27 de agosto de 2016

Vai Thiago ... vai Thiago ... vai Thiago!!!

E ele foi. Só que foi outro Thiago. O mais desconhecido, o menos cotado para medalha.

Thiago Braz, recordista com 6,03 metros

Thiago Braz, o que foi
Tirante os apaixonados pelo atletismo, que acompanham todas as competições nacionais e internacionais, mesmo das categorias juvemis, o que não é meu caso, muito pouca gente conhecia o Thiago Braz, medalha de ouro e recordista olímpico no salto com vara.

O pessoal do ramo, como a campeoníssima atleta  russa Yelena Isinbayeva, não ficou surpreso. A saltadora, impedida de participar pelas suspeitas de doping, senão pessoal, pelo menos de algumas categorias de atletas soviéticos, disse não se surpreender com o desempenho do Thiago. Como uma deferência à mulher e grande recordista da modalidade, vou fingir que acredito. O francês, aquele sim que nos comparou aos nazistas, era tido e havido como favorito ao ouro.

Yelena Isinbayeva

E exatamente por conta deste impedimento da Yelena é que supunha (eu e muitos outros brasileiros), que  Fabiana Murer estaria no pódio, senão com a medalha de ouro, pelo menos uma prata ou mesmo um bronze. Mas qual o quê. Três oportunidades, em diferentes edições,  e nada, ao contrário do Diego Hipólito, por exemplo, que desta vez não destoou, não decepcionou a não caiu de bunda no chão. Parabéns para ele pela perseverança e pela volta por cima.

Anunciando aposentadoria, após três olimpíadas

Fabiana Murer


Por falar em decepção lembro do nosso vôlei feminino de quadra. Bicampeã olímpica, a caminho de um tricampeonato que só a célebre equipe cubana conquistou, a seleção nacional desandou inexplicavelmente. A equipe chinesa é tão superior a nossa que seria impossível ganhar daquelas  magricelas? Diria que não enfaticamente. A técnica chinesa Lang Ping deu um nó no time do José Roberto Guimarães, a quem admiro por sua história esportiva. É um vencedor, mas não conseguiu tirar da equipe desta olimpíada a intensidade e foco necessários para vitória.

Esta ex-jogadora, considerada a melhor jogadora de voleibol do século, uma espécie de Pelé ou Michael Jordan do voleibol, conseguiu a vitória com uma equipe jovem, todavia muito determinada. Com uma defesa fantástica, à moda oriental. A bola não cai.

Lang com a camisa dos USA seleção que já dirigiu
Fiquei decepcionado com a derrota, pois era uma medalha quase certa, mas perdôo as meninas por seu passado vitorioso. Diferentemente das jogadoras de basquete que entraram e saíram da competição sem uma única e mísera vitória. Desempenho pífio, como sói acontecer desde que Hortênsia, Paula e Janeth, só para citar algumas, deixaram as quadras.

Os baianos Isaquias Queiroz, da canoagem de velocidade, e Ronaldo Conceição, do boxe, fizeram bonito e surpreenderam. A dupla masculina no vôlei de praia também fez o dever de casa e ganhou com méritos.

Muito bonito fez o vôlei masculino de quadra, cuja equipe permitiria destacar vários nomes, mas presto minha homenagens a todos (inclusive a comissão) na pessoa do técnico Bernardinho. Um personagem que merece destaque nas antologias do esporte. Alguém, com uma verve mais erudita e mais hábil no manejo das palavras, que não eu, certamente lhe fará justiça. 

Também surpreenderam, pelo menos a mim, as medalhas do futebol e do tiro. No futebol porque tínhamos um curriculum de vices, com equipes até tecnicamente superiores em edições passadas dos jogos olímpicos e morremos na praia perdendo para países com menos tradição. Esse time, agora vencedor, era muito chinfrim. A sorte ajudou.

E no tiro porque nossa tradição é de bala perdida e não direcionada a alvos específicos, se me permitem a piada pronta, mas inevitável. 

16 comentários:

Carlos Lopes disse...

Muita boa sua apreciação, Carrano. E, quase na mesma linha, escrevi algo semelhante a respeito da atuação do Brasil nas Olimpíadas. O vôlei feminino e a Fabiana Murer, que eu também considerava como medalhistas praticamente certos, nos decepcionaram. Enquanto isso, o Thiago Braz, o Felipe Wu, o Izaquias Queiroz, o Robson Conceição, até então desconhecidos (pelo menos para mim) foram as agradáveis e vitoriosas surpresas. Gostei do título "VAI THIAGO...". Realmente, o Thiago que foi, foi o outro, o Braz e não o Pereira. Entendo a frustração da mãe do último, que celebrizou o grito de "VAI THIAGO",tentando incentivar o filho desde o início de sua carreira. Pai e mãe são assim mesmo... torcem desesperadamente pelos filhos, não conseguem entender que eles também têm seus limites e que a torcida ajuda, mas não faz ganhar competições...

Jorge Carrano disse...

Obrigado, Carlinhos.

Jorge Carrano disse...

Volto para complementar, concordando com a opinião do Carlos Lopes, os pais torcem e sofrem pelos filhos.

Carlos Lopes disse...

Também complementando, Carrano: eu torci e sofri com um dos meus, que tinha toda a pinta de futuro craque: foi campeão de Niterói e São Gonçalo, pelo Canto do Rio F.C., no futebol de salão: eu e outros pais fanáticos nos unimos, criamos uma ala que discordava da política do clube em relação ao futebol, e fundamos o "INDEPENDENTE", para vermos nossos filhos jogarem em um nível superior. Compramos camisas, calções e meias para os filhos (aqueles que não tinham condição de pagar eram subvencionados por nós), fizemos várias excursões pelo interior do Estado, alugando ônibus e outras maluquices. Realmente, os times, nas várias categorias (mirim, infantil e juvenil) eram muito bons (impressão de pai). O teu Vasco da Gama, ouvindo falar do INDEPENDENTE, abriu as portas para nós (já que o Botafogo, meu clube, onde eu era conselheiro na época, não tinha o futebol de salão). Ali disputamos dois campeonatos pelo Vasco, de onde saíram o Gelson Baresi, o Pedrinho, Felipe e alguns outros (todos contemporâneos do meu filho) para o futebol de campo. O sacrifício de nós, pais, era muito grande. Levávamos os filhos para os treinos noturnos durante a semana no Vasco e para os jogos do campeonato carioca, nos vários clubes do Rio de Janeiro e da Baixada. O "meu" craque achou que era muito desgastante a vida de jogador profissional, preferiu continuar os estudos e hoje é professor da UFRJ. Mas, continua botafoguense...

Ana Maria disse...

Também me frustrei com alguns resultados. Veja que nem me refiro a desempenho.
Contava com ouro no voley de quadra feminino e no de praia com Larissa e Talita; na vela com Scheidt e pelo menos uma na ginástica.
Depois, observando o desempenho, cheguei a acreditar no futebol feminino. Estavam bem, prinipalmente se considerarmos que não existem ligas neste esporte no Brasil. A grande maioria das atletas jogam no exterior e não treinam juntas em muitas ocasiões. Quis o destino que um penalti nos tenha eliminado. Melhor sorte teve o masculino que após campanha medíocre, conseguiram chegar às finais graças a vitória sobre Honduras - classificada no ranking da FIFA em 84° lugar.

Jorge Carrano disse...

Caro amigo Carlinhos,
Meus dois filhos nunca jogaram futebol. Falo de jogar mesmo, não apenas entrar em campo ou na quadra.

Numa olimpíada interna no São Vicente de Paula, colégio onde estudaram, assistindo a um jogo da série do mais velho (Jorge), quando houve um penalti a favor da equipe dele, tive que ouvir um comentário de arquibancada: "cacete, quem vai cobrar é aquele número cinco".

Pô nem sabiam o nome dele, virou o nº 5.

Até hoje, nas reunioões de família rememoro este fato que entrou para nosso folclores.

Bem, só pra encerrar, pelo menos ele chutou de bico e fez o gol.

O outro é colega de seu filho, virou doutor e é professor na UFF. Joga bem xadrez e videogame.

Mas ambos são vascaínos.

Carlos Lopes disse...

Talvez seja apenas coincidência: os meus são todos botafoguenses, os seus vascaínos... Por essas e outras, compreendo muito o fanatismo da mãe do Thiago Pereira, da natação... Talvez projetemos em nossos filhos aquilo que gostaríamos de ter sido...

Ana Maria disse...

Desculpem meus erros de portugues e digitação, muitas das vezes não leio antes de postar. Tem um de concirdância que o Riva não vai perdoar. Rs

Riva disse...

Rsrsrs Ana, não se preocupe. Estou treinando muito, mas muito mesmo, para parar com essas observações, até porque uso tanto o Twitter que acabo incorporando a forma de escrever dos seus usuários kkkkkkkkk.

Isso sem falar que escrever parece estar com os dias contados. Ainda vamos teclar por algum tempo, mas tudo caminha para captura de voz transformando em texto.

Sou um dos felizardos que assistiu ao vivo a conquista do Thiago Braz. Sensacional, emocionante, corajosa a estratégia. Sem dúvida, para mim, a mais significativa entre todas.

PS1: para quem curte literaturas sobre a 1ª Guerra Mundial, recomendo o livro A ÚLTIMA VIAGEM DO LUSITANIA, de Erik Larson.

PS2: Uma das coisas legais desse meu retorno ao Centro do Rio foi sem dúvida voltar a utilizar o transporte marítimo Rio-Niterói. 40 minutos diários para a leitura dos meus livros !

PS3: Cris Van Borg (como Cristóvão Borges é chamado no Twitter) não vai durar no Corinthians assim .... mais uma pífia apresentação. Macaca 2x0 !!

PS4: Fomos nos FoodTrucks do Campo de S Bento hoje. Traçamos arroz de camarão, ravioli de lagostim, espetinho de alcatra, batatas fritas "belgas" e arroz de bacalhau. Tudo muito gostoso mas ..... caro. Mas valeu !! Recomendamos.





Jorge Carrano disse...

Riva,
A Premier League já está na terceira rodada, para minha alegria.
Hoje teve jogo do Chelsea, do Liverpool, do Arsenal, do Tottenham, do Everton, do Manchester United e do atual campeão o Leicester, contra figurantes de bom nível.
Os canais ESPN transmitiram três dos jogos de hoje. Pratos cheios de futebol de primeira. Não pratos feitos do campeonato brasileiro.
Amanhã terá Manchester City. E dia 9 de setembro Mourinho X Guardiola, revivendo os confrontos Real Madrid X Barcelona quando eles andavam pela Espanha. Atualmente estão no Manchester United e no Manchester City, respectivamente.
O Antonio Conti vai muito bem a frente do Chelsea, com 100% de aproveitamento.

Jorge Carrano disse...

Desculpem mas não posso torcer para um time (do coração), que tem Leandrão, Aislam, Eder Luiz e outros pernas-de-pau que dão dó vendo em campo.
Do atual elenco do Vasco, só livro a cara de Andrezinho e Luan, que jogariam em meu time no par ou impar.
Não livro a cara nem do nosso goleiro tão badalado e que não sabe dar um chute em linha reta, a bola queima aos pés dele, e não sabe sair do gol. Debaixo do travessão vez ou outra defende bem.
É de dar dó ver o Vasco em campo.

Riva disse...

Voltaremos hoje nos FoodTrucks ! hehehe

Quanto ao campeonato inglês, estou curioso para checar a performance do Leicester, mas ainda é muito cedo. E também do City com Guardiola.

Lindo domingo de sol.

Jorge Carrano disse...

Lindo mesmo. Sentei num dos bancos do calçadão, na confluência das praias de Icarai e FLexas e, como de hábito fiquei observando as tartarugas e as gaivotas com seus mergulhos precisos, enquanto quarava ao sol.

A comprometer a caminhada depois, apenas a propaganda politica dos militantes remunerados com seus panfletos e bandeiras desbotadas.
Terceiro mundo é pouco para definir.

Riva disse...

... e sujando a cidade. Eu não pego nenhum panfleto. Brabo é quem pega e joga no chão depois.
Concordo: 3º é pouco !

Jorge Carrano disse...

Acho que se tem alguém que escolhe seu candidato com base num folheto que pegou na rua, deveria ter seu titulo de eleitor cassado, pois trata-se de alguém pouco menos do que um idiota.

E o pior, o que me deixa mais desiludido, é que esta prática deve dar resultado a julgar pelo número sempre crescente de pessoas fazendo panfletagem nas ruas e praças.

GUSMÃO disse...

E ninguém "pegou" zica durante a olimpíada.