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30 de novembro de 2020

Um substituto para ...

 

A postagem do Carlos Lopes Filho (Calf), ou Carlinhos para alguns sobreviventes contemporâneos do Liceu Nilo Peçanha, sobre comparações descabidas, acabou por me oferecer um mote para esta matéria de hoje, que encerra (por ora) o ciclo futebol.

Contratar um substituto ou comemorar e enaltecer  o aparecimento de um novo fora de série era uma forma de comparar. Pouco mais ou menos, claro. Buscar um substituto implicava conseguir alguém de mesmas característica, habilidades e desempenho.

Foi assim, por exemplo, quando o Vasco perdeu o Vavá para o Palmeiras. Era premente contratar um novo artilheiro, com características de combatividade e faro de gol semelhantes ao do centroavante campeão mundial.

O Vasco foi além, foi ao extremo na busca pela substituição. Foi ao Nordeste, região de origem, na esperança de que lá encontraria o substituto a altura.

Trouxe de lá um certo Pacotí. Quem se lembra? Não deu certo e a busca continuou; vieram Oswaldo e outros testados e reprovados. Até o Wilson Moreira, de linhagem de técnicos consagrados. Quem solucionou em parte o problema foi o Delém, de quem não tínhamos referências. Mas não foi o "novo Vavá".

Delém foi um bom centroavante e propiciou a um certo narrador apregoar seu gols com uma tirada interessante (para nós vascaínos). Gritava ele - o narrador: "Delém, delém, delem, bate o sino da matriz de São Januário". Era gol do Gigante da Colina.

Substitutos ou "novo Pelé" surgiram muitos. Todo neguinho habilidoso que fazia gols virava um novo Pelé. Muitas frustrações, obviamente. Pelé é único, como Michel Jordan, como Senna, como Da Vinci, como Shakespeare, se me permitem a exagerada e eclética prateleira.

Alguns jogadores tiveram estilos semelhantes, e resultados práticos consistentes. Cito por exemplo Walter (Marciano de Queiroz), comparável ao Rubens (Dr. Rubis), do Flamengo. Dirceu cujo papel em campo o aproximava de Zagalo. E paro por aqui.

E há casos em que aquele que seria o substituto supera o substituído. Tipo discípulo que supera o mestre. Mas sem comparações, cada qual com suas competência, habilidade, arte.

Nem a genética assegura transferência de habilidade, talento e vocação, pois que se assim fosse o filho de Pelé iria além de um goleiro razoável e nada mais.

São poucos os casos de herança de habilidade técnica. Lembro de poucos casos. Os filhos do Zico, do Bebeto e do Roberto Dinamite, só para exemplificar, não vingaram e não atingiram o sucesso deles.

Um caso, em particular, chama minha atenção. O Thiago Alcântara joga melhor do que o pai -campeão mundial - o Mazinho.

Comparações são perigosas, por vezes odiosas, por vezes pretenciosas se quem compara não tem cabedal para avaliar e julgar.

Quem foi melhor, quem deixou mais ensinamentos? Sócrates, Platão ou Aristóteles?

Pelo conjunto da obra sou mais Pelé do que Maradona. 

#tenhodito.

15 de maio de 2012

Reencarnação


 Por
 Riva52





Estou plenamente convencido de que não existe reencarnação .... desistam, aqueles que acreditavam !

Quando meu pai faleceu em 1982, comecei a me interessar pelo assunto, acho que na tentativa de tentar entender a “justiça divina” .... como um cara tão bom de coração como meu pai, que teve uma vida inteira dedicada a todos menos a ele próprio, pôde partir tão cedo sem curtir pelo menos os seus netos e netas ? Sem curtir uma boa aposentadoria, viajar um pouco pelo lindo planeta azul ...

E aí mergulhei em estudos, textos nacionais e estrangeiros, palestras, devorava livros sobre o tema, cheguei a participar de algumas reuniões específicas, digamos, etc, etc, etc ....

Imagem Google

E por que está mais que provado que não reencarnamos ?

Hoje despertei para o assunto depois de ouvir o comentário do Jabour, engarrafado na infernal tentativa de ir de Niterói para o Rio pela Ponte.
Falou ele sobre a incrível queima de arquivo no processo contra os autores do assassinato do prefeito Celso Daniel. Já mataram 7 ou 8 envolvidos ... até um garçon que serviu o prefeito num restaurante pouco antes da sua morte foi “queimado”. Só falta o próprio mandante se suicidar !

E por que queima de arquivo ?
Porque neguinho já mais (não é jamais) que descobriu que não tem nada “lá do outro lado”, que não existe essa de voltar sob a forma de um gnu ou de uma anta de orelhas peludas se fizer alguma sacanagem em vida .... que não corre o risco de retornar ao planeta azul como uma mosca, pra pousar na merda por 24 horas e desaparecer, não há nenhuma possibilidade do “queimado” se vingar numa outra vida, enfim, os caras não são otários !

Descobriram que basta um teco na cabeça que o incauto simplesmente desaparece da face da Terra e pronto ! Acabou pra ele ...um abraço, 7 palmos de terra em cima, esposa, filhos, amigos, cachorro chorando, e daqui a algumas semanas tudo volta ao normal, até porque tem que voltar ....vida que segue !

Ah, e mais, impunidade .... essa é a melhor parte ..... apenas 0,8% desses crimes são solucionados, e mesmo assim, vale a pena mandar o cara pro buraco, porque daqui a pouco o cara está livre, ou matando de novo devido a um indulto de Dia das Mães, mesmo sem ter mãe nenhuma ....

FATO : esqueçam esse mimimi, esse papo furado de reencarnação ..... VIVAM INTENSAMENTE O PRESENTE ! esqueçam o passado e o futuro !!!! se afastem de quem te embrulha o estômago .... sejam generosos, sempre, sempre ..... curtam suas famílias e seus amigos do peito nessa breve passagem pelo lindo Planeta Azul.

Nota do editor: Celso Augusto Daniel foi prefeito da cidade paulista de Santo André, eleito pelo Partido dos Trabalhadores. Foi assassinado em 2002, e entre os suspeitos encontravamam-se bandidos comuns e políticos, o que quase vem a ser redundância. Desde o início das investigações 15 pessoas, direta ou indiretamente ligadas ao caso, e que poderiam testemunhar, foram assassinadas ou morreram misteriosamente. O julgamento de alguns acusados já teve início.(Jorge Carrano).

28 de novembro de 2011

Novos tempos

A internacionalização do futebol, criou situações no mínimo inusitadas. No jogo de quarta-feira, pela Liga dos Campeões da Europa, entre o Manchester United (Inglaterra) e o Benfica (Portrugal), havia um único jogador de nacionalidade portuguesa em campo... no Manchester. Com efeito, apenas o Nani, do Manchester, é português, na equipe portuguesa só havia estrangeiros.

No outro dia, o cantor/compositor Lenine, entrevistado por um naipe de mulheres, a cada pergunta iniciava a resposta dizendo: “cara”, isso assim, assim...

No meu tempo de moleque a gente se referia aos nossos iguais, juvenis, como “cara”, mas somente em relação aos meninos, nunca as meninas. Podia ser alguém indefinido, tipo, “o cara ficou todo ferido na briga”.Agora vejo, chocado, que mulheres são tratadas como “cara”.

Isto me remete a um comentário bem apropriado do Cetano Veloso, nestes tempos de politicamente correto. Disse ele: “Neguinho entende quem é lendo aquilo... no Brasil “neguinho” quer dizer todo mundo, qualquer um, a agente”.

Quem não ouvia alguém dizer “neguinho pensa que é mole, mas não é não”.

Realidade brasileira, veja se não é verdade.

 

 
Imagem tirada do YouTube

16 de abril de 2010

Afrodescendentezinho da Beija-flôr

Não é politicamente correto chamar o negro, de negro. Coisa tão idiota quanto dizer que alcancei a terceira idade, agora que estou completando 70 anos. Me poupem, por favor.

Importamos o sintagrama* afrodescendente, e utilizamos indiscriminadamente, colocando em segundo plano a nacionalidade brasileira de gente como Joaquim Barbosa (ministro do STF), Pelé, Zeca Pagodinho, Thais Araújo ou Helio de La Penha, e um enorme contingente de brasileiros (e são milhões), que têm orgulho da nacionalidade brasileira.

Ora, em todo o mundo o afrodescendente seria, antes de tudo, e em primeiro lugar, um descendente do continente africano ? Antes de ser americano, o Tiger Woods se considera africano? E o Morgan Freeman, o Michael Jordan? E o presindente Obama?

Este modismo, a meu juízo, só faz acentuar a questão racial. Estas pessoas citadas são, com muito orgulho, brasileiros e americanos, antes de serem descendentes de raças africanas, com toda certeza.

Os próprios negros são, em parte, culpados ao criarem ou apoiarem movimentos e/ou idéias absolutamente inadequadas, tais como “black power” ou “black is beautiful”. E nós importamos estas expressões lingüísticas que têm como pano de fundo acentuar a raça negra.

Nesta linha ridícula, do politicamente correto, o Neguinho da Beija-flôr deveria passar a ser conhecido como “Afrodescendentezinho da Beija-flôr”.

E antigas canções populares deveriam ter seus versos refeitos, eis que não seria poticamente correto cantar:
“A nega do peito é aquela
Que faz o feijão costumeiro
Não vou mudar de mulher
Só porque ganhei dinheiro”

Ou ainda:

“Nega do cabelo duro,
Qual é pente que te penteia
Qual é pente que te penteia
Óh, nega”

Será que o Ary Barroso mudaria os versos de seu grande sucesso, que continha os versos:

“Nego tá moiado de suor
As mão do nego tá
Que é calo só.
Trabaia, trabaia nego”

Alguma vez o Pelé se sentiu humilhado ou discriminado, quando ainda atuava nos campos de futebol, por ser chamado de “Negão” pela grande maioria dos narradores e comentaristas esportivos? Mais do que uma alusão a cor de sua pele, tornou-se um qualificativo de genialidade. O “negão” era sinônimo de Pelé, por sua vez apelido do Edison.

Tudo isto é coisa de pseudointelectuais, que à falta de brilho para coisas mais profundas, inventam baboseiras tais como luso-brasileiros, os franco-brasileiros, os teuto-brasileiros, e outros que tais. Ou seja, genuinamente brasileiros, somente teríamos os tupis e os tapuias. E outras tribos indígenas.

Nunca me passou pela cabeça intitular-me italo-brasileiro, embora tenha ancestrais nascidos na península itálica.

* Segundo o Aurélio: E. Ling. O resultado da combinação de um determinante e de um determinado numa unidade lingüística hierarquicamente mais alta, que pode ser uma palavra (p. ex.: vanglória, em que vã é determinante de glória).
- No caso acima, o “afro” seria o determinante, e brasileiro ou americano seriam secundários.