A postagem do Carlos Lopes Filho (Calf), ou Carlinhos para alguns sobreviventes contemporâneos do Liceu Nilo Peçanha, sobre comparações descabidas, acabou por me oferecer um mote para esta matéria de hoje, que encerra (por ora) o ciclo futebol.
Contratar um substituto ou comemorar e enaltecer o aparecimento de um novo fora de série era uma forma de comparar. Pouco mais ou menos, claro. Buscar um substituto implicava conseguir alguém de mesmas característica, habilidades e desempenho.
Foi assim, por exemplo, quando o Vasco perdeu o Vavá para o Palmeiras. Era premente contratar um novo artilheiro, com características de combatividade e faro de gol semelhantes ao do centroavante campeão mundial.
O Vasco foi além, foi ao extremo na busca pela substituição. Foi ao Nordeste, região de origem, na esperança de que lá encontraria o substituto a altura.
Trouxe de lá um certo Pacotí. Quem se lembra? Não deu certo e a busca continuou; vieram Oswaldo e outros testados e reprovados. Até o Wilson Moreira, de linhagem de técnicos consagrados. Quem solucionou em parte o problema foi o Delém, de quem não tínhamos referências. Mas não foi o "novo Vavá".
Delém foi um bom centroavante e propiciou a um certo narrador apregoar seu gols com uma tirada interessante (para nós vascaínos). Gritava ele - o narrador: "Delém, delém, delem, bate o sino da matriz de São Januário". Era gol do Gigante da Colina.
Substitutos ou "novo Pelé" surgiram muitos. Todo neguinho habilidoso que fazia gols virava um novo Pelé. Muitas frustrações, obviamente. Pelé é único, como Michel Jordan, como Senna, como Da Vinci, como Shakespeare, se me permitem a exagerada e eclética prateleira.
Alguns jogadores tiveram estilos semelhantes, e resultados práticos consistentes. Cito por exemplo Walter (Marciano de Queiroz), comparável ao Rubens (Dr. Rubis), do Flamengo. Dirceu cujo papel em campo o aproximava de Zagalo. E paro por aqui.
E há casos em que aquele que seria o substituto supera o substituído. Tipo discípulo que supera o mestre. Mas sem comparações, cada qual com suas competência, habilidade, arte.
Nem a genética assegura transferência de habilidade, talento e vocação, pois que se assim fosse o filho de Pelé iria além de um goleiro razoável e nada mais.
São poucos os casos de herança de habilidade técnica. Lembro de poucos casos. Os filhos do Zico, do Bebeto e do Roberto Dinamite, só para exemplificar, não vingaram e não atingiram o sucesso deles.
Um caso, em particular, chama minha atenção. O Thiago Alcântara joga melhor do que o pai -campeão mundial - o Mazinho.
Comparações são perigosas, por vezes odiosas, por vezes pretenciosas se quem compara não tem cabedal para avaliar e julgar.
Quem foi melhor, quem deixou mais ensinamentos? Sócrates, Platão ou Aristóteles?
Pelo conjunto da obra sou mais Pelé do que Maradona.
#tenhodito.


