Por
RIVA
O título significa mesmo que minha vida está atrelada
à música. Foi devido à inserção da música na minha vida, desde cedo, que
cresci, aderi a conceitos, formei minha personalidade, fiz amizades, continuo
fazendo, e sou o que sou hoje, um eterno Peter Pan, graças a essa linguagem
universal – a MÚSICA.
Tudo começou com a cegueira da minha mãe, que decidiu
que eu e meu irmão teríamos que aprender piano, para tocar para ela. E assim
foi, acho que com uns 8 anos de idade (Freddy deve confirmar datas). Foi assim
a inserção nesse mundo, através da música clássica e estudos de teoria musical
e canto coral.
Sei que o foco não é esse, como tudo começou, mas é
importante para entendimento geral. Estudei (fui obrigado) 5 anos de piano
clássico e teoria musical, fiz 6 meses de piano não clássico (popular), 2 meses
de violão (abandonei porque o professor era uma mala sem alça – lecionava
dentro da Mesbla, antiga loja de departamentos de Niterói) e 3 anos de
acordeão.
Um dia, olhando a banca do jornaleiro que me abastecia
de gibis há trocentos anos, vi um livrinho interessante – violão sem mestre.
Comprei (nessa época tínhamos uma mesada do “velho”, que não sei que valores
eram). E aprendi a tocar violão sem professor. Aprendi não, apaixonei-me pelo instrumento
!
E então,
aconteceu ..... Beatles, Stones, Big Boy todos os dias, Jovem Guarda, anos 60 ingleses
e americanos ! Um verdadeiro tsunami, como diriam hoje em dia.
Esse convívio com a música existe até hoje, com meus
62 anos de idade, meus filhos também. Afinal, foram criados num ambiente
musical, todos os dias. Nossa casa sempre teve instrumentos musicais, sempre
teve música “na vitrola” e ao vivo, tocando com meu irmão e amigos nos fins de
semana.
Tivemos até uma banda de rock (Reino de Magog), de 1983
a 1986, no auge da MALDITA FM de Niterói, uma rádio que lançou grandes nomes
como Capital Inicial, Ultraje a Rigor, Kid Abelha, Marisa Monte e sua banda
Rumo, Paralamas, Celso Blues Boy, e muitos outros. Não tivemos sucesso no
mercado ....éramos muito amadores, e não tínhamos grana nem empresários nem
contatos no mercado. Bem que tentamos, e como ...
Ficaram quase 10 horas de
gravações e recordações do grupo.
Mas voltemos ao passado, às coisas marcantes, às
tatuagens, às cicatrizes. Como bom engenheiro, cartesiano “sometimes”, vou
tentar classificar as preferências. Muito difícil essa tarefa do meu amigo
Carrano, porque tivemos períodos de influências diversas em nossas vidas, e, ao
final, aos 60 anos, você tenta filtrar para tentar saber o que marcou mesmo
.......
Naquela fase
dos 12 aos 15 anos – 64 a 67 :
Sem dúvida, Beatles
demais, tudo ! Um pouco dos Stones, e muita
Jovem Guarda também.
Marcante nos bailes ? Todo o álbum RUBBER SOUL dos
Beatles, Je t´aime, músicas do Roberto Carlos, do Renato e seus Blue Caps.
1968 : Surgiu na minha vida um tal de Simon & Garfunkel, trazido dos States por um amigo do meu irmão
Freddy, Carlos Jairo, que fez um intercâmbio em casa de família americana. Aquele
som e a viagem do Carlos jairo viraram a minha cabeça. Os detalhes que ele me
contou da viagem me piraram totalmente. Decidi que também iria viajar para os
EUA em intercâmbio.
Sem meus pais saberem, tratei de todos os
procedimentos para a viagem de intercâmbio (entrevistas, provas de inglês), até
o momento em que precisava da autorização e grana deles para viajar. A conversa
foi “longa”, mas consegui a autorização, a compra das passagens, e a grana para
viajar.
1969 : A viagem para Baltimore foi um divisor de águas em
minha vida, em todos os sentidos, inclusive musical. Difícil escrever sobre
isso .... os EUA viviam sob o impacto da guerra do Vietnam, do Flower Power,
muita música !!!
Teve um “baile” que fui numa universidade em Salsbury,
e a banda que estava tocando era o Greatful
Dead, na minha frente, ali, como se fosse um daqueles bailes no Central, no
Pioneiros de Niterói ..... como eu ia explicar isso aos meus amigos ?????
Conversei com Jerry Garcia (já falecido) no intervalo, depois troquei cartas
com ele durante meses ! Dá pra perceber a porrada na minha cabeça niteroiense ?
Isso sem falar que na viagem de ida para os EUA, fomos de São Paulo a Lima
(Peru) no avião, com Mick Jagger e Keith Richards tocando violão por quase 3
horas para nós !!!
![]() |
| Greatful Dead |
Passava as tardes nos States, quando chegava da Curley High School, ouvindo a rádio FM
local, gravando músicas com um gravador que comprei assim que cheguei lá
....tenho essas gravações até hoje !!!!!!! E ali conheci inúmeras bandas.
Músicas marcantes dessa fase :
Crimson & Clover (arrasadora), Everyday people,
tudo do The Doors, Son of a preacher man, Dizzy, Magis Carpet Ride, muita coisa
dos Bee Gees, Magic Bus (The Who), The Rascals, Jose Feliciano, etc, etc….
E foi nessa época que conheci aquilo que,
musicalmente, mudou minha vida : LED
ZEPPELIN.
![]() |
| Led Zeppelin |
Muitas
coisas vieram depois, ainda em 69 e 70 : Jimi Hendrix, Janis Joplin, Mutantes, Deep Purple, Grand Funk Railroad,
Black Sabbath .... poderia ficar o dia inteiro aqui mencionando tudo que me
impactou ! Tem as famosas “mela-cueca” como A WHITER SHADE OF PALE. E comecei,
discretamente a compor.
Veio então uma espécie de calmaria, uma calmaria chamada ISA ..... sim, me
acalmou, musicalmente inclusive. Comecei a compor, muito mesmo, quase 50
músicas e letras, apaixonado. Muita criatividade. Qualquer coisa, qualquer
movimento era inspiração para compor alguma coisa.
Não sei dizer hoje as músicas que nos marcaram, porque
acho que foram muitas – lembro que teve fase do BREAD, do CARPENTERS, do CAT
STEAVENS, RITA LEE, algumas músicas carro-chefe de novelas da GLOBO na época.
Momentos entre nós, momentos de músicas infantis com nossos filhos.
Mas comigo, pessoalmente, a cicatriz, a tattoo sem dúvida é BEATLES e LED ZEPPELIN. Com certeza ....











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