8 de dezembro de 2017

NOVO MURAL II

O Mural ficou abarrotado. 

Então resolvi abrir novo espaço para assuntos aleatórios e recados.

Deixe seu pitaco, sua mensagem, seu pedido, seu convite.

Comente, por exemplo, duas coisas prováveis:
1) Lula será preso mais dia menos dia.
2) O Fluminense cairá para a segunda divisão (rsrsrs).

Nota do autor: este mural é uma continuação do que está no link abaixo, já sem espaço:
https://jorgecarrano.blogspot.com.br/2017/10/novo-mural.html

6 de dezembro de 2017

Dilma, inigualável

Certa feita o Comandante Paulo Pessoa, que dava aulas de matemática preparando jovens para os exames de acesso às escolas militares de formação de oficiais (Colégio Naval, Escola Preparatória de Cadetes do Ar e Academia Militar de Agulhas Negras), depois que um determinado aluno cometeu um erro primário, perdendo a paciência (coisa comum) falou: "Fulano, você é um caso único de quadrúpede. Não será possível encontrar outro para formar parelha com você."

Lembrei deste fato ao rever uns vídeos antigos, com falas da ex-presidente Dilma.

Assistam:



Tem mais, é só pesquisar, pois o repertório é vasto:


Inclusive poliglóta

Francês



                                 
                                    Inglês




                                  Portunhol

                                 
Provocando gargalhadas.



Filosofando:



Eu bebo sim, e daí?

                          

Todos estes vídeos estão disponíveis no YouTube.

E aqui neste link:
https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/1605209195b0f3b4?projector=1

Uma coisa é certa. Ela não tem senso de ridículo, para o bem e para o mal.

5 de dezembro de 2017

Confissões na decrepitude

Por vergonha, e para não dar mau exemplo aos filhos, guardei comigo, à sete chaves e durante anos, algumas ignomínias, malfeitos, vexames e atos pouco nobres, alguns dos quais me arrependo.

A despeito deste passado normal, para um humano, também cometi alguns erros (rsrsrs).

Exemplos? Adolescente, durante o curso secundário, matei aula para ir a praia. Para namorar.  Para jogar bola na quadra do colégio, e outras razões nada nobres que esqueci.

Deixar de ir a aula para ir para a praia da Boa Viagem, custou-me cair num boeiro destampado, o suficiente para ralar meu peito. Os colegas da irresponsável aventura riram muito. 

Principalmente o José Carlos Senna, que confessadamente poderia ter evitado alertando sobre o risco adiante.

Conversávamos, e enquanto olhava para ele me distraí o suficiente para enfiar um pé no vazio e cair estabacado.

Faltar à aula para namorar com a Doroty, minha primeira namorada, levou-me e mentir para minha mãe. Muito inocentemente (Doroty nem tanto), à falta de um lugar para namoramos, propus que  pegássemos a barca e fizéssemos a travessia da baia.

Tomaríamos um sorvete na Praça XV e voltaríamos na barca seguinte. Teriam transcorrido duas horas praticamente.

Naqueles anos iniciais da década de 1950, todo mundo tinha que ir ao Rio de Janeiro: para trabalhar, para fazer compras, para passear, visitar parentes e várias outras finalidades.

Deu-se o inevitável, uma amiga da família viu-me com a namoradinha. Como a tinha avistado, evitei ao máximo me aproximar desde a entrada na estação até o embarque na barca da Cantareira, na vã esperança que ela não me tivesse visto.


Mas ela viu e, vizinha nossa, comentou com minha mãe que tinha me visto indo para o Rio de Janeiro. Não acredito que o fez por maldade, mas por falta de assunto melhor.

Eram os tempos de "Mariquinha e Maricota", quando vizinhas, de uma janela para outra, ou diante da casa de uma delas, ficavam falando da vida alheia. Os humoristas apelidaram estas personagens de piadas, crônicas e contos, como "Mariquinha e Maricota".

Nelson Rodrigues criou a figura da "vizinha gorda e patusca", quem não se lembra?

Pois muito bem, tive que negar, como Pedro o fez três vezes, e como Lula faz todo dia em relação ao triplex no Guarujá e ao sítio em Atibaia.

Minha mãe, por alguma das inúmeras razões que levam-nas a proteger a prole, aceitou minha negativa. E morreu ali o assunto que não foi parar nos ouvidos de meu pai.

Menino, entre praticar as incontáveis recomendações sobre educação e maneiras diante de pessoas mais velhas ou com as quais não tínhamos intimidade, e a enorme vontade de provar uma iguaria que estava sendo feita diante de meus olhos, paguei um vexame.

Vou contar o que sucedeu. Dona Heloísa e seu Alberto moravam na última casa da vila onde também morávamos, no número 21 da Rua São Diogo. 

Para a época era uma família de classe média alta, porque comerciantes. Tinham uma loja que vendia, consertava e alugava bicicletas. Eram concorrentes do "Cicle São Bento", que eventuais leitores mais velhos e residentes na cidade hão de lembrar.

Não tinham filhos, mas hospedavam parentes vindos de Minas Gerais. Os irmãos Fausto e Djalma, por exemplo, seus sobrinhos, vieram e foram trabalhar no cicle.

Certa tarde de domingo, D. Heloisa assava no forno à lenha que mandara fazer em seu quintal, algumas  apetitosas cavacas. E como cheiravam bem.


Entrei, por alguma razão,  em seu quintal. Abro um perêntesis para explicar duas coisas. Uma é que o meu melhor amiguinho era o Tãozinho, um dos sobrinhos do casal, que sempre passava as férias em Niterói. Era uma amizade intermitente, durava os períodos de férias.

A segunda coisa é que a casa deles, por ser a última da vila, era uma das duas únicas que tinham entrada de serviço na lateral da casa. A outra era a primeira, logo na entrada da vila, porque ocupava a esquina.

Entrei por este portão lateral e lá estava parte da família degustando cavacas. Assim que a dona da casa tirou outra fornada, ofereceu-me uma, ainda quente. Balbuciando "não obrigado" e balançando a cabeça no movimento negativo, estendi a mão para pegar a cavaca.

Dona Heloísa não perdoou, e eu jamais a perdoei. Não deixou passar em branco o episódio e fez questão de comentar acentuando: "ele balançou a cabeça que não queria mas estendeu a mão para alcançar o biscoito".

Não me dera conta do ato, mas o comentário dela envergonhou-me. Não na hora, mas passado o irresistível desejo de comer a iguaria. E até hoje não perdoo a maldade que ela fez.

Não me levou a fazer análise, mas a nunca mais ir até sua casa. Claro que por vergonha.

Por último confesso um malfeito de data mais recente, embora já lá se tenham passadas  pelo menos quatro décadas.

Não tenho um foto sequer, mas durante cerca de três anos fumei cachimbo. Tinha a parafernália necessária, inclusive o isqueiro próprio para acender. Comprei uns três de tamanho e formato diferentes e acabei ganhando uns dois de amigos que os trouxeram de viagens ao exterior.

Isso foi vergonhoso? Não, nem de longe. Mas ficou associado a um malfeito.

Recém alçado ao nível gerencial (daí o cachimbo e as gravatas de ceda), passei a comprar uns dólares,  no câmbio negro, não como investimento, mas como reserva segura.


Precisava, entretanto, guarda-los em casa e bem guardados. Que fazia então, achando que assim manteria as verdinhas fora dos alhares e alcance de quem quer que fosse?

Colocava os dólares numa lata de fumo Half&Half, que ficava bem a vista na estante, ao lado dos cachimbos. Sempre na esperança que eventuais ladrões não fumassem e nem reparassem na lata; e tampouco nossa doméstica.


Para camuflar ainda mais, sobre as cédulas de dólares dobradas colocava um pouco de fumo, de sorte a parecer que a lata continha somente este produto.

Manter dólares sem declarar origem era (ainda é?) proibido. 

Será que este crime prescreveu? Alô Receita Federal, estava brincando viu? Isso narrado aí acima é pura ficção.

Por fim, cometi um pecado: desejei a mulher do próximo. Era muito criança, ainda na fase masturbatória. Nunca tinha ido aos finalmente como diria Odorico.

Nossa vizinha da esquerda, casada mas sem filhos, era uma mulher aparentemente recatada. Vestia-se com sobriedade, roupas cumpridas, fechadas quase na altura do pescoço, mas era uma morena alta, nem magricela e nem gordona, cintura pronunciada.

Para mim um tesão. Meus olhares eram de cobiça mas não passei das homenagens de estilo. Como diria o Martinho, "me possuindo".

4 de dezembro de 2017

Dois dedos de prosa sobre futebol

Tenho andado meio afastado do futebol. Não da prática, eis que isto ficou num passado muito remoto.

Falo do assistir e torcer. E, como a maioria dos brasileiros, debater, discutir.

Acreditem que fiz uma opção inteligente, ler mais e me aborrecer menos.

Com efeito, trabalhar, manter o blog, ficar atualizado com a política e a economia, caminhar na praia, ajudar em pequenos afazeres domésticos, assistir seriados de TV, tudo isso e muito mais, é uma carga pesada por demasia para um velho com praticamente 78 anos de idade.

Andei meio afastado dos livros e a eles estou retornando.

Mas fui um amante do futebol.

Meu pai foi presidente de clubes de futebol, em Niterói e em São Gonçalo. Meninote,  eu gostava de acompanhá-lo para assistir jogos de campeonatos municipais. Perdia um tempo enorme assistindo campeonato de futebol de areia. Enfim, até mesmo peladas me atraiam. Por favor, no duplo sentido.

Quem lembra ou ouviu falar do Carioca, do Metalúrgico, do Mauá, do Tamoio, do Vidreira, todos de São Gonçalo; ou do Manufatura, do Ipiranga, do Fluminense, do Fonseca, do Byron, estes de Niterói?

Pois sé, estes campeonatos municipais eram bem disputados, e acompanhados por alguns aficionados. Revelavam bons valores para o futebol da capital, onde era disputada a mais charmosa competição do país: o campeonato carioca de futebol.

E os times que sequer eram federados? Em São Gonçalo, o Estrelinha, com sede na casa de meu tio João (presidente do clube), irmão de meu pai, revelou o excelente Altair (Altair Gomes de Figueiredo), que antes de chegar ao Fluminense (jogou mais de 500 partidas pelo clube) e mais tarde à seleção nacional (foi reserva de Nilton Santos em 1962), passou pelo Manufatura, em Niterói.


Altair, no Estrelinha, era médio volante. Depois, como profissional,  virou lateral esquerdo.

Feita a digressão, chego ao ponto que me motivou falar sobre futebol, numa recaída Estou pasmo com a comemoração do Flamengo, ao ganhar, numa semifinal, de um timéco da Colômbia.

Com efeito o Junior de Barranquilla (Club Atlético Junior), não disputaria a série “B” do campeonato brasileiro. Trata-se de um dos mais medíocres, inocentes e sem preparo que vi jogar uma competição internacional.

Ganhar deles é tomar bala das mãos de criança, é empurrar cego escada abaixo.

Cá para nós, o que esperar de um clube que disputa a segunda divisão de competição continental? Não esqueçamos que a principal competição sul-americana é a Taça Libertadores da América; a tal Copa Sul-Americana (que o Flamengo disputa) reúne equipes que se classificam nas posições intermediárias nas competições nacionais.

Já pensaram os 4º, 5º e 6º colocados no campeonato colombiano? Que podem render?

Já ouvi falar no Atlético Medellín, no Deportivo Cali, no Milionários, no Santa Fé, no Once Caldas, e até no Colima, mas este Junior é novidade para mim.

E a fase ainda é semifinal, ou seja, há que enfrentar, ainda, o Independiente, da Argentina, este sim, com história, não fora o maior ganhador da Libertadores da América, com sete conquistas, sendo três de forma consecutiva.

Você perguntará, mas com tantas conquistas o Independiente foi parar na Copa Sul-Americana. Eu respondo: o Brasil não perdeu de 7X1 da Alemanha, jogando em casa? O Vasco não foi rebaixado três vezes? O modesto Leicester não conquistou, em 2016, pela primeira vez a Premier League?

Acidentes acontecem. O Junior de Barranquilla foi um acidente. Nem o Vasco perderia esta fase semifinal para este bisonho time colombiano.

Mas a mulambada comemora ruidosamente.

E querem saber mais? O Flamengo com um orçamento 27 vezes maior conquistou o mesmo número de pontos (56) do Vasco. 

https://globoesporte.globo.com/rj/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/colados-na-tabela-distantes-nas-cifras-fla-investiu-27-vezes-mais-que-vasco-no-ano.ghtml

E não fora o penalti irresponsável  do zagueiro do Vitária, o Vasco ficaria na frente.

Mérito do Vasco? Não! Claro. Temporada medíocre da urubuzada.

Lamento pelo Botafogo, que pela campanha ao longo da temporada, com um time modestíssimo, morreu na praia.

Por fim, o primeiro tempo do jogo do Grêmio contra a Lanús, foi perfeito.

3 de dezembro de 2017

Vagar, devagar e divagar

Tenho enorme curiosidade, mas nenhum desejo de conhecer o universo. O Cosmos, para mim, deve se assemelhar a um enorme deserto.

Se no deserto é possível caminhar horas e quilômetro com uma mesma paisagem, imagino que no espaço sideral deva ocorrer o mesmo.

Tirante, talvez, o momento de aproximação com um planeta, ou outra Galáxia, deve ser tudo monotonamente parecido. Ou não?

Quem, por estudo ou experiência astronáutica souber, que me corrija se estou enganado.

Chegar próximo a Saturno e divisar seus coloridos anéis deve ser uma experiência e tanto. Mas e a jornada até lá? Teria alguma graça?


Noutro dia em conversa telefônica com o Sergio, ex-colega de lides estudantis, na extinta FESN, ele me falava de seu desapontamento com viagem marítima que acabara de fazer. Para ele cruzeiro, nada obstante o conforto do transatlântico, não tem a menor graça quando em alto mar.

A mesma paisagem, composta de céu e mar. Como arrematou ... um tédio.

Já outro amigo, da mesma época, mas de convivência no Liceu, o Carlinhos, acha os cruzeiros marítimos interessantíssimos. Inclusive me estimulou a programar e fazer um passeio porque é muito prazeroso, sob todos os aspectos.

Bem, vagar pelo nosso planeta é uma experiência única, rica, comovente, enriquecedora. A diversidade de hábitos e costumes, os idiomas, as religiões, a gastronomia, as histórias de conquistas, tudo é muito interessante e curioso.

Recapitulando, mentalmente, as viagens que empreendi, constato não haver arrependimento a lamentar. Talvez que a um ou outro país não retorne jamais. Mas ter conhecido valeu a pena.

Em contrapartida são inúmeros os países e/ou cidades que tenho enorme vontade de voltar a visitar.

E aí entra a segunda palavra do titulo: devagar.

Lógico, não havendo alternativa, vá e volte num pé, mas se puder viage com calma, devagar, aproveitando cada minuto de cidades como Viena, Paris, Londres, Roma... e tantas outras.

Resta-me divagar sobre o tema viagens, eis que empreender novas está se tornando cada vez mais improvável.

As razões são muitas, e os custos só têm peso porque a classe econômica está cada dia pior. E este era (é) meu padrão de viagens. 

Os transtornos nos aeroportos – atrasos, alterações de portões de embarque, rotinas da imigração, sciopero na Itália, esquemas de segurança constrangedores – são parte de um enorme leque de desconfortos, desencantos e aborrecimentos.

Em minhas divagações tento estabelecer um roteiro para uma viagem marítima que, salvo melhor juízo, elimina alguns dos inconvenientes elencados.

Não se trata apenas de escolha do roteiro, mas também e principalmente de seleção dos portos de atracação para passeios pela cidade.

Vagar pela cidade aportada, devagar, tirando proveito de cada instante, e assim poder no retorno divagar sobre a viagem, os lugares, o inusitado, o apaixonante.

As belas catedrais e mesquitas, as pontes sobre rios históricos, os castelos medievais, os teatros com concertos inesquecíveis.

Duomo Milão

La Sagrada Familia - Barcelona

Catedral de Santiago de Compostela
Como esquecer a missa do peregrino na catedral de Santiago de Compostela, quando rezada com todas as pompas: o incensário, coral e sinos. Como olvidar uma apresentação de parte da sinfônica, em Viena, no palácio de Schönbrunn; o curioso relógio astronômico de Praga.

Relógio astronôimico em Praga

Ou ainda o acervo do Musée D’Orsay, em Paris; o David, de Michelangelo, em Florença; o bacalhau degustado no D. Tonho, restaurante na cidade do Porto, à margem do Douro; e locais, obras, casas de pasto, teatros e pubs pelo mundo afora.

Dom Tonho, no cidade do Porto
Ficaram em minha retina as belas paisagens naturais dos Lagos Andinos; a imensidão do Rio da Prata, separando, como se fora um oceano, as capitais do Uruguai e da Argentina.

Os vinhos e queijos degustados, com  baguette e salame, em descompromissado bistrô parisiense;  o sorvete na gelateria La Carraia, em Firenze; um pedaço de torta da Gerbeaud, em Budapeste ...
Gelateria em Firenze
E o que conheço é apenas o correspondente a um pontinho de tinta, deixado por ponta de alfinete, ou menos, na rica imensidão do planeta.

Folheando devagar velhos álbuns, da época em que ainda tirávamos fotos, ponho-me a divagar, pensando em quem sabe voltar a vagar pelo mundo. Com lenço e com documento, itinerário fechado e dinheiro contado.

30 de novembro de 2017

Os limites da fé

Antes de coisa alguma devo corrigir o equivocado título. A fé tem sempre que ser ilimitada. Caso contrário não seria fé.

O que tem limite é o resultado esperado. Não se pode, mesmo com fé cega e forte, esperar mais do que seja contrário à natureza.

Sejam suas preces endereçadas a um santo católico, ou a um orixá, aos Devas, a Jeová, a Buda  ou ao próprio Deus diretamente, não há como esperar ser atendido em qualquer hipótese.

E já me apreço em explicar. Podemos pedir a cura de uma pneumonia e, tomando as medicações e seguindo as demais prescrições médicas, confiar na cura.

Mas não podemos, por exemplo, pedir que nos livremos da morte eminente em face de uma metástase avançada.

Ainda trago na memória a visita do principezinho à região dos asteroides de números 325 a 330. Num deles havia um rei, sem súditos. Logo, a chegada do príncipe deixou o rei muito orgulhoso eis que significava que passaria a ter um súdito.

O planeta era minúsculo. O rei era absolutista e não tolerava desobediência. Arrostava seu poder e direito de em tudo mandar.

Estabelecido o diálogo entre eles, o principezinho, com toda reverência e humildade, pergunta: - Majestade eu vos peço perdão por ousar interrogar-vos, mas sobre quem reinas? O rei responde simplesmente que reinava sobre tudo.

O príncipe quer confirmação: - Sobre tudo mesmo? E o rei reafirma: - Sobre tudo isso. - As estrelas vos obedecem? - Sim, não tolero indisciplina.

Não, não vou ficar aqui narrando parte do livro que era leitura obrigatória das misses no Brasil. Darei um salto para chegar ao ponto que pretendo.

Se o rei era atendido em tudo, governava sobre tudo, poderia atender um pedido do principezinho que queria ver um pôr de sol.  - Ordenai ao sol que se ponha, pediu.

E o rei: - Se eu ordenasse a um general que voasse de flor em flor como borboleta ou se transformasse em uma gaivota, quem estaria errado, eu o ele?
- Seria vossa majestade. - Pois então; só se pode exigir de cada um o que cada um pode dar. Eu tenho direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.

A conversa entre eles prossegue e o rei explica que o principezinho terá o por de sol que desejava, no horário adequado e de praxe, por volta das sete e quarenta.

Falando de mim, assim é que enxergo meu santo protetor, a quem peço que me proteja do mal e não me deixe cair em tentação, como contido na oração do Pai Nosso.

Ele me ajudara em tudo que seja razoável. E ainda assim se eu esgotar o que me caberia fazer também. Desistir da luta, e "entregar para Deus", como fazem alguns não é a melhor solução.

Pedir para não morrer seria absurdo. A imortalidade da matéria, do corpo, não é da natureza humana. Logo, imagino, não é falta  de fé não pedir o absurdo, o irrazoável.

Devo me contentar com a imortalidade da alma, se como suspeito, sem convicção mas com grande respeito, o espírito é imortal.

Mas não enveredarei por esse caminho. Não hoje; este tema ficará para uma próxima oportunidade. 

28 de novembro de 2017

Prima distante

Márcia Regina, prima, porque filha de primo, mora distante. Por isso o título. 

Informo aos menos atentos, mas antigos e fieis seguidores, que não se trata de postagem repetida. Com efeito em 2011 tratei de assunto semelhante. Está em : https://jorgecarrano.blogspot.com.br/search?q=primo+distante

Nas relações de parentesco,  nem somos tão distantes. A distância que nos separa, agora, é geográfica, é física.

A Márcia está vivendo, ora vejam, na cidade/distrito onde nasceu minha avó Ana, que é a bisavó materna dela Márcia. Onde tudo começou.

A frase intercalada acima, com conotação de surpresa (ora vejam) tem sua razão de ser. Pela vontade desta antepassada comum, quem deveria ter viajado até Viseu e lá, eventualmente, adotado providências, seria eu.

Explico. Informada que eu havia ingressado na Faculdade de Direito, da UFF, vovó Ana, a par da alegria de ter um neto advogado (outros tinham outras ocupações, tão ou mais nobres), em sua inocência achava que eu poderia voltar a sua terra natal e lá adjudicar seus direitos sobre os castanheiros que pertenciam aos seus pais.

Ora, eram passados muitos anos desde que ela deixou Viseu vindo para o Brasil já com duas filhas nascidas lá em Portugal, sendo uma delas exatamente a avó da Márcia Regina, a prima distante do título.

Disse-me vovó, ao cumprimentar-me pelo acesso à faculdade: “Ainda hás de ir ter até Viseu para reclamar meus castanheiros”.

Se não era exatamente assim a fala de minha avó, foi algo próximo a isso. Mas o  cerne era exatamente este.

Conheço um pouco de Portugal, mas não tenho explicação lógica para não ter estendido viagem até Lamego ou Viseu. Deveria tê-lo feito.

Limitei-me a Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Viana do Castelo, Bragança e Aveiro. Ou seja, estive relativamente bem próximo é lá não fui.

Este post está inspirado num outro, publicado em 2011, quando graças aos milagres virtuais da grande rede mundial de computadores, aproximei-me de um primo distante,  tanto quanto a Márcia, eis que também ele filho de um primo em primeiro grau.

Ironias do destino, ou opções equivocadas em nosso livre arbítrio? 

Foi preciso que estes primos distantes, de ramos distintos da minha família (paterna e materna) deixassem o país para que nos aproximássemos.

O Rick está em Greenville (South Carolina) e a Márcia em Viseu (Portugal). Ambos felizes e contentes.


Enquanto isso, aqui vivemos neste circo de horrores em que se transformou o Estado do Rio de Janeiro. A cada noticiário televiso ou cada acesso aos diferentes portais de notícias  na internet, ânsia de vômito.

Nota do autor: minha expectativa é que a Márcia Regina venha em meu socorro corrigindo eventuais erros de informação que tenha cometido e enviando imagens  da terra onde nasceu e foi criada a matriarca da família, mãe de sete filhos, viúva de dois casamentos.