28 de março de 2025

Outra vez Niterói?

Como já escrito/descrito aqui, algumas vezes, meus pais se mudaram do Andaraí, bairro onde nasci, na cidade do Rio de Janeiro,  então Distrito Federal para Niterói, quando eu tinha 3 anos de idade.

Já era hetero
Meu primeiro corte de cabelo já aconteceu aqui nesta cidade, no salão do Dirceu, na Rua Silva Jardim, digamos assim rua limite dos bairros Centro e Ponta D'Areia.

As peladas eram na Rua São Diogo, onde morávamos. As balizas eram na calçada, entre uma árvore e o muro da casa. O espaço de jogo eram na diagonal, posto que a outra baliza ficava na calçada do lado oposto, também entre uma árvore e o muro da casa respectiva.

O chão era de terra batida, salvo quando chovia, quando empoçava em alguns trechos. Isso nos custava machucados nas plantas dos pés e, em especial, nos dedões.

Dentro da vila onde morávamos, com entrada através do número 21, da referida rua São Diogo, havia um espaço livre de construções que servia de quaradouro de roupas e ocasionalmente, quando disponível, para peladas. Mas neste  caso só para os moradores das duas vilas.

Fizemos até balizas e aparamos o capim de sorte a permitir jogarmos bola. Durou pouco esta utilização.

Num entrevero entre um dos moradores, que se transformou em briga corporal, um sobrinho do policial civil conhecido como Carioca levou a pior. 

Revoltado, este policial, muito impulsivo, além de criador de pássaros silvestres (tinha tá araponga) cortou e derrubou as balizas.

Bem, o tempo passou, crescemos um pouco, e nossas peladas, mais organizadas, passaram a ser realizadas no campo do Vianense, quase um estádio, que ficava na Rua Santa Clara, paralela à São Diogo.

Na foto a seguir, o local do campo do Vianense, ora edificado,  aparece delimitado no quadrado.




A partir de então, até chegarmos ao Caio Martins, em competições  colegiais, jogávamos no campo do Diário Oficial - na rua Jansem de Melo -  e, eventualmente, no bom gramado do quartel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, na Av. Feliciano Sodré.

Não tenho e nem  consegui na rede imagens destes gramados: Diário Oficial e Polícia Militar.

Consegui imagens do Rio Cricket, mas jogar lá ficou apenas como nosso sonho de consumo, nunca joguei lá.

Vejam a seguir duas fotos do clube, que permanece no mesmo local e o gramado nas mesmas condições de uso.




Bem, o Caio Martins foi a casa do Canto do Rio, nosso Cantusca, ao tempo em que disputava o campeonato carioca; e mais recentemente abrigou o Botafogo Futebol e Regatas do Rio de Janeiro.

Caio Martins
Caio Martins, de outro ângulo

A Baia da Guanabara nos separa fisicamente, mas Rio e Niterói são vizinhos fraternos e irão, até, sediar em conjunto os jogos Pan-Americanos de 2031.

Já há alguns anos temos uma ponte ligando as duas cidades, mas ainda estão em operação as barcas e lanchas que fazem a travessia.

Trecho da ponte Rio-Niterói

Mais modernas

Antigas

Tempo da Cantareira

Algumas destas embarcações antigas transportavam, também, veículos.

5 comentários:

Jorge Carrano disse...

Acho que se chamava chuca-chuca, este penteado que me fizeram usar até os três anos de idade. Dizem que era comum, e assim confio.
Minha mãe chorou quando regressei do "barbeiro" com o corte feito.

Jorge Carrano disse...

Para os mais novos que nunca ouviram falar do Vianense:
O Vianense Futebol Clube foi uma agremiação da cidade de Niterói (RJ). O “alviceleste” foi fundado na terça-feira, dia 9 de agosto de 1938.
A sua praça de esportes que ficou conhecido popularmente como “Campo do Vianense”, era na Rua Santa Clara, s/n, no Bairro Ponta da Areia, em Niterói.
Fonte: https://historiadofutebol.com/blog/?p=120811

Calf 42 disse...

Oi, Carrano.
Muito boa a sua narrativa.
Também tenho quase as mesmas recordações da infância e juventude, no que se refere às "peladas". Da rua, lembro-me bem dos meus tempos de Nilo Peçanha, no Ingá, quando fechávamos parte da mesma, para nosso "racha" diário. Colocávamos pedras ou tijolos para marcar os gols, e, também, os postes, como você menciona.
Quanto aos campos de futebol, acho que circulei em outros mais que você. Além do Vienense, do Diário Oficial, da Polícia Militar, do Caio Martins, do Rio Cricket, mencionados por você, joguei também várias vezes no Niteroiense, Ypiranga, Fluminense (da Xavier de Brito), Manufatora, Cruzeiro (Pendotiba), Grupamento Leste (Gragoatá), Aero Clube (Charitas). Se não segui a carreira de jogador de futebol, não foi por falta de campo onde jogar. É porque, realmente, não era bom o bastante para me arriscar nessa aventura.
Não posso deixar de mencionar as quadras do Liceu, onde, desde o meu primeiro ano ginasial (1953), já disputava animadas "peladas" no intervalo do recreio.
Um abraço

Jorge Carrano disse...

Valeu, Carlinhos, obrigado por confirmar e complementar enriquecendo o contexto para quem não viveu esta fase.
Nos "rachas", lembra ?, eram usadas bolas de todo tipo: de meia de nylon de senhoras, de borracha (que precisavam ser furadas para não quicar muito), e muito raramente o capotão.

RIVA disse...

Caros, boa noite. Bacana os relatos. Esse lance dos rachas de rua eram todos da mesma forma, independente de bairro, cidade, etc .

Lembro minha surpresa ao ler o bom livro O CAÇADOR DE PIPAS, cuja estória se passa no Afganistão, da incrível semelhança das atividades no dia a dia das crianças e jovens com as nossas.

E as bolas de couro, costuradas, pesadas ? Geralmente não eram utilizadas nos rachas de rua.