto Lúcio Cardoso, Aliomar Baleeiro, Djaci Falcão, Thompson Flores, Eloy da Rocha, Bilac Pinto, Antonio Neder, Xavier de Albuquerque, Rodrigues Alckmim, Moreira Alves, Rafael Mayer, Oscar Dias Corrêa, Carlos Alberto Madeira, Célio Borja, Néri da Silveira, Aldir Passarinho, Sidney Sanches, Octavio Gallotti, Sepúlveda Pertence, e Paulo Brossard.

Neste período, salvo lapso de memória,  apenas três mulheres integraram a Corte: Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Rosa Weber. Também apenas três afrodescendentes ocuparam cadeiras no STF: Pedro Lessa, Hermenegildo de Barros e Joaquim Barbosa.

Entre outras decisões que ignoraram o ritual, a norma cristalizada, beirando o teratológico, cito o inquérito aberto com destinação de apurar fake news, com relator indicado, sem sorteio, ausência da PGR, e que já perdura há sete anos, sem previsão de término.

Se o STF não se autorregulamentar, não estabelecer padrões rígidos de ética e moral, não se impuser pela honra, não se der ao trespeito, com certeza um cabo e dois soldados poderão fecha-lo.

8 comentários:

Jorge Carrano disse...

A Suprema Corte americana deu uma trava na fúria tarifária do Trump, que realmente estava extrapolando seus limites constitucionais.
Lá, como aqui ocorre, teve divergência na votação. Foi 6x3.
Difícil é encontrar amparo legal, justificativa hígida, para os 3 votos de apoio a Trump.
Aqui no Brasil, nos limites de minha memória, a maior excrescência foi nosso STF aprovar, validar, o confisco das poupanças levado a efeito pelo Collor.

Jorge Carrano disse...

O STF está no papel de Geni.
"Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni"

Jorge Carrano disse...

https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/FMfcgzQfBsrxrwLQzhRkflPHKMbFSSfm

Jorge Carrano disse...

Dias Toffoli é velho tema deste blog:
https://jorgecarrano.blogspot.com/2012/09/primeira-rodada-da-acao-penal-470.html

https://jorgecarrano.blogspot.com/2014/04/opiniao-do-estadao.html

https://jorgecarrano.blogspot.com/2019/04/frustracao.html

https://jorgecarrano.blogspot.com/2023/09/ministros-do-stf-sao-odiados.html

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2012/08/22/advogados-apresentam-denuncia-contra-dias-toffoli-por-participacao-no-julgamento-do-mensalao

E várias outras postagens críticas ao ministro.

Jorge Carrano disse...

Fala de Eduardo Bolsonaro:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-10/eduardo-bolsonaro-diz-que-basta-um-soldado-e-um-cabo-para-fechar-stf

RIVA disse...

O STF é uma vergonha ...

Como Rousseau, acho que o ser humano nasce com boa ÍNDOLE, que com as experiências e educação em vida vai sendo solidificada para o BEM ou modificada para o MAL - formação do CARÁTER.

Ali nesse STF parece que a natureza inata foi modificada !

Jorge Carrano disse...

O filósofo iluminista francês Jean-Jacques Rousseau é o autor da famosa tese de que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe.
Ele argumentava que, em seu "estado de natureza" ou "bom selvagem", o ser humano é puro, livre e justo, sendo pervertido posteriormente pelas instituições sociais, desigualdades e pela civilização.
Deduzo, então, que Tarzan seria um ser humano puro, livre e justo, enquanto vivia com a Chia (Cheeta).
Teve alguma influência da Jane? Na fase "me Tarzan you Jane"?

Jorge Carrano disse...

Entre togas e exceções
Em toda a história dos Tribunais Superiores (STF, STJ, TST, TSE e STM), apenas 36 cadeiras foram ocupadas por mulheres. Os postos foram preenchidos por 29 ministras diferentes, já que algumas passaram por mais de um tribunal. O dado impressiona e revela que, mesmo no topo do Judiciário, a presença feminina ainda aparece mais como exceção do que como regra. É a balança da Justiça calibrada com pesos vetustos. (Clique aqui)
A Justiça é mulher. O tribunal, nem sempre.
Na mitologia e nas artes, a Justiça quase sempre tem rosto feminino: Têmis na Grécia, Iustitia em Roma, Ma'at no Egito. Vendada, coroada e equilibrando a balança, ela simboliza o ideal de equidade. O paradoxo surge quando saímos das esculturas e pinturas e entramos nas salas de julgamento: ali, como se viu na nota anterior, a presença física e real de mulheres ainda está longe de refletir a visão artística. (Clique aqui)
Detalhes que contam história
Se hoje parece trivial, nem sempre foi assim: até o ano 2000, mulheres não podiam entrar de calça no plenário do STF. A autorização veio naquele ano, mas o gesto simbólico só se concretizou em 2007, quando a ministra Cármen Lúcia decidiu aparecer de calça na Corte. Pequenos episódios revelam como as instituições de poder foram pensadas sem a presença feminina. No Senado, por exemplo, o banheiro feminino próximo ao plenário só foi construído em 2016, mais de meio século após a inauguração do prédio. A arquitetura do poder, como se vê, demorou a perceber que as mulheres também tinham mandato, e necessidades fisiológicas. (Clique aqui)
MIGALHAS n º 632
MIGALHAS